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O académico e sociólogo Elísio Macamo defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de Moçambique construir um “Estado que aprende”, capaz de retirar lições da implementação das políticas públicas e adaptar as suas decisões aos desafios que surgem ao longo do tempo, em vez de se limitar a produzir novos planos de desenvolvimento.

Intervindo no painel “Prospectiva e Posicionamento Estratégico: 2026–2050”, integrado na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Macamo afirmou que o país não enfrenta um problema de falta de estratégias, mas sim de incapacidade institucional para aprender com a experiência.

“Eu acho que nós temos tido bons planos desde que este país foi fundado. Então, o problema não está na qualidade dos planos”, afirmou.

Para o sociólogo, um plano representa apenas uma proposta de acção e, por isso, pode falhar. O verdadeiro desafio, explicou, consiste em avaliar continuamente os resultados obtidos e incorporar as lições aprendidas na definição das políticas públicas.

“O grande problema que nós temos é o de nós não aprendermos institucionalmente. Não aprendermos daquilo que nós fizemos”, sustentou.

Segundo Macamo, Moçambique já possui uma agenda nacional suficientemente clara, consagrada na Constituição da República, documento que, na sua opinião, define os valores, os direitos dos cidadãos e as regras que devem orientar a governação.

“Nós já temos uma agenda. E, por acaso, até a melhor agenda que um país pode ter. Qual é essa agenda? É a Constituição da República”, afirmou, defendendo que qualquer plano de desenvolvimento deve respeitar os princípios nela estabelecidos.

O académico propôs que as instituições públicas passem a adoptar uma cultura permanente de avaliação das políticas, baseada em três perguntas fundamentais: que problema se pretendia resolver, o que foi aprendido durante a implementação e de que forma essa aprendizagem alterou a compreensão inicial desse problema.

“Não é ciência astronómica. É apenas uma questão de ser pragmático na abordagem das coisas da vida”, afirmou.

Durante a intervenção, Macamo manifestou ainda algumas reservas em relação à ideia, defendida por outros participantes, de que os planos nacionais devem manter-se inalterados ao longo de sucessivos ciclos de governação.

Na sua perspectiva, os governos democraticamente eleitos devem preservar liberdade para redefinir prioridades, desde que essa mudança resulte da aprendizagem acumulada e não de decisões arbitrárias.

“Um plano nunca pode limitar a liberdade democrática de um governo de tomar as suas decisões, porque um plano reflecte o conhecimento que nós temos agora e as prioridades que nós temos agora. Essas prioridades podem mudar daqui a três, cinco ou dez anos”, argumentou.

Por isso, acrescentou, “eu não coloco a mesma ênfase na necessidade de continuidade, se essa continuidade se referir ao plano. A continuidade tem que ser ao nível da aprendizagem institucional.”

Num dos momentos mais descontraídos da sua intervenção, o sociólogo comentou a metáfora dos animais utilizada na Agenda 2025 para ilustrar diferentes trajectórias de desenvolvimento, mostrando-se crítico da imagem da abelha como modelo a seguir.

“Aquela imagem da abelha é bonita por causa do mel que é doce, mas é um horror para mim. A abelha faz a mesma coisa a toda a hora”, afirmou, defendendo que Moçambique deve inspirar-se em diferentes características representadas por outros animais.

Na sua visão, o país deve aprender com “a prudência do cágado, a curiosidade do caranguejo e a auto-suficiência do cabrito”, em vez de procurar um único modelo de comportamento.

“Ao invés de nós nos concentrarmos apenas num animal, devíamos procurar saber quais são as qualidades que cada animal tem e que condições é que nós podemos criar para tirar proveito dessas qualidades”, explicou.

A concluir, Elísio Macamo reiterou que o maior desafio do país passa pela criação de instituições capazes de aprender continuamente com a experiência e de ajustar as políticas públicas à evolução da realidade nacional.

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O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, considera que os 50 anos da independência nacional devem ser celebrados dentro do espírito de paz e unidade nacional em todo o país.

Reagindo na manhã desta quarta-feira, à entrada do Estádio da Machava, na Provincia de Maputo, local que acolhe as cerimónias centrais dos 50 anos da independência nacional, Armando Guebuza disse que “Temos de continuar a valorizar a independência nacional”.

Para o efeito, a valorização dos feitos dos libertadores da pátria é importante, pelo que Armando Guebuza realçou a necessidade de recolha de dados biográficos sobre aqueles que deram a sua juventude por Moçambique. 

Para Armando Guebuza, o futuro de Moçambique deve incluir unidade, paz e desenvolvimento. 

O partido Frelimo saudou, esta quarta-feira, a todos os moçambicanos pela passagem dos 50 anos da independência nacional, que hoje se assinala. A seguir, a mensagem na íntegra do partido libertador. 

 “Compatriotas!

Neste momento histórico e de profundo orgulho nacional, a FRELIMO saúda calorosamente todo o povo moçambicano pelos 50 anos da Independência Nacional.

A 25 de Junho de 1975, sob a liderança firme e visionária da FRELIMO e do Saudoso Camarada Samora Moisés Machel, Moçambique conquistou a sua liberdade após longos anos de luta armada de libertação nacional. Essa data marcou o início de um novo capítulo para o nosso País, um capítulo de autodeterminação, soberania e construção de uma Nação unida, livre e justa.

Hoje, ao celebrarmos meio século de independência, rendemos homenagem aos heróis e mártires que tombaram pela liberdade do nosso povo. Honramos também todos aqueles que, com coragem e espírito patriótico, deram o seu contributo na luta pela emancipação política, social e económica da nossa Pátria Amada.

A FRELIMO reafirma o seu compromisso inabalável com os ideais da Unidade Nacional, da Paz, da Justiça Social e do Desenvolvimento Sustentável. Continuamos empenhados na construção de um Moçambique próspero, inclusivo e democrático, onde cada cidadão possa viver com dignidade e esperança no futuro.

Como FRELIMO endereçamos os nossos melhores parabéns àqueles cidadãos que, no dia 25 de Junho de 1975 nasceram livres do colonialismo e que, com Independência Nacional foram educados na moçambicanidade, incutindo neles valores Patrióticos que hoje os fazem de cidadãos comprometidos com o trabalho abnegado, tendo em vista o alcance da Independência económica.

Neste momento ímpar da nossa epopeia histórica, queremos encorajar o Camarada Daniel Francisco Chapo, Presidente da FRELIMO e Presidente da República de Moçambique pois, com determinação e sagacidade tem sabido dirigir os destinos do País, demonstrando sapiência, acção e coesão em prol dos moçambicanos.

Neste Jubileu das Bodas de Ouro da Independência de Moçambique, renovamos a nossa confiança no povo moçambicano e na sua capacidade de superar desafios e transformar o País numa referência de progresso em África.

Aos nossos hóspedes, desejámos-lhes boas vindas e desfrutam do melhor que o nosso País possui para lhes ofertar.

Viva Moçambique!

Viva os 50 anos da Independência!

Viva a FRELIMO, Partido libertador e Força da Unidade Nacional!

60 ANOS

CONSOLIDANDO A UNIDADE NACIONAL,

PROMOVENDO A PAZ E DESENVOLVIMENTO

FRELIMO, A FORÇA DA MUDANÇA!”.

 

Por Mauro Brito

É sempre gratificante e igualmente agradável regressar a esta casa, depois de ter através dela, editado dois títulos, um de poesia e outro de conto. O tempo passou demasiado depressa, e num piscar de olhos, estou aqui diante de vocês, para falar-vos desta obra e do seu proponente, o carismático Nelson Lineu, poeta de sorriso fácil, entre os mais chegados conhecido por chorão, com quem, de forma muito despretensiosa, comecei as lides literárias, junto com o Eduardo Quive, Amosse Mucavele, Madeira, Rosa, Amélia Matavel, Álvaro Taruma, Japone Arijuane, Jaime Munguambe, Mickson Zucula, Heráclito Mucache, entre outros. Nesse longínquo ano de 2010, contávamos as moedas e aguçávamos as estratégias de sobrevivência através da palavra, apesar de tudo, preparávamos o melhor mata-bicho de Maputo, salada de tomate companhada de pão assado em lenha, na cozinha do então, Centro de Estudos Brasileiros, actual Instituto Guimarães Rosa, sob a batuta do Professor, jornalista e poeta Calane da Silva, a quem devemos muito, pela nossa trajectória.

Lineu é um autor com quem se lida muito facilmente, logo me dei conta disso quando o conheci. Nunca vi-o ou senti-o azedo nos seus modos para com os outros, fosse quem fosse, sequer nunca precisou de motivos para sorrir e ser feliz, talvez por isso, habituou-nos a uma certa leveza. Essa leveza, seu notável traço, ultrapassa a dimensão no seu labor literário, é também uma leveza na sua expressão e no modo de ser. Lineu, é um poeta que não só escreve mas também vive poesia, na sua plenitude, a sua poesia é fina, refinada, e suave. Basta-lhe um belo poema para que ponha logo com um largo sorriso e lágrimas no canto do olho.

A sua faina iniciou com a publicação, em estreia, de “ Cada Um em Mim ”, género poesia, depois de um hiato publicou “ Asas da Água ”, também no género de poesia, como se estivesse à procura de si, ou de salto magnânimo, à procura de uma certa postura num mundo desequilibrado. Depois seguiu-se o livro de crónicas, “ O Passo Certo no Caminho Errado ”, durante a vigência da COVID 19, livro este, em formato digital, que levantou alguma poeira no tráfego literário nacional, pano para outra veste. “ Sopro ”, seu primeiro livro de contos, que teve carimbo exclusivo da sua Mãe, foi um regresso à sua província, à sua distinta cidade, Quelimane. Nelson Lineu, que segue as pegadas do biólogo e pai da taxonomia Carlos Lineu, traz-nos uma nova forma de olhar o mundo à nossa volta, com possibilidades de podermos encontrar no nosso meio uma forma de viver a infância e a relação com os nossos avós, longe das telas e das artificialidades.

Bom, deixemos de lado a cidade de Quelimane e essa viagem na boleia da bicicleta, pois essa matéria é para outro texto. Hoje, vou levar-vos um pouco para dentro desta estória proposta pelo Lineu e pelo mestre Idasse Malendza. O texto, “ Quem ensinou a avó a contar estórias ”, começa logo com um título ambíguo, dado que o autor não define se trata-se de uma pergunta ou de uma afirmação, essa escolha, estratégica, impele-nos à um determinado sentido, dependendo do timbre e ritmo da nossa leitura. Por um lado, como se revelássemos um segredo, por outro, como se não quiséssemos assumir que sabemos do segredo. A nossa voz tudo dirá, se assim quisermos. A estória, que muito bem conhece os cantos do baú onde esteve a apanhar tempo, visto que, segundo o próprio autor, já tinha a base feita, faltando-lhe a cereja no topo, feito que conseguiu depois de um hiato de 3 anos. Nem o tempo conseguiu desvirtuar as belas imagens sugeridas, tanto pelo autor, assim como, as belíssimas ilustrações do mestre Idasse, que muito bem acompanham. Ou melhor, foi o Lineu quem pegou por empréstimo a paleta do mestre e foi construindo o seu texto com muita suavidade.

Este mesmo texto, representa aos olhos do narrador, uma criança fascinada pela palavra, encantada pelo prazer que a narração transmite, representa um regresso ao lugar seguro, que a infância é, dele e de todos nós. Conforme observa “ (Eliane Debus, 2017, p28) o texto literário, sua feitura por meio da linguagem, carrega consigo uma força humanizadora, considerando que, como observa Cândido, “ satisfazem  necessidades básicas do ser humano, sobretudo através dessa incorporação, que enriquece a nossa percepção e a nossa visão do mundo ”.

Através da voz e dos olhos da Olga, por meio de uma linguagem simples e ritmo suave, vamos sendo guiados por vários momentos de transição, com um desenrolar da estória com muita intensidade e leveza ao mesmo tempo, pode-se destacar alguns, como tais: a morte do avô, o momento de decisão quando a avó decide começar a contar estórias, muito a contra gosto, sob o risco de decepcionar-se e decepcionar os seus netos, como forma também de reconciliar-se com a morte, por outro lado, proporcionar um momento de delícia com os netos.

O que a Olga, exímia narradora desta estória, na primeira pessoa, nos quer ensinar em parte, é que através da partilha genuína e espontânea das palavras, ou mais particularmente do conto, estabelece-se uma relação de proximidade, mais humana e com duração garantida. O acto de contar e ouvir, são muito especiais e essenciais à vida humana, e exigem uma postura diferente.

Outra marca do texto, começa por reflectir sobre o significado de ser avó, que, em parte, deve-se ao facto de, saber traduzir o mundo em forma de narrativa e ensinar a ver e ouvir o mundo envolvente. Esse posicionamento da personagem influencia como a estória é conduzida, sem haver espaço para escolhas, pois o texto inicia já com a trama instalada, colocando-nos também em estado de ansiedade e apreensão, e certa empatia também.

O texto traz à tona os valores humanos como a empatia, que envolve toda a família de forma mútua. Essa relação neta-avó, ultrapassa a co-sanguínea, ao ponto de a neta sentir a dor da avó, conforme atesta o trecho: “ Essa incapacidade roubava-lhe a alegria e sorrriso que a caracterizavam, a ponto de sentir-se um pouco menos avó. Dentre os netos, só eu sentia a sua dor, e não era por eu ser a primeira neta ou por morar com ela e o avô Angorete ”.

Este conto, é sobre sentimentos que despertam em nós ao ler este texto, que causam uma certa comoção, ao tratar com tamanha sensibilidade e cuidado, de temas profundos da humanidade, o porquê da avó não saber contar estórias. É essencialmente uma obra sobre o amor, através do qual possamos restaurar o bom hábito nas famílias, o de encontrar sempre espaço para a convivência e partilha de momentos.

Ao distinguir avô Angorete como melhor narrador que conheceu, a neta, não só redefine essa figura de avô, como humana, sensível, mas também, reconhece o valor simbólico e o significado que tem nas suas vidas, com o devido respeito e consideração, hoje muito atiradas à sarjeta, senão vejamos o que se ouve através das histórias que desfilam pelos canais de televisão. É tão evidente, que a relação até certo ponto, determina a qualidade de sono do personagem, não fosse a narradora ter uma qualidade de sono sujeita ao fecho com chave de ouro, dado pelo avô Angorete.

Quem ensinou a avó a contar estórias não é um livro difícil, basta que nos coloquemos na situação da personagem, pela qual desenvolvemos desde as primeiras linhas uma tamanha simpatia pelo avós, onde a palavra assume um significado de alimento, de guião e ferramenta.

O narrador, como se pode ver, ignora as motivações que levaram a avó a não saber contar estórias, mas diz-nos quando, com o nascimento da neta que mais tarde vai ser peça-chave no desfecho da estória. O momento de contar história, assume um significado muito maior, na medida em que recria-se aí, um momento de afecto, mágico, durante o qual são passados ensinamentos, estreita-se relações e cultiva-se o amor sem medo.

O acto de narrar uma estória é um acto que vai além do momento em si, que impacta directamente o leitor e o ouvinte, como podermos aferir no trecho seguinte “ Naquele momento percebi que, mais do que nós, os netos, a avó sentia a falta das estórias.”

Estamos perante uma narrativa fluida, com recurso a uma certa dose de metalinguagem, sem ser muito complexo. O Lineu, não se desvia em cenários, como quem capricha num enchido pronto a defumar, ele sabe o norte para onde a sua mão deve-se dirigir. O seu foco é o diálogo, sem bengalas, e propositadamente deixa a missão ser encetada por uma menina, que assume um significado de recomeço, de inclusão, numa abordagem completamente oposta aos padrões clássicos, onde a criança não tinha direito a opinião.

O texto já vai longo, e nesse passo, não vai sobrar nada ao leitor, que certamente quererá explorar ao seu belo prazer os contornos desta belíssima estória. Então, termino dizendo que, este livro, mais do que proporcionar uma viagem à minha infância, levou-me a revisitar os deliciosos momentos que passei com os meus avós, em Nampula, espero que para vocês também funcione como uma chave, para abrir novos caminhos, nessa viagem, que a vida é.

Boa viagem!

A persistente falsificação de documentos, corrupção e viciação de processos continuam a preocupar as autoridades moçambicanas do sector de transporte rodoviário, especialmente nos exames de condução.

Na semana passada, dois jovens foram detidos na cidade de Maputo ao tentarem realizar, de forma fraudulenta, exames teóricos para obtenção de carta de condução de veículos de carga. A tentativa ocorreu nas novas instalações da Direção de Transporte da Cidade de Maputo e foi frustrada graças à vigilância apertada dos examinadores.

Os detidos agiam com aparente experiência, dando sinais de que não era a primeira vez que se envolvem nesse tipo de esquema. O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) afirma que “a fraude foi identificada durante a comparação das fotografias fornecidas com os documentos apresentados, o que permitiu evitar a emissão irregular da carta de condução.”

O INATRO reconhece que estas práticas criminosas resultam de fragilidades em algumas escolas de condução. A instituição admite que, embora o crime se manifeste nos seus exames, o problema pode originar-se fora da sua alçada directa, principalmente no processo de formação dos candidatos.

Para combater a fraude, a instituição está a implementar um conjunto de medidas estruturantes. Entre elas, está a criação de sistemas de monitoramento de todo o processo de exame, com o objectivo de reduzir o contacto directo entre examinadores e candidatos.

“Além disso, está em curso a instalação de centros inteligentes para exames teóricos e práticos. Estes centros utilizarão tecnologia avançada para minimizar a influência humana nos processos de avaliação, assegurando maior transparência e rigor na certificação dos condutores”, disse Claudio Zunguze, administrador do pelouro técnico.

Outro passo importante é a criação de um sistema integrado de emissão de cartas de condução. O objectivo é garantir uma comunicação eficaz entre os diversos sistemas envolvidos desde a inscrição dos candidatos até à impressão das cartas, evitando interferências externas que possam comprometer a legalidade do processo.

Enquanto se aguarda pela implementadas, os indivíduos apanhados a viciar os exames foram punidos com uma suspensão de até 12 meses sem possibilidade de voltar a realizar testes, como forma de desencorajar a prática criminosa e reforçar a integridade do sistema.

O Infantário Provincial de Xai-Xai está a registar casos de desnutrição crónica. A direcção desta instituição confirma três casos de crianças desnutridas, assim como revela que há falta de material higiénico e condições para atender crianças com necessidades especiais.

O maior infantário da província de Gaza enfrenta várias dificuldades, facto que condiciona o funcionamento normal da instituição. O director do Infantário Provincial de Xai-Xai, Salomão Maló, explica que as três crianças já estão em tratamento, ainda que admita que são casos complexos.

Mas estes não são os únicos problemas. Há mais anos que a instituição funciona com défice de pessoal, falta de condições estruturais, como é o caso de alimentação adequada para as crianças que vivem nesse orfanato. Segundo Salomão Maló, esse facto deve-se à não libertação de fundos por parte das autoridades governamentais locais e de parceiros. 

“São esses fundos que ajudariam na compra de alimentação e diversos materiais vitais para o funcionamento normal do infantário, como é o caso dos artigos de higiene e de protecção”, explica o responsável pelo Infantário Provincial de Xai-Xai. 

Ainda em relação à falta de condições neste infantário, os funcionários relatam que têm enfrentado muitas dificuldades para cuidarem das crianças. Relatam também que tem havido atrasos salariais. 

Sobre os alegados maus tratos de que as crianças suportamente têm sido alvos, Salomão Maló nega que tal aconteça no Infantário Provincial de Xai-Xai.

Já arrancaram as obras de construção do Centro de Saúde de Ngena, província de Sofala, local onde a primeira dama prometeu, no início deste mês, que mobilizaria fundos para ajudar a melhorar a qualidade de vida da população local.

O dinheiro para o arranque das obras provém de parceiros nacionais e estrangeiros do Gabinete da Primeira-Dama, e mais de metade da mão-de-obra será local.

No dia 3 deste mês, a primeira-dama da República, Gueta Chapo, escalou a região de Ngena, distrito do Búzi em Sofala, onde o seu gabinete pretendia assistir pessoas carenciadas.

Nesta localidade, Gueta Chapo foi confrontada com a falta de uma unidade sanitárias, facto que tem estado a contribuir para deteriorar a saúde das mais de quatro mil pessoas que aqui residem. Durante a visita, a primeira-dama interagiu com uma família na qual uma criança contraiu deficiência devido à falta de assistência médica atempada.

Comovida com a situação, Gueta Chapo prometeu mobilizar fundos para a construção de um hospital. Vinte dias depois, a esposa do Presidente da República regressou a Ngena para anunciar uma boa nova, tendo, nesta segunda-feira, procedido ao lançamento da primeira pedra para a construção da unidade sanitária.

A população de Ngena está satisfeita com a construção da unidade sanitária, tendo em conta que vai minimizar o seu sofrimento. A população conta que, com a entrada em funcionamento do hospital, deixarão de percorrer longas distâncias à procura de cuidados médicos.

Apesar de Ngena possuir cerca de quatro mil habitantes, o futuro hospital irá beneficiar cerca de 20 mil pessoas que residem nas áreas circunvizinhas, não só do distrito do Búzi, mas também do distrito de Chemba, que também enfrenta problemas de acesso a unidades sanitárias.

O Presidente da República recebeu, esta terça-feira, em audiência, o embaixador de Portugal em fim de missão diplomática em Moçambique, António Manuel Coelho da Costa Moura. O encontro, de carácter protocolar e simbólico, serviu para a apresentação de cumprimentos de despedida e reafirmação dos laços históricos entre os dois países.

À saída da audiência, o diplomata português enalteceu o gesto do Chefe de Estado moçambicano, classificando o momento como particularmente especial por coincidir com as celebrações dos 50 anos da independência nacional. “Foi uma reunião fundamentalmente de cortesia, mas que simboliza bem a relevância das relações entre Portugal e Moçambique”, declarou.

O embaixador sublinhou que o Presidente da República de Portugal participará nas cerimónias oficiais do jubileu da independência moçambicana, reforçando a importância da relação bilateral. Durante o encontro, António da Costa Moura agradeceu a hospitalidade moçambicana e expressou a sua intenção de manter os laços com o país. “Continuarei sempre a levar Moçambique no meu coração, mesmo após o término da minha missão diplomática”, disse.

Ao fazer um balanço da cooperação entre os dois países, o diplomata destacou o bom estado das relações, referindo que Portugal e Moçambique atravessam um momento favorável para o aprofundamento dos laços, graças à recente entrada em funções de novos governos em ambos os países. “Este alinhamento de ciclos políticos cria condições propícias para irmos mais longe nos próximos quatro ou cinco anos”, afirmou.

No domínio económico, António da Costa Moura defendeu o fortalecimento das trocas comerciais, apontando que Portugal é, atualmente, um dos dez maiores investidores em Moçambique, com cerca de 400 empresas, na sua maioria pequenas e médias, a operar no país. Sublinhou ainda que o ambiente de negócios em Moçambique tem registado melhorias, o que contribui para reforçar a confiança dos investidores.

A cooperação entre os dois países abrange diversas áreas, com destaque para a defesa, educação, saúde e desenvolvimento económico, no âmbito do Programa Estratégico de Cooperação. O embaixador reiterou o compromisso de Portugal em continuar a apoiar o progresso de Moçambique.

“Foi uma experiência profissional e pessoal extremamente gratificante. Levo comigo as amizades, o carinho e o respeito que encontrei em Moçambique”, concluiu o diplomata.

Ministro da Defesa israelita diz que foram detectados mísseis iranianos cerca de duas horas depois da entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos EUA.

O presidente norte-americano, Donald Trump, acusou tanto Israel como o Irão de violarem o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em declarações aos jornalistas na Casa Branca antes de partir para a cimeira da NATO em Haia, nos Países Baixos.

“Eles [Irão] violaram-no [o cessar-fogo], mas Israel também o violou”, reagiu, questionado sobre o lançamento de mísseis balísticos por parte do Irão. Segundo Trump, citado por Euronews, Telavive “descarregou” logo após ter aceitado o acordo.

“Não estou satisfeito com Israel”, adiantou, sublinhando também que, com os ataques norte-americanos, as capacidades nucleares do Irão desapareceram.

Logo após fazer declarações aos jornalistas a criticar a actuação do Irão e de Israel, Trump deixou um aviso a Telavive na rede social Truth Social.

Após a ligação, Trump recorreu novamente às redes sociais para garantir que Israel não vai atacar o Irão, menos de uma hora após acusar ambos os lados de violar o cessar-fogo americano.

“Israel não vai atacar o Irão,” escreveu na Truth Social. “Todos os aviões vão dar meia volta e voltar para casa, enquanto fazem um amigável ‘aceno de avião’ ao Irão. Ninguém será ferido, o cessar-fogo está em vigor!”

Segundo o EuroNews, durante a ligação, Netanyahu terá dito a Trump que Israel está mais inclinado a realizar o ataque, uma vez que é necessária uma resposta à violação do cessar-fogo pelo Irão, de acordo com a imprensa israelita.

O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, declarou que o Irão “violou completamente” o cessar-fogo depois de lançar dois mísseis contra o norte de Israel, cerca de duas horas após a entrada em vigor do acordo mediado pelos Estados Unidos e pelo Catar.

“Dei ordens às Forças de Defesa de Israel para que respondam com força à violação do cessar-fogo pelo Irão, com ataques intensos contra alvos do regime no coração de Teerão”, afirmou Katz num comunicado, dando indicações para ataques contra alvos paramilitares e governamentais iranianos em Teerão.

 

Mais de 40 pessoas, incluindo crianças e profissionais de saúde, foram mortas em ataque a um hospital no Sudão, no fim de semana, segundo informações avançadas pelo Director-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS),  na terça-feira.

O ataque de sábado ao Hospital Al Mujlad ocorreu em Kordofan Ocidental, perto da linha de frente entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido paramilitares, que lutam entre si desde o início do conflito em Abril de 2023.

O Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu o fim dos ataques à infraestrutura de saúde, sem dizer quem foi o responsável.

O escritório da OMS no Sudão disse que seis crianças e cinco médicos foram mortos no ataque, relatando grandes danos às instalações.

O grupo de direitos humanos Emergency Lawyers acusou um drone do exército de atingir o hospital no sábado, e em um comunicado no domingo estimou o número de mortos em nove.

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