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acusam o Ministério da Educação e Cultura de dever mais de 2,5 milhões de meticais em ajudas de custo, dois meses após o término de uma capacitação sobre a introdução da disciplina de Educação Moral, Cívica e Patriótica. A Direcção Provincial da Educação em Gaza reconhece apenas 645 participantes e atribui a demora no pagamento a erros na identificação dos beneficiários e nas respectivas contas bancárias

São, ao todo, cerca de 670 professores e formadores de Gaza, Maputo e Maputo Cidade que reclamam o pagamento de mais de ” 2,5 milhões de meticais em ajudas de custo”. Os beneficiários afirmam ter contraído dívidas para fazer face às despesas durante a formação e acusam o Ministério da Educação e Cultura de não cumprir o pagamento dos subsídios.

Em representação da Direcção Provincial da Educação, o chefe do Departamento de Educação Geral, Licínio Albino, confirma a existência da dívida, mas não avançou detalhes sobre o montante global em causa.

Albino explica que o pagamento ainda não foi efectuado devido a inconsistências nos dados fornecidos pelos professores, incluindo erros nos números de identificação e nas contas bancárias.

“Falha de um dígito, troca de outro dígito”, explicou Licínio Albino, acrescentando que os erros impediram o sistema de identificar correctamente alguns beneficiários.

A instituição diz ter devolvido o processo à origem para a correcção dos dados e garante que a documentação já foi novamente encaminhada à entidade competente para o pagamento.

Entretanto, apesar da pressão dos professores, a Direcção Provincial da Educação em Gaza não consegue indicar uma data concreta para a transferência dos valores, limitando-se a garantir que o pagamento poderá ocorrer “a qualquer momento”.

Licínio Albino reconhece que a demora levou os professores a recorrer aos meios de comunicação social, apresenta desculpas pelo atraso e apela à paciência dos beneficiários.

A Direcção Provincial da Educação diz ainda que cada um dos 645 professores deverá receber 1.800 meticais por dia de participação na formação, mas não avançou o montante global a pagar.

Os professores contestam este valor e afirmam que a ajuda de custo prevista é de 6 mil meticais por dia. Perante a divergência, exigem uma reunião urgente com a ministra da Educação e Cultura para obter esclarecimentos, bem como a responsabilização da directora nacional de Formação de Professores.

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Vários grupos de manifestantes bloquearam hoje algumas das principais estradas de Israel, para exigir um acordo de cessar-fogo e a libertação dos reféns na Faixa de Gaza, informou a agência de notícias Efe.

Alguns dos manifestantes incendiaram pneus para perturbar o trânsito em vários cruzamentos da cidade e outros protestaram em frente à casa de vários ministros israelitas, tal como mostram imagens partilhadas nas redes sociais por vários grupos pró-democracia israelitas.

Segundo a imprensa internacional, as manifestações são parte de uma série de protestos convocados para hoje pelo Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos, que representa a maioria dos familiares das pessoas raptadas nos ataques do grupo palestiniano Hamas de 07 de Outubro.

Há semanas que este grupo pede ao Governo israelita para pôr um ponto final na guerra e o regresso dos reféns.

Espera-se que várias marchas e protestos tenham lugar em todo o país ao longo do dia, culminando às 20:00 do horário local com uma manifestação na chamada Praça dos Reféns, em Telavive.

A 17 de Agosto, num evento semelhante, centenas de milhares de manifestantes encheram as ruas do centro de Telavive, para exigir um acordo que ponha fim à guerra, numa altura em que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, segue em frente com os planos de intensificar a ofensiva e tomar a cidade de Gaza.

Depois do 4º lugar conquistado na estreia na Fórmula 4 (F4), o piloto internacional moçambicano, Ghazi Motlekar, começou da melhor forma a luta pelos seus objectivos no seu primeiro ano de estreia na competição, ao conquistar o 2º lugar na 2ª corrida disputada no último sábado, no Madras International Circuit.
No segundo desafio do Campeonato Indiano da F4, o piloto moçambicano enfrentou vários desafios na sessão de qualificação, devido a falta de aderência dos pneus escolhidos para o efeito. Apesar deste constrangimento, ao longo da corrida de sábado o piloto conseguiu superar a forte concorrência dos seus adversários directos e conquistou o 2º lugar para Moçambique.
A 2ª corrida do Indian Racing Festival da F4 foi muito competitiva, e Ghazi Motlekar mostrou-se focado nos lugares do pódio em todos os desafios que têm pela frente. Na 3ª corrida, Ghazi Motlekar voltou a notabilizar-se em pista, teve uma excelente prestação e conquistou o 3º lugar para o país.
O foco e a determinação na luta pelos seus objectivos no primeiro ano de estreia na F4, foi fundamental para o piloto destacar-se ao longo das quatro corridas que fez no último fim-de-semana. Nas quatro (4) corridas disputadas no Madras International circuito, Ghazi Motlekar enfrentou vários desafios, sobretudo na corrida 4 e 5, e mesmo assim mostrou mais uma vez em pista que têm créditos firmados no desporto Motorizado e um futuro promissor na F4.
Moçambique destacou-se na 1ª edição do Festival ATCM de corrida de velocidade ao conquistar 9 troféus, mais 2 que a África do Sul que terminou a competição com 7 troféus conquistados. Os pilotos nacionais e sul-africanos apresentaram-se na sua máxima força e cada um deu o seu melhor em pista na luta pelos lugares do pódio.
A 1ª edição do Festival ATCM contou com a participação de 29 pilotos em pista divididos em seis categorias. A grelha de partida do Festival ATCM podia ter sido muito mais alargada, mas muitos pilotos nacionais e sul-africanos acabaram por falhar a corrida devido a problemas mecânicos durante os treinos livres e oficiais de competição.
Na classe A, Moçambique e o ATCM conquistaram o pódio, e o destaque vai para o trio dos pilotos da Sphere Motorsport, composto por Marco da Cunha, Sérgio Álvares e do sul-africano Peter. Na classe B, o destaque vai para o piloto Vic Dias que conquistou o 1º lugar para Moçambique, e o piloto sul-africano Rodney Kruilis que terminou a corrida em 2º lugar.
Por seu turno, o internacional moçambicano Zein Hussein também destacou-se e teve uma excelente estreia no Festival ATCM e conquistou o 3º lugar para Moçambique. Já o moçambicano Tiaz de Matos terminou as quatro mangas em 4º lugar na geral.
Na classe C, o sul-africano Frederick Watkins foi o grande vencedor, e os restantes lugares do pódio, 2º e 3º lugar, foram ocupados por Gareth Neil e Marthunes Lensley.
No final da competição todos os pilotos, moçambicanos e sul-africanos, atribuíram nota positiva à organização da 1ª edição do Festival ATCM, e enalteceram a iniciativa da Direcção do ATCM por ter conseguido juntar os pilotos dos dois países vizinhos na promoção do festival em referência.
Como forma de apoiar a brilhante iniciativa da Direcção do ATCM, o departamento de velocidade, o Director de Corridas, bem como os pilotos Nico Banze, Faudo Sidique e Zein Hussein, que tiveram um papel preponderante para a participação dos pilotos sul-africanos do Silver Cup, prometem estar em peso na próxima edição do Festival ATCM.

O Conselho Municipal da Maxixe vai levar à justiça duas empresas de construção que receberam dinheiro público para obras de estradas que nunca chegaram ao fim.  Para o edil, Issufo Francisco, a situação é inaceitável e diz que empresas desonestas não podem enriquecer à custa do erário, deixando para trás promessas quebradas e uma população prejudicada.

Um troço, com pouco mais de um quilómetro, é símbolo de uma obra que deveria estar concluída há muito tempo na cidade da Maxixe. O empreiteiro recebeu milhões do município para garantir a execução, mas não cumpriu com a sua parte e agora carrega nas costas a possibilidade de enfrentar a justiça.

As empresas responsáveis abandonaram o local, deixando para trás obras inacabadas e uma população à espera de respostas. Indignado, o edil da Maxixe afirma que não há espaço para empreiteiros desonestos que se aproveitam do dinheiro público e traem a confiança da cidade.

Issufo Francisco revelou a situação durante uma visita às obras de construção de mais de dois quilómetros de estrada, realizada esta segunda-feira. No terreno, a realidade revelou que parte dos trabalhos continua atrasada, revelando mais um cenário de incumprimento de prazos.

 

Os funcionários do Conselho Municipal de Xai-Xai decidiram, hoje, manter a greve iniciada semana passada, após um encontro sem consensos com o presidente da autarquia sobre a implementação da Tabela Salarial Única. O grupo exige os seus direitos e afastamento de alguns vereadores por suposto boicote ao processo, enquanto focos de lixos aumentam na cidade.

O impacto da paralisação de actividades por mais de 480 funcionários e trabalhadores sazonais do município de Xai-Xai, que começou há quase uma semana, começa a ser notório, à vista e está a preocupar os residentes da zona alta devido novos focos de lixo ao longo da Estrada Nacional Número 1.

Face à greve que tem por base a nova tabela salarial, que se previa implementar a partir deste   mês,  após suposta aprovação pela Assembleia Municipal, o edil  reuniu, esta  tarde,  a porta fechada com os funcionários, mas abandonou o local sem prestar declarações.

Não falou o edil, mas, os funcionários falaram sobre os pontos principais após a reunião que teve duração de uma hora.

Há previsão de novo encontro em Setembro, mas, enquanto isso, o grupo exige afastamento imediato de alguns vereadores por alegado boicote a implementação da nova tabela salarial entre outros

Esta é a segunda vez que funcionários do município de Xai-Xai paralisam completamente as actividade como forma de pressionar a edilidade a implementar a nova tabela salarial.

A selecção nacional de Angola derrotou a de Mali, por 70 a 43, na Kilamba Arena, omntem, conquistando o FIBA ​​AfroBasket de 2025, consolidando seu status como a nação mais bem-sucedida na história do torneio, com um décimo segundo título.

Segundo o Jornal de Angola, a vitória é o ápice de uma campanha impecável dos “palancas”, que encerra uma seca de 12 anos, marcando seu primeiro campeonato africano desde o torneio de 2013 em Abidjan, Costa do Marfim. Desde o início da final, a intensidade defensiva e a coesão ofensiva de Angola dominaram a talentosa seleção malinesa.

A equipa angolana, que jogava em casa, construiu metodicamente a sua vantagem, não deixando dúvidas sobre o resultado final. A vitória foi uma prova do desempenho completo da equipe, coroando um torneio em que eles se estabeleceram como a classe mais forte do torneio, adianta o Jornal de Angola.

Ora, ainda que a noite tenha pertencido a Angola, a jornada do Mali até a final foi uma conquista histórica por si só, terminando com um recorde de 4-3, a selecção garantiu o segundo lugar pela primeira vez na história do país, sinalizando sua chegada como uma nova potência no basquete africano.

Mais cedo, o Senegal conquistou uma confortável vitória por 98-72 sobre Camarões e conquistou a medalha de bronze. Este é o terceiro torneio consecutivo em que o Senegal termina em terceiro lugar.

Os prémios individuais do torneio foram entregues após a final, com o armador angolano Childe Dundao liderando a lista como o Jogador Mais Valioso do AfroBasket de 2025. Dundao também foi nomeado para o All-Tournament Team, ao lado de seu companheiro de equipe Bruno Fernando. Ambos foram acompanhados na equipa do All-Tournament por duas estrelas malianas, Mahamane Coulibaly e Aliou Diarra, e pelo armador senegalês Brancou Badio.

 

Mais de 300 famílias do posto administrativo de Savane, no distrito de Dondo, província de Sofala, passam a ter água potável à mercê da inauguração, no sábado, de um fontenário construído pelo Standard Bank. 

A infra-estrutura, que contém uma lavandaria comunitária equipada com quatro tanques, vai encurtar as longas distâncias antes percorridas pela população para ter acesso ao precioso líquido.

Inserida nas celebrações dos 130 anos, a construção deste sistema traduz o compromisso da instituição em contribuir para a melhoria das condições de saneamento, através da massificação do acesso à água potável no seio das comunidades, promovendo, assim, o bem-estar e a saúde pública.

Neste quadro, o Standard Bank decidiu estender a iniciativa a outros pontos do País, como forma de garantir melhores condições de vida e reforçar o seu contributo para o desenvolvimento social e sustentável, conforme explicou a presidente do Conselho de Administração, Esselina Macome.

“A vida sem acesso à água é extremamente difícil. A água é um recurso vital e, neste momento da nossa história, a sua escassez continua a desafiar o progresso das nossas comunidades. A construção desta fontenária é mais do que uma obra física. É uma resposta aos desafios do presente e um símbolo de esperança para um futuro onde o acesso à água seja um direito assegurado a todos”, sublinhou.

Com a entrada em funcionamento da fontenária, o distrito passa a contar com 19 sistemas de abastecimento de água potável, beneficiando cerca de 23.700 dos 250.766 habitantes. A taxa de cobertura situa-se em 66,39%, o que evidencia os desafios que ainda persistem nesta componente.

Na ocasião, o administrador de Dondo, Adamo Ossumane, destacou os benefícios da infra-estrutura, que, para além de encurtar as distâncias percorridas pela população, vai contribuir para a melhoria da higiene individual e colectiva, diminuir os riscos de contaminação por doenças diarreicas e combater a má nutrição nas comunidades beneficiárias.

“Com esta inauguração e consequente entrega à comunidade, fica provado mais uma vez que o desenvolvimento do País não está apenas adstrito ao Governo. Cada actor deve fazer a sua parte, à semelhança do Standard Bank, que construiu o sistema de abastecimento de água numa região que tanto necessitava deste precioso líquido”, frisou o administrador, apelando ao uso sustentável e à preservação da infra-estrutura.

Por seu turno, o secretário do bairro Savane-Sede, Aurélio Carlos, enalteceu a iniciativa do Standard Bank, que vai permitir que a população tenha acesso a água de qualidade para consumo, contribuindo, assim, para a redução da incidência de doenças como diarreias e cólera.

“Este sistema veio resolver o problema da falta de água da comunidade, que anteriormente percorria entre um e dois quilómetros para encontrar um furo. Vai beneficiar mais de 120 famílias só no nosso bairro, bem como a população das proximidades”, disse.

 

A Associação Cultural Converge+ e o Projecto Festival Raiz vão estrear a performance Wamini Wamini, dos bailarinos Enoque Simomole, Bobby Bakhar e Mutualibo, na sexta-feira, às 18h30, na Casa Velha, Cidade de Maputo.

Wamini Wamini é uma viagem coreográfica que entrelaça a força ancestral da dança tradicional com a liberdade expressiva da dança contemporânea. 

Inspirada pela ideia de que todos carregam raízes que nos ligam à origem, resgata movimentos, ritmos e símbolos herdados das práticas rituais e ancestrais, com o vigor do nhau, coroxo, xigubo e outras expressões corporais comunitárias, e os reconstrói num diálogo com o corpo contemporâneo.

Em cena, três bailarinos percorrem cinco momentos que reflectem o ciclo da vida: nascimento, ligação à terra, comunhão com a comunidade, confronta com o tempo e, por fim, o regresso simbólico às origens.

Cada gesto ecoa memórias colectivas, enquanto a música funde tambores e vozes tradicionais com texturas sonoras modernas, criando um espaço onde passado e presente se reconhecem.

A performance celebra a essência que atravessa gerações, lembrando que, independentemente do caminho trilhado, todos resultam da tradição e é nela que se encontra o verdadeiro movimento.

Wamini Wamini é a segunda apresentação pública dos resultados da Formação para a Profissionalização de Bailarinos Tradicionais em Contexto Contemporâneo, que decorreu de 2 a 27 de Junho, na Cidade de Maputo.

O programa é financiado pelo Fundo Création Africa – Moçambique, da Embaixada de França em Moçambique, e é implementado pela Associação Cultural Converge+ e o Projecto Festival Raiz, com o apoio do Centro Cultural Franco-Moçambicano.

 

Por: Paula Cristina

 

A literatura e a música moçambicana têm-se revelado cruciais para a reflexão sobre a identidade, não como ponto fixo, mas como um território em movimento, permeado por encontros, desencontros e reconstruções constantes.

O poema “Rio Inharrime”, de Otildo Guido, e a música “Xitchuketa Marrabenta”, de Stewart Sukuma, parecem, à primeira vista, propor gestos distintos. Uma obra mergulha na introspecção de um eu que hesita entre o que é e o que finge não ser. A outra explode em corpo, ritmo e pertença colectiva. É precisamente nesse contraste que ambas as obras se cruzam. Juntas oferecem interpretações complementares sobre o ser moçambicano, a partir de dois movimentos distintos: o rio que busca desaguar e a roda que gira para se afirmar.

Logo no início do poema de Otildo Guido, o sujeito poético confessa:

 

“Sou mistura

do que ainda não sou

e do que finjo não ser”

 

É uma declaração de identidade fragmentada, inacabada, por vezes negada. Este “ser” em constante desconstrução ecoa experiências reais de jovens moçambicanos que oscilam entre heranças culturais e imposições modernas. Fingir não ser pode significar silenciar raízes para sobreviver ou adaptar-se. O sujeito que se expressa nesse poema está em suspensão, como o rio que ainda não encontrou o seu mar.

A escolha do título “Rio Inharrime”, não é apenas geográfica, é simbólica. O distrito de Inharrime, na Província de Inhambane, é conhecido pela abundância de águas, lagos, riachos e uma ancestralidade ainda muito presente. É um lugar onde a terra se encontra com o mar, como se a geografia projectasse a identidade híbrida do eu poético. 

Quando o poema afirma: “Sou praia de água doce, sou rio de água salgada”, propõe uma contradição que é, afinal, profundamente moçambicana: a coexistência de elementos opostos, de culturas sobrepostas, de modos de vida em constante negociação.

Essa tensão também habita na música de Stewart Sukuma, embora por outras vias. Em “Xitchuketa Marrabenta”, não há hesitação. A identidade é proclamada com força e orgulho:

 

“Eu sou o pé que varre o chão

o pavor da solidão

afugento a escravidão

sou o pobre e sou o pão”.

 

Aqui, o sujeito canta-se a si mesmo como um corpo colectivo. A marrabenta não é apenas um ritmo, é símbolo da tradição reinventada da resistência cultural. A roda que gira, os pés descalços que levantam poeira, a voz que chama para dançar, tudo isso, na música, configura uma pertença que se vive em comunidade, sem medo do passado e sem vergonha do presente.

Ler o poema e cantar a música permite perceber dois modos de se ser moçambicano: o que procura o lugar e o que o habita com festa. 

 

No poema, há um sujeito que tomba:

 

“E tomba no chão

para ser realmente de novo

a semente que dá origem

ao recomeço do fruto”.

 

A queda aqui não é fracasso, mas recomeço. A imagem da semente que morre para germinar faz parte da cosmovisão africana, onde os ciclos são fontes de vida. No entanto, apesar dessa beleza simbólica, o poema falha em dar materialidade às suas imagens. As metáforas como o fruto, semente, chuva, são repetidas, mas não aprofundadas. Falta-lhe o chão, cheiro, gesto. O território de Inharrime poderia ter sido mais vivido no texto, com referências concretas à cultura local, aos rios, aos sons e à memória sensorial da terra.

Em contraste, a música de Stewart Sukuma pisa firme no concreto. A identidade aqui é corpo: “Sou a mão que batuca e que esfrega teu corpo no chão”. A música reinventa a tradição não apenas com palavras, mas com acção. “Vem pra roda, tira sapato, levanta a poeira, senta em baixo, reinventa a marrabenta”. Essa passagem funciona como um chamamento colectivo, um retorno às raízes através do gesto. Não se trata de olhar para trás com nostalgia, mas de transformar o passado em matéria viva.

Mesmo assim, nem tudo são certezas na música. A força celebrativa da letra quase não dá espaço para conflito ou dúvida. A identidade é apresentada como plenitude, como se não carregasse feridas ou ambiguidades. Essa ausência de tensão enfraquece um pouco a potência crítica da canção. 

O poema, por outro lado, carrega essa hesitação, e talvez seja por isso que o seu desfecho pareça menos afirmativo. “Enrolado no abraço dos machopes” é um verso bonito, mas algo vago. Após tanta inquietação identitária, o reencontro com o colectivo parece mais um consolo do que uma reconstrução. O poema esboça o gesto, mas não o desenvolve com a mesma força com que a música constrói a roda dançante.

Em última instância, o sujeito poético e o sujeito musical pertencem ao mesmo país. Um interroga, o outro responde. Um procura terra firme, o outro pisa e dança. Um tomba, o outro levanta a poeira. Ambos estão em travessia. Ambos nos oferecem espelhos: da dúvida e da celebração, da mistura e da afirmação. E talvez ser moçambicano seja isso, carregar o silêncio do rio e o som da marrabenta. Porque, no fim, o que queremos todos é isso, um lugar onde a semente possa germinar, o corpo dançar e a alma, enfim, pertencer…

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