As administrações rivais da Líbia chegaram a acordo para a realização de eleições nos próximos dois anos, numa tentativa de pôr fim à divisão política e reunificar o país, mergulhado numa prolongada crise desde a queda de Muammar Kadhafi, em 2011.
O entendimento foi alcançado no domingo, após meses de negociações promovidas pelas Nações Unidas. Representantes das autoridades do leste e do oeste líbio, reunidos no chamado Comité 4+4, assinaram um acordo que prevê a reestruturação da comissão eleitoral e a resolução das divergências relacionadas com a legislação eleitoral.
De acordo com o compromisso alcançado, as próximas eleições deverão ser organizadas por uma autoridade eleitoral unificada e enquadradas por “instituições nacionais soberanas únicas”, numa tentativa de criar condições para a reunificação das estruturas do Estado.
Durante a cerimónia de assinatura, o Vice-Presidente do Conselho Presidencial líbio, Moussa Al-Koni, considerou que o acordo representa uma oportunidade para o país ultrapassar a actual divisão.
“A nossa participação hoje visa apoiar uma oportunidade política que deve ser salvaguardada e desenvolvida”, afirmou Al-Koni, defendendo que o processo deverá permitir à Líbia deixar de “gerir a divisão” para avançar efectivamente para o seu fim.
O responsável acrescentou que o objectivo não deve limitar-se à espera pela realização das eleições, mas traduzir-se em progressos concretos para a concretização do processo eleitoral.
Do lado da administração do leste, Abdul Rahman Al-Abbar, membro do Comité 4+4, destacou os compromissos assumidos pelas partes durante as negociações.
Segundo Al-Abbar, os representantes demonstraram “genuína vontade nacional e boas intenções”, tendo feito concessões mútuas que permitiram ultrapassar obstáculos e divergências.
PAÍS DIVIDIDO DESDE 2011
A Líbia enfrenta uma profunda divisão política e institucional desde a queda e morte de Muammar Kadhafi, em 2011. O conflito prolongado levou à existência de duas administrações rivais, apoiadas por diferentes grupos políticos e militares.
No oeste do país funciona o Governo de Unidade Nacional, liderado por Abdulhamid Dbeibah e reconhecido internacionalmente. No leste, opera uma administração rival associada às forças do marechal Khalifa Haftar.
A rivalidade entre as duas estruturas tem impedido a realização de eleições nacionais destinadas a estabelecer instituições políticas unificadas.
As negociações destinadas a reunificar o país terão começado no final do ano passado, depois de os dois lados líbios terem solicitado ao Paquistão que desempenhasse um papel de mediação no conflito.
O novo entendimento procura criar um roteiro para a realização de eleições e para a reunificação das instituições estatais, embora permaneçam desafios políticos e de segurança significativos.