Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.
Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.
Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.
No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.
Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.
A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.
Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.
Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.
A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou um congelamento temporário de mais de cinco mil milhões de dólares em ajuda externa. A verba já foi aprovada pelo Congresso e abrange programas de assistência humanitária global.
A decisão, tomada por maioria conservadora, favorece o governo de Donald Trump, uma vez que permite a interrupção de desembolso de fundos para ajuda externa, enquanto o caso segue trâmites em instâncias inferiores.
Os mais de quatro mil milhões de dólares norte-americanos a serem congelados seriam destinados a programas de assistência humanitária global, muitos deles operados pela USAID.
Numa carta datada de 28 de Agosto passado, Donald Trump disse ao Presidente da Câmara que não iria gastar 4,9 mil milhões de dólares em ajuda externa aprovada pelo Congresso. Desde que assumiu o cargo em Janeiro deste ano, Trump busca maior controlo sobre os gastos federais.
Embora a decisão não seja definitiva, ela já provoca impactos imediatos, impedindo que os recursos cheguem a centenas de projectos em andamento em cerca de 120 países.
Os beneficiários da ajuda e implementadores de programas de ajuda, muitos deles em regiões assoladas pela crise humanitária, vivem numa incerteza.
Mais de 8 mil famílias vivem em zonas propensas a inundações no município de Xai-Xai, em Gaza, e acusam o município de nada fazer para sua retirada. A edilidade nega a acusação e explica que muitos reassentados venderam os seus terrenos e retornaram aos locais de risco
A capital da província de Gaza, Xai-Xai, entra em contagem decrescente para o início da época chuvosa 2025-2026, para a qual estão previstas chuvas severas. Com a chuva, chega o mesmo drama de sempre.
“Sofremos por causa das inundações na zona baixa. Os nossos documentos e roupas molharam. As águas invadem as casas durante a noite”, reclamou Mário, Munícipe de Xai-Xai.
Os residentes da zona baixa de Xai-Xai e Patrice Lumumba, cujas casas estão fixadas em áreas consideradas de “risco vermelho”, sabem que é uma questão de dias para que o pesadelo invada uma vez mais as suas casas, confirma Maria Chongo de 76 anos de idade, que por conta da chuva perdeu tudo no início deste ano.
“Não tenho documentos, foram arrastados pelas águas. Não temos quem nos retire deste local. Pedimos que o Governo intervenha”, apelou.
No bairro Malhangalene, a vida parece normal, mas, na verdade, centenas de famílias vivem na boca da erosão, que nos dias de chuva fortes engole vias e casas.
O município de Xai-Xai, entretanto, nega e diz que muitas destas famílias já receberam espaços em zonas seguras, mas decidiram regressar para ali.
Contudo, a aproximação da época chuvosa, agita também os moradores dos bairros 8, 10 e 12. Júlia Olinda conta que o problema é agravado, entre outros, pela demora na conclusão do sistema de drenagem das águas.
As famílias em pontos críticos querem um município mais interventivo para evitar desastres nos próximos meses.
As inquietações chegaram às autoridades municipais, que garantem que equipas técnicas da edilidade estão no terreno e prometem um plano de reassentamento, mas até ao momento, os locais ainda não foram definidos.
Um total de 8 mil famílias em doze bairros da cidade Xai-Xai enfrentam ciclicamente problemas de erosão e inundações. A situação agrava-se na época chuvosa.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou, nesta sexta-feira, a retoma das sanções contra o Irão. França, Alemanha e Reino Unido acusam Teerã de violar um acordo de 2015 que o impedia de construir uma bomba nuclear.
Uma iniciativa da Rússia e China para adiar o retorno das sanções das Nações Unidas ao Irã fracassou nesta sexta-feira no Conselho de Segurança da organização.
Dos 15 membros que compões o Conselho de Segurança da ONU, apenas quatro países votaram a favor do projeto de resolução, ou seja, adiar sanções ao Irão. Nove países votaram contra, enquanto dois se abstiveram.
Na sequência, todas as sanções da ONU ao Irão foram reimpostas a partir deste sábado, depois que França, Alemanha e Reino Unido acusaram Teerã de violar um acordo de 2015 que visava impedi-lo de construir uma bomba nuclear.
Nesta semana, durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irão reiterou que o país não tem intenção de construir armas nucleares e destacou a existência de “planos pacíficos” para seu programa nuclear.
O presidente do Irão criticou a medida das potências europeias, classificou-a como “ilegal” e disse que ela foi tomada a “mando dos Estados Unidos da América”.
Disse que “aqueles que perturbam a paz e a estabilidade na região estão em Israel, mas o Irão é quem está sendo punido por essas acções”.
Mesmo diante da decisão, diplomatas afirmam que as portas da negociação continuam abertas.
Por sua vez, o Irão classificou a medida como ilegal e garantiu que o país está preparado para responder às sanções, mas ainda mantém esperanças de reverter a situação por meio da diplomacia.
O primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, rejeitou as acusações de genocídio na Faixa de Gaza e denunciou apoio internacional ao Hamas. O governante israelita falava, nesta sexta-feira, na Assembleia Geral da ONU, onde defendeu a eliminação do Hamas e a libertação de reféns como condições para a paz em Gaza.
Num pronunciamento tido como tenso e marcado por protestos diplomáticos, Benyamin Netanyahu afirmou, nesta sexta-feira, que o Israel tem adoptado medidas para evitar vítimas civis, mesmo no decurso da guerra contra o Hamas e perante acusações de genocídio.
Falando durante a Assembleia Geral da ONU, Benyamin Netanyahu acusou o grupo Hamas de receber apoio internacional e de usar civis como escudos humanos, dificultando as operações que visam o restabelecimento da paz.
Segundo Netanyahu, o Israel não está a promover fome ou crises humanitárias intencionais, mas sim está a combater o que chamou de “máquina terrorista” e prometeu continuar com a ofensiva até que o Hamas seja completamente desmantelado.
O discurso provocou reações imediatas. Representantes de alguns países e diplomatas abandonaram o auditório antes de Netanyahu subir à tribuna, em protesto contra o não cumprimento de decisões internacionais por parte de Israel.
A saída de diplomatas foi interpretada como um posicionamento político directo sobre a postura israelita diante de tribunais internacionais.
Na sua intervenção na octagésima sessão da Assembleia Geral da ONU, Netanyahu frisou que Israel “não cederá” às pressões internacionais e que não descansará enquanto não eliminar o Hamas e trouxer para casa os 20 reféns vivos, dos 48 que estão em poder do Hamas.
Na província de Gaza, seis escolas em cinco distritos foram vandalizadas entre Maio e Setembro. Especialista em Educação aponta a politização do setor da educação como estando na origem do problema, enquanto gestores escolares queixam-se da total ausência de guardas. O governo diz que há um detido e promete mais polícias para investigar e repor a ordem nas escolas.
“Há algumas especulações de que são alguns antigos alunos, alguns membros da sociedade que não se revêem com a educação. É triste quando se vê uma escola ser vandalizada, não sabemos para onde é que vamos”, lamentou Bernardino Macome, diretor de uma das escolas.
Sucede que, nos últimos dias, os atos de vandalismo, roubo, agressões e ameaças à comunidade escolar tendem a agravar-se. As direções das escolas afetadas contabilizam, ao todo, mais de 6 mil processos de alunos, dois computadores, sistema de abastecimento de água saqueado, eletrodomésticos queimados, só para citar alguns exemplos.
Para o especialista em educação, Samuel Chacate, mais do que identificar os rostos por detrás destes crimes, urge identificar e resolver os fatores que minaram a relação escola-comunidade no período pós-eleições.
“Quer dizer, o político mobiliza a população para não contribuir para a educação dos seus filhos, mas mobiliza-a a participar, de modo a levar o político para o poder. Aquilo só beneficia os marginais, porque as escolas dispensaram os guardas. Dispensaram os guardas para que o Estado conseguisse dinheiro para contratar guardas; quando é que vai conseguir?”, questionou.
No entanto, gestores, professores e alunos queixam-se da violência, mas também da alegada negligência de instituições públicas, em particular do setor da educação, supostamente incapaz de garantir segurança no seio escolar.
“Alunos param atrás da escola, atiram para chapa enquanto o professor está na sala de aula. Para um guarda, não funciona. Bebem, porque há pessoas que vendem bebidas por aqui, e as bocas de fumo andam por aqui ao lado da escola”, denunciou um professor.
O diretor distrital de Educação, Marcelino Biza, confirma que um indivíduo está detido em conexão com um dos casos registados em Xai-Xai.
“A polícia veio ao local e deteve o malfeitor, e deu seguimento ao caso. Este assunto também está com as autoridades competentes, está seguindo os seus trâmites”, explicou.
Face à crescente ameaça, o governo admite colocar mais polícias no recinto escolar nos próximos dias, como forma de repor a ordem e a segurança.
“Reconhecemos que não temos números suficientes de guardas, mas há um trabalho que estamos a fazer. Está assegurada a segurança nas escolas através da nossa Polícia da República de Moçambique”, avançou Armando Sitoe, representante do governo de Gaza.
Samuel Chacate alerta, entretanto, para o perigo do uso da força excessiva, argumentando que o resgate da tranquilidade escolar exige muito mais.
“Ninguém deve tirar a comunidade, a população da escola, a escola da população. Mesmo que o Estado tenha a capacidade de colocar a polícia nas escolas, a segurança das escolas está sob a responsabilidade dos pais e encarregados de educação. Não se resolve com a polícia. A polícia não vai ser capaz de resolver o problema da segurança das escolas se a comunidade não estiver envolvida”, apelou.
O especialista diz que a educação é o caminho para uma sociedade mais justa, então proteger e valorizar quem a promove é tarefa urgente e inadiável. E denuncia que a violência contra as escolas é um dever social de todos.
Uma megaoperação coordenada pela Interpol em 14 países africanos resultou na prisão de 260 suspeitos, envolvidos em esquemas de cibercrimes que lesaram 1400 pessoas em mais de 2 milhões de dólares. Entre os crimes, golpes românticos e a chantagem sexual online foram mais recorrentes.
A investigação internacional, baptizada de Operação Contender 3.0, revelou um esquema sofisticado que fazia uso de redes sociais, perfis falsos e manipulação emocional para enganar as vítimas.
Com os 260 suspeitos foram apreendidos mais de 1.200 dispositivos eletrônicos e desmantelados 81 infra-estruturas digitais ligadas a golpes cibernéticos. Estima-se que mais de 1.400 pessoas tenham sido afectadas, com prejuízos que ultrapassam os 2,8 milhões de dólares.
Gana, Senegal, Costa do Marfim e Angola estiveram entre os países com maior volume de prisões e apreensões.
Segundo a Interpol, este caso reforça a urgência de combater o cibercrime com acções transnacionais, sobretudo diante da crescente sofisticação das fraudes virtuais no continente africano.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou, esta sexta-feira, a suspensão temporária das suas actividades em Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, devido ao aumento da violência armada registado ao longo do mês. A decisão surge após uma série de ataques que têm ameaçado a população local e dificultado a prestação de cuidados de saúde em condições de segurança.
Em comunicado, a MSF manifestou “profunda preocupação” com o impacto da insegurança no acesso aos serviços médicos essenciais. “Centenas de milhares de pessoas necessitam urgentemente de assistência médica e humanitária em Cabo Delgado, mas a insegurança continua a impedi-las de a obter. Isto resulta em mortes e sofrimento que poderiam ser evitados”, declarou Víctor García Leonor, chefe de operações da organização em Moçambique.
Segundo a MSF, os recentes ataques armados em Mocímboa da Praia provocaram mortes, ferimentos e deslocamentos em massa, atingindo bairros a poucos quilómetros do centro da vila. A violência forçou milhares de residentes a abandonar as suas casas e colocou em risco a continuidade dos serviços médicos, incluindo pronto-socorro, maternidade e apoio em saúde mental no Hospital Rural Distrital, bem como atividades comunitárias em áreas remotas.
Apesar da suspensão, a MSF assegura que permanece empenhada em apoiar a população de Cabo Delgado e retomar as operações assim que houver garantias mínimas de segurança para as suas equipas. Alguns pacientes em estado grave já foram transferidos para unidades de saúde em Pemba e Mueda.
Um total de nove escolas entre primárias e secundárias foram vandalizadas por alunos em Nampula. O director provincial da Educação naquela província classificou a situação de preocupante e diz que os prejuízos são enormes.
Desde Junho a esta parte nove escolas da província de Nampula foram vandalizadas por um grupo de alunos que vêm semeando terror em vários estabelecimentos de ensino. O director provincial de educação em Nampula referiu que por conta disso nove alunos foram penalizados e os prejuízos decorrentes desta situação são enormes.
A Escola Secundária de Cossore, localizada no bairro de Muatala, na cidade de Nampula, faz parte da estatística das escolas vandalizadas. Aqui os alunos destruíram carteiras, quadros e portas.
Entretanto, o problema continua a ganhar proporções alarmantes na Escola Secundária de Muapara também localizada na cidade de Nampula, onde alunos e guardas dizem estar a passar momentos difíceis devido à presença constante de um grupo de estudantes que agridem seus colegas e vandalizam salas de aulas.
O especialista para área de Educação, Adelino Assane, entende que a destruição de infra-estruturas escolares por alunos na Província de Nampula demonstra que as comunidades já não veem a importância da educação formal.
Esta sexta-feira o director provincial de Educação reuniu-se com todos directores das escolas da cidade de Nampula para discutir os problemas ligados à educação.
A Black Bulls e o Ferroviário de Maputo têm a oportunidade de se redimirem dos empates alcançados na primeira mão dos respectivos jogos referentes à primeira eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões e da Taça CAF, respectivamente. Os dois representantes moçambicanos jogam hoje e amanhã na Matola, para a segunda mão.
Dois jogos, sendo um hoje (sexta-feira) e outro amanhã (sábado), marcam o futuro das equipas moçambicanas nas competições africanas de clubes, no que diz respeito aos objectivos de marcarem presença na fase de grupos da Liga dos Campeões e Taça CAF.
A Black Bulls, que joga no sábado diante do AC Leopards da República Democrática do Congo, tem no seu público o cavalo de batalha para derrotar um adversário que se mostrou acessível no jogo da primeira mão, em Brazzaville, onde empatou sem abertura de contagem.
Nesse desafio, os “touros” jogaram com menos uma unidade após expulsão de Nené, no início da segunda parte, após travar o último homem da equipa adversária que seguia isolado para a baliza de Ernan.
Será, do resto, uma grande baixa para a campeã moçambicana, que quer aproveitar o factor casa para se redimir e procurar chegar na segunda eliminatória da prova.
A Black Bulls tem estado a oscilar nos seus resultados em provas internas, nomeadamente no Moçambola, onde em 13 jogos venceu sete, empatou três e perdeu outros três jogos, não vencendo os seus últimos dois jogos, com empates sem abertura de contagem.
Por seu turno, o Ferroviário de Maputo não foi além de um empate a uma bola na recepção ao AS Fanamalanga do Madagascar, na primeira mão da Taça Nélson Mandela, realizado no sábado no Estádio Nacional do Zimpeto.
Foi um jogo em que os “locomotivas” tiveram de correr atrás do prejuízo, uma vez que a equipa visitante foi a primeira a inaugurar o activo à passagem do minuto 65, com o empate a chegar aos 82 minutos por intermédio de Telinho.
Na segunda mão, marcada para esta sexta-feira, 26 de Setembro, o vencedor da Taça de Moçambique vai continuar a jogar “em casa”, uma vez que o jogo terá lugar na Arena Lalgy, em Tchumene, em virtude dos malgaxes não terem estádio aprovado pela CAF para acolher jogos internacionais.
É, pois, uma oportunidade para o Ferroviário de Maputo limpar a má imagem deixada na primeira mão e procurar sair com a vitória que garanta a passagem à segunda eliminatória da competição.

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