Quatro meses após as cheias que afectaram gravemente a cidade de Xai-Xai, na província de Gaza, o município continua a enfrentar enormes desafios para repor as infra-estruturas destruídas e apoiar as famílias afectadas. O Conselho Municipal estima que são necessários cerca de 30 milhões de dólares para recuperar estradas, mercados, passeios e o sistema de drenagem da cidade baixa.
Em entrevista à STV, o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Oseman Adamo, explicou que as inundações de Janeiro atingiram a zona baixa da cidade, onde se concentra cerca de 90 por da actividade comercial, bem como os principais serviços municipais.
Segundo o autarca, embora já não existam casas inundadas, cerca de dois mil munícipes sofreram perdas directas, entre habitações totalmente ou parcialmente destruídas, muros derrubados e bens arrastados pelas águas.
“O município perdeu praticamente toda a sua capacidade financeira, porque a principal fonte de receitas provinha da cidade baixa, onde estão localizados os quatro maiores mercados municipais e mais de 600 estabelecimentos comerciais”, afirmou.
Sem recursos próprios para responder à dimensão dos prejuízos, a edilidade procura apoio junto de parceiros nacionais e internacionais. Entretanto, foram restabelecidas as ligações rodoviárias entre a cidade alta e a cidade baixa e reaberto o acesso ao posto administrativo de Chongoene, que esteve isolado durante vários meses. O fornecimento de energia eléctrica e o abastecimento de água também foram repostos naquela região.
O autarca revelou que o Banco Mundial já manifestou disponibilidade para financiar a reabilitação de cerca de oito quilómetros de estradas e de três mercados municipais, encontrando-se o projecto ainda na fase de estudos técnicos.
Apesar disso, Adamo reconhece que o apoio previsto está longe de cobrir todas as necessidades, uma vez que vários edifícios municipais sofreram danos significativos e perderam equipamento administrativo e material de escritório.
REASSENTAMENTO CONTINUA A SER PRIORIDADE
No âmbito da redução do risco de futuras calamidades, o município iniciou o processo de reassentamento das famílias que vivem nas zonas mais vulneráveis às cheias. Para o efeito, já foram disponibilizados cerca de 300 talhões no distrito de Chongoene, destinados às famílias que perderam as suas casas ou vivem em áreas de elevado risco.
O edil considera que o reassentamento constitui uma das principais medidas de prevenção face aos efeitos das mudanças climáticas, que têm provocado, com frequência crescente, cheias e ciclones em diferentes regiões do país.
Entre as zonas consideradas mais vulneráveis figuram os bairros 1, 2, 8, 12, A, B e Fenicelene, áreas frequentemente afectadas pelas inundações devido à baixa altitude.
DIQUE É APONTADO COMO SOLUÇÃO DEFINITIVA
O presidente do município considera que a construção e reabilitação do dique de protecção constitui a solução estrutural para evitar novas inundações na cidade.
Segundo explicou, as obras do dique já tiveram início e deverão anteceder a execução das intervenções financiadas pelo Banco Mundial, permitindo reduzir o risco de novas cheias na cidade baixa.
“Esta é a quarta vez que Xai-Xai enfrenta uma calamidade desta natureza. É muito mais barato construir um dique de protecção do que reconstruir a cidade sempre que ocorrem inundações”, defendeu.
O autarca lançou ainda um apelo ao Governo, às organizações não-governamentais e aos parceiros de cooperação para que reforcem o apoio às famílias afectadas e aos comerciantes, muitos dos quais perderam os seus meios de subsistência.
De acordo com o município, cerca de 700 postos de trabalho foram perdidos na sequência das cheias, situação que agrava as dificuldades económicas da cidade e compromete a recuperação da actividade comercial.