Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.
Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.
Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.
No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.
Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.
A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.
Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.
Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.
O secretário de Estado da Terra e Ambiente de Moçambique, Gustavo Dgedge, alertou, esta segunda-feira, para o “risco alarmante” do desmatamento e degradação acelerada dos solos na África Austral. Dgedge falava em Maputo durante a abertura do workshop regional do Programa de Impacto em Paisagens Sustentáveis de Terras Áridas.
O desmatamento e degradação acelerada dos solos na África Austral provocou, pelo menos, 800 mil quilómetros quadrados de Miombo perdidos desde 2000, o que leva as autoridades a pedirem esforços colectivos para travar o desflorestamento.
“O desmatamento e a degradação dos solos estão a acelerar a um ritmo alarmante. Desde o ano 2000, o ecossistema de Miombo perdeu cerca de 800 mil quilómetros quadrados, uma área superior à superfície total de Moçambique. Esta não é apenas uma estatística ambiental, é sim uma ameaça direta à prosperidade, à saúde e futuras gerações da região”, disse o secretário de Estado da Terra e Ambiente de Moçambique, Gustavo Dgedge, citado pelo Noticias ao Minuto.
O governante, que falava esta segunda-feira, em Maputo, durante a abertura do workshop regional do Programa de Impacto em Paisagens Sustentáveis de Terras Áridas, um mecanismo de intercâmbio regional da África Austral sobre esta matéria, admitiu existirem muitos desafios na preservação dos ecossistemas na região austral de África.
“Os ecossistemas de Miombo e Mopane representam uma força vital para a África Austral. São uma herança comum que alberga biodiversidade extraordinária, regula o clima e os recursos hídricos, e sustenta a subsistência de mais de 300 milhões de cidadãos. No entanto, esta base vital está sob grande pressão”, disse Gustavo Dgedge.
O secretário de Estado da Terra e Ambiente de Moçambique acrescentou que a região enfrenta uma crescente desertificação e degradação da terra, enquanto crescem as zonas áridas, com consequências “gravíssimas” que incluem a perda de solos produtivos, com salinização e desestruturação física que os tornam impróprios para agricultura, impactos ambientais severos, incluindo desequilíbrio ecológico e perda de biodiversidade.
Segundo o dirigente, estes desafios surgem numa altura em que 75% das terras africanas já são classificadas como áridas ou semiáridas, com previsões de expansão entre 5% a 8% até 2080.
Para o caso específico de Moçambique, Gustavo Dgedge admitiu existirem desafios urgentes na gestão sustentável de terras áridas perante uma realidade que “assume contornos dramáticos”.
“As províncias do sul, como Gaza e Inhambane, registaram reduções de 20% a 30% na precipitação anual nas últimas décadas, acompanhadas pelo aumento de temperaturas e prolongados períodos de seca que afectam cerca de 2,3 milhões de pessoas apenas nesta região”, alertou o dirigente citado pela mesma fonte.
Moçambique pediu ainda uma aposta na conservação e uso racional dos recursos florestais para manter os benefícios económicos, sociais e ambientais, adaptando técnicas de maneio a ambientes secos que possuem ecossistemas frágeis, incluindo plantio de espécies resistentes à seca, a conservação da água, combate à erosão e envolvimento das comunidades locais.
“Esta crença na acção integrada e transfronteiriça é a razão pela qual defendemos a Declaração de Maputo sobre a Gestão Sustentável das Florestas de Miombo”, disse, acrescentando ainda que a visão é que o futuro destas paisagens não pode ser assegurado por nenhuma nação isoladamente, por isso a pedir acções conjuntas para proteger as florestas.
A Floresta de Miombo cobre dois milhões de quilómetros quadrados e garante a subsistência de mais de 300 milhões de habitantes de 11 países da África Austral, incluindo pastagens tropicais e subtropicais, moitas e savanas. Constitui o maior ecossistema de florestas tropicais secas do mundo e enfrenta actualmente, entre outros, problemas de desflorestação, sendo o processo de recuperação liderado por Moçambique.
O Governo moçambicano esperava mobilizar investimentos para proteger a Floresta do Miombo, que cobre ainda parte do território de Angola, estimados no plano de acção em 550 milhões de dólares (pouco mais de 35.1 mil milhões de meticais), dos quais 153 milhões de dólares (acima de 9 mil milhões de meticais) foram garantidos desde 2022.
A Comissão Europeia vai dar 545 milhões de euros para acelerar a transição para a energia limpa em África, dos quais 13 milhões de euros (pouco mais de 174 milhões de meticais) irão para Moçambique incentivar a participação do setor privado e reduzir as emissões.
“As escolhas que África faz hoje estão a moldar o futuro do mundo inteiro; a transição para as energias limpas no continente criará empregos, estabilidade, crescimento e a concretização dos nossos objectivos climáticos globais”, disse a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, ao anunciar o financiamento feito pela Team Europe, citado pelo Noticias ao Minuto.
Moçambique é o único país lusófono africano contemplado, e vai receber 13 milhões de euros para “apoiar a transição para uma energia com baixas emissões e incentivar a participação do setor privado”.
Na visão de Bruxelas, o potencial de energia renovável de África “é enorme, mas quase 600 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à eletricidade”, pelo que “a forma como esta transição para a energia limpa vai desenrolar-se terá um papel importante na definição do desenvolvimento futuro, da estabilidade regional e dos progressos em matéria de alterações climáticas”.
O apoio da União Europeia à transição energética em África “não é apenas um imperativo moral e de desenvolvimento, é também uma escolha estratégica que reforça as cadeias de abastecimento, cria até 38 milhões de empregos verdes até 2030 e torna os sistemas energéticos mais resilientes”, aponta-se no documento.
A Costa do Marfim vai receber a maior parte do financiamento, quase 360 milhões de euros, para uma linha de transmissão de alta tensão para impulsionar a distribuição regional de energia, e 59,1 milhões de euros vão para os Camarões conseguirem eletrificar 687 comunidades, onde vivem mais de 2,5 milhões de pessoas. Entre outros financiamentos para estudos técnicos e de viabilidade, a República do Congo recebe 3,5 milhões de euros, o Lesoto vai ter 25,9 milhões de euros, o Gana dois milhões e Madagáscar 33,2 milhões de euros, a que se juntam mais 45,5 milhões de euros para a Somália aumentar o acesso à energia renovável a preços acessíveis, promover práticas de economia circular e criar sistemas agroalimentares resistentes às alterações climáticas.
No início de outubro, o Global Gateway Forum em Bruxelas vai reunir governos, instituições financeiras e líderes do setor privado para fornecer apoio adicional à transição para a energia limpa em África.
Este impulso será levado para a Cimeira do G20 em Joanesburgo, que decorre entre 22 e 23 de Novembro, na qual líderes mundiais e investidores vão reunir-se para vincar parcerias e o financiamento necessários para impulsionar o futuro renovável de África.
Setenta e três crianças e 22 adultos morreram devido a fome e doenças, nos últimos 40 dias, no campo de deslocados perto de Al-Fashir, capital de Darfur do Norte cercada pelas forças paramilitares, informaram hoje autoridades locais, citadas pela imprensa internacional.
A célula de emergência do campo de Abú Shuk indicou, num comunicado publicado na sua conta na rede social Facebook, que durante os últimos 40 dias foram confirmadas 95 mortes por fome e doença .
A célula alertou ainda para o contínuo “deteriorar” da situação humanitária e de segurança, denunciando “uma ausência quase total de serviços básicos, principalmente água e comida, especialmente para famílias deslocadas que não têm acesso às cozinhas comunitárias, que deixaram de funcionar devido à falta de financiamento”.
Segundo a célula de emergência local, perdem-se “mais de oito vidas por dia sob estas condições catastróficas”.
Por outro lado, as Forças Armadas sudanesas garantiram que no domingo repeliram uma ofensiva das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) contra Al-Fashir, causando “grandes perdas” entre os paramilitares “tanto em equipamento como em vidas”.
A Organização Mundial de Saúde alerta para doenças transmitidas por água contaminada ou mosquitos, bem como perturbações mentais, como riscos de saúde pública, no actual período pós-cheias na ilha de São Vicente, em Cabo Verde.
A ilha cabo-verdiana de São Vicente foi abalada por cheias no fim do mês de Agosto. Quase dois meses depois os impactos ainda são sentidos na saúde pública.
Uma recente avaliação da Organização Mundial de Saúde concluiu haver risco de contaminação de doenças transmitidas por água ou mosquitos, perturbações mentais.
Face à situação, a OMS alerta para a saúde pública na Ilha. Segundo a organização global, citado pela agência Lusa, foram emitidos alertas devido a nove casos de diarreia, febre e dores de cabeça manifestados pelas vítimas das cheias de Agosto.
Cabo Verde já tinha declarado, a 1 de Agosto, uma situação de contingência nacional, com base na necessidade de prevenir e mitigar o potencial risco de propagação da dengue e de reintrodução da malária.
Devido ao trauma e sofrimento psicológico de verem suas casas destruídas e terem se deslocado, a OMS alerta para impactos na saúde mental das vítimas das inundações.
A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, será proclamada, esta segunda-feira, como Presidente da Organização dos Continuadores de Moçambique (OCM).
A Organização dos Continuadores de Moçambique (OCM) é uma instituição juvenil dedicada às crianças moçambicanas, com a missão de promover e defender os direitos da criança, cultivar valores de patriotismo, paz, solidariedade, unidade nacional e desenvolvimento.
Milhares de pessoas, na Alemanha e Itália, realizaram manifestações para pedir o fim da guerra na Faixa de Gaza. Só no sábado, pelo menos 44 pessoas morreram na região em conflito, enquanto Israel ignora pedidos de cessar-fogo.
Mais de 50 mil pessoas manifestaram-se em Berlim, na Alemanha e em Turim, nordeste da Itália, em protesto contra a guerra em Israel, que só neste sábado fez 44 vítimas mortais.
Entre os mortos estavam nove pessoas da mesma família que viviam numa casa no campo de refugiados de Nuseirat, segundo funcionários do Hospital para onde os corpos foram levados.
As manifestações culminaram em confrontos na Itália e grandes concentrações na Alemanha, com os participantes a exigirem um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e o fim da cooperação militar com Israel.
A tarde de sábado em Turim foi palco de um protesto não autorizado que visava atingir infra-estruturas essenciais.
Uma manifestação, que iniciou às 15h00 na praça Crispi, continuou até ao aeroporto Sandro Pertini de Caselle, com o objectivo declarado de bloquear o trânsito e chegar às instalações do grupo de defesa que está nas proximidades.
Na tentativa de romper o cordão de segurança para aceder ao aeroporto, os manifestantes entraram em confronto com as forças da ordem, que responderam com uma carga apoiada pelo uso de hidrantes e gás lacrimogéneo.
Entre os manifestantes, há dez feridos, que receberam assistência numa ambulância auto-organizada.
Mulheres da localidade de Bunga, no distrito de Guro, província de Manica, percorriam cerca de 70 quilómetros para chegar a uma maternidade. Há relatos de parturientes que já perderam a vida a caminho da maternidade.
Gerar uma nova vida deveria ser um momento de luz e esperança. Mas em Bunga, no distrito de Guro, ser mãe era começar uma travessia dolorosa — 70 quilómetros de incerteza até à única maternidade em Guro-Sede. Para muitas mulheres, o parto não começava com alegria, mas com medo de não chegar a tempo.
Um martírio que chegou ao fim com a construção de um bloco de maternidade, com capacidade para seis camas.
A construção da maternidade custou cerca de 5 milhões de meticais desembolsados pela Regius Gold, uma empresa do ramo mineiro que opera no distrito de Guro.
Actualmente, a maternidade de Bunga regista, em média, 30 partos por mês, o equivalente a um nascimento por dia.
Duas pontas de marfim cuja origem ainda se desconhece foram apreendidas em Dondo, na província de Sofala, quando estavam prestes a serem vendidas. Uma pessoa foi detida em conexão com o tráfico e uma outra pessoa, suposto proprietário, ainda está fugitiva.
Na passada quinta-feira, a Polícia, através das suas linhas operativas, apercebeu-se que havia uma tentativa de traficar duas pontas de marfim, no distrito de Dondo, em Sofala.
A corporação fez-se passar por comprador e contactou o intermediário do negócio, o jovem que agora está detido.
O suposto proprietário propôs que o ponto de encontro para a recepção dos valores e entrega do marfim fosse numa mata.
As duas pontas de marfim deviam ser comercializadas a 5 mil meticais por cada quilo. Ainda decorrem investigações para localizar o fugitivo, que poderá indicar onde obteve o marfim.
Ainda no Dondo, foram detidos três indivíduos acusados de vandalizar material elétrico. Os indiciados removiam cabos de transporte de corrente elétrica, que alimentava residências e até postos implantados e vendiam.
Os compradores instalavam corrente eléctrica ilegalmente.
A vandalização vinha ocorrendo nos últimos três meses, no posto administrativo de Mafambisse, e deixava várias famílias às escuras.
Dois dos detidos tinham relações de trabalho com a Electricidade de Moçambique e um deles admitiu estar envolvido na venda de um posto elétrico.
Foram encontrados na posse dos acusados diversos bens pertencentes à empresa EDM.
Importa referir que os detidos em conexão com a vandalização de material elétrico eram trabalhadores de uma empresa que prestava serviços a EDM.
O partido PODEMOS realiza hoje a sua primeira conferência para eleger os membros do conselho provincial em Nampula. O presidente da formação política, Albino Forquilha, disse que os membros a eleger vão organizar a máquina do partido na província.
“Surgimos como partido para corrigir as coisas que não andam bem na governação, e nós sabemos o que não anda bem na governação do dia. O partido surge como um mecanismo de correção deste problemas. Portanto, não devemos ser nós, membros do partido, que vão agir exactamente como aqueles que fazem o que nós julgamos que não está correcto”, apelou o presidente do PODEMOS.
Albino Forquilha apelou ainda à consciência e ao respeito dentro do partido.

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