O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.

Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.

Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.

No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.

Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.

A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.

Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.

Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.

 

 

 

Vídeos

NOTÍCIAS

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, apelou para a harmonização de esforços dos países africanos e nórdicos, com vista ao melhoramento do ambiente de negócios e incremento do investimento nórdico em África.

Ao intervir na manhã desta sexta-feira, dia 03 de Outubro corrente, na 22ª reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros dos Países Africanos e Nórdicos, que decorre na cidade de Victória Falls, no Zimbabwe, a ministra referiu-se à necessidade do incremento do investimento nórdico em África, acto que possibilitaria a geração de mais postos de trabalho para responder aos anseios da juventude.

Instou aos ministros africanos presentes na reunião a melhorar a colaboração, permitindo uma maior partilha de experiência no domínio da atração de investimentos.

A Maria Manuela Lucas elogiou, na ocasião, os organizadores do evento por incluir no debate da reunião os componentes investimentos e juventude, que se enquadram nas agendas políticas e económicas da actualidade.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação fez estes pronunciamentos no quadro da sua participação na sessão plenária subordinada ao tema: Reforço das Relações Comerciais e de Investimentos entre África e Países Nórdicos.

A Comissão Nacional do partido Renamo reuniu-se,  na tarde desta sexta-feira, e decidiu marcar, finalmente,  o tão esperado Conselho Nacional.  

Saíde Fidel, membro da Comissão Política, garantiu que um dos pontos de agenda do encontro será a contestação, por alguns membros,  da liderança do partido. 

É que desde o ano passado que a Renamo enfrenta instabilidade,  promovida por membros descontentes com a liderança de Ossufo Momade, acusado de “vender” os resultados eleitorais do pleito de 2024.

Em resultado disso, por várias vezes as sedes provinciais do partido, incluído a nacional, foram encerradas, gerando tumultos que, aliás,  resultaram em agressões e detenções de alguns membros.  

A comissão política garantiu ainda a participação de todos os membros do partido, incluindo os desmobilizados descontentes.

Morreu o jovem de 30 anos de idade acusado de sequestrar um menor de 10 anos no distrito de Vanduzi. O suspeito perdeu a vida no hospital provincial de Chimoio, onde deu entrada após ser brutalmente espancado pela população, que também destruiu um posto policial onde o finado estava detido.

O indivíduo acusado de sequestrar um menor, depois de ter sido severamente espancado pela população, foi socorrido pela Polícia e encaminhado para o Hospital Provincial de Chimoio. Na unidade sanitária não resistiu a carga de porrada que recebeu e perdeu a vida, segundo avançou Juvenal Chithovele, Director clínico da maior unidade sanitária de Manica.

Este é o segundo caso de linchamento, que ocorre no distrito de Vanduzi, em apenas uma semana. O primeiro é de um suposto ladrão de motos, que foi queimado na zona de seis carros.

A Federação Internacional de Futebol Associado, FIFA, apresentou a “Trionda”, a bola oficial que será usada no campeonato do Mundo de 2026, a disputar-se nos Estados Unidos da América, México e Canadá. Entretanto, há oito meses da prova começam a surgir conflitos entre os Estados Unidos e a FIFA.

A “Trionda” presta homenagem às três nações anfitriãs do Mundial 2026, Canadá, México e Estados Unidos. O design em forma de onda evoca o significado do nome da bola. Cada painel ostenta as cores de cada país, – vermelho, azul e verde – que se encontram em triângulo no centro do painel, simbolizando as três nações que vão organizar o torneio em conjunto pela primeira vez.

Os países anfitriões são também representados pelos símbolos presentes na bola: a Estrela para os EUA, a Folha de Ácer para o Canadá e a Águia para o México.

A nova bola incorpora também o chip sensor que permite transmitir dados precisos em tempo real para o sistema de videoárbitro (VAR), que pode ajudar os árbitros a tomarem decisões de fora de jogo mais rápidas, bem como da bola depois da linha do golo.

Entretanto, há oito meses do arranque da prova, FIFA e Donald Trump estão de costas voltadas. Recentemente o presidente dos Estados Unidos sugeriu que poderia declarar cidades como “não seguras” para a prova e alterar um plano de organização detalhado que a FIFA confirmou em 2022 e que inclui estádios perto de Nova Iorque, Los Angeles e São Francisco.

Por seu turno, o Vice-presidente da FIFA mandou recado duro para Donald Trump, ao dizer que não compete ao presidente dos EUA mudar cidades-sede do Mundial. Victor Montagliani disse mesmo que o torneio é da FIFA, a jurisdição é da FIFA, e somente a FIFA toma decisões, reafirmando que o desporto é maior do que qualquer debate político actual.

O mundial de futebol terá lugar de 19 de Junho a 19 de Julho de 2026.

As recentes incursões de drones na Europa demonstram que a Rússia procura uma escalada no conflito, alertou hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante uma cimeira em Copenhaga, apelando aos europeus para se mobilizarem ao lado da Ucrânia.

Segundo a imprensa internacional, Zelensky sublinhou, durante a cimeira da Comunidade Política Europeia (CEP), que reúne quase todos os países europeus, com exceção da Rússia e da Bielorrússia, que a estratégia de Moscovo era “dividir a Europa”. 

“Este é apenas o início, o primeiro passo no caminho para um muro anti-drones eficaz para proteger toda a Europa”, sublinhou o líder ucraniano, cujo país desenvolveu uma indústria de drones única na Europa.

O Presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou as acusações e garantiu que o Kremlin estava a acompanhar de perto “a crescente militarização da Europa”.

“A resposta às ameaças será, para dizer o mínimo, muito convincente. Refiro-me à resposta. Nós próprios nunca iniciámos um confronto militar”, destacou Putin em Sochi, no sudoeste da Rússia.

O líder russo acusou ainda a Europa de impedir uma solução para a guerra na Ucrânia, de “escalar constantemente” o conflito e de incitar histeria para justificar o aumento dos seus gastos militares.

Após várias incursões russas nos céus europeus, incluindo cerca de vinte drones na Polónia, Bruxelas propôs aos 27 países da UE a implementação de um “muro” anti-drones.

Drones que violem o espaço aéreo europeu “podem ser destruídos. Ponto final”, apontou o Presidente francês, Emmanuel Macron, em Copenhaga.

O primeiro-ministro romeno, Nicosur Dan, cujo país também foi sobrevoado por drones russos, alertou que as suas forças vão derrubar o próximo drone que viole o seu espaço aéreo.

A ideia de lançar um “muro” anti-drone recebeu o apoio de vários Estados-membros, mas não suscitou entusiasmo noutros, incluindo a Alemanha.

Economistas consideram positiva a decisão do Banco de Moçambique de reduzir a taxa de juro da política monetária de 10,25% para 9,75%, porém é possível que a  medida não traga benefícios concretos.

O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa de juro de referência de 10,25% para 9,75%. Esta medida é considerada positiva pelos economistas, embora alertem para possíveis impactos na economia do país.

“Haverá um alívio no valor das prestações que famílias e empresas têm de reembolsar aos bancos comerciais. Esse valor fica atenuado em cerca de 50 pontos base. Esse deveria ser o efeito directo; contudo, como referi, infelizmente não há uma correspondência de um para um. Haverá uma variação, sim, mas não de 50 pontos base: poderá ser de 30, 40, seja o que for.

O nosso desejo era que o efeito fosse directo: se a taxa baixou 50 pontos base, também deveria reduzir-se em meio ponto percentual”, analisou Magaço.

Por sua vez, a economista Piedade Dias, também entrevistada pela STV, considera que, embora a medida seja positiva, face ao cenário em que a economia do país se encontra, é pouco provável que venha a trazer benefícios concretos.

“Baixar a taxa significa reduzir o custo dos empréstimos, e isso pode impactar positivamente o acesso ao crédito, mas, no contexto em que nos encontramos, em que a economia ainda sofre os efeitos da tensão pós-eleitoral, não acreditamos que seja uma medida capaz de gerar benefícios reais. Basta ver que, desde o início do ano, a taxa estava fixada em cerca de 12,75% e agora encontra-se em 9,75%, uma redução de cerca de três pontos percentuais, que deveria ter um impacto visível no custo de vida, uma vez que a taxa de juro tem uma relação directa com a inflação.”

Segundo a economista, esta medida só contribuirá para a recuperação económica do país se os bancos comerciais acompanharem a redução e se famílias e empresas se mostrarem dispostas a recorrer a essas linhas de financiamento.

“Pode, de facto, ajudar na recuperação económica se os bancos comerciais acompanharem essa redução, porque o Banco de Moçambique dá o sinal, mas quem tem de a efectivar são os bancos comerciais, cuja finalidade é precisamente financiar, já que existem para vender dinheiro. Esse é o seu papel. Portanto, se o Banco de Moçambique reduzir, eles devem acompanhar a redução, mas, mais do que isso, é essencial que famílias e empresas estejam disponíveis para recorrer a essas linhas de crédito. O que está a acontecer é que os bancos comerciais até podem baixar as taxas de juro dos empréstimos, mas os operadores económicos, devido à incerteza que a economia atravessa, têm dificuldade em aceder ao financiamento”, explicou.

O banco central continua preocupado com o elevado nível da dívida pública interna. E, segundo os economistas, é necessário haver mais controlo da despesa pública, uma vez que esta também exerce pressão sobre o sistema financeiro.

 

Prime Rate desce para 16,50% em Outubro

A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique vai manter-se nos 16,50% durante o mês de Outubro, anunciou a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) em comunicado. O anúncio surge dias após a actualização da política monetária.

O custo do dinheiro poderá tornar-se mais baixo nos próximos dias, dado que a taxa de juro da política monetária tende a reduzir. No passado dia 29 de Setembro, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, anunciou a descida deste instrumento de 10,25% para 9,75%.

A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, calculado pelo Banco de Moçambique (fixado em 10,30%), com o Prémio de Custo, definido pela AMB (estabelecido em 6,20%). Este mecanismo visa aumentar a transparência na formação das taxas de juro variáveis e reforçar a transmissão da política monetária.

Desde Janeiro de 2024 que se registam descidas sucessivas, após seis meses em que a taxa permaneceu no valor histórico de 24,10%. Em Agosto, caiu para 17,20% e em Setembro, para 16,50%, valor que agora se mantém em Outubro.

As instituições financeiras devem aplicar esta taxa como referência em operações de crédito de taxa variável, acrescentando ou reduzindo um spread em função do risco do cliente e da operação. Nos bancos comerciais, os spreads variam entre 1% e 12%, consoante o tipo de crédito — habitação, consumo, leasing mobiliário ou imobiliário, bem como empréstimos de curto e longo prazo. Já nas instituições de microfinanças, os spreads são significativamente superiores: para créditos de consumo a particulares podem atingir 64,45%, enquanto para crédito a empresas oscilam entre 4% e 25,50%.

O documento estabelece ainda condições uniformes para a concessão de crédito. Nos bancos comerciais, exige-se um histórico bancário mínimo de seis meses, ausência de incidentes na Central de Registos de Crédito, garantias que cubram até 120% do valor financiado e contratação de seguros obrigatórios. O prazo máximo é de 20 anos para habitação, cinco anos para consumo e sete anos para empresas. Nas microfinanças, as condições seguem princípios semelhantes, mas adaptados ao perfil dos clientes: são requeridos comprovativos de rendimento, colaterais, garantias e seguros. Para funcionários públicos, existe um regime especial que permite prazos até 84 meses, com retenção das prestações directamente na fonte.

Desde Setembro de 2022 que a taxa directora se mantinha nos 17,25%, mas a partir de Janeiro de 2024 iniciou-se um ciclo de cortes graduais que já acumula uma descida de 700 pontos base. Apesar disso, a Prime Rate apenas acompanhou parcialmente este movimento, reduzindo cerca de 600 pontos base no mesmo período.

A petrolífera americana Exxon Mobil vai demitir aproximadamente dois mil funcionários em todo o mundo, cerca de 4% da sua força de trabalho, como parte de um plano de “reestruturação”, avançou, nesta quinta-feira, a Bloomberg.

O anúncio ocorre num momento em que se verifica uma onda de demissões no sector de energia dos EUA e menos de um mês após a Conoco Phillips, outra grande empresa do sector petrolífero, anunciar planos de demitir até um quarto da sua força de trabalho.

Especificamente, a “reestruturação” da Exxon significará demitir entre 3% e 4% dos seus funcionários em todo o mundo e está focada na redução de custos, de acordo com a Lusa, que cita a Bloomberg.

Sob o Governo de Donald Trump, o preço do barril de petróleo bruto do Texas caiu para cerca de 67 dólares, em comparação com os quase 75 dólares por barril que era negociado antes da sua posse, o que afectou as empresas petrolíferas nos EUA, reduzindo os seus lucros.

 

O anúncio do desembolso de mais de 207 milhões de meticais pelo governo de Inhambane, destinado ao pagamento de horas extras em atraso a mais de 5.100 professores referentes aos anos de 2022 e 2023, trouxe alívio momentâneo, mas rapidamente deu lugar ao descontentamento. Longe de verem a medida como solução definitiva, os docentes afirmam não concordar com a base usada para o cálculo da remuneração, que consideram injusta e desajustada ao esforço efetivamente prestado.

Para muitos professores, a matemática aplicada pelo governo deixa mais dúvidas do que certezas. “Temos informações que apontam para um total de 80 mil meticais em dívida. No entanto, apenas 20 mil foram validados. Onde foram parar os 60 mil restantes?”, questionou um dos docentes durante o encontro com colegas. A explicação apresentada pelas autoridades, de que feriados e fins de semana foram retirados do cálculo, é vista como uma justificação “não plausível” e que fere os princípios básicos da contagem de horas extraordinárias.

“Quando se faz cálculo de horas extras, não se descontam feriados ou finais de semana. O que conta são as horas efetivamente trabalhadas. Por isso, não aceitamos este modelo como justo”, insistiu outro professor, visivelmente frustrado.

Apesar do descontentamento, os professores afirmam esperar que o valor remanescente seja pago com a maior brevidade possível, sob pena de se agravar o clima de desmotivação já instalado no setor. “O salário de um funcionário é sagrado, é muito sagrado. Estamos a pairar sem informação clara sobre o pagamento da segunda tranche. Gostaríamos que fosse antes do dia 12, porque quando há demora no pagamento, isso desmotiva o professor e compromete a qualidade do ensino”, afirmou um docente, sublinhando que a liquidação faseada da dívida poderia, ao menos, “melhorar um ou outro assunto na educação”.

O mal-estar em torno da questão levou os professores a reunirem-se à porta fechada com deputados da Assembleia da República, que se deslocaram a Inhambane. No encontro, os parlamentares comprometeram-se a intensificar a pressão junto do governo para assegurar o pagamento integral do montante em dívida, reconhecendo a legitimidade das queixas apresentadas pelos professores.

“É do nosso conhecimento que o ano de 2022 já foi pago. Contudo, ainda faltam meses referentes a 2023 e, claro, o ano de 2024, que deverá ser incluído nesta lógica de compensação. Estamos confiantes de que o governo tem o domínio da situação e esperamos que responda positivamente às nossas expectativas”, afirmou um dos representantes dos docentes.

Para além da questão das horas extras, os professores levantaram também outras reivindicações, com destaque para a retoma imediata dos atos administrativos, que continuam suspensos devido às dificuldades financeiras. Para os docentes, essa paralisação tem impacto direto na progressão de carreira e na motivação profissional.

“Não se trata apenas de dinheiro, mas também de dignidade e reconhecimento. Os atos administrativos são fundamentais para a valorização do professor e para que possamos trabalhar com ânimo redobrado. Se continuarem suspensos, fica comprometido o nosso futuro e o futuro da educação na província”, declarou outro professor, em tom de apelo.

No centro da contestação está a perceção de que o esforço extra dos docentes não está a ser devidamente valorizado. Muitos afirmam ter dedicado horas além da jornada regular para suprir carências do sistema, sobretudo em contextos de falta de professores em várias escolas da província. “As horas extras não são luxo nem escolha. São uma necessidade para garantir que os alunos não fiquem sem aulas. Retirar parte desse esforço sob pretextos questionáveis é desrespeitar o trabalho do professor e prejudicar o futuro dos nossos alunos”, desabafou uma professora da cidade de Inhambane.

O governo provincial, por sua vez, sustenta que o processo de pagamento ainda depende da validação da Inspeção-Geral das Finanças, o que, segundo as autoridades, visa garantir maior rigor e transparência na utilização dos fundos públicos. Contudo, para os docentes, esse argumento não basta para justificar a demora e os cortes que consideram indevidos.

No meio da tensão, uma mensagem ecoa de forma unânime entre os professores: o apelo para que o governo cumpra integralmente com o prometido. “Queremos acreditar que o Estado vai honrar a sua palavra. Só assim será possível recuperar a moral dos professores e dar tranquilidade às nossas famílias”, disse um dos docentes, acrescentando que a valorização do professor é condição essencial para melhorar a qualidade do ensino em Moçambique.

Em Inhambane, os mais de 5 mil professores abrangidos pela medida aguardam, entre a esperança e a frustração, por uma solução definitiva. O desembolso anunciado foi recebido como sinal positivo, mas para os docentes só haverá verdadeira justiça quando o pagamento integral for feito e o cálculo das horas extras respeitar o esforço que cada um colocou no trabalho. Até lá, o ambiente continuará marcado por incerteza e apreensão.

O presidente da CTA, Álvaro Massingue, reuniu-se nesta quinta-feira, com o representante residente do Fundo Monetário Internacional em Moçambique. O encontro serviu para procurar caminhos para os problemas macroeconómicos que o país enfrenta, como é o caso da dívida pública e défice fiscal.

É o primeiro encontro que a nova direcção da Confederação de Associações Económicas liderada por Álvaro Massingue mantém com o Fundo Monetário Internacional. Além da apresentação das equipas das duas instituições, o encontro serviu para a CTA anunciar e convidar o FMI para a Conferência Anual do Sector Privado.

Na busca de soluções, o FMI apontou alguns caminhos que considera viáveis, sobretudo para a redução da dívida pública.

Ainda nesta quinta-feira, Álvaro manteve encontro com o novo delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que serviu para reforçar as relações e abrir espaço para uma possível cooperação em várias áreas.

Nos dois encontros, a CTA reafirmou o compromisso de continuar a buscar soluções para a melhoria do ambiente de negócios no país. 

+ LIDAS

Siga nos

Galeria