Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.
Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.
Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.
No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.
Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.
A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.
Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.
Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.
A Federação Moçambicana de Basquetebol pode ser banida das competições internacionais devido a uma dívida de 15 mil dólares que mantém com a FIBA-África. A informação foi recentemente tornada pública pelo presidente da FIBA-África e confirmada pelo presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol.
As dívidas foram contraídas durante a participação no último Afrobasket, em Abidjan, na Costa do Marfim, e dizem respeito ao pagamento de serviços de alojamento num valor não especificado, bem como à FIBA-África, num montante de cerca de 15 mil dólares, além de compromissos com alguns atletas.
A FMB, que convocou a imprensa este domingo para prestar esclarecimentos, reconhece a existência da dívida. Segundo explicou o presidente da FMB, a dívida relacionada com o pagamento de alojamento deveu-se ao facto de a agência de viagens ter determinado que a seleção nacional deveria apresentar-se em Abidjan três dias antes do início da competição, o que comprometeu a disponibilidade financeira para liquidar a dívida junto da FIBA.
Mazivila, que promete liquidar a dívida nos próximos dias, acusa o presidente da FIBA-África, Aníbal Manave, de falta de patriotismo ao divulgar publicamente a situação.
Actualmente, a dívida institucional da Federação Moçambicana de Basquetebol ronda os 3 milhões de meticais.
Os farmacêuticos moçambicanos realizaram, no sábado, a sua Primeira Gala Nacional, durante a qual prometeram mais esforços para melhorar a qualidade dos serviços farmacêuticos prestados aos cidadãos.
Na ocasião, a presidente da Associação dos Farmacêuticos de Moçambique, Bélia Muchanga, expressou a importância da data para a classe e reiterou o compromisso de trabalhar para servir com excelência.
“Pensar em saúde é pensar no farmacêutico, e esta gala é a afirmação da nossa identidade profissional. Estamos a dizer ao país com orgulho e convicção que somos importantes e o futuro da farmácia em Moçambique depende da nossa união, visibilidade e compromisso com a qualidade”, disse Bélia Muchanga.
Por sua vez, a Medimoc afirma estar a caminhar lado a lado com os farmacêuticos para garantir que cada um tenha as ferramentas de que precisa para desempenhar a sua função com segurança e excelência.
“O grupo Medimoc tem orgulho de caminhar lado a lado com os farmacêuticos, de Moçambique, enquanto distribuidora de medicamentos a nossa missão vai para além de levar produtos as farmácias, e também nosso compromisso que cada farmacêutico tenha a ferramenta que precisa para desempenhar a sua função com segurança, eficiência, rigor e excelência”, explicou a Directora Comercial da Medimoc, Stella Mucora.
Muroca referiu também que a instituição desenvolve acções de melhoria contínua dos seus produtos, com projecto de investir na área industrial de produção de dispositivos médicos, num futuro próximo. Tendo apelado igualmente as autoridades a colaborarem para a causa.
Nos últimos anos, Moçambique tem acelerado esforços para reduzir a dependência externa no fornecimento de medicamentos.
Peter Mutharika foi empossado como presidente do Malawi, neste sábado, marcando um retorno político impressionante para o homem de 85 anos, que liderou a nação do sul da África de 2014 a 2020. Seu retorno ao poder, após uma vitória eleitoral, coloca-o no comando de um país que enfrenta uma grave emergência económica.
Mutharika obteve 56% dos votos na eleição de 16 de Setembro, derrotando com folga o titular Lazarus Chakwera, que obteve 33%.
A vitória representa uma reviravolta para Mutharika, que perdeu a presidência depois que a eleição de 2019 foi anulada pelos tribunais devido a irregularidades.
Falando diante de milhares de pessoas no Estádio Kamuzu, o novo presidente reconheceu os profundos desafios do país.
Mais uma vez, os melhores desfilaram aos olhos de todos, em várias categorias na Gala Nacional do Desporto. Campeã africana de basquetebol pelo Ferroviário de Maputo, Anabela Cossa foi eleita a atleta do ano, categoria na qual também foi indicado o pugilista Tiago Muxanga, em masculinos. Na mesma gala, o internacional moçambicano Geny Catamo foi distinguido atleta popular de 2024.
“É uma honra para mim ser galardoada num evento desta dimensão. Agradeço à minha equipa, Ferroviário de Maputo, ao meu treinador e à minha família pelo apoio que me tem prestado durante a minha carreira”, disse Anabela Cossa.
Os atletas não foram os únicos a serem reconhecidos. O seleccionador nacional dos Mambas, Chiquinho Conde, também foi distinguido pelo seu contributo como jogador e treinador e diz que a distinção engrandece o nome da sua família e constitui o reconhecimento das referências do desporto moçambicano.
A Gala reconheceu ainda várias instituições, como é o caso do Instituto Médio de Educação Física e Desporto, tido como actor fundamental para o desenvolvimento do desporto nacional.
“Esse reconhecimento chega numa altura certa, tendo em conta as actividades que o IMEDE tem estado a desenvolver ao nível das cidades da Beira, Maputo e Nampula, actividades essas relacionadas com a formação de técnicos médios, que contribuem em grande medida para o desenvolvimento do desporto. Contribuímos também com a formação de professores de educação física que trabalham para a massificação do desporto escolar”, anota o director do IMEDE, Paulo Saveca.
Na gala houve espaço também para distinguir os diversos parceiros, que têm financiado e suportado vários projectos em quase todas as modalidades. Uma das instituições distinguidas é a Bolsa de Valores de Moçambique. O Presidente do Conselho de Administração desta instituição, o reconhecimento é um sinal de que “devemos continuar a trabalhar para garantir que os moçambicanos possam ficar cada vez mais alegres com o desporto que é praticado no nosso país”, sublinha Pedro Cossa.
O Ministro da Juventude e Desportos, Caifanide Manasse, destacou a importância do reconhecimento dos desportistas, assim como os desafios do desporto moçambicano.
A Doca seca de Quelimane carece de um investimento de 15 milhões de dólares, para reabilitação e apetrechamento com equipamentos modernos, para reparação de barcos e navios. Neste momento, a infraestrutura está degradada e a cair aos pedaços.
Um empreendimento importante para reparação e manutenção de barcos e navios está degradado e a cair aos pedaços. A comporta da doca, que é a parte mais importante para serviços de reparação e manutenção está destruída e precisa de uma nova comporta.
O secretário de Estado na Zambézia, Avelino Muchine, visitou a doca seca para se inteirar do funcionamento, mas não gostou de ver o estado do empreendimento.
O “O País” sabe que Investidores privados espanhóis e chineses já manifestaram interesses em reabilitar e ficar com o empreendimento para a utilização, mas sem sucesso.
Existe uma outra empresa que está a quatro anos à espera da resposta do ministério dos transportes e logísticas
Uma outra infraestrutura também visitada pelo dirigente é o Porto de Pescas de Quelimane. carece de investimentos para o tornar não só funcional como também moderno. Os frigoríficos industriais de produção de gelo, que outrora abasteciam a cidade, estão parados.
A travessia de Quelimane a recambia em Inhassunge e a sede da administração marítima na Zambézia foram outros locais escolhidos para uma visita pelo secretário de Estado da província.
O Presidente da República, Daniel Chapo, efectua a partir de hoje, uma visita de trabalho à República do Malawi, em resposta ao convite formulado pelo homólogo malawiano, Lazarus Chakwera, para participar na cerimónia de investidura do Presidente-eleito daquele país vizinho, Arthur Peter Mutharika.
Segundo o comunicado da Presidência da República, durante a sua estadia em Blantyre, o Chefe do Estado moçambicano manterá um encontro de trabalho com o Presidente Arthur Peter Mutharika, ocasião em que os dois dirigentes irão passar em revista o actual estágio das relações de cooperação política, económica e social entre Moçambique e Malawi, bem como identificar novas áreas de interesse comum para o aprofundamento da parceria bilateral.
Nesta deslocação oficial, o Chefe do Estado faz-se acompanhar pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Rafael Pale; pela Secretária do Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria de Fátima Simão Manso e outros quadros da Presidência da República.
Lurdes Mutola foi homenageada ontem pelo Presidente da República durante a Gala Nacional do Desporto como uma das maiores atletas do país nos últimos 50 anos. Daniel Chapo considera que a campeã olímpica dos 800 metros é o maior orgulho de Moçambique na arena desportiva, sobretudo no atletismo.
A família do desporto reunida entre encontro e reencontro de gerações que marcam e marcaram o desporto moçambicano nas diversas modalidades. A Gala Nacional do Desporto reconheceu os seus melhores actores, que com muito esforço, sacrifício e sentido patriótico elevaram a bandeira nacional nos últimos 50 anos, quer nos campos, nas quadras, nas pistas e no dirigismo desportivo.
O momento mais alto do evento foi a homenagem à campeã olímpica dos 800 metros, Lurdes Mutola, acto dirigido pela Presidente da República. Para Daniel Chapo, Mutola é uma das maiores referências do desporto mundial e o maior orgulho de Moçambique.
“Quando correu nos Jogos Olímpicos, Lurdes Mutola não correu apenas por si e para si, mas fê-lo pelos milhões de moçambicanos, correu pela bandeira, correu pela Pátria, por cada criança jovem, por cada mulher moçambicana e cada homem que acreditava que Moçambique podia estar entre os melhores do mundo. Nesse dia não me esqueço, Moçambique inteiro chorou de alegria e vibrou de orgulho”, disse Daniel Chapo.
Um orgulho que para o Chefe do Estado ultrapassa todos os limites, sobretudo porque as conquistas da Lurdes Mutola carregam o peso da história do país. Chapo reconheceu ainda o contributo da campeã olímpica na massificação do desporto. O Chefe do Estado referiu estar convicto de que o povo moçambicano ainda prestará muitas homenagens a Lurdes Mutola, pois o seu nome não pertence apenas a si, mas sim pertence à história, à juventude e a Moçambique.
“Pessoalmente, em conversa com a Lurdes sempre falamos da necessidade de construirmos um Centro de Alto Rendimento em Moçambique porque sem o referido centro nunca teremos mais Lurdes Mutola e nunca teremos atletas de qualidade que nós gostaríamos de ter”, alertou o Presidente da República.
O Presidente da República alerta que o país tem o desafio de investir nas infra-estruturas desportivas, de modo a garantir futuras conquistas e evitar possíveis exigências aos diversos actores do desporto moçambicano sem, no entanto, ter bases.
“Não podemos continuar a exigir que um Chiquinho Conde leve a nossa selecção para um campeonato mundial ou ganhar um campeonato africano sem infra-estruturas de qualidade. Não podemos continuar a exigir que um Nasir Salé leve a nossa selecção de basquetebol a conquistar medalha africana ou conquistar um campeonato do mundo sem que tenhamos camadas de formação, sem que tenhamos campeonatos de juvenis, juniores e seniores”, desafiou o PR.
Para Lurdes Mutola, a homenagem é um reconhecimento do seu trabalho, esforço e dedicação no desporto moçambicano, particularmente o atletismo. A campeã olímpica diz sentir-se orgulhosa pelo reconhecimento volvidos 50 anos, período em que continua a ser a única com uma medalha olímpica no país.
“Valeu a pena contribuir para o desporto moçambicano. É a primeira vez que sou reconhecida nesta dimensão desde nesses 50 anos de independência nacional. É gratificante para mim”, regozija-se Lurdes Mutola.
A campeã olímpica garante continuar a contribuir para a elevação do desporto nacional, através de vários projectos.
“Tenho falado muito com o Presidente da República sobre a necessidade que temos de criar um Centro de Alto Rendimento para o nosso desporto porque sem esse centro fica difícil garantir a concentração dos atletas e trabalhar ao mais alto nível”, anota.
A Gala Nacional do Desporto é um evento anual que serve para reconhecer e homenagear actores desportivos, que se destacam em várias modalidades.
A Comissão Técnica do Diálogo Nacional anunciou nesta sexta-feira, que o processo de auscultação pública vai arrancar na próxima segunda-feira, tanto nas províncias como na diáspora. O anúncio foi feito durante um encontro com organizações da sociedade civil, que manifestaram o interesse de se integrar formalmente no processo que visa restaurar a coesão nacional, abalada por uma crise política sem precedentes.
O presidente da Comissão Técnica do Diálogo Nacional, Edson Macuácua, garantiu que a auscultação será inclusiva e aberta a todos os sectores interessados. “Vamos iniciar a auscultação já na segunda-feira, abrangendo todo o território nacional e as comunidades na diáspora. Esta é uma fase crucial para ouvirmos todas as sensibilidades da sociedade”, declarou.A partir deste sábado, inicia a alocação das brigadas da Comissão nas províncias.
No mesmo encontro, diversas organizações da sociedade civil partilharam propostas para enriquecer o processo do diálogo nacional. Entre as prioridades apresentadas estão a inclusão efectiva de pessoas com deficiência, a participação activa das mulheres, a integração de contribuições científicas, o respeito pelos direitos humanos e a realização de estudos paralelos que acompanhem o processo.
O representante da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Albachir Macassar,, destacou que “é fundamental que o diálogo seja sustentado por uma base de respeito pelos direitos humanos e que não exclua nenhum grupo da sociedade, também focados na paz e coesão nacional.”
Por sua vez, o politólogo Flávio Quembo, da Associação dos Cientistas Políticos, enfatizou a importância de se incorporar conhecimento técnico e académico ao processo: “Queremos que este diálogo seja também científico, baseado em dados, estudos e análises que permitam decisões mais sólidas e sustentáveis, para se ter diálogo como solução.”
Paula Monjane, directora do programa Aliadas, defendeu uma maior presença de mulheres nas fases decisórias. “A paz e a reconciliação só serão duradouras se forem construídas com as mulheres à mesa. Não pode haver inclusão parcial”, afirmou.
O presidente da Comissão Técnica saudou a iniciativa da sociedade civil e encorajou o grupo a apresentar propostas concretas. “Este é um espaço aberto. A Comissão Técnica acolhe de forma positiva todas as contribuições e apela à apresentação de ideias estruturadas que possam alimentar as futuras fases do processo”, frisou Edson Macuácua.
Após a auscultação, os grupos participantes deverão apresentar propostas que irão sustentar as mesas de diálogo em busca da coesão nacional.
O processo do Diálogo Nacional é visto como uma oportunidade histórica para resolver as tensões políticas e promover a reconciliação efectiva no país.
Num contexto de crescente ameaça cibernética, o Governo moçambicano está a instar as instituições de ensino superior a reforçarem os seus programas de formação nas áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), com foco específico na cibersegurança. O apelo foi lançado durante o Workshop de Consciencialização em Segurança Cibernética, realizado esta sexta-feira, em Maputo, no âmbito da celebração do Mês de Consciencialização sobre a Cibersegurança.
Sob o lema “Moçambique com um espaço cibernético seguro, resiliente e uma sociedade consciencializada”, o evento reuniu representantes do Governo, organizações internacionais, reguladores do sector das TIC, instituições académicas e o sistema de justiça, com o objectivo de debater soluções para enfrentar a crescente ameaça dos cibercrimes no país.
A Inspectora-Geral do Ministério dos Transportes e Comunicações, Igna Macule, destacou a importância de capacitar tecnicamente os quadros nacionais para garantir a soberania digital. “As instituições de ensino desempenham um papel estratégico na construção de um ecossistema de cibersegurança robusto. É imperativo que reforcem os seus currículos com matérias específicas de segurança digital, ética informática e defesa cibernética”, defendeu.
Segundo Macule, a crescente digitalização dos serviços públicos e privados, sem a correspondente protecção, expõe o país a riscos reais de ataques cibernéticos que podem comprometer dados sensíveis, infraestruturas críticas e até decisões de soberania. “Hoje, a cibersegurança é tão importante quanto a segurança física. Se não estivermos preparados, corremos o risco de sermos atacados em sectores vitais do país”, advertiu.
No mesmo encontro, foi anunciado que Moçambique vai assinar ainda este mês, a Convenção das Nações Unidas sobre Cibercriminalidade, também conhecida como Convenção de Budapeste, um instrumento legal internacional que visa reforçar a cooperação global no combate ao crime cibernético.
“Estamos a dar passos firmes rumo à adopção de instrumentos legais e compromissos multilaterais que posicionem Moçambique no combate global ao cibercrime. A assinatura da convenção e a aprovação de legislação nacional adequada são prioridades para este mês”, sublinhou Macule.
Dados da Procuradoria Geral da República revelam que Moçambique registou mais de mil casos de cibercrime apenas em 2024, incluindo fraudes electrónicas, roubo de identidade, phishing, ataques a websites institucionais e disseminação de software malicioso.
Para o representante do UNODC, António Vivo, os números são preocupantes e exigem uma resposta coordenada e urgente. “Esses dados mostram que o crime digital está a crescer rapidamente no país, e é essencial haver não só leis claras e eficazes, mas também capacidade humana e técnica para investigar e julgar esses crimes”, afirmou. O responsável apelou ainda a uma maior cooperação regional e internacional.
O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Chemane, foi taxativo ao descrever o actual cenário: “A cada segundo, os sistemas nacionais enfrentam tentativas de ataques cibernéticos. A pressão é constante, exige um ecossistema resiliente, integrado e mais investimento”.
Chemane alertou para o facto de que muitas instituições públicas e privadas ainda operam com níveis baixos de protecção, o que torna o país mais vulnerável. Para enfrentar este desafio, o INTIC tem desenvolvido acções de formação e parcerias estratégicas.
Entre as mais recentes iniciativas, destaca-se a assinatura de um memorando de entendimento com o Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ), com o objectivo de capacitar magistrados, procuradores e outros operadores do sistema judicial em matérias ligadas ao cibercrime. “É fundamental que os nossos tribunais estejam preparados para lidar com este novo tipo de criminalidade, que é muitas vezes invisível e altamente complexa”, explicou.
No encerramento do workshop, foi reiterado o apelo à mobilização de todos os sectores da sociedade. “A cibersegurança não é um problema apenas do Governo ou das empresas de telecomunicações. É uma responsabilidade colectiva que envolve escolas, universidades, bancos, empresas, tribunais e cada cidadão que usa um telemóvel ou acede à internet”, concluiu Lourino Chemane.
A nível mundial, o cibercrime tornou-se uma das principais ameaças à segurança nacional dos países. Estima-se que, até 2025, os prejuízos globais com crimes cibernéticos ultrapassem os 10 trilhões de dólares por ano, segundo estimativas da Cybersecurity Ventures.
Em África, muitos países ainda carecem de legislação específica, recursos técnicos e humanos para enfrentar este fenómeno.

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