Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.
Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.
Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.
No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.
Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.
A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.
Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.
Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.
A poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares é a vencedora da 37.ª edição do Prémio Camões, anunciou, nesta quarta-feira, a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) em Portugal. Ana Paula Tavares torna-se, assim, a primeira angolana a vencer o maior prémio literário da língua portuguesa, que já foi conquistado pelos moçambicanos José Craveirinha (1991), Mia Couto (2013) e Paulina Chiziane (2021).
Ao atribuir o Prémio Camões 2025 a Ana Paula Tavares, é distinguida “a sua fecunda e coerente trajectória de criação estética e, em especial, o seu resgate de dignidade da Poesia”, refere o júri, num comunicado divulgado pela DGLAB.
“O Júri sublinhou que, com a dicção do seu lirismo sem concessões evasivas e com os livres compromissos da produção em crónica e em ficção narrativa, a obra de Ana Paula Tavares ganha também relevante dimensão antropológica em perspectiva histórica”, lê-se no comunicado.
O nome do vencedor foi decidido nesta quarta-feira, numa reunião que juntou todos os elementos do júri: a poeta e investigadora Ana Mafalda Leite (Portugal), o escritor e professor José Carlos Seabra Pereira (Portugal), o ensaísta, professor e crítico literário Francisco Noa (Moçambique), o historiador e professor Arno Wehling (Brasil), a professora Maria Lucia Santaella Braga (Brasil) e o poeta e crítico literário Lopito Feijóo (Angola).
Nascida em 1952 em Angola, na cidade de Lubango, Ana Paula Tavares é doutorada em Antropologia da História, pela Universidade Nova de Lisboa.
A poeta e historiadora vive actualmente em Lisboa e é docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, colaborando também com várias instituições como investigadora convidada, como o CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o AHNA (Arquivo Histórico Nacional de Angola).
Entre 1983 e 1985, coordenou o Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação Histórica em Luanda, e foi membro do júri do Prémio Nacional de Literatura de Angola entre 1988 e 1990.
Em declarações à agência Lusa, Ana Paula Tavares afirmou que “espero que haja a possibilidade de continuar a provar que a poesia tem um lugar nas nossas vidas, nos nossos compromissos, nas nossas lutas diárias”.
Ana Paula Tavares afirmou que, desde o momento em que soube da notícia, a primeira coisa que lhe ocorreu foram as mulheres do seu país, Angola: “Aquelas que continuam em silêncio, a lutar pela vida todos os dias, a inventar a vida, a reconstruir essa mesma vida”.
“Não tenho pretensões de falar em nome das mulheres do meu país. Sou uma mulher angolana e essa é a minha função, mas se a minha palavra de alguma maneira puder tocá-las e tocar as instâncias que podem — ou que devem — mudar as coisas é um objectivo que gostava” de alcançar, afirmou a escritora.
A autora integra a “geração de 80”, preocupando-se especialmente com a condição da mulher na sociedade angolana. A sua poesia utiliza um “sujeito poético” feminino como veículo de denúncia e libertação, explorando símbolos como cores, frutos e ornamentos, mesclando religiosidade cristã e realidade africana. Entre os seus livros de poesia destacam-se: Ritos de Passagem (1985), O Lago da Lua (1999) e Dizes-me Coisas Amargas Como os Frutos (2001), tendo também publicado crónicas e ensaios sobre a história de Angola.
Em comunicado, a Editorial Caminho afirmou Ana Paula Tavares é “uma referência incontornável no espaço da língua portuguesa” e “foi com imensa alegria que recebemos a notícia que a poeta e historiadora foi distinguida com o Prémio Camões 2025”.
A madrugada de segunda-feira começou com um grito silencioso de dor no povoado de Agostinho Neto, no distrito da Maxixe. Três jovens, com idades entre os 17 e os 25 anos, perderam a vida depois que a motorizada em que seguiam colidiu violentamente com uma viatura ligeira. O impacto foi tão forte que, segundo testemunhas, o veículo só parou vários metros depois do embate — uma cena que deixou marcas profundas não apenas no asfalto, mas também no coração das famílias que agora choram pelos seus mortos.
No local do sinistro, os cacos de vidro e o óleo espalhado no asfalto ainda contam a história de uma noite que terminou em tragédia. Jaime Cumbane, pai de uma das vítimas, ainda tenta entender o que aconteceu. Entre lágrimas, fala com voz trémula sobre a dor que o consome desde o momento em que soube da morte da filha. “O que nos contaram é que o carro atingiu a motorizada por trás, com tanta força que a arrastou por vários metros. Depois do embate, o veículo só parou cerca de cinquenta metros adiante do local do acidente”, relatou, sem conseguir esconder a revolta.
Para Jaime, a dor é agravada pela sensação de impotência. “Não era possível ele explicar bem o que aconteceu, porque aquele senhor estava completamente embriagado, muito bêbado mesmo”, desabafou, referindo-se ao condutor da viatura envolvida no acidente.
A mãe da jovem, Isabel Domingos, ainda não encontra palavras que consigam traduzir o vazio deixado pela partida abrupta da filha. De olhar perdido e voz embargada, partilha um lamento que se mistura com a incredulidade: “Não tenho palavras… o meu coração está despedaçado. Fui eu quem gerou a criança, mas nada pode trazê-la de volta. Se ela partiu, resta apenas aceitar… não há nada mais que se possa fazer.”
Enquanto a dor se espalha entre os familiares, a irmã da vítima, Neusa Cumbane, reconhece que houve imprudência. “O que sei é que, normalmente, na motorizada só seguem duas pessoas. Por isso, ficámos surpreendidos quando nos disseram que as três vítimas estavam na mesma mota. Não sei o que dizer… é difícil compreender como tudo aconteceu.”
A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Inhambane, entretanto, apresenta uma versão diferente dos factos. Segundo a porta-voz do Comando Provincial, Nércia Bata, não foi o carro que embateu contra a motorizada, mas sim o contrário. “A polícia tomou conhecimento de que, por volta da uma hora da madrugada, ocorreu um acidente do tipo choque entre carro e motociclo. O motociclo saía da cidade da Maxixe em direção a outro ponto do distrito, no sentido sul-norte, e vinha uma viatura no mesmo sentido. O que aconteceu é que o motociclo embateu na traseira do veículo que seguia à frente. Os ocupantes da mota perderam a vida de imediato”, explicou.
De acordo com a PRM, as três vítimas foram transportadas para a morgue do Hospital Rural de Chicuque, na Maxixe. “É de lamentar, porque este tipo de acidentes tem semeado dor e luto nas famílias em toda a província de Inhambane. Por isso, apelamos aos condutores para que façam uma condução defensiva, respeitem as regras de trânsito e aos motociclistas para que não transportem mais do que uma pessoa por mota”, apelou Nércia Bata.
A porta-voz esclareceu ainda que, ao contrário do que dizem as famílias, o condutor da viatura não estava embriagado. “Foi feito o teste de álcool e o resultado foi negativo. Quer dizer que ele não estava sob efeito de bebidas alcoólicas”, garantiu. A polícia acredita que o acidente ocorreu porque o veículo da frente travou de forma brusca e o motociclista, que circulava a alta velocidade, não conseguiu reagir a tempo, acabando por embater na traseira.
Apesar da explicação oficial, as famílias mantêm dúvidas e pedem que o caso seja investigado com rigor. Para elas, o que aconteceu foi mais do que um acidente — foi uma perda irreparável que destruiu vidas e sonhos.
O trágico episódio volta a expor o drama dos acidentes de viação em Inhambane, uma província que, nos últimos meses, tem registado um número crescente de sinistros fatais. Dados da PRM indicam que o excesso de velocidade, a condução sob efeito de álcool e a falta de uso de capacetes continuam entre as principais causas. Só em 2024, dezenas de famílias foram mergulhadas no luto por acidentes que, segundo as autoridades, poderiam ter sido evitados.
Nas comunidades, o sentimento é de medo e impotência. Muitos motociclistas reconhecem as falhas, mas apontam também para a falta de campanhas de sensibilização, de fiscalização nas estradas e de condições mínimas de segurança. Em povoados como Agostinho Neto, circular à noite em vias mal iluminadas e sem sinalização é quase sempre um risco.
Enquanto o sol se põe sobre as colinas de Inhambane, a família Cumbane tenta reconstruir-se no meio do desespero. O silêncio que paira sobre a casa é pesado, cortado apenas pelo som das lamúrias que se misturam com o vento. Três vidas interrompidas numa curva, três famílias destroçadas e uma comunidade inteira mergulhada em dor — é o retrato cruel de mais uma madrugada de luto nas estradas moçambicanas.
O Ministério da Educação e Cultura pretende, até 2029, reduzir para 23% a taxa de analfabetismo – que actualmente chega à metade das mulheres – adaptando os currículos às novas dinâmicas tecnológicas e expandindo modalidades de educação formal e informal, anunciou o Governo.
A ministra da Educação e Cultura moçambicana, Samaria Tovela, citada nesta quinta-feira, numa nota ministerial, refere que o sucesso da alfabetização no país depende de uma acção “coordenada, sustentável e inclusiva”, que chegue, efectivamente, às comunidades mais vulneráveis, contribuindo para a “justiça social e desenvolvimento sustentável”, escreve o Notícias ao Minuto.
Apesar do progresso registado na educação nacional, a governante reconheceu que 49,4% das mulheres continuam analfabetas no país, havendo a necessidade de “intensificar” acções no domínio da educação de jovens e adultos, sendo que, globalmente, a taxa de analfabetismo no país ronda os 38%.
“O Ministério da Educação e Cultura reafirma o seu compromisso com a promoção da alfabetização em Moçambique, estabelecendo como meta a redução da taxa de analfabetismo para 23% até 2029”, refere-se no documento citado pela fonte.
Para responder ao desafio, o ministério assinala a implementação do Plano de Acção para Aceleração da Alfabetização de Jovens e Adultos, para aumentar a participação de adultos, com especial atenção às mulheres, raparigas e pessoas com necessidades educativas especiais.
O plano prevê igualmente desenvolver programas integrados de literacia e geração de rendimentos, expandir modalidades de educação formal e informal, tanto no sistema monolingue como no bilingue. Inclui ainda a adaptação dos currículos às novas dinâmicas tecnológicas e contextos locais, o estabelecimento de parcerias estratégicas para a diversificação das fontes de financiamento, o reforço dos mecanismos de gestão, monitorização e avaliação e o investimento na formação e capacitação de professores e alfabetizadores.
Recentemente, o Presidente da República anunciou que a taxa de analfabetismo reduziu de 93%, em 1975 (ano da Independência Nacional), para 38%, em 2024, alertando que a pobreza e o desemprego juvenil são ainda “obstáculos” ao desenvolvimento inclusivo.
De acordo com o Chefe do Estado, no mesmo período, Moçambique expandiu o ensino a todos os níveis, “incluindo o ensino técnico e superior”, de três institutos de ensino médio e uma universidade, em 1975, para 245 institutos e cerca de 60 instituições de ensino superior em todas as províncias, em 2024.
O Presidente da República dirigiu-se hoje à selecção nacional de Futebol, os “Mambas”, para um encontro motivacional antes do jogo desta quinta-feira contra a Guiné, a contar para o Grupo G das eliminatórias do Campeonato Mundial de Futebol FIFA.
Durante o encontro, Daniel Chapo sublinhou a importância da representação nacional, destacou o trabalho da equipa técnica e anunciou incentivos financeiros para os jogadores.
“Quero em primeiro lugar endereçar os parabéns à equipa técnica, liderada pelo mister Chiquinho Conde, à Federação Moçambicana de Futebol, ao Ministério da Juventude e Desportos e a todos os jogadores da nossa Selecção que estão aqui. Eu vim aqui em nome do povo moçambicano. Como sabem, a nossa Selecção quando está a jogar é Moçambique que está em jogo”.
O Chefe do Estado fez questão de salientar o trabalho meritório do seleccionador nacional. “Nós estamos bastante satisfeitos com o trabalho que tem sido realizado pela equipa técnica da Selecção Nacional, liderada pelo mister Chiquinho Conde e a sua respectiva equipa,” disse, notando que “o futebol avalia-se pelo resultado”.
Acrescentou que a renovação da equipa e a integração de novos talentos, lado a lado com jogadores experientes, é um sinal positivo de uma “Selecção não só para o presente, mas também para o futuro”.
Com a missão de reforçar a motivação para o embate contra a Guiné, o Presidente Chapo anunciou o contributo de parceiros, o que se traduzirá num prémio adicional para cada atleta. “Viemos aqui também para motivar a Selecção. Nós temos parceiros que nos disseram: Presidente, vai ter com a Selecção Nacional e diga a eles que nós, em termos de prémios de jogo, vamos colocar mais 100 mil meticais para cada jogador por aquilo que realmente merecem em termos do resultado que vão obter,” revelou.
O Presidente da República enalteceu o mérito dos atletas, reconhecendo que estes “merecem muito mais do que isso,” mas que o aumento do prémio representa “um sinal do esforço dos parceiros que pretendem ver a nossa vitória hoje da Selecção Nacional rumo ao Mundial”.
O estadista prometeu que o envolvimento do governo e de parceiros para apoiar os “Mambas” será um “hábito,” referindo-se também à mobilização de apoios para a continuação do Moçambola.
A mensagem do Chefe do Estado foi clara quanto ao resultado esperado para o jogo de hoje. Citando a famosa máxima do seleccionador, o Presidente Chapo adaptou-a ao contexto actual: “O mister Chiquinho Conde de tem dito que se não der para ganhar, não dá para perder. Mas hoje dá para dizer que se não der para ganhar, dá para ganhar, porque na fase em que nos encontramos já não temos muitas soluções a não serem vitórias, ganhar”.
Olhando para o futuro do desporto, o governante assumiu o compromisso de melhorar as condições para os “Mambas,” classificando o jogador de futebol como um “artista” que necessita de condições de excelência. “Nós precisamos começar a construir infra
estruturas de qualidade […]. O jogador de futebol é um artista, sendo um artista tem que ter condições para treinos, condições para estágio, condições de habitação, condições de transporte para que realmente possamos ter resultados que todos nós almejamos,” frisou.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) congratulou-se hoje com um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que a sua agência está pronta para intensificar a resposta às necessidades de saúde em Gaza
Através do seu perfil na rede social X, Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou que o cessar fogo em Gaza é “um grande passo em direcção a uma paz duradoura para Israel e Palestina”.
O director da OMS declarou ainda que a agência está pronta para intensificar as respostas às necessidades de saúde na Faixa de Gaza. “A OMS está pronta para intensificar seu trabalho para atender as necessidades urgentes de saúde dos pacientes em Gaza e apoiar a reabilitação do sistema de saúde destruído”.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira que Israel e o movimento islamita aceitaram a “primeira fase” do seu plano de paz, que prevê a retirada parcial das tropas israelitas da Faixa de Gaza e a libertação de 20 reféns ainda vivos em troca de prisioneiros palestinianos.
A Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo continua a acolher propostas das organizações da sociedade civil no âmbito das auscultações em curso por todo o país. Esta quinta-feira, a Comissão reuniu-se com a plataforma DECIDE, que apresentou sugestões de colaboração e mecanismos de apoio técnico ao processo.
Durante o encontro, o presidente da Comissão Técnica, Edson Macuácua, destacou a importância da participação das organizações da sociedade civil, considerando que o diálogo nacional só será efectivamente inclusivo com o envolvimento de todos os sectores.
“Estamos satisfeitos porque a plataforma DECIDE apropriou-se do processo e traz-nos propostas concretas de acções que visam ampliar o espaço de participação dos cidadãos, reforçar o engajamento de sectores críticos da sociedade e capacitar os actores envolvidos no diálogo”, afirmou.
Macuácua sublinhou que a Comissão acolhe com abertura todas as iniciativas apresentadas e enfatizou a necessidade de garantir a participação activa de jovens, mulheres e pessoas com deficiência, grupos considerados essenciais para a representatividade do diálogo.
Por sua vez, o Director Executivo da plataforma DECIDE, Wilker Dias, explicou que as propostas apresentadas têm como objectivo apoiar a recolha de informações e a elaboração de relatórios sobre o andamento do processo, com o apoio do Fundo do Canadá, além de promover acções de capacitação dirigidas à sociedade civil e aos partidos políticos.
Segundo o responsável, as iniciativas procuram contribuir para uma participação mais ampla e equilibrada, assegurando que os diferentes grupos da sociedade possam fazer ouvir as suas vozes no âmbito do diálogo nacional inclusivo.
O encontro insere-se no ciclo de auscultações que a Comissão Técnica tem vindo a realizar junto de várias organizações, com vista a recolher contribuições que tornem o processo mais participativo e representativo dos diversos segmentos da sociedade moçambicana.
Subiu de 10 para 20 o número de postos de transformação de energia vandalizados entre Agosto e Outubro em Gaza. Em mais uma incursão, os malfeitores deixaram mais de 700 famílias às escuras, no distrito de Bilene. Há três supostos líderes de Maputo detidos na vila da Macia.
A vandalização da rede eléctrica e roubo de postos de transformação de energia atingem proporções alarmantes na província de Gaza, ameaçando o fornecimento de energia e gerando prejuízos incalculáveis em Xai-Xai, Chongoene e Bilene, neste último contabilizam-se pelo menos 700 famílias em três comunidades sem corrente eléctrica, há quatro dias, em consequência das incursões dos criminosos.
“Frequentemente tem acontecido esse tipo de casos. A situação é muito preocupante mesmo. Estamos a passar mal, os congeladores estão desligados. O carril está de qualquer maneira. Então, a situação é muito preocupante mesmo” disse um representante das vítimas.
Ao aperceberem-se da situação, os residentes surpreenderam, no bairro do Aeroporto, um dos três indiciados. O quarto colocou-se em fuga. O indicado é confesso e relata ter sido agredido pela população antes de revelar a localização dos outros dois integrantes do grupo.
“Por aí vinte. Então, fomos para lá operar, eram por aí duas horas da madrugada. Fui encontrado pela população com esses cabos de PT. Estou a sangrar porque a população nos torturou à procura da verdade, de onde nós tiramos esses cabos”, declarou o indiciado.
Durante uma operação policial foram encontrados em esconderijo vários cabos despedaçados que seguiam para cidade de Maputo.
“Que pertence à EDM, foi uma forma de phandar também. Vandalizamos os PTs. E nos encontraram com esses materiais. Por essa razão estamos aqui” , confessou outro integrante do grupo.
De acordo com a Polícia da República de Moçambique em Gaza, as investigações apontam para a existência de uma rede estruturada de roubo e comercialização de material eléctrico, que conta com ladrões locais subordinados a um esquema que aterroriza as províncias do sul do país.
“Conforme eles disseram que vem da província de Maputo, com a neutralização desse, podem outros casos ocorridos naquele ponto do país e outros pontos vão ser esclarecidos”, garantiu o porta-voz da PRM em Gaza, Júlio Nhamussua.
Júlio Nhamussua esclareceu ainda que Bilene “tem sido assolado por vários cortes de energia por consequência de vandalização de postos de transformação. Só contabilizando esses três vandalizados por eles, vão adicionar a outros cinco PTs, que foram vandalizados durante o mês passado. Então temos no total oito PTs vandalizados. Estamos no encalço de todos que se dedicam a essa atividade para poder responder ao juiz” concluiu.
São ao todo 20 PTs vandalizados nos últimos três meses em Gaza, cujos cabos são vendidos para empresas de reciclagem, para reaproveitamento do cobre e outros metais valiosos.
A Comunidade do povoado de Amamba, no distrito de Chibabava, em Sofala, denuncia usurpação das suas terras por agentes económicos chineses, que pretendem instalar uma fábrica de cimento. As autoridades locais distanciam-se da limpeza nas machambas da comunidade, mas prometem seguir o caso para que as famílias beneficiem das compensações.
Nesta semana, a comunidade residente no povoado de Amamba, no distrito de Chibabava, em Sofala, viu as suas terras, onde praticam actividades agrícolas, invadidas por máquinas que fazem limpeza com intuito de implantar uma fábrica de cimento. Este acto está a incomodar os nativos, que segundo suas palavras, aguardavam por uma consulta pública e posterior compensação.
“Os chineses chegaram aqui e disseram que queriam esta área para construir fábrica (…) Nós aqui não temos outras machambas, não temos o que fazer”, reclamou Jeremias Zefanias, residente de Amamba.
Por aquilo que se pode ver no local, os dias das famílias têm sido de um lado as máquinas a trabalharem na limpeza das terras e do outro a comunidade que busca resposta sobre o que está a acontecer no terreno.
“Antes de ontem, eu recebi o programa de que está a vir o administrador ou o governador para fazer o lançamento da pedra. Então, eu perguntei a ele como é que vão fazer o lançamento de pedra quando ainda tem pessoas por indemnizar”, avançou Maquanda Sithole, líder comunitário de Amamba.
O “O País” tentou, sem sucesso, ouvir os responsáveis da referida empresa, pois ao aperceber-se da nossa presença colocaram-se nos seus veículos e abandonaram o local. Os que permaneceram disseram não ter autorização para falar com a imprensa.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de querer “semear o caos” na Ucrânia, com a intensificação recente dos ataques às infraestruturas energéticas e ferroviárias do país.
Segundo a imprensa internacional, nas últimas semanas, com o aproximar do inverno, a Rússia tem atacado instalações de eletricidade, gás e caminhos-de-ferro em várias regiões ucranianas, gerando receios de uma campanha semelhante à dos invernos anteriores, quando milhões de pessoas estiveram, por vezes, imersas na escuridão ou sem aquecimento.
Zelensky destacou a “forte pressão dos ataques russos” ao setor do gás ucraniano, o que pode obrigar Kiev a aumentar as importações.
No inverno passado, os bombardeamentos russos já tinham reduzido para metade a produção doméstica de gás da Ucrânia.
No entanto, Zelensky disse ter visto “resultados positivos” na campanha ucraniana contra as refinarias russas, que provocaram o aumento dos preços dos combustíveis na Rússia desde o verão.
A Ucrânia também atacou recentemente uma central elétrica na região fronteiriça russa de Belgorod, provocando cortes de energia.
“Em relação aos nossos intensos ataques na Rússia (…), há resultados positivos”, disse Zelensky, citando “a escassez de combustível de até 20% das necessidades” na Rússia.
Na linha da frente, o presidente ucraniano voltou a elogiar a contraofensiva liderada pelas suas forças em resposta a um avanço do exército russo este verão perto de Dobropillia, afirmando que esta operação “falhou a campanha ofensiva russa de verão”.
Os ataques russos provocaram cortes de energia em várias regiões da Ucrânia no último fim de semana e atingiram duas locomotivas numa estação no norte do país, matando várias pessoas.
A Rússia, por sua vez, enfrentou dois ataques com drones na segunda e terça-feira, cada um envolvendo mais de 200 drones, um dos ataques ucranianos mais massivos desde 2022.

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