Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.
Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.
Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.
No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.
Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.
A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.
Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.
Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.
O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou este domingo à união, reconciliação e perdão entre os moçambicanos, sublinhando que o diálogo nacional em curso “não é um diálogo político, é diálogo entre irmãos moçambicanos, é diálogo para o desenvolvimento”. O Chefe do Estado falava durante as cerimónias do 25.º aniversário da fundação do Ministério Evangelho em Acção (MEA), realizadas no distrito de Matutuíne, província de Maputo.
Na sua intervenção, Daniel Chapo começou por expressar gratidão a Deus pela vida e pela oportunidade de partilhar a celebração com os fiéis do MEA.
“Quero em primeiro lugar agradecer a Deus, que nos permitiu estar aqui hoje, porque temos muitos irmãos no mundo que podiam estar connosco hoje, mas não puderam estar porque Deus assim quis. E nós estamos vivos e aqui presentes não porque somos mais espertos, não porque somos mais inteligentes, é pura e simplesmente pela graça de Deus”, afirmou.
Criado a 9 de Outubro de 2000, o MEA celebrou um quarto de século de existência sob o lema de fé, missão e serviço à comunidade. O Chefe do Estado elogiou a dedicação da igreja, destacando o seu papel na promoção da paz espiritual e social em Moçambique.
O Presidente recordou aos fiéis que a Bíblia deve ser o guia da vida cristã e da convivência entre os moçambicanos. “Quero relembrar aos membros do MEA que o seu guia da vida é a Bíblia Sagrada. E todos nós que cremos em Deus e como cristãos é o nosso guia”, afirmou, antes de ler uma passagem do livro de Josué, que inspirou a principal mensagem do seu discurso.
“Depois que Moisés, servo do Senhor, morreu, o Senhor falou a Josué, filho de Num, dizendo: Moisés, meu servo, está morto. Prepare-se agora e passe este rio Jordão […]. Seja forte e corajoso, porque você fará este povo herdar a terra sobre o juramento que prometi dar aos pais dele […]. Não cesse de falar deste livro de lei […]. Então você prosperará e será bem-sucedido”, leu o Chefe do Estado.
Inspirando-se nesta passagem, o estadista moçambicano comparou a travessia do povo de Israel à libertação de Moçambique do domínio colonial. “Tal como Moisés, que foi um líder escolhido por Deus para resgatar e salvar o povo de Israel do Egipto, nós como moçambicanos também passamos pelo mesmo período […]. Fomos colonizados e vivíamos também a escravatura”, observou, sublinhando que Deus continua a realizar milagres na história dos povos.
O Presidente da República destacou que a caminhada rumo ao desenvolvimento requer fé, coragem e tolerância, mesmo perante as divergências. “Entre nós, moçambicanos, também temos esse tipo de pessoas [que duvidam]. Mas é nossa tarefa, nós que cremos em Deus, não abandonar essas pessoas. Moisés não abandonou o seu povo, mesmo aqueles que murmuravam, continuou com eles”, afirmou, defendendo uma liderança inclusiva e paciente.
Além disso, o governante reforçou que o diálogo nacional representa um caminho de comunhão e esperança, não de confronto político. “De coração aberto e franco, sem ódio, sem violência, mas em harmonia, em paz e comunhão entre irmãos […], porque está escrito que a grande mensagem que Cristo deixou é: Amai-vos uns aos outros”, declarou, apelando à consolidação da paz e à reconciliação entre moçambicanos.
No encerramento do seu discurso, o Chefe do Estado encorajou os fiéis a manterem a oração e a fé como instrumentos de transformação.
O Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG) está a corrigir falhas detectadas no sistema de abastecimento do precioso líquido na cidade de Pemba, inaugurado há cerca de um ano depois de obras de reabilitação e ampliação.
Segundo revelou o director do FIPAG em Pemba, Eugénio Matsinhe, “o abastecimento de água em Pemba ainda não é normal dado que estão em curso trabalhos de testagem do novo sistema, e também está em curso a correcção dos defeitos verificados durante a construção do sistema “.
Além de defeitos no sistema, o FIPAG não está a conseguir aumentar a produção de água devido à suposta redução de níveis dos lençois freáticos nas áreas onde foram abertos os furos de água.
“Actualmente temos vinte e dois furos de água que já não poroduzem muita via devido a mudanças climáticas que reduziram consideravelmente o níveis do lençol freático, estando a produzir cerca de dezoito mil metros cúbicos por dia e Por isso foi lançado um concurso para abertura de mais seis furos para aumentar a quantidade de água produzida”, anunciou Eugénio Matsinhe
Devido aos defeitos detectadas no sistema e a fraca capacidade de produção de água, o abastecimento do precioso líquido a cidade de Pemba está a ser feito de forma condicionada.
“Neste momento estamos a abastecer a água de forma escalonada por zonas ou bairros por onze horas por dia”, justificou Eugênio Matsinhe.
A população de Pemba está agastada com o FIPAG e actualmente consome água imprópria retirada de poços tradicionais.
“Em minha casa não sai água desde de Abril deste ano, mas todos meses recebo facturas. Agora bebemos água suja dos poços onde passamos quase todo dia para conseguir pelo menos uns vinte litros de água. E esse poços também estão a secar. E depois dizem que apanhamos cólera por causa da falta de higiene, enquanto o problema é mesmo a falta de água potável”, reclamou Ngamu Nfalume, residente de Pemba.
O projecto de reabilitação e ampliação do sistema de abastecimento de água de Pemba que começou em 2019 e compreendeu abertura de vinte furos de água, construção de uma nova estação de tratamento, três centros distribuidores e cerca de 170 quilómetros de rede de distribuição, previa aumentar a capacidade de produção de 10 mil para 30 mil metros cúbicos de água por dia e aumento do horário da abastecimento de 6 para 16 horas por dia, mas até hoje a cidade continua a registar uma grave crise de água potável.
O governador de Cabo Delgado manifestou a vontade de ver o grupo armado a participar no Diálogo Nacional Inclusivo que é visto como uma oportunidade ímpar para por fim ao terrorismo na província. A intenção foi apresentada na aldeia Quelimane, em Mocímboa da Praia, um dos distritos mais afectados pelo terrorismo.
“Agora temos a oportunidade com esse Diálogo Nacional Inclusivo de trazermos aqui para vermos onde está o problema. Se há quem se acha que está ferido com alguma coisa, então é o momento de haver esse diálogo nacional, em que todos moçambicanos, se forem moçambicanos, tragam esses assuntos à mesa para serem compreendidos e se encontramos um meio para que todos estejamos unidos, todos estejamos a falar de Moçambique em Desenvolvimento e todos possamos nos sentir como moçambicanos. E se são estrangeiros, então aí vamos descobrir que a situação que está acontecer no nosso país, e aqui na nossa província em particular, não é com moçambicanos, é com estrangeiros. Então aí o tratamento também vai ser outro, mas sempre convidando para poderem vir à mesa para ouvirmos para deixarem de pôr a nossa população em sofrimento”, apelou Valige Tauabo, governador de Cabo Delgado.
Além de assassinatos e destruição de bens públicos e privados, o governador de Cabo Delgado mostrou-se preocupado com o grupo armado por supostamente estar a obrigar as pessoas a seguirem o Islão.
“Temos a nossa constituição e todos aqueles que têm as suas religiões diferentes cabem neste país. Cada um exerce a sua religião a vontade e nunca houve problema. Isso não é de agora, vem desde a independência e nunca tivemos problemas. Cada religião tem a sua forma de convidar crentes ou seguidores e nunca foi problema, mas hoje quando se traz uma outra forma então traz-nos uma instabilidade”, criticou dirigente.
Pela primeira vez, militares juntaram-se, neste sábado, aos manifestantes que desde 25 de setembro realizam protestos em Madagáscar, inspirados pelos movimentos juvenis da Geração Z no Quénia e no Nepal.
As manifestações, que começaram devido à falta de água e eletricidade, evoluíram para um movimento mais amplo de contestação, tornando-se o maior desafio ao governo do Presidente Andry Rajoelina desde a sua reeleição em 2023.
Neste sábado, tropas de uma unidade do exército que ajudou Rajoelina a chegar ao poder durante o golpe de 2009 apelaram aos colegas militares para que desobedecessem às ordens superiores e se unissem aos protestos liderados por jovens, segundo reportaram os meios de comunicação locais.
A unidade de elite CAPSAT, protagonista na ascensão de Rajoelina, fez um apelo público inédito à solidariedade com os manifestantes que exigem a demissão do presidente.
Em resposta, os altos responsáveis das forças armadas, incluindo o Chefe do Estado-Maior e um alto funcionário do Ministério das Forças Armadas, encorajaram os soldados a priorizar o diálogo e a reflexão.
Imagens transmitidas pela imprensa mostraram dezenas de militares a deixarem o quartel para acompanhar milhares de manifestantes até à Praça 13 de Maio — local simbólico de várias revoltas políticas — que se encontrava interdito e fortemente vigiado durante os protestos.
Posteriormente, o Chefe do Estado-Maior, General Jocelyn Rakotoson, fez uma declaração pública pedindo à população que “ajude as forças de segurança a restaurar a ordem através do diálogo” e apelou aos líderes religiosos para que “intervenham na mediação da crise que o país enfrenta”.
Os manifestantes reclamam a renúncia de Rajoelina, um pedido de desculpas ao povo e a dissolução do Senado e da comissão eleitoral.
Na semana anterior, o presidente dissolveu o seu gabinete e nomeou um novo primeiro-ministro.
De acordo com as Nações Unidas, os protestos já causaram a morte de pelo menos 22 pessoas e deixaram 100 feridos, embora o governo malgaxe conteste esses números. Rajoelina afirmou esta semana que as vítimas mortais somam 12.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, uma tarifa adicional de 100% sobre todos os produtos chineses.
A decisão surge em resposta ao aumento dos controles de exportação e terras raras elementos fundamentais para a fabricação de eletrônicos por parte de Pequim
A tarifa adicional de 100% sobre todos os produtos chineses anunciada por Donald Trump soma-se aos 30% em vigor e deverá começar até o dia 1º de Novembro.
A imposição de controles de exportação dos Estados Unidos será sobre os softwares.
A decisão representa uma nova escalada nas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo e levou à queda imediata das bolsas de valores, segundo investidores.
Economistas temem que com o agravamento da disputa, o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, previsto para o fim deste mês na Coreia do Sul, pode ser cancelado.
O Burkina Faso recusou-se a receber migrantes deportados dos Estados Unidos da América e justificaram que a proposta não está de acordo com os interesses do país e ofende ao povo.
A rejeição das autoridades de Burkina Faso da recepção de migrantes foi confirmada pelo governo, que classificou a proposta dos Estados Unidos da América como indecente e ofensiva à dignidade do povo.
Segundo o governo de Burkina Faso, a proposta partiu da administração de Donald Trump e incluía o envio de cidadãos deportados de outros países.
Aliás, a junta no poder no Burkina Faso denunciou, também, o que considera chantagem por parte dos Estados Unidos da América, que suspenderam a emissão de vistos a cidadãos do país africano, depois da recusa do mesmo em aceitar migrantes expulsos por Washington.
A Embaixada dos Estados Unidos da América na capital do Burkina Faso explicou, num comunicado, que há uma pausa temporária de todos os serviços de vistos, incluindo vistos para migrantes, turistas, empresários, estudantes, intercâmbio e a grande maioria de outras categorias não migratórias.
De acordo com o comunicado diplomático, os requerentes de visto afectados foram informados sobre o cancelamento de marcações.
O mais recente relatório da Organização Internacional para as Migrações alerta para a intensificação do terrorismo, que obrigou a quase 40 mil pessoas a fugirem das suas casas, entre Setembro passado e Outubro corrente, nas províncias de Cabo Delgado e Nampula.
O novo grupo de deslocados resultou da escalada de ataques terroristas e da crescente insegurança causada por insurgentes na região norte do país. Segundo o relatório da Organização Internacional para as Migrações há uma crescente crise humanitária.
Dados da instituição indicam que, de 22 de Setembro último a 6 de Outubro corrente, houve aproximadamente 40 mil deslocados, o equivalente a mais de 12 mil famílias afectadas.
Em Mocímboa da Praia, mais de 26 mil pessoas fugiram dos bairros 30 de Junho e Filipe Nyusi, onde ocorreram pelo menos dois ataques com registo de mortos.
Em Balama, cinco mil pessoas abandonaram as localidades de Mavala e Mpake.
Em Montepuez, cerca de quatro mil pessoas abandonaram as zonas de Mararange, Mirate e Nacololo. Em Chiúre, houve mais de mil deslocados provenientes das comunidades de Mazeze e Murocue.
Outros distritos de Cabo Delgado também registaram fugas em algumas comunidades, pese embora em menor escala. 144 pessoas deslocaram-se de Nangade, 121 de Macomia e 66 de Muidumbe.
A Organização Internacional para as Migrações aponta igualmente para fugas em duas comunidades em Nampula.
Recentes ataques no distrito de Memba forçaram dois mil pessoas a deixarem as aldeias de Chipene e Necoro, tendo a maioria procurado refúgio no distrito vizinho de Eráti.
A situação reforça o apelo de organizações humanitárias para uma resposta urgente e eficaz, tanto nacional quanto internacional, perante o aumento de deslocados no norte de Moçambique.
Quatro selecções africanas já estão qualificadas para o Campeonato do Mundo 2026. Trata-se do Egipto, Tunísia, Marrocos e Argélia.. As restantes selecções serão confirmadas a partir deste domingo.
Quando falta apenas uma jornada para o encerramento da fase de qualificação para o Campeonato do Mundo 2026, quatro selecções africanas já garantiram a presença na prova. Trata-se do Egipto, Tunísia, Marrocos e Argélia, curiosamente todas elas do norte de África.
A selecção argelina, líder do grupo G, onde está Moçambique, qualificou-se na quinta-feira, após vencer a Somália por três bolas sem resposta, somando agora 22 pontos, mais dois que o Uganda, na segunda posição.
As restantes selecções que irão representar o continente africano na maior prova futebolística serão conhecidas a partir deste domingo, com a disputa da última jornada. Bem posicionado na tabela classificativa do respectivo grupo, o Cabo-Verde pode garantir a qualificação inédita para o Mundial e também o Benin.
A seleção cabo-verdiana precisa apenas de um empate para apurar-se pela primeira vez à prova, sendo que o Benin precisa de uma vitória. A África do Sul também está bem posicionada para garantir um lugar na prova, estando neste momento a liderar o Grupo C com 18 pontos.
Em risco de falhar a qualificação directa para a prestigiada competição, estão as selecções dos Camarões, Nigéria, Senegal e Costa do Marfim, que mesmo assim vão lutar até ao fim.
Após semanas de intensos combates, um cessar-fogo entre Israel e o Hamas entrou em vigor nesta sexta-feira. Com o fim temporário dos ataques, segundo a Defesa Civil de Gaza, 200 mil palestinianos começaram a retornar às suas casas na Faixa de Gaza, mas muitos encontraram apenas destruição.
A trégua foi iniciada na manhã desta sexta-feira,depois de um acordo firmado com a mediação do Egipto e apoio de um plano proposto pelos Estados Unidos.
Os 200 mil palestinianos que regressaram ao norte da Faixa de Gaza, segundo a Defesa Civil local, encontraram um cenário de destruição e escombros, tal como ilustram as imagens.
O pacto prevê a libertação de reféns israelitas, num prazo de 72 horas, contados a partir desta sexta-feira.
O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, confirmou que dos 48 reféns identificados, 20 estão vivos. Em troca, Israel vai libertar cerca de 1.900 prisioneiros palestinos, presos desde Outubro de 2023. Nenhum dos nomes divulgados pertence a lideranças armadas.
Os governos da Alemanha, Reino Unido e França pediram ao Conselho de Segurança da ONU apoio total ao plano de paz. Enquanto isso, organizações internacionais cobram de Israel o acesso de jornalistas à região, ainda sob controle militar.

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