A intensificação dos ataques contra imigrantes na África do Sul começa a produzir efeitos que ultrapassam a esfera social e política, alimentando preocupações quanto ao impacto sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a capacidade da maior economia africana de atrair capital estrangeiro.
Numa conjuntura marcada por crescimento económico moderado, elevado desemprego, limitações fiscais e necessidade de maior investimento privado, analistas alertam que a deterioração do ambiente de segurança pode agravar a percepção de risco do mercado sul-africano.
Segundo a agência Reuters, economistas e analistas de mercado defendem que a sucessão de manifestações e episódios de violência contra cidadãos estrangeiros poderá reduzir o apetite dos investidores internacionais, sobretudo daqueles que avaliam novos projectos de investimento directo estrangeiro no país.
A consultora sul-africana ETM Analytics advertiu, citada pela Reuters, que os protestos contra imigrantes representam “o principal risco de curto prazo” para os mercados financeiros do país. A instituição considera que a evolução da crise poderá influenciar o comportamento do rand, aumentar a volatilidade dos activos financeiros e afectar as expectativas dos agentes económicos.
O receio surge numa altura em que a África do Sul procura recuperar o dinamismo económico. O país continua a enfrentar uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo, crescimento económico inferior ao potencial e uma necessidade crescente de mobilizar investimento privado para expandir a capacidade produtiva, modernizar infra-estruturas e estimular a criação de emprego.
O investimento directo estrangeiro desempenha um papel estratégico neste processo. Além da entrada de capitais, contribui para a transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e integração das empresas sul-africanas nas cadeias globais de valor.
Entretanto, os sucessivos episódios de violência contra comerciantes e trabalhadores estrangeiros podem afectar um dos factores mais valorizados pelos investidores: a previsibilidade do ambiente de negócios.
A própria reputação internacional da África do Sul começa a sofrer desgaste. De acordo com a Reuters, membros do Governo sul-africano reconhecem que os ataques xenófobos podem comprometer a imagem do país, afectar empresas nacionais que operam noutros mercados africanos e reduzir o seu poder de influência económica no continente.
O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e afirmou que “não permitiremos que grupos utilizem as legítimas preocupações da população para promover a violência e a ilegalidade”, reiterando que a aplicação das leis migratórias compete exclusivamente às instituições do Estado.
Embora os mercados financeiros ainda não tenham registado uma reacção expressiva, economistas consideram que a persistência da violência poderá reflectir-se no custo do financiamento, no comportamento da moeda sul-africana e nas decisões de investimento de empresas multinacionais.
A preocupação estende-se igualmente ao comércio regional. A África do Sul é o maior parceiro económico de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Moçambique. Qualquer deterioração do seu ambiente económico pode repercutir-se sobre o comércio transfronteiriço, os fluxos de investimento, as remessas dos trabalhadores migrantes e a integração económica regional.
O Tribunal Superior de Gauteng emitiu uma ordem ao ex-presidente da África do Sul, Jacob Zuma, para que devolva aproximadamente 29 milhões de rands que foram pagos pelo Estado ao longo dos anos em processos judiciais privados.
O antigo presidente sul-africano tem um prazo de sessenta dias para realizar a devolução do montante estipulado. Caso não cumpra com a determinação do Tribunal, este emitirá um mandado de execução que permitirá o arresto e a venda dos bens móveis e imóveis do ex-presidente, como forma de saldar a dívida judicial.
Além disso, o Tribunal esclareceu que, se necessário, a execução poderá abranger parte ou a totalidade da pensão presidencial que Jacob Zuma actualmente recebe.
O Tribunal Superior de Gauteng decidiu também que o Ministério Público sul-africano deverá apresentar trimestralmente um relatório sobre os esforços envidados para a recuperação dos 29 milhões de rands, garantindo assim a transparência e o acompanhamento da situação.
Os economistas Júlio Saramala e Moisés Nhanombe alertam para a necessidade de reformas estruturais que garantam a sustentabilidade do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2026. Ambos consideram que, embora o Governo tenha proposto um aumento de 22,8 mil milhões de meticais no orçamento, a expansão das despesas públicas enfrenta limitações, devido à arrecadação insuficiente de receitas, crescimento económico moderado e inflação persistente.
Segundo os especialistas, a formalização do sector informal é crucial para alargar a base tributária, aumentar as receitas do Estado e reduzir a dependência de financiamento externo. Ambos concordam que grande parte do orçamento continua a ser canalizada para despesas de funcionamento, incluindo salários, aquisição de bens e serviços e encargos da dívida, limitando o investimento em áreas estratégicas como educação, saúde e infra-estruturas.
O Governo moçambicano propõe, para o próximo ano, um orçamento geral de 535,6 mil milhões de meticais, representando um acréscimo de 22,8 mil milhões relativamente ao orçamento de 2025. Cerca de 70% deste valor será destinado às despesas de funcionamento do Estado, evidenciando a importância de racionalizar e optimizar os gastos públicos.
O economista Júlio Saramala considera que o desafio não está apenas nos números, mas na capacidade do Estado de arrecadar receitas e aplicar os recursos de forma eficiente. “Mais do que expandir o orçamento, o Governo deve avaliar a sua capacidade de execução e a real necessidade das novas despesas previstas”, afirma. Segundo Saramala, Moçambique tem essencialmente duas opções para financiar o défice orçamental: aumentar impostos ou recorrer à dívida pública, sendo que ambas apresentam impactos negativos sobre a economia.
Saramala explica que o aumento de impostos reduz o poder de compra das famílias e limita o investimento privado, enquanto a dívida pública “acaba por competir com o sector privado”, num efeito conhecido como crowding out. O economista sublinha que o problema não está na falta de capacidade produtiva, mas na dificuldade do país em reter a riqueza internamente, devido a isenções fiscais, fuga de capitais e negócios realizados fora do país.
Para Saramala, a formalização do sector informal, que representa mais de 50% da economia e emprega cerca de 80% da população, é essencial para garantir uma economia de pleno emprego e aumentar a arrecadação sem necessidade de aumentar impostos. O especialista defende também uma reforma orçamental profunda, eliminando desperdícios e clarificando prioridades, garantindo que os recursos poupados sejam aplicados em sectores produtivos.
O economista Moisés Nhanombe alerta para os riscos fiscais e a necessidade de reformas no PESOE 2026. Ele considera que o baixo crescimento económico, a dependência de poucos sectores para a geração de receitas e a elevada dívida pública externa aumentam a vulnerabilidade do Estado face às flutuações cambiais e às taxas de juro internacionais. Nhanombe sublinha que aumentar a produção interna é crucial para reduzir a dependência externa e controlar o impacto das variações cambiais sobre o endividamento.
Para contornar essas limitações, o economista defende uma reforma fiscal ampla, incluindo o alargamento da base tributária, a formalização do sector informal e a racionalização das despesas públicas. “Os cortes e a redistribuição de recursos devem priorizar sectores com maior impacto social imediato, garantindo eficiência e transparência na execução orçamental”, afirma. Ele acrescenta que a diversificação das fontes de financiamento, equilibrando recursos internos e externos, bem como o desenvolvimento de parcerias público-privadas em projectos estratégicos, são essenciais para dinamizar a economia.
Segundo Nhanombe, estas medidas são fundamentais para assegurar que o PESOE 2026 seja executado de forma sustentável, promovendo arrecadação, investimento e estabilidade financeira do país. A implementação destas reformas permitirá que Moçambique dependa menos de ajuda externa e aproveite ao máximo a sua própria base produtiva, garantindo desenvolvimento económico sustentável e inclusão social.
Maior transparência e execução rigorosa do orçamento público
Em reacção às incongruências na Conta Geral do Estado 2024, os economistas Moisés Nhanombe e Júlio Saramala defendem a necessidade de maior transparência, monitorização e auditoria no processo orçamental, como forma de garantir a eficácia das políticas públicas e a confiança internacional. Ambos sublinham que, sem fiscalização rigorosa, é difícil assegurar que os recursos do Estado sejam aplicados de forma eficiente, evitando desperdícios e promovendo o impacto social e económico desejado.
Para os especialistas, é fundamental que o orçamento siga um ciclo integrado de previsão, execução e monitorização, com auditorias oportunas e alinhadas aos objectivos estratégicos do país. Apenas com uma execução planeada e transparente será possível reduzir a dependência de financiamento externo e fortalecer a autonomia fiscal de Moçambique.
O economista Moisés Nhanombe destacou que “em vários documentos orçamentais, temos visto discrepâncias entre o previsto e o monitorizado, entre as despesas declaradas e aquelas que são realmente efectivadas”. Segundo ele, essas inconsistências evidenciam problemas de transparência no Governo, afectando directamente o volume e a priorização das despesas públicas.
Nhanombe explicou ainda que, sem clareza sobre quais despesas são prioritárias, torna-se difícil avaliar o impacto social e económico de cada alocação de recursos. “Quando as despesas públicas não são transparentes, auditadas ou monitorizadas, acaba por afectar grandemente a sua execução e, principalmente, a priorização”, afirmou. O economista acrescentou que os processos de previsão, execução e monitorização devem ocorrer de forma alinhada, permitindo ajustes apenas quando respeitam as prioridades definidas.
O economista Júlio Saramala, por sua vez, destacou a importância de auditorias eficazes e de uma execução orçamental rigorosa. “O executor do Estado é o Ministério das Finanças, e o auditor é o Tribunal Administrativo. É assim como deveria ser. Dependendo de cada financiamento, pode vir algum auditor externo e até criar-se uma comissão independente de auditoria”, explicou.
Saramala alertou que a implementação de projectos nem sempre segue o planeado, lembrando que, de 138 indicadores previstos para 2025, menos de 50% foram efectivamente executados. “Quando olhamos para o orçamento do Estado, devemos questionar: se alguns projectos não forem implementados na sua totalidade, quem audita os valores correspondentes? É o Tribunal Administrativo. Mas, infelizmente, os timings nem sempre são ideais”, afirmou.
O especialista sublinhou ainda a importância de manter a confiança internacional, essencial para o financiamento externo do país. “Após bloqueios do FMI, tivemos recentemente a visita do CEO do Banco Mundial, assim como a do Millennium Challenge Corporation. É crucial que essa confiança se mantenha estável para garantir um maior balão de oxigénio para o país”, frisou.
Saramala alertou para os riscos de uma execução deficiente no contexto económico atual. “Estamos a atravessar uma recessão económica, devido a diversos factores, incluindo a tensão pós-eleitoral. Sem uma execução orçamental planeada e auditada, existe o risco de agravamento da recessão, aumento do desemprego, inflação elevada e desequilíbrios macroeconómicos. Ainda há muito a fazer para garantir que o orçamento seja implementado de forma eficiente e que o país retome o crescimento económico sustentável”, concluiu.
Os economistas reagiram desta forma durante o programa “O País Económico”, exibido pela STV, na noite de ontem.
O Ministério das Finanças diz que não há espaço para negociações com a Galp no caso das mais-valias que a empresa não concorda em pagar pela venda de suas participações no projecto de gás da Bacia do Rovuma. Neste momento, aguarda que a firma pague o que deve ao Estado.
“A Galp vendeu 10% das suas participações, e o que a Autoridade Tributária fez é ver a legislação fiscal, fazer o cálculo sobre o que é que a lei diz e fez os cálculos e informou a Galp de que, na sequência desse negócio que resultou neste encaixe financeiro, o que tem de pagar ao Estado é X. Naturalmente, a empresa vai disputar, e eu também iria disputar se estivesse na empresa”, afirmou o secretário de Estado do Tesouro, respondendo a uma questão feita pelo “O País Económico”.
De acordo com Amílcar Tivane, na óptica de qualquer empresa, “quanto menos pagar, melhor”. “A expectativa é que estas empresas, em particular as cotadas em bolsas, honrem com as suas obrigações. Estamos a acompanhar, temos uma unidade especializada que acreditamos que vamos ter um desfecho positivo. Se conseguíssemos fechar esse dossier sem necessidade de levarmos para a arbitragem internacional, muito bem. Mas este não foi um cenário que se materializou”, referiu Tivane.
“O que é que vamos negociar? Se eu sou uma empresa, declaro lucros de 100 meticais e o IRPC é de 32%, tem de pagar e não há discussão. Agora, eu vou negociar para pagar 10, enquanto eu devia pagar 32%. Então, é como na óptica puramente económica nós vemos o assunto. Tenhamos alguma paciência. Eu acredito que, a breve trecho, a Autoridade Tributária vai informar sobre o desfecho, e acreditamos no bom senso das empresas em honrarem com os seus compromissos”, avançou Amílcar Tivane.
O grupo Soico foi premiado esta noite pelo media Club Award, em duas categorias: melhor espaço Infantil de Media, através do programa Moz Kids, e melhor espaço de economia e negócios de imprensa escrita e online, através o O país Económico.
Um vendedor ficou gravemente ferido na sequência de uma abordagem da Polícia Municipal em Xai-Xai, província de Gaza. Para retaliar, mais de 1200 vendedores bloquearam a principal via do Mercado Limpopo, impedindo, assim, a passagem de pessoas e viaturas.
O que parecia um dia normal nos arredores da baixa da cidade de Xai-Xai terminou em sangue, confusão e revolta. É que uma vendedeira de 40 anos de idade ficou gravemente ferida, após ser arrastada por uma viatura da Polícia Municipal, no Mercado Limpopo, durante uma operação que visava a retirada dos informais da zona comercial.
De acordo com a vendedeira, que não se quis identificar, os agentes da polícia municipal usaram força bruta contra ela. “Eles me puxaram no carro. Arrastaram-me daqui até onde tem lomba. O carro não parou”, contou aos prantos a vendedeira, questionando a acção da polícia.
“Será que é país isto aqui? Dizem que é para combatermos a pobreza, mas que pobreza estamos a combater?”, questionou.
Para retaliar, mais de 1200 vendedores informais colocaram obstáculos e incendiaram-nos na via principal, bloqueando-a. O comércio ficou paralisado e foi impedida a circulação de viaturas e pessoas por quase quatro horas.
Outra vendedeira reclamou o facto de os agentes da Polícia Municipal não se terem dignado a prestar assistência à senhora que sofreu nos joelhos.
“Mesmo agora que foram, nem voltaram para ver essa pessoa que aleijaram. Só vêm polícias. Então, nós aqui não queremos polícia, porque a polícia não tem culpa”, disse.
A vendedeira falou ainda dos motivos que levaram à reivindicação, destacando que “estamos zangados, porque desde que chegámos de manhã ainda não vendemos nada”.
Em reacção, o comandante da Polícia Municipal confirmou o ferimento da vendedeira, mas alegou que houve resistência na abordagem.
“O número não podemos especificar. Os números que a gente tem são aproximados. Temos informações de que são acima de 1500 vendedores informais, os vendedores e outros apoiantes dos mesmos, que estavam a amotinar-se. Nós não podíamos permanecer com a viatura”, começou por dizer Nelson Pedro, Comandante da Polícia Municipal de Xai-Xai.
Nelson Pedro disse ainda que os agentes que estavam no local estavam desprotegidos e havia necessidade de uma saída de emergência para evitar o pior.
“Foi neste processo de retirada da viatura que uma das senhoras, nós nem percebemos, pendurou-se na viatura, mas com no arranque da viatura ela acabou caindo e feriu-se, naquela situação que se encontra”, explicou o ocorrido.
Entretanto, para o grupo não passam de justificativas, de tal maneira que se amotinaram, desde o fim da manhã de ontem, defronte do Comando da Polícia Municipal, para exigir esclarecimento.
“O Município deve assumir, deve arcar com as consequências. Aquela senhora está a passar mal, de verdade. O Município deve ver o que aconteceu com aquela senhora, depois vamos acompanhá-la ao hospital”, disse um dos presentes.
Até ao fim da tarde de ontem, quinta-feira, mais de 150 vendedores informais continuavam amotinados defronte do Comando Municipal de Xai-Xai, na província de Gaza.
O Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula, manifestou-se, esta quinta-feira, bastante satisfeito com o nível de inclusão social que encontrou no distrito de Nacarôa.
O Chefe do Conselho Executivo Provincial expressou essa satisfação durante um encontro com jovens do distrito, realizado no âmbito da sua visita de trabalho destinada a avaliar o progresso do desenvolvimento local.
Na ocasião, o Governador ofereceu um tractor com respectivos alfaias agrícolas, bem como equipamentos destinados à melhoria das vias de acesso em diversos pontos do distrito.
Elogiou o nível de prontidão de jovens locais que não deixaram a destruição de infra-estruturas aquando das manifestações violentas, comparativamente aos outros distritos onde os jovens estiveram envolvidos na destruição de infra-estruturas públicas e privadas.
Entretanto, Eduardo Abdula pediu para que este comportamento dos jovens continue a prevalecer como forma de permitir o rápido crescimento, porque o desenvolvimento do distrito depende do empenho de todos e pediu aos jovens para proteger a administradora e apoiem nos seus trabalhos.
O encontro contou com ampla participação da juventude, incluindo representantes de quase todos os partidos políticos, com destaque para as ligas juvenis do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), da Renamo, da OJM, além de jovens independentes.
Durante o diálogo, foram apresentadas diversas preocupações que afectam a juventude, entre elas os desafios que dificultam o desenvolvimento pleno e o bem-estar da população.
Os jovens do distrito aproveitaram a ocasião para solicitar a instalação de fábricas, como forma de criar mais oportunidades de emprego e impulsionar o crescimento económico local, demonstrando o seu compromisso com o trabalho e o progresso da comunidade.
LÍDERES COMUNITÁRIOS PEDEM MELHORIA DA ESTRADA NACARÔA-MEMBA
Por outro lado, no encontro que o Governador da província de Nampula manteve com os líderes comunitários e religiosos do distrito de Nacarôa, ouviu pedidos para a reabilitação da estrada que liga a vila-sede de Nacarôa ao distrito de Memba, com o objectivo de facilitar o transporte de pessoas e bens e impulsionar o desenvolvimento económico local, especialmente a actividade comercial.
Em resposta, o Governador pediu paciência aos líderes, explicando que, embora este ano não seja possível intervir na estrada, no próximo ano o Executivo provincial irá mobilizar parceiros para viabilizar as obras.
Neste momento, o Conselho Executivo Provincial está em conversa com parceiros para a reabilitação do centro de saúde local, entre outras infra-estruturas. Eduardo Abdula apelou ainda aos líderes comunitários e religiosos para colaborarem e apoiarem a administradora distrital, de forma a garantir melhor execução dos projectos e acelerar o crescimento do distrito.
Ainda na vila-sede, Eduardo Abdula orientou uma sessão extraordinária do Governo Distrital, onde procurou inteirar-se do processo de recepção de projectos no âmbito do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), desencorajando práticas de favorecimento no financiamento. Sem registo de cobranças ilícitas, o Governador elogiou o nível de organização do processo a nível do distrito.
A Organização da Mulher Moçambicana diz que os feitos de Marina Pachinuapa devem ser salvaguardados e servir de inspiração para os jovens. A organização homenageou, esta quinta-feira, a veterana da Luta de Libertação Nacional.
Aos 17 anos de idade, Marina Pachinuapa juntou-se à luta de libertação nacional.
Longe da família, abriu mão da sua juventude para pegar armas em nome da independência do seu país, facto que lhe mereceu o título de Doutor Honoris Causa em Ciências Humanas, no mês de Setembro, pela Universidade Púngue.
Em reconhecimento aos seus feitos, a Organização da Mulher Moçambicana decidiu homenageá-la esta quinta-feira.
Recorrendo a canções a si direccionadas, danças, oferta de presentes, flores e outras demonstrações, as mulheres fizeram de tudo para agradecer e enaltecer os feitos da veterana de Luta de Libertação Nacional.
A presidente da OMM, Gueta Chapo, foi quem dirigiu a celebração.
“Trata-se de um testemunho raro de coragem, revela-nos amor à pátria que ultrapassa o medo, conforto e a própria infância. Celebramos mais do que um título acadêmico, mas a coragem e o legado de uma mulher que ainda cedo deu o seu melhor para servir Moçambique…o título honra ao mérito, mas também ilumina a esperança sobretudo para as novas gerações de mulheres que sonham e persistem e acreditam que o saber deve ao serviço para o bem comum”, disse Chapo.
Porque depois do alcance da independência continuou focada no desenvolvimento do país, também contribuiu para a paridade do género na Assembleia da República. A presidente do parlamento, Margarida Tapala esteve também no evento e referiu que “a camarada Marina que homenageamos passou pela nossa casa, foi deputada e deu exemplo para outras mulheres”.
As antigas primeiras-damas da República afirmam que Pachinuapa deve servir de exemplo e inspiração aos jovens, para vencer os actuais desafios que o país enfrenta.
“Hoje ela é uma inspiração porque continua a interagir com as gerações novas. As novas gerações devem assumir a sua responsabilidade histórica ”, disse Graça Machel.
Por sua vez, Maria da Luz Guebuza disse que “querem,os que a nova geração continue a inspirar na Marina Pachinuapa porque continua a dar um bom exemplo, explicando aquilo que foi a Luta de Libertação Nacional”.
Durante a Luta de Libertação Nacional, Marina Pachinuapa exerceu várias funções, com destaque para a de mobilizadora de raparigas para se juntarem às fileiras.
A Organização das Nações Unidas (ONU) comemorou, esta quinta-feira, 80 anos de existência e meio século de presença em Moçambique, destacando os progressos significativos alcançados pelo país na educação, equidade de gênero e respostas às mudanças climáticas.
Durante o evento realizado em Maputo, a coordenadora da ONU em Moçambique, Catherine Sozi, reafirmou o compromisso da organização com a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos. “Um é trabalhar pela paz e segurança para todos. O segundo é garantir que todos os cidadãos do mundo tenham acesso à melhor qualidade de vida, seja em Moçambique, no oeste ou no sul do continente. E a terceira é assegurar que os direitos humanos de todos sejam respeitados”, afirmou.
Segundo a ONU, apesar dos avanços no país persistem alguns desafios, “mais crianças estão a frequentar a escola, a igualdade de gênero melhorou e a forma como o país responde aos choques climáticos é considerada uma boa prática na região”, destacou Catherine Sozi. Ainda acrescentou que a equipa da ONU tem estado presente no norte do país, oferecendo assistência vital às comunidades afectadas não só pelo conflito, mas também pelas adversidades climáticas.
Em representação do governo, a ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, destacou a importância da cooperação contínua entre Moçambique e a ONU, afirmando que “a parceria com as Nações Unidas é fundamental para o progresso do nosso país e de África. Estamos comprometidos em trabalhar lado a lado para garantir que as promessas feitas ao nosso povo se concretizem, sobretudo na área da educação e na promoção do desenvolvimento sustentável.”
A celebração em Maputo contou com actividades inclusivas, como um jogo de futebol às cegas, que visou promover a inclusão social, além de acções de sensibilização sobre os direitos das crianças. O evento reuniu alunos, professores, pais e encarregados de educação, reforçando a importância da comunidade na construção de um futuro melhor.
Por fim, a ONU reafirmou o seu apoio contínuo a Moçambique, especialmente na luta contra o terrorismo e na resposta às mudanças climáticas, mantendo-se parceira estratégica para o progresso e a estabilidade do país.
A União Europeia fechou um acordo político para adopção do 19.º pacote de sanções contra a Rússia, para privar o Kremlin de receitas para a sua economia de guerra, através da exportação de gás natural liquefeito.
Um dia depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter imposto pela primeira vez sanções à Rússia devido à guerra na Ucrânia, a União Europeia adoptou o 19º pacote de sanções contra Moscovo.
Este novo pacote de sanções contra a Rússia inclui o bloqueio total das importações de Gás Natural Liquefeito russo a partir de 1 de Janeiro de 2027, restrições financeiras que impeçam transações com bancos russos e instituições em países terceiros e ainda medidas contra os sistemas de pagamento russos.
Segundo a Chefe da diplomacia da UE, a União Europeia está também a restringir os movimentos de diplomatas russos para combater as tentativas de desestabilização.
O pacote visa também a “frota fantasma” russa – que já conta com mais de 118 navios sancionados – e impõe limites à exportação de tecnologias sensíveis, como inteligência artificial, dados geoespaciais e componentes metálicos críticos.
Além disso, empresas da China, da Índia e de outros países que apoiem a indústria militar russa também foram incluídas nas sanções.
O Presidente Ucraniano comemorou a decisão, que acredita ser crucial para pressionar Putin a pôr fim à guerra

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