Pelo menos sete vítimas de acidentes envolvendo motorizadas são internadas diariamente no Serviço de Ortopedia do Hospital Central de Maputo (HCM), uma realidade que está a exercer forte pressão sobre a maior unidade sanitária do País e que evidencia a crescente dimensão do problema da sinistralidade rodoviária.
Dos cerca de 200 leitos disponíveis para internamento na Ortopedia, aproximadamente metade encontra-se ocupada por condutores de motorizadas e respectivos passageiros, bem como por peões atropelados por este tipo de veículo. A maioria dos doentes apresenta fracturas múltiplas dos membros superiores e inferiores, lesões que exigem tratamentos prolongados e longos períodos de recuperação.
Nas enfermarias do HCM multiplicam-se os sinais da violência dos acidentes. Pernas imobilizadas, braços engessados e pacientes submetidos a sucessivas intervenções cirúrgicas compõem um cenário que, segundo os profissionais de saúde, se tornou frequente nos últimos dois anos.
Entre os internados encontra-se Cristóvão Macoo, operador de táxi motorizado na cidade de Xai-Xai. O acidente ocorreu na noite de 1 de Maio, quando regressava do último serviço do dia e se dirigia a um posto de abastecimento. O que seria uma deslocação rotineira terminou num violento embate que lhe provocou fracturas graves e alterou radicalmente a sua vida.
Como ele, muitos jovens vêem os seus projectos interrompidos por acidentes que deixam sequelas físicas e psicológicas, obrigando-os a enfrentar meses de tratamentos, fisioterapia e limitações funcionais antes de poderem retomar a actividade profissional.
Mas os motociclistas não são as únicas vítimas. Entre os internados está também Anselmo David, atropelado por uma motorizada quando circulava a pé. Sem nunca ter conduzido este tipo de veículo, tornou-se igualmente parte das estatísticas de um fenómeno que continua a crescer e que afecta indiscriminadamente condutores, passageiros e peões.
Segundo dados recolhidos no Hospital Central de Maputo, diariamente dão entrada, em média, sete vítimas de acidentes com motorizadas. Muitos dos pacientes chegam em estado crítico, necessitando de cirurgias complexas e permanecendo internados durante várias semanas ou mesmo meses.
Perante o aumento dos casos, a Polícia de Trânsito deslocou-se recentemente ao Hospital Central de Maputo para sensibilizar as vítimas e reforçar a necessidade de maior responsabilidade na circulação rodoviária. As autoridades apontam a falta de convivência harmoniosa entre motociclistas, automobilistas e peões como uma das principais causas da elevada sinistralidade.
As estatísticas da Polícia de Trânsito e das autoridades sanitárias revelam uma tendência preocupante. Os acidentes envolvendo motorizadas deixaram de constituir apenas um problema de circulação rodoviária para assumirem contornos de um verdadeiro problema de saúde pública, pelas consequências humanas, sociais e económicas que acarretam para as famílias, para o sistema nacional de saúde e para o País.