O Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), realiza, nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, a Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, um encontro de alto nível destinado a promover o diálogo e a definição de prioridades para transformar a dinâmica demográfica do país numa oportunidade de crescimento económico, criação de emprego e melhoria do bem-estar da população.
Subordinada ao tema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”, a conferência reunirá representantes do Governo, instituições públicas, parceiros de cooperação, academia, sociedade civil, sector privado e organizações juvenis e de mulheres, entre outros actores relevantes para o desenvolvimento nacional.
A iniciativa decorre num contexto em que Moçambique apresenta uma população predominantemente jovem, com cerca de 66% dos cidadãos com menos de 25 anos. Esta realidade representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento do País, mas exige investimentos coordenados em educação, saúde, formação profissional, emprego produtivo, igualdade de género e protecção social.
A conferência pretende reforçar a articulação entre as políticas de população e as estratégias de desenvolvimento económico e social, promovendo decisões fundamentadas em evidências e compromissos concretos para responder aos desafios demográficos do País.
Um dos principais objectivos do encontro será recolher contribuições para o aperfeiçoamento da proposta da nova Política Nacional de População, assegurando a sua articulação com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2025–2044) e o Programa Quinquenal do Governo (PQG 2025–2029).
Os participantes irão analisar as tendências demográficas do País e as suas implicações para o mercado de trabalho, os serviços públicos, as finanças públicas e o desenvolvimento territorial, identificando reformas e investimentos prioritários para acelerar a transição demográfica e aproveitar o potencial da população jovem.
A agenda inclui igualmente a apresentação da Análise da Situação da População de 2025 e do estudo sobre o Dividendo Demográfico, documentos que deverão contribuir para fundamentar as discussões e orientar a formulação de políticas públicas.
SAÚDE E DIREITOS
Entre as principais áreas de debate destacam-se a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos, a prevenção e resposta ao HIV/SIDA, a qualidade da educação, o desenvolvimento de competências, o emprego juvenil, a produtividade, o empoderamento económico das mulheres, a inclusão das pessoas com deficiência, a protecção social, a urbanização resiliente e as mudanças climáticas.
A conferência abordará também a necessidade de reforçar os sistemas de produção e utilização de dados demográficos, melhorar a integração das variáveis populacionais nos instrumentos de planificação e orçamentação e promover mecanismos sustentáveis de financiamento do desenvolvimento.
Além da reflexão técnica, a conferência pretende produzir resultados concretos que contribuam para a implementação de políticas públicas mais coerentes, inclusivas e orientadas para resultados. O encontro deverá culminar na validação da Declaração de Maputo sobre População e Desenvolvimento, que estabelecerá uma visão partilhada e compromissos políticos e sectoriais para responder aos desafios e aproveitar as oportunidades demográficas de Moçambique.
Está igualmente prevista a consolidação de uma matriz de acções e de um roteiro de seguimento, com prioridades, instituições responsáveis, prazos, indicadores e opções de financiamento, de modo a reforçar a responsabilização e o acompanhamento dos compromissos assumidos.
A participação de jovens, mulheres, pessoas com deficiência, representantes das províncias, organizações da sociedade civil, investigadores e sector privado será fundamental para assegurar que as recomendações reflectem diferentes realidades territoriais e necessidades da população.
Com esta iniciativa, o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e os seus parceiros pretendem fortalecer o diálogo entre os diferentes sectores e promover uma abordagem integrada da relação entre população, transformação económica e bem-estar.
Mais detalhes sobre a conferência, incluindo informações sobre o programa e a participação, serão divulgados oportunamente.
O Sporting, onde alinha o internacional moçambicano Geny Catamo, parte em vantagem para a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, depois de vencer o Porto por 1-0, em Alvalade.
O resultado deixa os comandados de Rui Borges em posição favorável, num contexto em que a história recente da competição tem premiado quem ganha o primeiro encontro.
O histórico das meias-finais a duas mãos favorece equipas enquadradas num determinado contexto, querendo os leões contrariar o antigo registo diante dos dragões.
Desde a reintrodução das meias-finais a duas mãos, em 2008/09, a equipa que venceu a primeira partida seguiu para a final em 24 das 28 ocasiões. Os números reforçam o optimismo leonino, numa eliminatória que terá o desfecho decidido no Estádio do Dragão.
No que diz respeito ao confronto directo entre Sporting e Porto nesta fase da prova, o histórico é mais equilibrado. Os dragões marcaram presença no Jamor por seis vezes frente aos leões, que seguiram em frente em quatro ocasiões. Ainda assim, o Sporting nunca conseguiu confirmar uma vitória na primeira mão frente aos azuis-e-brancos nesta fase da Taça de Portugal.
A única vez que os leões venceram o primeiro jogo, em 1960/61, acabaram eliminados após derrota pesada na segunda mão. Já em 1986/87, num formato de apenas um encontro, o Sporting venceu por 1-0 após prolongamento.
Caso confirme agora a vantagem trazida de Alvalade, a equipa de Rui Borges alcançará um feito inédito frente ao rival nesta fase da competição.
Do lado dos dragões, o cenário passa por uma reviravolta, algo que aconteceu por quatro vezes desde 2008/09. Entre esses casos está o próprio Porto, que em 2010/11 recuperou de uma desvantagem frente ao Benfica.
Também Sporting e encarnados conseguiram remontadas nesse período, o que mantém a eliminatória em aberto até ao apito final da segunda mão.
O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, considera o Irão “um país gravemente derrotado”, pelo que desvaloriza a possibilidade de vir a recusar participar no Campeonato do Mundo, que será organizado, de forma conjunta, por EUA, Canadá e México. A FIFA diz estar a monitorizar a situação, e o Irão já disse que pode boicotar a sua participação.
Donald Trump quebrou o silêncio a propósito da possibilidade de o Irão vir a boicotar o Campeonato do Mundo, na sequência do ataque de que foi alvo, no passado fim-de-semana, pelos Estados Unidos da América (um dos países organizadores, juntamente com Canadá e México) e por Israel.
“Não quero mesmo saber. Eu penso que o Irão é um país gravemente derrotado. Estão a dar as últimas”, atirou o presidente norte-americano, em declarações prestadas ao portal Politico, depois de o Irão ter sido a única das selecções já apuradas para o Mundial 2026 que não participou numa reunião de planeamento levada a cabo pela FIFA, em Atlanta, nesta semana.
O escalar de tensão que se vai vivendo no Médio Oriente levantou questões quanto à possibilidade, por um lado, de o país vir a recusar participar na competição, em forma de protesto, e, por outro, de os próprios EUA virem a recusar a entrada dos seus representantes, em jeito de retaliação.
Em entrevista concedida à estação televisiva Varzesh3, após o despoletar da guerra, o próprio presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, assumiu que podem não estar reunidas as condições para que a selecção que tem Medhi Taremi, ex-FC Porto, como principal referência, disputar este torneio.
“Aquilo que é certo é que, depois deste ataque, não se pode esperar que nós estejamos a olhar para o Campeonato do Mundo com esperança”, afirmou. Isto, num momento em que aquela que é a maior competição de selecções do planeta tem vindo a ser preparada em estreita coordenação entre a Casa Branca e a FIFA.
Aliás, Andrew Giuliani, director deste grupo de trabalho, já aplaudiu a postura da administração norte-americana: “A acção decisiva do presidente Trump ao eliminar o ayatola [Ali Khamenei], o mais notório patrocinador estatal de terrorismo que vi na minha vida, remove uma grande ameaça desestabilizadora”.
“Isto vai ajudar a proteger as pessoas de todo o mundo, incluindo americanos, e os milhões que planeiam marcar presença no Campeonato do Mundo de 2026, nos Estados Unidos da América”, acrescentou.
O Irão, recorde-se, está inserido no Grupo G do Mundial, juntamente com Nova Zelândia, Bélgica e Egipto.
FIFA está atenta, mas o que pode fazer?
O regulamento preliminar da FIFA para o Campeonato do Mundo do presente ano civil de 2026 estabelece que “qualquer federação que se retire entre a submissão do formulário de entrada e o início da competição preliminar será sancionada com uma multa de, pelo menos, 20 000 francos suíços”, isto é, 1,6 milhões de meticais.
No entanto, as sanções podem não se ficar por aqui, uma vez que, pode ler-se, “dependendo das circunstâncias da retirada, o Comité Disciplinar da FIFA pode impor medidas disciplinares adicionais, incluindo a expulsão da federação membro participante em causa de subsequentes competições da FIFA”.
O organismo que rege o futebol planetário reserva-se, ainda, no direito de “substituir a federação membro participante retirada em questão por outra federação membro”, não especificando, no entanto, quais os critérios a utilizar, ainda que, neste caso, tudo aponta para que a opção recaísse sobre a selecção melhor classificada no ranking que falhou o apuramento.
No passado sábado, em declarações prestadas aos jornalistas à margem do encontro anual do Internacional Football Association Board (IFAB), que decorreu na cidade de Hensol, situada no País de Gales, o secretário geral da FIFA, Mattias Grafstrom, debruçou-se sobre esta decisão, mas recusou comprometer-se com qualquer tipo de cenário.
“Eu li as notícias, nesta manhã, da mesma maneira que vocês. Nós tivemos uma reunião hoje, e é prematuro comentar em detalhe, mas vamos monitorizar os desenvolvimentos sobre todos os assuntos em todo o mundo”, começou por afirmar, citado pela estação televisiva norte-americana ESPN.
“Nós tivemos o sorteio da fase final, em Washington, no qual todas as equipas participaram, e o nosso foco está num Mundial, com todas as equipas a participar. Vamos continuar a comunicar, como fazemos sempre, com os três governos, em qualquer caso. Todos estarão seguros”, acrescentou.
O Campeonato do Mundo da FIFA terá lugar de 11 de Junho a 19 de Julho nos Estados Unidos da América, México e Canadá.
Teerão prometeu atacar países europeus que se juntarem à guerra contra o Irão. A decisão surge depois de vários países terem afirmado que poderiam tomar medidas defensivas diante das capacidades de lançamento de mísseis do Irão.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano ameaça atacar os países europeus, que se aliarem aos EUA e o Israel, por considerar o acto uma provocação directa. Alargar os ataques de retaliação para atingir cidades e países europeus, será a primeira medida.
O aviso surge no momento em que os países europeus procuram reforçar as suas defesas, uma vez que a guerra contra o Irão ameaça expandir-se para além do Médio Oriente e constituir uma ameaça para a segurança da Europa.
A Grécia, a Alemanha e a França comprometeram-se em ajudar Chipre a reforçar as suas defesas, com a Grécia e a França a enviarem fragatas da marinha e Atenas a contribuir com caças F-16.
Nesta quarta-feira contabilizam-se cinco dias após o início da guerra. Cerca de 800 pessoas foram mortas no Irão, incluindo algumas que o presidente dos EUA considerava possíveis futuros líderes do país.
Israel alertou que o sucessor de khamenei será alvo a eliminar. O Irão continua os ataques de retaliação.
Os 12 países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) teriam decidido criar uma nova força para combater os jihadistas que actuam na região.
Fontes disseram à agência de notícias AFP que os chefes militares tomaram a decisão durante uma reunião em Freetown no fim de semana.
As discussões centraram-se na crescente ameaça terrorista, na expansão do crime organizado transnacional e nos desafios persistentes relacionados com a insegurança marítima.
O objectivo inicial é ter cerca de 2 mil soldados prontos para combater o “terrorismo e a insegurança” em toda a África Ocidental.
Fontes afirmaram que eles permanecerão em seus respectivos países, com Serra Leoa servindo como base logística para o grupo.
Segundo informações, as autoridades ainda estão a definir os detalhes de como financiar a força e a CEDEAO ainda não emitiu um comunicado oficial.
O Sahel, região que atravessa a África entre o Saara e a África subsaariana, há muito tempo sofre com insurgências jihadistas lideradas por grupos ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico.
Os três países formaram sua própria aliança, mas um chefe de gabinete da África Ocidental afirma que eles serão incentivados a cooperar com a nova força.
Os três países “estão numa parte do Sahel que é o epicentro da luta contra os jihadistas. Devem ser incluídos”, afirmou.
O preço do gás natural na Europa disparou, esta terça feira, 33,2% atingindo 57,596 euros, por megawatt hora, impulsionado por novos ataques contra o Irão.
De acordo com a Lusa, a subida é motivada pela ameaça da Guarda Revolucionária iraniana de atacar navios, no estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de energia.
A referência europeia, o contrato TTF negociado, nos Países Baixos, chegou a ser transaccionada a 59,165 euros, um aumento de 36,8% face ao fecho anterior.
Em paralelo, as bolsas europeias acentuaram perdas, com quedas entre 2,3% e 3,5%, destacando-se Milão e Frankfurt entre as mais afectadas.
O petróleo subiu mais de 5%, enquanto o ouro recuou ligeiramente após ganhos iniciais.
Citada pela mesma fonte, a Administração de Informação Energética dos EUA disse que o estreito de Ormuz, por onde passa, cerca de 20% do petróleo mundial, voltou a ser apontado como factor de risco para a economia global.
O Governo afirmou que o eventual encerramento da Mozal não constitui uma decisão sob responsabilidade do Estado moçambicano, esclarecendo que a empresa é detida por accionistas estrangeiros e que as deliberações estratégicas cabem exclusivamente à sua estrutura societária.
Segundo explicou o porta-voz do Executivo, apesar de a unidade industrial estar localizada em território nacional, “o negócio não é moçambicano”, sendo Moçambique apenas o país onde se encontra instalada a infraestrutura da fundição de alumínio. “Por essa razão, as decisões relativas ao funcionamento ou eventual encerramento da empresa não competem ao Governo”, disse Impissa.
As declarações surgem num contexto em que circulam informações dando conta de um possível encerramento da fábrica até meados de Março. O Governo assegura que está a acompanhar a situação.
As autoridades destacaram, contudo, que o país retira benefícios directos da presença da empresa, nomeadamente através da geração de empregos para cidadãos moçambicanos, da arrecadação de impostos e do dinamismo económico associado à actividade industrial.
A questão do fornecimento de energia foi apontada como um dos factores centrais no debate em torno da continuidade das operações. O Executivo reconheceu que seria desejável que o país tivesse capacidade para garantir níveis suficientes de energia, tendo em conta os ganhos económicos decorrentes da permanência da indústria no território nacional. Ainda assim, reiterou que o problema não é exclusivamente moçambicano.
Consultado sobre os custos da contratação de uma empresa consultora para apoiar o Governo no processo, o porta-voz admitiu não dispor, no momento, dos valores exactos. Indicou, porém, que “a informação poderá ser posteriormente clarificada pelo Ministério das Finanças”, sublinhando que os dados já terão sido apresentados em sessões anteriores.
O Governo reforça que continuará a acompanhar a evolução do processo e a prestar esclarecimentos à opinião pública à medida que novas informações forem consolidadas.
Hélder Mendonça diz que foi afastado do PODEMOS apenas por exigir transparência na gestão dos recursos financeiros do partido. Mendonça afirma que a decisão da sua suspensão foi ilegal e promete recorrer.
Há confusão no PODEMOS! Em causa está a suspensão do co-fundador do partido, Hélder Mendonça, e o afastamento de Fernando Jone da função de segundo vice-presidente da Assembleia da República, durante a reunião do Conselho Central do PODEMOS, havido no último sábado.
Os afastamentos derivam de uma suposta acusação de que o líder do partido, Albino Forquilha, terá desviado 20 milhões de meticais, atribuídos ao partido através da bancada. O PODEMOS nega as alegações.
“Até que se prove esta acusação, o compatriota Hélder Mendonça está suspenso para que corram julgamentos em sede própria, tanto que já foi submetido o processo e vai correr depois deste fecho, o Conselho Central vai também deliberar se o compatriota Mendonça pode ou não regressar à militância do partido”, disse Duclésio Chico, porta-voz do PODEMOS.
O “O País” ouviu a versão de Hélder Mendonça, que acusa o Conselho Central de violar os Estatutos, por este não ter competência para suspender um membro. O político defende que a natureza da suspensão, “por ausência de um processo disciplinar, por ausência de procedimentos que antecedem à medida, ela torna-se efectivamente nula, porque não há uma base e nem tive o direito ao contraditório. Logo, esta, para mim, é considerada uma suspensão ilegal”.
Mendonça explica, ainda, que o problema começou quando, através de documentos, exigiu da direcção do partido informações sobre a subvenção do estado ao partido, relatório patrimonial e prestação de contas, acto não bem visto por alguns membros.
“Eu postei, dentro do grupo do Conselho Central, o órgão que se ia reunir, provas sobre a discrepância entre os valores que eram declarados ou que são declarados pela direcção do partido e aquilo que, efectivamente, o Estado está a pagar ou está a subsidiar ao partido como a segunda maior bancada na Assembleia da República. Portanto, esta prova foi expedida pelo segundo vice-presidente, o Fernando Jone, que é nosso compatriota, no sentido de fiscalização, e a tal fiscalização inclui o nosso partido. Portanto, eu não acho que haja motivos como fiscalizadores que nos impedem de fiscalizar o nosso próprio partido”, disse.
Então, acrescenta, todo este processo tem a ver com duas coisas:
“A primeira é a intenção de omitir aquilo que é a vida económica estruturante do partido, tanto a vida económica como a vida administrativa, do ponto de vista das deliberações, como elas são feitas.”
Ademais, o também membro do Conselho Político fala de violação recorrente dos estatutos, sob a chancela do presidente, Albino Forquilha, e destaca o processo que elegeu o novo secretário-geral.
“Quando fomos às eleições, à primeira volta, ela decidiu que havia dois candidatos. Portanto, o compatriota Alberto Ferreira e o compatriota Stélio António são os que transitaram para a segunda volta. Tendo desistido o compatriota Ferreira, deveríamos, ainda mais, um motivo para que o Conselho Político sentasse, para decidir quais seriam os termos das eleições. E mesmo esta decisão deveria ser também fundamentada com base legal, estatutária ou das leis vigentes na República de Moçambique. Foi o que não ocorreu. E o presidente decidiu, de forma unilateral, os termos da convocação e, por isso, fez a convocação, cumprindo aquilo que é a sua competência. Todavia, não foi aconselhado e, de repente, vimos que o candidato favorito do presidente estava a fazer campanha interna”, explicou.
Hélder Mendonça foi mais longe, demonstrando a sua indignação pelo facto de o tal candidato “favorito de Albino Forquilha”, que foi eliminado na primeira volta, estar a fazer campanha para as eleições da segunda volta, sem que haja uma deliberação de qualquer dos órgãos.
“Significa que alguém decidiu, porque isso não ocorria aos olhos do presidente, sendo uma ilegalidade e que o presidente não tomasse uma medida. Portanto, era mais uma razão para a realização do Conselho Político. Isso foi postulado.”
A nossa reportagem contactou o deputado Fernando Jone, que foi suspenso da função de segundo vice-presidente da casa do povo, pelo PODEMOS. Jone declinou-se a gravar entrevista, mas reiterou que a sua consciência está livre e que nunca vai vergar perante injustiças.
O Regimento da Assembleia da República, no artigo 50, explica que a indicação dos vice-presidentes cabe aos partidos políticos, apesar de não se referir ao poder de exoneração.
Por isso, Mendonça questiona: “O facto de o segundo vice-presidente da Assembleia da República ter a iniciativa de fiscalizar o seu próprio partido, isso determina a retirada da confiança política? Eu penso que não. Segundo, quais foram os procedimentos para essa retirada da confiança política do compatriota Jone? Teria sido ele notificado sobre alguma acção que ele tenha praticado que prejudicasse o partido? Que desse no entendimento do partido permitir que vamos tirar a confiança política por A ou B motivo? Não houve. Portanto, estamos a gerir uma organização política como se estivéssemos a gerir um quintal”.
Hélder Mendonça promete, ainda assim, recorrer da decisão.
“Nós vamos usar os fundamentos que foram dados pela imprensa, ou que se sabe pela imprensa, para poder solicitar ao tribunal a nulidade destas suspensões, porque não faz sentido nenhum e é insanável quando uma penalização ocorre sem o direito ao contraditório”, disse.
O porta-voz do PODEMOS diz que a suspensão dos dois membros seguiu os trâmites legais e, para já, é irreversível.
“Após lido documento sentencial, o presidente depois colocou isto em plenário para votação e os membros, na maioria, votaram na suspensão do compatriota Hélder Mendoza. Não foi algo do presidente, foi algo deliberativo, em que a maioria dos presentes, eram cerca de cento e tantas pessoas presentes no momento em que houve esta votação e a maioria destas pessoas votaram deliberadamente sobre a questão da suspensão do compatriota Hélder Mendoça. Quem proferiu a sentença foi o presidente do Conselho Fiscal do Partido”, disse Duclésio Chico.
A Comissão dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social (3ª Comissão) reuniu-se, na Assembleia da República, com o grupo técnico que integrava representantes do Conselho Superior da Comunicação Social, do Gabinete de Informação, do MISA Moçambique e do Sindicato Nacional de Jornalistas, com o objectivo de recolher contribuições para o aperfeiçoamento das propostas de Lei da Comunicação Social e da Lei de Radiodifusão.
Segundo o representante do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), José Macarringue, que falava aos jornalistas após a reunião, o encontro teve como objectivo tornar os instrumentos em debate o mais consensual possível, incorporando todos os elementos das propostas e respeitando as diferentes sensibilidades dos sectores que intervêm na comunicação social.
Macarringue acrescentou que o encontro tinha ainda como objectivo trabalhar nos aspectos técnicos ligados à fundamentação das leis, com vista à obtenção de um instrumento que venha a contribuir para a melhoria do sector da comunicação social no País.
“Passam mais de 30 anos desde que temos a Lei da Imprensa em vigor. Portanto, chegou o momento de rever a actual lei e ajustá-la aos desafios e à realidade actuais do País, que incluem também o ambiente digital e os meios electrónicos de Comunicação Social”, disse o representante do Conselho Superior da Comunicação Social, reiterando que estão em debate sobretudo aspectos técnicos, havendo, de modo geral, consenso entre os intervenientes no processo.
Por sua vez, o representante do MISA-Moçambique, Ernesto Nhanale, explicou que o encontro visava tratar dos últimos detalhes das propostas, acrescentando que a 3.ª Comissão está a trabalhar com os técnicos no sentido de compreender melhor a fundamentação e afinar as propostas, para que possam ser submetidas à aprovação, ainda neste mês de Março pela Assembleia da República.
“O mais importante é que, qualquer que seja o caminho adotado, respeite a Constituição da República e seja técnica e economicamente viável”, disse.
O representante do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), Isais Muthimba, sublinhou que, como sindicato, “sentimos que há avanços muito encorajadores em relação ao processo que temos vindo a acompanhar há bastante tempo. Houve envolvimento e socialização junto dos profissionais da Comunicação Social em todo o país. Neste momento, a 3ª Comissão pretende compreender com maior profundidade os detalhes das propostas em análise”.
Por seu turno, a representante do Gabinete de Informação (GABINFO), Sílvia Nhaduate, destacou que o trabalho em curso é essencialmente de consolidação geral dos instrumentos. “Não se entrou em profundidade nas propostas de lei para verificar aspectos técnicos, uma vez que as propostas submetidas e consensualizadas pelos parceiros no processo de votação são as mesmas que estão actualmente em apreciação”, explicou, avançando que em termos de alterações e modificações, não há aspectos técnicos relevantes a considerar.
Depois do encontro com os técnicos a 3ª Comissão, deverá ser auscultada pela comissão dos assuntos constitucionais, direitos humanos e de legalidade para posterior emissão, pela 1ª Comissão, do respectivo parecer a ser analisado pelo Plenário da Assembleia da República.
A 6ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros apreciou a situação dos cidadãos moçambicanos residentes no Médio Oriente, região que enfrenta instabilidade desde o último sábado, em decorrência da intervenção militar dos Estados Unidos da América e de Israel na República Islâmica do Irão.
De acordo com o Governo, “estão registados 681 moçambicanos a residir em países daquela região. No Catar encontram-se 300 cidadãos nacionais, sendo que cerca de 80% trabalham na empresa Qatar Aluminium e vivem num condomínio localizado a aproximadamente 40 quilómetros de uma base militar norte-americana. Os restantes 20% actuam na Qatar Airways, Qatar Energy, em instituições bancárias comerciais”, além de funcionários da Embaixada de Moçambique.
Nos Emirados Árabes Unidos residem igualmente 300 moçambicanos, entre estudantes e trabalhadores, incluindo funcionários da Embaixada e do Consulado, segundo disse Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo.
“Na Arábia Saudita vivem cerca de 100 cidadãos moçambicanos. Destes, 35 trabalham na indústria de alumínio em Jubail, na província oriental, enquanto outros frequentam a Universidade Islâmica de Medina. No Reino do Bahrein há o registo de um estudante moçambicano, atleta de natação e bolseiro do Comité Olímpico de Moçambique”, confirmou Impissa.
No Estado de Israel estão identificados 12 moçambicanos.
Impissa assegurou ainda que segundo informações recolhidas junto às missões diplomáticas de Moçambique na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, bem como do consulado em Tel Aviv, “todos os cidadãos nacionais encontram-se, até ao momento, em bom estado de saúde e em segurança”.
As embaixadas moçambicanas emitiram comunicados dirigidos às respectivas comunidades, apelando à vigilância e à observância das orientações das autoridades locais para salvaguarda da segurança.
O Governo, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, informou ainda que prossegue o trabalho de contacto com cidadãos moçambicanos que estudam e trabalham em Chipre e no Kuwait, bem como com viajantes que se encontravam em trânsito por aeroportos como Doha e Dubai, cujos espaços aéreos estiveram temporariamente encerrados.
“As autoridades garantem que continuam a monitorar a evolução da situação no Médio Oriente e a manter canais abertos de comunicação com as comunidades moçambicanas na região”, assegura o porta-voz do Governo.
Impissa garantiu ainda que não se descarta um plano de evacuação dos moçambicanos no Médio Oriente. “É provável que haja, mas é no contexto dos esforços que têm de ser feitos para ver o que é que cada um efectivamente vai necessitar”, disse.
Relativamente aos impactos que esta guerra vai ter para o País, Inocêncio Impissa disse que existe tendência de subida de combustíveis ao nível do mundo, em função da situação do Médio Oriente.
“Claramente vai subir, só não sabemos em quanto. É consequência directa. Penso que fala-se também do impacto que o Moçambique prevê, porque vai ter algum impacto”, disse, entretanto pedindo para que o assunto seja deixado para mais tarde, até porque “há um grupo que foi criado, um grupo multisectorial, que deverá avaliar, com base em dados concretos, dados fiáveis, que é preciso avaliar rotas, a natureza de relações directas ou comerciais, quer com o Estado em causa, mas também com os Estados à volta”, para que haja um estudo mais aprofundado, com elementos que permitam uma partilha mais segura dos impactos.