O Presidente da República de Moçambique anunciou investimentos estruturantes nos principais corredores de desenvolvimento do país, com destaque para Maputo, Beira e Nacala, visando modernizar as infra-estruturas de transporte e logística, aumentar a competitividade económica e consolidar o posicionamento de Moçambique como uma importante plataforma logística da África Austral.
O anúncio foi feito durante o discurso de abertura do Fórum de Exposição de Investimento em Transporte e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), realizado esta quarta-feira, no qual o Chefe do Estado destacou a necessidade de transformar a localização geográfica privilegiada de Moçambique numa vantagem económica efectiva para o país e para os Estados vizinhos.
Na ocasião, o Presidente da República referiu que estão em curso e previstos investimentos superiores a dois mil milhões de dólares norte-americanos no corredor de Maputo, mais de mil milhões de dólares no corredor da Beira e cerca de 4,5 mil milhões de dólares no corredor de Nacala.
No corredor de Maputo, os investimentos abrangem a modernização do Porto de Maputo, intervenções na Estrada Nacional Número 4 (EN4) e melhorias nas infra-estruturas fronteiriças, incluindo a ligação com a África do Sul. As iniciativas pretendem ampliar a capacidade operacional e facilitar a circulação de mercadorias entre Moçambique e os mercados regionais e internacionais.
Para o corredor da Beira, o Chefe do Estado destacou investimentos na modernização do porto, no desenvolvimento de infra-estruturas logísticas, incluindo o Porto Seco de Dondo, e na melhoria das ligações fronteiriças, com destaque para Machipanda. Estas intervenções deverão reforçar as ligações comerciais de Moçambique com o Zimbabwe, Malawi, Zâmbia e República Democrática do Congo.
Já no corredor de Nacala, os investimentos ferroviários e portuários, estimados em aproximadamente 4,5 mil milhões de dólares, deverão contribuir para transformar o norte do país numa plataforma de produção, comércio, industrialização e integração económica.
A estratégia contempla a modernização do Porto de Nacala, o desenvolvimento da Zona Económica Especial e a expansão dos parques industriais, com o objectivo de estimular a transformação produtiva, a criação de valor acrescentado e a geração de emprego.
Na sua intervenção, o Presidente da República defendeu que os corredores de transporte não devem funcionar apenas como vias de passagem de mercadorias, mas transformar-se em verdadeiros espaços de produção, industrialização, criação de emprego e geração de riqueza.
Segundo o Chefe do Estado, ao longo das principais infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e portuárias devem surgir novas indústrias, centros logísticos, unidades de transformação agrícola, áreas agropecuárias, parques industriais e zonas económicas especiais.
O objectivo é criar condições para que os agricultores consigam transportar a sua produção até aos mercados, as indústrias nacionais e regionais possam exportar em condições competitivas e as pequenas e médias empresas encontrem novas oportunidades de crescimento.
O Presidente sublinhou igualmente que Moçambique e os países da região devem trabalhar para reduzir os custos de produção, industrialização e transporte, tornando os produtos regionais mais competitivos nos mercados internacionais.
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS E DIGITALIZAÇÃO
O Chefe do Estado destacou a importância da participação do sector privado na modernização das infra-estruturas de transporte e logística, apontando as parcerias público-privadas, as concessões e os modelos de construção, operação e transferência (BOT) como mecanismos de mobilização de investimentos.
Defendeu ainda que a modernização das infra-estruturas deve ser acompanhada por reformas institucionais, simplificação de procedimentos administrativos, transparência, integridade e digitalização dos serviços públicos e privados.
Como exemplo concreto, apontou a introdução do sistema de gestão comunitária do porto, que permite integrar digitalmente os diferentes intervenientes da comunidade portuária, simplificando procedimentos, reduzindo atrasos e melhorando a eficiência das operações.
INTEGRAÇÃO ECONÓMICA REGIONAL
A integração regional constituiu outro dos principais pontos da intervenção presidencial. O Chefe do Estado afirmou que a competitividade dos corredores moçambicanos está directamente ligada à integração económica da África Austral, salientando que os benefícios da modernização das infra-estruturas nacionais ultrapassam as fronteiras de Moçambique.
Segundo explicou, corredores mais eficientes beneficiam igualmente países como Zimbabwe, Botswana, Eswatini, Angola, Namíbia, República Democrática do Congo, Malawi e África do Sul.
Neste contexto, destacou a necessidade de aprofundar a cooperação regional, harmonizar os procedimentos fronteiriços, integrar os sistemas digitais e eliminar os constrangimentos que dificultam o comércio entre os países.
O Presidente referiu igualmente o projecto de ampliação da capacidade do pipeline que liga o Porto da Beira ao Zimbabwe, considerando que a iniciativa representa uma oportunidade de benefício económico para os dois países e para toda a região.
Mobilidade urbana, segurança rodoviária e sustentabilidade
O Presidente da República defendeu que o desenvolvimento do sector dos transportes deve colocar as pessoas no centro das políticas públicas, através da melhoria dos sistemas de transporte público, da mobilidade urbana e das ligações entre as zonas rurais e urbanas.
Destacou a necessidade de transportes públicos mais seguros, acessíveis, regulares e eficientes, capazes de responder às necessidades da população e reduzir os custos e o tempo das deslocações diárias.
A segurança rodoviária foi igualmente apontada como uma prioridade, tendo o Chefe do Estado apelado à melhoria das condições das estradas, ao reforço da fiscalização e à responsabilidade dos operadores e utentes.
No domínio ambiental, defendeu a construção de infra-estruturas resilientes aos efeitos das mudanças climáticas, tendo em conta os impactos dos ciclones, cheias e outros fenómenos extremos sobre as estradas, pontes, linhas férreas e instalações portuárias.
TRANS-LOG MOZ 2026 DEVE PRODUZIR COMPROMISSOS CONCRETOS
No encerramento da sua intervenção, o Presidente da República desafiou os participantes do TRANS-LOG MOZ 2026 a concentrarem as discussões em quatro questões fundamentais: a transformação dos corredores logísticos em plataformas de industrialização e criação de emprego; a redução dos custos logísticos e da burocracia; a mobilização de investimentos para modernizar as infra-estruturas e melhorar a qualidade de vida da população; e o aprofundamento da integração regional.
O Chefe do Estado sublinhou que o sucesso do fórum não deverá ser medido apenas pela qualidade dos debates, mas sobretudo pela capacidade de transformar ideias em decisões, parcerias e projectos concretos.
O Presidente da República declarou oficialmente aberta a primeira edição do Fórum de Exposição de Investimento em Transporte e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), manifestando a expectativa de que o encontro marque uma nova etapa na construção de um sistema de transportes e logística mais moderno, integrado e competitivo, ao serviço do desenvolvimento de Moçambique e da África Austral.