A intensificação dos ataques contra imigrantes na África do Sul começa a produzir efeitos que ultrapassam a esfera social e política, alimentando preocupações quanto ao impacto sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a capacidade da maior economia africana de atrair capital estrangeiro.
Numa conjuntura marcada por crescimento económico moderado, elevado desemprego, limitações fiscais e necessidade de maior investimento privado, analistas alertam que a deterioração do ambiente de segurança pode agravar a percepção de risco do mercado sul-africano.
Segundo a agência Reuters, economistas e analistas de mercado defendem que a sucessão de manifestações e episódios de violência contra cidadãos estrangeiros poderá reduzir o apetite dos investidores internacionais, sobretudo daqueles que avaliam novos projectos de investimento directo estrangeiro no país.
A consultora sul-africana ETM Analytics advertiu, citada pela Reuters, que os protestos contra imigrantes representam “o principal risco de curto prazo” para os mercados financeiros do país. A instituição considera que a evolução da crise poderá influenciar o comportamento do rand, aumentar a volatilidade dos activos financeiros e afectar as expectativas dos agentes económicos.
O receio surge numa altura em que a África do Sul procura recuperar o dinamismo económico. O país continua a enfrentar uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo, crescimento económico inferior ao potencial e uma necessidade crescente de mobilizar investimento privado para expandir a capacidade produtiva, modernizar infra-estruturas e estimular a criação de emprego.
O investimento directo estrangeiro desempenha um papel estratégico neste processo. Além da entrada de capitais, contribui para a transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e integração das empresas sul-africanas nas cadeias globais de valor.
Entretanto, os sucessivos episódios de violência contra comerciantes e trabalhadores estrangeiros podem afectar um dos factores mais valorizados pelos investidores: a previsibilidade do ambiente de negócios.
A própria reputação internacional da África do Sul começa a sofrer desgaste. De acordo com a Reuters, membros do Governo sul-africano reconhecem que os ataques xenófobos podem comprometer a imagem do país, afectar empresas nacionais que operam noutros mercados africanos e reduzir o seu poder de influência económica no continente.
O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e afirmou que “não permitiremos que grupos utilizem as legítimas preocupações da população para promover a violência e a ilegalidade”, reiterando que a aplicação das leis migratórias compete exclusivamente às instituições do Estado.
Embora os mercados financeiros ainda não tenham registado uma reacção expressiva, economistas consideram que a persistência da violência poderá reflectir-se no custo do financiamento, no comportamento da moeda sul-africana e nas decisões de investimento de empresas multinacionais.
A preocupação estende-se igualmente ao comércio regional. A África do Sul é o maior parceiro económico de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Moçambique. Qualquer deterioração do seu ambiente económico pode repercutir-se sobre o comércio transfronteiriço, os fluxos de investimento, as remessas dos trabalhadores migrantes e a integração económica regional.
O Serviço de Investigação Criminal (SERNIC), na província de Maputo, deteve três indivíduos indiciados de envolvimento num suposto falso sequestro, em troca de 50 mil meticais de resgate, no bairro de Malhampsene, no município da Matola.
A vítima é esposa de um dos indiciados, que segundo ele praticou o crime porque precisava de dinheiro para uma dívida de 40 mil meticais que contraiu junto à sogra, tendo sido burlado o valor em causa. Para tal e com a ajuda dos amigos, efectuaram uma série de chamadas à sua esposa informando sobre o suposto sequestro.
“Quando eu fui burlado o valor tive receio de contar à minha esposa e à minha sogra. Agi no impulso e não pensei nas consequências. Arrastei os meus amigos para caírem nessa mentira”, explica o cabecilha do falso sequestro.
Segundo explica, os amigos desempenharam o papel de persuasão, ou seja, tinham a missão de ligar para a sua esposa para exigirem o valor de resgate. Os amigos confirmam o seu envolvimento, mas negam que do crime teriam alguma recompensa.
“O meu papel era de efectuar chamadas. Fi-lo para ajudar o meu amigo e não sabia que poderia terminar no estado em que me encontro. O SERNIC encontrou-me em Malhampsene onde exerço a minha actividade como mototaxista e fui recolhido para as celas”, explica um dos falsos sequestradores.
O terceiro indiciado anota que o suposto sequestrado, responsável por orquestrar todo o crime, garantiu-lhes que nada iria acontecer com eles, pois após receberem o dinheiro de resgate, duas semanas depois devolveria o valor à sogra e tudo voltaria à normalidade.
Segundo a porta-voz do SERNIC, Judite Alexandre, a detenção dos três indivíduos foi graças à denúncia anónima, tendo de seguida apurado a veracidade do caso. Em relação ao caso da jovem sequestrada em Marracuene, cujos vídeos circulam nas redes sociais, o SERNIC confirma o caso e diz já estar a trabalhar o seu esclarecimento.
Um total de 160 cidadãos palestinos desembarcou no aeroporto de Joanesburgo, na última quinta-feira, para solicitar refúgio na África do Sul. A informação é confirmada pelo Chefe de estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, que diz serem oriundos da faixa de Gaza e afirma que os mesmos não serão devolvidos.
A chegada dos cidadãos de nacionalidades palestinianas aconteceu, na última quinta-feira, no Aeroporto Internacional Oliver Tambo de Joanesburgo, no distrito de Gauteng.
Trata-se de 160 cidadãos oriundos da faixa de Gaza, que buscam refúgio na África do Sul, cuja entrada dependeu da intervenção do Ministério das Relações Exteriores e Cooperação sul-africana, uma vez que não apresentavam vistos.
O Chefe de Estado sul-afriano, Cyril Ramaphosa, tomou conhecimento da situação e disse que deviam ser recebidos pelo facto de serem oriundos de onde há guerra.
“Mesmo sem os documentos necessários, essas pessoas vêm de um país devastado por conflitos e guerras, e por compaixão e empatia, devemos recebê-las e ser capazes de lidar com a situação que enfrentam. Parece que estavam sendo, sabe, expulsas à força”, Cyril Ramaphosa.
E garantiu que os mesmos não seriam devolvidos às suas zonas de origem. “Ontem, um avião com 160 palestinos pousou no aeroporto O.R. Tambo. Essas pessoas são de Gaza. Fiquei sabendo disso pelo meu Ministro do Interior, que queria saber o que deveríamos fazer agora, e eu disse que não poderíamos impedi-los de entrar”. Obteremos os detalhes mais tarde, mas do ponto de vista humanitário, não podíamos devolvê-los, por isso vieram”.
Já a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), pediu recentemente, um aumento nas contribuições internacionais, sob pena de ver comprometida a sua missão, particularmente na Faixa de Gaza.
O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos classificou a violência na cidade sudanesa de El-Fasher como uma mancha no historial da comunidade internacional, que se revelou incapaz de travar as hostilidades.
As atrocidades que estão a ocorrer em El-Fasher eram previsíveis e poderiam ter sido evitadas, mas não foram. Estes são dos mais graves crimes. O meu gabinete emitiu mais de 20 comunicados só sobre El-Fasher no último ano, com base em informações verificadas pela nossa equipa”, referiu o Alto-Comissário.
A guerra civil no Sudão, que se arrasta há dois anos e meio, é um conflito oculto que envolve vários países da região pela disputa de recursos e matérias-primas, e a comunidade internacional deve agir, segundo o Alto-Comissário. Nesta sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre os crimes cometidos durante e após o cerco à cidade de El-Fasher, na região de Darfur, no Oeste do Sudão, Türk enfatizou que o Conselho de Segurança deve remeter os abusos cometidos neste conflito para o Tribunal Penal Internacional.
Nesta guerra, “estão envolvidos inúmeros países da região”, salientou Türk na abertura da sessão, sem referir casos específicos. O Exército sudanês, por seu lado, tem acusado repetidamente os Emirados Árabes Unidos (EAU) de armar as Forças de Apoio Rápido (RSF), rebeldes que cercaram El-Fasher durante um ano e meio e que finalmente a capturaram a 26 de Outubro, derrubando assim o último bastião das Forças Armadas sudanesas no Darfur.
Após a conquista, Türk noticiou na sexta-feira que houve relatos de assassinatos em massa de civis, execuções por motivação étnica, violência sexual, raptos, detenções arbitrárias e ataques a profissionais de saúde, entre outros abusos. “Já tínhamos avisado que a queda da cidade para as Forças de Apoio Rápido poderia terminar num banho de sangue, mas os nossos avisos não foram ouvidos”, lamentou o Alto-Comissário austríaco, que alertou que a tragédia poderia repetir-se em Kordofan, a Região a Leste do Darfur, onde os combates estão actualmente concentrados.
“Todos os sinais apontam para isso: bombardeamentos, bloqueios, pessoas forçadas a abandonar as suas casas e um terrível desrespeito pela vida civil. Kordofan não deverá sofrer o mesmo destino que o Darfur”, declarou. Türk reiterou os seus apelos para que a comunidade internacional imponha um embargo de armas a todo o território do Sudão, e não apenas à Região Ocidental do Darfur, como tem sido o caso até agora, e para que faça tudo o que for possível para facilitar o fluxo de ajuda humanitária para o país.
EUA querem travar envio de armas para as RSF
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, apelou a uma acção internacional para travar o fornecimento de armas às Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla inglesa), um grupo paramilitar do Sudão acusado de assassinatos em massa em el-Fasher.
No final de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, no Canadá, Rubio afirmou que as RSF cometeram atrocidades sistemáticas, incluindo assassinatos, violações e violência sexual contra civis.
O Exército sudanês acusa os Emirados Árabes Unidos de apoiar as RSF com armas e mercenários enviados através de nações africanas. Os Emirados Árabes Unidos negaram repetidamente estas alegações. As RSF combatem o Exército sudanês desde Abril de 2023, quando uma disputa de poder entre os seus líderes se transformou numa guerra civil generalizada.
Não é claro qual será o impacto do apelo de Rubio. Uma proposta anterior dos EUA para um cessar-fogo humanitário no Sudão já foi violada pelas RSF, embora estas tenham concordado com ela na semana passada. El-Fasher foi capturada no mês passado pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) após um cerco de 18 meses, o que significa que agora controlam todas as cidades da vasta região de Darfur, no Oeste do país.
Uma parte da população conseguiu fugir da cidade, onde terão ocorridos massacres. Pilhas de corpos no chão e terra manchada de sangue são visíveis do espaço em imagens de satélite. Os grupos não árabes da região mais vasta do Darfur estão a ser sistematicamente visados pelas RSF no que equivale a genocídio, de acordo com os EUA e grupos humanitários.
Uma vitória sofrida do Maxaquene este sábado, diante do Estrela Vermelha de Maputo, por duas bolas a uma, coloca a equipa mais próxima do regresso ao Campeonato Nacional do próximo ano, o Moçambola 2026.
Os “alaranjados” até foram os primeiros a marcarem, ainda na primeira parte, por Abdul, a fazer jus à pressão e domínio que tinha na partida, mas também a dar resposta clara às declarações do seu treinador, no lançamento, que indicava uma vitória na partida.
Mas no arranque da segunda parte o Maxaquene transfigurou-se e chegou ao empate através de Egino, a colocar ordem no marcador e equilíbrio na partida.
Enquanto o tempo passava, as duas equipas procuravam de todas formas desfazerem-se do empate e tudo indicava que o 1-1 seria o resultado final, que deixaria tudo em aberto para o jogo da segunda mão.
Mas naquele que seria um dos últimos lances da partida, para lá dos 90 minutos, na cobrança de um pontapé de canto, Chico Mioche fez o 2-1 que coloca o Maxaquene mais perto de regressar ao Moçambola quase uma década depois da sua despromoção.
Tal como o Maxaquene, que venceu fora de portas, o Desportivo de Pemba também venceu pelo mesmo resultado e na condição de visitante, diante da Associação Desportiva de Pemba, na finalíssima da zona norte.
Abdala colocou o Desportivo de Pemba em vantagem na parte final da primeira parte, vantagem magra levada ao intervalo.
As coisas mudaram de rumo e estremeceram os intentos do Desportivo quando a Associação Desportiva de Pemba restabeleceu o empate aos 65 minutos por Maninho, a colocar justeza no marcador.
Tudo muda aos 83 minutos quando os “alvi-negros” beneficiam de uma grande penalidade castigar infracção dentro da área de rigor, que Sindi, chamado a converter, não desperdício e colocou a sua equipa em vantagem na eliminatória.
Finalmente no centro do país foi a Liga Desportiva de Sofala a sair com vantagem na finalíssima após derrotar o FC Beira por 1-0, com golo solitário de Ibraimo aos 73 minutos. Uma vantagem magra que também deixa a eliminatória em aberto para ser decidida na segunda mão, sábado, no mesmo palco, o Municipal da Beira.
Os três jogos da segunda mão estão marcados para o próximo sábado, 22 de Novembro, com o Maxaquene a receber o Estrela Vermelha no campo do Costa do Sol, enquanto os embates da finalíssima do centro e norte disputam-se no mesmo local dos jogos de sábado passado.
O combinado nacional de futebol, os Mambas, defronta esta segunda-feira a similar do Chade em partida de carácter amigável, inserido na Data-FIFA. Depois da derrota para o Marrocos na sexta-feira, impõe-se aos Mambas uma outra postura e outro resultado na partida desta tarde.
Uma derrota que muito peso e culpa para os jogadores, sexta-feira, diante do Marrocos, tem marcado a deslocação dos Mambas pelas terras marroquinas onde disputa jogos amigáveis da Data-FIFA.
Depois de não terem treinado na quinta-feira, naquele que seria o primeiro com todo conjunto completo, os Mambas entraram destemidos no novíssimo estádio de Tânger, onde Marrocos inaugurava com vista ao CAN deste ano e ao Mundial de 2030.
O início foi duro para Moçambique, que viu Ounahi marcar logo aos sete minutos, num portentoso remate de fora da área, sem hipóteses de defesa para Ernan, mais uma vez chamado para defender as redes nacionais.
Depois do golo sofrido os Mambas acordaram e equilibraram os acontecimentos nas quatro linhas, mas somente em duas ocasiões tentaram chegar à baliza adversária, principalmente de bolas paradas.
Marrocos foi sempre a equipa mais esclarecida e que buscou o segundo golo, que teimava em aparecer, muito por culpa da falta de pontaria dos seus avançados, mas também porque a defensiva moçambicana esteve sempre segura.
Na segunda parte Marrocos continuou a pressionar e a procura do golo da tranquilidade, que só não aparecia porque, por um lado, o azar perseguia os marroquinos, e por outro porque Ernan respondia positivamente quando fosse solicitado.
El Kaabi ainda teve a melhor ocasião de marcar, na marca de uma grande penalidade, mas atirou ao travessão, quando Ernan estava batido. Por três ocasiões o guarda-redes moçambicano mostrou-se seguro entre os postes, a dar também segurança à equipa nacional.
O resultado acabou por ser escasso para aquilo que Marrocos produziu e pelo facto dos Mambas não terem feito o treino conjunto, porém deixando ficar os seus processos em campo e um aviso aos seus adversários no CAN.
Chade para vencer e moralizar o balneário
Esta segunda-feira, a partir das 17h00 de Maputo, os Mambas voltam a jogar em solo marroquino, desta feira na Casablanca, diante do Chade, um adversário acessível para aquilo que são os objectivos da equipa técnica.
Espera-se, neste jogo, que Chiquinho Conde faça algumas alterações à equipa principal que defrontou o Marrocos, com entradas de jogadores que estiveram no banco na partida anterior.
Ernan poderá ser chamado novamente à baliza, ou então Ivan pode ser o escolhido, enquanto sector defensivo Mexer poderá continuar a fazer dupla com Chamboco ou com Nené, enquanto nas laterais podem vir a jogar Calila na direita e Bruno Langa na esquerda, no lugar de Edmilson Dove.
Alfonso Amade voltará a merecer a titularidade, podendo fazer dupla de pivôs com Ricardo Guima ou com Pepo, enquanto Dominguez e Geny Catamo continuam no centro e da direita, mas com Witi na esquerda, todos em apoio a Stanley Ratifo, que poderá voltar a titularidade.
Moçambique e Chade defrontam-se pela primeira vez na história num terreno neutro, concretamente no Stade Municipal de Berrechid, em Casablanca, esta segunda-feira a partir das 17h00.
Sequestradores agridem, torturam e filmam uma vítima de rapto enquanto esta pede ajuda a familiares para que paguem o resgate exigido pelos malfeitores.
Os vídeos que começaram a circular este sábado, mostram uma mulher identificada como Fazila Amade, esposa de um empresário, raptada no mês de Setembro passado, no distrito de Marracuene, Província de Maputo.
Nas imagens com aparência fragilizada, é agredida pelos sequestradores enquanto pede socorro e ajuda aos seus familiares para que paguem o resgate que os malfeitores exigem.
Mesmo aos gritos as agressões tanto físicas quanto psicológicas não cessam. Num dos vídeos a vítima aparece completamente acorrentada,apenas de calças e com o tronco exposto e num outro vídeo está amordaçada e a sangrar.
A STV entrou em contacto com o Serviço Nacional de Investigação Criminal que reconhece a veracidade dos factos, garante estar a trabalhar em coordenação com a família para esclarecer o caso desde que Fazila foi sequestrada, mas diz que não pode prestar declarações enquanto o crime não for esclarecido.
Este é um caso que vem à tona, três dias depois de a Primeira Ministra ter revelado que apenas um caso de rapto registado este ano ainda não tinha sido esclarecido.
Segundo Benvida Levi, dos 10 casos de rapto ocorridos este ano, nove tiveram desfecho e as vítimas já se encontram no convívio familiar.
A questão que fica é: será este o caso que não teve desfecho?
Moradores e automobilistas, na KaTembe e no Zimpeto exigem a retoma das obras das estradas que ligam a Rotunda ao Centro de Saúde de Incassane e da rua do rio Revué, na cidade de Maputo. Falam de constrangimentos às viaturas e de problemas à saúde, devido a poeira e paralisação dos trabalhos.
A estrada da subida de Chamissava, no distrito municipal Katembe, cujas obras de pavimentação iniciaram na Rotunda e deveriam terminar no centro de saúde de Incassane, segundo ilustrava a placa que havia sido montada neste local.
O troço de 3.2 quilômetros deveria ter sido concluído em Agosto de 2023, mas o que se vê até agora, são apenas 2 quilômetros pavimentados e automobilistas a somarem prejuízos, segundo contaram a nossa equipa de reportagem.
“Nós passamos dificuldade de verdade, porque tem muitas covas e há muita gente lá mais adiante para o cemitério, mas os carrinhos que nem minibus não vão até lá. Devido a este problema, a suspensão das nossas viaturas fica danificada”, contou Emmanuel Nhanza, automobilista.
O que agrava a preocupação dos automobilistas é o facto de há dez dias, o edil da cidade de Maputo, Rasaque Manhique ter anunciado o troço entre o rol das vias completamente pavimentadas.
“Foram reabilitadas e pavimentadas mais de vinte vias, entre elas, a rua Marien Maqueba, avenida 24 de Julho e a rua da subida de Chamissava, reforçando a ligação entre bairros e melhorando a mobilidade”, disse o edil, nas celebrações do dia da Cidade Maputo.
Porque não é o que se vê no terreno, os automobilistas exigem a retoma dos trabalhos até ao local ora prometido.
“ Essa situação é péssima, porque já está parada há bastante tempo, já deveria ter terminado a estrada, mas devido ao que não se sabe, até aqui não há nenhuma satisfação.”, lamentou José Nhampossa, outro automobilista.
Além de danos às viaturas, a saúde está também comprometida devido à poeira.
“Só para ver, se não chove, olhamos a beira da estrada, para as árvores, aí fica colado de poeira aquilo ali, agora nós temos que pensar em nós próprios, já que as árvores, as plantas ficam assim, em nós por dentro, como é que estamos? estamos a correr risco tuberculoso, essas coisas”.
As obras estão avaliadas em mais de 65 milhões de meticais.
Situação similar assiste-se na rua do Rio Revué, onde os automobilistas dizem -se traídos pelo Município de Maputo, por ter prometido pavimentar este troço de 1 quilômetro e meio, porém, os trabalhos decorrem a meio gás.
As obras arrancaram em Agosto de 2024 e deveriam ter sido concluídas em nove meses, entretanto, um ano e três meses depois, o que se vê no terreno, é apenas um troço de menos de meio quilômetro pavimentado e obras abandonadas.
“De facto, nós quando vimos aquelas obras ali, ficamos satisfeitos, dissemos, pronto, esta via alternativa ia nos ajudar, mas vimos depois, só esse pequeno troço e terminou aqui. A gente ficou sem entender se é o dinheiro que acabou, não sabemos, de facto é uma situação difícil. Chegaram aqui, encontraram a estrada,estava numa posição que até a gente já havia habituado, só cavaram, desapareceram, depois reapareceram, então cavaram de novo, fizeram só esse trecho.”
Por aqui, os automobilistas devem inovar em manobras, para fazer face aos montões de área que danificam as viaturas.
“ Vejo que isso aqui talvez foi uma burla para o governo, prometeram que essa estrada ia até lá na escola secundária, mas até agora nenhuma coisa avançou. Os carros interam, porque esta via aqui é alternativa em relação a avenida de Moçambique, porque no mercado tem engarrafamento”
Os automobilistas que usam esta via como alternativa para não enfrentar o congestionamento, na Estrada Nacional Número 1 dizem-se prejudicados.
As obras da estrada da rua do Rio Revué estão orçadas em 113 milhões de meticais.
Para reagir aos assuntos, a nossa equipa de reportagem contactou o gabinete de comunicação e imagem do município de Maputo, mas não teve sucesso.
A estrada Matambo-Songo, na província de Tete, será entregue à População até o segundo trimestre de 2026. A infraestrutura de 117 quilômetros é financiada pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa e vai servir para o transporte de equipamentos de reestruturação da central, bem como dinamizar a economia regional.
50 anos depois, a Hidroelétrica de Cahora Bassa vai renovar e modernizar os seus equipamentos de produção de energia, no âmbito do plano de investimento denominado Capex Vital.
O programa, a ser implementado durante 10 anos, cujas intervenções decorrem desde o ano passado, vai culminar com a reabilitação da Central Sul, subestações, barragem e infra-estruturas associadas e uma dessas infraestruturas é a Estrada Matambo–Songo, via essencial para o transporte de equipamentos, bens e pessoas, degrada há mais de 40 anos.
Trata-se da estrada número 301, que liga os distritos de Marara e Cahora Bassa, na província de Tete, com uma extensão de 117 quilômetros.
Por ali serão transportados os equipamentos, de grande tonelagem, a serem usados durante a modernização da HCB, para além de beneficiar as empresas que operam na região, como as do ramo mineiro, no escoamento de carvão e de outras cargas. Para isso foi necessária uma atenção especial na qualidade da infraestrutura.
A nossa reportagem esteve no local e conversou com o Engenheiro Ilídio Tembe, Director de Procurement e Logística na HCB, que nos explicou sobre as especificações da estrada.
“Esse projecto irá demandar de transporte de mercadorias de grande tonelagem, por exemplo, transformadores, peças para os grupos geradores. Esses equipamentos têm requisitos de transporte muito exigentes. Têm tolerância para o seu transporte, além do volume, do peso dos mesmos. O fiscal, nesse caso, a COTOP, foi a empresa que desenhou as especificações da estrada. Os empreiteiros têm laboratórios próprios que foram certificados pelo Laboratório de Engenharia de Moçambique, para a sua implementação e temos tido um controlo de qualidade quase permanente do lado do fiscal”, explicou.
Questionado sobre a consistência e qualidade da obra, o coordenador técnico do projecto, Daniel Tinga, disse: “É preciso que, no final, seja assegurado que tenha um revestimento em betão-betuminoso na via e que possa oferecer um conforto tanto para quem conduz, mas também oferecer condições seguras e minimizar os transtornos de manutenção durante o período de vida útil”.
A reabilitação da estrada EN 301, incluiu a criação de um novo traçado que substituiu o antigo, conhecido por quilômetro 18, atravessando agora os distritos de Changara, Marara e Cahora Bassa, tornando a via crucial para a mobilidade na região.
O novo desvio, que liga a EN 301 a EN7, Tete-Chimoio, traz uma facilidade na circulação de viaturas diversas, encurta distâncias e valoriza os empreendimentos ao longo da via.
Tembe reconhece o impacto desta para a empresa que representa, mas reconhece mais ainda a utilidade pública que esta representa no cumprimento do compromisso de desenvolvimento da província de Tete.
“Essa estrada será uma mais-valia socioeconômica tanto para a HCB como para o povo, de um modo geral, porque terá uma estrada com condições de acesso muito boas, com condições de segurança muito boas e irá reduzir o tempo de circulação que actualmente existe entre as diversas comunidades, assim como de Songo para Tete”.
Apesar dos desafios, os empreiteiros prometem entregar as obras no tempo e na qualidade previstos. É que, durante as obras houve troços em que populações tiveram que ser reassentadas, um processo que, de acordo com a empresa, foi conduzido com transparência, envolvendo as lideranças (desde locais a distritais) no cálculo e pagamento de compensações.
Sobre o cumprimento dos prazos, Eduardo Mondlane, Encarregado de Obra, representante do Empreiteiro JJR, fala de reforço de equipamentos e consequentemente rapidez na execução.
“Vamos ter a capacidade tripla de fornecimento de materiais betuminosos, vai reforçar, de certa forma, a execução das obras. O que pretende aqui é uma estrada que tenha uma vida útil de 20 anos, a gente projectou a estrada nesse sentido e estamos executando exatamente a estrada para aguentar esse período”.
A fiscalização garante estar atenta a cada etapa de construção da estrada, envolvendo o dono da obra e o seu parceiro, a Administração Nacional de Estradas, ANE e apresentando relatórios e exigindo correção de falhas detectadas, sempre que verificadas.
O PROJECTO CRIOU CERCA DE 700 NOVOS POSTOS DE TRABALHO
A estrada de 117 quilômetros está dividida em dois troncos e dois empreiteiros: o primeiro troço, sob responsabilidade da Chico, orçado em mais de 2.3 mil milhões de meticais, o segundo troço de 67 km, ao encargo da JJR, orçado em cerca de três mil milhões de meticais.
As obras, iniciadas em Janeiro deste ano, estão a mudar o ritmo de vida de toda a região. É que foram criados 680 postos de trabalho directos, dos quais 90% são ocupados por pessoas locais, e cerca de 3.400 beneficiam-se indirectamente das actividades ligadas ao projecto.
Carlos Pereira, mecânico de profissão, e Tereza Domingos, cozinheira de formação, ambos contratados no âmbito do projecto, têm algo em comum: é que deixaram as suas actividades que lhes rendia pouca e inconsistente renda mensal, para abraçar as obras tarefas desconhecidas.
Os dois sentem o desafio do dia a dia, mas sentem que a cada dia melhoram e já pensam em investir na formação para trabalhar nas obras, não apenas pelo rendimento, também pelo privilégio de “me sentir a fazer algo importante para a minha província”, dizem.
Apesar de apenas 30% das obras já estarem concluídas e o impacto do investimento, de mais de seis mil milhões de meticais, é visível. No transporte de passageiros, comércio formal e informal.
Ao longo da via é possível notar pequenos negócios montados, que antes era impraticáveis naquela zona, como conta Ana Paula Baptista.
“O cruzamento dos 18 quilômetros ficava muito distante. Tínhamos que preparar os nossos bolos e ir até lá, levávamos muito tempo. Lá muitos tinham lugares onde vendiam e com a construção desta estrada, tivemos oportunidades para fazer estes negócios”.
Entre os que mais celebram as melhorias estão os mototaxistas. Com a estrada em melhor estado, as viagens são mais rápidas e seguras. E falando em Rapidez, a estrada Matambo–Songo deverá reduzir o tempo de viagem em mais de 60% e melhorar significativamente a segurança rodoviária.
A previsão de entrega da estrada é do segundo trimestre de 2026.
Um total de 160 cidadãos palestinos desembarcou no aeroporto de Joanesburgo, na última quinta-feira, para solicitar refúgio na África do Sul. A informação é confirmada pelo Chefe de estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, que diz serem oriundos da faixa de Gaza e afirma que os mesmos não serão devolvidos.
A chegada dos cidadãos de nacionalidades palestinianas aconteceu, na última quinta-feira, no Aeroporto Internacional Oliver Tambo de Joanesburgo, no distrito de Gauteng.
Trata-se de 160 cidadãos oriundos da faixa de Gaza, que buscam refúgio na África do Sul, cuja entrada dependeu da intervenção do Ministério das Relações Exteriores e Cooperação sul-africana, uma vez que não apresentavam vistos.
O Chefe de Estado sul-afriano, Cyril Ramaphosa, tomou conhecimento da situação e disse que deviam ser recebidos pelo facto de serem oriundos de onde há guerra.
“Mesmo sem os documentos necessários, essas pessoas vêm de um país devastado por conflitos e guerras, e por compaixão e empatia, devemos recebê-las e ser capazes de lidar com a situação que enfrentam. Parece que estavam sendo, sabe, expulsas à força”, Cyril Ramaphosa.
E garantiu que os mesmos não seriam devolvidos às suas zonas de origem. “Ontem, um avião com 160 palestinos pousou no aeroporto O.R. Tambo. Essas pessoas são de Gaza. Fiquei sabendo disso pelo meu Ministro do Interior, que queria saber o que deveríamos fazer agora, e eu disse que não poderíamos impedi-los de entrar”. Obteremos os detalhes mais tarde, mas do ponto de vista humanitário, não podíamos devolvê-los, por isso vieram”.
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