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O mar continua a alimentar milhares de famílias em Inhambane, mas já não oferece a mesma abundância de outros tempos. Nas primeiras horas da manhã, centenas de embarcações artesanais deixam diariamente as praias da província na esperança de regressar com peixe suficiente para garantir o sustento das famílias. No entanto, o cenário encontrado no fim de cada jornada é cada vez mais preocupante. As capturas diminuíram, os custos da actividade aumentaram e a incerteza tornou-se parte da rotina de quem depende exclusivamente da pesca para sobreviver.

A redução do pescado começa a produzir efeitos que vão muito além das comunidades piscatórias. Num sector que emprega mais de 18 mil pescadores artesanais e produz, em média, 21 mil toneladas de pescado por ano, a diminuição das capturas representa menos rendimento para milhares de famílias, menor oferta de peixe nos mercados e novos desafios para uma actividade que continua a desempenhar um papel importante na economia costeira da província.

Nas praias de Inhambane, a preocupação é evidente. Depois de horas no mar, muitos pescadores regressam com embarcações praticamente vazias.

“O peixe está cada vez mais escasso. Hoje há muitos pescadores no mar e as mudanças climáticas também estão a afectar a actividade”, relata Raimundo Lurdes, pescador artesanal.

A percepção é partilhada por Momade Queha, que diz assistir a uma redução constante das capturas.

“Já não há peixe. Não conseguimos capturar praticamente nada. Hoje nem acredito que consiga vender mil meticais porque realmente não há peixe”, lamenta.

Para quem vive exclusivamente da pesca, a diminuição das capturas significa uma redução imediata do rendimento diário. Em muitas comunidades costeiras, a actividade constitui a principal fonte de receitas familiares e garante igualmente o abastecimento de pescado aos mercados locais.

Mas, para além das alterações climáticas e do aumento do número de pescadores, outro tema domina as conversas nas praias: o actual calendário da veda.

Os pescadores reconhecem que a interrupção temporária da pesca é fundamental para permitir a reprodução das espécies e garantir a sustentabilidade dos recursos marinhos. O problema, dizem, está no período escolhido para aplicar a medida.

Nelson Dzivane, que trabalha na pesca artesanal há mais de vinte anos, considera que o actual calendário não acompanha o comportamento natural das espécies existentes na costa de Inhambane.

Na sua perspectiva, o período de encerramento da actividade deveria coincidir com a época em que a reprodução dos peixes é mais intensa, permitindo uma recuperação mais efectiva dos recursos pesqueiros sem comprometer desnecessariamente o rendimento das comunidades.

“Durante o verão é quando devíamos trabalhar. É no inverno que as redes deviam ficar fechadas. A veda que está a ser aplicada actualmente não corresponde à realidade da nossa pesca”, defende.

As preocupações dos pescadores já chegaram às autoridades distritais.

Segundo Américo Adamugy, Administrador do distrito de Inhambane, está em curso um processo de harmonização dos períodos de veda entre os quatro distritos costeiros da província.

A proposta prevê que a pesca observe um período comum de defeso entre Janeiro e Abril, enquanto a captura do camarão continuará sujeita ao calendário específico definido pelas autoridades competentes.

Apesar disso, o governante esclarece que as alterações serão feitas dentro dos parâmetros estabelecidos a nível central, o que significa que não deverão existir mudanças profundas em relação ao modelo actualmente adoptado.

Para especialistas em conservação marinha, porém, a discussão não pode limitar-se apenas às datas da veda.

O ambientalista António Cabral considera que a redução das capturas observada nos últimos anos resulta de vários factores que actuam em simultâneo e que exigem respostas integradas.

Segundo explica, as organizações que monitorizam a pesca na Baía de Inhambane acompanham há cerca de oito anos a evolução das capturas em vários pontos de desembarque e os dados apontam para uma tendência gradual de redução de determinadas espécies.

Embora existam oscilações naturais ao longo dos anos, a tendência geral revela um declínio que começa a preocupar investigadores e gestores dos recursos marinhos.

Para António Cabral, insistir apenas na alteração do calendário da veda poderá produzir resultados limitados se não forem adoptadas outras medidas complementares.

Entre elas, destaca o reforço da fiscalização, a protecção dos ecossistemas costeiros, a melhoria da gestão dos recursos pesqueiros e, sobretudo, a criação de fontes alternativas de rendimento para as comunidades.

Segundo o especialista, durante os períodos de defeso, muitas famílias ficam praticamente sem qualquer actividade económica, tornando-se mais vulneráveis e aumentando a pressão para o incumprimento das restrições impostas.

A aposta em actividades agrícolas, aquacultura, pequenos negócios e outras iniciativas geradoras de rendimento poderá reduzir essa dependência exclusiva da pesca e contribuir para uma exploração mais sustentável dos recursos marinhos.

O debate surge numa altura em que Moçambique procura consolidar a chamada Economia Azul como um dos pilares do crescimento económico nacional.

Nesse contexto, garantir a sustentabilidade da pesca artesanal representa não apenas uma questão ambiental, mas também um desafio económico e social.

A redução contínua das capturas ameaça milhares de empregos directos e indirectos, afecta a segurança alimentar das comunidades costeiras e pode comprometer uma cadeia de valor que movimenta comerciantes, transportadores, processadores e mercados locais.

Enquanto decorrem as discussões sobre a revisão da veda, os pescadores continuam a fazer aquilo que aprenderam ao longo da vida: sair para o mar todos os dias, na esperança de que a próxima maré traga o peixe que hoje parece escapar cada vez mais das redes.

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Uma pessoa contraiu ferimentos graves, após um acidente de viação, esta quinta-feira, nas proximidades da Rotunda da KaTembe, na cidade de Maputo. Suspeita-se que o sinistro tenha sido causado durante uma tentativa de ultrapassagem irregular. 

A Estrada Nacional Número 1 volta a ser palco de sangue em menos de 48 horas. Mais um acidente de viação, na tarde desta quinta-feira, nas proximidades da rotunda da Katembe, envolvendo um camião de transporte de carga e uma camioneta, com o resultado de 1 ferido.

De acordo com testemunhas no local, o camião de carga pesado é que terá provocado o embate na trela da outra viatura que trazia pessoas na sua bagageira. 

Testemunhas no local explicam que o acidente terá resultado de uma ultrapassagem mal calculada feita por este camião que fazia o trajecto Maputo-Ponta D’Ouro. 

“É o camião que bateu, é verdade, vimos, sim. O caminhão vinha em alta velocidade, era uma ultrapassagem. Vinha em alta velocidade, sim, depois, ao ultrapassar, bateu, acho que bateu com a trela ao lado”, disse uma testemunha.

Entretanto,  o dono da viatura tem outra versão dos factos e diz que havia uma outra viatura que terá provocado o acidente.  

“Eu estava atrás de um turismo, queria entrar ali, e aquele turismo estava aqui no meio, então eu fiquei aqui, a tentar fazer a ultrapassagem. Então ele estava desse lado, não sei se estava no telefone, porque ele me apanhou aqui mesmo, veio me bater aqui no meio da estrada”, disse Luís Mimbire.

O condutor da viatura sinistrada diz ainda que na tentativa de fazer a ultrapassagem ao carro turismo que estava em frente, travou de repente. “Aquele turismo não piscou, não fez nada. Ele estava a fazer a ultrapassagem, eu já queria entrar naquela entrada ali, então eu fiz isso para passar aquele turismo, enquanto ele estava a virar em velocidade. O turismo ainda estava um pouco distante, então eu não entrou muito lá, aquele turismo estava diante, parou de repente”, confirma Luís Mimbire.

Minutos depois do acidente uma ambulância fez-se ao  local para prestar assistência e evacuar a vítima.  

 

Filipe Paúnde está em Nampula para cumprir uma agenda partidária e na conferência de imprensa que concedeu, esta quinta-feira, na cidade de Nampula, foi confrontado com a questão do possível envolvimento dos filhos da governadora de Manica na mineração, em pleno período em que vigora o decreto que suspende toda a actividade mineira naquela província.

A resposta do membro sénior da Frelimo foi no sentido de afastar a governante dos seus filhos pelo menos para não encontrar responsabilidade política. “A governadora não tem filhos. Quem tem filhos é uma cidadã chamada Francisca. Nós fazemos muita confusão. O governador não tem filhos. Governador é uma função, e ter filhos é uma questão social. Não misturemos as coisas. Quando alguém é ministro, os filhos não são do ministro, são dele. Agora, ministro é função. Os filhos do governador podem trabalhar, podem ser empresários, isto não está proibido. Agora, o que está proibido é contrariar as normas”, sustentou. 

Seja como for, os filhos da cidadã Francisca Domingos Tomás podem estar a contrariar a norma o que levanta questões que mexem com a lei, mas acima de tudo com a ética, pois a mãe é governadora da mesma província.

“Eticamente isto é correcto? Eu posso dizer que não é correcto, mas ninguém é proibido de realizar uma actividade por ser filho de um cidadão que tem funções de chefia sei lá onde. Agora, está bem? Não está, mas tenho informação de que há uma equipa que foi lá ontem, justamente para perceber melhor”, avançou.

O terrorismo que está a levar a mais uma vaga de deslocamentos massivos da população no distrito de Memba, em Nampula, também mereceu atenção na conferência de imprensa. Paúnde procurou minimizar o impacto ao defender que “houve tempos em que as sedes distritais tinham sido assaltadas, mas hoje no país não temos nenhuma sede que é ocupada pelos terroristas. O que fazem são esses ataques esporádicos. Já se dividiram em pequenos grupos e neste momento que estamos a falar as Forças de Defesa e Segurança estão em perseguição desses terroristas”. 

A resposta armada é até aqui a estratégia do Governo, mas 8 anos depois o problema prevalece, levando a questionar se não é tempo de apostar-se noutras formas de resolução. “Se não têm rosto. O que querem, ninguém sabe. Quem os manda, quem é o chefe. Vamos conversar com quem? Vamos lutando”, sentenciou Filipe Paúnde.

Casos de malária caem em 45% na província de Gaza, entretanto prevalecem sinais de alerta resultantes da onda de desinformação e rejeição às estratégias de combate à doença em seis distritos.

De acordo com dados da Direcção Provincial de Saúde de 2023, até esta parte, a província de Gaza tem alcançado progressos significativos no combate à malária.  

“Houve redução de casos notificados no ano de 2023 para o ano de 2024 em cerca de 80%”.

Em 2025, o cenário evoluiu ainda, aliás,  os casos caíram para 40 320 contra 73 503 casos do ano passado.

Este avanço representa uma redução de quase 45% no número de diagnósticos e um decréscimo acentuado na mortalidade, o que resulta de um conjunto de estratégias integradas de prevenção.

No entanto, apesar dos ganhos, a malária em Gaza é descrita como   endêmica, pois as condições climáticas favorecem a sua transmissão e disseminação, que ocorre ao longo de todo o ano, atingindo o seu pico no período chuvoso nos meses de Dezembro a Abril.

A situação é preocupante em seis distritos, nomeadamente: Chongoene, Limpopo, Bilene, Chókwè, Mandlakazi e Guijá. Autoridades comunitárias denunciam a recusa de famílias às estratégias de prevenção da doença, com destaque para as redes mosquiteiras, bem como pulverização intra-domiciliar.

“As famílias alegam que os produtos usados provocam ratos, baratas. Por isso, os casos de Malárias têm estado a subir na comunidade” disse, um líder comunitário de Guija.

PULVERIZAÇÃO INTRADOMICILIAR NA PREVENÇÃO DE CASOS DE MALÁRIA

Para o efeito está  curso na província de Gaza, a Campanha intradomiciliar que  vai abranger seis distritos.

“Orientada para as comunidades, bairros e localidades onde a incidência da malária é maior e se prevê obter melhores resultados na redução da doença, tanto a nível do distrito bem como da província” disse Margarida Mapandze, governadora de Gaza.

No total, até Janeiro próximo prevê-se uma cobertura de cerca de 148 330 casas.

“Protegendo 468 543 habitantes. Para a execução eficiente destas actividades, foram formados 802 rociadores sendo 515 do sexo feminino e 287 do sexo masculino, selecionados em coordenação com as lideranças locais, garantindo que actuem nas suas próprias comunidades, um factor essencial para a aceitação e eficácia da campanha.”

Uma das barreiras enfrentadas é garantir que as comunidades permitam o acesso dos técnicos às suas casas. Para isso, Margarida Mapandzene apelou que “cada cidadão colabore com as equipas de saúde, abrindo as portas das suas casas aos rociadores e mobilizando as suas comunidades para o sucesso da campanha”. 

Entre as prioridades estabelecidas pelas autoridades de saúde está a expansão das campanhas de pulverização intradomiciliar para áreas que ainda não foram abrangidas. Para isso, serão necessários investimentos adicionais em recursos humanos, materiais e logística. Além disso, pretende-se reforçar as acções de monitorização e avaliação para garantir que os inseticidas utilizados mantenham sua eficácia ao longo do tempo.

As estradas de Inhambane continuam a transformar-se num dos maiores factores de risco para a vida humana. Só este ano, mais de 60 pessoas perderam a vida em acidentes de viação na província, um número considerado “inaceitável” pela Polícia da República de Moçambique, que denuncia comportamentos negligentes e perigosos como as principais causas da tragédia. 

As autoridades voltam a soar o alarme e exigem disciplina, responsabilidade e rigor no cumprimento das normas básicas de circulação, numa província onde, segundo dados oficiais, os sinistros rodoviários já ocupam o terceiro lugar entre as causas de morte — logo a seguir aos suicídios e aos homicídios.

O cenário volta a ganhar força no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, ao longo da EN1, onde uma operação de rotina foi suficiente para expor uma série de irregularidades cometidas por transportadores de passageiros. Em poucos minutos, a Polícia identificou condutores a circular com documentação inadequada, transportes irregulares e incumprimentos graves das normas de segurança, colocando vidas em risco. Um dos casos mais flagrantes foi o de um condutor que realizava transporte público com uma carta incompatível com a actividade. “Verifico que está a conduzir ou a fazer transporte de passageiros sem que tenha carta compatível. Isto por lei é proibido”, alertou o agente de trânsito durante a fiscalização, sublinhando a obrigatoriedade da carta de serviços públicos para todos os que trabalham no transporte de passageiros.

Para perceber melhor a dimensão do problema, a comandante provincial da PRM, Joana Milisse, esteve no terreno a interagir directamente com automobilistas, transportadores e passageiros. A responsável não escondeu a sua preocupação e fez questão de apresentar números que retratam uma província em estado crítico. “A nossa província não está bem. Tivemos 61 acidentes que resultaram em 63 mortes, sem contar com os feridos graves e ligeiros, para além de danos materiais avultados”, explicou, destacando que o excesso de velocidade continua a ser o principal factor por detrás da maioria destes sinistros. A isso juntam-se manobras irregulares, ultrapassagens perigosas e a ausência total de respeito pelas normas mais elementares de trânsito.

Com firmeza, Joana Milisse sublinhou que grande parte destes acidentes poderia ser evitada caso houvesse maior disciplina entre os utilizadores da via pública. Para a comandante, a prevenção depende, acima de tudo, de um comportamento responsável. “Basicamente, a falta de observância das regras de trânsito é o maior problema para a nossa província”, lamentou. E deixou um apelo claro aos cidadãos: denunciar qualquer acto que coloque vidas em perigo. “Qualquer situação anómala, pedimos que denunciem. Nós estamos a trabalhar para resgatar a nossa imagem, para estar junto da comunidade e para melhorar as nossas acções. Quem cometer irregularidades será responsabilizado.”

A PRM reforça que não está sozinha neste esforço. A colaboração da comunidade é vista como essencial para reduzir o número de mortes, sobretudo nos distritos que mais contribuem para esta estatística trágica. Zavala, Massinga e Maxixe, todos localizados ao longo da EN1, continuam a liderar o número de óbitos por acidentes de viação — uma realidade que exige medidas de resposta firmes e imediatas.

Os dados são frios, mas o impacto é profundo: famílias destruídas, crianças órfãs, viúvas e viúvos deixados para trás, vidas interrompidas em segundos por decisões irresponsáveis. Em muitos casos, a negligência ganha forma no volante — motoristas alcoolizados, carros com problemas mecânicos, sobrelotação e ultrapassagens em locais proibidos. Em outros, é a ausência de prudência dos próprios peões, que atravessam estradas movimentadas sem atenção ou à margem dos passeios.

O desafio é gigantesco. As autoridades reconhecem que a resposta não passa apenas por operações esporádicas de fiscalização, mas por uma estratégia integrada que inclua educação cívica, reforço da fiscalização regular, punições mais severas e um esforço colectivo para transformar a cultura de circulação rodoviária na província. O comportamento nas estradas precisa de mudar — e precisa de mudar rapidamente.

Enquanto isso, a PRM promete continuar no terreno, intensificando operações, fiscalizando transportadores e monitorando comportamentos de risco. Para a comandante Milisse, cada vida perdida é um alerta de que o trabalho ainda está longe de terminar. “A prevenção começa em cada um. No respeito pelas regras, na consciência de que a estrada não perdoa erros”, afirmou.

Num ano em que Moçambique procura impulsionar o turismo, dinamizar corredores rodoviários e atrair mais investimentos, a segurança nas estradas ganha ainda maior relevância. Inhambane, uma província que se quer vibrante e segura, luta para inverter uma das suas estatísticas mais duras. E a PRM deixa claro que continuará a combater, com todos os meios ao seu alcance, a indisciplina que rouba vidas e ameaça a mobilidade de milhares de cidadãos.

Um incêndio de grandes proporções atingiu parte das instalações da Cúpula do Clima das Nações Unidas “COP-30”, na tarde desta quinta-feira, em Belém. Apesar do Fogo ter atingido o local dedicado a negociações oficiais, até aqui não há registo de feridos. As causas do incêndio são desconhecidas. 

 O incêndio concentrou-se na zona azul, também chamada de Blue Zone, área reservada para   os negociadores que representam países e ministros.

De acordo com informações avançadas pela imprensa internacional, o incêndio atingiu parte das instalações da Cúpula do Clima das Nações Unidas em Belém, incluindo  lonas e instalações da East African Community.

 Trata-se de um incêndio que acontece depois de, recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) ter enviado uma carta ao governo brasileiro levantando críticas à segurança e infraestrutura da Cúpula do Clima das Nações Unidas. 

A reclamação foi encaminhada após uma tentativa de invasão da área azul, onde ocorrem as negociações climáticas, por manifestantes de um movimento indígena.

 Apesar do Fogo ter atingido o local dedicado a negociações oficiais, não há registo de feridos. 

O país tem apenas seis mil médicos, para responder a mais de 33 milhões de habitantes, dos quais somente 60 são de Medicina Interna. A Ordem dos Médicos diz que o problema está a causar sobrecarga, o que compromete a prestação de serviços de saúde.

A falta de equipamentos e de material médico-cirúrgico nas unidades sanitárias é um problema já conhecido, que limita a prestação dos serviços de saúde, mas que é agravado pela falta de médicos especialistas.

Os poucos que existem queixam-se de sobrecarga.  “Precisamos de meios para poder tratar os pacientes,  meios de diagnóstico a altura e expandir os centros de formação de médicos especialistas. O país tem estado a recorrer aos médicos internacionais. A ideia é adoptar um sistema em que haja auto-suficiência nesta área. Na Ordem dos Médicos, estão inscritos cerca de seis mil médicos, mas, devido à situação financeira, muitos há que não conseguem inscrever-se e colocar em prática, porque estão desempregados”, disse Gilberto Manhiça, bastonário da Ordem dos Médicos de Moçambique.

Uma das áreas afectadas pela falta de médicos é a Medicina Interna. O bastonário da Ordem dos Médicos fala da necessidade de maior investimento na formação especializada.

“Temos falta de médicos de clínica geral,  mas o maior défice é de médicos especialistas. O rácio recomendado pela OMS é de um médico para mil pacientes,  mas nós estamos muito longe disso, o que pode resultar em sobrecarga e desigualdades.”

Gilberto Manhiça falava nesta quinta-feira, na Cidade de Maputo, à margem do I Congresso Nacional de Medicina Interna.  No evento, foram apresentados os principais problemas e possíveis soluções para melhorar a prestação dos serviços de saúde.

“O que pretendemos é unificar a classe médica, porque percebemos que há necessidade de fortalecimento, uma vez que o número de médicos especialistas que temos está aquém das necessidades do país”, disse Clotilde Nhantave, presidente do Congresso de Medicina Interna.

O I Congresso Nacional de Medicina Interna termina nesta sexta-feira.

O Serviço Provincial de Saúde de Nampula (SPS) lançou, recentemente, um alerta à população e aos órgãos de comunicação social sobre o aumento significativo de casos de malária e outras doenças sazonais, à medida que se aproxima ao auge da época chuvosa, período em que se agravam as enfermidades de origem hídrica e o índice de transmissão do paludismo.

Durante uma conferência de imprensa dirigida pelo Chefe do Departamento de Saúde Pública, Samuel Carlos, foram apresentados dados epidemiológicos referentes ao período de Janeiro a Outubro, que revelam um crescimento de 17,6% dos casos de malária. A província registou 2 948 751 casos em 2025, contra 2 507 660 no igual período do ano passado.

Segundo o responsável, este aumento preocupa o sector, sobretudo por ocorrer num momento em que diferentes actores comunitários e institucionais reforçam acções de sensibilização para a prevenção da doença.

Apesar do crescimento da incidência, há um dado encorajador: os óbitos por malária reduziram em 20%, passando de 109 para 87 mortes. A maioria dos óbitos foi registada no Distrito de Nampula, com destaque para o Hospital Central, que recebe os casos mais graves encaminhados de várias unidades sanitárias.

Entretanto, o número de situações de malária severa também aumentou, ultrapassando 21 mil casos. Para as autoridades, este cenário indica atrasos na procura de cuidados de saúde, desconhecimento dos sinais de alarme ou dificuldades de acesso, especialmente em distritos com longas distâncias entre as comunidades e as unidades sanitárias.

Samuel Carlos destacou que muitos doentes chegam tardiamente às unidades de referência, quando já se esgota a margem de intervenção. Por isso, o sector investe na capacitação contínua dos profissionais para melhorar o manejo clínico e reduzir a mortalidade intra-hospitalar.

Para enfrentar o pico sazonal de transmissão, o SPS, segundo a informação publicada nas redes sociais do Hospital Central de Nampula,  já está a intensificar várias intervenções de prevenção, incluindo: distribuição massiva de redes mosquiteiras tratadas com insecticida. 

A entrega está a decorrer em blocos devido a atrasos logísticos, envolvendo inicialmente 12 distritos, e já prossegue desde segunda-feira. 

Outras abordagens de combate ao vector, incluindo acções previstas no quadro da Quimioprevenção da Malária Sazonal (QCM), direccionadas especialmente às zonas com maior incidência.

O distrito de Nampula ficou de fora da fase actual da CCU, mas, segundo o SPS, “irá beneficiar de outras estratégias de prevenção”.

O sector de Saúde em Nampula diz também estar preocupado com a intensificação das chuvas, visto que o risco de doenças de origem hídrica, como diarreias, cólera e infecções gastrointestinais aumenta substancialmente.

As autoridades apelam à população para reforçar práticas de higiene, consumo de água tratada e vigilância comunitária para evitar surtos.

Em termos de cólera, dois distritos têm surto activo: Moma (46 casos cumulativos) e Memba (261 casos cumulativos com 2 óbitos extra-hospitalares).

O Serviço Provincial de Saúde conclui reafirmando o seu compromisso de trabalhar com as comunidades, parceiros e meios de comunicação social para garantir a disseminação de mensagens correctas e promover comportamentos que salvam vidas.

 

O secretário-geral das Nações Unidas alertou os líderes mundiais de que o terrorismo no Sahel “não é apenas uma realidade dramática regional”, mas “uma ameaça global crescente”. Num discurso ao Conselho de Segurança da ONU, António Guterres instou as nações de toda a região a trabalhar em conjunto e a permitir uma acção coordenada contra o terrorismo.

“Corremos o risco de um efeito dominó desastroso em toda a região. Muitos países estão em crise”, disse Guterres. O responsável da ONU mencionou ainda a recente crise de segurança no Mali, onde o grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) tem vindo a interromper o fornecimento de combustível.

A recente decisão do Burkina Faso, Mali e Níger de abandonarem a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) criou novos desafios à cooperação regional. “Infelizmente, a situação na nossa região é caracterizada pela desconfiança e pelo elevado nível de suspeição entre as partes interessadas”, afirmou o presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray.

“Infelizmente, a situação na nossa região é caracterizada pela desconfiança e pelo elevado nível de suspeição entre as partes interessadas”, afirmou o presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray. Apelou aos membros do Conselho de Segurança para que ajudassem a região a “construir confiança. Nenhuma quantidade de dinheiro, nenhum equipamento nos ajudará a vencer o terrorismo se não colaborarmos e criarmos sinergia”, acrescentou.

O distrito de Cahora Bassa em Tete terá, nos próximos seis meses, um Hospital Distrital, cuja primeira pedra para a sua construção foi lançada esta quarta-feira. A unidade sanitária a ser construída na Vila de Chitima é da iniciativa da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB). 

As populações dos distritos de Marara, Magoe, Marávia e Changara, em Tete, vivem há vários anos uma realidade marcada pela distância no acesso a serviços de saúde de referência, isso porque os Centros de Saúde encontram-se distantes de unidades sanitárias de referência. Para realizar exames básicos como Raio-X, muitos pacientes ainda recorrem ao Hospital Rural de Songo.

A primeira pedra lançada para a construção do Hospital Distrital de Cahora Bassa, feita no âmbito da celebração dos 50 anos da HCB,  representa para a população local o fim de um martírio que obrigava pacientes em estado grave, especialmente do Centro de Saúde de Chitima, a percorrer cerca de 25 quilómetros até Songo, em busca de cuidados médicos adequados.

Segundo o Presidente do Conselho de Administração da HCB, Tomas Matola, o novo hospital contará com capacidade para cerca de 65 camas e oferecerá serviços essenciais, incluindo consultas externas, bloco operatório, maternidade, enfermarias, morgue, lavanderia e uma casa mãe-espera. 

“Representa um investimento da HCB de 446 milhões de meticais. Este valor corresponde a um investimento de chave na mão, ou seja, para além de investimentos na infraestrutura, o hospital terá equipamento hospitalar, equipamento informático e tudo mobiliário,  o que significa que no dia da inauguração, o hospital estará em condições de começar a operar”, sublinhou o PCA da HCB. 

A localização foi escolhida de forma estratégica para responder às necessidades de quatro distritos circunvizinhos, reforçando o Sistema Nacional de Saúde.

A cerimónia foi dirigida pelo Ministro da Saúde, Ussen Isse, que, na ocasião, referiu ser este um avanço nas melhorias de saúde para a população. 

Conforme disse o ministro, a iniciativa chega também como resposta às situações de urgência que antes não podiam ser resolvidas localmente, para o caso de doenças que não permitem transferência e devem ser resolvidas imediatamente. 

“Estamos aqui hoje a construir um hospital para dar esta resposta e salvar as nossas mulheres, as nossas crianças e demais pacientes aqui em Chitima e não só”, destacou Ussen Isse . 

Além da melhoria no acesso à saúde, a população local vê no novo hospital uma oportunidade para combater o desemprego, com a criação de postos de trabalho directos e indirectos durante a construção. 

As obras terão duração de seis meses e exigiu-se do empreiteiro rigor e qualidade e cumprimento dos prazos. 

Com esta nova unidade sanitária, a província de Tete passará a contar com 166 unidades de saúde, ampliando a rede de atendimento e aproximando os serviços das comunidades que mais precisam.

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