O Presidente da Repúblida, Daniel Chapo, anunciou que a União Europeia vai comparticipar no financiamento da missão do Ruanda no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
O Chefe do Estado explicou que “as operações das forças ruandesas serão custeadas pelos fundos públicos e provenientes da própria União Europeia, como tem sempre sido feito, tanto para o Ruanda como para as nossas próprias Forças de Segurança, através do treinamento”, explica Daniel Chapo.
O Chefe do Estado recordou que a União Europeia não dá apoio em material bélico e garantiu que, neste momento, estão em curso negociações para a continuidade dos acordos.
Além busca de soluções do terrorismo por via armada, Daniel Chapo comprometeu-se, igualmente, a mobilizar fundos para a reconstrução de Cabo Delgado, uma província com várias infra-eatruturas destruídas.
Na conferência de imprensa, o Presidente da República voltou a prometer usar todos os meios ao seu alcance para evitar que a guerra comprometa os planos de desenvolvimento do País.
“O Governo mantém todas as vias abertas para alcançar a estabilidade, incluindo a possibilidade de conversações”, garantiu o Chefe do Estado.
“E muito difícil prever quando é que o terrorismo vai terminar. Por isso é que nós dissemos que estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance, incluindo a possibilidade do diálogo para terminar com o terrorismo. O que nós gostaríamos era que terminasse, e o término, portanto, vai-nos permitir estar em paz, e a paz é a condição fundamental para o desenvolvimento”, enfatizou o Chefe de Estado.
Os empresários indianos mostram-se dispostos a investir em Moçambique nas áreas de energia, indústria farmacêutica e exploração de gás, com um volume de negócios estimado em cerca de 10 mil milhões de dólares. A intenção foi manifestada nesta terça-feira, durante o Fórum de Negócios entre os dois países, que teve lugar em Maputo.
Com uma relação de cooperação bilateral que remonta à conquista da Independência Nacional, Moçambique e a Índia continuam a evidenciar fortes ambições enquanto parceiros económicos. A indústria farmacêutica, a agricultura e o fornecimento de serviços em projectos de exploração de gás são, segundo o secretário de Estado do Comércio, áreas apetecíveis que podem unir empresários indianos e moçambicanos.
“Moçambique tem cerca de 35 milhões de hectares férteis, sendo um dos poucos países em África e no mundo com esta quantidade de terras cultiváveis. Os nossos índices de produção ainda são extremamente baixos. Moçambique é, como disse o senhor embaixador, um dos grandes exportadores de pó de dhal para a Índia, mas tem capacidade para triplicar esse volume. Também exporta muita castanha, muito gergelim e alguns feijões, mas o potencial é enormíssimo. Convidamos as empresas indianas a virem, de preferência em parceria com os moçambicanos, que é o que também pretendemos, para podermos explorar esse potencial agrícola — não só para transformar Moçambique num dos maiores exportadores de produtos, mas também para alcançarmos a auto-suficiência alimentar”, afirmou António do Rosário Grispos, secretário de Estado do Comércio.
O Fórum de Negócios Índia–Moçambique, realizado nesta terça-feira, em Maputo, abriu espaço para a apresentação de oportunidades de investimento entre as partes. A CTA considera que o volume de negócios entre os dois países pode ser significativamente alargado.
Segundo Álvaro Massingue, presidente da CTA, “é hora de elevar esta parceria para um novo patamar. Existe uma complementaridade natural entre duas economias dinâmicas. Moçambique dispõe de 36 milhões de hectares de terras aráveis, recursos hídricos abundantes e uma das costas mais extensas da África Austral. A Índia traz tecnologia agrícola acessível, sistemas modernos de irrigação e experiência consolidada em agro-processamento.”
O Conselho Empresarial da Índia aponta para as indústrias de energia, farmacêutica, exploração mineira e agricultura como as áreas que despertam maior interesse.
“Acredito que existem oportunidades imediatas, a médio e longo prazo em Moçambique, especialmente no sector da saúde. E a saúde é um tema muito amplo: inclui hospitalidade, diagnósticos e indústria farmacêutica — há muito por desenvolver. Depois, há a agricultura, começando pela pesca, que envolve toda a cadeia agrícola e a rede de fornecimento: sementes, tecnologia de sementes resistentes a doenças e que requerem menos água. Há muito desenvolvimento técnico a acontecer nesse domínio”, explicou Shivank Goael, presidente do Conselho Empresarial da Índia.
Em 2024, o comércio bilateral entre Moçambique e a Índia ultrapassou os 800 milhões de dólares, impulsionado, sobretudo, pela exportação de produtos agrícolas e de bens de capital.
Num contexto em que os ataques armados em Memba continuam a provocar deslocados, muitos são os apoios que começaram a chegar, como forma de amenizar o sofrimento dessas famílias que perderam quase tudo.
Nesta semana, uma comitiva da Assembleia da República, chefiada pela respectiva presidente, juntou-se a outras organizações da província, casos do partido Frelimo, da Nacala Logistics e da Associação Mahometana “Seita-Sunni”, que aderiram à campanha “14 milhões de braços por Memba”.
Margarida Talapa estava acompanhada pelos chefes das 4 Bancadas representadas na Assembleia da República, nomeadamente a FRELIMO, PODEMOS, RENAMO e MDM, quendo procedeu, esta terça-feira, em Alua-Sede, Distrito de Eráti à entrega simbólica, ao Governo da Província de Nampula, de 60 toneladas de produtos alimentares e de higiene diversos, destinados a suprir as necessidades das famílias, vítimas de terrorismo em Memba.
Ao proceder à entrega do donativo composto por víveres, produtos de higiene e de limpeza, a Presidente da Assembleia da República expressou, em nome dos 250 deputados, sentimento de pesar e solidariedade para com as famílias enlutadas e manifestou desejo de ver recuperados os que contraíram ferimentos.
“Perante a situação, a Assembleia da República mobilizou diversos produtos alimentares e de higiene para as famílias afectadas, vítima de terrorismo em Memba, sei que não vai chegar mas dá para dois dias no total são 60 toneldas outros produtos entregamos ao Governador para fazer chegar outras famílias que estão noutros Distritos da Província. Pedimos a todos a orar para que isto termine defitivamente”, disse a Presidente da Casa do Povo que encoraja o governo a continuar a dar assistência às populações e a reconstruir as infra-estruturas destruídas.
O Governador da província de Nampula, Eduardo Abdula foi quem recebeu o donativo tendo, na ocasião, expressado a sua gratidão pelo gesto solidário e de amor ao povo, demostrado pelos parlamentares moçambicanos.
“Nampula agradece. Não tenho palavras para agradecer este nobre gesto que hoje se sente mais amparado e forte. Este gesto trás alento e protecção, mas acima de tudo traz esperança”, disse o Governador.
Eduardo Abdula garantiu que as famílias deslocadas que se encontram no Posto Administrativo de Alua-Sede, provenientes do Distrito de Memba, irão regressar para as suas zonas de origem com segurança.
“Eu garanto que irei a Memba para verificar a segurança porque os terroristas já foram abatidos, tenho imagens e as nossas Forças de Defesa e Segurança estão no terreno a trabalhar afincadamente por isso, não vou dizer a hora e nem o dia mas estejam firme de que dentro em breve irão regressar lá em Memba, e esta comida que ficou eu irei vos entregar lá em Memba se é para morrer serei eu primeiro não tenho medo de morrer”, garantiu.
Ainda esta semana o partido Frelimo em Nampula deixou o seu apoio e coube a Gilberto Francisco, primeiro-secretário do Comité Provincial do Partido Frelimo, fazer a entrega simbólica das 2,5 toneladas de produtos diversos ao governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, para apoiar as vítimas de ataques terroristas em Memba.
Na ocasião, Gilberto Francisco disse que foi acompanhando o sofrimento de deslocados de Memba que quase estão em todos os distritos da província, que o partido lançou o apelo, durante o balanço das brigadas provinciais de assistência aos distritos, no âmbito da réplica de lançamento da 11.ª Conferência Nacional de Quadros, de onde saiu a contribuição.
Num outro desenvolvimento, Gilberto Francisco referiu que o partido Frelimo na província de Nampula irá continuar com este movimento de solidariedade, apelando igualmente a todos, independemente da sua filiação partidária, para se juntarem a esta causa de modo a apoiar os deslocados, exortando à solidariedade interna.
Já a empresa Nacala Logistics juntou-se à campanha com 25 toneladas de diversos produtos de primeira necessidade e tornando-se o maior doador da campanha solidária, para apoiar as famílias deslocadas que se encontram no Posto Administrativo de Alua-Sede, distrito de Eráti, vítimas de terrorismo em Memba.
Na ocasião, B.P Awasthi, director-operacional-executivo da Nacala Logistics, que procedeu à entrega ao governador de Nampula, disse que a empresa trabalha para Moçambique e com Moçambique, destacando que a mesma está comprometida em apoiar comunidades sempre que enfrentam crises.
Awasthi destacou que, havendo uma comunidade em perigo, a empresa faz o seu melhor para ajudar, pois segundo disse, “o governador de Nampula tem mostrado uma energia extraordinária, trabalha 24 horas por dia e estamos aqui para caminhar ao seu lado”.
Por seu turno, a Associação Mahometana “Seita-Sunni”, em Nampula, procedeu à entrega de 14 toneladas de diversos produtos da primeira necessidade, dentre eles farinha de milho, farinha de trigo, arroz, óleo, bolachas, açúcar e material de higiene, para apoiar as famílias deslocadas que se encontram no Posto Administrativo de Alua-Sede, distrito de Eráti.
Na ocasião, Abdul Kader Nasser, presidente da Associação Mahometana “Seita-Sunni” de Nampula, disse que a instituição acompanha de perto a crise humanitária em Memba e reafirmou o compromisso de assistência contínua, pois “estamos a envidar todos os esforços para responder a esta emergência, seguindo os princípios do Islão, compaixão e misericórdia. Isto não termina aqui”.
Abdul Nasser destacou que o apoio é um gesto de amor, fé e compaixão, referindo que ainda nesta semana terá mais apoio vindo da mesma associação para as famílias deslocadas de Memba, visto que o número de deslocados continua a aumentar. “Em menos tempo, o número de deslocados disparou de 30 mil para 50 mil pessoas, onde se destacam mais de 33 111 crianças, e a Associação Mahometana não irá abandonar ninguém neste momento de tristeza e de aflição”, disse.
O Sporting de Portugal, equipa onde milita o moçambicano Geny Catamo, defronta, nesta quarta-feira, o Club Brugge, em partida da quinta jornada da fase da liga da Liga dos Campeões europeus. Os “leões” procuram regressar às vitórias depois do empate da última jornada, diante da Juventus, antes de voltar a encontrar mais um colosso, na próxima jornada, o Bayern, em Munique. Já Bruno Langa recebe em sua casa o Mónaco, procurando mais uma vitória na prova.
O dia reserva nove jogos da quinta jornada da fase da liga da Liga dos Campeões europeus, com destaque para o Sporting de Portugal, que defronta o Club Brugge, da Bélgica, mas também para o sensacional Arsenal vs Bayern, PSG vs Tottenham e Atlético de Madrid vs Inter de Milão.
A UEFA.com faz uma análise do que pode ser cada um dos jogos desta jornada, nesta quarta-feira.
Sporting CP vs. Club Brugge
O único encontro entre Sporting CP e Club Brugge em competições da UEFA ocorreu na Jornada 6 da Champions League da época passada, com a equipa belga a vencer por 2-1 em casa.
O Sporting CP está invicto nos quatro jogos caseiros frente a equipas belgas, onde venceu três e empatou um. A equipa portuguesa perdeu apenas dois dos últimos 11 jogos caseiros em competições da UEFA, tendo somado também seis vitórias e três empates.
Geovany Quenda (18 anos e 210 dias) pode tornar-se no jogador português mais jovem a completar 15 jogos na Champions League caso participe neste jogo, superando o recorde de Rúben Neves (19 anos e 269 dias).
O Club Brugge venceu apenas dois dos sete jogos disputados fora contra equipas lusas, dos quais sofreu cinco derrotas.
A equipa belga marcou três golos ou mais em cinco dos últimos sete jogos nas provas da UEFA.
Uma vitória leonina ajuda a garantir lugares ambiciosos para disputar a próxima fase, sem precisar ir ao play-off, ou pelo menos estar nos lugares do play-off, mas como cabeça-de-série.
Pafos vs. Monaco
Bruno Langa ainda não conseguiu vincar no Pafos e tem estado a ser opção em alguns jogos, principalmente para defender um resultado que seja positivo, tal como aconteceu na última jornada, em que venceu o Villarreal à tangente e foi chamado nos últimos minutos.
Este é o primeiro duelo de cada equipa diante de um adversário do país do opositor nesta ronda e o Pafos vai tentar ser a primeira equipa cipriota a vencer jogos consecutivos na prova enquanto o Monaco ambiciona prolongar a recente série de invencibilidade.
O Pafos não sofreu golos em seis dos últimos nove jogos enquanto o Monaco tenta manter a baliza a zeros pela terceira vez seguida, algo que não consegue desde a fase de grupos da prova em 2014/15.
Espera-se que Bruno Langa volte a ser chamado para ajudar a equipa a alcançar um resultado positivo na prova.
Copenhagen vs. Kairat Almaty
Este é o primeiro jogo entre ambos e o primeiro duelo do Copenhagen frente a adversários cazaques.
O Copenhagen venceu apenas dois dos últimos 16 jogos na fase de grupos/fase de liga da Champions League e soma três derrotas seguidas. Já os únicos duelos do Kairat Almaty frente a dinamarqueses foram com o Esbjerg, não ganhando nenhum deles e perdendo na Dinamarca.
Arsenal vs. Bayern München
O Arsenal não venceu nos últimos cinco jogos frente ao Bayern, tendo empatado um e perdido quatro e além disso soma apenas duas vitórias em nove jogos frente a equipas alemãs, para além de um empate e seis derrotas.
No entanto, venceu os últimos oito jogos na fase de liga e os últimos 15 em casa se contabilizarmos fase de grupos e fase de liga, sendo que os últimos 12 nessa qualidade foram sempre sem golos sofridos.
Já o Bayern perdeu apenas dois dos últimos 12 jogos frente a equipas inglesas, somando ainda oito vitórias e dois empates e apenas foi derrotado três vezes nos últimos 52 jogos na fase de grupos/fase de liga da Champions League.
O inglês Harry Kane marcou 15 golos em 21 jogos frente ao Arsenal, sendo que o mais recente já foi conseguido ao serviço dos bávaros, na primeira mão dos quartos-de-final da Champions League 2023/24.
Atlético de Madrid vs. Inter
Este será o quarto confronto entre ambos. O mais recente aconteceu nos oitavos-de-final da competição em 2023/24, com os espanhóis a levarem a melhor.
O Atlético venceu oito dos últimos dez jogos caseiros frente a equipas italianas e triunfou em 11 dos últimos 12 na Champions League em geral, mas o Inter perdeu apenas um dos últimos oito frente a adversários espanhóis, número que passa para um em 18 no que toca a jogos em fase de grupos/fase de liga da Champions League.
Frankfurt vs. Atalanta
Este será o primeiro jogo entre Frankfurt e Atalanta. Os alemães não vencem há quatro jogos frente a italianos, sempre sem marcar, somando um empate e três derrotas, e os transalpinos perderam apenas dois dos últimos dez frente a germânicos, onde também alcançaram cinco vitórias e três empates.
A Atalanta busca a terceira vitória seguida sobre italianos, tendo ganho um em cada uma das últimas duas campanhas europeias.
Liverpool vs. PSV Eindhoven
O Liverpool venceu cinco dos últimos sete jogos diante do PSV, empatou um e perdeu outro, incluindo os três realizados em Anfield. No entanto, o PSV venceu o mais recente, nos Países Baixos, na fase de liga da época passada nesta prova.
O Liverpool está a apenas um golo dos 500 na Taça dos Campeões Europeus/Champions League e não perdeu nos últimos nove jogos caseiros frente a adversários neerlandeses, tendo somado sete vitórias e dois empates.
A formação de Eindhoven perdeu apenas três dos últimos 17 jogos na fase de grupos/fase de liga da Champions League mas venceu apenas um dos últimos 14 em Inglaterra, tendo somado cinco empates e oito derrotas.
Olympiacos vs. Real Madrid
Esta será a nona vez que se defrontam, com o Olympiacos a somar apenas uma vitória, há quase 20 anos, ainda que não tenha perdido em quatro encontros realizados na Grécia, onde venceu um e empatou três.
Os helénicos perderam apenas dois dos últimos 16 jogos caseiros frente a espanhóis e atravessam uma série invicta de nove em casa, ao passo que os Merengues não vencem há sete jogos na Grécia, onde de facto nunca triunfaram, num total de nove jogos.
Nesses jogos, o Real Madrid teve três empates e sete derrotas e procura reverter o cenário neste jogo.
Paris Saint-Germain vs. Tottenham
É a reedição da Supertaça Europeia de 2025, num jogo em que os ingleses estiveram a vencer, mas os parisienses acabaram por dar a volta para vencerem o troféu e juntarem ao título de campeão europeu da Liga dos Campeões.
O Paris perdeu apenas dois dos últimos 18 jogos frente a equipas inglesas, enquanto o Tottenham não perdeu nos três últimos desafios ante equipas gaulesas na Champions League propriamente dita, somando duas vitórias e um empate.
A primeira pedra lançada em Jangamo marca o início de um plano nacional ambicioso que pretende combater a superlotação, modernizar infra-estruturas, reforçar a reinserção social e introduzir tecnologia de monitorização para descongestionar as cadeias. A reforma penitenciária põe dignidade, segurança e humanização no centro da estratégia do Estado.
O terreno ainda vazio no distrito de Jangamo, na província de Inhambane, transformou-se, nesta semana, num palco simbólico para o início de uma das reformas estruturais mais ambiciosas do sistema penitenciário moçambicano. Ali, perante dirigentes locais, quadros do sector da justiça, representantes das comunidades e dezenas de curiosos atraídos pela cerimónia, o Governo lançou a primeira pedra da nova penitenciária distrital, um acto que marca o arranque oficial do plano que prevê a construção de 13 estabelecimentos prisionais em todo o país durante o quinquénio 2025–2029.
O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saíze, que dirigiu a cerimónia, explicou que a iniciativa não é apenas uma obra pública, mas um esforço deliberado para transformar a realidade prisional nacional, marcada há décadas por superlotação e infra-estruturas degradadas. Segundo revelou, Moçambique dispõe actualmente de cerca de oito mil camas, mas aloja entre dezoito e vinte mil reclusos, um número que mais do que duplica a capacidade instalada. É uma situação que, nas palavras do governante, “compromete o propósito da pena”, dificulta a reinserção social e representa um risco constante para a dignidade humana, para a saúde pública e para a segurança.
A construção das novas unidades penitenciárias representa, por isso, uma tentativa de reequilibrar o sistema e de oferecer condições que permitam uma gestão mais segura, mais humana e mais orientada para a reintegração. O plano inclui dez penitenciárias distritais e três regionais. Estas últimas, localizadas no Norte, Centro e Sul, serão edificadas com modelos mais completos, capazes de albergar reclusos com diferentes perfis de perigosidade e equipadas com espaços destinados à formação profissional, actividades produtivas e programas de reinserção.
Em Jangamo, onde foi realizado o primeiro lançamento, a futura penitenciária terá capacidade para 250 reclusos, um número superior à população prisional actualmente existente no distrito. Esta margem permitirá descongestionar a cadeia provincial e oferecer condições mais adequadas de separação e gestão dos reclusos. Para o ministro, este investimento tem como missão central “garantir que a finalidade da pena seja a reeducação e não a punição em condições degradantes”.
O governante insistiu que a construção das novas penitenciárias deverá ser acompanhada por uma mudança profunda na forma como se encara o dia-a-dia da reclusão. As novas unidades terão zonas agrícolas capazes de produzir alimentos e de formar reclusos em técnicas agropecuárias. A meta é permitir que, quando saírem, tenham, não apenas novas capacidades, mas também um maior sentido de autonomia e reinserção. Na visão do Ministério, o trabalho produtivo não é apenas uma forma de ocupação, mas um instrumento para reconstruir a auto-estima e preparar o retorno ao convívio social.
Durante a cerimónia, o ministro abordou igualmente a necessidade de reforçar a aplicação de penas alternativas à prisão, como forma de reduzir a superlotação. Recordou que a legislação já prevê estas medidas e que “a privação de liberdade deve ser sempre a última opção”. Sublinhou ainda que tem havido diálogo com os tribunais, mas admitiu que o número de sentenças alternativas ainda está aquém do desejável, razão pela qual este continuará a ser um pilar da estratégia de descongestionamento.
Um dos elementos mais inovadores apresentados no discurso do ministro foi o projecto das pulseiras electrónicas, cuja fase piloto deverá iniciar-se na primeira quinzena de Dezembro, na Cidade de Maputo. O equipamento, usado no tornozelo ou no braço, permitirá monitorizar reclusos que cumpram penas ou medidas de controlo fora das cadeias, reduzindo a necessidade de internamento físico e desafogando o sistema. Saíze explicou que o projecto nasce num contexto de limitações orçamentais, tanto do Estado como dos parceiros, mas garantiu que já há fornecedor seleccionado e que o Governo está “totalmente empenhado em fazer deste um piloto funcional”. O sucesso do programa, afirmou, poderá permitir a sua expansão para outras províncias no próximo ano.
A apresentação do plano nacional ocorreu num momento em que o sector ainda lida com as consequências das evasões de Dezembro de 2024. O ministro reconheceu que o país continua a procurar reclusos que fugiram durante aqueles episódios. Explicou que alguns foram recapturados, outros surgiram sem vida, e que as buscas continuam activas. No entanto, afirmou que “mais de 50% dos evadidos já foram recuperados”, num esforço que descreveu como complexo, mas contínuo.
A escolha de Jangamo como ponto de partida para este novo ciclo não foi apenas simbólica. Segundo Saíze, existe a possibilidade de, no futuro, a nova penitenciária assumir uma função ainda maior. O governante afirmou que, mediante avaliação técnica, o estabelecimento poderá ser elevado à categoria de penitenciária provincial, permitindo que a actual cadeia da cidade de Inhambane seja transformada numa unidade reservada a reclusos de alta perigosidade. Seria, nas suas palavras, “um redesenho prudente” da estrutura penitenciária da província, capaz de melhorar o controlo, a segurança e as condições de alojamento.
Ao longo da cerimónia, os discursos e intervenções revelaram o que está em causa nesta reforma: não se trata apenas de construir muros e erguer edifícios, mas de reconfigurar a forma como o país trata a privação de liberdade. O Governo procura alinhar Moçambique com padrões internacionais de direitos humanos, reduzir tensões internas, melhorar a gestão dos reclusos e criar condições para que a prisão deixe de ser um ciclo de retorno e passe a ser um processo de reconstrução.
A comunidade local acompanhou atentamente o acto, consciente de que a nova penitenciária mudará também a dinâmica social do distrito. Para alguns residentes, o estabelecimento poderá criar oportunidades de emprego, dinamizar serviços como transporte, comércio e fornecimento de bens, e reforçar a presença do Estado na região. Para outros, é um sinal de que Jangamo está a ganhar maior visibilidade nos planos nacionais.
No final da cerimónia, o ministro reforçou que este lançamento é apenas o início. “Estamos a construir o futuro do sistema prisional, um futuro com mais dignidade, mais segurança e mais humanidade”, afirmou, numa mensagem que sintetizou a visão do Executivo para os próximos anos. A obra de Jangamo deverá durar vários meses e será acompanhada de fiscalizações regulares, tanto a nível provincial como central.
Enquanto isso, o país prepara-se para ver erguer-se as restantes penitenciárias previstas no plano. A prioridade será dada a distritos que têm tribunais, mas não têm unidades penitenciárias, reduzindo a circulação forçada de reclusos e aumentando a eficiência na administração da justiça. As três unidades regionais, quando concluídas, deverão tornar-se referências nacionais em termos de capacidade, separação por categorias, segurança e programas de reabilitação.
Se o plano for executado dentro dos prazos estabelecidos, Moçambique poderá assistir a uma transformação profunda do seu sistema prisional, reduzindo significativamente a sobrelotação e aproximando-se de um modelo mais funcional e mais humano. A pedra lançada em Jangamo é, por isso, mais do que um gesto simbólico: é o início de um ciclo que poderá definir o sistema penitenciário para as próximas décadas.
O auditório da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane acolhe, na sexta-feira, 28 de novembro, a 1.ª edição do projeto cultural “Conversa Musicada”, uma iniciativa da Agência Criativa Vírgula em parceria com a ECA/UEM. O evento, de entrada gratuita, integra conversas, partilhas artísticas e uma apresentação musical que celebra a criatividade moçambicana e aproxima o público das narrativas locais.
A sessão tem como convidado central o músico e escritor Elcides Carlos, que partilhará episódios da sua vida, percurso profissional e experiências artísticas, especialmente aqueles que marcaram a construção da sua obra, incluindo o seu primeiro álbum Sense of Presence e o livro A mente de um grande guitarrista-um guia de motivação artística.
A conversa será moderada pelo músico Xavier Machiana, numa troca descontraída sobre liberdade, criação, identidade artística e cidadania. A noite contará ainda com a participação especial da banda Eca-Yanga Collective, que acompanhará o musico e escritor Elcides Carlos e levará ao palco uma performance musical inédita especialmente preparada para esta edição.
O projecto “Conversa Musicada” tem como objectivo valorizar a produção literária e musical moçambicana, promovendo o intercâmbio entre autores, artistas e público, e ampliando o acesso à música e à criação regional. A programação inclui rodas de conversa, lançamentos, sessões de autógrafos, contação de histórias, sarau e apresentações musicais, num ambiente de diálogo e celebração das expressões culturais.
Mais do que um encontro artístico, a iniciativa pretende criar um espaço de reflexão sobre a importância da arte como prática de liberdade e como ferramenta de construção. Será uma noite que une palavra, música e pensamento crítico, convidando o público a experimentar novas formas de escuta e partilha.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes, variando entre 30 e 50 milímetros em 24 horas, podendo, localmente, atingir quantidades superiores a 50 milímetros no mesmo período. As previsões incluem ainda trovoadas acompanhadas de ventos com rajadas, afectando várias regiões do centro do país.
As áreas de maior risco localizam-se na província de Manica, sobretudo nos distritos de Machaze, Mossurize, Sussundenga, Macate, Manica, Bàrue, Vanduzi, Macossa, e nas cidades de Gondola e Chimoio.
Na província de Sofala, o alerta abrange os distritos de Machanga, Chibabava, Buzi, Nhamatanda e Gorongosa, além das cidades de Dondo e Beira.
O INAM recomenda atenção redobrada nestas zonas durante o período de ocorrência das condições atmosféricas adversas.
O Parque Nacional de Chimanimani é rico em biodiversidade, mas começa a ser ameaçado pelo crescimento populacional. Várias reacções humanas têm colocado em risco a diversidade biológica, razão pela qual o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique concentra, agora, esforços na busca de soluções, numa primeira fase voltadas para a preservação de plantas medicinais.
A informação foi avançada pelo representante do IIAM, que disse que o trabalho, neste momento, é mapear onde essas espécies estão, em que quantidade existem, o que efectivamente essas espécies ajudam a resolver ao nível das comunidades.
“O que nós constatamos é que são aproximadamente 100 espécies que foram identificadas, espécies medicinais”, disse.
A administração do Parque Nacional de Chimanimani vê a iniciativa como um verdadeiro balão de oxigénio para a população das 13 comunidades da zona-tampão, que tradicionalmente recorre a plantas nativas para o tratamento de várias doenças.
“Este processo de plantas medicinais na paisagem de Chimanimani é muito crucial, olhando para as dificuldades de acesso desta população aos serviços de saúde”, disse.
As comunidades locais saúdam o gesto e já iniciaram acções para replicar a iniciativa. “Todos os medicamentos que estão na minha zona estão cheios. Há outros que não estão na zona, então, é preciso sair para procurar noutras zonas, para poder trazer na nossa zona”, disse um dos residentes.
Outro dos residentes pediu para que se presta mais atenção na situação actual para que não prejudique o futuro das populações locais, incluindo a população animal.
“Temos que prestar muita atenção, porque futuramente se poderá transformar em deserto caso não mudemos as estratégias de exploração do potencial medicinal que lá existe”, pediu.
Numa primeira fase, o projecto de restauração de plantas medicinais levado a cabo pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária de Moçambique beneficia as comunidades de Tsetsera, Nahed e Moribane.
Um menor e uma jovem morreram no distrito de Nhamatanda, em Sofala, vítimas de descargas atmosféricas em ocasiões diferentes, durante o mau tempo que se fez sentir ao longo da semana passada em algumas regiões daquela província do Centro do país.
O mau tempo que assolou a província de Sofala na semana finda, caracterizado por chuvas, particularmente na cidade da Beira e nos distritos de Muanza, Búzi e Nhamatanda, matou duas pessoas depois de serem atingidas por descargas atmosféricas.
A informação foi avançada pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.
“Indo concretamente àquilo que seria em termos de impacto, infelizmente, tivemos uma situação de dois óbitos em Nhamatanda, ocorridos no dia 18, no distrito de Nhamatanda, onde duas pessoas, um menor de 14 anos e uma jovem de 23 anos, foram colididos com descargas atmosféricas, derivado a este fenómeno, que fomos avisando que teria situação de chuvas fortes, acompanhadas de trovoada. Infelizmente, no distrito de Nhamatanda, ocorreram estes dois óbitos que, por sua vez, já se fez a intervenção nas famílias”, disse Aristides Armando.
As vítimas, do mesmo bairro, encontravam-se ao relento. Aristides Armando fala de como evitar ser vítima destas descargas atmosféricas. “Quando se trata de descargas atmosféricas, o mais sensato é ficar dentro de casa, evitar estar em espaços abertos, evitar estar do lado das árvores, porque esses são canais condutores de electricidade”, disse, apontando ainda que, “quando há essas situações, temos de estar em casa, manter as portas fechadas, evitar usar materiais electrónicos”.
O processo de monitorização ao nível dos distritos afectados por mau tempo continua, segundo deu a conhecer o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.
“Já fizemos os pré-posicionamentos, principalmente para os distritos mais críticos. Falo do caso do distrito de Muanza, distrito de Cheringoma, distrito de Marromeu. Neste momento, está-se a fazer o pré-posicionamento para os outros distritos, para garantir que esses, por sua vez, tenham capacidade de resposta face àquilo que seria a presente época chuvosa e ciclónica”, disse Aristides Armando.
Contudo a quantidade de chuvas que vem caindo na província de Sofala há cerca de uma semana, de acordo com o INGD, é muito boa para a prática agrícola e as famílias camponesas foram exortadas a cultivar a terra nesta primeira época.
Sofala quer implantar projecto de mapeamento de riscos de inundações
Na comunicação com a imprensa, o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala, Aristides Armando, informou que a província está a aprimorar as suas capacidades de prevenção de riscos, pois está envolvida num projecto de tecnologia para simulação de mapeamento de riscos de inundações.
Com a iniciativa, Sofala passará a estar dotado de estratégias de análises dos mapas de riscos, para melhor ter capacidades de responder aos diferentes impactos ligados às mudanças climáticas e evitar danos elevados, sobretudo de vidas humanas.
“Neste momento, estamos a treinar os pontos focais, a nível da província de Sofala, para encontrar melhor técnica de resposta aos desastres, porque esses têm sido nossos desafios”, anotou Aristides Armando, delegado do INGD em Sofala.
A implementação da iniciativa conta com o apoio de uma organização belga e é financiada pelas Nações Unidas, com o fundo para o clima.
A presidente da Comissão Europeia reafirmou, nesta segunda-feira, o apoio europeu à Ucrânia, defendendo que a soberania e a integridade territorial do país “têm de ser mantidas” e que está em causa a segurança da Europa. Já o presidente do Conselho europeu, António Costa, anunciou progressos significativos nas negociações de paz para a Ucrânia. As decisões como sanções, alargamento e congelamento de activos devem passar pela União Europeia.
Ursula von der Leyen falava numa curta declaração aos jornalistas em Luanda, após um encontro informal dos líderes europeus convocado por António Costa, à margem da 7.ª Cimeira União Africana-União Europeia.
A responsável europeia afirmou que, apesar dos avanços registados em Genebra, “há ainda trabalho a fazer” para alcançar uma “paz justa e duradoura”, mas destacou existirem agora “bases sólidas para seguir em frente”, escreve o Notícias ao Minuto.
“Temos de continuar unidos e manter o melhor interesse da Ucrânia no centro dos nossos esforços”, sublinhou Ursula von der Leyen, sublinhando que se trata da segurança do continente “agora e no futuro”.
O encontro em Luanda “reafirmou a unidade do apoio europeu à Ucrânia”, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia insistiu que “a soberania e a integridade da Ucrânia têm de ser respeitadas”, frisando que “só a Ucrânia, como país soberano, pode tomar decisões relativas às suas Forças Armadas e ao seu futuro”.
Von der Leyen apelou também ao regresso das crianças ucranianas desaparecidas ou raptadas durante a guerra. “Todas elas devem voltar para casa. Fiquei satisfeita por ver este tema abordado pelos líderes”, afirmou.
Antes da reunião informal dos 27 sobre o plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, António Costa referiu na rede social X ter conversado com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “sobre os esforços de paz na Ucrânia, para obter a sua avaliação da situação”.
No arranque do encontro informal, em Luanda e também por videoconferência, o presidente do Conselho Europeu destacou que “uma posição unida e coordenada da União Europeia é fundamental para garantir um bom resultado das negociações de paz, para a Ucrânia e para a Europa”.
O plano de 28 pontos elaborado pelo Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, é visto com grande preocupação em Kiev, por incluir exigências russas como a cedência de território, a redução do Exército ucraniano e a renúncia à adesão à NATO. Em contrapartida, prevê garantias de segurança ocidentais para evitar novos ataques russos.
Trump deu à Ucrânia até 27 de Novembro para responder às propostas. Em caso de rejeição, o Presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou prosseguir os avanços militares, numa frente de batalha onde a Rússia mantém vantagem.
Perante a pressão simultânea dos Estados Unidos e da Rússia, Zelensky tem mantido consultas com os principais aliados europeus.
Costa anuncia “progressos significativos” nas negociações de paz
O presidente do Conselho europeu anunciou ontem “progressos significativos” nas negociações sobre um plano de paz para a Ucrânia e sublinhou que decisões como sanções, alargamento e congelamento de activos têm de passar pela União Europeia.
“A reunião de ontem, [domingo] em Genebra, entre os Estados Unidos, Ucrânia, instituições da União Europeia (UE) e seus representantes, ficou marcada por progressos significativos”, disse o português António Costa, em Luanda.
“Os Estados Unidos e a Ucrânia informaram-nos que as discussões foram construtivas e que foram alcançados progressos em diversos assuntos. Saudamos este passo em frente e, apesar de alguns assuntos terem de ser resolvidos, a direcção é positiva”, acrescentou, após uma reunião informal do Conselho Europeu, que serviu também para reafirmar o apoio europeu à Ucrânia, face à invasão russa.
“É também claro que as questões que dizem respeito directamente à União Europeia como sanções, alargamento ou congelamento de activos requerem o envolvimento completo e a decisão da União Europeia”, sublinhou, afirmando, no final, que a solução para o conflito não passa por um cessar-fogo temporário, mas por uma paz duradoura.
Reunião informal do Conselho Europeu em Luanda, (na qual marcou presença o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, com alguns dos líderes europeus a participarem por videoconferência), à margem da cimeira entre a UE e a União Africana, que se realiza de ontem até esta terça-feira.
Recorde-se que a Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022, num conflito iniciado em 2014 com a anexação da Crimeia.

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