As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.
Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.
Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.
“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.
Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.
“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.
Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.
Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.
“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.
Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.
Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.
“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.
Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.
As cidades ucranianas de Odessa e Sumy foram, nas últimas horas, alvo de novos ataques russos, que provocaram pelo menos dois mortos, vários feridos e avultados danos materiais.
Em Odessa, um ataque com drones, ocorrido depois do meio-dia, provocou a morte de um homem e incêndios em garagens, além de danos em casas e viaturas nas proximidades.
Posteriormente, um segundo ataque atingiu um edifício residencial de 19 andares, causando ferimentos em três pessoas, entre as quais uma criança. Imagens divulgadas pelo Serviço Estatal de Emergência mostram bombeiros a combater os incêndios e a trabalhar junto dos edifícios afectados.
Na cidade de Sumy, bombas aéreas guiadas atingiram os distritos de Kovpakivskyi e Zarichnyi, afectando zonas residenciais e industriais.
As autoridades locais reportaram inicialmente seis feridos, incluindo uma adolescente de 14 anos. Duas casas ficaram destruídas, outras dez foram danificadas e uma instituição de ensino foi igualmente atingida.
Uma actualização posterior elevou para um o número de mortos e para nove o total de feridos, entre os quais duas crianças.
Equipas de emergência foram mobilizadas para procurar vítimas entre os escombros, extinguir os incêndios e remover os destroços das zonas afectadas.
Os ataques inserem-se na continuidade das ofensivas russas contra diferentes cidades ucranianas, que têm provocado vítimas humanas e danos em infra-estruturas e habitações.
Em Coropa, no distrito de Moma, em Moçambique, a chegada da electricidade está a transformar o quotidiano dos moradores: abriram barbearias, surgiram estúdios de gravação musical e o trabalho dos revendedores de peixe tornou-se mais fácil.
A 30 de Agosto de 2024, realizou-se a cerimónia de inauguração da infra-estrutura de ligação de Coropa à rede eléctrica nacional. Com financiamento da Haiyu Mining, esta comunidade da localidade de Mpago passou a estar ligada à rede.
Após a electrificação, em 2024, mais de 800 consumidores já beneficiavam da energia, e a infra-estrutura tinha capacidade para servir mais de 3 000. Com a chegada das linhas eléctricas à comunidade, começaram também a surgir novas actividades económicas.
Com electricidade, novas condições para os negócios
As barbearias e os estúdios de gravação musical estão entre os novos negócios que surgiram em Coropa depois da electrificação. São empreendimentos de pequena dimensão, mas ambos dependem de equipamentos e de electricidade. A ligação à rede criou condições para que estes serviços pudessem funcionar na comunidade.
As barbearias respondem a necessidades do dia-a-dia; os estúdios permitem a produção musical. Duas actividades distintas partilham a mesma infra-estrutura. Para quem as desenvolve, dispor de electricidade é uma condição para poder pensar nos equipamentos a utilizar e nos serviços a prestar.
Contudo, a chegada da electricidade não significa que os negócios prosperem automaticamente. Abrir um estabelecimento exige investimento, os equipamentos precisam de manutenção e os serviços dependem da procura. A ligação à rede assegura uma condição básica, mas essencial, para o exercício dessas actividades.
Uma linha eléctrica ligada ao sustento quotidiano
Os revendedores de peixe da comunidade também sentiram as facilidades trazidas pela electricidade. A forma de conservar o peixe fresco após a compra e o prazo para o vender têm consequências directas na qualidade do produto e nas perdas do negócio.
A electricidade permite o funcionamento de equipamentos de refrigeração e de produção de gelo, acrescentando uma opção para melhorar a conservação. Mas a compra de equipamentos e o consumo de energia também têm custos, pelo que os comerciantes precisam de ajustar o investimento à quantidade de peixe que movimentam e às possibilidades de venda.
Das barbearias à gravação musical e à venda de peixe, as necessidades de electricidade da comunidade estendem-se às actividades de sustento. As infra-estruturas eléctricas servem tanto os aparelhos domésticos como as ferramentas com que os moradores ganham a vida.
Levar a rede eléctrica a mais comunidades
As mudanças em Coropa inserem-se no processo de expansão do acesso à electricidade em Moçambique. Segundo dados divulgados pelo Banco Mundial em 2025, a taxa de acesso à electricidade no país passou de 31% em 2018 para 60% no final de 2024. A cobertura está a aumentar, embora uma parte significativa da população continue sem acesso.
Levar a rede eléctrica às comunidades exige investimento em infra-estruturas. O projecto de Coropa foi integrado no Plano Estratégico de Responsabilidade Social da Haiyu Mining para 2022–2026, com financiamento da empresa. O então administrador do distrito de Moma, Abacar Chande, presidiu à cerimónia de inauguração e manifestou expectativas quanto ao desenvolvimento da economia local.
Para os moradores e comerciantes, essas expectativas terão de se concretizar no quotidiano: poder utilizar aparelhos eléctricos, transformar uma habilidade num negócio e trabalhar com maior facilidade. As barbearias, os estúdios de gravação e as mudanças no comércio de peixe já observadas em Coropa representam um passo dado após a chegada da electricidade.
A Polícia da África do Sul anunciou uma recompensa de 400 mil rands por informações que conduzam à identificação e detenção dos responsáveis pela morte de oito mulheres, cujos corpos foram encontrados em diferentes locais de Ekurhuleni, na província de Gauteng.
O anúncio foi feito terça-feira, durante uma conferência de imprensa, pela comissária interina da Polícia Nacional, Puleng Dimpane, que apelou à colaboração da população para o avanço das investigações. “Estamos disponibilizando 400 mil rands para que possamos fortalecer as nossas investigações”, afirmou Dimpane.
A descoberta dos oito corpos, num período de aproximadamente dois meses, levou as autoridades a constituírem uma investigação de alto nível, num contexto marcado pelos elevados índices de feminicídio e de criminalidade violenta na África do Sul.
As autoridades policiais apelam a qualquer pessoa que disponha de informações relevantes a que as forneça às autoridades. Ao mesmo tempo, a Polícia aconselha as mulheres a evitarem caminhar ou praticar exercício físico sozinhas, sobretudo em zonas isoladas.
O ministro interino da Polícia, Firoz Cachalia, assegurou que as autoridades estão empenhadas em esclarecer os casos e identificar os responsáveis.
“Não deixaremos pedra sobre pedra para levar os culpados à justiça. Montámos uma equipa multidisciplinar de alto nível, sob a liderança do vice-comissário provincial, para conduzir esta investigação”, declarou.
Apesar das semelhanças entre os casos, a Polícia sul-africana afirma que, nesta fase, não pretende estabelecer uma ligação entre as mortes antes que as investigações apresentem provas nesse sentido. As autoridades sublinham, contudo, que necessitam da colaboração da população para esclarecer os crimes.
A Electricidade de Moçambique está a fazer uma auscultação pública aos seus clientes no bairro Polana Caniço, na cidade de Maputo. A actividade vai durar três dias, a contar a partir desta quarta-feira.
A provedoria itinerante é uma iniciativa da empresa pública Electricidade de Moçambique, que visa facilitar o atendimento ao consumidor levando os serviços para mais perto das comunidades.
“Estaremos aqui das 7h30 às 15h30 onde teremos os nossos técnicos a atenderem os clientes e ao cidadão até aquele que não tem energia pode aproximar-se, apresentar as suas questões, as suas inquietações. Aquele que tiver reclamações que ainda não foram atendidas pela EDM também pode se aproximar para apresentar. Temos uma equipa técnica que está aqui de prontidão para responder a essas situações”, explica Elsa Prata da Silva, representante da EDM.
O campo 7 de Abril, no bairro Polana Caniço na cidade de Maputo, foi o local escolhido para os utentes apresentarem as suas preocupações, na esperança de ter soluções.
“A preocupação é pedir um candeeiro, porque temos um poste ali. Ali é um sítio onde aglomeram-se esses meninos que quando fumam e assaltam pessoas. Mas com o candeeiro, acho que a situação poderá melhorar”, disse um dos utentes presentes no local.
Em função da complexidade, a EDM explica que alguns problemas serão resolvidos no momento.
“Temos aqui uma equipa técnica que está pronta para resolver as questões que serão apresentadas durante estes três dias. Obviamente, dependendo de situação para situação, mas aquelas que podemos resolver em tempo útil serão todas resolvidas em tempo útil. Aquelas que precisarem de um pouco mais tempo, de uma apreciação um pouco mais profunda, poderemos levar connosco mas na esperança e na expectativa de que serão resolvidas com a maior brevidade possível”, acrescenta Elsa Prata da Silva.
Durante os três dias, a EDM espera atender uma média de 300 consumidores.
Os empresários da província de Tete defendem o reforço da participação das empresas locais nos grandes projectos em curso na província e no país. A preocupação foi apresentada ao presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, durante um encontro com o sector privado.
Durante a reunião, os empresários apontaram as dificuldades de acesso às oportunidades no âmbito do conteúdo local como um dos principais constrangimentos que afectam o crescimento das empresas nacionais.
Segundo o sector privado, apesar de o conteúdo local representar uma oportunidade para a expansão dos negócios moçambicanos, persistem desafios relacionados com a capacidade de resposta das empresas locais às exigências dos grandes projectos.
Os empresários defenderam, por isso, a criação de melhores condições para que as empresas de Tete possam participar de forma mais efectiva nas cadeias de fornecimento e prestação de serviços às grandes empresas que operam na província.
Outra preocupação apresentada está relacionada com as demoras nos pagamentos por parte do Estado. Os empresários afirmam que os atrasos no pagamento de serviços prestados às instituições públicas afectam a capacidade financeira das empresas e condicionam o normal funcionamento das suas actividades.
Na ocasião, o presidente da CTA, Álvaro Massingue, defendeu que o fortalecimento do conteúdo local deve ser acompanhado por acções de formação e capacitação das empresas moçambicanas, de modo a permitir que estas estejam preparadas para cumprir os padrões e requisitos exigidos pelos grandes projectos.
Massingue abordou ainda os efeitos da decisão de passar a tratar, na África do Sul, os pedidos de vistos para os Estados Unidos da América. Segundo o presidente da CTA, a medida começa a criar constrangimentos para empresários moçambicanos que necessitam de se deslocar aos Estados Unidos por razões de negócios.
O encontro entre a CTA e os empresários de Tete serviu para recolher as principais preocupações do sector privado e identificar matérias que poderão ser levadas à discussão com o Governo, com vista à melhoria do ambiente de negócios e ao reforço da participação das empresas nacionais na economia.
Mais de um milhão de pessoas no Sudão do Sul correm o risco de perder a ajuda alimentar vital, alertou o Programa Mundial de Alimentos (PMA) na terça-feira.
Conflitos, deslocamentos, choques climáticos e a guerra no vizinho Sudão estão convergindo para empurrar milhões de pessoas para uma situação de vulnerabilidade ainda maior. E os cortes na ajuda internacional estão exacerbando esses efeitos, afirmou à agência da ONU.
“Hoje, 7,8 milhões de pessoas, mais da metade da população do país, lutam para encontrar comida todos os dias. 2,2 milhões de crianças e 1,2 milhão de gestantes e lactantes precisam de apoio nutricional urgente”, disse Matthew Hollingworth, Diretor Executivo Adjunto de Operações do PMA, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
“A menos que recursos adicionais sejam garantidos, mais de um milhão de pessoas vulneráveis poderão perder o acesso a alimentos e assistência nutricional essenciais até outubro. Portanto, essa é uma situação iminente.”
O PMA afirma que atualmente enfrenta um déficit de US$ 86 milhões e uma lacuna de mais de US$ 400 milhões nos próximos seis meses.
A crise de financiamento ocorre no auge da estação chuvosa, quando os alimentos se tornam mais escassos, os preços sobem e as estradas alagadas dificultam cada vez mais o acesso humanitário.
Muitas famílias sobrevivem comendo menos, vendendo o que possuem e cortando gastos com saúde, educação e moradia.
“Embora o Sudão do Sul seja um país que enfrentou muitos desafios em sua curta existência como nação independente, estamos vendo algo diferente agora”, disse Hollingworth. “Estamos prestes a cair em um abismo financeiro em um momento em que as necessidades estão no nível mais alto dos últimos 13, 14 anos.”
A assistência alimentar continua sendo essencial para evitar uma catástrofe humanitária, afirmou a agência, mas ressaltou que ela também deve servir como uma ponte para a recuperação a longo prazo.
O documento fez um apelo ao governo do Sudão do Sul para que comece a mobilizar seus próprios fundos para apoiar seu povo.
A regulamentação sobre o uso da inteligência artificial no sector da educação encontra-se em fase avançada de elaboração e deverá ser submetida ao Conselho de Ministros ainda este ano, para apreciação e aprovação.
A informação foi avançada, esta quarta-feira, pela Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, em Maputo, à margem da abertura da 4.ª Conferência Nacional de Educação à Distância, que debate os desafios e as soluções para o sector.
Segundo a governante, o documento pretende estabelecer balizas concretas para o uso da inteligência artificial nas instituições de ensino, com vista a salvaguardar a qualidade da educação e assegurar que esta tecnologia seja utilizada de forma responsável e ética.
A regulamentação deverá abranger, particularmente, o uso da inteligência artificial generativa, ferramenta capaz de produzir conteúdos e apresentar respostas a partir de comandos introduzidos pelos utilizadores.
“Estamos a trabalhar com todas as instituições. Já tivemos encontros de trabalho e o documento está a ser produzido. Dentro de pouco tempo vamos apresentá-lo e, posteriormente, as normas serão levadas ao Conselho de Ministros para aprovação”, explicou Samaria Tovela.
A ministra esclareceu que as futuras normas terão âmbito nacional e deverão abranger todos os níveis de ensino, desde o primário ao superior.
EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA GANHA ESPAÇO
Durante a conferência, foram igualmente apresentados dados preliminares relativos à educação à distância no ensino superior, referentes a 2025. Os números apontam para cerca de 75.200 estudantes matriculados nesta modalidade, correspondentes a 26,6 por cento do total de estudantes do ensino superior a nível nacional.
Para a Ministra da Educação e Cultura, os números representam mais do que uma realidade estatística, traduzindo o acesso de jovens, mulheres, trabalhadores e outros cidadãos que encontram na educação à distância uma oportunidade para adquirir competências e transformar as suas vidas.
Segundo Samaria Tovela, a expansão desta modalidade de ensino constitui também uma via para reforçar a contribuição dos cidadãos para o desenvolvimento do país.
O Exército dos Estados Unidos enfrenta uma escassez de munições e armamento avançado, na sequência da guerra em curso com o Irão. A informação consta de um relatório do Inspector-Geral do Departamento de Defesa norte-americano, que alerta para os impactos do elevado consumo de armas sobre os arsenais militares e a capacidade de reposição da indústria de defesa.
Segundo o documento, a guerra terá custado cerca de 33,4 mil milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 29 mil milhões de euros, entre 28 de Fevereiro e 30 de Junho. Deste montante, pouco menos de 20 mil milhões de dólares foram destinados à aquisição e utilização de munições.
O relatório refere que a dimensão e a intensidade dos ataques provocaram uma “escassez estratégica de stocks”, expondo igualmente limitações na capacidade da indústria de defesa dos Estados Unidos para repor, em tempo útil, os equipamentos e munições utilizados no conflito.
Apesar das conclusões do relatório, o Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou as preocupações relativas ao nível dos arsenais militares, defendendo que os Estados Unidos dispõem de stocks de munições “virtualmente ilimitados”.
Especialistas citados no relatório estimam, contudo, que poderá levar cerca de três anos para que os Estados Unidos consigam repor os seus stocks de mísseis avançados e de interceptores defensivos aos níveis registados antes da guerra.
O documento revela ainda que os ataques iranianos provocaram danos significativos em bases militares norte-americanas no Médio Oriente. Centenas de edifícios e outras infra-estruturas terão sido danificados ou destruídos.
Os custos relacionados com a reparação dessas instalações, segundo o relatório, não estão incluídos na estimativa de 33,4 mil milhões de dólares relativa às despesas da guerra.
Jornalista José de Nascimento defende reforço da segurança e revisão da governação sul-africana perante a persistência dos actos xenófobos
As manifestações que têm ocorrido na África do Sul, particularmente às quintas-feiras, continuam a suscitar preocupações sobre a segurança dos imigrantes e o impacto da xenofobia na economia do país. Segundo o jornalista José de Nascimento, que se encontra na África do Sul, os protestos, inicialmente mais concentrados em Durban, agora denominada eThekwini, deverão estender-se à província de Mpumalanga, onde estão previstas novas manifestações.
José de Nascimento explica que, ao contrário da mobilização registada a 30 de Junho, os actuais protestos têm tido uma incidência mais localizada, embora exista preocupação com a sua expansão para outras regiões do país.
O jornalista considera que as autoridades sul-africanas devem reforçar a segurança e actuar de forma mais firme para proteger os imigrantes. Segundo afirma, a polícia tem demonstrado maior intervenção, citando como exemplo um episódio recente em que impediu manifestantes de atacarem um grupo de imigrantes que se encontrava acampado junto do Departamento de Administração Interna, na tentativa de solicitar o estatuto de refugiado ou asilo político.
Para José de Nascimento, a persistência de actos xenófobos está a afectar negativamente a imagem internacional da África do Sul e poderá ter consequências económicas, sobretudo nas zonas fronteiriças e nas regiões que mantêm fortes relações comerciais com os países vizinhos.
XENOFOBIA AFECTA ECONOMIA
O jornalista chama particular atenção para a província de Mpumalanga, onde, segundo explica, a actividade económica está fortemente ligada ao intercâmbio com Moçambique.
Nascimento destaca o crescimento de Mbombela, anteriormente conhecida como Nelspruit, atribuindo parte desse desenvolvimento ao intercâmbio comercial e industrial com Moçambique. Salienta que a circulação de cidadãos moçambicanos que atravessam a fronteira para realizar compras e desenvolver actividades comerciais representa uma importante fonte de dinamização económica para a região.
Neste contexto, alerta que a continuidade dos actos xenófobos e a eventual redução da circulação de cidadãos estrangeiros poderão provocar consequências negativas para a economia local e, de forma mais ampla, contribuir para o enfraquecimento da economia sul-africana.
O jornalista defende, por isso, que o Governo sul-africano deve rever aspectos da sua governação, particularmente no que diz respeito à política migratória e à forma como as autoridades respondem aos episódios de violência contra estrangeiros.
POLÍCIA DEVE ACTUAR CONTRA VIOLÊNCIA
José de Nascimento considera que, numa primeira fase, as autoridades devem reforçar a presença policial e responsabilizar criminalmente os autores de ataques contra imigrantes.
Defende igualmente uma intervenção de maior alcance, acompanhada por programas de educação cívica dirigidos não apenas às escolas, mas à sociedade sul-africana no seu conjunto, com o objectivo de combater preconceitos e reduzir a hostilidade contra estrangeiros.
Na sua análise, a questão ultrapassa a situação dos imigrantes em situação irregular ou sem documentação, uma vez que, independentemente do seu estatuto migratório, todos os indivíduos estão protegidos pelos direitos humanos e não devem ser vítimas de violência física, psicológica ou emocional.
RELAÇÕES COM MOÇAMBIQUE EM RISCO
O jornalista considera ainda que a xenofobia pode prejudicar as relações da África do Sul com outros países africanos, particularmente com os Estados vizinhos. No caso de Moçambique, recorda que milhares de pessoas atravessam regularmente a fronteira para trabalhar, fazer negócios ou realizar compras na África do Sul, contribuindo para a circulação de bens e capitais entre os dois países.
Nascimento defende que a África do Sul deve adoptar uma abordagem migratória mais inclusiva e transformar as declarações políticas em medidas concretas.
Para o jornalista, a União Africana e a SADC também devem assumir uma posição mais exigente perante as autoridades sul-africanas, tendo em conta que os episódios de xenofobia têm ocorrido de forma cíclica nos últimos anos.
MANIFESTAÇÕES CHEGAM A MPUMALANGA
As manifestações que têm ocorrido regularmente às quintas-feiras deverão, desta vez, ter como novo foco a província de Mpumalanga. José de Nascimento admite que a mobilização poderá manter-se pacífica, mas alerta para a necessidade de reforço da segurança, considerando que a evolução dos protestos poderá ser imprevisível. O jornalista recorda ainda que a actual situação ocorre num país cuja história de luta contra o apartheid contou com o apoio de vários Estados africanos, incluindo Moçambique, Angola e Zimbabwe.
Na sua perspectiva, a defesa dos direitos dos imigrantes e o combate à xenofobia devem ser encarados também como uma questão de responsabilidade regional, num continente onde a mobilidade das populações e as relações económicas entre países são cada vez mais importantes.