Transformar o Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, criar um Tribunal de Contas, garantir autonomia financeira ao poder judicial e reforçar a justiça eleitoral, bem como o combate à corrupção, são algumas das principais propostas constantes no Pacto pela Justiça e Estado de Direito Democrático.
O documento foi apresentado durante o Congresso da Justiça, realizado recentemente na cidade de Maputo, tendo o seu texto final sido tornado público esta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República.
Para responder aos desafios enfrentados pelo sector, o Segundo Fórum da Justiça, realizado há uma semana na capital do País, recomendou um conjunto de reformas estruturais consideradas essenciais para o fortalecimento do sistema judicial.
Entre as principais propostas destacam-se a transformação do Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, a conversão do Tribunal Administrativo em Supremo Tribunal Administrativo e a criação de um Tribunal de Contas.
Para além destas alterações institucionais, o documento de 18 páginas defende igualmente o reforço da independência dos tribunais, com enfoque na autonomia administrativa e financeira do poder judicial.
O pacto propõe ainda a constitucionalização da fixação de uma percentagem do Orçamento do Estado destinada ao sector da Justiça, de forma a garantir uma autonomia financeira efectiva e progressiva.
No capítulo eleitoral, o documento sublinha que a credibilidade dos resultados constitui uma condição essencial para a paz e estabilidade no País, alertando que Moçambique não deve continuar a enfrentar crises pós-eleitorais evitáveis através da implementação de reformas estruturais.
“O País não pode continuar a assistir a crises pós-eleitorais evitáveis, quando existem reformas que estão ao alcance do Estado”, refere o documento.
O Pacto pela Justiça dedica igualmente atenção ao combate à corrupção no sistema judicial, classificando o fenómeno como uma das mais graves ameaças ao Estado de Direito.
“A corrupção no sistema de justiça é a mais grave das traições ao Estado de Direito, porque subverte o único árbitro que os cidadãos têm para defender os seus direitos”, lê-se no documento.
Para enfrentar este problema, são propostas medidas como a criação de canais confidenciais de denúncia, o reforço da fiscalização das declarações patrimoniais dos magistrados e uma maior cooperação entre as instituições de justiça e a sociedade civil.
México e África do Sul dão o pontapé de saída, esta noite, do Campeonato do Mundo 2026. Esta edição tem a particularidade de contar com a presença de 48 selecções, que vão procurar levantar o troféu mais cobiçado do futebol planetário.
A cerimónia de abertura, ensaiada ao detalhe com várias coreografias que retratam a cultura de cada uma das 48 selecções, será o primeiro passo daquilo que se espera venha a ser o Mundial 2026. Mais de vinte artistas, de estilos e feitios diferentes, vão dar brilho ao evento.
Fora dos palcos, Donald Trump estará lado a lado com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, num contexto marcado por várias restrições para entrar nos Estados Unidos da América. E o árbitro somali Omar Artan, foi um dos impedidos de entrar nos EUA, adiando a sua estreia na prova, mas foi recebido como um herói no seu país.
Estados Unidos da América, México e Canadá são os palcos escolhidos para a última dança dos melhores actores do futebol mundial. 48 selecções vão, a partir desta noite até dia 19 do próximo mês, procurar um lugar ao sol para alcançarem o topo do futebol mundial.
Vários continentes, países, culturas e povos se juntam atrás da Trionda, bola oficial do mundial, ela que converge emoções, divide opiniões e premeia os melhores.
México, um dos anfitriões da prova, e África do Sul, vão apadrinhar o arranque do Mundial, num contexto de mudanças profundas no seu formato. Argentina, Espanha, França, Alemanha, Portugal e Inglaterra estão no topo da lista dos prováveis vencedores da prova.
Edição única e que, por isso mesmo, vai marcar a viragem do futebol mundial. Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, dois prodígios que, nas últimas duas décadas, bipolarizaram o futebol mundial, ensaiam a última coreografia no palco da perfeição. Despedida de dois astros. O que será o futebol?
O agravamento das crises climáticas, ambientais e económicas continua a aumentar os níveis de insegurança alimentar em Moçambique e em vários países africanos, comprometendo os esforços de combate à pobreza e colocando em risco a soberania alimentar das nações.
O alerta foi lançado pelo secretário de Estado do Ensino Superior, Edson Macuácua, durante a abertura do XI Congresso Internacional de Agroecologia, que decorre na província de Gaza.
Falando perante investigadores, académicos e especialistas nacionais e estrangeiros, Macuácua destacou que milhões de pessoas continuam a enfrentar dificuldades no acesso a alimentos nutritivos, situação agravada pelos efeitos combinados das alterações climáticas e das fragilidades dos sistemas de produção agrícola.
“Crise climática, ambiental, económica e social. Milhões de pessoas continuam a enfrentar dificuldades de acesso a alimentos nutritivos, gerando a insegurança alimentar e fome, o que agudiza a pobreza, esvaziando o sentido de soberania”, afirmou.
O governante advertiu ainda que a fome não deve ser encarada como um fenómeno inevitável, defendendo mudanças profundas nos modelos de produção e distribuição alimentar.
“Não podemos continuar a conviver com a narrativa de que a fome é uma fatalidade natural. A fome é resultado de um sistema alimentar industrial extrativista e mercantilizado, focado no lucro de poucos e na destruição de muitos”, declarou.
Segundo Macuácua, a agroecologia apresenta-se como uma alternativa sustentável para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas, promovendo simultaneamente a protecção ambiental, a produção de alimentos saudáveis e o fortalecimento das comunidades rurais.
O secretário de Estado falava à margem do XI Congresso Internacional de Agroecologia, evento que decorre pela primeira vez em solo africano e reúne mais de 200 participantes e cerca de 60 oradores provenientes de dez países.
Durante o encontro, especialistas destacaram os desafios específicos enfrentados por Moçambique no domínio da gestão dos recursos hídricos. O director-geral do Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG), Mário Tauzene, sublinhou a vulnerabilidade do país aos fenómenos climáticos extremos.
“O distrito de Chongoene, em particular, a província de Gaza e Moçambique no geral, em alguns momentos sofre de fome devido ao excesso de água. Em outros momentos sofre de fome devido à escassez de água. Temos que encontrar as melhores formas de domesticar, armazenar e utilizar a água”, defendeu.
Especialistas internacionais presentes no congresso também apelaram à valorização dos recursos naturais e à adopção de modelos agrícolas mais sustentáveis. Xavier Fernandez, da Universidade de Vigo, em Espanha, considerou que o País dispõe de condições favoráveis para alcançar maior autonomia alimentar.
“O que tem que fazer Moçambique, como qualquer outro País, é aproveitar as vantagens comparativas e os recursos naturais e de capital que tem, que são muitos, para a sobrevivência do seu povo”, afirmou.
Por sua vez, Emma Siliprandi, da Universidade da Andaluzia, defendeu uma aposta mais consistente na agricultura ecológica como instrumento para alcançar a soberania alimentar.
“Se essa soberania alimentar se consegue, seria o principal sucesso da política económica, da política agrária e do povo de Moçambique. É preciso acreditar na agricultura ecológica, parar de usar fertilizantes químicos e agrotóxicos”, sustentou.
O XI Congresso Internacional de Agroecologia prossegue até quinta-feira, reunindo investigadores, docentes, estudantes e profissionais de diversas áreas para debater soluções inovadoras relacionadas com a segurança alimentar, a sustentabilidade agrícola e a resiliência climática.
O evento coloca Moçambique no centro das discussões internacionais sobre agroecologia e reforça o papel da investigação científica na procura de respostas para os desafios alimentares e ambientais que afectam o continente africano.
O empresário Félix Machado tomou posse esta terça-feira como presidente da recém-criada Federação Empresarial de Sofala, uma nova estrutura que reúne associações do sector privado da província e que pretende, segundo os seus promotores, reforçar a coordenação dos investimentos e melhorar o diálogo com o Governo.
Na sua intervenção, Machado afirmou que a criação da federação representa um passo importante para a organização do sector empresarial em Sofala, defendendo que a nova entidade surge para “fazer a diferença” na articulação entre empresários e autoridades públicas, particularmente no contexto dos projectos estratégicos da província.
“A província de Sofala, o sector privado, empresarial e as suas associações tomaram aqui um passo muito importante naquilo que é a vida deles para definir o rumo de desenvolvimento da província”, afirmou.
O novo presidente sublinhou que a federação pretende funcionar como um ponto único de contacto para investidores e instituições públicas, evitando a dispersão de interlocutores do sector privado.
“Quem quiser dialogar com o sector privado de Sofala, quem quiser investir, sabe a quem se dirigir”, declarou, acrescentando que a entidade também visa facilitar a entrada de investidores nacionais e estrangeiros na província.
Félix Machado fez questão de clarificar que a nova organização não pretende competir com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), mas sim actuar como estrutura complementar.
“Esta federação não está aqui para confrontar alguém nem sobrepor-se à CTA. É membro da CTA e o passo a seguir será juntar toda a documentação e subscrever-se junto da CTA”, afirmou.
Entre os projectos destacados pelo dirigente está o Corredor da Beira, considerado estratégico para o desenvolvimento económico da região Centro do País. Machado defendeu maior participação do sector privado nacional na definição e execução de projectos de infra-estruturas.
“O acesso do corredor da Beira é um projecto nosso. O sector privado de Sofala têm palavras a dizer sobre o futuro daquela estrada”, afirmou, defendendo que empresários locais devem ser incluídos nos processos de decisão e investimento.
O presidente da federação questionou ainda a adjudicação de projectos de infra-estruturas a empresas estrangeiras sem maior envolvimento do empresariado nacional, defendendo maior valorização das capacidades locais.
“Não estamos contra empresas estrangeiras, mas temos palavras a dizer. A viabilidade foi dada por nós e devemos ser incluídos no processo”, sublinhou.
A nova federação pretende agregar associações empresariais de vários sectores, com a meta de integrar pelo menos 20 organizações, segundo o seu presidente. A estrutura poderá ainda promover a criação de novas associações sectoriais, de forma a ampliar a representatividade do tecido empresarial da província.
“Queremos ter dentro da federação pelo menos 20 associações. Quando for votar, iremos fortes”, concluiu Félix Machado.
A criação da Federação Empresarial de Sofala surge num momento em que o sector privado da província procura maior coordenação interna e maior influência nos grandes projectos de desenvolvimento económico, com especial enfoque no corredor logístico da Beira.
O financiamento foi anunciado durante a abertura do II Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia, evento que decorreu entre terça e quarta-feiras e que reuniu mais de 380 empresários e investidores em Maputo.
A União Europeia (UE) anunciou um novo pacote de financiamento superior a 180 milhões de euros destinado à implementação de quatro programas estratégicos em Moçambique, abrangendo os sectores da energia, educação infantil, tecnologia e desenvolvimento sustentável. O anúncio foi feito esta terça-feira durante a abertura do II Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia, que decorreu na cidade de Maputo.
O encontro, que teve a duração de dois dias, reuniu 186 representantes de empresas europeias e mais de 200 empresários africanos, com o objectivo de fortalecer as relações económicas, promover oportunidades de investimento e aprofundar a cooperação entre Moçambique e os países da União Europeia.
Na cerimónia de abertura, o representante da União Europeia, Gonçalo Matias, reafirmou o compromisso europeu com o desenvolvimento económico e social de Moçambique, destacando sectores considerados fundamentais para o crescimento sustentável do País.
“A União Europeia continuará, por isso, a apoiar e a promover oportunidades de crescimento sustentável e inclusivo”, afirmou.
Segundo o diplomata, a parceria entre Bruxelas e Maputo vai além da dimensão económica, abrangendo também áreas como a segurança, a estabilidade e o desenvolvimento das regiões mais vulneráveis do País, particularmente as províncias do Norte afectadas pelo terrorismo.
“Uma das componentes mais importantes da nossa parceria diz respeito às províncias do Norte, onde os desafios de segurança têm condicionado, durante muito tempo, as perspectivas de desenvolvimento. A paz e a segurança são condições indispensáveis para a prosperidade. Sem paz não pode haver desenvolvimento sustentável”, declarou.
Gonçalo Matias reiterou ainda que a União Europeia permanecerá empenhada em apoiar os esforços do Governo moçambicano na restauração da segurança e na criação de condições favoráveis ao investimento e ao crescimento económico.
Durante o evento, o Presidente da República, Daniel Chapo, aproveitou a presença de investidores e parceiros internacionais para reafirmar a ambição de Moçambique de desempenhar um papel mais relevante na nova configuração económica global.
“Queremos elevar esta relação para um novo patamar, através de uma parceria que vá além da extração de recursos e que avance para a criação conjunta de valor”, afirmou o Chefe de Estado.
Para Daniel Chapo, o País pretende consolidar uma cooperação assente na industrialização, na transferência de conhecimento e na geração de benefícios concretos para as populações.
“Queremos uma parceria que transforme o potencial económico em prosperidade concreta para os nossos povos, o povo moçambicano e o povo europeu”, acrescentou.
O Presidente destacou igualmente a importância da iniciativa europeia Global Gateway, considerando-a uma oportunidade estratégica para acelerar investimentos em infraestruturas, energia, conectividade e desenvolvimento sustentável.
No entanto, Chapo alertou que o sucesso dos compromissos assumidos dependerá da rapidez com que os financiamentos sejam transformados em resultados tangíveis.
“O verdadeiro impacto destes compromissos não se mede apenas no momento da sua aprovação, mas na velocidade com que se traduzem em projectos executados, infraestruturas concluídas, empresas apoiadas e empregos criados”, sublinhou.
O Chefe de Estado defendeu ainda o reforço dos mecanismos de coordenação e implementação para garantir maior eficácia na execução dos investimentos identificados.
O II Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia encerrou esta quarta-feira com debates centrados na mobilização de investimentos, transição energética, inovação tecnológica, desenvolvimento de infraestruturas e fortalecimento das relações económicas entre Moçambique, a União Europeia e o continente africano.
O evento foi visto como uma plataforma estratégica para aproximar investidores, identificar oportunidades de negócio e acelerar projectos que contribuam para o crescimento económico sustentável e a criação de emprego no País.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, inaugurou esta quarta-feira, no Porto de Maputo, o Slab 9A, uma nova infra-estrutura de armazenagem de minérios no Terminal de Granéis Sólidos, avaliada em cerca de 9,9 milhões de dólares norte-americanos.
Com capacidade para acomodar mais de um milhão de toneladas por ano, a infra-estrutura permitirá ao Porto de Maputo responder ao aumento da procura dos seus clientes, reforçar a sua competitividade regional e gerar benefícios económicos para o país, incluindo a criação de 51 postos de trabalho directos e indirectos adicionais.
Antes da inauguração, o governante visitou as obras de expansão do Terminal de Contentores da DP World Maputo, um projecto orçado em 164 milhões de dólares. A iniciativa prevê aumentar a capacidade do terminal dos actuais 225 mil TEUs para 530 mil TEUs por ano.
Durante a visita, foi apresentado o ponto de situação das obras, que registam cerca de 45% de execução global e se encontram na fase de cravação de estacas para a nova infra-estrutura portuária. A entrada em operação está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Na ocasião, João Matlombe destacou a importância dos investimentos em curso para o fortalecimento do Corredor de Maputo e para o crescimento da economia nacional. Segundo o ministro, o aumento da capacidade portuária deve ser acompanhado por melhorias em toda a cadeia logística.
“A competitividade não é determinada por uma única infra-estrutura. Não é o porto, isoladamente, que compete. É o corredor como um todo. Cada investimento que realizamos no porto deve ser acompanhado por ganhos equivalentes na ferrovia, na fronteira e nos sistemas que suportam o fluxo de mercadorias”, afirmou.
O ministro sublinhou ainda a necessidade de reforçar o transporte ferroviário, modernizar continuamente a fronteira de Ressano Garcia e integrar os sistemas logísticos para garantir maior competitividade do corredor.
Por sua vez, o Director Executivo da MPDC, Osório Lucas, afirmou que o investimento agora inaugurado surge para responder ao crescimento da procura pelos serviços do Porto de Maputo.
“Durante muitos anos, o desafio foi atrair carga para o Porto de Maputo. Hoje, o desafio é criar capacidade suficiente para acomodar a carga que pretende utilizar o Porto”, disse.
Segundo Osório Lucas, os volumes pretendidos pelos clientes já ultrapassam a capacidade actualmente disponível, tornando necessária a criação de novas áreas operacionais para evitar a perda de cargas para portos concorrentes da região.
O responsável anunciou igualmente que a MPDC prepara a próxima fase de expansão através do desenvolvimento do Slab 9B, um investimento estimado em cerca de 8,7 milhões de dólares, destinado a aumentar a capacidade do porto e responder ao crescimento sustentado da procura.
O Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República de Moçambique, reuniu-se esta quarta-feira, em Maputo, para apreciar um conjunto de matérias de interesse estratégico nacional, tendo reforçado recomendações centradas na governação, estabilidade institucional e consolidação do desenvolvimento do País.
A sessão foi presidida pelo Chefe do Estado, Daniel Chapo, e incidiu sobre questões consideradas prioritárias para a condução política e institucional do País, com destaque para o reforço da coesão social e da concertação entre as principais forças vivas da Nação.
No decurso da reunião, o órgão sublinhou a importância do aprofundamento do Diálogo Nacional Inclusivo como instrumento essencial para a preservação da paz, unidade nacional e fortalecimento do Estado de Direito Democrático.
O Conselho de Estado destacou ainda a necessidade de continuidade de políticas orientadas para a estabilidade institucional e para a promoção de um crescimento económico sustentável, defendendo que a concertação política constitui um dos pilares fundamentais para a tomada de decisões alinhadas ao interesse nacional.
Segundo o órgão consultivo, a manutenção de um ambiente de estabilidade e diálogo permanente é determinante para responder aos desafios económicos e sociais do País, bem como para reforçar a confiança nas instituições do Estado.
O Conselho reafirmou igualmente o seu compromisso de acompanhar a evolução das principais questões nacionais, contribuindo com recomendações que promovam a unidade, a estabilidade política e o fortalecimento das instituições democráticas.
No final da reunião, o órgão reiterou a sua disponibilidade para continuar a desempenhar o seu papel consultivo junto do Presidente da República, com sentido de responsabilidade e de Estado, no quadro dos objectivos estratégicos definidos para o desenvolvimento de Moçambique.
O Presidente da República, Daniel Chapo, deslocou-se hoje à Nunciatura Apostólica, em Maputo, onde expressou solidariedade à Igreja Católica pelo assassinato do Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, sublinhando o pesar do Estado moçambicano e a condenação do crime, enquanto reafirmava o compromisso do Governo com o esclarecimento das circunstâncias do ocorrido e a preservação das históricas relações entre Moçambique e a Santa Sé.
A visita do Chefe do Estado ocorre num momento de luto para a Igreja Católica em Moçambique e para o país, que perde uma figura religiosa o estadista moçambicano a descreve como dedicada ao serviço pastoral e à comunidade, num contexto em que continuam em curso as cerimónias e homenagens fúnebres. Na Nunciatura Apostólica, residência do representante do Vaticano em Moçambique, o Presidente da República foi recebido pelo Núncio Apostólico, Dom Luís Miguel Muñoz Cárdaba, a quem expressou pessoalmente condolências em nome do Governo e do povo moçambicano.
“Como sabe, quando recebemos esta triste notícia estávamos fora do país, em Washington. Voltámos ontem e hoje achámos que devíamos vir prestar os nossos sentimentos, as nossas condolências à Igreja Católica. Perdemos um bispo, que é homem de Deus, humilde para quem conheceu-lhe. E achamos que Moçambique, tendo uma excelente relação com o Vaticano, uma relação histórica, devíamos vir aqui à residência do nosso Núncio Apostólico, que é representante do Vaticano na República de Moçambique”.
O Chefe do Estado prosseguiu, destacando a relação entre Moçambique e a Santa Sé e reiterando as condolências institucionais. “E, como sabe muito bem, temos excelente relação com a Igreja Católica e a Santa Sé. Nós queríamos, mais uma vez, não só prestar as nossas condolências à Igreja Católica, mas à família enlutada e a todo o povo moçambicano”. No mesmo contexto, o Presidente da República sublinhou que o Governo está a desenvolver diligências para o esclarecimento do caso, reiterando que as autoridades vão continuar a trabalhar na investigação dos motivos e da autoria do crime hediondo, que condena veementemente, de forma a evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer no país.
“Temos 50 anos de independência, vamos fazer 51 anos no dia 25 de Junho. É uma coisa que, durante todos esses anos de independência, nunca aconteceu e não pode, nem deve voltar a acontecer mais uma vez. Por isso continuamos a trabalhar, as investigações estão em curso para apurar a responsabilidade”. O estadista reiterou ainda a solidez das relações institucionais e diplomáticas entre Moçambique e o Vaticano, sublinhando que os laços com a Santa Sé e com a Igreja Católica permanecem intactos.
Assegurou igualmente que o Governo continuará a prestar solidariedade e todo o apoio necessário para a realização das cerimónias fúnebres em condições adequadas, bem como à família enlutada. A visita insere-se no quadro das relações históricas de cooperação entre Moçambique e a Igreja Católica, através da Santa Sé, que têm sido caracterizadas por diálogo institucional contínuo e colaboração em áreas sociais e humanitárias.
Oito médicos especialistas deixaram de prestar serviço no Hospital Central de Nampula (HCN) após atingirem a idade de reforma, numa decisão que está a gerar contestação interna e debate sobre a aplicação da legislação da Função Pública no sector da saúde.
Os profissionais afectados afirmam ter sido surpreendidos com o processo de desvinculação, que ocorreu em Maio, pouco depois da tomada de posse da nova direcção da unidade hospitalar. Segundo um dos médicos reformados, o grupo foi convocado para uma reunião sem agenda previamente definida.
“No dia 20 de Maio fomos convocados para uma reunião, sem agenda, cerca de 8 a 9 médicos, e lá chegados, a única agenda foi a desvinculação com uma única determinante que é a idade”, relatou um dos especialistas.
A situação ocorre num contexto em que a Assembleia da República aprovou alterações à Lei da Função Pública, que elevam a idade de reforma de 60 para 65 anos, prevendo ainda um regime excepcional que pode prolongar a actividade até aos 70 anos em carreiras consideradas estratégicas, como médicos especialistas, docentes universitários e investigadores.
De acordo com o Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, a medida visa valorizar a experiência profissional e garantir a continuidade dos serviços públicos.
“Permitir salvaguardar a valorização da experiência profissional acumulada ao longo dos anos de serviço, bem como a continuidade e estabilidade dos serviços públicos”, afirmou o governante durante a apresentação da proposta na Assembleia da República, a 29 de Abril de 2026.
Os médicos afectados questionam, no entanto, a aplicação imediata da decisão no Hospital Central de Nampula, sobretudo num contexto em que o País ainda enfrenta défice de especialistas em várias áreas clínicas.
“São médicos especialistas moçambicanos e, em muitas áreas do hospital, só existe um ou dois médicos. O Ministério da Saúde e o hospital contratam médicos estrangeiros, como cubanos e coreanos, mesmo em idades superiores”, afirmou outro médico reformado.
Os profissionais alertam ainda para o impacto directo da saída destes especialistas no funcionamento de serviços essenciais, como ortopedia, cirurgia geral, neurologia, cardiologia e fisioterapia, entre outros.
Segundo os médicos, a redução de especialistas já está a provocar atrasos significativos no atendimento, com consultas a serem reagendadas para o próximo ano.
“Áreas como ortopedia, cirurgia geral, neurologia, cardiologia e tantas outras ficaram sem resposta. As consultas estão a ser marcadas para Abril ou Maio do próximo ano”, lamentou um dos profissionais.
A nova legislação ainda não foi promulgada pelo Presidente da República, o que acrescenta dúvidas sobre a interpretação e aplicação das regras de transição no sector da saúde.
O Ministério da Saúde e a direcção do Hospital Central de Nampula ainda não prestaram esclarecimentos públicos detalhados sobre o caso, embora fontes locais indiquem que a administração hospitalar poderá pronunciar-se nos próximos dias.
O caso está a gerar debate entre profissionais de saúde e entidades da província, num momento em que a escassez de especialistas continua a ser um dos principais desafios do Sistema Nacional de Saúde.
Maputo acolhe, de 10 a 12 de Junho, o Congresso do Sector da Justiça, um espaço de reflexão sobre os desafios e perspectivas da justiça moçambicana, sob o lema “Justiça, Pluralismo e Confiança Pública: Para uma Reforma Prudente, Inclusiva e Eficaz do Sistema de Justiça Moçambicano”.
Intervindo no Painel Plenário I, subordinado ao tema “Justiça, Separação de Poderes e Confiança Pública”, o Juiz Conselheiro do Tribunal Supremo, José Norberto Carrilho, defendeu que a reforma da justiça deve partir das necessidades concretas da sociedade moçambicana e ter como objectivo o reforço da confiança dos cidadãos nas instituições.
Na sua comunicação, Carrilho considerou que a independência dos tribunais continua a ser um dos pilares fundamentais do Estado de Direito, mas sublinhou que, por si só, não garante a legitimidade pública da justiça. Segundo o magistrado, a independência institucional deve ser acompanhada por uma capacidade efectiva de prestação jurisdicional, apoiada por recursos humanos, materiais, tecnológicos e organizativos adequados.
O juiz destacou igualmente a necessidade de simplificar o sistema jurídico, alertando para os efeitos da excessiva produção legislativa. Defendeu ainda uma maior articulação entre a justiça formal do Estado e mecanismos reconhecidos pela Constituição, como os tribunais comunitários, a mediação e a conciliação.
Outro dos aspectos abordados foi a formação jurídica. Carrilho referiu que a expansão do ensino do Direito representa um avanço importante, mas advertiu para a necessidade de garantir padrões elevados de qualidade, tanto na formação académica como nos estágios profissionais e na formação contínua.
No domínio da organização dos tribunais, o magistrado sustentou que a especialização das jurisdições constitui uma exigência dos sistemas judiciais modernos, mas alertou para os riscos da fragmentação institucional. Defendeu, por isso, um modelo que combine especialização técnica com unidade e coerência jurisprudencial.
A justiça eleitoral e a jurisdição constitucional também estiveram em destaque. Carrilho considerou que a confiança dos cidadãos nos processos eleitorais depende não apenas da realização de eleições, mas igualmente da credibilidade das instituições envolvidas, incluindo os mecanismos de fiscalização e resolução de litígios.
Referindo-se à experiência das eleições autárquicas de 2023 e das eleições gerais de 2024, o magistrado defendeu a construção de um modelo de justiça eleitoral próximo do cidadão, tecnicamente preparado e capaz de assegurar decisões coerentes e seguras.
Relativamente ao debate sobre a eventual transformação do Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, José Norberto Carrilho defendeu que qualquer reforma institucional deve resultar de necessidades funcionais claramente identificadas e não apenas da adopção de modelos existentes noutros contextos.
Na conclusão da sua intervenção, o Juiz Conselheiro apelou à preservação dos valores fundamentais da justiça, destacando a importância de transmitir às novas gerações não apenas instituições e leis, mas também uma cultura de justiça assente na independência, responsabilidade e esperança.
O Congresso do Sector da Justiça decorre no âmbito do Diálogo Inclusivo promovido pelo Presidente da República e reúne diversos actores para debater o futuro do sistema judicial moçambicano.

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