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Vítimas do terrorismo em Chiúre sem meios para recomeçar a vida

Quase um ano após o ataque terrorista que devastou a aldeia de Mileja, no distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, dezenas de famílias continuam sem condições para reconstruir as suas vidas. As habitações destruídas permanecem em ruínas e a população enfrenta dificuldades para garantir a subsistência, vivendo num clima de medo e incerteza.

O ataque ocorreu em Julho de 2025 e provocou a morte de mais de duas dezenas de pessoas, na sua maioria membros dos Naparamas, grupos de guerrilheiros tradicionais que se haviam voluntariado para apoiar o combate ao terrorismo na província.

Segundo relatos de sobreviventes, os insurgentes chegaram à aldeia durante a tarde, em perseguição aos Naparamas que haviam recuado após confrontos nas matas circundantes. Durante cerca de duas horas, os atacantes semearam o terror, matando pessoas, incendiando residências e destruindo infra-estruturas comunitárias, incluindo uma igreja.

Gertrudes Virgílio, uma das sobreviventes, recorda com emoção os momentos vividos naquele dia. Conta que se escondeu num cajueiro para escapar aos atacantes e assistiu, impotente, à destruição da sua residência.

“Vi quando incendiaram a minha casa. Tudo o que eu tinha ficou reduzido a cinzas. Sobrevivi por sorte”, afirmou.

Actualmente, a aldeia apresenta ainda sinais evidentes da destruição causada pelo ataque. Muitas famílias continuam sem habitação condigna e dependem de ajuda externa para satisfazer necessidades básicas.

O chefe da aldeia de Mileja reconhece que a situação continua crítica, sublinhando que a população enfrenta enormes dificuldades para recuperar os seus meios de subsistência e reconstruir as casas destruídas.

Os residentes afirmam que a assistência recebida até ao momento tem sido insuficiente. Segundo Gertrudes Virgílio, a comunidade beneficiou apenas de duas acções de apoio desde o ataque.

“Recebemos utensílios domésticos e, numa outra ocasião, seis mil e quinhentos meticais. Com o preço actual dos alimentos, sobretudo do arroz, esse valor não chega para responder às nossas necessidades”, lamentou.

As autoridades locais reconhecem a gravidade da situação humanitária. A chefe do Posto Administrativo de Ocua, Ana Maria Francisco, explicou que o Governo continua a mobilizar apoio junto de parceiros nacionais e internacionais para assistir as famílias afectadas.

Na sequência desses esforços, a organização humanitária Tearfund, sediada no Reino Unido, iniciou recentemente a distribuição de produtos básicos de higiene à população de Mileja, numa primeira fase de assistência às comunidades afectadas pelo terrorismo.

Entretanto, os habitantes da aldeia apelam ao reforço do apoio humanitário e à implementação de programas de reconstrução que lhes permitam recuperar os seus meios de vida e retomar a normalidade após meses marcados pela violência e deslocação forçada.

 

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