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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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A Amnistia Internacional instou, na terça-feira, o Governo da Argélia a abandonar os planos de retomar as execuções e de alargar a aplicação da pena de morte a responsáveis por incêndios florestais, na sequência dos fogos que devastaram o nordeste do país no mês passado.

Os incêndios, que atingiram várias zonas do nordeste da Argélia, provocaram oficialmente 12 mortos, embora testemunhas tenham relatado um número de vítimas significativamente superior.

A Argélia não realiza execuções desde 1993, apesar de os tribunais continuarem a proferir sentenças de morte em alguns casos, incluindo processos relacionados com terrorismo. As penas, contudo, não têm sido executadas.

Na sequência dos incêndios, o Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, ordenou ao ministro da Justiça que preparasse alterações ao Código Penal para permitir a aplicação da pena de morte a pessoas consideradas responsáveis por provocar incêndios florestais.

Num comunicado, a Amnistia Internacional apelou às autoridades argelinas para que abandonem imediatamente qualquer plano destinado a ampliar o âmbito da pena de morte ou a retomar as execuções, depois de mais de três décadas sem que nenhuma tenha sido concretizada.

A organização defendeu ainda a adopção de uma moratória oficial sobre as execuções como primeiro passo para a abolição total da pena de morte no país.

Tebboune afirmou que as pessoas condenadas à pena capital deverão ser executadas imediatamente depois de esgotadas todas as possibilidades de recurso. O Governo iniciou este mês a análise de propostas de alteração ao Código Penal.

Além dos responsáveis por incêndios florestais, o Presidente argelino indicou que os planos de alargamento da pena de morte poderão abranger também casos de rapto e abuso de crianças.

Os incêndios florestais são frequentes no norte da Argélia durante o Verão. Especialistas apontam, contudo, que as alterações climáticas têm contribuído para agravar o fenómeno, através de períodos de seca mais prolongados e temperaturas elevadas.

Tebboune, por sua vez, afirmou que os incêndios registados recentemente apresentavam indícios de uma acção criminosa.

A Amnistia Internacional afirmou igualmente ter recebido relatos de fontes consideradas credíveis que apontam para um número de vítimas muito superior ao balanço oficial, incluindo mais de 70 mortos num único município.

Em Julho de 2023, mais de 30 pessoas morreram quando incêndios atingiram milhares de hectares de florestas e terras agrícolas na Argélia, destruindo também centenas de habitações.

No mesmo ano, mais de 50 pessoas foram condenadas à pena de morte, algumas à revelia, pelo linchamento de um homem de 38 anos que tinha sido falsamente acusado de provocar incêndios florestais mortais dois anos antes.

 

Nairobi, capital do Quénia, vai receber em 2029 os Mundiais de atletismo, a primeira edição da competição disputada no continente africano, seguindo-se a cidade alemã de Munique, em 2031, anunciou ontem a World Athletics.

A decisão foi tomada na 242.ª reunião do Conselho Mundial de Atletismo, a decorrer em Budapeste, capital da Hungria, após um processo de candidatura que contou com quatro propostas de “elevada qualidade”, revelou o presidente do organismo, Sebastian Coe, citado em comunicado.

“Nairobi e Munique apresentaram, em última análise, duas propostas convincentes. Oferecem oportunidades muito diferentes, mas igualmente entusiasmantes para a nossa modalidade”, sublinhou o dirigente.

A escolha de Nairobi marca a estreia do continente africano a receber o evento maior da modalidade. Entre outros, a capital queniana já acolhera os Mundiais de sub-18, em 2017, os Mundiais de sub-20, em 2021, e integra desde 2020 o circuito do World Athletics Continental Tour Gold através do Kip Keino Classic.

O palco da competição em 2029 será o Estádio Kasarani, que está a ser alvo de uma remodelação estrutural completa no âmbito dos preparativos para acolher a Taça das Nações Africanas (CAN) de futebol, em 2027.

O Quénia é a segunda Nação mais medalhada da história dos Mundiais de atletismo e concluiu a edição de Tóquio 2025 na segunda posição do quadro de medalhas, com sete títulos e 11 pódios no total.

“Era importante que o Campeonato Mundial de atletismo viesse para África quando tivéssemos o anfitrião certo, a candidatura certa e as circunstâncias certas. Nairobi demonstrou enfaticamente que este é o seu momento”, afirmou Sebastian Coe.

Dois anos mais tarde, em 2031, a competição regressa à Alemanha, 22 anos após ter passado por Berlim, em 2009.

O Estádio Olímpico de Munique voltará a ser o centro das atenções, depois de, em 2018, ter acolhido o Campeonato da Europa e, em 2022, os Europeus multidesportivos, cuja vertente de atletismo atraiu cerca de 267 mil espectadores.

Nos Mundiais de Tóquio, em 2025, a Alemanha arrecadou cinco medalhas, uma das quais de ouro, tendo terminado no terceiro lugar do quadro de medalhas nos Europeus de Birmingham.

“Sabemos que Munique tem capacidade para organizar grandes campeonatos, sabemos que a Alemanha tem um público para o atletismo e acreditamos que Munique 2031 tem todos os ingredientes para ser um espetacular Campeonato do Mundo de atletismo”, sustentou Coe.

Depois da passagem pela capital japonesa no ano passado, o evento agendado para Munique assinala também o regresso dos Mundiais a solo europeu.

A próxima edição da competição decorre em Pequim, de 10 a 19 de Setembro de 2027, mantendo-se o mês de Setembro como horizonte previsto para a realização das edições de Nairobi 2029 e Munique 2031.

O Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente do Grupo Singita, Luke Bailes, avaliaram ontem, em Maputo, o avanço dos projectos de investimento turístico que o grupo está a desenvolver no Arquipélago de Bazaruto, numa altura em que o Chefe do Estado tem intensificado os esforços de promoção de Moçambique como destino de investimento, estando prevista a abertura do primeiro lodge da Singita no país dentro de quatro anos.

Segundo o comunicado da Presidência, no encontro, realizado no Gabinete do Presidente da República, Luke Bailes actualizou o Chefe do Estado sobre os progressos alcançados no projecto da Ilha Santa Carolina e sobre o trabalho adicional em curso em Inhassoro e Vilankulo, incluindo a participação das equipas de arquitectura responsáveis pelos empreendimentos.

“Acabei de ter uma reunião com o Presidente e atualizei-o sobre a Singita e o trabalho que estamos a fazer no Arquipélago de Bazaruto e todo o trabalho adicional que estamos a fazer em Inhassoro e Vilankulo, quem são os nossos arquitectos e quão longe chegámos até agora”.

A evolução dos projectos ocorre no contexto das iniciativas do Presidente da República para mobilizar novos investimentos e criar condições para o desenvolvimento de sectores com potencial de geração de emprego, receitas e valorização dos recursos naturais, com particular atenção para o turismo.

Segundo Luke Bailes, o Chefe do Estado mostrou-se satisfeito com os progressos alcançados, numa fase em que a empresa continua a preparar o desenvolvimento dos seus empreendimentos no país.

“E o Presidente está muito contente com os progressos até agora, e estamos todos ansiosos por finalmente abrir, mas há muito trabalho a ser feito entre agora e essa altura”.

O Presidente da Singita indicou que a empresa espera abrir o primeiro lodge em Moçambique dentro de quatro anos, devendo a Ilha Santa Carolina constituir a primeira etapa da expansão do grupo no Arquipélago de Bazaruto.

A estratégia prevê uma segunda fase de expansão no arquipélago, com a construção de uma unidade hoteleira na ponta norte da Ilha de Bazaruto. “E depois, a seguir ao projecto da Santa Carolina, faremos um hotel em Bazaruto, na ponta norte de Bazaruto”.

Fundada por Luke Bailes, a Singita é uma marca africana de ecoturismo e hotelaria de luxo que combina turismo de alto padrão, conservação da biodiversidade e desenvolvimento das comunidades locais.

O grupo possui propriedades na África do Sul, Tanzânia, Zimbabwe e Ruanda, tendo expandido a sua presença para Botswana em 2026, e estabelece como propósito de longo prazo a preservação e protecção de grandes áreas de natureza selvagem africana para as futuras gerações.

Vendedores de Chongoene voltam a protestar contra a retirada da zona de Senta Baixo. O grupo diz que o mercado de Chongoene não pertence ao governo e recusa-se a ser transferido para uma área que considera de risco, por estar numa curva acentuada da EN1. Os vendedores exigem uma solução.

Quatro semanas depois, cerca de 400 vendedores do Mercado Senta Baixa, em Chongoene, voltaram a protestar contra a transferência para o Mercado da Paz. O grupo recusa-se a abandonar o actual espaço, alegando que a alternativa indicada pelas autoridades está localizada numa zona de risco, junto a uma curva acentuada da Estrada Nacional Número Um.

Para os vendedores, a questão não se resume à mudança de local. O grupo contesta também a utilização do Mercado da Paz como alternativa, alegando que o espaço não pertence ao Governo.

“Ali não vamos entrar, porque não é o nosso espaço. Os proprietários haviam alugado o local aos chineses e, quando estes terminaram as suas actividades, devolveram-no aos proprietários. Nós, aflitos, continuamos aqui fora”, explica Miséria Chachuaio, vendedeira em Chongoene.

A insegurança junto ao Senta Baixo é outro dos argumentos apresentados pelos vendedores para rejeitar a transferência. A proximidade com a curva da EN1, dizem, coloca em risco a vida de quem trabalha e circula naquele ponto.

“Quase que acontecia um acidente. O carro saiu da via e veio na nossa direção. Um dia, os carros ainda vão acabar por nos atropelar aqui”, alerta Miséria Chachuaio.

A preocupação é partilhada por Lurdes Bocal, vendedeira em Chongoene.

“O que vamos fazer? Um carro quase atropelou as pessoas ali. E veja que esta é uma curva muito acentuada”, afirma.

Os vendedores contestam ainda as informações do Governo sobre a titularidade do Mercado da Paz e acusam as autoridades de tentar ocupar o espaço à força, sem diálogo com os proprietários.

“Aquele mercado não foi construído pelo Governo. Querem tomar de assalto e à força uma propriedade alheia, e o dono revolta-se. Os donos do espaço têm as suas tradições, mas o Governo não quer aproximar-se para dialogar; querem tomar à força por serem Governo”, acusa Marieta, representante do grupo de vendedores.

A situação, segundo os vendedores, agrava-se com as dificuldades enfrentadas por quem permanece no Senta Baixa, onde alegam existir episódios de agressão e dificuldades de circulação.

“Estamos a ser agredidos. As pessoas são obrigadas a descer pela linha férrea, carregando sacos de 25 quilogramas até Venhene”, denuncia Marieta.

Perante o impasse, o grupo pede uma intervenção das autoridades para encontrar um espaço que reúna condições de segurança para o exercício da actividade comercial.

“Queremos pedir ao Chapo que nos arranje um espaço e queremos saber para onde vamos”, apela Miséria Chachuaio.

A reivindicação ocorre num contexto de crescente insegurança no Senta Baixa, apontada como zona de concentração de pessoas e onde, nas últimas semanas, foram registados pelo menos nove casos criminais.

Entre os casos está o de um agente económico que terá sido assaltado duas vezes no mesmo dia, por grupos diferentes. Depois de perder uma motorizada para os meliantes, dois homens terão ainda tentado assaltá-lo, sem conseguir levar os 20 mil meticais que transportava quando seguia para casa.

No último caso, um estudante e o seu tio terão confessado o envolvimento no crime, alegando que pretendiam obter dinheiro para despesas de viagem e para uma tentativa de deslocação a Portugal.

“Queríamos apenas 10 ou 15 mil meticais para juntar ao 60 mil e  pagar um contrato em Portugal”

Carlos Macuácua, a polícia vai reforçar a presença policial no local para travar a onda de crimes no local. Com estes últimos casos, sobe para 12 o número de agentes de carteira móvel assaltados na zona de Senta Baixa nos últimos meses.

Os administradores das áreas de conservação afirmam que os ataques terroristas começam a comprometer o desempenho e os ganhos esperados, podendo colocar em causa vários projectos desenvolvidos em benefício das comunidades vizinhas. A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido pela Biofund ao longo dos últimos dez anos.

Mais um ataque terrorista assolou a zona-tampão da Reserva Especial do Niassa, no passado dia 3 de Setembro. Não foi o primeiro incidente do género. A sucessão dos ataques começa a preocupar os administradores das áreas de conservação, que alertam para os impactos negativos na segurança, na conservação da biodiversidade e nos projectos de desenvolvimento comunitário.

“Gostaríamos que continuássemos a manter esta relação com as comunidades para desenvolvermos as cadeias de valor. Se há um ataque em áreas de conservação, para nós é um retrocesso, porque as comunidades passam a ter receio, medo de continuar lá a desenvolver os seus projectos. Nós mesmos, como fiscais e gestores dos parques, ficamos com o receio de estar a enfrentar guerras que não esperávamos que pudessem acontecer nas áreas de conservação”, disse João Muchanga, Administrador da Reserva Nacional do Gilé.

A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido nos últimos dez anos pela Biofund, que permitiu implementar diversas acções nas áreas de conservação.

“Então, é todo um problema que deve ser ultrapassado. A abertura de 65 quilómetros de picada, estabelecendo o limite sul do Parque Nacional do Gilé, a translocação de 200 búfalos, a instalação de sistemas de monitoria ecológica, incluindo o VHF, F-Ranger e coleiras GPS, bem como o reforço das estruturas de gestão nas três áreas. O Monte Mabo merece particular destaque, com a constituição legal da Associação Conserva Mabo e a recente declaração de Mabo como área de conservação comunitária”, explicou Luís Bernardo Honwana, Director-Geral da Biofund.

Para a União Europeia, o término do programa não significa o abandono dos resultados alcançados. Por isso, os parceiros prometem dar continuidade ao apoio e apelam a um maior envolvimento do sector privado na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento das comunidades.

“A conservação e o desenvolvimento local precisam caminhar juntos. Isso exige uma análise económica sólida, cadeias de valor realistas, maior envolvimento do sector privado e soluções adaptadas às realidades locais”, afirmou Anne-Ael Pohu, representante da União Europeia.

No seminário de apresentação dos resultados, foram debatidas estratégias para o combate aos conflitos relacionados com a fauna bravia, bem como mecanismos de financiamento de projectos destinados à localização e catalogação de espécies nas áreas de conservação.

A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, defende a revitalização da Associação dos Músicos Moçambicanos (AMMO) como ponto de partida para a resolução dos principais desafios que afectam a classe artística.

A posição foi manifestada na passada quinta-feira, 10 de Setembro, durante um encontro com a Direcção da AMMO, realizado na sede da agremiação, em Maputo, com o objectivo de analisar as preocupações dos músicos e identificar possíveis soluções.

Antes do encontro, Matilde Muocha visitou a sala de música, o estúdio de gravação e o espaço destinado à realização de espectáculos, tendo constatado as condições em que a associação desenvolve as suas actividades.

Durante a reunião, a AMMO, através do seu representante, Willy Matine, e de outros membros presentes, apresentou como uma das prioridades a realização de uma Assembleia Geral para a eleição do novo corpo directivo da associação.

Entre os desafios apontados estão igualmente a melhoria das condições de funcionamento da sala de música e do estúdio de gravação, o incumprimento da legislação sobre direitos de autor por parte dos utilizadores de obras musicais e a falta de patrocínio por parte do empresariado nacional.

A associação defendeu ainda a necessidade de serem criados mecanismos que permitam determinar a contribuição do sector da música para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Na sua intervenção, Matilde Muocha disse ter ficado positivamente surpreendida com o trabalho que encontrou na AMMO, apesar dos desafios apresentados. Sublinhou que o Governo tem a responsabilidade de acompanhar e apoiar os movimentos associativos ligados ao sector da cultura.

Segundo a governante, a AMMO é uma das associações de referência no sector cultural e criativo, não apenas pelo seu papel na congregação dos músicos, mas também por estar na génese do movimento cultural moçambicano no período pós-independência.

Para Matilde Muocha, a reorganização da associação é fundamental para que esta possa representar e defender eficazmente os interesses da classe artística.

“Espero que este contacto permita acelerar algumas reformas, sobretudo a nível estrutural, organizando a desejada e aguardada Assembleia Geral, até para legitimar a agremiação junto do Governo e parceiros”, afirmou.

A Secretária de Estado acrescentou que a associação deve organizar-se de modo a tornar-se mais acolhedora e capaz de defender os direitos dos artistas.

Matilde Muocha garantiu, igualmente, que o Governo continuará a acompanhar de perto as associações que trabalham em defesa dos artistas nacionais.

O encontro com a AMMO foi o primeiro realizado por Matilde Muocha com uma agremiação artística desde a sua indicação para o cargo, em 2025.

Quase um mês depois de a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado ter recomendado o cancelamento do concurso para a aquisição de equipamentos destinados ao Município de Pemba, o procedimento ainda não foi revogado.

A Procuradoria já comunicou a sua posição à entidade competente, que se encontra a analisar o caso, incluindo a possibilidade de acolher a recomendação ou encontrar fundamentos que justifiquem a reconsideração do acto.

Entretanto, o Conselho Municipal de Pemba confirmou que o edil é o beneficiário efectivo da empresa municipal, defendendo que o processo decorreu com transparência e dentro dos limites legais.

Segundo o município, a legislação de prevenção e combate ao branqueamento de capitais determina a identificação das pessoas colectivas e dos respectivos beneficiários efectivos. Neste caso, a identificação do presidente do Conselho Municipal resulta do facto de a autarquia ser a única sócia da empresa municipal, cabendo ao edil a sua representação e gestão.

O Conselho Municipal sustenta, por isso, que não existe qualquer ilegalidade na identificação do edil como beneficiário efectivo da empresa.

Quanto ao concurso para a aquisição dos equipamentos, a edilidade defende que recorreu ao regime excepcional de contratação por ajuste directo, modalidade prevista na legislação em determinadas circunstâncias.

A autarquia justifica a decisão com a situação de emergência relacionada com os problemas enfrentados pela empresa municipal de resíduos sólidos urbanos (URB), bem como com a necessidade de prevenir outros constrangimentos que possam afectar a cidade nos próximos tempos.

O município considera que a existência de uma empresa municipal constitui uma mais-valia para responder, de forma autónoma, aos problemas da cidade, sobretudo numa altura em que a autarquia enfrenta vários desafios de natureza social e infra-estrutural.

Caso não seja identificada qualquer ilegalidade no procedimento, o Município de Pemba poderá avançar com a aquisição dos equipamentos, cuja chegada está prevista, em princípio, para Outubro próximo.

Entretanto, no que diz respeito às duas aquisições cujo valor ultrapassa cinco milhões de meticais e que, nos termos da lei, deveriam ser submetidas a concurso público, a edilidade comprometeu-se a analisar a situação antes de se pronunciar definitivamente sobre a matéria.

Quase 94 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas no Iémen na sequência da intensificação dos confrontos entre os rebeldes houthis e as forças governamentais, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

As províncias de Taiz e Lahj estão entre as zonas mais afectadas, concentrando mais de 48 mil pessoas deslocadas devido à violência. Perante a crescente crise humanitária, a agência das Nações Unidas para as migrações apela a um apoio urgente para garantir abrigo, água potável e condições básicas de saneamento às famílias afectadas.

A escalada da violência levou também mais de duas mil pessoas a atravessar o mar em direcção ao vizinho Djibuti, chegando em pequenas embarcações através da costa norte daquele país.

Equipas da OIM encontram-se a prestar assistência aos recém-chegados, com a distribuição de alimentos e a disponibilização de abrigo de emergência. Mulheres e crianças procuram protecção contra as elevadas temperaturas sob toldos improvisados instalados ao longo da costa.

A retoma dos combates está a aumentar os receios de que o Iémen volte a mergulhar numa guerra civil de grande escala. O conflito que assola o país provocou cerca de 150 mil mortos antes do cessar-fogo alcançado em 2022.

Os houthis, apoiados pelo Irão, mantêm ainda posições estratégicas que lhes permitem ameaçar uma das principais rotas marítimas comerciais no Mar Vermelho, agravando as preocupações com a segurança e a estabilidade regional.

O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, anunciou esta segunda-feira a sua recandidatura a um segundo mandato de cinco anos nas eleições presidenciais marcadas para 15 de Novembro.

Aos 66 anos, Neves pretende continuar à frente da Presidência da República, cargo que ocupa desde 2021. Antes disso, exerceu as funções de Primeiro-Ministro durante 15 anos, entre 2001 e 2016.

Ao anunciar a decisão, numa conferência de imprensa realizada na cidade da Praia, José Maria Neves afirmou que pretende colocar a experiência adquirida ao serviço do desenvolvimento do país e dar continuidade às causas que tem defendido.

“Concorrerei a um novo mandato de cinco anos para colocar a experiência que adquiri ao serviço do futuro, para defender as causas que tenho perseguido e que não podem ser limitadas a um único ciclo eleitoral, e para construir uma nação vitoriosa e próspera”, declarou.

Com o anúncio da recandidatura, a Presidente da Assembleia Nacional, Janira Hopffer Almada, deverá assumir interinamente a Presidência da República durante os próximos dois meses.

Até ao momento, nove pessoas já manifestaram intenção de concorrer à Presidência de Cabo Verde. Os potenciais candidatos devem, contudo, submeter a documentação exigida ao Tribunal Constitucional até quarta-feira.

Em Cabo Verde, os candidatos à Presidência da República são propostos por cidadãos e figuras da sociedade civil. Os partidos políticos podem apoiar candidaturas, embora o Presidente da República não possa exercer o cargo na qualidade de membro de um partido.

José Maria Neves indicou que pretende contar com o apoio do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), força política que liderou anteriormente, mas apelou também a um apoio mais abrangente à sua candidatura.

Com cerca de 520 mil habitantes, Cabo Verde é um arquipélago situado no Oceano Atlântico, a aproximadamente 600 quilómetros da costa ocidental africana. Antiga colónia portuguesa, tornou-se independente em 1975.

O país é considerado uma referência democrática no continente africano. Desde a realização das primeiras eleições multipartidárias, em 1991, Cabo Verde tem mantido uma relativa estabilidade política, sem registo de violência eleitoral significativa, mesmo durante períodos de coabitação entre forças políticas diferentes na Presidência e no Governo.

Apesar dos avanços políticos e institucionais, o arquipélago continua a enfrentar desafios sociais e económicos, entre os quais se destacam a pobreza e o desemprego, sobretudo entre os jovens.

 

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