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Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.

Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.

Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.

No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.

Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.

A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.

Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.

Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.

 

 

 

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O seleccionador nacional dos Mambas diz que a primeira vitória da selecção no CAN tem um significado histórico, pois foi conquistada no meio de muitas dificuldades. Chiquinho Conde espera que este seja o prenúncio de uma sequência de bons resultados nesta prova. Para já, todos os jogadores do conjunto moçambicano estão prontos para o embate diante dos Camarões, depois da recuperação de Nené e Edmilson.

É a primeira vitória numa fase final do CAN e os primeiros três pontos somados desde que os Mambas começaram a disputar a prova, em 1986. Por isso tem um significado histórico. Há muitos heróis por detrás deste triunfo e Geny Catamo é um deles.

O prodígio moçambicano diz estar orgulhoso de fazer parte desta história, que promete não ter terminado diante do Gabão.

“Estou muito orgulhoso pelo meu desempenho e pelo desempenho da equipa, porque temos trabalhado muito para poder chegar a essa primeira vitória e agora conseguimos lograr alcançar. Agora devemos trabalhar todos os dias para conquistarmos ainda mais vitórias, mais coisas boas para o grupo”, disse Geny Catamo, na conferência de imprensa no final do jogo.

Mas a menção ao grupo de trabalho no alcance deste feito é também feito pelo seleccionador nacional, Chiquinho Conde, que agradece aos jogadores não só pela vitória, mas também pelo espírito de sacrifício.

“Este grupo merece. Só nós passamos por tantas dificuldades, tantas adversidades, chegar hoje aqui, conquistar algo maravilhoso, uma das pessoas mais lindas. Acho que nem o mais optimista dos adeptos esperaria que nós ganhássemos hoje, com a classe, com a disponibilidade de todos os jogadores inteligentes que tiveram um tempo no campo”, disse Chiquinho Conde.

Uma vitória, diga-se, que define um novo conceito do futebol moçambicano, segundo Chiquinho Conde. “Não conseguimos lhes dar a prenda de Natal que nós queríamos ter dado no dia 24, mas ainda estamos dentro da quadra natalícia e esta é a prenda que todos os jogadores e todos os moçambicanos gostariam de ter. E nós, todos eles, os jogadores foram fantásticos, toda a estrutura, e quero dar um grande abraço de agradecimento a todos os moçambicanos”, disse Conde.

Por seu turno, Catamo pediu que os moçambicanos “continuem a acreditar em nós, porque deste lado estamos trabalhando duro para poder chegar a outros patamares”, realçando ainda que “nós, os jogadores, sentimos que passo a passo e pouco a pouco chegamos lá e estamos nesse caminho e sentimos que o ritmo é esse”.

E porque a história é escrita de actos e factos, Chiquinho Conde e o seu portefólio são a escada escalada por Moçambique até o feito histórico alcançado este domingo.

“Fui o primeiro moçambicano, depois da independência, a ir a jogar para o futebol português, fui o primeiro jogador moçambicano a estar numa selecção da África, fui o primeiro jogador moçambicano a estar presente como jogador em três CAN’s, fui o primeiro atleta como jogador reconhecido pela Universidade de Púnguè como Doutor Honoris Causa, hoje, apraz-me dizer, senhores, que sou o primeiro moçambicano a levar a selecção nacional a uma vitória no CAN, sou o primeiro também”, disse o seleccionador nacional, esperando que esta seja o início da sequência de bons resultados “que irão vir por aí”.

Há mais uma batalha nesta quarta-feira contra os Camarões.

 

Festa dos jogadores iniciou no campo e prolongou-se no balneário

Jogadores da selecção celebraram a primeira vitória de todas as formas, entre cânticos e danças. O triunfo dos Mambas também mereceu destaque na imprensa estrangeira e nas páginas oficiais dos clubes onde militam alguns jogadores.

Se antes havia dúvidas de quem é realmente patrão, agora não. A tradição e coreografia marroquina se fez sentir na celebração. 

A vitória dos Mambas foi destaque em alguns cantos do mundo. A imprensa portuguesa, por exemplo, fez referência ao triunfo dos Mambas. O jornalista italiano Fabrizio Romano, especialista em mercados de transferência destacou a vitória da selecção.

Os clubes onde militam alguns jogadores também fizeram o mesmo, com destaque para o Sporting, de Geny Catamo, Santa Clara, de Calila, Nacional, de Witi e Sunderland, de Reinildo Mandava.

Mas também não faltaram promessas de Feizal Sidat, presidente da FMF, que, para além do prémio pela vitória, orçada em 150 mil meticais por cada jogador, prometeu a cada atleta, um prémio pessoal de 50 dólares, equivalentes a quase 3.200 Meticais.

 

Jogadores lesionados recuperados para jogo com Camarões

Depois da vitória sobre o Gabão e da euforia que tomou conta de todos na noite de domingo, os Mambas viraram as atenções para a terceira jornada do grupo F. Esta segunda-feira regressaram aos trabalhos de preparação com vista ao embate diante dos Camarões, quarta-feira. 

O treino contou com todos os jogadores disponíveis depois da recuperação daqueles que estavam lesionados. Ernan era um dos preocupava, mas já em condições.

“Na verdade houve uma preocupação com o Ernan que surgiu ontem durante o campo porque teve uma lesão ligeira no joelho. Nós tratámos imediatamente após o jogo e recuperou perfeitamente. Neste momento está em vias de fazer o treino e vai correr tudo bem”, garantiu Mussa Calú, médico dos Mambas.

Relativamente aos outros dois atletas que sofreram nos treinos anteriores, nomeadamente Nené e Edmilson, Mussa Calú garante que a evolução é bastante favorável. 

“Neste momento vão treinar e estão em condições de desenvolver um treino excelente. Portanto, tudo leva a crer que no jogo de quarta-feira poderão participar do combinado nacional. A lesão de Nené está completamente debelada”, garantiu o médico dos Mambas. 

Com a primeira vitória num,a fase final de um CAN a levar os jogadores a uma euforia que poderia afectar a concentração para o jogo diante dos Camarões, Mussa Calú assegura que a mesma não vai beliscar o objectivo traçado.

“Esta vitória realmente trouxe muito entusiasmo entre os atletas porque a vitória determina que nós temos um passo suficiente para dar no jogo contra a equipa dos Camarões na quarta-feira. Portanto, animicamente estão bastante animados e com a perspectiva de sermos qualificados para a fase seguinte”, disse. 

Sobre a alimentação dos jogadores, o médico garante que toda logística está acautelada para que não haja problemas relacionados com a indigestão alimentar.

“Nós elaboramos um menu contendo alimentos que servem directamente aos atletas, isto é, alimentos ricos em carboidratos e com menos proteínas e menos lípidos. O menu está a ser rigorosamente seguido pela gestão do hotel e estamos bastante satisfeitos com a forma como têm sido apresentadas as refeições. Isto não vai criar absolutamente nenhum problema e até aqui ainda não houve nenhum caso de diarreia nem de qualquer indigestão alimentar. Portanto significa que o menu que nós preparamos está a ser rigorosamente cumprido e em excelentes condições”, finalizou.

Os Mambas terão mais uma sessão de treinos, esta terça-feira, antes do jogo de quarta-feira, diante dos Camarões, a contar para a terceira jornada do grupo F.

Alunos e encarregados de educação entram e saem de estabelecimentos de ensino da Cidade de Maputo, para consultar os resultados da nona, décima e décima segundas classes. Enquanto os da décima e a décima segunda saem entre lamentações e alegria, com os resultados já publicados, os alunos da nona classe continuam em suspense. É que, após a realização dos exames remarcados para os dias 8 e 9 de Dezembro, devido ao anulamento por fraude de violação dos envelopes, na província da Zambézia, as escolas ainda não têm resultados.

“O processo da nona classe ainda está a decorrer”, disse ÉLio Mudender, director dos Serviços Sociais da Cidade de Maputo numa entrevista ao jornal O País. A fonte justifica que os constrangimentos registados na Zambézia, com impacto por todo o país, estão por trás da demora. “Neste momento, os técnicos técnicos estão a monitorar o processo e a recolher os dados”, afiançou.

Na capital do país, foram submetidos ao exame da nona classe 18 049 alunos, e os Serviços Sociais da Cidade de Maputo falam de um resultado negativo de 65%. “É uma experiência nova, todos estamos a aprender com isso, e quero acreditar que nos próximos anos teremos um cenário melhor, aprendido em 2025, para melhorar a qualidade do nosso ensino”, assumiu Mudendere.

Esta é a primeira vez que a nona classe realiza exame, no âmbito da revisão do programa curricular iniciado em 2018.

Os profissionais de saúde nacionais ameaçaram realizar uma greve que consideram “mais perigosa” do sector caso não seja assegurado o pagamento do 13º salário aos funcionários públicos, no prazo de 15 dias. Os profissionais, que falavam nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, disseram que o pagamento deve ser integral e atempado.

É mais uma ameaça dos profissionais de saúde de Moçambique contra o Governo, depois de muitas outras, algumas concretizadas e outras não, relativas às suas exigências como funcionários públicos.

Desta vez, a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) ameaça entrar em greve, caso o Governo não pague o 13º salário aos funcionários públicos num prazo de 15 dias, ou seja, até meados do próximo mês de Janeiro.

“O Governo, se não pagar o 13.º salário na íntegra aos profissionais de saúde, as unidades sanitárias todas serão fechadas aqui, em Moçambique”, disse em conferência de imprensa o presidente da APSUSM.

Anselmo Muchave explicou que o 13.º salário é um direito legal, consagrado no ordenamento jurídico laboral do país, “não sendo negociável, nem um favor” concedido pelo Governo aos funcionários públicos.

“Nesta senda, o não pagamento do 13.º salário terá consequências graves e imediatas na vida do profissional de saúde e, por consequência, no funcionamento das unidades sanitárias em todo o território nacional”, disse Muchave.

Para este dirigente, as consequências poderão afectar os doentes, uma vez que “os hospitais, centros de saúde e demais serviços de atendimento estarão inevitavelmente em situação de caos operacional, colocando em risco a continuidade e a qualidade dos cuidados prestados à população”.

Segundo o presidente da APSUSM, durante o ano, a falta de insumos medicamentosos e de alimentação nas unidades sanitárias levou a mortes “mais graves que os massacres que estão a acontecer em Cabo Delgado”, província afectada por ataques de extremistas no Norte de Moçambique, desde 2017.

“O Governo não mostrou certeza, acções concretas, a não ser falácias durante todo o ano. Tivemos unidades sanitárias que até agora têm dificuldades graves, mas o Governo, a direcção do Ministério da Saúde, não saiu a falar daquilo que está a acontecer na jornada sanitária. O nosso povo está a morrer”, afirmou Anselmo Muchave.

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique, que abrange cerca de 65 mil profissionais de saúde de diferentes departamentos, deu 15 dias para que o Governo responda à exigência, porque, segundo Muchave, passado o prazo, a classe não se vai “sentar” para negociar o pagamento, já que “o 13.º não se negocia”.

Recorde-se que em Agosto passado os profissionais de saúde moçambicanos alertaram para “deficiências alarmantes” no fornecimento de medicamentos nas unidades sanitárias e pediram a nomeação de uma nova equipa para dialogar no âmbito das conversações com o Governo para acabar com paralisações.

A primeira escola de DJ em Moçambique quer profissionalizar o sector, capacitar os fazedores da música, formar novos talentos e reduzir barreiras sociais e de género. Por isso, a escola será criada e o projecto será liderado pelo DJ Faya, que junta duas décadas de experiência.

A escola de DJs foi fundada em Maputo há menos de seis meses, e é denominada BPM, que significa Batidas por Minuto, que já formou 16 DJs.

O projecto, liderado por Fayaz Abdul Hamide, artisticamente conhecido como DJ Faya, pretende formar novos talentos e reduzir barreiras sociais e de género.

“É um projecto onde deixo um legado para os jovens daquilo que é toda a minha experiência, que aprendi durante anos (…), sendo também uma iniciativa empreendedora na qual podemos também crescer e desenvolver mais projectos para os jovens”, explica à Lusa Fayaz Abdul Hamide, ou DJ Faya, no mundo artístico.

A BPM – Batidas por Minuto – já formou 16 DJs moçambicanos e “quatro a cinco formandos já começaram a tocar no mercado”, num esforço para tentar apoiar a profissionalização e travar o estigma e tabu relacionado com a actividade. Entretanto, uma nova turma de seis candidatos a DJ já está a iniciar a formação na BPM.

“A ideia é fazer turmas pequenas para que melhor possamos estar com elas e dar toda a atenção possível, porque senão acabamos tendo 30 alunos e não conseguimos estar com todos eles”, diz.

A formação inclui ‘DJing’, produção musical, ‘branding’ e ‘marketing’ artístico, distribuídos em nove módulos que combinam teoria e prática.

“Em 45 dias, conseguem aprender a parte teórica e depois a parte prática. Sempre de mãos dadas para que eles não possam esquecer dos conceitos DJ, da questão da música, dos botões”, acrescenta o fundador.

Fayaz nasceu a 10 de Agosto de 1986 e é um dos DJs mais populares de Moçambique, com carreira iniciada em 2000 e consolidada a partir de 2004. Vencedor do concurso de DJ do Blue Xurras em 2010 e autor de sucessos como “Fala” e “Bondoro”, destacou-se também como fundador do festival Nostalgia, que promove música africana dos anos 1990 e 2000.

Recebeu o prémio de Melhor DJ 2012, lançou o álbum “Tá Comprovado vol. 1” e foi nomeado cinco vezes nos Mozambique Music Awards. Paralelamente, desenvolve acções filantrópicas ligadas à Associação Moçambicana de Autismo e representou a lusofonia no festival African In Color, no Ruanda, em 2023.

Segundo o DJ Faya, a formação decorre três vezes por semana, até duas horas por dia.

A escola tem procurado integrar diferentes perfis e disponibilizou “quatro bolsas a jovens com autismo”.

“Um deles foi o DJ que fechou o baile da escola dele”, detalhou Faya, que é também ‘embaixador’ das pessoas com autismo no país.

“Temos aqui alunos que já começaram a entrar para o mercado. Nós estamos a auxiliá-los com material novo e material para alugar”, afirma, destacando o apoio a iniciativas sociais: “Semanas atrás, lancei a minha nova música para o mercado, que é uma de socialização contra a violência das mulheres”.

Apesar do crescimento da procura, persiste desigualdade de género no acesso à formação, nas várias áreas.

“Ainda existe um tabu nas mulheres, muitas vezes imposto pelo ambiente familiar. É preciso desmistificar isso”, defende Faya, revelando que a nova turma na BPM conta com uma aluna e tem mais três mulheres inscritas para Janeiro.

Clapton, DJ há mais de uma década, apostou na formação para reforçar competências nos ‘pratos’ e pistas de dança.

“É uma honra estar ao lado do Faya, é um prazer, e também vim cá porque, não só sendo DJ, é sempre bom vir fazer um ‘upgrade’, vir inovar as técnicas, vir inovar a sabedoria de ser um bom DJ (…). É muito bom ser DJ e ter o diploma, ser reconhecido. E melhorar também mais ainda as minhas performances”, diz Clapton, que é também promotor de eventos.

A BPM acolhe igualmente alunos sem experiência prévia, como Deise Chirindza, vendedora, que decidiu explorar a área por interesse pessoal: “Nunca fui DJ. Simplesmente sou alguém que gosta de música. Então, essa experiência aqui é para me trazer um novo ‘know-how’ (…) às vezes é necessário que a gente tenha alguma coisa a que se segure, que possa distrair e por aí em diante”, conta à Lusa.

Deise explica que esta formação representa também um desafio pessoal: “Por ser mulher, às vezes gostamos de desafiar aquilo que são as nossas capacidades”.

Com alunos com idades entre os 8 e os 60 anos, a escola quer consolidar-se como referência na formação de DJ no país e com essa ideia do fundador que é também o tutor na escola de que é de “pequenino é que se torce o pepino”.

“Um DJ não se forma em 10, 15, 20 dias. É todos os dias ser DJ, aprender novas técnicas sobre música, a história da música e muito mais”, afirmou Faia.

“O que se ensina aqui é a minha experiência. Se a minha carreira serve como exemplo para muitos DJ, acredito que sem dúvida vão servir para os alunos que estão a entrar, porque é dali que a gente sai em novas experiências, daquilo que eu aprendi durante anos em Moçambique e fora e que eles vão aprender”, conclui.

A Autoridade Tributária prevê arrecadar, em 2026, cerca de 15 mil milhões de meticais a mais nas receitas, em resultado das reformas das leis fiscais recentemente aprovadas pela Assembleia da República. A tributação das operações digitais é apontada como o principal motor da subida.

A Autoridade Tributária de Moçambique chamou, nesta segunda-feira, a imprensa para fazer o balanço das actividades de 2025, mas começou por perspectivar o 2026, com o impacto da revisão do pacote fiscal.  

“O resultado expectável deste pacote todo extenso de reforma tributária é de cerca de 15 mil milhões que o Estado vai passar a cobrar, a coletar para os seus cofres a partir de 2026.  Portanto, seria mais ou menos a cereja por cima do bolo deste grande exercício que foi  feito durante o ano de 2025. Dentro da Autoridade Tributária nós temos o que se chama o E-Tributação, por exemplo”, explicou Fernando Tinga, Porta-voz da AT.

A Tributação das plataformas e operações digitais é apresentada como o principal meio de coleta.

“E fora da Autoridade Tributária, por exemplo, há uma infraestrutura criada pelas próprias  operadoras. Vou dar um exemplo. Um segmento específico das operadoras tem uma estrutura própria que tem que se comunicar com a infraestrutura da Autoridade Tributária.

Num e noutro caso há de ser necessário criar outros mecanismos, mas tudo no sentido de  garantir que todo o comércio que é feito a nível digital possa ser do conhecimento da Autoridade e onde houver espaço para a tributação, essa tributação seja feita”, esclareceu. 

A AT apresentou ainda um camião com bebidas alcoólicas apreendido, resultantes de contrabando.

“Graças ao trabalho de inteligência foi possível identificar e imobilizar a viatura que trazia várias bebidas alcoólicas, avaliadas a cerca de 700 mil meticais. Depois foi possível chegar a um esconderijo onde constatamos a presença de outras materiais do género, no local onde eram acondicionadas”.

Fernando Tinga referiu-se ainda à apreensão de 382 viaturas que violaram o regime de importação e exportação.

O Presidente da República, Daniel Chapo promulgou e mandou publicar um conjunto de Leis  que integram o pacote de reformas fiscais. São elas: Lei que altera a pauta aduaneira e as respectivas instruções  preliminares; lei que altera o código do imposto sobre consumo específicos  (ICE); lei de alteração do imposto simplificado para pequenos  contribuintes;  lei que altera o código do imposto sobre o valor acrescentado  (IVA);  lei que altera o Código do imposto sobre o rendimento das  pessoas singulares (IRPS); e lei que altera o código do imposto sobre o rendimento das  pessoas colectivas (IRPC). 

Segundo o comunicado da Presidência da República, a promulgação das alterações ao pacote fiscal encerra o processo  de produção legislativa, materializando parte do compromisso  assumido no discurso inaugural de Daniel Chapo aquando da  sua investidura.

Alberto da Cruz e Hélder Jauana condenam o uso abusivo do passaporte diplomático por parte de alguns dirigentes. Os comentadores da STV defendem ainda reformas profundas na legislação aduaneira.

Continuam sonantes na sociedade reacções às queixas do uso indevido do passaporte diplomático,  por parte de alguns dirigentes. Alberto da Cruz diz que o documento não deve ser usado para intimidar os agentes alfandegários. 

“O grande problema é que, de facto, abusou-se deste documento. Mais uma vez, é um documento. Aqueles não são diplomatas, esses que estão tocando com aquele documento. Não, não, não. Não são. São cidadãos, às vezes, normais. Só que gostam de se sentir chefes e, quando passam no aeroporto, é o pacato funcionário, que também tem medo do poder político, porque aqui é outra coisa, se confunde o passaporte vermelho com o cartão do partido. Quem é aqui que vai ter um passaporte diplomático, se não está num partido com poder? Então, às vezes, você pensa que é um chefe. Então, intimida-se o funcionário público na ideia de que eu sou chefe. E, se você não trabalhar como deve ser e me deixar passar, eu posso tirar daqui. Este é um facto que tem que ser colocado à mesa”, explicou o comentador. 

E mais, fala de abusos por parte dos familiares beneficiários, que usam o documento para fazer negócios.  

“As esposas dos chefes que têm passaporte diplomático, que, por inerência, elas têm, abrem boutiques aqui na cidade com os passaportes diplomáticos. São elas que viajam na China, essas lojas todas, não pagam impostos e ficam a fazer rios e rios de lucros, até sem impostos, além dos direitos aduaneiros de que falamos. Os salões de cabeleireiro, os restaurantes, quer dizer, virou um negócio ter um passaporte diplomático, de tal forma que é uma luta gigante para as pessoas acederem a cargos que lhes dão esses direitos. E até há questões relacionadas a drogas, há questões relacionadas a viagens presidenciais que as pessoas, de alguma forma, mais uma vez, abusam. A grande questão aqui é o abuso, que eu acho que se deve discutir com mais seriedade lá na Autoridade Tributária, em outros sítios, e nos dizerem bem, bem, bem, essa coisa de passaporte diplomático, qual é o limite”.

Por sua vez, Hélder Jauana questiona a necessidade de abrangência do documento aos familiares. 

“Se a lei já explica quem tem acesso, se calhar podemos discutir outra questão, por que os cônjuges e os filhos devem ter acesso? Gozam aqui na fronteira, aqui na Ressano Garcia-Lebombo, gozam, riem-se, fazem chacota, no sentido de que nesse país toda a gente tem passaporte diplomático”. 

Outra preocupação tem a ver com a isenção de impostos para algumas pessoas. 

“Há algo para mim muito mais profundo que a profissional Fátima levantou e que ninguém está a discutir, é a questão da franquia, dos 200 dólares. Eu viajo, não tenho passaporte diplomático, tenho o passaporte ordinário, vou para fora do país, volto, não tenho fábrica de roupas, não tenho, quer dizer, impõe-me 200 dólares. Temos que ser realistas, ninguém está a discutir o que a senhora Fátima levantou. A questão da franquia é séria, quando diz que é importante que quem legislou sobre a franquia reflita sobre ela e decida se altera ou não, porque os funcionários da alfândega, eu próprio aborreço-me quando mandam-me abrir malas, é deselegante”. 

Contudo, os comentadores do programa Pontos de Vista da STV defendem reformas profundas na legislação aduaneira sobre a matéria.

O dia da família que devia ser de união, harmonia e celebração familiar foi manchado de sangue no distrito do Dondo, província de Sofala. No dia 25 de Dezembro, uma mulher foi detida por supostamente matar o próprio marido, num acto de violência que culminou na mutilação genital da vítima.

Segundo informações da Polícia da República de Moçambique (PRM), o crime ocorreu após uma discussão acesa entre o casal, cujo relacionamento era marcado por constantes desentendimentos e consumo de bebidas alcoólicas. Durante o confronto, a mulher agrediu gravemente o companheiro, provocando ferimentos que se revelaram fatais. 

O porta-voz da PRM em Sofala, Honório Chimbo, explicou que a detenção da indiciada foi possível graças à participação activa da comunidade. “A detenção da indiciada foi possível através de denúncias feitas pelos vizinhos, que, ao tomarem conhecimento da ocorrência, comunicaram o caso à subunidade da PRM no comando distrital do Dondo. A polícia deslocou-se prontamente ao local, neutralizou a suspeita e encaminhou-a para as celas”, afirmou.

O porta-voz acrescentou que a mulher confessou o crime e justificou, parcialmente, a sua acção por motivações passionais. “Ela assume o cometimento do crime e refere que tudo ocorreu após uma discussão intensa com o marido. No entanto, nenhum acto justifica este tipo de violência. Apelamos sempre ao diálogo como forma de resolver conflitos conjugais”, reforçou Chimbo.

Segundo a PRM, a vítima recebeu assistência médica e foi encaminhada para a unidade sanitária mais próxima, mas, devido à gravidade dos ferimentos provocados pela agressão, perdeu a vida. “Trata-se de um caso de homicídio agravado, que seguirá os trâmites legais até às instâncias judiciais competentes”, reforçou o porta-voz.

A indiciada, de 39 anos, relatou às autoridades que mantinha um relacionamento de quase cinco anos com o falecido, com quem tem uma filha. Em depoimento à polícia, a mulher descreveu os acontecimentos que levaram à tragédia.

“Tínhamos muitos problemas. Houve discussão e naquele dia tínhamos bebido. (…) Perdi o controlo. Nunca pensei que isso fosse terminar assim. Estou arrependida”, disse.

Em detalhe, a mulher contou que o conflito iniciou-se quando tentou contactar o marido para resolver uma situação relacionada com o telemóvel do parceiro que a vítima alegava estar na posse da indiciada. Face a este cenário, a implicada narra que o malogrado mostrou-se agressivo e a violência atingiu um nível extremo.

“Ele estava grosso, eu também estava. Liguei para o telefone dele, mas ele não me atendeu. Depois tentei por intermédio de amigos, mas ele continuava agressivo. A situação descontrolou-se, quando estávamos em casa, eram por aí uma hora da madrugada e estava a chover. Ele apertou-me pescoço e não aguentei, acabei mordendo e arranquei os órgãos genitais do meu marido”, relatou a indiciada, descrevendo o momento em que o acto de mutilação ocorreu.

 As autoridades mostram-se preocupadas com o aumento de crimes violentos na região e apelam aos líderes comunitários para reforço da educação cívica, prevenção da violência doméstica e acompanhamento psicológico de casais em conflito.“Apelamos às famílias e à comunidade para privilegiarem o diálogo e a mediação de conflitos. A violência nunca pode ser solução”, reforçou Honório Chimbo.

Nesta altura, a detida encontra-se nas celas do comando distrital do Dondo e responderá criminalmente pelo crime de homicídio agravado.

Os EUA e a Ucrânia dizem estar mais próximos do que nunca de um acordo para pôr fim à guerra russo-ucraniana. No entanto, Moscovo insiste em exigências territoriais que continuam a travar o consenso.

Estão totalmente acordadas as garantias de segurança entre os Estados Unidos e a Ucrânia, revelou o presidente ucraniano este domingo na Flórida. Volodymyr Zelensky falava após uma reunião decisiva com Donald Trump sobre a paz.

“Discutimos todos os aspectos do quadro de paz, que inclui grandes conquistas, como o plano de paz de 20 pontos que está acordado em 90%, e as garantias de segurança entre EUA-Europa-Ucrânia foram acordadas a 100%”, disse o presidente ucraniano. 

Por seu turno, Donald Trump declarou que a Ucrânia e a Rússia estão mais próximas da paz do que nunca.

“Tivemos discussões sobre praticamente todos os assuntos e isso inclui o presidente Putin e entramos em grandes pormenores e da mesma forma que entramos em grandes pormenores hoje (este domingo)”, declarou Trump. 

Segundo Trump, após uma conversa telefónica com Vladimir Putin, Moscovo mantém a exigência de controlo total das regiões orientais da Ucrânia e continua a opor-se a um cessar-fogo imediato. 

Ainda assim, Kiev reiterou que está pronta para um cessar-fogo como sinal de boa-fé, enquanto as negociações prosseguem sem um calendário definido.

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