A Electricidade de Moçambique faz hoje 49 anos da sua fundação. Para celebrar a data e lançar as comemorações de meio século, a empresa promoveu um workshop para reflectir os ganhos alcançados, no qual foi desafiada a adoptar medidas face aos desafios climáticos.
Criada em contexto de guerra, 1977, a Electricidade de Moçambique completa esta quinta-feira, 49 anos de existência. Para marcar as celebrações e lançar a marcha para meio século, juntou antigos trabalhadores, governo e academia para reflectir os ganhos alcançados.
O Presidente do Conselho de Administração, Joaquim Ou-chim, usou o momento festivo para anunciar “uma nova era e inovação tecnológica na empresa, na qual a ciência é uma aliada indispensável para o progresso.”
Para Ou-chim, “Completar 50 anos não pode ser visto como um ponto de chegada, pelo contrário, deve ser sempre um novo ponto de partida para aprimorar nosso desempenho, fortalecer a confiança e consolidar os resultados alcançados até agora.”
Mais de 46 milhões de dólares foram gastos nos últimos 8 anos para repor infraestruturas de energia destruídas por ciclones, por isso, o governo através do Secretário Permanente do Ministério dos recursos Minerais e Energia, António Manda, desafiou a empresa a adaptar-se ao clima.
Pascoal Bacela, Antigo Director Nacional de Energia a dependência de apoios externos para o alcance das metas de electrificação universal até 2030, pode ser perigosa.
“Estamos planear os próximos 50 anos, a questão é: os próximos 50 anos continuarão dependendo de doações e subsídios? Isso pode ser muito complicado.” Alertou
Em um outro painel, sobre 50 anos de História e Transformação, Ernesto Fernandes, Antigo Administrador EDM defendeu a manutenção da natureza pública da EDM.
“A EDM deve continuar sendo uma empresa pública estatal, verticalmente integrada e responsável pelas diversas cadeias de valor de fornecimento de energia, transporte e comercialização em todo o território nacional. Só vamos conseguir eletrificar todo o país se a empresa manter-se de natureza nacional” Concluiu.
Partilhando sua experiência de 35 anos na empresa, Fátima Artur, também Antiga Administradora, disse ter conhecido pessoas dedicadas no trabalho, “
Os antigos administradores, desafiam os actuais gestores a concluir o ciclo de meio século da empresa com demonstração de transparência na gestão.
Também conheci pessoas que precisam ser expostas a processos de integridade.” Concluiu.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que também fez representar-se no evento, defendeu trabalho coordenado entre as duas empresas públicas para prossecução da ambição de eletrificar Moçambique até 2030.
Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países apelaram, esta sexta-feira, ao respeito pelo cessar-fogo no leste da República Democrática do Congo (RDC), condenando as recentes violações do acordo envolvendo o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiado pelo Ruanda.
Num comunicado conjunto, o Grupo de Contacto Internacional para os Grandes Lagos (ICG) afirmou que todas as partes devem reafirmar, de forma urgente e clara, o compromisso de pôr fim às hostilidades e retomar o diálogo. A declaração foi divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA, através do seu Gabinete de Assuntos Africanos, em Joanesburgo, na África do Sul.
Os signatários sublinharam que o conflito não poderá ser resolvido por meios militares. Além dos EUA e da UE, a posição foi também apoiada pelos governos da Suíça e do Reino Unido.
O ICG manifestou ainda “profunda preocupação” com as violações recentes e recorrentes do cessar-fogo acordado em dezembro entre Ruanda e a República Democrática do Congo. O entendimento foi assinado em Washington, D.C. com mediação do presidente dos EUA, Donald Trump.
Segundo o comunicado, entre as infrações registadas está o uso de drones em operações militares, situação considerada especialmente preocupante por representar um risco elevado para a população civil.
Os países envolvidos apelaram ainda ao cumprimento integral dos compromissos assumidos nos acordos e nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, bem como ao respeito absoluto pela integridade territorial. Também foi reforçada a necessidade de garantir acesso humanitário total, seguro e sem obstáculos para apoiar as populações afetadas pelo conflito.
Desde a assinatura do acordo de paz, em 4 de dezembro, pelo presidente congolês Félix Tshisekedi e pelo presidente ruandês Paul Kagame, ambos os países têm trocado acusações sobre alegadas violações do pacto.
A região leste da República Democrática do Congo vive em situação de instabilidade desde 1998, marcada por confrontos entre forças governamentais e diversos grupos armados, apesar da presença de uma missão de paz das Nações Unidas no país.
Ao sétimo dia de conflito, reportam-se novos ataques israelitas contra o Líbano, numa altura em que Irão e Israel continuam a visar-se mutuamente. Já Washington alerta para uma intensificação dos bombardeamentos.
Numa altura em que a guerra entre os EUA e Israel contra o Irão entra no seu sétimo dia, Telavive anunciou ter dado início a uma nova vaga de ataques em larga escala contra infraestruturas-chave iranianas. Teerão, por sua vez, continua com as ações de retaliação, visando principalmente países vizinhos que albergam bases norte-americanas.
A guerra tem vindo a alastrar-se igualmente para outros pontos da região. Vários estados do Golfo Pérsico, anunciaram a intercepção de mísseis e drones enviados por Teerão, ao passo que, no Líbano, as infraestruturas do Hezbollah continuam a ser alvo de intensos bombardeamentos.
Portugal foi um dos 15 Estados-membros da União Europeia que activou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para repatriamento de cidadãos lusos que ainda se encontrem em países do Médio Oriente.
Emmanuel Macron, presidente francês, disse nas redes sociais que França não vai se envolver na guerra do Médio Oriente.
“A França não faz parte desta guerra. Não estamos em combate e não nos vamos envolver nessa guerra, a França está a proteger os homens e mulheres franceses,”.
Entretanto, os Estados Unidos, dão à Índia isenção de 30 dias para comprar petróleo russo retido por guerra no Irão.
De acordo com o secretário do Tesouro dos EUA, a medida será uma solução de curto prazo para aliviar as pressões sobre a oferta e garantiu que a isenção não dará um benefício financeiro significativo ao governo russo.
O Conselho Municipal da Cidade de Maputo realiza o Festival Municipal de Monólogos, um evento com o objectivo de promover o teatro e os seus fazedores no Município de Maputo.
O evento, que coincide com o Dia Mundial do Teatro, dia 27 de Março, é uma iniciativa do Conselho Municipal de Maputo, através do Pelouro da Cultura e Turismo, implementado pelo Ntsindya, Centro Cultural Municipal.
O Festival vai realizar-se nas instalações do Ntsindya – Centro Cultural Municipal, com o objectivo de promover o teatro e os seus fazedores no Município de Maputo.
Refira-se que o festival é de cariz competitivo, com premiações monetárias para os três primeiros classificados, com uma premiação de 30 mil meticais para o primeiro lugar, 15 mil para o segundo e 7 500 para o terceiro.
O valor do Fundo Soberano de Moçambique (FSM) cresceu 6,5% nos primeiros três meses desde que o Governo enviou a primeira tranche para o Banco de Moçambique (BM), atingindo cerca de 117 milhões de dólares americanos.
Os dados constam das informações disponibilizadas pelo banco central, nesta quarta-feira, indicando que o fundo iniciou a sua trajectória com uma evolução positiva, impulsionada sobretudo pelas primeiras receitas provenientes da exploração de gás natural liquefeito no País.
A criação do Fundo representa um dos instrumentos estratégicos definidos pelo Estado para gerir as receitas provenientes dos recursos naturais, particularmente do gás natural descoberto na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. O mecanismo pretende assegurar que parte significativa desses recursos seja canalizada para a poupança nacional e para o financiamento de iniciativas estruturantes de desenvolvimento, com impacto tanto no presente como nas gerações futuras.
Os dados oficiais indicam que o crescimento registado no valor do fundo ocorreu entre Dezembro de 2025 e o início de Março de 2026, período que coincide com os primeiros meses de funcionamento efectivo da estrutura. No dia 2 de Março, segundo o banco central, o valor do fundo era de cerca de 117 milhões de dólares.
O ponto de partida para o Fundo Soberano ocorreu a 10 de Dezembro de 2025, quando o Governo transferiu para o Banco de Moçambique o primeiro montante destinado à capitalização do fundo. Na altura, foram depositados 109,97 milhões de dólares, provenientes das receitas iniciais da exploração de gás natural.
O valor constituiu a base financeira para o arranque das operações do FSM e para a implementação do seu modelo de gestão. Posteriormente, a 6 de Janeiro de 2026, foi realizada uma nova transferência de recursos para o fundo, desta vez no valor de cerca de 6,2 milhões de dólares.
A soma desses montantes, aliada à valorização dos activos financeiros nos quais o capital começou a ser aplicado em três bancos no exterior, contribuiu para o crescimento global do fundo ao longo dos primeiros três meses de actividade.
O Fundo Soberano de Moçambique foi oficialmente criado após a aprovação da respectiva lei pela Assembleia da República em 15 de Dezembro de 2023. A legislação estabelece as bases de funcionamento, os objectivos estratégicos e os mecanismos de governação do fundo, que deverá desempenhar um papel central na gestão das receitas provenientes do sector de hidrocarbonetos.
Entre as principais disposições da lei encontra-se a determinação de que 40% das receitas anuais provenientes da exploração de gás natural sejam canalizadas para o Fundo Soberano. As projecções indicam que, a partir da década de 2040, essas receitas poderão alcançar cerca de 6 mil milhões de dólares por ano, dependendo da evolução da produção e das condições do mercado internacional de energia.
De acordo com o Banco de Moçambique, que assume a gestão operacional do fundo, o FSM deve ser entendido como uma carteira de investimentos estruturada segundo critérios técnicos rigorosos e alinhada com a legislação nacional. A instituição esclarece que “o FSM é uma carteira de activos financeiros, gerida de acordo com os princípios, regras e procedimentos estabelecidos na lei”.
A função do banco central consiste em gerir os recursos no mercado financeiro internacional, aplicando os fundos em activos que permitam preservar e aumentar o valor do capital ao longo do tempo, respeitando simultaneamente os limites de risco definidos pela política de investimentos.
A instituição explica que a criação do FSM foi “motivada pela necessidade imperativa de garantir que as receitas geradas pela exploração de petróleo e gás impulsionam o desenvolvimento social e económico do País”.
Para além deste objectivo, o banco central sublinha que o fundo deverá desempenhar um papel importante na estabilidade macroeconómica e na construção de uma base sólida de poupança nacional. Nesse sentido, acrescenta que o mecanismo visa “maximizar os benefícios para a economia nacional e assegurar que estas receitas sirvam como um pilar de estabilização do Orçamento do Estado, bem como uma base sólida para a criação de poupança e acumulação de riqueza para as gerações futuras”.
A estrutura institucional do Fundo Soberano prevê uma divisão clara de responsabilidades entre diferentes entidades do Estado. O Governo é responsável pela supervisão global e pela definição das orientações estratégicas, enquanto o Banco de Moçambique assegura a gestão operacional e a execução da política de investimentos.
A gestão do Fundo está sujeita a mecanismos de controlo e auditoria, incluindo fiscalização interna e externa, com o objectivo de garantir transparência, responsabilidade e conformidade com as normas legais e financeiras.
A evolução inicial positiva do Fundo Soberano ocorre num momento em que Moçambique continua a desenvolver projectos de grande escala para exploração de gás natural na Bacia do Rovuma, considerada uma das maiores reservas mundiais desse recurso.
Actualmente, três grandes projectos de exploração estão aprovados para a região. Um deles é liderado pela multinacional francesa TotalEnergies e prevê a produção de cerca de 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano. O projecto encontra-se numa fase de retoma gradual após ter sido suspenso, devido aos ataques terroristas registados na província de Cabo Delgado.
Outro projecto de grande dimensão é liderado pela ExxonMobil, empresa norte-americana que planeia desenvolver uma capacidade de produção de aproximadamente 18 milhões de toneladas anuais de gás natural liquefeito. No entanto, a decisão final de investimento ainda não foi anunciada, estando dependente de diversos factores, incluindo condições de segurança, viabilidade económica e evolução do mercado energético global.
Além desses projectos localizados na península de Afungi, existe ainda a Área 4 da Bacia do Rovuma, um consórcio liderado pela empresa italiana Eni. Nessa área, já se encontra em operação, desde 2022, a unidade flutuante Coral Sul, destinada à produção de gás natural liquefeito em águas ultraprofundas.
A evolução dessas iniciativas é considerada fundamental para o financiamento do Fundo Soberano, uma vez que a legislação estabelece que parte significativa das receitas geradas por esses projectos seja destinada ao fundo.
O bispo emérito da Diocese dos Libombos, Dinis Sengulane, celebrou esta quinta-feira, 5 de Março, 80 anos de vida. Ao longo de várias décadas, dedicou-se à fé, à reconciliação entre moçambicanos e à promoção de iniciativas sociais que continuam a transformar comunidades.
Considerado por muitos um peregrino da paz, Dom Dinis tornou-se uma das vozes morais mais respeitadas de Moçambique.
Filho de Salomoni Sengulane e de Rosita Massango, nasceu em 1946, no posto administrativo de Zandamela, na província de Inhambane Province. Desde cedo demonstrou uma inclinação para a vida religiosa. Conta-se que, ainda criança, inventava missas e brincava de baptizar bonecos.
Quando nasceu recebeu o nome Nyanzume, do cicopi, que significa “fazedor das coisas do céu”. Para muitos, esse nome acabou por se tornar um verdadeiro prenúncio da missão que viria a abraçar.
Com o passar dos anos, a vocação transformou-se em realidade. Em 1976 foi consagrado bispo anglicano, iniciando um percurso de liderança religiosa que marcaria profundamente a igreja e a sociedade moçambicana.
O homem por trás do bispo
Antes de ser uma figura pública, Dom Dinis é também o pilar de uma família numerosa. Aos 80 anos é pai de nove filhos, avô de vinte netos e referência para uma extensa família.
A vida familiar conheceu também momentos difíceis. Em 1998 perdeu a sua esposa, um episódio que marcou profundamente a família. Mesmo assim, decidiu seguir em frente e dedicar-se ainda mais aos filhos, assumindo simultaneamente o papel de pai e mãe.
Hoje, filhos, netos e sobrinhos reconhecem nele um conselheiro permanente, alguém que em momentos de dificuldade encontra sempre palavras de encorajamento e orientação.
Uma voz pela paz
A liderança de Dom Dinis ganhou especial relevância durante um dos períodos mais difíceis da história de Moçambique: a guerra civil que dividiu o país durante anos.
Nesse contexto, a sua missão religiosa ultrapassou os limites da igreja. O bispo passou a desempenhar um papel activo na promoção do diálogo e da reconciliação entre moçambicanos, contribuindo para aproximar partes em conflito.
Esse esforço culminaria na assinatura do acordo geral de Paz, em Outubro de 1992.
Para muitas figuras da sociedade moçambicana, Dom Dinis foi um dos líderes religiosos que ajudaram a criar pontes num momento em que o país mais precisava de reconciliação.
Transformar armas em enxadas
Depois da guerra, quando o silêncio das armas ainda ecoava na memória colectiva, Dom Dinis lançou uma iniciativa que viria a tornar-se conhecida internacionalmente.
O projecto Transformar armas em enxadas, incentivou antigos combatentes e comunidades a entregarem armas em troca de instrumentos de trabalho.
As armas recolhidas foram depois transformadas em ferramentas agrícolas e também em peças de arte, num poderoso símbolo de reconciliação e reconstrução nacional.
Compromisso social
A acção de Dom Dinis não se limitou à promoção da paz. O bispo também se destacou no combate à malária, através da campanha Fazer Recuar a Malária.
A sua intervenção ajudou a chamar a atenção para o paradoxo de milhares de pessoas continuarem a morrer de uma doença que tem tratamento, pressionando governos e instituições a reforçarem a resposta ao problema.
Ao longo do seu ministério, que este ano assinala 50 décadas de sacerdote, Dom Dinis tem sido reconhecido dentro e fora do país pela sua coragem moral e pela defesa da justiça social.
Um legado que continua
Mesmo depois de se retirar das funções episcopais, Dom Dinis Sengulane continua activo em projectos sociais e iniciativas de fé, mantendo o compromisso com a paz, a justiça e o bem-estar das comunidades.
Aos 80 anos, a sua trajectória continua a inspirar muitos moçambicanos , não apenas como líder religioso, mas como um homem que procurou transformar a fé em acção concreta.
Depoimentos
Lina Sengulane – Esposa
“É uma pessoa de fácil trato. É uma pessoa que não quer ver conflitos, não quer ver confusão. É uma pessoa calma, serena. Ele consegue ficar igual a si, mesmo, em momentos bons e em momentos difíceis. É um grande contador de anedotas. Ele conta anedotas uma acima da outra, então aí toda a gente ri, toda a gente fica feliz.Não somos só marido e mulher, somos companheiros, somos amigos”.
Esperança Mangaze – Amiga/ Crente
A ti, sacerdote para sempre, escolheu teu Pai dos céus para que fosses um outro Cristo. Para que os teus pés continuassem a caminhar nos caminhos do mundo. Eu tinha nove anos, mas essa mensagem ficou e eu olho para o Dom Dinis Sengulane a representar essa figura, não só para mim, mas para muitas outras pessoas. É aquele exemplo de pessoa que nós todos queremos seguir.
Graça Machel – Activista Social / Amiga
O Bispo foi falar com o Presidente Chissano e disse que é preciso acabar com a guerra entre moçambicanos e explicou muito bem, o que aquela guerra significava para milhões de moçambicanos (…) Encontrou-se com Afonso Dlhakama, também para o convencer de que o sacrifício enorme que era exigido ao povo moçambicano não justificava.
Joaquim Chissano – Antigo Presidente da República
Formaram um grupo que foi aos Estados Unidos da América por minha sugestão. Lá foram à procura de elementos capazes de nos conduzirem a um contato com a liderança da Renamo, para iniciarmos um diálogo mais credível, começando pela preparação. É assim que fomos dialogando até se constituir a delegação que foi à Nairobi. O bispo Sengulane disse que nós devíamos nos transformar, nós próprios, em paz, que nós somos paz, então criou a saudação: Olá Paz”
Armando Guebuza – Antigo Presidente da República
Quando ele diz Olá Paz, a gente sente que está a dizer uma coisa que vem do fundo do coração, e transmite essa convicção também,essa boa vontade aos outros, às pessoas que o ouvem, por isso,eu o conheço neste processo de paz e no processo da necessidade de apaziguar, ainda mais, os corações, as mentes dos cidadãos.
Bruno Sengulane – Filho
Dom Dinis Sengulane é pai, mas, acima de tudo, é um pilar e a fundação que moldou o homem que eu sou hoje e também que molda os valores que vou passando para as pessoas com quem convivo, especialmente para os meus filhos. É Uma pessoa que está a completar 80 anos, mas tem projectos para daqui há 10 anos e 20 anos e vai fazendo a sua vida nesse ritmo”.
Centenas de crianças falharam o regresso às aulas por falta de material escolar nos distritos mais assolados pelas cheias em Gaza. Pais e encarregados de educação, alguns em situação de desemprego, dizem-se abandonados pelo Governo após as enxurradas.
Apesar do início do ano lectivo em todo o país, centenas de crianças na província de Gaza continuam sem frequentar as aulas devido aos efeitos das cheias que destruíram escolas, casas e material escolar.
Em Gaza, o arranque das aulas ocorre num cenário considerado crítico e preocupante. As recentes inundações provocaram a destruição de cerca de 200 escolas e afectaram directamente mais de 100 mil alunos em quatro distritos.
Em alguns estabelecimentos de ensino, as condições ainda são precárias. Há escolas onde os alunos não têm sequer cadeiras para se sentar e, segundo relatos locais, poucas intervenções foram feitas até agora para melhorar a situação.
Na cidade de Chókwè, particularmente no bairro 1, pelo menos 300 crianças estão fora da escola por falta de material escolar. Muitas famílias perderam tudo durante as cheias, incluindo uniformes, cadernos, mochilas e calçados.
Entre os casos mais marcantes está o de Sara, uma menina de oito anos que frequenta a quarta classe. A criança relata que perdeu todo o material escolar durante as inundações.
“Levaram tudo: uniforme, pastas, cadernos e sapatos”, contou.
Sara vive actualmente com a avó, que está desempregada e sem meios para comprar novos materiais. A família enfrenta também dificuldades básicas, incluindo falta de alimentos e condições adequadas de abrigo.
A situação repete-se em vários bairros da parte baixa da cidade de Chókwè e também nos distritos de Guijá e Chibuto, onde mais de mil crianças vítimas das cheias enfrentam dificuldades para regressar à escola. A maioria frequenta entre a primeira e a sexta classes.
Pais e encarregados de educação apelam a uma intervenção urgente das autoridades para garantir que os alunos possam retomar os estudos. Segundo alguns encarregados, muitas crianças já perderam vários dias de aulas por falta de uniformes e material escolar.
Para aliviar a situação, algumas organizações internacionais começaram a distribuir kits escolares em zonas mais afectadas. Estima-se que cerca de 1.146 kits sejam entregues em três escolas, beneficiando alunos da primeira à sexta classe.
Mesmo assim, a ajuda ainda é insuficiente face à dimensão dos prejuízos causados pelas cheias.
O sector da educação na província de Gaza deverá pronunciar-se oficialmente sobre a situação das escolas afectadas e o andamento do ano lectivo. Enquanto isso, pelo menos quatro escolas primárias no distrito de Chicualacuala continuam com acesso condicionado devido às inundações que atingem a região desde Janeiro.
O cônsul-geral de Moçambique em Macau, Rodrigues Muêbe, disse que já recebeu mais de 79 mil patacas (cerca de 625 mil meticais) numa campanha de recolha de donativos para as vítimas das inundações. Na quarta-feira, o diplomata moçambicano recebeu 45 mil patacas, correspondentes a 4800 euros (357 mil meticais), um valor angariado entre os 19 mil membros da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.
No fim de Janeiro, o Consulado-Geral de Moçambique na região chinesa apelou à recolha de donativos, monetários e em espécie, para as vítimas das inundações que afectaram o país lusófono africano.
Desde então, a representação diplomática recebeu também 18 mil patacas (que correspondem a 141 mil meticais) da Associação de Desenvolvimento de Profissionais Internacionais de Turismo de Macau, assim como 16 mil patacas (pouco mais de 126 mil meticais) em “donativos de anónimos”, disse Muêbe.
Os donativos monetários serão aceites, até ao fim de Maio, nas contas do consulado no Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Já os donativos em espécie serão encaminhados para um ponto de recolha em Cantão, na vizinha província chinesa de Guangdong, de onde será “mais fácil” o transporte para Moçambique, explicou Muêbe.
O cônsul acrescentou que recebeu uma oferta de ajuda da Cruz Vermelha de Macau e que está em contacto com a organização humanitária para coordenar o transporte dos donativos para Cantão.
Também a Escola Portuguesa de Macau realizou, entre os alunos e professores, uma campanha de recolha de artigos, que deverão ser doados, com o apoio do Consulado-Geral de Portugal, na próxima semana, referiu Muêbe.
O consulado tinha lançado um apelo ao “apoio humanitário e solidário junto das instituições público-privadas, associações e pessoas de boa vontade de Macau e da região da Grande Baía”.
A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.
O consulado pediu apoio monetário ou na forma de “roupas, materiais de higiene, medicamentos, alimentos não perecíveis, material didático, utensílios domésticos [e] material de produção agrícola”.
O objectivo é “ajudar as vítimas das cheias e inundações a erguerem as suas vidas”, perante uma “situação que decorre dos efeitos das mudanças climáticas”, lamentou a representação diplomática moçambicana.
Moçambique já recebeu 1,3 mil milhões de meticais e 6,7 mil toneladas de produtos diversos para apoiar vítimas das inundações, anunciou na terça-feira o Governo de Maputo.
Turquia doa quase 260 toneladas de produtos para Moçambique
O Governo turco disponibilizou quase 260 toneladas de produtos para assistência humanitária às comunidades afectadas pelas cheias em Moçambique, que afectaram, nos últimos meses, quase 780 mil pessoas.
“Estão a ser entregues 257,2 toneladas de assistência humanitária às comunidades afectadas, particularmente nas províncias de Gaza, Inhambane e Maputo”, disse Ferhat Alkan, embaixador da Turquia em Moçambique, citado nesta quinta-feira pela comunicação social moçambicana.
O apoio está a ser prestado, entre outros, pela Agência Turca de Cooperação e Coordenação (TIKA) e pela fundação para os assuntos religiosos da Turquia, prevendo-se, nos próximos dias, a disponibilização adicional de ajuda humanitária.
Maria Manso, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, assinalou que o apoio é um “gesto nobre” e que “Moçambique agradece profundamente”.
“Hoje, em continuidade, testemunhamos aqui mais uma vez a resposta dos nossos amigos, dos nossos parceiros de cooperação e de todos aqueles que estão connosco, envolvidos nesta causa humanitária”, acrescentou a dirigente.
O número de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 263, com registo de quase 870 mil pessoas afectadas, desde Outubro, segundo actualização feita na quarta-feira pelo Instituto Nacional de Gestão de Desastres.
Foram afectadas 869 035 pessoas na presente época chuvosa, correspondente a 200 843 famílias, havendo também 10 desaparecidos e 331 feridos, segundo o mesmo balanço.
Só as cheias de Janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando globalmente 724 131 pessoas.
Os dados do INGD indicam ainda que 555 040 hectares de áreas agrícolas foram afectados neste período, 288 016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365 784 agricultores. Também 530 998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afectados 7845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.
Desde Outubro, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres activou 149 centros de acomodação, que albergaram 113 478 pessoas, dos quais 19 ainda estão activos, com pelo menos 5787 pessoas.
A morte de António Lobo Antunes é a notícia que marcou nesta quinta-feira, de 5 de Março, a imprensa cultural dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP.
António Lobo Antunes é um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea e autor de uma vasta obra.
Ao longo de várias décadas, uma das vozes literárias mais importantes da história recente de Portugal, publicou mais de três dezenas de romances.
A sua obra é motivo de orgulho nacional, mas tem também mérito reconhecido lá fora, merecendo hoje destaque em vários meios internacionais, que destacam os feitos do escritor luso.
O escritor António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, morreu esta quinta-feira aos 83 anos.
O escritor, que se definia como “caçador de palavras”, foi médico psiquiatra e escrevia romances para combater a depressão que afirmava existir em todas as pessoas.
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, a 01 de Setembro de 1942. A escolha do curso universitário “foi para dar prazer aos pais que entendiam que devia ter uma enxada”, contou à Lusa. António Lobo Antunes licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa, em 1969, e especializou-se em Psiquiatria, depois do regresso de Angola.
O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, foi publicado em 1979.
O público desde cedo demonstrara apreço pela obra, tornando-o um dos autores mais lidos de língua portuguesa, o que nem sempre facilitou a crítica da época nos momentos iniciais do seu percurso.
Depois, veio o reconhecimento no estrangeiro, com a edição dos seus romances em países europeus, como Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido, a que se juntaram os mercados livreiros do Brasil, Estados Unidos e Canadá.
O Governo português decretou que no dia 7 de Março far-se-á um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu hoje, os titulares dos órgãos sociais da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), que se apresentaram com a missão de cumprimentar o Chefe do Estado e demonstrar prontidão para o mandato recém-iniciado. Durante a audiência, o Chefe do Estado enfatizou a importância do trabalho conjunto entre o Estado e o sector privado para o desenvolvimento do empresariado nacional.
“Vamos trabalhar juntos com o mesmo objectivo de desenvolver o empresariado moçambicano, as suas relações com os empresários dos outros países ao nível do mundo, sobretudo a actividade principal da Câmara de Comércio que sempre realizou ao longo destes cerca de 46 anos de existência. Então, queremos, mais uma vez, reiterar os nossos parabéns”, afirmou o Presidente Chapo, destacando a trajetória da CCM e a relevância do sector empresarial para a economia do país.
A nova direcção da Câmara de Comércio foi representada pelo seu presidente, Lucas Chachine, que, em declarações à imprensa, expressou a satisfação da instituição por ter sido recebida pelo Chefe do Estado e apresentou as prioridades da sua gestão.
“Tivemos a honra de sermos recebido por sua Excelência o Presidente da República. Transmitimos à Sua Excelência o Presidente da República a nossa agenda de desenvolvimento do sector empresarial, com foco na promoção da produção nacional”, disse o dirigente da CCM.
Entre as principais metas apresentadas está a capacitação dos produtores moçambicanos para facilitar a sua inserção nos mercados e fortalecer a cadeia de valor nacional. “Nós queremos capacitar os produtores para poderem entrar nos mercados. Temos visto que os nossos produtores não têm acesso à nossa rede de distribuição nacional, sobretudo de grande qualidade, porque a qualidade de produção, muitas vezes, não é atractiva para os grandes centros comerciais”, explicou o presidente da CCM.
O dirigente acrescentou que o foco na qualidade da produção nacional visa valorizar os produtores e reduzir a dependência de importações, alinhando-se com a política do governo para o sector. “Eu penso que isto cria valor, valoriza o produtor e pode contribuir para aquilo que o governo almeja, que é a redução das importações”, sublinhou.
O Presidente da República destacou, por sua vez, durante o encontro, a necessidade de sinergia entre a Câmara de Comércio e o Governo para materializar os objectivos do sector empresarial e do país. O diálogo entre o Estado e o sector privado, segundo o Chefe do Estado, é essencial para a promoção de um ambiente de negócios mais competitivo e integrado internacionalmente.
O presidente da CCM reforçou que a instituição trabalhará em estreita coordenação com o governo, incluindo o Ministério da Economia, para alcançar os objetivos definidos. “Sua Excelência o Presidente tem uma visão muito clara. Nós vamos trabalhar em coordenação com Sua Excelência o Ministro da Economia para materializar a nossa visão, e esta visão coincide com aquilo que é o plano do governo para este mandato, que é aumentar a produção, diminuir as importações, aumentar as exportações e criar a renda para os moçambicanos”, afirmou.
Durante a audiência, ficou evidenciado o compromisso do governo e da Câmara de Comércio em fortalecer a produção nacional, expandir a presença de empresas moçambicanas no mercado internacional e promover políticas de incentivo à economia local. A cooperação institucional surge como factor determinante para acelerar o crescimento sustentável e inclusivo do país.
Ao final do encontro, o Presidente Chapo renovou votos de sucesso à nova direcção da CCM, reforçando que a parceria entre Estado e sector privado é estratégica para consolidar o desenvolvimento económico de Moçambique e aumentar a competitividade do empresariado nacional.