Trabalhadores de uma fábrica de fundição de ferro, de capitais chineses, localizada na cidade da Beira, denunciam alegados maus tratos e agressões físicas no interior da empresa, apontando como autores agentes de uma empresa de segurança privada contratada para prestar serviços no local.
Segundo os denunciantes, as agressões são praticadas com recurso a varões de ferro e ocorrem durante o horário laboral, alegadamente como forma de punição sempre que um trabalhador comete algum erro ou quando se verifica o desaparecimento de bens nas instalações da fábrica.
Os trabalhadores afirmam viver num ambiente marcado pelo medo e pela intimidação. Sustentam ainda que estas práticas decorrem há vários meses e que muitos funcionários já foram vítimas das alegadas agressões, mas receavam apresentar queixa por dependerem do emprego para o sustento das suas famílias.
No dia em que a equipa de reportagem se deslocou à fábrica, o gestor da empresa, ao aperceber-se de que as denúncias haviam chegado à comunicação social, terá contactado um indivíduo que, segundo os trabalhadores, se apresentou como inspector. Os denunciantes suspeitam que a sua presença visava ocultar os alegados maus tratos. O referido indivíduo chegou às instalações por volta das 18 horas, mas recusou prestar quaisquer declarações à nossa equipa.
Os trabalhadores afirmam igualmente que o caso já foi participado à Inspecção do Trabalho e a outras autoridades competentes, mas alegam que, até ao momento, não foi adoptada qualquer medida para pôr termo às supostas agressões.
A equipa de reportagem procurou ouvir a direcção da fábrica e os responsáveis pela empresa de segurança privada visada nas denúncias. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer posicionamento.
Contactados pela nossa reportagem, o sector do Trabalho e a Polícia da República de Moçambique confirmaram ter recebido as denúncias e garantiram que irão averiguar os factos.
Enquanto decorrem as averiguações, os trabalhadores dizem continuar a exercer as suas funções sob um clima de receio, aguardando que as autoridades esclareçam o caso e tomem as medidas que se mostrarem adequadas.
O Banco Mundial decidiu suspender todas as suas operações e o desembolso de fundos na Guiné-Bissau, na sequência da recente instabilidade política e da quebra da ordem constitucional no país. Segundo o Banco Mundial, a decisão resulta da aplicação das suas normas internas, que determinam a interrupção do apoio financeiro sempre que um país passa a ser governado por autoridades consideradas de facto, fora do quadro constitucional.
Na prática, a suspensão traduz-se no congelamento imediato de projectos em curso, na interrupção de novos financiamentos e na paralisação de desembolsos já aprovados. A medida afecta programas nos sectores da saúde, educação, infra-estruturas, governação e protecção social, áreas que têm beneficiado do apoio contínuo do Banco Mundial na Guiné-Bissau.
Segundo informações tornadas públicas, a decisão enquadra-se na Política Operacional OP 7.30 – “Dealings with De Facto Governments”, documento oficial do Banco Mundial que orienta a actuação da instituição em contextos de ruptura constitucional. “O Banco deve suspender desembolsos e novas operações quando não estejam reunidas as condições mínimas de legitimidade institucional e previsibilidade administrativa”, lê-se no documento.
A mesma política estabelece que o Banco Mundial apenas pode manter relações financeiras com um país quando reconhece que as autoridades no poder dispõem de capacidade legal e administrativa para honrar compromissos internacionais. “Em situações de governos de facto, o Banco deve avaliar se as autoridades possuem capacidade para representar o país e assegurar a utilização adequada dos recursos”, aponta a OP 7.30.
Em contextos de golpes de Estado ou de transições políticas não reconhecidas, o documento recomenda cautela acrescida. “A continuidade das operações financeiras só deve ocorrer quando existirem garantias razoáveis de que os fundos não serão comprometidos por instabilidade política ou administrativa”, sublinha o Banco Mundial no mesmo texto.
No caso concreto da Guiné-Bissau, fontes próximas do processo indicam que a instituição considera não estarem reunidas, neste momento, as condições exigidas pela sua política interna para a continuidade do financiamento. O Banco Mundial afirma estar a acompanhar a evolução da situação política e institucional, esclarecendo que a decisão não representa um afastamento definitivo. “Trata-se de uma suspensão temporária, sujeita a reavaliação à medida que a situação política evoluir”, aponta uma fonte da instituição citada pela imprensa internacional.
O Banco Mundial tem sido, nas últimas décadas, um dos principais parceiros de desenvolvimento da Guiné-Bissau, financiando projectos estruturantes e programas de apoio orçamental. Entre as iniciativas agora afectadas constam projectos ligados ao reforço do sistema de saúde, à melhoria do acesso à educação básica, à reabilitação de estradas e ao fortalecimento da administração pública. A interrupção destes financiamentos poderá ter impactos directos na execução de políticas públicas e na prestação de serviços essenciais à população.
Apesar da suspensão, o Banco Mundial esclarece, no próprio documento OP 7.30, que mantém canais de diálogo técnico e institucional, sobretudo em matérias sensíveis. “A suspensão de operações não impede o contacto técnico necessário para salvaguardar interesses humanitários essenciais e o acompanhamento macroeconómico”, lê-se na política operacional.
Refira-se que a Guiné-Bissau enfrenta, há vários anos, um histórico de instabilidade política que tem condicionado o acesso a financiamento externo e atrasado reformas estruturais. A nova suspensão reacende o debate sobre os custos económicos e sociais das crises políticas recorrentes, num país marcado por fragilidades institucionais e elevados níveis de pobreza.
O Banco de Moçambique e os bancos comerciais decidiram reduzir a Prime Rate, taxa de referência para a concessão de crédito a famílias e empresas, para 15,70% em Janeiro, uma descida de 0,10 pontos percentuais face a Dezembro, quando se situava em 15,80%.
A redução foi anunciada no âmbito da implementação do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, mecanismo que regula a formação das taxas de juro variáveis aplicáveis às operações de crédito no país.
Segundo a Associação Moçambicana de Bancos (AMB), a Prime Rate actualmente em vigor resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,50%, e do Prémio de Custo, estabelecido trimestralmente em 6,20%.
“No quadro da implementação do Acordo sobre o Indexante Único, a AMB comunica o Indexante Único, o Prémio de Custo e a Prime Rate a vigorar em Janeiro de 2026”, refere o comunicado.
Com a descida da taxa, famílias e empresas com créditos indexados à Prime Rate poderão beneficiar de algum alívio no serviço da dívida, ainda que de forma gradual.
A AMB explica que a evolução da Prime Rate está directamente ligada à trajectória da taxa de juro de política monetária (MIMO), já que esta integra o cálculo do Indexante Único, indicador baseado na taxa média ponderada das operações do Mercado Monetário Interbancário, com prazo de um dia útil.
Este indicador reflecte operações entre o Banco de Moçambique e os bancos comerciais à taxa MIMO, bem como operações de recompra e permutas de liquidez entre instituições bancárias.
Desde Janeiro de 2024, a Prime Rate tem seguido uma trajectória descendente. Após seis meses consecutivos no nível máximo de 24,10%, desceu para 17,20% em Agosto, 16,50% em Setembro, manteve-se estável em Outubro, e recuou sucessivamente: 16% em Novembro, 15,80% em Dezembro e 15,70% em Janeiro de 2026.
Esta tendência acompanha os cortes sucessivos da taxa MIMO, que esteve em 17,25% desde Setembro de 2022, e começou a ser reduzida de forma contínua a partir de 31 de Janeiro de 2024. A AMB destaca que a descida da Prime Rate ocorre de forma faseada, devido à inclusão do Prémio de Custo, que reflecte os riscos da actividade bancária não incorporados no mercado interbancário.
A associação recorda que a Prime Rate constitui a taxa de referência única para os créditos de taxa variável no sistema financeiro nacional, à qual se acrescenta um spread, definido por cada instituição de crédito, em função do risco, tipo de produto, prazo, garantias e perfil do cliente.
O Acordo sobre o Indexante Único visa, segundo a AMB, reforçar a transparência na fixação das taxas de juro, melhorar a transmissão da política monetária e permitir que os clientes acompanhem com maior clareza o impacto das decisões do banco central no custo final do crédito.
O número de mortos nos protestos que decorrem no Irão há mais de duas semanas, pode ter atingido cerca de duas mil pessoas, denunciou esta quarta-feira, a organização não-governamental Iran Human Rights.
As manifestações tiveram início a 28 de Dezembro, motivadas inicialmente pelo aumento do custo de vida num país afectado por sanções económicas.
O balanço anterior da organização não-governamental Iran Human Rights referiu que tinham sido mortos 648 manifestantes em 14 províncias, desde o início dos protestos.
Nas últimas semanas, os protestos evoluíram para uma contestação política mais ampla contra as autoridades iranianas, que resultaram em mais de 1800 mortos.
Segundo a organização, a maioria das vítimas mortais são manifestantes, embora também haja registo de mortes de pessoas ligadas ao Governo. Foram ainda relatadas vítimas entre crianças e civis que não estariam directamente envolvidos nas manifestações.
A verificação dos números continua a ser difícil devido às restrições impostas pelo Governo iraniano às comunicações, incluindo cortes no acesso à Internet e às redes telefónicas, aponta a Human Rights.
Mais de 2 mil famílias foram afectadas pelas inundações no distrito da Maganja da Costa, província da Zambézia, desde finais de Dezembro a esta parte. Maganja recebe água da chuva a montante, com a destruição do dique do nante, a situação de abrigo das famílias ficou comprometida.
Neste momento, mais de 2 mil casas estão alagadas na localidade de nomiua, posto administrativo de Baixo Licungo Nante. As respectivas famílias foram retiradas das zonas de risco para dois centros de acomodação estabelecidos no âmbito da implementação do plano de acções antecipadas.
O delegado provincial do INGD na Zambezia Helder da Costa garante que as famílias estão em segurança nos centros e a receber assistência.
Da assistência que está a ser canalizada às mais de 2 famílias, destacam-se abrigo seguro, alimentação e diversos bens.
Neste momento, na província da Zambézia a situação é considerada calma, embora prevaleça inundações ao nível do baixo Licungo-nante.
A Administração Nacional de Estradas (ANE) já conseguiu fundos para as obras de contenção da erosão, que ameaça cortar a Estrada Nacional Número Um (EN1) e deixar a cidade de Pemba parcialmente isolada do resto da província.
As obras de contenção da erosão na berma da EN1, na cidade de Pemba, deviam ter iniciado e terminado antes da presente época chuvosa, mas só agora é que a Administração Nacional de Estradas conseguiu mobilizar fundos para evitar a interrupção da via.
“Nos últimos meses, nós empreendemos a procurar aquilo que seria a melhor solução para conter aquela erosão e a solução que estamos a trazer é, de facto, fazer a montagem de gabiões com vista a proteger o talude e o fundo daquela cratera, isso acompanhado de uma bacia de recepção das águas”, explica Jorge Govanhica, Delegado da ANE em Cabo Delgado.
Os fundos, segundo o delegado da ANE em Cabo Delgado, já estão disponíveis, mas as obras só vão iniciar depois de um estudo do impacto ambiental.
“É necessário fazer uma série de estudos com vista a que as actividades não afectem o meio ambiente. Então, o passo seguintes é trabalhar para obtermos a licença ambiental e do outro lado fazer o apuramento do empreiteiro, e criar todas as condições administrativas de início de actividades”, avançou o delegado.
As obras de contenção da erosão que ameaça cortar a EN1 na cidade de Pemba estão avaliadas em cerca de 150 milhões de meticais, disponibilizados pelo Governo.
Os Estados Unidos anunciaram o congelamento dos processos de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, entre os quais 26 nações africanas. Moçambique não está na lista dos afectados pela medida.
A decisão foi tornada pública na quarta-feira e faz parte do reforço da política migratória adoptada pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, desde o seu regresso ao poder.
A medida afecta exclusivamente os vistos de imigrantes, de 75 países, incluindo 23 africanos como Nigéria, Egipto, Etiópia,Cabo Verde, Camarões, República Democrática do Congo, República do Congo, Chade e Ruanda, destinados a estrangeiros que pretendem viver permanentemente nos Estados Unidos. Moçambique não está na lista dos países afectados.
Segundo o Departamento de Estado, o congelamento entra em vigor a 21 de Janeiro e não se aplica a vistos temporários, como os de turismo, negócios ou estudo.
As autoridades norte-americanas justificam a decisão com a necessidade de assegurar que os novos residentes não representem encargos para as finanças públicas e travar aquilo que consideram um uso abusivo do sistema migratório.
A medida surge acompanhada por uma intensificação das acções de fiscalização. Desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, mais de 100 mil vistos terão sido revogados e mais de 605 mil pessoas deportadas, enquanto cerca de 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente, gerando forte preocupação nos países afectados, sobretudo em África.
O Presidente da República, Daniel Chapo, considerou a visita de três dias aos Emirados Árabes Unidos (EAU) “bastante positiva”, destacando o reforço do conhecimento mútuo, a aproximação com líderes mundiais e a abertura do país para aprofundar a cooperação bilateral, económica e comercial com Moçambique.
“Muitas empresas manifestaram disponibilidade e interesse em investir em Moçambique […]. O mais importante é dar seguimento àquilo que aqui encontrámos e definimos como prioridade nos sectores […] para
o desenvolvimento do nosso país, mas também o desenvolvimento do nosso povo”, afirmou.
O Chefe do Estado deslocou-se a Abu Dhabi a convite do Sheikh Mohammed Bin Zayed Al Nayani, Presidente dos EAU, para participar na Semana da Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026, plataforma global estabelecida em 2008 visando fazer uma reflexão conjunta sobre os desafios e buscar os melhores caminhos para acelerar o desenvolvimento sustentável e promover o progresso económico e social do mundo.
Durante o evento, que contou com a presença de governantes, representantes de instituições financeiras internacionais, do sector privado e empresarial, Moçambique participou nos debates e manteve contactos bilaterais com Chefes de Estado e de governo, visando consolidar relações e explorar oportunidades de investimento.
No âmbito da Semana de Sustentabilidade, Chapo interveio num evento de alto nível com o tema “Acelerando a Capacidade de Investimento de Infraestruturas no Sul Global”. “Neste evento defendemos a importância do investimento nas infraestruturas como a espinha dorsal para o desenvolvimento e progresso dos países”, afirmou, frisando a necessidade de infra-estruturas resilientes face a cheias, inundações e ciclones recorrentes em Moçambique.
A nível bilateral, o estadista moçambicano manteve encontros com o Presidente dos EAU e com o Sultan Ahmed Al-Jaber, Ministro da Indústria e Tecnologia Avançada e CEO da ADNOC (companhia estatal de petróleo e gás de Abu Dhabi, uma das maiores do mundo no sector energético) e Masdar, uma empresa de energia renovável e sustentabilidade.
Foram identificadas áreas prioritárias de cooperação, incluindo transporte e logística, recursos minerais, energia, saúde, educação, agricultura, digitalização e industrialização. Durante a visita, testemunhou-se a assinatura de cinco instrumentos de cooperação, entre eles memorandos nos sectores da saúde, farmacêutico, economia azul, proteção ambiental, empoderamento feminino e diplomacia.
No sector empresarial, Moçambique participou numa mesa redonda e manteve encontros com representantes de empresas dos Emirados Árabes Unidos e de outros países. O Presidente Chapo reforçou as oportunidades de investimento em Moçambique, incentivando as empresas a considerar o país como “um destino preferencial dos seus investimentos”.
Em Maputo, o bairro Hulene “A” voltou a afundar-se em dor e desespero. Casas invadidas pela água, famílias separadas e memórias destruídas, o drama das inundações repete-se há dois anos. A bomba de água alocada no bairro não responde à demanda, o apelo é de mais meios e mais acção das autoridades.
Tudop acontece no coração do bairro Hulene “A”, onde a água voltou a tomar conta das casas e com ela, a dor de quem já não sabe o que é viver em paz. Hortência Mudlhovo e sua família são apenas um dos rostos do sofrimento que, há dois anos, insiste em regressar a cada vez que chove fortemente em Maputo.
Nestas inundações há famílias que perderam quase tudo. Sofás encharcados, roupas boiando e memórias destruídas pela força das águas.
Sem condições mínimas para abrigar os filhos, Hortência foi obrigada a mandá-los para casa de um familiar. “Esta água entrou na sexta-feira, mas estou aqui, pois não tenho para onde ir. Mesmo hoje, pedi para as crianças irem comer um pouco em casa da minha madrinha. A minha situação é esta, a água é esta, durante dois anos. Vivo aqui”, denuncia Hortência Mudlhovo.
As ruas do bairro Hulene “A” transformaram-se em verdadeiros rios. Houve quem conseguiu tirar seus pertences pouco antes da água invadir completamente a sua casa. Enquanto isso, outros moradores corriam contra o tempo para salvar o que podiam, alguns colchões, outros sacos e bacia de roupa molhada, outros apenas olhavam, impotentes.
Os baldes passam de mão em mão retirando águas que quase ocupam os compartimentos das casas. A bomba de água que deveria aliviar a situação não dá conta da dimensão do desastre e o apelo é de alocação de mais meios.
“Não estão a fazer nenhum trabalho. A bomba está a funcionar, mas não puxa água, pois é uma, não é suficiente. Pedimos que acrescentem os carros para auxiliar aquela bomba, pois esta água é muita”, pediu Hortência Mudlhovo.
A cada gota que cai, cresce o risco de uma nova tragédia para os afectados que actualmente vivem num cenário de resistência.
Entretanto, a edilidade de Maputo descarta para já a ideia de retirada imediata das pessoas em zonas críticas, afectadas pelas inundações e desabamento de terra, porém afirma estar a desenvolver trabalhos no terreno para minimizar a situação.
A informação foi avançada pelo edil de Maputo, Razaque Manhique, que escalou algumas zonas esta quarta-feira, para ver de perto os trabalhos no terreno, que incluem a colocação de anilhas, abertura de valetas para o desvio das águas.
Polana Caniço tem cerca de 8 famílias que estão na rota de colisão com cedência da terra.
Os próximos dias vão exigir muito, uma vez que a previsão meteorológica mostra que a precipitação vai até o fim de semana. Entretanto, para fazer face às descargas, a edilidade promete também rever a situação das bacias de retenção.
Caso a situação continue desafiadora, a edilidade está a fazer trabalhos de colecta de dados para apurar o número real dos assolados, não vê outra solução senão retirar as famílias para novas zonas.
A circulação rodoviária na Estrada Nacional nº 1, em Sofala, já retornou a normalidade, no troço entre Save e Muxúnguè, depois de estar condicionada por três dias devido a intensas chuvas e inundações que contribuíram para as águas dos rios Muari e Gorongosa galgarem a rodovia e danificar o troco. Ainda devido as intensas chuvas que caiem na zona Centro do país, a vila sede do distrito do Búzi está inundada desde a noite desta terça-feira.
A circulação rodoviária ao longo da Estrada Nacional nº 1, entre Save e Muxúnguè, tende a voltar à normalidade. Na manhã desta quarta-feira, a nossa equipa de reportagem esteve na ponte sobre o rio Gorongosa, onde nos últimos dois dias a água tinha galgado a ponte em cerca de 30 centímetros.
O cenário encontrado era mais tranquilo, com a estrada já visível e a circulação já a ser efectuada sem restrições. O Secretário de Estado da província de Sofala esteve no local e viu a situação, tendo anunciado a normalidade da circulação
“Nós tivemos situações alarmantes, um pouco preocupantes há dois dias, mas naturalmente era uma questão mesmo de precaução. Quando dizemos, olha, não vamos transitar neste troço entre o rio Muari e esta ponte do rio Gorongosa, era porque de facto a água já tinha galgado a própria estrada. E em alguns sítios não era visível qual era o melhor sítio para as viaturas passarem. É por isso que nós já tínhamos alertado para não se transitar à noite”, começou por dizer Manuel Rodrigues.
Devido às intensas chuvas e inundações que nos últimos três dias galgaram parte da rodovia no troço entre Save e Muxúnguè, que recentemente beneficiou de uma reabilitação, a estrada apresenta-se com buracos, nas proximidades dos rios Muari e Gorongosa.
Manuel Rodrigues alerta que esta situação foi causada pelo facto do rio ter estado a receber muita água a montante. “E esta água não é só da chuva que fica aqui na província de Sofala. É a água que também vem da província de Manica e do Zimbabwe, mas também é a água que vem da África do Sul”, frisou.
Desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira os utentes da Estrada Nacional nº 1 estão a circular na rodovia, apesar de estarem apreensivos, tendo em conta o estado em que a mesma se apresentava.
É o caso de Abel Luís, que passava em direcção a Sofala, conta como estava a via antes da reabertura. “Ao redor da estrada há muita, muita água e acabou mesmo transbordando a ponte e nós estamos a ver no rio Gorongosa não como vimos há dois dias atrás, que estava intransitável. Mesmo nós para podermos chegar aqui hoje, foi mesmo com o coração nas mãos. É uma situação complicada, mas graças a Deus vamos conseguir passar”, disse.
Por seu turno, Neto Paulo disse que havia muita expectativa em relação à circulação e que “não esperávamos passar e contávamos que íamos dormir aqui mesmo, mas graças a Deus estamos a conseguir transitar para outro lado”.
Ainda sobre as intensas chuvas que caem em Sofala e a montante, a bacia do rio Búzi transbordou e a vila sede com o mesmo nome está inundada. Manuel Rodrigues, Secretário de Estado em Sofala, foi quem deu o ponto de situação.
“A situação em Búzi está a tender também a preocupar naquilo que é a subida do rio Búzi. As pessoas começaram a ser evacuadas compulsivamente desde ontem (terça-feira) e a operação continua hoje (quarta-feira) para a zona segura que é o posto administrativo de Guarajá”, anunciou.
O Secretário de Estado em Sofala terminou exortando a comunidade do distrito do Búzi a estar permanentemente atenta e aos utentes da EN1, onde decorrem obras de tapamento de emergência dos buracos que foram causados pelas intensas chuvas, a conduzir com prudência.

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