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Novecentas pessoas foram vítimas de burla informática e fraude financeira, em 2025, num universo em que houve registo de perto de 40 mil incidentes cibernéticos no país. A Procuradoria-geral da República diz que apesar dos esforços, continua difícil encontrar os criminosos. A informação foi avançada hoje, em Maputo, durante o quarto Seminário sobre Cibercriminalidade.

Com a evolução tecnológica, aliada à fraca literacia digital, Moçambique vem sendo  cada vez mais palco de burlas e fraudes eletrônicas. E o número de vítimas é assustador.

A procuradoria geral da República, organizadora do quarto Seminário sobre Cibercriminalidade, diz que 72% dos processos de cibercrime recebidos no ano passado estavam ligados a burlas e fraudes eletrónicas,  cujo combate é ainda um desafio.

A fraca legislação é apontada como um entrave para o combate aos cibercrimes. O Governo, ciente dos desafios, aponta outros caminhos para a protecção do espaço digital.

Para o ministro das Comunicações e Transformação Digital, a luta contra estes crimes exige cooperação nacional e internacional. Mas, mais do que leis, Muchanga O quarto seminário sobre Cibercriminalidade decorre em Maputo, entre 29 de Junho a 1 de Julho.

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Mais de 150 quilómetros de estradas nacionais foram completamente destruídos e a transitabilidade em outros três mil quilómetros está condicionada, em todo o território nacional, na sequência das fortes chuvas que assolaram vários pontos do país. Em alguns pontos decorrem obras de emergência e noutros a intervenção só será feita depois do nível das águas baixarem, segundo indicou o Ministro dos Transportes e Logística.  

Os níveis de precipitação acima do normal em vários pontos do país, desde Dezembro do ano passado, que já levou a decretação do estado de emergência pelo governo, continua a destruir diversas infra-estruturas.

Em relação a estradas, dados partilhados pelo sector indicam que até este domingo foram quase completamente destruídos mais de 152 quilómetros, segundo revelou o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, que se encontra a monitorar a situação das inundações na cidade da Beira. 

“Estamos a falar de infraestruturas ao nível das estradas nacionais destruídos e temos praticamente mais de 3 mil quilómetros quase afectados, em todo território nacional”, disse João Matlombe que confirmou que o Governo vai continuar a monitorar as estradas, consideradas classificadas, até porque “temos outras estradas que não são classificadas em todo o país e que já estavam afectadas porque já eram precárias na altura, e que com o nível das águas devem estar intransitáveis”, realçando ainda que onde é possível fazer-se intervenções, o Governo está a trabalhar.

A destruição de estradas está a deixar várias comunidades isoladas, como a vila do Búzi, por exemplo, que está há mais de uma semana sem comunicação por via terrestre.

Para o Ministro, que falava a imprensa depois de estar nos pontos destruídos da estrada Tica-Búzi, o mais importante é as diversas comunidades no país que residem em zonas de risco perceberem que é possível refazer a vida de forma muito mais segura., até porque “a chuva vai cair em todos os anos e isso é uma certeza”.

Daí que o Ministro Matlombe considere ser o momento de planificar os próximos anos para evitar danos cíclicos no país. “Infraestruturas e estradas em zonas de acesso mais seguras, ou mesmo tentar aconselhar o Governo para que comecemos a planear as nossas infraestruturas, ou mesmo a deslocação de algumas vilas, para zonas mais seguras”, como forma de evitar gastos desnecessários anualmente para reposição de danos causados por chuvas.

Em Sofala, as chuvas abrandaram há cerca de cinco dias, mas está previsto que volte a registar chuvas moderadas a forte nos próximos dois dias, daí o apelo para a contínua monitorização dos cursos das águas. 

 

Sobe para 111 total de mortos desde o início da época chuvosa

O total de mortos desde o início da época chuvosa no país subiu para 111, com três desaparecidos e 98 pessoas feridas, segundo balanço do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), divulgado esta segunda-feira.

De acordo com o relatório, com dados de 01 de Outubro a 18 de Janeiro, abrangendo já o actual período de cheias generalizadas no país, foram afectadas até ao momento 645.751 pessoas, equivalente a 122.857 famílias, com 11.226 casas parcialmente destruídas e 4.883 totalmente destruídas.

No balanço anterior, com dados até sexta-feira, era referido o total 103 óbitos e 173 mil pessoas afectadas desde o início da época das chuvas, tal como tinha avançado o Governo, que na altura decretou o alerta vermelho nacional.

Dos 79 centros de acomodação abertos desde o início da época chuvosa, 68 permanecem activos, com 60.919 pessoas, das 55.722 que já tiveram de ser retiradas das áreas evacuadas, segundo o mesmo relatório do INGD.

Foram afectadas ainda 37 unidades sanitárias e 44 casas de culto, além de 224 escolas, sete pontes, 27 aquedutos, 2.097 quilómetros de estrada danificados e 155 postes de electricidade tombados.

O registo do INGD aponta ainda para 129.503 hectares de área agrícola afectados, dos quais 37.595 hectares dados como perdidos, afectando 48.435 agricultores, além da morte de 38.770 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

O Governo moçambicano estimou esta segunda-feira que 40% da província de Gaza está submersa, devido às fortes cheias dos últimos dias, e que vários distritos de Maputo estão inundados, além da total destruição de pelo menos 152 quilómetros de estradas nacionais.

As autoridades moçambicanas montaram um centro de coordenação nacional, liderado pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no aeroporto de Xai-Xai, província de Gaza, onde estão mobilizados oito meios áereos para operações de salvamento, condicionadas pelo estado do tempo.

Ainda esta segunda-feira prosseguiam acções e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores, sobretudo em Maputo e Gaza, resultado das fortes chuvas quase ininterruptas de há vários dias e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

A Autoridade Reguladora da Concorrência diz que o modelo proposto de centralização de importação do arroz e trigo no Instituto Nacional de Cereais,  para além de eliminar a concorrência e a inovação no mercado da importação das commodities em causa, introduz riscos sistémicos graves à segurança alimentar nacional, isto é, há risco de ruptura total de stocks e ambiente propícios à ineficiência e práticas de corrupção.

No cumprimento do seu dever de vigilância permanente, sobre a actividade de diversos actores no mercado, inclusive sobre o Estado, a ARC analisou a decisão ministerial que centraliza o processo de importação de arroz e trigo, que passa a ser exclusivo do ICM. Da análise efectuada, conclui.

“Configura uma intervenção de elevada intensidade no funcionamento do mercado, susceptível de eliminar a concorrência no mercado da importação, criar dependência económica dos operadores a jusante e instituir uma posição dominante por via normativa, com potenciais efeitos negativos sobre a eficiência económica e o bem-estar do consumidor”, lê.se no documento.

A ARC diz que os problemas evocados na decisão, incluindo evasão de divisas, dupla facturação, podem ser prosseguidos através de instrumentos alternativos menos restritivos e mais.

“… o modelo proposto, para além de eliminar a concorrência e a inovação no mercado da importação das commodities em causa, introduz riscos sistémicos graves à segurança alimentar nacional (risco de ruptura total de stocks), pode colocar o Estado moçambicano em incumprimento de tratados internacionais de comércio (SADC, OMC e ZCLCA), e fomenta ambientes propícios à ineficiências e práticas de corrupção, com prejuízo directo para o bem-estar do consumidor”, assume a Autoridade Reguladora da Concorrência.

Adicionalmente, a ARC conclui que por tratar-se de matéria de soberania económica, a decisão não devia ser tomada ao nível de um decreto do Ministério da Economia.

“A reconfiguração estrutural de um mercado de bens essenciais e a imposição de restrições ao exercício da iniciativa privada constituem matérias de soberania económica que, pela sua magnitude, impacto nacional e natureza restritiva de direitos constitucionais, extravasam a competência regulamentar de um simples Diploma Ministerial”, escreve a ARC.

Assim, recomenda que seja ponderada a adopção de soluções alternativas menos restritivas, evitando falhas no abastecimento alimentar, fuga de investimento privado. Recomenda ainda que, caso se mantenha a opção por um modelo de centralização, sejam considerados limites temporais peremptórios (sunset clauses), critérios de transparência cristalinos e objectivos.

Face à decisão do governo de passar a importar com exclusividade os cereais, com principal incidência para o arroz e o trigo, através do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), Hélder Jauana diz que a medida é positiva, mas deve estar alinhada aos objetivos traçados.  

Sobre objectivos, Alberto da Cruz tem algumas reticências e diz ser uma medida que devia ser antecedida por estudos que comprovem a necessidade da sua implementação e explica as razões.

A África do Sul declarou estado de calamidade pública devido às chuvas torrenciais e inundações que mataram pelo menos 30 pessoas no norte do país, danificaram milhares de casas e destruíram estradas e pontes.

A declaração foi feita pelo chefe do Centro Nacional de Gestão de Desastres e anunciada pelo governo. Ela permite que o governo nacional coordene a resposta ao desastre.

O impacto mais severo foi sentido nas províncias do norte de Limpopo e Mpumalanga, onde ocorreram as fatalidades. No entanto, o Ministério da Governança Cooperativa e Assuntos Tradicionais afirmou que pelo menos outras três províncias também foram afetadas pelo mau tempo.

Partes da África do Sul e dos países vizinhos, Moçambique e Zimbabwe, têm sofrido com fortes chuvas há semanas. Isso resultou em graves inundações no centro e sul de Moçambique e no norte da África do Sul. Mais de 100 pessoas morreram nesses três países desde o início das chuvas no final do ano passado.

As inundações no norte da África do Sul causaram o fechamento do Parque Nacional Kruger e a evacuação de centenas de turistas e funcionários de acampamentos alagados para outras partes do parque.

A primeira-ministra da província de Limpopo afirmou que o mau tempo causou cerca de 240 milhões de dólares em danos na sua província, com muitas casas e edifícios completamente destruídos.

Pelo menos 37 pessoas morreram, em resultado de acidentes de viação, entre os dias 12 de Dezembro e 16 de Janeiro. Durante este período, outras 33 pessoas morreram em resultado de 16 afogamentos.  A informação foi partilhada, esta segunda-feira, pelo Comandante-Geral da Polícia que falava no encerramento da operação  Consolidação. 

O Comandante-Geral da Polícia dirigiu esta segunda-feira o encerramento da operação “Consolidação”, lançada no âmbito da quadra festiva. 

Joaquim Sive fez saber que apesar da redução dos casos e dos óbitos por acidentes de viação, em relação ao período festivo anterior, os números ainda são preocupantes. 

“Foram registrados 34 casos de acidentes de viação, consistentes com os casos de igual período anterior. Uma redução tênue. Preocupa-nos ainda que tenhamos reduzido os acidentes de viação, o facto de perdermos um compatriota na via pública para nós é uma tragédia. Daí a necessidade permanente de melhorarmos a segurança rodoviária. Em termos de consequências dos acidentes de viação, foram registrados 37 óbitos contra 70 de igual período anterior, o que prefaz uma redução de 33 óbitos. Em relação aos feridos, registramos 38 feridos graves contra 54, 63 feridos ligeiros contra 133 de igual período anterior” explicou Joaquim Sive, Comandante-Geral da PRM. 

Os acidentes marítimos são outro problema.

“Lamentamos as mortes registradas por incidentes e acidentes marítimos, lacustres e fluviais. A destacar, 33 óbitos na sequência de ocorrência de 16 afogamentos, 8 naufrágios, 7 ataques por animais aquáticos e 2 casos de homens ao mar, o que igualmente nos desafia a melhorar as medidas de sensibilização de turbanistas, fixação de lotação de embarcações e aprimoramento de mecanismos de segurança das mesmas”

Quanto ao fluxo migratório, houve movimento de mais de 1 milhão de pessoas. 

“Foram registrados um movimento de 1.092.855 viajantes de diversas nacionalidades,  sendo 508.401 entradas e 584 saídas. De igual modo, foram registrados um movimento de 137.491 viaturas, das quais entradas e 73.701 saídas.”

A operação “Consolidação” foi desenvolvida entre 12 de Dezembro de 2025 a 16 de Janeiro deste ano. 

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta para a continuação de chuvas fortes com trovoadas nas províncias do sul e centro do país, com excepção de Maputo e Tete. 

As chuvas se farão sentir nos distritos de Nicoadala, Inhassunge, Mopeia, Namacurra,  Gurué, Namarrói, Ile, Maganja da Costa, Mocubela, Pebane, Maquival, Luabo, Lugela,  Pebane, Chinde e Cidade de Quelimane, na província de Zambézia; distritos de Vanduzi, Manica, Macate, Sussundenga, Gondola,  Mossurize e Cidade de Chimoio, em Manica; Muanza, Nhamatanda, Dondo, Búzi, Chibabava e Cidade da  Beira, em Sofala. 

Em Inhambane, serão afectados os distritos de Zavala, Inharrime, Panda, Jangamo, Inhambane,  Homoíne, Morrumbene, Funhalouro, Massinga, Vilankulo, Inhassoro, Mabote, Govuro e  cidades de Maxixe de Inhambane; e distritos de Chigubo, Mabalane, Massingir, Guijá, Chibuto, Chókwè,  Limpopo, Bilene, Mandlakazi, Chongoene e cidade de Xai-Xai. 

INAM apela à tomada de medidas de precaução e segurança face as chuvas, trovoadas e vento forte.

O sul do Chile vive dias de tragédia com incêndios florestais de grandes proporções que já causaram, pelo menos, dezasseis mortos, deslocação de mais de 50 mil pessoas e  destruição de 250 infra-estruturas, entre sábado e domingo.

 A situação levou o governo chileno a decretar, este domingo, um estado de emergência nas zonas afectadas, uma medida que visa mobilizar todos os meios para responder à crise.

As chamas que estão a implantar dor, luto e lágrimas entre as vítimas, já mataram 16 pessoas, no fim-de-semana, obrigaram à fuga de mais de cinquenta mil pessoas nas regiões afectadas no sul do Chile. 

As autoridades apontam as temperaturas extremas, próximas dos 40 graus, e os ventos fortes como factores decisivos para a rápida propagação do fogo. 

O governo afirma que estas condições têm dificultado o trabalho dos bombeiros e equipas de protecção civil nas regiões em causa, com cerca de 8.500 hectares de floresta e áreas habitadas. 

Mais de 250  infra-estruturas foram consumidas pelas chamas e várias localidades continuam ameaçadas, o que levou as autoridades a emitir ordens de evacuação preventiva para proteger a população.

 O número de vítimas mortais pode ainda aumentar nas próximas horas, segundo as autoridades locais.

Nos últimos anos, o Chile tem sido atingido por incêndios florestais, sobretudo na região centro-sul, como a tragédia de Fevereiro de 2024, onde vários incêndios provocaram 138 mortos.

As chuvas registadas nas últimas 24 horas em alguns pontos da província de Inhambane continuam a pressionar várias bacias hidrográficas, mantendo níveis hidrométricos elevados, com destaque para as bacias do Save, Govuro, Inhanombe e Mutamba, segundo o mais recente boletim da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul, IP), divulgado esta segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026.
Na bacia do Save, não houve registo de precipitação em Vila Franca do Save, mas em Massangena foram registados 41,1 milímetros de chuva, contribuindo para a subida do nível do rio naquela zona. A estação hidrométrica de Massangena registava, às 07 horas, 4,68 metros, acima do nível de alerta de 4,50 metros, o que mantém a situação sob vigilância apertada. Já em Vila Franca do Save, o nível situava-se em 4,90 metros, abaixo do nível de alerta de 5,50 metros, mas ainda considerado elevado, apesar de uma tendência de descida.
Na bacia do Mutamba, o posto de Jangamo registou 35,4 milímetros de chuva, com o nível hidrométrico a atingir 3,44 metros, ainda abaixo do nível de alerta fixado em 3,80 metros. Situação semelhante verifica-se na bacia do Govuro, onde a estação de Pambara assinalou 3,94 metros, ligeiramente acima do nível de alerta de 3,70 metros, indicando risco potencial de transbordo em zonas ribeirinhas.
A bacia do Inhanombe continua a inspirar preocupação. Em Maxixe, o nível do rio estava em 3,74 metros, aproximando-se do nível de alerta de 4,00 metros, enquanto em Mubalo o rio mantinha-se significativamente acima do nível crítico, com 6,13 metros, contra um nível de alerta de 4,50 metros, apesar de uma ligeira tendência de descida nas últimas horas.
Na bacia de Inharrime, os níveis permanecem estáveis e longe do alerta, com a estação E183 a registar 2,09 metros, muito abaixo do nível crítico de 5,40 metros.
Dados da rede monitorada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) indicam precipitações intensas em alguns distritos, com destaque para Quissico (172,9 mm) e Mawayela (126,0 mm), valores que ajudam a explicar a pressão contínua sobre os sistemas hidrográficos. Em contrapartida, Vilankulo e Inhassoro não registaram precipitação nas últimas 24 horas.
A ARA-Sul mantém o apelo à população residente em zonas ribeirinhas e baixas para acompanhar a informação hidrológica oficial, evitar travessias de rios e adoptar medidas preventivas, numa altura em que a época chuvosa continua activa e com potencial para novos episódios de subida rápida dos caudais.
A Plataforma da Sociedade Civil Moçambicana para a Protecção Social (PSCM-PS) emitiu um posicionamento firme e crítico face à actual época chuvosa e ciclónica, alertando que o país vive uma crise humanitária com impactos profundos sobre as populações mais pobres e vulneráveis, num contexto de fragilidade dos sistemas de protecção social.
Com base em dados oficiais do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), a PSCM-PS sublinha que, até meados de Janeiro de 2026, pelo menos oito pessoas perderam a vida, cerca de 123 mil foram directamente afectadas e 23.810 famílias sofreram impactos severos provocados por cheias, inundações urbanas e eventos climáticos extremos.
Segundo a plataforma, a província de Gaza assume-se como o principal foco da crise, com centenas de milhares de pessoas em risco de deslocação nos distritos de Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-Xai, após o transbordo dos rios Limpopo e Incomáti. A situação é igualmente preocupante em Maputo, Inhambane, Manica e Sofala, onde se registam cheias extensas e danos significativos em infra-estruturas essenciais.
A PSCM-PS alerta que milhares de famílias foram forçadas a abandonar as suas casas, encontrando-se actualmente em centros de acomodação temporária, muitos deles sem condições adequadas de dignidade, saneamento e segurança. Entre os afectados estão mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e doentes crónicos, grupos que enfrentam riscos acrescidos de exclusão social, insegurança alimentar e perda de meios de subsistência.
De acordo com o posicionamento, as cheias provocaram a destruição total de 1.088 casas e a destruição parcial de 2.701 residências, além de danos em estradas, pontes, escolas, unidades sanitárias e sistemas de abastecimento de água, comprometendo o acesso a serviços básicos, sobretudo nas zonas rurais e periurbanas.
O sector agrícola é apontado como um dos mais afectados, com a perda de mais de 3.740 hectares de área cultivada, impactando 10.548 agricultores. A PSCM-PS alerta que estas perdas agravam a insegurança alimentar e nutricional, num contexto já fragilizado pelos efeitos acumulados de secas severas associadas ao fenómeno El Niño nos últimos anos.
Para a plataforma, a actual crise evidencia de forma “crua” a intersecção entre pobreza, vulnerabilidade climática e sistemas de protecção social fragmentados, sublinhando que as populações afectadas não são vítimas do acaso, mas comunidades estruturalmente expostas a choques climáticos recorrentes.
Perante este cenário, a PSCM-PS defende a activação imediata e o reforço dos programas de protecção social, com destaque para o Programa Apoio Social Directo Pós-Emergência (PASD-PE) e o Programa Subsídio Social Básico (PSSB), incluindo o pagamento extraordinário de subsídios em atraso, como forma de garantir estabilidade mínima às famílias afectadas.
A organização apela ainda ao Governo para mobilizar recursos financeiros adicionais, reforçar a articulação com parceiros de cooperação e assegurar uma resposta integrada, que combine assistência humanitária imediata com mecanismos de protecção social de médio e longo prazo.
A PSCM-PS conclui que a actual época chuvosa e ciclónica constitui um alerta inequívoco para a necessidade de colocar a protecção social no centro da resposta às crises climáticas, como condição essencial para fortalecer a resiliência nacional e proteger os cidadãos mais vulneráveis.

Pelo menos 3.000 pessoas têm as casas inundadas no distrito de Guijá, província de Gaza, devido a chuvas intensas, refere a Visão Mundial, Organização Não Governamental que monitora as acções no terreno. 

“Dados preliminares indicam que mais de 3.000 pessoas viram suas casas serem invadidas pela água das chuvas intensas que caem há mais de uma semana”, lê-se numa nota publicada este domingo pela World Vision Moçambique. 

Segundo a Visão Mundial, o número de afectados continua a aumentar, prevendo-se que as precipitações se mantenham e que as barragens da província de Gaza possam transbordar a qualquer momento, forçando as famílias a procurar refúgio em centros de acomodação.

“A localidade de Chinhacanine, no distrito de Guijá, província de Gaza, é a zona mais afectada, contando com perto de 2.000 pessoas desalojadas. Quase metade das vítimas são crianças”, refere a nota, acrescentando que, com a chegada contínua de famílias aos centros, a capacidade de assistência dos diversos intervenientes é limitada. 

A World Vision Moçambique diz ainda que prevê assistir famílias desalojadas nos próximos dias, através da distribuição de jerricãs, baldes, cobertores, purificadores de água, assim como actividades de protecção à criança, enquanto continua a mobilizar recursos adicionais.

Até a última sexta-feira, pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afectadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas, avançou o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.

“No período que vai de 22 de Dezembro a 15 de Janeiro de 2026, o país registou lamentavelmente oito óbitos de compatriotas nossos, que eleva para 103 o número de óbitos de toda a época chuvosa”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim da sessão extraordinária para avaliar a situação.

Segundo o novo balanço do executivo moçambicano, além das mais de 173 mil pessoas afectadas, as chuvas já destruíram totalmente 1.160 casas e mais de 4.000 ficaram parcialmente inundadas, face às chuvas intensas registadas em todo o país.

A actual época de chuvas, que começou em Outubro e vai até Abril, tem sido marcada por alertas, principalmente nas zonas Centro e Sul do país, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações.

 

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