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Transformar o Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, criar um Tribunal de Contas, garantir autonomia financeira ao poder judicial e reforçar a justiça eleitoral, bem como o combate à corrupção, são algumas das principais propostas constantes no Pacto pela Justiça e Estado de Direito Democrático.

O documento foi apresentado durante o Congresso da Justiça, realizado recentemente na cidade de Maputo, tendo o seu texto final sido tornado público esta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República.

Para responder aos desafios enfrentados pelo sector, o Segundo Fórum da Justiça, realizado há uma semana na capital do País, recomendou um conjunto de reformas estruturais consideradas essenciais para o fortalecimento do sistema judicial.

Entre as principais propostas destacam-se a transformação do Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, a conversão do Tribunal Administrativo em Supremo Tribunal Administrativo e a criação de um Tribunal de Contas.

Para além destas alterações institucionais, o documento de 18 páginas defende igualmente o reforço da independência dos tribunais, com enfoque na autonomia administrativa e financeira do poder judicial.

O pacto propõe ainda a constitucionalização da fixação de uma percentagem do Orçamento do Estado destinada ao sector da Justiça, de forma a garantir uma autonomia financeira efectiva e progressiva.

No capítulo eleitoral, o documento sublinha que a credibilidade dos resultados constitui uma condição essencial para a paz e estabilidade no País, alertando que Moçambique não deve continuar a enfrentar crises pós-eleitorais evitáveis através da implementação de reformas estruturais.

“O País não pode continuar a assistir a crises pós-eleitorais evitáveis, quando existem reformas que estão ao alcance do Estado”, refere o documento.

O Pacto pela Justiça dedica igualmente atenção ao combate à corrupção no sistema judicial, classificando o fenómeno como uma das mais graves ameaças ao Estado de Direito.

“A corrupção no sistema de justiça é a mais grave das traições ao Estado de Direito, porque subverte o único árbitro que os cidadãos têm para defender os seus direitos”, lê-se no documento.

Para enfrentar este problema, são propostas medidas como a criação de canais confidenciais de denúncia, o reforço da fiscalização das declarações patrimoniais dos magistrados e uma maior cooperação entre as instituições de justiça e a sociedade civil.

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Passados dois anos desde o lançamento da operação “Stop Branqueamento de Capitais”, em Moçambique, o processo continua sem arguidos em prisão preventiva e permanece em fase de instrução, segundo confirmação do Ministério Público. A procuradora-geral-adjunta, Amabélia Chuquela, afirma que os autos estão a seguir os seus trâmites legais, dentro dos prazos previstos na lei processual penal.

A operação, amplamente divulgada quando foi lançada, envolveu o arresto preventivo de imóveis, incluindo hotéis, viaturas de luxo e contas bancárias pertencentes a indivíduos e empresas suspeitas de envolvimento em esquemas de branqueamento de capitais. No entanto, até ao momento, não há registo de condenações nem de arguidos detidos no âmbito destes processos.

Em declarações à imprensa, Chuquela afirmou que o Ministério Público está a cumprir os procedimentos legais aplicáveis a processos complexos.

“Temos conhecimento que o processo, portanto, a nível do Ministério Público está a seguir os seus trâmites… Os processos têm determinados procedimentos que seguem, e nós também temos ciência de que estes processos estão a ocorrer os seus devidos trâmites no Ministério Público”, declarou.

A magistrada sublinhou ainda que a legislação estabelece prazos para a conclusão da fase de instrução, mesmo em processos de elevada complexidade, referindo que o Código de Processo Penal prevê um limite de até 18 meses para este tipo de casos.

“A lei processual penal é muito clara… O máximo é de até 18 meses”, acrescentou.

Segundo a procuradora-geral-adjunta, os processos em causa não envolvem actualmente arguidos detidos, o que altera o enquadramento dos prazos processuais face a situações com prisão preventiva.

“Esses processos não têm nenhum arguido detido neste momento, portanto, também seguem determinados prazos diferentemente de prazos que são exigidos nos casos de processos com arguidos presos”, explicou.

Chuquela assegura que o Ministério Público continua a desenvolver diligências necessárias para a recolha e consolidação de provas, com vista à eventual decisão sobre o destino dos processos.

“O Ministério Público tem estado a fazer o seu máximo para poder concluir todas as diligências necessárias para a formação completa do corpo de delito”, disse.

Entre os casos associados à operação está o arresto preventivo de unidades hoteleiras, como o Hotel Fénix, na cidade de Nampula, que continua em funcionamento apesar de estar sob medida cautelar. A situação levantou questões sobre a gestão dos rendimentos gerados por bens arrestados.

De acordo com o jurista Gilberto Bogaio Nhancalaza, os valores obtidos por bens arrestados devem ser depositados em contas judiciais até à decisão final dos processos.

“Os rendimentos provenientes do hotel vão ao processo numa conta aberta pelo tribunal, aguardando a conclusão do processo”, explicou.

O jurista acrescenta que, em caso de condenação, os valores são revertidos a favor do Estado, enquanto, em caso de absolvição, devem ser devolvidos aos proprietários.

“Se o indivíduo for condenado, aquele dinheiro que provém dos bens arrestados vai converter-se a favor do Estado. Se for absolvido… será entregue ao arguido”, afirmou.

A ausência de detidos e a duração dos processos têm alimentado debates sobre a eficácia das investigações e a celeridade da justiça em casos de criminalidade económica em Moçambique. Juristas e analistas apontam a necessidade de maior capacidade técnica e reforço institucional para acelerar investigações complexas, sem comprometer as garantias legais dos arguidos.

Enquanto isso, a operação “Stop Branqueamento de Capitais” permanece em curso, num contexto em que o combate ao crime financeiro continua a ser uma das prioridades das autoridades judiciais moçambicanas.

A decisão do Governo de centralizar a importação de arroz e cereais no Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) está a gerar forte contestação jurídica e política, com o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) a avançar com um pedido de suspensão do diploma junto do Tribunal Administrativo.

A medida, introduzida pelo Diploma Ministerial n.º 132/2025, atribui ao ICM a exclusividade na importação de arroz e trigo, tendo entrado em vigor a 1 de Fevereiro para o arroz e a 1 de Maio para o trigo. O Governo justifica a decisão como parte de uma estratégia de reforço da segurança alimentar e de apoio à produção nacional.

No entanto, o CDD considera que a centralização cria um monopólio estatal com potenciais impactos negativos na economia, nos preços ao consumidor e na concorrência entre agentes privados.

Em declarações à imprensa, o presidente-executivo da organização, Adriano Nuvunga, criticou a medida, defendendo que a abertura do mercado gera melhores resultados para o consumidor.

“Quando há competição entre os vários agentes económicos na importação, (…) isso resulta em melhor preço para o consumidor, o nosso povo”, afirmou.

O responsável acrescentou que a criação de um monopólio estatal no sector da importação de cereais pode abrir espaço para riscos adicionais, incluindo corrupção e ineficiências na cadeia de abastecimento.

“Ao estabelecer um monopólio, está desde logo a criar um risco grande para a corrupção, que vai claramente prejudicar o cidadão. Isto vai resultar na importação da fome”, declarou.

O Governo tem defendido, em diferentes ocasiões, que a centralização da importação de produtos essenciais visa proteger a economia nacional e reduzir a dependência externa, ao mesmo tempo que estimula a produção interna de bens alimentares estratégicos.

Medidas semelhantes já foram aplicadas a outros produtos, incluindo cerveja, carne, água engarrafada e milho, no âmbito de uma política de substituição de importações e incentivo à produção local.

Contudo, o CDD rejeita a justificação de que o modelo liberal seria responsável por perdas de divisas ou pela entrada de substâncias ilícitas no País, argumento frequentemente associado à necessidade de maior controlo estatal no comércio externo.

“Não vi um relatório que mostre que os importadores de arroz actualmente estão a importar drogas (…) isso é retórico”, afirmou Nuvunga.

O dirigente defende ainda que o combate a eventuais actividades ilícitas nas fronteiras deve ser responsabilidade das autoridades de segurança, e não do desenho da política económica.

“Deve ser o Ministério do Interior a resolver o problema da utilização das nossas fronteiras (…) não é trabalho do Ministério da Economia”, acrescentou.

Com a acção submetida ao Tribunal Administrativo, a decisão sobre a suspensão ou manutenção do diploma poderá ter impacto directo na organização do mercado de cereais em Moçambique, num contexto em que o arroz e o trigo constituem produtos essenciais na dieta da população.

Deputados da bancada parlamentar do PODEMOS realizaram uma visita de fiscalização ao Hospital Provincial da Matola, no âmbito de uma campanha nacional de monitorização das instituições públicas de saúde, e constataram o encerramento temporário dos serviços de maternidade e do berçário, situação que está a limitar a prestação de cuidados materno-infantis naquela unidade sanitária.

De acordo com a delegação parlamentar, apesar da suspensão destes dois serviços considerados essenciais, as consultas externas de ginecologia continuam a funcionar normalmente. A situação foi identificada durante uma visita enquadrada na primeira fase da campanha de fiscalização lançada pelo partido, que tem como foco inicial o sector da saúde.

A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de monitorização parlamentar anunciada pelo PODEMOS, que pretende avaliar o funcionamento de instituições públicas em todo o País, com particular atenção às unidades sanitárias.

Em declarações à imprensa, o chefe da bancada parlamentar do PODEMOS na Assembleia da República, Ivandro Massingue, explicou os objectivos da campanha e os principais problemas identificados no terreno.

“A bancada do PODEMOS solicitou esta conferência de imprensa com o objectivo de anunciar o lançamento da Campanha Nacional de Fiscalização Parlamentar (…) esta campanha irá incidir sobre todas as instituições públicas”, afirmou.

O parlamentar sublinhou que a visita ao Hospital Provincial da Matola revelou desafios significativos no funcionamento da unidade, incluindo tempos de espera prolongados e dificuldades na resposta aos utentes.

“Constatámos que a maternidade e o berçário, neste momento, não estão em funcionamento. Percebemos que esta instituição tem dificuldades de responder de imediato à procura dos pacientes”, declarou.

Segundo a delegação, a direcção do hospital justificou o encerramento dos serviços com a necessidade de reabilitação das infra-estruturas, apontando para a realização de futuras obras de requalificação.

A visita parlamentar incluiu ainda a auscultação de profissionais de saúde, com o objectivo de perceber eventuais constrangimentos laborais, incluindo relatos de greves no sector.

A direcção hospitalar, segundo os deputados, assegurou que está a trabalhar para evitar perturbações na prestação de serviços.

O PODEMOS anunciou que pretende alargar a campanha de fiscalização a unidades sanitárias de nível provincial, distrital e local em todo o País, com o objectivo de reforçar a monitorização do funcionamento dos serviços públicos.

“Esta actividade de fiscalização irá decorrer por todas as unidades hospitalares a nível nacional (…) no lugar mais longínquo, teremos um deputado que irá lá fazer a fiscalização”, afirmou Ivandro Massingue.

A bancada parlamentar garantiu ainda que irá encaminhar as preocupações recolhidas ao Ministério da Saúde, bem como solicitar esclarecimentos adicionais à direcção da unidade hospitalar sobre as condições actuais de funcionamento e os prazos para reabertura dos serviços encerrados.

O Hospital Provincial da Matola é uma das principais unidades de referência da Província de Maputo, prestando assistência a milhares de utentes, sobretudo nas áreas de saúde materno-infantil e cuidados especializados.

O director provincial da Juventude, Emprego e Desporto de Inhambane, Leonardo Bassanhane Macucule, partilhou, nesta segunda-feira, com os deputados membros do Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) os principais desafios que afectam a juventude da província, com destaque para o desemprego, o acesso à terra infra-estruturada e o consumo de drogas e de álcool.

Falando durante um encontro de trabalho com deputados do GJP, que se encontram em jornadas parlamentares naquela província, Macucule afirmou que o acesso à terra constitui uma preocupação particular nos distritos costeiros, onde os terrenos possuem elevado valor económico devido ao turismo e à extensa ocupação por coqueirais, dificultando a sua disponibilização para habitação.

“O consumo de drogas é um fenómeno preocupante, por gerar diversos problemas sociais e comprometer o desenvolvimento da juventude”, disse Macucule, sublinhando que está prevista para Julho próximo a realização do Observatório Provincial da Juventude, espaço que servirá para discutir os principais assuntos que afectam os jovens.

Por sua vez, Augusto Júlio Amaral, chefe do Departamento de Juventude e Emprego, explicou que as formações ministradas aos activistas, apesar dos custos elevados, têm contribuído para a geração de rendimento, promoção do empreendedorismo juvenil e sensibilização sobre cidadania sexual e reprodutiva.

A província conta, actualmente, com 20 Serviços Amigos dos Adolescentes e Jovens (SAAJ), complementados por cantinhos de aconselhamento nas escolas secundárias, que trabalham em questões relacionadas com HIV/SIDA, uniões prematuras e violência baseada no género.

Segundo Amaral, Inhambane não regista elevados índices de uniões prematuras, sendo que os poucos casos reportados são devidamente acompanhados pelas autoridades.

No âmbito da formação profissional, foram recebidas 4662 candidaturas, das quais 4615 jovens que serão formados em dez áreas, designadamente, construção civil, carpintaria, refrigeração, electricidade automóvel e outras. Foram, igualmente, financiados 28 jovens através do programa Agora Emprega e, em 2025, outros 39 jovens beneficiaram do Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis (FAIJ).

Por seu turno, o presidente do Conselho Provincial da Juventude (CPJ), Claudino Majone, informou que existem actualmente 137 associações juvenis na província, das quais 88 possuem âmbito provincial.

“Contudo, muitas aguardam processos de revitalização, uma vez que alguns dos seus dirigentes já ultrapassaram a faixa etária considerada jovem”, explicou Majone, revelando que já se promoveu quatro diálogos inclusivos, cujas recomendações serão submetidas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).

Neste sentido, o presidente do CPJ anunciou a realização, no próximo dia 19 de Junho, de uma marcha de repúdio a estas práticas e a promoção de actividades lúdicas e recreativas destinadas a ocupar os jovens e afastá-los destes comportamentos considerados de risco, para além da se estar em preparação a Caravana da Unidade Nacional, prevista para Agosto próximo.

Ainda na cidade de Inhambane, os jovens parlamentares reuniram-se com as associações juvenis e jovens no geral onde foram instados a fazer advocacia junto de quem de direito, para a desburocratização da legalização das associações juvenis que tem contribuído para que agremiações desta faixa etária possam operar com segurança legal na província.

O Presidente da República, Daniel Chapo, procedeu esta segunda-feira a uma remodelação nas Secretarias de Estado das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Inhambane, através da exoneração e nomeação de novos titulares para aqueles órgãos de representação do Governo Central.

Segundo um comunicado da Presidência da República, os actos foram praticados ao abrigo da alínea e) do número 2 do artigo 159 da Constituição da República de Moçambique, que confere ao Chefe do Estado competência para nomear e exonerar Secretários de Estado.

No âmbito das alterações anunciadas, Fernando Bemane de Sousa foi exonerado do cargo de Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado, enquanto Plácido Nerino Pereira cessou funções como Secretário de Estado na Província de Nampula. Por sua vez, Bendita Donaciano Lopes deixou o cargo de Secretária de Estado na Província de Inhambane.

Em simultâneo, o Presidente da República determinou a redistribuição de dois dos dirigentes exonerados para novas funções. Plácido Nerino Pereira foi nomeado Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado, enquanto Fernando Bemane de Sousa passa a desempenhar o cargo de Secretário de Estado na Província de Nampula.

Para a Província de Inhambane, o Chefe do Estado nomeou Arsénia Felicidade Félix Massingue para o cargo de Secretária de Estado, substituindo Bendita Donaciano Lopes.

De acordo com a Presidência da República, as mudanças enquadram-se na estratégia de reforço da governação provincial e visam aumentar a eficiência da administração pública, assegurando uma melhor coordenação entre o Governo Central e os órgãos locais do Estado.

“Os actos inserem-se na dinâmica de gestão e fortalecimento da governação provincial, em representação do Governo Central, com vista a assegurar maior eficiência na execução das políticas governamentais e na prestação de serviços aos cidadãos”, refere o comunicado.

Os Secretários de Estado desempenham um papel fundamental na implementação das políticas públicas ao nível provincial, funcionando como representantes do Governo Central nas províncias e assegurando a articulação entre as instituições nacionais e as estruturas locais de governação.

As mudanças assumem particular relevância em províncias como Cabo Delgado, que continua a enfrentar desafios relacionados com a reconstrução de infraestruturas, o regresso das populações deslocadas e a consolidação da estabilidade em distritos anteriormente afectados pela insurgência armada.

Em Nampula, a maior província do País em termos populacionais, os desafios passam pelo fortalecimento dos serviços públicos, desenvolvimento económico e gestão de uma vasta rede administrativa. Já Inhambane continua a apostar na valorização dos sectores do turismo, agricultura e pescas como motores do crescimento económico regional.

A cerimónia de tomada de posse dos novos dirigentes está marcada para esta terça-feira, 16 de Junho, no Gabinete de Trabalho do Presidente da República, em Maputo.

Na mesma ocasião, tomará igualmente posse João António Xirinda, recentemente nomeado para o cargo de Chefe do Protocolo do Estado, função responsável pela coordenação dos actos protocolares e cerimoniais da Presidência da República e do Estado moçambicano.

As alterações representam uma das primeiras reconfigurações da liderança provincial desde a tomada de posse do Presidente Daniel Chapo, sendo interpretadas como parte do processo de ajustamento da máquina governativa às prioridades definidas para o atual ciclo de governação.

A segunda-feira ficou marcada por um momento histórico para o futebol africano no Campeonato do Mundo de 2026. A Costa do Marfim derrotou o Equador por 1-0 no Estádio de Filadélfia e conquistou a sua primeira vitória frente a uma selecção sul-americana em fases finais de Mundiais, reforçando as ambições de seguir em frente na competição.

O triunfo dos “Elefantes” surgiu de forma dramática. Quando tudo apontava para uma divisão de pontos, o jovem avançado Amad Diallo apareceu aos 44 minutos da segunda parte para marcar o único golo do encontro, desencadeando a festa da equipa africana e dos seus adeptos.

A vitória representa um marco simbólico para a Costa do Marfim, que historicamente encontrou dificuldades diante das selecções da América do Sul em competições internacionais. Desta vez, porém, a organização defensiva e a eficácia nos momentos decisivos fizeram a diferença.

Horas mais tarde, no Estádio de Monterrey, a Suécia protagonizou uma das exibições mais convincentes da jornada ao golear a Tunísia por expressivos 5-1. O avançado Alexander Isak voltou a assumir o papel de protagonista, liderando uma equipa sueca que demonstrou grande capacidade ofensiva e assumiu a liderança isolada do Grupo F.

Com os resultados da madrugada, o Mundial entra agora numa nova fase, marcada pela estreia de algumas das selecções mais aguardadas da competição.

A terça-feira promete emoções fortes, com a entrada em cena da França, uma das principais candidatas ao título. Os franceses enfrentam o Senegal no Estádio de Nova York-Nova Jérsia, num duelo carregado de simbolismo que reedita o histórico encontro de abertura do Mundial de 2002, quando os africanos surpreenderam o mundo ao vencer os então campeões mundiais por 1-0.

Também pelo Grupo I, a Noruega inicia a sua caminhada diante do Iraque. Todas as atenções estarão voltadas para o goleador Erling Haaland, principal referência ofensiva dos escandinavos e uma das estrelas mais mediáticas desta edição do torneio.

A jornada será encerrada já na madrugada de quarta-feira com a estreia da Argentina frente à Argélia, em Kansas City. A selecção sul-americana procura começar da melhor forma a defesa das suas ambições mundiais, num grupo que promete elevada competitividade.

Com selecções tradicionais a entrarem finalmente em acção, a expectativa é de mais uma jornada intensa num Mundial que já começou a produzir surpresas, recordes e histórias memoráveis.

 

RESULTADOS DESTA SEGUNDA-FEIRA

Grupo E

Costa do Marfim 1-0 Equador

Grupo F

Suécia 5-1 Tunísia

Grupo H

Espanha vs Cabo Verde

Grupo G

Bélgica vs Egipto

 

JOGOS DESTA TERÇA-FEIRA (horário de Moçambique)

Grupo G

Irão x Nova Zelândia – 03h00

Grupo I

França x Senegal – 21h00

Iraque x Noruega – 00h00

Grupo J

Argentina x Argélia – 03h00 (madrugada de quarta-feira)

A selecção nacional de futebol de sub-17 iniciou oficialmente, em Maputo, os trabalhos de preparação para a Cascais Luso Cup 2026, competição internacional que decorrerá em Portugal entre os dias 14 e 22 de Julho.

Depois da histórica qualificação para o Campeonato do Mundo da categoria, alcançada recentemente em Marrocos, os Mambinhas voltam, agora, as atenções para um novo desafio: defender o título conquistado na última edição do torneio e continuar a construir uma equipa competitiva para o Mundial do Qatar.

Sob orientação do seleccionador Luís Guerreiro, os primeiros treinos serviram para avaliar novos talentos e alargar o leque de opções disponíveis para a principal montra do futebol juvenil mundial.

Entre as principais novidades da convocatória destacam-se seis atletas chamados pela primeira vez ao grupo. A aposta recai sobretudo em jovens que actuam no estrangeiro, casos de Pedro Rolo, da Académica de Coimbra, em Portugal, e Denzel Machatine, do Levante UD, de Espanha.

No plano interno, a Associação Black Bulls confirma o seu estatuto de principal fornecedora da selecção nacional, contribuindo com 14 jogadores para a lista de pré-convocados. O contingente é complementado por atletas provenientes de clubes como o Costa do Sol e o Ferroviário de Nampula.

Para Luís Guerreiro, a participação na Cascais Luso Cup assume uma importância estratégica na preparação da equipa para os compromissos futuros.

“O nosso foco na Cascais Luso Cup é duplo. Vamos a Portugal com a responsabilidade acrescida de defender o troféu que erguemos com orgulho em 2025. Contudo, mais do que os resultados imediatos, este torneio é o laboratório ideal. A qualificação ao Mundial foi um feito soberbo, mas o nosso tecto competitivo tem de subir. Estamos a abrir espaço para observar novos talentos e garantir que o grupo que irá ao Qatar represente o topo absoluto do futebol moçambicano”, afirmou o seleccionador nacional.

O capitão da equipa, Diego Pelembe, destacou o ambiente positivo que se vive no seio do grupo e garantiu que a ambição permanece intacta após a conquista da vaga para o Mundial.

“A recepção que tivemos do povo moçambicano após garantirmos o Mundial deu-nos ainda mais fome de vencer. O ambiente no grupo é fantástico, de pura união. Quem está a chegar agora sabe que aqui corre-se e trabalha-se no limite. Queremos manter a nossa identidade de passe curto e velocidade, e vamos a Cascais para mostrar que Moçambique é, por mérito, uma selecção de dimensão mundial”, declarou.

Os Mambinhas chegam a Portugal com credenciais reforçadas pelo desempenho irrepreensível alcançado na edição de 2025 da Cascais Luso Cup. A equipa conquistou o troféu de forma invicta, vencendo os quatro encontros disputados e alcançando um aproveitamento de 100 por cento.

Durante a campanha vitoriosa, Moçambique marcou 15 golos, registando uma média de 3,75 tentos por partida. No percurso rumo ao título, a selecção derrotou Macau por 6-2, Timor-Leste por 3-1, Angola por 3-0 e Guiné-Bissau por 3-2.

Com o arranque dos trabalhos em Maputo, a equipa técnica prevê cerca de duas semanas de intensa preparação física e táctica antes da viagem para Portugal, programada para o início de Julho. 

A expectativa é de que o torneio sirva não apenas para defender o título conquistado no ano passado, mas também para consolidar uma geração que já entrou para a história do futebol moçambicano e que sonha agora em deixar a sua marca no Campeonato do Mundo do Qatar.

Mambinhas sub-20 também arrancam preparação para a COSAFA

Ainda esta segunda-feira, a selecção nacional de futebol de sub-20 iniciou os preparativos para a Taça COSAFA 2026, competição que terá lugar nas Ilhas Maurícias entre os dias 4 e 13 de Setembro. 

À frente do novo projecto está Luís Guerreiro, técnico escolhido pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF) para liderar uma geração que pretende devolver Moçambique ao topo do futebol juvenil da África Austral.

A nomeação do treinador surge na sequência dos resultados históricos alcançados ao serviço dos sub-17, escalão no qual construiu um percurso marcante e colocou o futebol moçambicano em evidência no panorama continental e internacional.

O principal objectivo da selecção passa por assegurar uma das duas vagas reservadas à região da África Austral para o Campeonato Africano das Nações (CAN) Sub-20 de 2027, prova que será disputada no Gana. Para tal, os Mambinhas terão de atingir a final da Taça COSAFA, considerada uma das competições juvenis mais competitivas do continente.

A aposta da direcção da FMF, liderada por Feizal Sidat, é vista como uma estratégia de continuidade, permitindo que a metodologia e a filosofia de trabalho implementadas por Luís Guerreiro nas categorias inferiores tenham seguimento no escalão imediatamente acima.

O currículo recente do técnico sustenta a confiança depositada pela federação. Sob a sua orientação, os sub-17 conquistaram a Cascais Luso Cup em 2025, alcançaram o terceiro lugar na Taça COSAFA do mesmo ano e protagonizaram um feito sem precedentes ao garantirem a primeira qualificação de uma selecção moçambicana de futebol de 11 para um Campeonato do Mundo da FIFA, após a campanha realizada no CAN sub-17 de 2026, que valeu o apuramento para o Mundial do Qatar.

Embora os detalhes da preparação ainda estejam a ser ultimados, a identidade competitiva da equipa deverá manter as características que marcaram os anteriores trabalhos de Luís Guerreiro. O treinador tem defendido uma abordagem baseada na organização defensiva, disciplina táctica e capacidade de explorar rapidamente os espaços deixados pelos adversários.

Além da solidez defensiva, o modelo de jogo privilegia a circulação rápida da bola, os passes curtos e a velocidade dos extremos, características que têm sido uma imagem de marca das equipas orientadas por Guerreiro.

Moçambique procura agora recuperar o título da Taça COSAFA Sub-20, conquistado pela última vez em 2020, na África do Sul. A competição nas Ilhas Maurícias representa, por isso, uma oportunidade para reafirmar o crescimento do futebol juvenil nacional e dar mais um passo rumo à presença entre as principais selecções africanas da categoria.

A África do Sul repatriou 2.745 cidadãos estrangeiros numa semana. As repatriações ocorreram após o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ter prometido uma acção mais dura contra a imigração ilegal. 

O crescente sentimento de insegurança, agravado por saques a estabelecimentos comerciais e ataques contra estrangeiros que provocaram mortos e feridos, levou cidadãos de Moçambique, Nigéria, Malawi, Gana e Zimbabwe a aceitarem a repatriação voluntária organizada pelos respectivos governos.

Segundo o Governo sul-africano, citado pela Africanews, até à noite de domingo tinham sido efectuadas, no total, 2.745 repatriações desde o pronunciamento do Presidente Cyril Ramaphosa.

O Ministro do Interior da África do Sul afirmou que a maioria dos repatriados se encontrava no país em situação ilegal.

Entretanto, cerca de 7.000 cidadãos malawianos encontram-se abrigados num campo aberto na cidade portuária de Durban, no leste do país.

A África do Sul tem atraído trabalhadores imigrantes provenientes de várias partes do continente, tanto por vias legais como ilegais. Contudo, com uma taxa de desemprego superior a 30 por cento, o país tem enfrentado surtos recorrentes de agitação anti-imigrante, incluindo novos episódios de violência registados nas últimas semanas.

Cerca de mil raparigas em situação de vulnerabilidade vão beneficiar de um projecto de promoção da higiene e saúde menstrual, implementado pela Associação Missão Moçambique (MIMO), em parceria com a organização Be Girl.

A iniciativa, denominada “Empoderamento das Raparigas em Situação de Vulnerabilidade por meio da Promoção e Acesso à Higiene e Saúde Menstrual”, foi formalizada através da assinatura de um memorando de entendimento entre as associações Fidelidade Ímpar e Mimo, que marca o arranque das actividades.

O projecto prevê a distribuição de kits de higiene menstrual reutilizáveis e a realização de acções de esclarecimento e sensibilização em escolas, com o objectivo de promover o acesso a condições dignas de higiene menstrual e reforçar o conhecimento das jovens sobre saúde reprodutiva.

Segundo a MIMO, a iniciativa procura responder aos desafios enfrentados por muitos adolescentes que, devido à falta de produtos de higiene menstrual e de informação adequada, enfrentam dificuldades para participar plenamente na vida escolar.

Além da distribuição de pensos higiénicos reutilizáveis e sustentáveis, o projecto inclui sessões educativas dirigidas às comunidades escolares, visando combater tabus e promover uma maior consciencialização sobre a saúde menstrual.

A representante da MIMO, Lili Gervásio, considera que a iniciativa poderá contribuir para melhorar as condições de permanência das raparigas na escola e reforçar a sua auto-estima.

“Quando garantimos acesso à saúde menstrual e informação adequada, estamos também a contribuir para a permanência escolar, para a auto-estima e para o fortalecimento das oportunidades futuras destas jovens”, afirmou.

A implementação contará com o apoio técnico da Be Girl, organização responsável pelo fornecimento dos pensos higiénicos reutilizáveis que serão distribuídos às beneficiárias. De acordo com Cristina Brito, Gestora Sénior de Vendas e Parcerias da instituição, a aposta em soluções reutilizáveis permite responder simultaneamente a desafios económicos, sociais e ambientais.

Os promotores acreditam que a iniciativa poderá gerar resultados concretos na vida das beneficiárias, contribuindo para a redução do absentismo escolar associado à menstruação e para a criação de melhores condições de saúde e bem-estar para centenas de raparigas.

O projecto insere-se nos esforços de promoção da saúde menstrual e da igualdade de oportunidades para as jovens, procurando garantir que a falta de recursos não constitua um obstáculo ao acesso à educação.

“Pretendemos que esta iniciativa tenha continuidade e possa ser realizada regularmente, sempre com foco no impacto que gera nas comunidades. Acreditamos que as empresas têm também a responsabilidade de contribuir para o bem-estar social e, por isso, queremos apoiar projectos que, mesmo com recursos limitados, conseguem transformar vidas e criar oportunidades para quem mais precisa”, sublinhou Víctor Bandeira, Presidente da Comissão Executiva da Fidelidade Moçambique. 

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