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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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O partido no poder na Rússia, Rússia Unida, venceu as eleições legislativas realizadas nos últimos três dias no país com 57% dos votos, revelam dados preliminares. A vitória, segundo disse Vladimir Putin, demonstra determinação nacional face à pressão externa e à vitória na guerra contra a Ucrânia.

Após três dias de votação para as eleições  da câmara baixa do parlamento Estatal, entre 18 e 20 de Setembro corrente,  o pleito revela resultados que dão vantagem ao partido de Vladimir Putin. 

A chefe da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Ella Pamfilova, disse durante a apresentação do balanço dos resultados preliminares, que o partido no poder “Rússia Unida” manteve e ampliou a sua maioria constitucional, ao obter 57,54 % dos votos, o que significa 355 assentos.   

Por outro lado, o partido Comunista da Rússia obteve 13,81% dos votos e venceu em cinco distritos uninominais, garantindo preliminarmente 40 assentos no Parlamento.

O restante dos assentos foram ocupados pelos partidos Novo Povo e Partido Liberal Democrático.

O anúncio dos resultados finais das eleições parlamentares na Rússia está previsto para a próxima sexta-feira,  25 de setembro.

Estas eleições têm a particularidade de serem as primeiras desde Fevereiro de 2022, altura em que a Rússia lançou o ataque, em grande escala, contra a Ucrânia.

O presidente russo afirmou, antes da votação, que a ida às urnas ajudaria a garantir a vitória da Rússia contra a Ucrânia e a demonstrar determinação nacional face à pressão externa.

A Frelimo condena os assassinatos de membros dos partidos da oposição e manifesta confiança nos órgãos da Justiça para o esclarecimento dos casos. O posicionamento foi apresentado nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, por Gonçalves Gemusse, membro da Brigada Central de Assistência à província de Sofala, que apelou à calma e contra a politização dos factos.

Gonçalves Gemusse afirmou que determinados acontecimentos registados nas comunidades não devem ser imputados automaticamente à Frelimo ou às autoridades governamentais, defendendo que os casos sejam tratados pelas instituições competentes.

O dirigente salientou ainda que os assassinatos não atingiram apenas membros dos partidos da oposição, apelando à serenidade na abordagem da situação e ao esclarecimento dos factos pelos órgãos da Justiça.

Em Sofala, Gonçalves Gemusse liderou a Brigada Central de Assistência à província, que trabalhou nos distritos na oficialização dos gabinetes de preparação do 13.º Congresso da Frelimo, previsto para Julho de 2027, na cidade de Nampula.

Em Tete, o chefe da Brigada Central de Assistência à província, Aires Ali, afirmou que a Frelimo está organizada para participar no congresso. O dirigente falava durante uma marcha organizada pelo partido, no âmbito da preparação do encontro.

Aires Ali apelou igualmente ao reforço da actividade das células da Frelimo na província, como parte do processo de organização para o congresso.

A preparação do 13.º Congresso inclui a criação de gabinetes provinciais e distritais, responsáveis por coordenar as actividades organizativas do partido com vista à realização do encontro.

A ex-vice-presidente norte-americana e concorrente nas últimas eleições presidenciais inicia acções de campanha para as eleições intercalares de Novembro, que determinam a composição da Câmara dos Representantes, do Senado e Cargos locais. Kamala Harris pretende, enquanto isso, avaliar a possibilidade de voltar a disputar a nomeação presidencial democrata em 2028.

A primeira deslocação de Kamala Harris para a campanha para as eleições intercalares de Novembro será ao Michigan, onde participará numa iniciativa de apoio a Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado.

A escolha do Michigan tem particular significado político para Harris, segundo revelou a imprensa internacional, uma vez que foi um dos sete Estados decisivos que perdeu para o actual Presidente Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024 e integra agora o grupo de seis Estados que iniciarão o próximo processo de escolha do candidato democrata à Casa Branca.

A ex-vice-presidente norte-americana continua a ser uma das figuras mais conhecidas do Partido Democrata, mas uma eventual nova candidatura divide dirigentes e militantes da formação política, depois de não ter conseguido derrotar Trump quando substituiu Joe Biden na corrida presidencial de 2024.

A deslocação ao Michigan poderá também expor divergências internas do Partido Democrata, particularmente em torno da guerra na Faixa de Gaza.

Além do Michigan, Harris deverá participar em acções de campanha no Nevada e na Geórgia.

A Estação de Tratamento de Águas Residuais do Vale do Infulene enfrenta dificuldades para assegurar a sua sustentabilidade financeira. A infraestrutura custa à Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo cerca de 2,5 milhões de meticais por mês, valor superior às receitas que gera.

Perante o défice, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo está a procurar parceiros para garantir a continuidade do funcionamento da estação, cujo financiamento é actualmente assegurado através de fundos próprios da empresa.

“É um desafio, porque estamos numa situação deficitária. Ou seja, o que nós gastamos mensalmente para manter a estação é superior aos recursos ou às receitas que nós recebemos. Portanto, estamos a retirar fundos de outras actividades para garantir a sustentabilidade da estação”, explicou o presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo, Borges Nogueira da Silva.

Segundo o responsável, a empresa está a desenvolver iniciativas para encontrar mecanismos que permitam tornar a infraestrutura financeiramente sustentável, incluindo através do envolvimento de parceiros de desenvolvimento.

“Não tenho aqui números, mas estamos a falar na ordem de 2,5 milhões de meticais”, disse Borges Nogueira da Silva, referindo-se aos custos mensais de funcionamento da estação.

Um dos potenciais parceiros é o Banco Africano de Desenvolvimento, que visitou a infraestrutura esta segunda-feira, num primeiro contacto tendo em vista uma possível cooperação.

Para o enviado residente do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, Rômulo Corrêa, a estação apresenta potencial para a implementação de uma economia circular, através do reaproveitamento dos resíduos tratados.

“É interessante e chama a atenção do BAD o potencial de implementar uma economia circular, de aproveitar aqueles dejectos que talvez antes não teriam um uso muito específico, para se fazer um uso mais apropriado, no sentido de apoiar a agricultura com fertilizantes ou mesmo com biogás e apoiar a transformação energética de Moçambique”, afirmou.

A aproximação ao Banco Africano de Desenvolvimento faz parte de uma estratégia mais ampla da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo para mobilizar apoio técnico e financeiro junto de diferentes parceiros de desenvolvimento.

“Nós vamos continuar a conversar com o BAD e com as outras agências para ver se conseguimos mobilizar a assistência técnica para a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem e, a partir dessa assistência técnica, podemos, através dessas agências de desenvolvimento, elaborar projectos”, explicou Borges Nogueira da Silva.

O presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo considera que o desafio é maior num contexto marcado pelas alterações climáticas, defendendo a necessidade de encontrar soluções sustentáveis para o funcionamento da infraestrutura.

Para além da apresentação do projecto, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo e os potenciais parceiros deverão discutir oportunidades de cooperação e financiamento nas áreas do saneamento e da drenagem.

Transportadores e automobilistas denunciam que a circulação de camiões de grande tonelagem da Dingsheng, que transportam minérios para o terminal portuário de Chongoene, está a acelerar a degradação da estrada Chongoene-Chibuto, com reflexos no risco de acidentes, avarias mecânicas e prejuízos para os utentes da via.

A circulação de camiões de grande tonelagem que transportam minérios da Dingsheng para o terminal portuário de Chongoene agravou, nos últimos dois anos, a degradação da estrada que liga Chongoene aos distritos de Mandlakazi e Chibuto, segundo transportadores e automobilistas.

” A  via já estava degradada, mas a circulação dos camiões de grande carga da areias pesadas de Chibuto piorou a situação, nos últimos dois anos. Aqui é só escolher a cova que queremos bater ” lamentou, um transportador .

Com cerca de 53 quilómetros, a N102 apresenta vários troços esburacados, condição que, segundo os utentes da via, aumenta o risco de acidentes mortais.

” O que estamos a viver aqui há dois anos é terrível, aqui ocorrem acidentes por causa da via e nada é feito, até quando?”, questionou, outro transportador.

Além do risco de sinistros rodoviários, o mau estado da via tem acelerado as avarias mecânicas, resultando em avultados prejuízos financeiros com a reparação dos veículos.

O secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto, reagiu à situação, apontando duas causas para o estado actual da via.

” Primeiro por causa do uso da via na sequência  das cheias, segundo por causa dos camiões da Dingsheng, e se isto continuar, a via vai ficar totalmente degradada”, admitiu.

Jaime Neto avançou ainda que a empresa de capitais chineses será chamada a comparticipar na manutenção da estrada.

Enquanto isso, as áreas de exploração mineira em Chibuto suspenderam, nos primeiros três meses, as suas actividades após danos registados em cinco linhas de produção.

O número de crianças, adolescentes e cuidadores que receberam apoio psicossocial do Unicef em Moçambique ultrapassou 154 mil até Julho, com a insegurança no norte a agravar-se, com mais de 28 mil deslocados neste ano.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alerta, no seu mais recente relatório humanitário sobre Moçambique citado pela Lusa, que a situação de segurança no norte do país permaneceu volátil em Julho, com novas deslocações de população, expansão dos movimentos de grupos armados para distritos do sul da província de Cabo Delgado e um aumento das necessidades humanitárias das crianças e respectivas famílias.

Aquela província do norte enfrenta uma insurgência armada que, desde 2017, já provocou mais de 6600 mortos.

Segundo o documento do Unicef, divulgado nesta segunda-feira, “a insegurança manteve-se volátil no norte de Moçambique em Julho”, tendo operações militares intensificadas em Macomia levado grupos armados não estatais a dispersarem-se para os distritos de Quissanga, Meluco, Ancuabe, Chiúre e Montepuez.

Acrescenta que os movimentos populacionais continuaram ao longo do mês de Julho, com a ferramenta de monitorização de emergências da Organização Internacional para as Migrações a registar 3729 pessoas em movimento nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, das quais 1575 crianças. A maioria destes movimentos ocorreu em Cabo Delgado, sendo a violência o principal factor de deslocação, seguida de regressos planeados e do receio de novos ataques.

De acordo com dados citados pelo Unicef, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) contabilizava, no final de Julho, 28 163 pessoas deslocadas pelo conflito desde o início de 2026, sendo mulheres e crianças responsáveis por 65% desse total.

Num contexto de agravamento das vulnerabilidades, o Unicef refere que, até julho, prestou serviços comunitários de saúde mental e apoio psicossocial a 154 659 crianças, adolescentes e cuidadores em Moçambique, dos quais 146 071 nas províncias do norte afectadas pelo conflito.

Só durante Julho, a agência apoiou 24 603 crianças, adolescentes e cuidadores através destes serviços, incluindo 18 645 crianças em Cabo Delgado através de atividades recreativas, culturais, desportivas e de apoio comunitário destinadas a reforçar a proteção e o bem-estar psicológico.

O relatório destaca ainda que 1440 crianças sobreviventes de violência receberam serviços de gestão de casos em Julho e que 46 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias foram reunificadas com familiares ou encaminhadas para acolhimento alternativo.

Na educação, outro dos sectores fortemente afetados pela violência, o Unicef contabilizou 154 608 crianças com acesso a ensino formal ou não formal através dos programas apoiados pela organização, incluindo aprendizagem pré-escolar. Em Cabo Delgado, 208 professores do distrito de Palma receberam formação para ensinar em contextos de crise e identificar riscos de proteção infantil.

O Unicef alerta também para o impacto esperado do fenómeno El Niño durante a época chuvosa e ciclónica de 2026-2027. Segundo o relatório, as previsões mais recentes apontam para uma probabilidade de 100% de o fenómeno persistir até ao início de 2027, com possibilidade de agravamento da insegurança alimentar, sobretudo no Sul e Centro do País.

Apesar da continuidade das operações humanitárias, a agência das Nações Unidas assinala constrangimentos financeiros significativos. O apelo humanitário do Unicef para Moçambique em 2026 ascende a 58,8 milhões de dólares, mas o défice de financiamento permanece em 49%, afetando “a capacidade do Unicef de responder plenamente às necessidades das crianças e dos seus cuidadores”.

O relatório estima que um milhão de crianças necessitem atualmente de assistência humanitária em Moçambique, num universo de 1,8 milhões de pessoas em situação de necessidade, incluindo mais de 506 mil deslocados internos relacionados com o conflito e cerca de 715 mil regressados às zonas de origem.

A realização da marcha na província de Tete marca, segundo os promotores, o início de uma nova fase de mobilização e organização partidária, tendo em vista a preparação do 13.º Congresso.

Durante a iniciativa, os participantes defenderam o cumprimento das orientações internas e o reforço das estruturas partidárias já criadas e oficializadas na província, com destaque para as zonas mais distantes da cidade de Tete.

Os intervenientes apelaram ainda à transformação do partido numa organização mais estruturada, séria e próxima das populações, baseada na confiança, amizade e empatia com o povo.

Na ocasião, foi igualmente defendida a necessidade de os militantes assumirem uma postura exemplar, rejeitando comportamentos ilícitos ou práticas que possam manchar a imagem do partido.

“Queremos que esta mudança seja para melhor, a partir de cada um de nós”, sublinhou um dos intervenientes, apelando aos militantes para que sejam os primeiros a dar o exemplo.

A mobilização enquadra-se, segundo os participantes, nas actividades de preparação do 13.º Congresso, com a defesa de uma nova forma de organização e actuação partidária.

Sete grupos armados etíopes formaram uma aliança com o objectivo de derrubar o Governo federal e facilitar a criação de um Governo de transição, anunciou este domingo um representante da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF).

Segundo o vice-presidente da TPLF, Amanuel Assefa, a aliança reúne as forças tigrínias, as milícias nacionalistas Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo (OLA), entre outros quatro grupos armados. A liderança da coligação ficará a cargo de Zemene Kasse, dirigente do Fano.

“Acabamos de formar uma aliança. Estamos a colaborar com vários grupos e os nossos objectivos são derrubar o regime e facilitar a formação de um Governo de transição”, declarou Amanuel Assefa à agência AFP.

A formação da aliança ocorre num contexto de crescente tensão militar no norte da Etiópia. De acordo com a União Africana, o Governo federal e a TPLF têm concentrado tropas ao longo da fronteira da região do Tigray nos últimos meses, aumentando os receios de um possível regresso ao conflito que devastou a região entre 2020 e 2022 e provocou cerca de 600 mil mortes.

Amanuel Assefa afirmou que os grupos envolvidos mantêm contactos há mais de um ano e manifestou confiança na capacidade da nova aliança para alcançar os seus objectivos.

As autoridades federais etíopes ainda não tinham reagido publicamente ao anúncio até à publicação da informação.

 

DÚVIDAS SOBRE CAPACIDADE MILITAR

O especialista em assuntos regionais Kjetil Tronvoll, da Oslo New University College, na Noruega, questiona, contudo, a capacidade da aliança para derrubar o Governo federal, que dispõe de meios militares, incluindo drones. Segundo Tronvoll, uma coordenação efectiva entre os diferentes grupos poderia criar dificuldades às forças governamentais, ao obrigá-las a enfrentar várias frentes de combate em simultâneo.

O especialista alerta, porém, para as divergências ideológicas e territoriais entre os grupos, que poderão dificultar a governação no caso de uma eventual mudança de poder.

 

GRUPOS JÁ ESTIVERAM EM LADOS OPOSTOS

A Etiópia enfrenta há vários anos conflitos armados nas regiões de Oromia e Amhara, duas das áreas mais populosas do país. O OLA combate as forças federais desde 2018, na região de Oromia. O Governo etíope classificou o grupo como organização terrorista.

Já as milícias Fano, tradicionalmente associadas à autodefesa da comunidade Amhara, pegaram em armas contra o Governo em Abril de 2023, depois de as autoridades federais terem iniciado medidas para desarmá-las. A anunciada aliança reúne, assim, grupos que já estiveram em lados opostos. Durante a guerra do Tigray, as forças Fano combateram ao lado do Exército federal etíope contra a TPLF.

Persistem igualmente disputas territoriais entre as comunidades envolvidas. Um dos principais pontos de tensão é o Tigray Ocidental, território reivindicado tanto por amharas como por tigrínios e actualmente administrado por nacionalistas amharas. Apesar das divergências, Amanuel Assefa afirmou que as questões territoriais e políticas entre os grupos poderão ser resolvidas através do diálogo.

“Vamos sentar-nos à mesa mais tarde para resolver os nossos problemas pacificamente”, afirmou.

 

Antigos participantes das manifestações de 2025 concorrem às eleições parlamentares, enquanto jovens reclamam melhorias na saúde, educação e emprego em Marrocos. 

Os jovens marroquinos que estiveram na linha da frente dos protestos da Geração Z, no ano passado, voltam agora a assumir um papel de destaque na vida política do país, desta vez como eleitores e candidatos às eleições parlamentares marcadas para quarta-feira.

Trata-se das primeiras eleições parlamentares desde as manifestações que, no final de 2025, se espalharam por várias cidades de Marrocos, com os jovens a exigirem melhores serviços de saúde, educação, emprego e serviços públicos, além de denunciarem a corrupção.

Entre os candidatos estão antigos participantes dos protestos. No total, 7.288 candidatos, de 27 partidos políticos, disputam as 395 vagas da Câmara dos Representantes.

Younes Belaidi, de 29 anos, que participou nas manifestações, é candidato pelo Partido do Progresso e do Socialismo no distrito de Ain Chock, em Casablanca, onde trabalha para a Organização Marroquina para os Direitos Humanos.

Belaidi defende uma participação mais activa dos jovens no processo político, considerando que a resolução dos problemas que afectam esta camada da população passa também pelo seu envolvimento nas instituições.

Outro antigo participante nos protestos, Aymane Saissi, membro do Partido do Progresso e do Socialismo, afirma manter expectativas moderadas quanto às eleições, mas acredita que existe espaço para mudanças.

Entre as principais preocupações apontadas pelos jovens estão o acesso à saúde, educação, emprego e condições para uma vida digna.

 

DESEMPREGO PREOCUPA JUVENTUDE

 

O desemprego constitui uma das principais preocupações da população jovem marroquina. Dados oficiais indicam que a taxa de desemprego entre pessoas dos 15 aos 24 anos deverá atingir 37 por cento em 2025, contra 13 por cento da população em geral.

A insatisfação com as oportunidades disponíveis no país também tem levado jovens marroquinos a procurar alternativas fora das fronteiras nacionais.

Ayoub Belaidi, de 23 anos, é um dos jovens que viveu essa experiência. Durante a vaga migratória deste Verão, entrou em Ceuta, território espanhol no Norte de África, antes de regressar a Marrocos.

O jovem afirmou que a decisão de emigrar esteve relacionada com a procura de liberdade, novas experiências e oportunidades de desenvolvimento, mas relatou dificuldades durante a permanência em Ceuta, incluindo falta de alimentação e de alojamento nos primeiros dias.

 

BAIXA REPRESENTAÇÃO ELEITORAL

 

Apesar de constituírem cerca de 12 por cento da população marroquina, os jovens entre os 18 e os 24 anos representam apenas quatro por cento dos 15,8 milhões de eleitores registados.

O reduzido peso eleitoral desta faixa etária coloca o voto jovem no centro das atenções das eleições parlamentares, num momento em que uma parte da juventude procura transformar as reivindicações manifestadas nas ruas em participação política através das urnas.

As eleições serão, assim, um novo teste à capacidade dos partidos políticos de responder às preocupações de uma geração que, nos protestos de 2025, colocou no centro do debate nacional questões relacionadas com os serviços públicos, emprego, condições de vida e corrupção.

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