As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.
Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.
Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.
“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.
Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.
“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.
Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.
Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.
“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.
Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.
Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.
“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.
Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.
O Uganda suspendeu, com efeito imediato, toda a cooperação militar e de defesa com a Turquia, na sequência de divergências entre os dois países relacionadas com a situação do blogueiro político Fred Lumbuye, crítico do Presidente ugandês, Yoweri Museveni.
Decisão surge após pressão de Ancara para extradição de blogueiro crítico do Presidente Yoweri Museveni.
O anúncio foi feito, no sábado, pelo porta-voz das Forças de Defesa Popular do Uganda (UPDF), Chris Magezi, que justificou a medida com a existência de questões pendentes de defesa mútua e cooperação militar entre os dois países.
A decisão surge depois de autoridades turcas terem pressionado Kampala para entregar Fred Lumbuye, que enfrenta 15 acusações criminais, incluindo incitação à violência, disseminação de informações falsas e uso indevido de computador.
O chefe do Exército ugandês, Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e apontado como provável sucessor do Presidente, tem mantido divergências com as autoridades turcas em torno dos esforços para extraditar o blogueiro.
Na sexta-feira, milhares de ugandeses ligados à Liga Patriótica do Uganda, um grupo de pressão cívica e política associado a Kainerugaba, manifestaram-se em frente à Embaixada da Turquia, em Kampala.
Num comunicado, Chris Magezi afirmou que a suspensão da cooperação permanecerá em vigor até que sejam resolvidas as questões pendentes entre os dois países, sem, contudo, avançar mais detalhes.
COOPERAÇÃO DE QUASE UMA DÉCADA
Uganda e Turquia mantêm relações de cooperação na área da defesa há quase uma década. A parceria inclui formação militar, fornecimento de armamento e equipamentos de vigilância, transferência de tecnologia e cooperação no combate ao terrorismo e em matéria de segurança.
A crise diplomática ocorre também depois de ameaças de Kampala de cancelar um contrato ferroviário avaliado em três mil milhões de dólares, atribuído à empresa turca Yapi Merkezi, bem como de expulsar cidadãos turcos do Uganda.
A suspensão da cooperação militar representa uma nova tensão nas relações entre Kampala e Ancara, num momento em que os dois países mantêm interesses económicos e estratégicos em várias áreas.
Mais de três mil alunos da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai, estudam debaixo de árvores desde 2024, depois da paralisação das obras de reabilitação da cobertura de 18 salas, avaliadas em quase oito milhões de meticais. Noutra escola pública, em Chibuto, cerca de três mil alunos continuam em tendas desde Março, após a interdição do edifício principal.
O problema começa em 2023, quando o Ministério da Educação destinou quase oito milhões de meticais à reabilitação da cobertura das salas da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai. As obras, sob responsabilidade do sector da Educação, foram interrompidas sem explicações públicas sobre as causas da paralisação ou o destino dos fundos.
Iniciadas em 2024, as obras deveriam durar apenas três meses, mas continuam por concluir. Das 18 salas cuja cobertura deveria ser reabilitada, apenas sete foram concluídas, e mesmo estas continuam a apresentar infiltrações quando chove.
A paralisação das obras já era questionada em Fevereiro de 2025. A 2 de Fevereiro daquele ano, o director da Escola Básica 7 de Outubro, David Chivite, falava ao O País sobre a situação.
Quase três anos depois do início do processo, mais de três mil alunos continuam a estudar em condições precárias. Das 58 turmas da escola, 13 continuam ao relento.
Debaixo das árvores, o calendário escolar segue, mas quando ameaça chover os cadernos fecham-se e as aulas são interrompidas. Joana Cesar, aluna da escola, descreve as dificuldades enfrentadas pelos estudantes.
Durante mais de quatro horas, algumas crianças permanecem sentadas no chão. Alísio, aluno, relata que os estudantes perdem a concentração e queixam-se de dores nas articulações.
Lucas, também aluno, aponta consequências na aprendizagem e no aproveitamento escolar. A professora Ana Levi reconhece, igualmente, que as condições enfrentadas pelos alunos podem estar a pesar no seu desempenho.
Mas as dificuldades começam ainda antes de os alunos chegarem à sala de aula. Alguns percorrem longas distâncias com a pasta numa mão e, na outra, a própria cadeira que terão de usar durante as aulas, numa rotina imposta pela falta de carteiras.
“Chegar cedo já não é apenas chegar à aula. É chegar primeiro à carteira. Quem perde essa corrida, aprende sentado no chão”, relata Edna Cossa, aluna da escola.
Perante a demora na conclusão das obras, permanece a pergunta sobre o destino dos cerca de oito milhões de meticais destinados à reabilitação das salas. A Direcção Provincial da Educação de Gaza surge agora com uma nova promessa de solução, depois de outras terem ficado por cumprir.
” Agora recebemos a confirmação de orçamento para dar seguimento ainda este anos”, disse Raquelija da Glória.
A porta-voz da instituição, Raquelija da Glória, reconhece que o problema ultrapassa a Escola Básica 7 de Outubro. Em toda a província de Gaza, segundo a responsável, mais de 200 turmas continuam a estudar em condições precárias.
E enquanto em Xai-Xai os alunos estudam debaixo de árvores, em Chibuto, mais de três mil estudantes estão em tendas desde Março, depois da interdição do edifício principal da Escola Secundária de Chibuto, devido ao iminente risco de colapso.
A espera pelo arranque das obras de reabilitação das 18 salas é agora acompanhada por outro problema: o calor intenso no interior das tendas.Os alunos apontam ainda a falta de energia e a incidência directa da luz solar sobre os cadernos, o que dificulta a visualização do quadro e o acompanhamento das aulas.
Diante desta realidade, os alunos pedem respostas ao Governo e uma solução que permita recuperar condições dignas para a aprendizagem.
De Xai-Xai a Chibuto, são duas escolas e realidades diferentes, mas com o mesmo problema: mais de seis mil alunos estudam sem condições adequadas. Uns debaixo de árvores, outros em tendas.
O Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique suspendeu quatro agentes da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, em Jangamo, por onde passou o semi-colectivo envolvido no acidente que matou 24 pessoas em Zavala.
A viatura circulou cerca de 70 quilómetros depois daquele posto antes da colisão e transportava, segundo a PRM, 24 pessoas, apesar de ter capacidade para 17. Joaquim Sive diz que a suspensão não significa, nesta fase, responsabilização dos agentes, mas confirma que está em curso uma investigação para perceber como a viatura conseguiu prosseguir viagem nestas condições.
O semi-colectivo passou por um dos principais pontos de fiscalização rodoviária da Estrada Nacional Número Um em Inhambane e continuou viagem. Cerca de 70 quilómetros depois, em Zavala, a deslocação terminou numa colisão frontal com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e na morte das 24 pessoas que seguiam na viatura de transporte de passageiros.
Agora, a passagem pelo Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, no distrito de Jangamo, está no centro das atenções das autoridades, que querem perceber como um veículo que, segundo o Comandante-Geral da PRM, tinha capacidade para 17 pessoas, conseguiu ultrapassar aquele ponto transportando 24 ocupantes.
Joaquim Sive esteve no local do acidente e confirmou que foi aberto um inquérito para reconstituir o percurso da viatura e apurar o que aconteceu nos postos de controlo por onde passou antes da tragédia.
“Percebemos que a viatura passou um posto de controlo no Sul, o mais próximo aqui é o de Lindela, e alguma situação deve ter ocorrido”, afirmou o Comandante-Geral da PRM, acrescentando que os dados recolhidos pelas autoridades indicam uma diferença considerável entre a capacidade do veículo e o número de pessoas encontradas no seu interior.
“Dos dados que estamos a obter, a capacidade desta viatura é de 17 lugares, mas fomos visualizar dentro da viatura 24 cidadãos. Temos de apurar o que terá acontecido para que essas pessoas pudessem passar pelos postos de controlo”, disse.
A investigação abre uma frente que ultrapassa as causas imediatas da colisão e coloca sob escrutínio o funcionamento da fiscalização rodoviária ao longo da EN1, sobretudo porque a viatura conseguiu continuar a viagem depois de passar por Lindela e só viria a sofrer o acidente dezenas de quilómetros mais à frente.
As autoridades querem saber se o semi-colectivo foi efectivamente fiscalizado, em que condições essa fiscalização terá ocorrido e como o excesso de lotação não impediu a continuação da viagem.
Joaquim Sive explicou que o inquérito não está limitado à Polícia e envolve outras instituições com responsabilidades na segurança rodoviária, incluindo o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários.
“É um trabalho que estamos a realizar. O inquérito sobre as circunstâncias decorre, envolve vários sectores, a Polícia, o INATRO, mas todos nós, como sociedade, devemos interessar-nos em aprofundar essas coisas”, afirmou.
Enquanto o inquérito avança, o Comando-Geral já tomou as primeiras medidas internas.
Quatro agentes da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela no momento em que o semi-colectivo passou pelo local foram suspensos.
Entre os suspensos estão o chefe do grupo, com a patente de inspector da Polícia, um subinspector e dois sargentos da Polícia de Trânsito.
“Foram suspensos o chefe do grupo, que é um inspector da Polícia, mais um subinspector da Polícia e mais dois sargentos da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Lindela”, confirmou Joaquim Sive.
A decisão, contudo, ainda não representa uma conclusão sobre a responsabilidade individual dos quatro agentes. O Comandante-Geral fez questão de separar a medida administrativa adoptada nesta fase da eventual responsabilização que poderá resultar do processo de averiguações.
“Não estamos a dizer que a solução é uma questão de responsabilização. Obviamente que não é. Há muito que temos de encontrar”, disse Sive, acrescentando que a Polícia dispõe de regulamentos internos que estabelecem as infracções e as medidas aplicáveis em função da gravidade de cada caso. A eventual responsabilização dependerá, por isso, daquilo que o inquérito conseguir estabelecer sobre a actuação dos agentes e sobre as circunstâncias concretas em que o semi-colectivo passou pelo posto.
O caso levanta, entretanto, uma questão que vai para além dos quatro polícias agora suspensos: como uma viatura com passageiros acima da sua capacidade conseguiu circular pela principal estrada do país e atravessar postos destinados precisamente à fiscalização rodoviária?
A resposta é uma das que Joaquim Sive diz esperar do inquérito, numa altura em que as autoridades procuram compreender a cadeia de acontecimentos que antecedeu uma tragédia que deixou 24 mortos.
O acidente ocorreu na noite de quinta-feira, no distrito de Zavala, quando o semi-colectivo, que seguia em direcção à África do Sul, colidiu frontalmente com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Todos os 24 ocupantes da viatura de transporte de passageiros morreram, enquanto os ocupantes do veículo militar sobreviveram.
As primeiras informações divulgadas pela PRM apontaram a velocidade excessiva aliada a deficiências mecânicas como causas preliminares do acidente, enquanto o excesso de lotação do semi-colectivo acrescentou uma segunda dimensão às averiguações: as condições em que aquela viatura foi autorizada a continuar a circular.
É neste ponto que Lindela ganha peso na investigação.
Entre o posto de fiscalização e o local onde 24 pessoas perderam a vida havia cerca de 70 quilómetros de estrada. O semi-colectivo percorreu essa distância depois de passar por uma estrutura onde a fiscalização de viaturas, documentação e condições de circulação faz parte das atribuições dos agentes destacados para o local.
A suspensão dos quatro polícias não responde, por si só, ao que aconteceu naquela passagem e o próprio Comandante-Geral recusa antecipar responsabilidades antes da conclusão das averiguações, mas a medida coloca formalmente sob investigação a actuação dos agentes que estavam de serviço.
Joaquim Sive falava à imprensa depois de visitar o local da colisão, no distrito de Zavala, acompanhado pelo Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. A investigação terá agora de estabelecer não apenas as circunstâncias que provocaram o embate, mas também aquilo que aconteceu antes dele, incluindo o percurso do semi-colectivo e a fiscalização a que foi submetido.
Porque, depois de 24 mortes, a questão já não é apenas saber como duas viaturas colidiram em Zavala, mas também como um semi-colectivo com 24 pessoas conseguiu passar por um posto de fiscalização e continuar a circular pela EN1.
O jovem mototaxista desaparecido há duas semanas em Hókwè, no distrito de Chókwè, foi encontrado sem vida, este sábado. A situação gerou revolta popular, que culminou com o incêndio de um posto policial, depois de a população exigir a entrega de um homem encontrado na posse da motorizada do finado.
O jovem mototaxista, de 16 anos de idade, desaparecido há duas semanas em Hókwè, foi encontrado sem vida no distrito de Chókwè, em circunstâncias ainda por esclarecer.
Em conexão com o caso, um posto policial em Hókwè foi incendiado no início de Agosto, num episódio marcado pela exigência da população para a entrega de um homem de 34 anos de idade, supostamente encontrado na posse da motorizada do finado.
Devido à agitação popular, o indiciado foi transferido para Chibuto, numa tentativa das autoridades de evitar novos confrontos.
Sobre as circunstâncias da morte do mototaxista, a Polícia poderá pronunciar-se nesta segunda-feira.
Populares afectados pelas demolições numa área reservada à construção de um hospital em Chibuto levaram a queixa à Presidência da República, que, segundo documentos a que o País teve acesso, confirmou a recepção e remeteu o expediente às estruturas centrais e provinciais para acompanhamento e resposta. Enquanto, isso, denunciam alegadas ameaças e acusam o edil de Chibuto de ter vendido terrenos na área em causa, acusação que o autarca rejeita.
Um mês depois das demolições, famílias do bairro 4 de Nwahamuza, no município de Chibuto, levaram o caso à Presidência da República. Através de uma exposição, o grupo pede ao Chefe do Estado uma intervenção no conflito que opõe os munícipes ao Município de Chibuto em torno do espaço onde está prevista a construção do Hospital Distrital de Chibuto.
“Não querem construir um hospital. Houve um esquema com o município, alegando que existe espaço, e retiraram as pessoas para entregar os terrenos a outras pessoas”, acusa Rosália Francisco, representante dos afectados de Nwahamuza.
“Estamos aflitos, Presidente. O Presidente Machava é líder por nossa causa, nós, os pobres a quem governa, mas levantam-se para usurpar o que é nosso. Por que razão?”, questiona.
Segundo as famílias representantes, a Presidência da República confirmou a recepção da exposição e, através de dois ofícios separados, encaminhou o expediente ao Ministério da Administração Estatal e Função Pública e ao Governador Provincial de Gaza, para acompanhamento e resposta ao peticionário, Puka Lhuaio.
Lhuaio diz não contestar a construção de um hospital em Chibuto, mas questiona a escolha do espaço onde, segundo afirma, estavam as suas casas.
“No meu espaço, por que vieram por mal, não aceito que construam um hospital. Não nego que se construa um hospital em Chibuto, mas há muitos outros lugares”, afirma. “Fizemos uma carta e submetemo-la ao Presidente da República, mas ainda não tivemos resposta. Porque ele, o Presidente do Município de Chibuto, diz que foi enviado por Chapo para levar estes espaços. Queremos saber do Presidente se partiu dele alguma ordem para este processo de retirada dos espaços.”
O edil de Chibuto diz que ainda não foi oficialmente notificado sobre a exposição, mas afirma estar pronto para responder caso seja chamado a pronunciar-se.
O grupo, que se diz representante de centenas de famílias, reuniu-se recentemente com o Secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto, num encontro que, segundo os peticionários, não decorreu de forma satisfatória.
“Quando nos reunimos com o Secretário de Estado, a resposta dele a Machava foi para dar andamento ao trabalho e que quem invadisse o local deveria ser morto. Vamos morrer com os nossos bens”, relata Puka Lhuaio.
Enquanto aguardam por uma resposta, as famílias reforçam a reivindicação sobre a pertença da área e afirmam estar a viver em condições precárias desde que perderam as suas casas.
“Arrancaram os nossos bens à força e não sabemos para onde ir. Os meus filhos e irmãos estão a sofrer com as chuvas, em abrigos e em casas alugadas”, relata Felisminal, residente de Nhahamuza.
Alfredo Lhuaio, representante da família Lhuaio, afirma que as casas foram destruídas com recurso a uma escavadora.
“Construímos as nossas casas e destruíram-nas com uma escavadora”, afirma.
Além de alegarem arbitrariedade no processo de demolição das suas casas, os afectados fazem novas acusações ao edil de Chibuto, desta vez relacionadas com a alegada venda de terrenos a terceiros.
“Nas nossas machambas produzimos mandioca e feijão e não aceitaremos isto. Machava vendeu os nossos terrenos a terceiros para construção”, acusa Rosália Francisco.
O autarca rejeita as acusações e afirma que apenas quatro famílias tiveram as suas casas demolidas. Henriques Machava acusa, por sua vez, Puka Lhuaio de ter tentado vender a área reservada para a construção do hospital.
“Na verdade, o senhor Lhuaio é que tentou vender a área reservada para construção do hospital. Foram 40 terrenos vendidos por ele e outras famílias”, acusa o edil de Chibuto.
Puka Lhuaio contesta a versão apresentada pelo autarca e questiona a alegação de que apenas quatro pessoas estavam a construir no local.
“Ele só reconhece quatro pessoas. São apenas quatro pessoas que construíram aqui? São mais de 200 pessoas que estavam a construir”, afirma.
O edil de Chibuto sustenta que as contestações apresentadas pelo grupo procuram inviabilizar a construção do Hospital Distrital de Chibuto.
As obras de construção do hospital estão previstas para iniciar ainda este ano, na mesma área onde permanece sem desfecho o conflito entre as famílias e as autoridades em Chibuto.
A comunidade de Changulo, no distrito de Mossurize, província de Manica, já não precisa de percorrer 10 quilómetros para ter acesso à assistência médica e medicamentosa, com a inauguração do Centro de Saúde de Changulo.
A infraestrutura, avaliada em cerca de 26 milhões de meticais, foi construída com fundos disponibilizados por um empresário local.
Changulo dista cerca de 70 quilómetros de Espungabera, sede do distrito de Mossurize. Antes da inauguração da unidade sanitária, a população recorria aos serviços de saúde em Mpengo, situação que representava uma dificuldade para os moradores daquela região.
A entrada em funcionamento do centro de saúde marca, assim, o fim das longas deslocações da população de Changulo em busca de assistência médica.
Durante a cerimónia de inauguração, a governadora de Manica apelou à população para evitar a prática de justiça pelas próprias mãos. O apelo surge num contexto em que, segundo as autoridades, em Mossurize é reportado pelo menos um caso de homicídio por semana.
A governadora explicou que a prática de justiça pelas próprias mãos retarda o desenvolvimento.
O Centro de Saúde de Changulo dispõe de um bloco de atendimento geral, maternidade, farmácia, consultas pré-natais e internamento, com capacidade para 18 camas.
Mulheres lançaram este sábado um grito de alerta contra o assassinato de mulheres na região metropolitana de Maputo e noutros pontos do País. O grupo de mulheres exige do Governo resposta e acções enérgicas para o fim deste tipo de criminalidade.
Mais de 15 cartazes com rostos de mulheres dadas como desaparecidas e outras assassinadas foram exibidos durante uma marcha promovida por este grupo de mulheres, na manhã deste sábado, no município da Matola.
O fenómeno, cada vez mais comum na região metropolitana de Maputo, tem a autarquia da Matola um dos principais pontos de ocorrência.
“Os dados apontam para 40 mulheres, só este ano, mas temos estado a assistir os noticiários todos os dias com o número já a crescer.” Lamentou Iva Mauae, activista social e parte organizadora da marcha apelando a todos no combate ao assassinato de pessoas.
“As soluções partem de um trabalho de raiz, a partir do bairro, da localidade e das nossas próprias casas, começarmos a fazer educação cívica das pessoas.”
Segurando cartaz de uma jovem desaparecida depois encontrada morta, Marisa Martins Participante, participante da marcha, acusou as autoridade de e fazer pouco esforço para o esclarecimento de crimes de assassinato e considera “Muito estranho.”
Em meio a várias preocupações, dos assassinatos faz parte das que estão, a ser marginalizadas, segundo Martins.
“O sentimento que eu tenho é que, literalmente, estão a ignorar. Então, estas caminhadas, é para mostrar que temos que acabar com este silêncio.” Exigiu
A Ordem dos Advogados de Moçambique estranha a morosidade na tramitação de processos judiciais relacionados com crimes contra as mulheres.
“Esse é o sistema de justiça do nosso país. Estranhamos porque um processo de violência doméstica, de violência baseada no género, é prioritário a nível das instâncias jurídicas ou nos tribunais.” Lamentou Virginia Mangana OAM
Moçambique ainda não dispões de uma lei específica contra os crimes de assassinato de mulheres, mas já há inicitivas nesse sentido.
Aliás, o Governo poderá rever o Código Penal e introduzir uma lei específica para criminalizar o feminicídio, na sequência de pressões de organizações da sociedade civil e de campanhas nacionais de combate à violência baseada no género.
Vinte e quatro jovens de seis países africanos apresentaram, em Abidjan, na Côte d’Ivoire, soluções tecnológicas desenvolvidas para responder a desafios nas áreas dos transportes, saúde, finanças, emprego, gestão de resíduos e acesso à água.
Os participantes, provenientes de Moçambique, Côte d’Ivoire, Gana, Zâmbia, Senegal e Etiópia, foram seleccionados entre mais de 600 candidatos e trabalharam durante 12 semanas em equipas compostas por jovens de diferentes países.
Ao longo do programa, os participantes passaram pelas várias etapas de desenvolvimento dos projectos, desde a identificação dos problemas e pesquisa até à criação de protótipos, modelação de negócios e apresentação das soluções.
Entre os projectos apresentados está uma plataforma baseada em inteligência artificial que liga candidatos africanos a oportunidades de emprego transfronteiriço, trabalho remoto e desenvolvimento de carreira. Outra solução propõe um sistema inteligente de recolha e reciclagem de resíduos, ligando famílias, colectores e recicladores.
Na área dos transportes, foi desenvolvido um sistema de cobrança sem numerário destinado aos transportes públicos informais na África Oriental e Ocidental. Há também propostas voltadas para a monitorização dos transportes universitários e para a melhoria do acesso a medicamentos por profissionais de saúde comunitária.
Os projectos incluem ainda uma plataforma de robótica desenvolvida na Zâmbia para tornar o ensino prático de ciência, tecnologia, engenharia e matemática mais acessível, bem como um sistema de monitorização de contentores de lixo que utiliza energia solar e conectividade 2G.
A apresentação dos projectos decorreu durante um Pitch Day, perante um júri composto por especialistas em tecnologia, investimento e indústria. No total, foram atribuídos 12 mil dólares norte-americanos em prémios aos projectos de equipa e individuais distinguidos.
Para os organizadores, a iniciativa demonstra a existência de talento tecnológico jovem no continente e a necessidade de ampliar o acesso a mentoria, redes profissionais e oportunidades para testar soluções aplicadas a problemas reais.
O programa foi promovido pelo Yango Group, no âmbito do Yango Fellowship 2026, que reuniu os 24 participantes durante 12 semanas.
Uma equipa das Nações Unidas visitou, sexta-feira, a localidade de Kimoka, na província de Kivu Norte, no Leste da República Democrática do Congo (RDC), numa região sob controlo dos rebeldes do M23.
A missão avaliou as condições de vida das populações que estão a regressar às zonas afectadas pelo conflito armado, num momento em que o país enfrenta também um dos seus mais graves surtos de Ébola.
Durante a visita, o coordenador das actividades humanitárias das Nações Unidas na RDC, Damien Mama, reuniu-se com mulheres que trabalham nos campos agrícolas, observou as suas colheitas e ouviu as principais necessidades das comunidades.
Segundo Damien Mama, as mulheres manifestaram a necessidade de receber gado e acesso a mais terras agrícolas, como forma de reforçar a sua capacidade de subsistência e resistência aos efeitos do conflito.
Dados das agências humanitárias das Nações Unidas indicam que, até 4 de Fevereiro de 2025, cerca de 30.384 pessoas, correspondentes a 5.064 famílias, tinham regressado às zonas de Kimoka e Sake, nas proximidades de Goma, principal cidade de Kivu Norte.
A ONU indica ainda que mais de 1.400 pessoas, na sua maioria mulheres que regressaram de centros de acolhimento de deslocados internos, estão a beneficiar de apoio à agricultura e de projectos de reintegração socioeconómica em várias aldeias do território de Masisi.
Sifa Asifiwe é uma das beneficiárias dos programas de apoio. Através da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), recebeu financiamento para desenvolver actividades agrícolas.
“No meio de todas estas dificuldades, os nossos irmãos da FAO vieram e acolheram-nos”, afirmou Sifa Asifiwe.
As comunidades deslocadas relatam igualmente melhorias nas condições de saúde, sobretudo entre as crianças, associadas à melhoria da alimentação proporcionada pelas culturas produzidas pelas mulheres.
Apesar do regresso de milhares de pessoas, cerca de 95 mil deslocados internos permanecem nas proximidades de Goma devido à violência perpetrada por grupos armados.
Paralelamente, dados divulgados esta semana pelas autoridades congolesas apontam para 3.398 mortes e 7.022 casos de Ébola, agravando o quadro humanitário já marcado pelo conflito armado e pelo deslocamento de populações.