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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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O Secretário Permanente do distrito de Xai-Xai, Artur Sitoe, acusou os professores em greve de estarem a ser instrumentalizados por agendas políticas e anunciou medidas administrativas contra os docentes que aderiram à paralisação, incluindo a marcação de faltas e possíveis sanções disciplinares.

O posicionamento do governo distrital surge no contexto de uma greve que já afecta várias escolas do distrito, deixando centenas de alunos sem aulas e aumentando a tensão entre a classe docente e a tutela.

Segundo Artur Sitoe, a paralisação ultrapassa questões laborais e estaria a ser influenciada por interesses externos, apelando aos professores para não se deixarem “manipular”.

“Quem não estiver no local de trabalho nós vamos marcar falta. Temos informação de que há quem esteja a usar esta situação para fins políticos”, afirmou o responsável, acrescentando que existem “evidências” do alegado enquadramento político da greve.

O secretário permanente defendeu ainda que a actividade política não deve ser levada para o ambiente escolar, sublinhando que os professores devem concentrar-se no ensino e na estabilidade do processo educativo.

Em resposta, os professores rejeitam as acusações de motivação política e garantem que a paralisação continuará enquanto não forem resolvidas as suas reivindicações, sobretudo relacionadas com pagamentos em atraso e outras preocupações laborais.

Um representante da classe docente afirmou que os professores apenas exigem respostas concretas das autoridades competentes.

“Não conheço nenhuma agenda política. Somos apenas professores. Queremos soluções para as questões que já apresentámos”, declarou.

Os docentes alegam ainda estar a ser alvo de perseguição e contestam as medidas anunciadas pelo governo distrital, mantendo a posição de que a greve só terminará com a resolução efectiva dos problemas apresentados.

O impasse começa a ter impacto directo no funcionamento das escolas, com estudantes a manifestarem preocupação com o atraso na leccionação e a proximidade das avaliações.

Um dos alunos afectado alertou para o risco de prejuízo académico caso a situação se prolongue.

“Os professores não estão a vir às aulas e depois nos testes podem cobrar matéria que não foi dada”, disse.

A situação em Xai-Xai reflecte um clima de tensão crescente entre professores e autoridades locais, com discursos cada vez mais endurecidos de ambas as partes. Enquanto a administração distrital reforça a intenção de aplicar medidas disciplinares, os docentes mantêm a pressão através da continuidade da greve.

Com várias escolas parcialmente paralisadas, o conflito permanece sem sinais de resolução imediata, deixando milhares de alunos no centro de um impasse que continua a agravar-se.

Os secretários-gerais da FRELIMO e do Congresso Nacional Africano (ANC) reafirmaram esta quinta-feira o compromisso de reforçar as relações históricas entre os dois partidos e de consolidar a cooperação entre Moçambique e África do Sul, defendendo uma resposta conjunta aos desafios sociais, políticos e económicos que afectam ambos os países.

O encontro teve lugar na cidade de Maputo, após uma visita do secretário-geral do ANC, que também prestou homenagem aos Heróis Nacionais moçambicanos antes de se deslocar à sede da FRELIMO para a reunião de trabalho com a direcção do partido no poder.

Segundo os dois dirigentes, a relação entre a FRELIMO e o ANC continua a desempenhar um papel fundamental na promoção da solidariedade entre os dois povos e na coordenação de posições comuns face a desafios regionais.

A visita decorreu num contexto marcado por episódios de xenofobia na África do Sul, tema que esteve em destaque nas conversações entre as duas delegações. As lideranças partidárias manifestaram preocupação com o impacto destes fenómenos nas relações entre os dois países vizinhos.

O secretário-geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, sublinhou que os dois partidos estão alinhados na condenação de actos de discriminação e violência contra cidadãos estrangeiros, considerando que tais práticas prejudicam a coesão regional e a convivência entre povos irmãos.

Por seu turno, o secretário-geral do ANC destacou os ganhos económicos resultantes da cooperação entre Moçambique e África do Sul, sublinhando a interdependência entre as duas economias em sectores estratégicos.

“As nossas economias estão ligadas. A energia de Cahora Bassa, o alumínio da Mozal, o gás e energia, os portos e logística, a agricultura e o turismo”, afirmou.

O dirigente sul-africano defendeu ainda a necessidade de avançar para uma nova fase da cooperação bilateral, centrada na industrialização e na transformação de matérias-primas, de modo a aumentar o valor acrescentado das economias nacionais.

Segundo o responsável, os dois países devem apostar na criação de cadeias produtivas integradas, reduzindo a dependência da exportação de produtos não transformados e promovendo o desenvolvimento industrial conjunto.

A reunião reforçou a ligação histórica entre a FRELIMO e o ANC, partidos que lideraram as lutas de libertação em Moçambique e na África do Sul, respectivamente, e que mantêm uma relação política de longa data baseada na solidariedade e cooperação.

Os dois lados coincidiram na necessidade de aprofundar a colaboração em áreas estratégicas e de continuar a trabalhar em conjunto para enfrentar desafios comuns, incluindo questões de desenvolvimento económico, integração regional e estabilidade social.

O encontro em Maputo é visto como mais um passo no reforço das relações entre os dois partidos e na consolidação da parceria entre Moçambique e África do Sul no contexto da África Austral.

Primeira-Dama Gueta Chapo anuncia expansão da parceria que já concedeu 34 bolsas de especialização e reforça aposta na formação de profissionais de saúde, educação de raparigas e combate ao estigma da infertilidade

O reforço da capacidade do sistema nacional de saúde, a formação de médicos especialistas, a educação de raparigas em situação de vulnerabilidade e a transformação de mentalidades através da comunicação social voltaram a colocar Moçambique no centro das prioridades da Fundação Merck durante a 13.ª edição da Conferência Luminary África-Ásia 2026, um dos maiores fóruns internacionais dedicados à saúde, educação e desenvolvimento social.

Perante mais de quinze Primeiras-Damas africanas e asiáticas, representantes governamentais, especialistas internacionais e líderes da Fundação Merck, a Primeira-Dama da República de Moçambique e Embaixadora da iniciativa “Fundação Merck Mais do que uma Mãe”, Gueta Chapo, apresentou um balanço considerado encorajador da parceria entre o país e a instituição, ao mesmo tempo que anunciou uma ambiciosa meta: aumentar para 100 o número de bolsas de especialização destinadas a médicos moçambicanos nos próximos anos.

A aposta surge numa altura em que Moçambique continua a enfrentar desafios significativos na disponibilidade de profissionais especializados em diversas áreas críticas da medicina, realidade que condiciona o acesso da população a cuidados de saúde diferenciados.

No seu discurso, Gueta Chapo destacou que o fortalecimento da capacidade do sistema nacional de saúde representa um investimento estratégico para o presente e para o futuro do país.

Segundo afirmou, garantir profissionais qualificados significa assegurar cuidados de saúde de qualidade, acessíveis e equitativos para todos os cidadãos, reforçando simultaneamente a resiliência do sistema perante os desafios actuais e futuros.

A Primeira-Dama revelou que a Fundação Merck já concedeu 34 bolsas de estudo a profissionais moçambicanos em áreas consideradas prioritárias, entre elas Diabetes, Endocrinologia, Medicina de Urgência, Doenças Infecciosas, Oncologia, Radiologia e outras especialidades de elevada procura.

Na sua avaliação, este apoio está a contribuir directamente para transformar o sector público de saúde, reduzindo gradualmente a dependência de especialistas estrangeiros e criando capacidade técnica nacional.

“Consideramos esta uma grande oportunidade e permanecemos empenhados em expandir o programa, continuando a inscrever mais profissionais de saúde em diversas especialidades críticas e carentes”, afirmou.

A intenção de aumentar o número de bolsas resulta do Memorando de Entendimento assinado no ano passado entre Moçambique e a Fundação Merck, instrumento que estabelece uma parceria de longo prazo destinada a reforçar a formação de profissionais da saúde, jornalistas e outros actores sociais.

O objectivo é criar um modelo sustentável de desenvolvimento de capacidades, permitindo que o conhecimento adquirido pelos bolseiros seja posteriormente multiplicado dentro do próprio sistema nacional de saúde.

Mas a cooperação entre Moçambique e a Fundação Merck vai muito além da medicina.

Gueta Chapo destacou igualmente o programa “Educar Linda”, iniciativa que já assegura bolsas anuais para 40 raparigas moçambicanas talentosas, mas provenientes de famílias economicamente vulneráveis.

O compromisso é manter o financiamento até à conclusão dos seus estudos, criando condições para que estas jovens possam construir carreiras nas mais diversas áreas do conhecimento.

Para a Primeira-Dama, investir na educação das raparigas representa uma das formas mais eficazes de promover inclusão social, reduzir desigualdades e acelerar o desenvolvimento económico do país.

“O programa está a transformar vidas e a dar às nossas meninas a oportunidade de perseguirem os seus sonhos, seja como médicas, engenheiras ou líderes em qualquer área que escolherem”, sublinhou.

Outro eixo estratégico da parceria passa pela comunicação social e pela produção de conteúdos educativos destinados a provocar mudanças culturais nas comunidades.

Neste âmbito, Moçambique já desenvolve, em conjunto com a Fundação Merck, livros infantis e filmes de animação em língua portuguesa, além de promover formações anuais dirigidas a jornalistas especializados em saúde.

A iniciativa procura melhorar a qualidade da informação disponibilizada ao público e incentivar uma cobertura mediática baseada em evidências científicas.

Paralelamente, o país participa na oitava edição dos prémios anuais da Fundação Merck, que distinguem jornalistas, músicos, estudantes, cineastas, estilistas e novos talentos que abordam temas como infertilidade, violência baseada no género, casamento infantil, diabetes, hipertensão e promoção de estilos de vida saudáveis.

Segundo Gueta Chapo, todas estas iniciativas têm um propósito comum: combater preconceitos, aumentar a consciencialização social e construir comunidades mais saudáveis, inclusivas e informadas.

Do outro lado da parceria, a directora executiva da Fundação Merck, Rasha Kelej, apresentou números que demonstram a dimensão global do programa.

Segundo revelou, a organização já concedeu mais de 2.680 bolsas de formação a profissionais de saúde provenientes de 52 países, abrangendo 42 especialidades médicas críticas e deficitárias.

Para Rasha Kelej, os acontecimentos dos últimos anos, incluindo pandemias, surtos de Ebola e o aumento das doenças crónicas, demonstraram de forma inequívoca que investir na formação de recursos humanos em saúde é uma das decisões mais estratégicas que um país pode tomar.

Por isso, garantiu que a Fundação continuará a expandir os programas de formação em parceria com os governos africanos e asiáticos.

Uma das prioridades é a Oncologia.

Em parceria com o Centro Memorial Tata, na Índia, a Fundação Merck pretende ampliar significativamente o número de bolsas destinadas à formação de especialistas em tratamento do cancro, uma área altamente complexa e que exige preparação técnica especializada.

A responsável destacou ainda os investimentos em Diabetologia, Medicina Cardiovascular Preventiva, Nutrição, Obesidade, Fertilidade, Embriologia, Psicologia Clínica, Medicina Familiar, Doenças Infecciosas, Saúde da Mulher, Pediatria e Geriatria.

Segundo explicou, a estratégia consiste em permitir que cada país forme os seus próprios especialistas, evitando a dependência do exterior e aproximando os cuidados de saúde das populações.

No âmbito da campanha “Mais do que uma Mãe”, Rasha Kelej recordou que a Fundação já apoiou a formação dos primeiros especialistas em fertilidade em vários países africanos, possibilitando a criação dos primeiros centros locais de reprodução assistida e contribuindo para reduzir o estigma associado à infertilidade.

A responsável sublinhou ainda que o programa “Educar Linda” já financia anualmente mais de 1.500 bolsas para raparigas em vários países, defendendo que a educação feminina constitui um dos pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável.

Ao encerrar a sessão, a CEO da Fundação Merck lançou um apelo às Primeiras-Damas participantes para identificarem as áreas médicas mais carenciadas nos seus países, de forma a permitir uma resposta mais ajustada às necessidades nacionais.

Para Moçambique, a expansão das bolsas, o reforço da formação especializada e o investimento contínuo na educação e na comunicação social representam uma oportunidade concreta para acelerar o desenvolvimento do capital humano, fortalecer o sistema nacional de saúde e promover mudanças sociais profundas.

Numa altura em que o país procura ampliar o acesso a serviços especializados e reduzir desigualdades, a parceria entre a Primeira-Dama Gueta Chapo e a Fundação Merck consolida-se como uma das mais abrangentes iniciativas internacionais de capacitação, apostando simultaneamente em médicos, jornalistas, estudantes e comunidades, numa estratégia que procura demonstrar que investir em conhecimento continua a ser uma das formas mais eficazes de transformar vidas.

A vitória dramática dos ganeses diante do Panamá foi bastante festejada, não só em Acra e outras cidades ganesas, mas também em vários cantos do continente, o que contrasta com o empate português diante da RD Congo. A segunda jornada entra em cena para os grupos C e D, com destaque para o Brasil, que defronta o Haiti.

A primeira jornada dos Grupos K e L do Mundial 2026 trouxe emoções fortes e resultados distintos para os treinadores portugueses em competição. Enquanto o Gana, orientado por Carlos Queiroz, arrancou a prova com uma vitória dramática sobre o Panamá, Portugal, sob o comando de Roberto Martínez, deixou escapar a liderança do grupo ao empatar com a República Democrática do Congo.

Em Toronto, os ganeses precisaram de esperar até aos descontos para celebrar. Quando tudo indicava um empate sem golos, Caleb Yirenkyi surgiu aos 95 minutos para marcar o único golo da partida e garantir os três pontos para as “Black Stars” frente ao Panamá. 

O triunfo coloca o Gana numa posição favorável no Grupo L e reforça as aspirações da equipa africana de alcançar os oitavos-de-final.

A vitória teve um significado especial para Carlos Queiroz, que voltou a demonstrar a sua vasta experiência em Campeonatos do Mundo ao conduzir os ganeses a uma entrada positiva na competição.

Já Portugal saiu de Houston com motivos para reflexão. A selecção das Quinas esteve em vantagem, graças a um golo do médio João Neves, mas não conseguiu segurar o resultado diante da RD Congo, permitindo o empate na segunda parte. 

O resultado impede os portugueses de assumirem o comando isolado do Grupo K e aumenta a pressão para os próximos compromissos.

 

Sexta-feira marcada por jogos de peso

O Mundial prossegue esta sexta-feira com vários encontros aguardados pelos adeptos, destacando-se o Brasil, uma das selecções apontadas como favoritas à conquista do título.

A “Canarinha” procura a primeira vitória na competição, depois de perdido dois pontos diante do Marrocos, num empate a um golo que fez tremer as aspirações. Entretanto, diante do Haiti, e com o estatuto de favorita e com a responsabilidade de confirmar em campo as expectativas que a colocam entre as principais candidatas ao troféu, o Brasil volta a ter outro teste, ainda que agora mais acessível.

No outro jogo do grupo C, Escócia e Marrocos protagonizam um confronto que poderá revelar-se decisivo na luta pelo apuramento, até porque os magrebinos mostraram que estão para defender o quarto lugar alcançado no Qatar e, quiça, subir alguns degraus.

O duelo entre Estados Unidos e Austrália promete marcar os jogos do Grupo D, com os anfitriões a serem claramente favoritos, diante do seu público, mas a precisarem provar dentro das quatro linhas.

Com a fase de grupos ainda nos primeiros dias, o Mundial 2026 começa já a produzir histórias marcantes, desde o triunfo épico do Gana até aos primeiros tropeções de algumas das selecções mais cotadas, prometendo mais emoções nas jornadas que se seguem.

 

JOGOS PARA ESTA SEXTA-FEIRA

México vs Coreia do Sul (Grupo A)

Estados Unidos vs Austrália (Grupo D)

Escócia vs Marrocos (Grupo C)

Brasil vs Haiti (Grupo C)

 

Avançado da Costa do Marfim impedido de viajar para investigação

O avançado da Costa do Marfim, Elye Wahi, foi impedido de viajar para o Canadá e falhará o jogo frente à Alemanha no Mundial 2026, após não ter obtido autorização administrativa para entrada em território canadiano, no contexto de uma investigação relacionada com alegada manipulação de resultados.

A informação foi avançada esta quinta-feira pela Federação Costa-marfinense de Futebol (FIF), que confirmou que o jogador, de 23 anos e que actua no Nice, permanecerá nos Estados Unidos até ao regresso da selecção ao País-sede do torneio.

Segundo a federação, a situação resulta de um processo em curso ligado a suspeitas de irregularidades associadas a apostas desportivas internacionais, que estão a ser investigadas por autoridades francesas.

O caso remonta a um jogo da Liga francesa entre o Nice e o Metz, disputado em Maio, no qual foram identificados volumes considerados “invulgares” de apostas a incidir sobre a possibilidade de o jogador receber um cartão amarelo. Nesse encontro, que terminou empatado sem golos, Wahi acabou por ser admoestado.

As informações recolhidas por sistemas de monitorização de mercados de apostas foram encaminhadas pela Liga francesa para as autoridades competentes, incluindo a federação nacional e a polícia, segundo dados confirmados por fontes judiciais.

O Ministério Público de Marselha já havia confirmado a detenção de um jogador de 23 anos da Ligue 1, a 29 de Maio, para interrogatório no âmbito de uma investigação que envolve suspeitas de fraude organizada, corrupção desportiva, receptação e branqueamento de capitais. O atleta foi posteriormente libertado após prestar declarações.

Apesar do desenvolvimento do caso, a Federação Costa-marfinense de Futebol sublinhou que não recebeu qualquer notificação judicial formal e manifestou apoio ao jogador, considerando-o uma peça importante da selecção nacional.

“Continuamos a confiar plenamente no nosso jogador, que é um membro importante da selecção”, indicou a FIFA em comunicado.

Os representantes de Elye Wahi ainda não se pronunciaram sobre as acusações.

A Costa do Marfim disputa a liderança do Grupo E no próximo sábado, em Toronto, frente à Alemanha, num jogo decisivo depois de ambas as selecções terem vencido na jornada inaugural do torneio.

O Mundial 2026, a primeira edição com 48 selecções, decorre nos Estados Unidos, México e Canadá e prolonga-se até 19 de Julho, num contexto já marcado por polémicas extracampo e investigações no futebol europeu.

O Instituto Nacional de Emprego, IP (INEP) assinalou esta quinta-feira uma década de actividade dedicada à promoção do emprego, auto-emprego e empreendedorismo, durante a abertura do seu VIII Conselho Consultivo, evento que decorre na cidade de Nampula e reúne dirigentes governamentais, parceiros de cooperação, especialistas e representantes do sector produtivo.

A cerimónia foi dirigida pelo Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, que destacou o papel desempenhado pelo INEP ao longo dos últimos dez anos na criação de oportunidades para milhares de jovens moçambicanos, através de programas de inserção laboral e apoio ao empreendedorismo.

Segundo o governante, iniciativas como a intermediação laboral, os estágios pré-profissionais, a orientação profissional e o Programa Meu Kit, Meu Emprego têm contribuído para ampliar o acesso dos jovens ao mercado de trabalho e fortalecer a sua inclusão económica.

“Ao longo de uma década, o INEP tem desenvolvido programas de elevado impacto social que têm permitido criar oportunidades concretas para a juventude moçambicana”, destacou Caifadine Manasse.

O ministro sublinhou ainda que o VIII Conselho Consultivo representa uma oportunidade para avaliar os progressos alcançados, identificar desafios e discutir soluções inovadoras que permitam responder à crescente procura de emprego por parte dos jovens.

Intervindo na cerimónia, o Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula, reafirmou o compromisso do Governo Provincial em continuar a promover iniciativas voltadas para a juventude e para o desenvolvimento inclusivo.

O governante destacou a visão do Presidente da República, Daniel Chapo, por colocar o emprego, a juventude e a rapariga entre as prioridades da agenda governativa, apontando o Fundo de Desenvolvimento Local (FDEL) como uma das iniciativas que tem contribuído para aproximar oportunidades económicas das comunidades.

“O desemprego continua a ser um dos maiores desafios que enfrentamos e exige respostas cada vez mais rápidas, coordenadas e eficazes”, afirmou Eduardo Abdula.

Segundo o governador, Nampula possui uma população maioritariamente jovem, com forte potencial empreendedor, o que torna indispensável o reforço das políticas de capacitação profissional e de promoção do emprego.

Abdula manifestou ainda total disponibilidade para continuar a trabalhar em parceria com o Ministério da Juventude e Desporto, o INEP e os diversos actores envolvidos na promoção da empregabilidade.

O encontro decorre num momento em que o País trabalha na elaboração de uma nova Política de Emprego, instrumento que deverá orientar as estratégias nacionais para a criação de mais postos de trabalho e para a promoção de uma empregabilidade sustentável.

Durante os trabalhos, os participantes analisam temas considerados estratégicos para o futuro do mercado laboral, incluindo transformação digital, desenvolvimento do capital humano, financiamento e sustentabilidade dos programas de empregabilidade.

Na ocasião, foram igualmente entregues certificados a dez jovens que concluíram com sucesso os seus estágios pré-profissionais. Destes, quatro já foram integrados no mercado de trabalho, um indicador que, segundo os organizadores, demonstra o impacto positivo das medidas activas de emprego promovidas pelo Governo e seus parceiros.

O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou, nesta quarta-feira, condolências ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) pela morte do seu secretário das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto, classificando o desaparecimento do dirigente angolano como uma “perda irreparável” para a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), para o povo moçambicano e para as históricas relações de amizade e cooperação entre Moçambique e Angola.

A manifestação de pesar ocorreu durante uma visita à sede do MPLA, em Luanda, onde o Chefe do Estado moçambicano se deslocou pouco depois de chegar à capital angolana para participar na Cimeira de Investimento do Fórum Global do Turismo 2026. No local, Daniel Chapo transmitiu mensagens de solidariedade à direcção do partido, à família enlutada e ao povo angolano.

Segundo o Presidente da República, a notícia da morte de Manuel Augusto provocou profunda consternação em Moçambique, sobretudo devido ao papel que desempenhou no fortalecimento das relações entre a FRELIMO e o MPLA, movimentos que estiveram na vanguarda das lutas de libertação nacional nos dois países.

“Para nós, foi um choque, como moçambicanos, e sobretudo como FRELIMO”, declarou Daniel Chapo.

O estadista destacou que Manuel Augusto era uma figura de referência na diplomacia angolana e um dos principais impulsionadores da cooperação política entre os dois partidos históricos, contribuindo para a consolidação dos laços bilaterais construídos ao longo de décadas.

“A perda do camarada Manuel Augusto, secretário das Relações Exteriores do MPLA, foi uma perda irreparável para nós, como Frente de Libertação de Moçambique, e para nós, como moçambicanos”, afirmou.

Durante a visita, Chapo recordou a longa trajectória de solidariedade entre Moçambique e Angola, países que conquistaram a independência em 1975 e que mantêm uma cooperação estreita em diversas áreas, incluindo política, economia, defesa e integração regional.

O Presidente sublinhou que a morte de Manuel Augusto representa, não apenas a perda de um dirigente político experiente, mas também de um interlocutor fundamental no aprofundamento das relações institucionais entre os dois Estados.

Ao evocar os seus encontros com o falecido dirigente, Chapo revelou que a última conversa entre ambos ocorreu em Maputo, onde discutiram mecanismos para reforçar a cooperação bilateral e fortalecer os vínculos entre os dois partidos no poder.

O Chefe do Estado revelou ainda que tomou conhecimento da morte de Manuel Augusto durante uma sessão do Conselho de Ministros, momento que descreveu como particularmente difícil para o Executivo moçambicano.

“Foi um grande choque para todos nós”, afirmou, acrescentando que acompanhava a evolução do estado de saúde do dirigente angolano, sem prever um desfecho tão repentino.

A reacção de Chapo evidencia o peso político de Manuel Augusto nas relações entre os dois países e a influência que exerceu ao longo de décadas na diplomacia angolana. O dirigente desempenhou vários cargos governamentais e partidários de relevo, tendo sido uma das figuras mais influentes da política externa de Angola.

Na mensagem deixada na sede do MPLA, o Presidente moçambicano apelou à preservação do legado político e patriótico de Manuel Augusto, defendendo que os seus ideais devem continuar a inspirar as novas gerações de angolanos e moçambicanos.

Para Daniel Chapo, a melhor homenagem ao dirigente passa pela continuidade dos valores que marcaram a sua trajectória, nomeadamente a defesa da paz, da independência nacional, da integridade territorial e da cooperação entre povos irmãos.

“Temos de continuar com os valores que o camarada Manuel Augusto sempre nos ensinou: preservar a paz, preservar a independência, preservar a integridade territorial e, sobretudo, lutarmos juntos como dois povos unidos e irmãos para o desenvolvimento dos nossos dois países”, concluiu.

A visita à sede do MPLA reafirmou os laços históricos entre Moçambique e Angola, num momento de luto para o partido angolano e para os sectores políticos que acompanharam o percurso de uma das figuras mais destacadas da diplomacia e da cooperação entre os dois países africanos.

Pelo menos 23 famílias continuam sem poder regressar às suas casas no bairro Ndlavela, município da Matola, devido às inundações que afectaram a zona durante a última época chuvosa, apesar do fim das chuvas em várias regiões do País.

A situação foi verificada pelo edil da Matola, Júlio Parruque, que visitou o bairro para avaliar os danos e ouvir as preocupações dos moradores, que denunciam dificuldades no processo de reassentamento e pedem maior celeridade na assistência municipal.

Segundo a edilidade, cinco famílias já foram reassentadas, enquanto o processo de apoio às restantes continua em curso, numa operação que envolve identificação de áreas seguras e mobilização de recursos.

“O processo de reassentamento está em curso”, garantiu o edil, Júlio Parruque, durante a visita ao terreno.

Os residentes afirmam, contudo, que a situação continua crítica, com várias habitações ainda submersas ou em condições de insalubridade, o que agrava o risco sanitário e dificulta a retoma da vida normal.

Durante a visita, o edil reconheceu a gravidade da situação e apontou a necessidade de soluções estruturais para mitigar os efeitos recorrentes das inundações na zona.

Parruque destacou que o município está a identificar pontos críticos de drenagem e a preparar intervenções em infra-estruturas, com foco na melhoria do escoamento das águas pluviais e na requalificação de áreas vulneráveis.

O edil referiu ainda que algumas intervenções já realizadas em infra-estruturas municipais demonstraram resultados positivos face às chuvas intensas, defendendo a expansão de soluções semelhantes para outras zonas críticas da cidade.

Ainda no âmbito da visita de trabalho, o presidente do Conselho Municipal da Matola procedeu à entrega de 250 carteiras escolares à Escola Básica de Mulovote, equipamento que deverá beneficiar mais de três mil alunos, contribuindo para a melhoria das condições de ensino.

Paralelamente, a edilidade anunciou o reforço das acções de fiscalização nas imediações das escolas, com o objectivo de restringir a venda de bebidas alcoólicas nas proximidades dos estabelecimentos de ensino, medida enquadrada nos esforços de protecção do ambiente escolar.

Parruque reconheceu que a cidade enfrenta desafios persistentes relacionados com a drenagem urbana, sobretudo em zonas como Ndlavela e corredores adjacentes a vias estruturantes.

O edil sublinhou que estão em curso ou em preparação intervenções em estradas e passagens de nível, com vista a melhorar o escoamento das águas e reduzir o impacto das chuvas em áreas residenciais.

“Temos que ir a obras, não há alternativa”, afirmou, destacando a necessidade de mobilização de parceiros para acelerar as intervenções enquanto o município reforça a sua capacidade de financiamento.

Apesar das medidas anunciadas, moradores de Ndlavela continuam a pedir soluções mais rápidas e definitivas, alertando para o risco de novas inundações caso não sejam resolvidos os problemas estruturais de drenagem.

A situação volta a colocar em evidência a vulnerabilidade de várias zonas da Matola durante períodos de chuva intensa e a necessidade de investimentos sustentados em infra-estruturas urbanas para garantir maior resiliência das comunidades.

Terminou ontem, 17 de junho, a formação ministrada às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) pelas Forces Armées de la Zone Sud de l’Océan Indien (FAZSOI), em coordenação com a Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).

A cerimónia de encerramento dos cursos foi presidida pelo Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, e onde estiveram igualmente presentes altas entidades das FADM.

Durante a cerimónia, o Comandante da Força da Missão destacou a importância da formação ministrada, sublinhando que “esta formação representa mais um passo na construção de forças mais preparadas, resilientes e capazes de responder aos desafios operacionais que o país enfrenta, em particular no contexto de Cabo Delgado”. Dirigindo-se aos formandos, acrescentou ainda uma palavra de reconhecimento “pelo empenho, dedicação e profissionalismo demonstrados”, reforçando que o conhecimento adquirido constitui “uma importante ferramenta ao serviço da segurança das vossas forças e do povo moçambicano”.

As atividades formativas decorreram no Centro de Manutenção e Oficinas (CMO) das FADM, em Maputo, e no Campo de Treino da Katembe, através de Equipas Móveis de Formação (MTT) francesas, tendo incidido sobre áreas essenciais para o reforço das capacidades técnicas e operacionais das FADM.

Ao longo das últimas semanas, os militares das FADM desenvolveram competências nas áreas de manutenção de viaturas e de procedimentos táticos de combate a engenhos explosivos improvisados, através dos cursos Vehicle Maintenance Course e Counter-Improvised Explosive Devices (C-IED) Tactical Course.

Esta formação especializada teve como objetivo consolidar conhecimentos técnicos e práticos fundamentais, contribuindo para o aumento da prontidão, da autonomia e da eficácia operacional das FADM no cumprimento das suas missões em Cabo Delgado.

A colaboração entre a EUMAM MOZ, as FAZSOI e as FADM, iniciada ainda durante a Missão de Treino da União Europeia em Moçambique (EUTM MOZ), em 2021, tem desempenhado um papel relevante no reforço das capacidades operacionais no terreno, nomeadamente através do treino das Forças de Reação Rápida (QRF) e da partilha de conhecimento técnico em áreas críticas para a eficácia das operações.

A conclusão desta formação constitui mais um exemplo do trabalho conjunto desenvolvido pela União Europeia e por Moçambique, no âmbito do fortalecimento das capacidades das FADM, contribuindo para a promoção da segurança, da estabilidade e da capacidade de resposta aos atuais e futuros desafios de segurança, em particular no combate à insurgência em Cabo Delgado.

A Fidelidade Ímpar reuniu, esta semana, na cidade de Maputo, mulheres de diversos sectores de actividade para uma reflexão sobre a importância da protecção financeira e do seguro em cada fase da vida. O encontro, denominado “Seguramente”, serviu de plataforma para debater o papel da inclusão financeira no fortalecimento da autonomia e da segurança das mulheres moçambicanas.

O evento decorreu num ambiente de partilha de experiências e discussão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso a instrumentos de protecção financeira, bem como sobre a relevância do seguro na promoção da estabilidade e da confiança para o futuro.

Na abertura da sessão, a Administradora Executiva da Fidelidade Ímpar, Célia Ferreira, destacou que a igualdade de género e a inclusão constituem pilares fundamentais da actuação da seguradora.

“Na Fidelidade Ímpar, a igualdade e a inclusão são valores não negociáveis. Não são apenas palavras, são princípios que orientam as nossas decisões, contratações e promoções. Hoje, as mulheres representam 49% da nossa força de trabalho e ocupam 36% dos cargos de liderança”, afirmou.

Segundo a responsável, o programa “Seguramente: De Elas Para Elas” surge para reforçar o acesso das mulheres a oportunidades, suporte e mecanismos que contribuam para o seu empoderamento económico e social.

A iniciativa contou igualmente com a participação da Presidente da New Faces New Voices Moçambique, Tânia Saranga, que abordou os desafios e oportunidades ligados à inclusão financeira feminina no país.

“Quando uma mulher tem acesso à informação, instrumentos financeiros e mecanismos de protecção, aumenta a sua capacidade de enfrentar desafios, planear o futuro e contribuir de forma mais activa para o desenvolvimento da sua família e da sociedade”, sublinhou.

A realização do evento enquadra-se no compromisso da Fidelidade Ímpar com a promoção da igualdade de género e do empoderamento feminino. A seguradora apoia, há seis anos, a organização Girl Move, em Nampula, é signatária do We Finance Code e integrou recentemente a Associação Moçambicana das Mulheres em Seguros (AMMS), iniciativas que visam reforçar a inclusão financeira e a representatividade das mulheres no sector.

Com mais de três décadas de actividade em Moçambique, a Fidelidade Ímpar reafirma, através do “Seguramente”, o seu compromisso de acompanhar as mulheres ao longo das diferentes etapas das suas vidas, promovendo soluções de protecção e contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e resiliente.

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