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No quadro da implementação do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) comunicou, hoje, o Indexante Único, o Prémio de Custo e a Prime Rate a vigorar no mês de Setembro de 2023.

Assim, a Prime Rate do sistema financeiro moçambicano mantém-se em 24,10% no mês de Setembro, enquanto isso o Indexante Único se mantém também em 17,30% e o Prémio de Custo é de 6,80%. Nestes termos, mostra-se pouco provável que os bancos comerciais agravem as taxas de juro no sistema financeiro.

A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano é a taxa única de referência para as operações de crédito de taxa de juro variável e resulta da soma do Indexante Único e do Prémio de Custo. Esta taxa aplica-se às operações de crédito contratualizadas (novas, renovações e renegociações) entre as instituições de crédito e sociedades financeiras e os seus clientes, acrescida de uma margem (spread) que será adicionada ou subtraída à Prime Rate, mediante a análise de risco de cada categoria de crédito ou operação em concreto.

Segundo o Banco de Moçambique, o Indexante Único é a taxa média medida pelo volume das operações efectuadas no Mercado Monetário Interbancário (MMI) para o prazo de vencimento de um dia útil (prazo overnight), nomeadamente (i) as operações à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) entre o banco central e os bancos comerciais, actualmente fixada em 17,25%, (ii) as operações entre os bancos comerciais e (iii) as operações de permutas de liquidez entre bancos comerciais. O Indexante Único é calculado mensalmente pelo BM.

O Prémio de Custo é a margem que representa os elementos de risco da actividade bancária não reflectidos nas operações do mercado interbancário, o qual é adicionado ao Indexante Único para constituir a Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB, com base numa metodologia que toma em conta o “rating” do país, o rácio do crédito em incumprimento, o rácio de crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias para passivos em moeda nacional.

A avaliação destes factores pela AMB resultou no Prémio de Custo referido, conforme comunicação ao Banco de Moçambique por ofício datado de 25 de Março de 2021.

De acordo com explicações do Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, o acordo sobre o Indexante Único do sistema bancário moçambicano visa promover uma maior transparência no processo de fixação das taxas de juro variáveis no mercado e melhorar o mecanismo de transmissão da política monetária para a economia.

O corredor ferroviário contínuo implementado desde Abril pelas transportadoras estatais de Moçambique e África do Sul vai ser alargado a partir de 01 de Setembro ao transporte de crómio e ferrocrómio, anunciaram hoje as empresas Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e Transnet Freight Rail (TFR).

Em comunicado conjunto, as empresas CFM e TFR anunciam que o acordo histórico em vigor desde 01 de Abril para permitir a operação contínua de comboios entre os dois países será expandido para fluxos de crómio e ferrocrómio a três comboios por dia a partir desta sexta-feira.

Este acordo permite a passagem ininterrupta dos comboios de carga entre os dois países, reduzindo os tempos de trânsito, aumentando o volume transportado. A implementação do acordo seguiu-se a um período de 90 dias, em que as duas empresas desenvolveram um projecto piloto para demonstrar a viabilidade deste canal contínuo, que integra o “Corredor Nordeste” da TFR.

Trata-se de um canal de exportação chave para a exportação de matéria-prima moçambicana como magnetite, cromo, ferrocrómio, fosfato de rocha e carvão.

Produzir alimentos empregando tecnologias de monitoramento, tal como aplicativos, deixou de ser sonho para produtores no país. Com a solução, já é possível solucionar os problemas dos agricultores de forma célere e localizada. Trata-se de uma plataforma desenvolvida pelo Governo para responder aos desafios do sector, e os avanços foram divulgados na Feira Internacional de Maputo (FACIM).

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural está a alcançar bons resultados quanto à monitoria da produção agrícola no país, graças ao uso de novas tecnologias na agricultura, que permitem mapear e intervir nos problemas identificados na cadeia de valor.

“Se antes o processo de selecção era carregar os ficheiros de um distrito para o nível provincial, hoje em dia ­é tudo digitalizado. Isto melhora, primeiro, o tempo que temos que levar para fazer a avaliação. Significa que, ao fazermos o mapeamento das machambas, por exemplo, o agricultor diz que produziu 10 toneladas e, nós, com a informação do aplicativo, conseguimos julgar melhor o dado. No passado, a pessoa dizia: ‘produzi 50 toneladas”, e não tínhamos como fazer essa análise”, explicou Credencio Maunze, em representação ao MADER.

Em paralelo à plataforma do Governo, há várias iniciativas do sector privado, que permitem a colecta de dados, como também o estudo das características dos solos.

“Nós temos uma solução que funciona com uma mistura de hardware e software; usamos uma marca auricular que colocamos na orelha do animal, um leitor AFID que lê o código QR que está na marca do auricular, e um aplicativo que pode ser instalado no Smartphone, pode ser android ou IOS, esta mistura faz com que os veterinários e os técnicos do Ministério da Agricultura, possam trabalhar com agricultores e criadores para monitorar o crescimento do animal desde o nascimento ate a morte”, explicou o veterinário Danilo De Sousa, em representação a marca E-livestock.

Na produção pecuária, por exemplo, o emprego de microchips é uma das mais modernas formas de colectar e monitorar o desenvolvimento das espécies especiais.

Entretanto, são apontadas queixas quanto à adopção pelo Governo das várias soluções tecnológicas apresentadas pelo sector privado.

Segundo o Ministério da Agricultura, neste momento, estão a ser monitorados mais de 300 produtores a nível nacional, através da plataforma governamental.

 

PREÇOS E BAIXA QUALIDADE DESAFIAM PRODUTORES

 

O pavilhão do MADER na FACIM também juntou actores da cadeia de valor agrária para afinar a estratégia de acesso ao mercado de insumos agrícolas. Entre os desafios estão o difícil acesso a sementes de qualidade e fertilizantes, uma vez que a maior parte dos insumos são importados.

Os actores defendem a necessidade de o Governo monitorar a implementação da isenção de taxas e importação em regime de escala, para que o preço de comercialização reduza nos mercados.

Segundo os actores, o difícil acesso é também impulsionado pela má coordenação entre o Governo, sector privado e produtores.

Baixar o preço de aquisição dos insumos agrários é, segundo os agricultores, das mais urgentes medidas a ser tomada, considerando esta camada a mais vulnerável da cadeia de produção.

A reflexão inserida na 58 edição da Feira Internacional de Maputo teve lugar esta terça-feira, na Província de Maputo.

A empresa sul-africana Fly Modern Arc, que está a dirigir a reestruturação das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), diz que a companhia já está solvente, após reduzir a sua dívida em mais de 60 milhões de dólares. 

Em apenas três meses, a Fly Modern Arc conseguiu colocar mais três aeronaves operacionais, subindo para um total de 10 em operação.

Falando hoje em conferência de imprensa sobre os primeiros três meses de intervenção na LAM, Sérgio Matos, responsável pelo processo de reestruturação, disse que as receitas da empresa aumentaram em 6%, para pouco mais de dois biliões de Meticais, comparando com igual período do ano passado.

O Presidente da República diz que os empresários que subornam pessoas em troca de facilidades pioraram o ambiente de negócios. Filipe Nyusi abriu mais uma edição da FACIM, esta segunda-feira, e assegurou que o Governo está a combater os raptos, para que a segurança seja um factor de atracção de investimentos no país.

A 58a edição da maior montra de negócios de Moçambique arrancou esta segunda-feira, em Ricatla, distrito de Marracuene.

Uma edição cujo lançamento coube ao Presidente da República, Filipe Nyusi, que dedicou mais de quatro horas a visitar cada um dos mais de dois mil expositores, conhecendo o que oferecem de bens e serviços e potencialidades.

A cerimónia oficial teve como um dos momentos mais altos a premiação de mais de 30 empresas que se destacaram nas categorias de maior investidor e exportador durante o ano passado.

Na hora do discurso, Filipe Nyusi descreveu o ambiente desafiador em que se fazem negócios, caracterizado pela inflação e altas taxas de juro.

“Os desafios dominantes continuam a ser a persistência da inflação, a alta taxa de juros no mercado internacional, a alta da taxa de juros no mercado internacional, colocando restrições no acesso ao financiamento externo e a redução do espaço fiscal na maioria dos países. Esta realidade contribui para retardar o investimento público em infra-estruturas, o que tem trazido um efeito contrário no crescimento económico”, disse Filipe Nyusi.

O Presidente da República reconheceu que o ambiente de negócios também é comprometido pela insegurança, cujo pivot são os raptos.

“É verdade que o cenário diminuiu em termos de estatísticas, mas nós não queremos mais isso aqui. Ninguém deve ter medo de produzir e de investir em Moçambique.”

Mas há outros problemas do ambiente de negócios, para o qual os próprios empresários contribuem: chamam-se subornos e corrupção.

Resolvendo esses problemas, poder-se-á garantir um futuro melhor para a actividade económica, até porque Filipe Nyusi disse haver previsão de maiores taxas de crescimento económico em resultado da implementação do Pacote de Aceleração Económica e entrada em vigor da Zona de Comércio Livre Africana.

“Temos a expectativa de maior vigor de crescimento, primeiro com a posição do mercado continental em resultado da adesão ao acordo de da Zona de Comércio Livre Continental e segundo com a efectivação das Medidas do Pacote de Aceleração Económica. O Governo continua a apostar na formação de jovens, a par das reformas para a digitalização dos serviços públicos com o intuito de simplificar procedimentos”.

O Presidente voltou a pedir ao sector privado para investir na modernização e melhoria da FACIM, com construções definitivas e outros recursos que aumentem a sua atractividade.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, procede hoje, em Ricatla, distrito de Marracuene, na província de Maputo, à inauguração da 58ª Edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM).

A presente edição da FACIM vai decorrer de 28 de Agosto à 02 de Setembro de 2023, sob o lema “Industrialização: Inovação e Diversificação da Economia Nacional”.

Espera-se pela participação de cerca de 2500 expositores nacionais e estrangeiros, segundo projecções da organização.

Dos expositores, 2060 são nacionais e 450 são empresas estrangeiras em representação de 25 países.

O lançamento da 58 edição da FACIM foi procedido pelo presidente da República, Filipe Nyusi, que neste momento visita os pavilhões montados.

Espera-se que a FACIM seja aderida por mais de 50 mil visitantes, até 3 de Setembro.

A garantia foi dada pelo PCA da instituição. Julião Cumbane, explicou  que a grande dificuldade é o financiamento aos projectos.

Criado em 2008, o Parque de Ciência e Tecnologia, localizado no Posto Administrativo de Maluana, distrito da Manhiça, passou, em 2014, para a gestão da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia. Nove anos depois, a gestão da infra-estrutura é feita com dificuldades financeiras, sobretudo no que diz respeito à materialização dos projectos.

“A situação real do Parque é que ainda é uma empresa dependente das subvenções do Estado para crescer. O que nós fizemos foi criar a empresa Parque de Ciências e Tecnologia e não fomos continuando a fazer os investimentos que se requerem,  para que a empresa pudesse ficar sustentável a breve trecho”, disse o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia, Julião Cumbane.

Segundo o PCA da instituição pública, que falava à margem de uma visita do Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, são necessários cerca de 30 milhões de Meticais, para que a empresa execute quatro projectos que tem em “manga”.

Ainda assim, Julião Cumbane garante que “esses investimentos estão a ser feitos agora e a empresa está gradualmente a sair da zona vermelha. Em 2017, a empresa estava a registar um prejuízo acumulado de 31 milhões de Meticais. Mas as nossas previsões é que, ainda este ano, a empresa vai sair da linha vermelha”.

Criado para ser um modelo nacional e mundial de pesquisa em tecnologia e ciências, o Parque tem capacidade de realizar formações em segurança cibernética e digitalizar documentos e dados. O que é de grande importância, numa altura que muitas empresas públicas recorrem a países estrangeiros para realizar esse processo, gastando recursos que podiam investir noutra área, de acordo com a mesma fonte.

Esta sexta-feira, quadros da empresa apresentaram estas vantagens, projectos e preocupações ao Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane.

Por sua vez, Maleiane não prometeu soluções imediatas, mas garantiu que a recuperação da empresa é a prioridade do Governo.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, defendeu, hoje, que as instituições como o Fundo Monetário Internacional não podem ser usadas para resolver rivalidades geopolíticas. Filipe Nyusi falava na sessão alargada dos BRICS, cuja cimeira terminou hoje.

O Presidente da República chegou a Joanesburgo para atender a um convite formulado para ele e para vários outros países africanos. Na sala de plenário, Filipe Nyusi falou de como pensa que deviam ser feitas a distribuição e a gestão das instituições multilaterais.

Filipe Nyusi defende que os BRICS devem ser tidos como mecanismo adicional de financiamento e não que substitua os outros já existentes. Por falar em novos, o Chefe de Estado elogiou a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco dos BRICS.

À margem da sua participação nos BRICS, Filipe Nyusi ainda arranjou tempo para receber, em audiência, o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, um dos líderes dos BRICS.

Os deputados da Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente (CAEA) da Assembleia da República (AR) enaltecem o trabalho que está a ser realizado pela empresa Dingsheng Minerais, que explora as áreas pesadas de Chibuto, com vista a retoma da exportação de minérios a partir de Dezembro próximo.

Este sentimento foi expresso, esta semana, pela Relatora da CAEA, Glória Salvador, naquele distrito da província de Gaza, durante uma visita de trabalho que um grupo dos deputados daquela comissão efectuou àquela mineradora, no âmbito de fiscalização parlamentar, tendo explicado que a retoma de exportação de minérios é bem-vinda, na medida em vai contribuir para impulsionar o desenvolvimento da economia do país.

A parlamentar sublinhou que a empresa deve fazer a exploração de minérios sempre com a observância rigorosa de questões ambientais para o bem-estar das comunidades, fechando, no fim do projecto, por exemplo, as covas abertas aquando da extracção dos mineiros, para que as comunidades possam voltar a usar aquelas terras.

Por seu turno, o técnico de laboratório da Dingsheng Minerais, Dicla Chirima, informou aos deputados que a empresa vai recomeçar a exportar o seu minério em Dezembro próximo, logo que as obras de construção da Doca do distrito de Chongoene terminar em Novembro do corrente ano.

De acordo com a fonte, a empresa tinha iniciado a exportação do minério, antes da COVID-19 em regime experimental. “Agora, estamos a produzir, temos, nos nossos armazéns, mais de 25 000 toneladas de minérios disponíveis para o mercado, à espera da conclusão das obras de construção da Doca, para, a partir do mês de Dezembro do presente ano, começarmos a escoar o produto que já tem mercado à espera devido ao seu maior valor comercial”, disse Chirima.

Questionado como é que a empresa tem acautelado as questões ambientais, Chirima disse que a empresa não foge daquilo que a legislação do país prevê, explicando que existe um plano de reposição das áreas retiradas.

“A nossa legislação é rigorosa quanto a este aspecto, pois, nela, estão patentes os procedimentos de como é que as empresas devem corrigir os danos ambientais causados pela exploração mineira, frisou Chirrima, para quem a empresa tem a obrigação de criar condições de fazer com que a lei seja cumprida.

O técnico de laboratório da Dingsheng Minerais acrescentou que “a empresa está ciente das suas obrigações, mas é prematuro dizer quando é que começa o processo de tapamento das covas, pois a empresa está na fase inicial de exploração”.

Avaliado em 400 milhões de dólares norte-americanos, o projecto das areias pesadas de Chibuto emprega, actualmente, cerca de 642 trabalhadores, dos quais cinco mulheres moçambicanas, que trabalham nas machambas e limpezas, e uma chinesa, que trabalha na logística, número que poderá aumentar com a retoma de exportações, para 3000 postos de emprego até 2024.

O reduzido número de mulheres naquela mineradora preocupa os parlamentares, que instaram o Governo local e a direcção da mineradora a capacitarem a mulher, por forma a fazer parte da empresa, desempenhando tarefas nas áreas técnicas.

As areias pesadas de Chibuto, com grande valor comercial, compreendem cinco tipos de minérios, designadamente, terras raras, rutilo, zircão ilmenitite e titânio, destacando-se o titânio, matéria-prima, a produção de tintas, plásticos, cosméticos e para a fabricação de componentes de aeronaves.

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