O País – A verdade como notícia

Um mês depois das petrolíferas terem anunciado concursos públicos para a contratação de serviços de seguros para suas operações de gás na área 4, da bacia do Rovuma, cujos requisitos afastavam por completo a participação das seguradoras moçambicanas, os termos e condições poderão ser revistos.

"Não ficamos muitos satisfeitos com a maneira como o seguro foi tentado ser colocado e já estamos a trabalhar com a própria Anadarko para encontrarmos uma solução que realmente se enquadra no conteúdo nacional", disse o Presidente do Conselho de Administração da EMOSE, Joaquim Langa,

Joaquim Langa aponta alguma das saídas, com vista acomodar as seguradoras moçambicanas.
 
"No seguro existe a figura de resseguro. O que estamos a negociar com eles basicamente é que seja o mercado nacional liderado pela EMOSE a subscrever cem por cento do risco e através do resseguro podemos transmitir uma parte significativa desse risco para as seguradoras de que eles elegem que tenham os requisitos exigidos", elucidou o PCA da EMOSE

Com o resseguro, espera-se assegurar pelo menos 30 por cento em comissões deste serviço para as seguradoras nacionais, numa acção a ser lidera pela veterana EMOSE em parceria com outras seguradoras elegíveis.

Recorda-se, que para o caso da gigante petrolífera italiana, Eni, só podem, por exemplo, prestar serviços seguradoras com experiência e com um volume de negócio superior a 500 milhões de dólares norte-americanos, uma exigência longe das capacidades das empresas moçambicanos deste ramo de actividade.

 

As reservas de hidrocarbonetos no país, continuam a atrair muitos interessados. Esta segunda-feira, os empresários do Dubai, cidade turística dos Emirados Árabes Unidos entraram em cena.

Numa altura em que as Decisões Finais de Investimentos nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, blocos operados pelos consórcios liderados pelas norte-americanas Anadarko e ExxonMobil, o gás e petróleo moçambicano atrai mais potenciais investidores asiáticos. Desta feita, trata-se da Câmara de Comércio do Dubai, que predispõem-se a criar logística no desenvolvimento da indústria de hidrocarbonetos no país.

“Estamos de olho nas oportunidades de negócios na indústria de hidrocarbonetos. Queremos ajudar com a nossa larga experiência neste sector, fornecendo logística para os projectos de gás e petróleo”, disse Omar Khan, director dos escritórios internacionais da Câmara de Comércio do Dubai.

Lembrando, que as relações comerciais entre Dubai e Maputo atingiram em 2018, cerca de 500 milhões de dólares norte-americanos, volume que corresponde o dobro do registo que vinha se verificando há cinco anos. O interesse dos empresários desta cidade turística dos Emirados Árabes Unidos não se limita apenas no gás e petróleo. “Se olharmos para o ouro, diamante e chá. Nestes três sectores, destaca-se a indústria do gás onde queremos ajudar o país na valorização deste ramo produtivo”, acrescentou.

Do lado moçambicano a logística está criada, através da empresa Agility, que pretende maximizar o uso do porto de Maputo no transporte de carga dos mega-projectos.
“Suazilândia (eSwatini) importa mais de 20 mil contentores de carga a partir do porto do Durban. Se nos tivermos no mínimo 25% dessa mesma carga a partir do porto de Maputo podemos alavancar os negócios”, apontou Clávio Macuácua, da Agility Logistics.

A empresa investiu 100 milhões de dólares na construção de um parque de armazéns para as Pequenas e Médias Empresas (PME). O empreendimento fará parte de uma rede de parques de padrão internacional que a Agility está financiando e desenvolvendo em todos os mercados principais da África para apoiar o desenvolvimento do comércio interno e regional, por forma a estimular a melhoria dos fluxos comerciais.

O Parque de armazéns da Agility vai oferecer armazéns padrões e construídos a medida compreendidos por, sala de exposição, câmara frigorifica, pátios abertos e manutenção, bem como, soluções industriais leves, instalações comerciais, escritórios e serviços de suporte.

 

O Centro de Integridade Pública (CIP) considera que o Governo moçambicano não cumpriu os prazos na publicação dos contratos da Exxon Mobil, Eni e Sasol.

Os contratos dessas três petrolíferas foram tornados público fora do prazo estabelecido pelas leis de minas (20/2014, de 18 de Agosto) e de petróleos (21/2014, de 18 de Agosto), que estabelecem que os contratos são tornados públicos 30 dias após o visto do Tribunal Administrativo (TA).

É que, o Executivo de Maputo, através do Ministério dos Recursos Minerais e Energias (MIREME), tornou públicos os contratos assinados com as multinacionais Exxon Mobil, Eni e Sasol, no quadro das concessões atribuídas na sequência do quinto concurso de licenciamento de blocos petrolíferos lançado em 2014.

Os referidos contratos foram assinados entre 8 de Setembro e 17 de Outubro de 2018 e submetidos, poucos dias depois, ao Tribunal Administrativo para a competente fiscalização prévia.

Recorda-se, que entre em 2015 e Fevereiro de 2019, o CIP publicou análises sobre o processo de publicação dos contratos, nos quais questionava qual era a razão por detrás da demora na publicação dos mesmos, se se devia à demoras no envio para o TA ou à demora na fiscalização pelo TA.

No caso destes contratos, “os atrasos são da responsabilidade do Governo, acusam os investigadores do Centro de Integridade Pública. Realçando, que a publicação destes contratos são um passo importante para que os cidadãos moçambicanos, os parlamentares e as entidades de supervisão possam monitorar e analisar o benefício público resultante dos mesmos, uma vez que estes estabelecem os termos em que os recursos serão explorados.

Nessa perspectiva, não obstante o atraso, o CIP saúda a publicação dos contratos em questão, uma vez que quebra um período de cinco anos de estagnação.

Contudo, “prevalece a preocupação em relação a outros seis contratos assinados, nomeadamente: quatro contratos mineiros e dois petrolíferos revistos (adendas) quatro da Eni e Anadarko, entre 2013 e 2018, que até então não estão publicados.

Pelo que, de acordo ainda com o CIP, “o Governo deve vir a público explicar a razão destes seis contratos, assinados depois da legislação do sector mineiro impor a publicação dos contratos, permanecerem secretos”.

 

Os operadores do gás no chamado “complexo mamba”, na área 4 da bacia do Rovuma, projectam para 2024, o início da extracção deste hidrocarboneto. Contudo, o arranque está condicionado a Decisão Final de Investimento (DFI), deliberação que está nas "mãos" da ExxonMobil.

Quando faltam quase três meses para o fim do prazo que as petrolíferas definiram para a tomada da Decisão Final de Investimento (DFI), da área 4 da bacia do Rovuma, a italiana Eni já avança com o cronograma do arranque da exploração do gás no “complexo mamba”.

As projecções para o início destas operações de extracção e processamento de Gás Natural Liquefeito (GNL) neste bloco, estão dependentes da DFI, de acordo com fonte da gigante petrolífera italiana.  

“Estamos a trabalhar na parte do financiamento e também na venda de gás, estamos a progredir bem, e se conseguirmos a Decisão Final de Investimento este ano, estamos bem encaminhados para começar a produção até 2024″, revelou o presidente executivo da ENI, Cláudio Descalzi, citado pela plataforma Sapo Notícias.

O responsável da ENI revelou os dados no final da sessão de apresentação da estratégia da petrolífera, realizado semana finda na Itália, na cidade de Milão. No evento, Descalzi tranquilizou que os ataques no norte de Cabo Delgado não vão influenciar no cronograma.

“Estamos claramente preocupados com os ataques, foi a primeira vez que foram tão fortes”, explicou o presidente executivo da ENI citado pela Sapo Notícias, que recordava os ataques contra uma caravana de uma subcontratada da Anadarko, e que tirou a vida de um trabalhador.

“Nós não estamos lá (nos locais em terra), mas estamos preocupados pelos nossos colegas da ExxonMobil e Anadarko. O Governo tomou iniciativas fortes, também através do diálogo, para criar um ambiente mais pacífico, e não houve mais ataques”, apontou Descalzi.

Apesar do ambiente "mais tranquilo", a petrolífera diz que não preteriu de medidas adicionais de segurança. “A situação está calma agora, mas claramente antes de irmos trabalhar tínhamos de ter a certeza de que nada ia acontecer porque a segurança das pessoas é a primeira prioridade”, explicou.

O projecto Rovuma LNG, na jazida Mamba, é operado pela Mozambique Rovuma Venture, um consórcio cujos acionistas são a ExxonMobil, Eni e a China National Oil and Gas Exploration and Development Corporation (CNODC).

Conjuntamente, o trio detém uma participação de 70% na concessão da área 4, cabendo três parcelas de 10% à sul-coreana Kogas, Galp Energia e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), esta última moçambicana.

 

Os campos verdes do distrito de Monapo, província de Nampula, a plantação do algodão substitui a tradicional cultura de alimentos.

Naquele ponto do Norte do país, os agricultores vivem literalmente do algodão e os lucros que conseguem no final da época mostram que, de facto, esta é uma cultura de rendimento.

Toda produção é comprada pela Sociedade Algodoeira de Namialo, a mesma que disponibiliza sementes e insumos agrícolas aos produtores da sua área de concessão. Ainda assim, a falta de processamento do algodão encarece a produção de roupa a nível nacional.

O algodão produzido em Moçambique passa por um pré-processamento para a retirada da semente e, depois de ser classificado em laboratórios, é exportado para países como Maurícias, Bangladesh, Singapura e Portugal. Apenas uma pequena parte vai para a indústria têxtil de Marracuene, na província de Maputo.  

Com baixa produção e uma cadeia quebrada, a indústria têxtil está voltada ao esquecimento! Ao nível nacional, a única fábrica de produção de capulanas, peça de tecido muito usado pelas mulheres e não só, é Nova Texmoque, revitalizada depois da privatização em 2006.

Três anos depois, voltou a operar, mas os prejuízos com a importação do tecido desencorajam o investimento. A única indústria de produção de capulanas, no país, gasta mais de 50 milhões de dólares com a importação do tecido da Índia.

No passado, esta indústria tinha a cadeia completa – comprava o algodão localmente, produzia fios para o tecido e, por fim, a roupa. Mas agora, a parte da tecelagem não funciona devido aos custos para a importação da maquinaria. Por isso, pede-se incentivos fiscais para revitalizar uma indústria que já empregou muita gente.
 
 
 
 

 

À sua chegada a Mbabane, o Chefe de Estado reuniu com 28 empresários que o acompanham a Eswatini. Os mesmos colocaram algumas questões que dificultam a realização de negócios entre os dois países.

Moçambique tem servido basicamente como corredor para que Eswatini tenha acesso ao mar para importar e exportar diversos produtos. E nesta deslocação o Governo pretende tornar o Porto de Maputo o principal, senão o único usado por este reino. Mas há muita coisa por melhorar.

Os swati gostavam de ter a possibilidade de ter um espaço para gerir no Porto de Maputo, o que o Governo não permite e a solução que se apresenta é um Porto Seco.

A indústria açucareira de Eswatini também quer vender açúcar em Moçambique, mas o Presidente da República deu outras ideias aos açucareiros nacionais.

“No Quénia e no Ruanda precisam de açúcar, o que significa que com as quantidades que são solicitadas podemos não conseguir compensar, fazendo um exercício conjunto com todos da região sairemos a ganhar”, disse Nyusi.

A divisão de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas ditou o agravamento da inflação no mês de Fevereiro, ao contribuir com 0,16 pontos percentuais positivos (pp) do total da inflação mensal.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) aponta para uma aceleração do custo de vida na ordem de 0,30 por cento.

Da análise da inflação mensal por produto, destaca-se a subida de preços do feijão manteiga (6,3%), peixe seco (1,9%), couve (6,4%), coco (4,5%), transporte ferroviário de passageiros (6,7%), hambúrgueres, pregos, bifanas cachorros e similares (2,9%) e da capulana (1,2%). Estes contribuíram no total da inflação mensal com cerca de 0,21 pp positivos.

Em termos acumulados, ou seja, entre Janeiro e Fevereiro, o INE refere que o país registou um aumento geral de preços na ordem de 0,95%. As divisões de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas e de educação foram as responsáveis pela tendência geral de subida de preços ao contribuir com aproximadamente 0,71 pp e 0,11 pp positivos, respectivamente.

Relativamente ao igual período de 2018, o país registou uma subida de preços na ordem de 3,72%, com as divisões de transportes e de restaurantes, hotéis, cafés e similares, foram em termos homólogos as de maior agravamento de preços com 10,93% e 5,76% respectivamente.

Desagregando a inflação mensal pelos três centros de recolha que servem de referência para o cálculo da inflação do país (Maputo, Beira e Nampula), concluiu-se que a cidade da Beira teve em Fevereiro os preços mais elevados (0,32%), seguida de Maputo e Nampula com 0,30% e 0,29% respectivamente.

Já em relação a inflação acumulada a cidade da Beira foi a que teve o maior agravamento do respectivo nível geral de preços com 1,23%, seguida de Maputo com 1,09% e Nampula (0,47%).

Em termos homólogos a cidade de Maputo liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com 4,48%, seguida da cidade da Beira com 4,18% e por último a cidade de Nampula com 1,90%.
 

Os lucros líquidos do Banco Comercial de Investimento (BCI) atingiram mais de quatro biliões de meticais em 2018, contra 2.474 milhões de meticais registados no ano anterior. Os accionistas do Banco Comercial de Investimento reportam lucros líquidos no valor de 4.026,01 milhões de meticais no exercício económico do ano passado, mais de 60,72% que em 2017.

Esse desempenho se reflectiu no aumento da rentabilidade dos capitais próprios em 5,9 pontos percentuais (25,15% em 2018 e 19,28% em 2017), anotou o Presidente da Comissão Executiva do BCI, Paulo Sousa.

Acrescentando, que “esta evolução foi determinada, em grande medida, pelo desempenho positivo do produto bancário que incrementou 997,14 milhões de meticais, mais 7,59% que em 2017, propiciada pela evolução registada ao nível da margem financeira que cresceu 1.6 bilião de meticais (mais 20,52%)”.

Porém, o activo líquido do BCI reduziu ligeiramente em 0,66% em 2018, atingindo cerca de 153.6 mil milhões de meticais, relativamente ao exercício económico do ano anterior.

O mesmo cenário verificou-se no volume de negócios, que reduziu 968 milhões de meticais, atingindo um montante de 187.8 biliões de meticais, como resultado da redução da carteira de crédito em cerca de 253.9 biliões de meticais, derivado da conjuntura macroeconómica pouco favorável dos últimos dois anos, e consequente redução da procura de crédito.

Mas, “a rigorosa disciplina financeira que caracteriza o BCI permitiu reforçar consistentemente os rácios de capital de forma a cumprir com os mínimos exigidos pelo Banco Central”, apontou o PCE desta instituição financeira. No final de 2018, o Banco Comercial de Investimentos registou um rácio de solvabilidade de 16,96%, acima do limite mínimo de 9% exigido pelo Banco de Moçambique (BM).

APAGÃO NAS TRANSACÇÕES ELECTRÓNICAS

Sobre o blackout da rede interbancária de movimentos electrónicos (ATM e POS, por exemplo) registado em Novembro do ano passado, na maioria dos bancos comerciais do país, Paulo Sousa, minimizou os impactos.

“Foi um fenómeno temporário e já ultrapassado. As nossas transacções continuam muito estáveis”, argumentou o PCE do BCI, declinando entrar em detalhes sobre a entrada do novo provedor do sistema financeiro.

Recorda-se, que desde Dezembro último, que o sistema bancária moçambicano conta com novo sistema de pagamentos electrónicos interbancário, a Euronet, em substituição dos portugueses da Bizfirst.

Não se sabe ao certo quando entra em operação o software do novo provedor, cujas cláusulas contratuais estão guardadas à “sete chaves”.
“Esse é um assunto que diz respeito ao regulador (Banco de Moçambique. Não cabe a nós revelar os contornos do negócios”, referiu o Presidente da Comissão Executiva do BCI.

UM OLHAR A 2019
Com os resultados líquidos no verde no exercício económico de 2018, os accionistas do BCI já perspectivam um novo ano (2019) melhor.

“Com o anúncio das Decisões Finais de Investimento (DFI) nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, esperamos que a economia moçambicana cresça a um ritmo elevado este ano. Nós (BCI) queremos fazer parte dessa mudança, financiando às PME moçambicanas”, vaticinou Paulo Sousa.

No campo da expansão, os accionistas do BCI fixaram como meta a instalação de 18 agências bancarias nos distritos ainda sem cobertura. Aliás, faltam 23 pontos para a cobertura total.

Refira-se, que o Banco Comercial de Investimento possui uma carteira de cerca de 1.7 milhão de clientes, com 203 agências bancárias que correspondem a 30,17% do total da rede do sistema bancário.

 

Segundo a Sociedade de Consultoria Deloitte, Angola e Moçambique destacaram-se em 2018 como segundo e terceiros países da África Austral com maior número de projectos de construção num valor igual ou superior a 50 milhões de dólares.

Angola foi responsável por 14,6 por cento de projectos e Moçambique por 13,6 por cento e África do Sul é o líder com 35,9 por cento, escreve o jornal online Macauhub.

A região austral de África representou 21,4 por cento de todos os projectos, com um total de 103 projectos.

O sector dos transportes foi o que liderou em número de projectos (32%), seguido pelo sector imobiliário (25%), apesar de ser o sector da energia a liderar no que respeita ao valor (42,4 mil milhões de dólares).

O estudo indica que a China surgiu como um dos grandes financiadores, ocupando a segunda posição, seguida das empresas nacionais privadas.

O relatório adianta que as empresas chinesas de construção civil na região austral estão concentradas em Moçambique, com sete projectos, em Angola, com seis projectos e no Zimbabwe, com cinco projectos.

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