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O Governo defende a transformação dos recursos minerais e energéticos em instrumentos efectivos de industrialização, criação de emprego e desenvolvimento económico inclusivo.

A posição foi manifestada pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia durante um encontro com o sector privado, no qual destacou que Moçambique dispõe de uma combinação estratégica de recursos energéticos, incluindo gás natural, energia hídrica, carvão, energia solar, eólica e outras fontes renováveis.

Segundo o governante, a existência destes recursos, por si só, não garante energia acessível para a população e para o sector produtivo. Para alcançar esse objectivo, é necessário investir em infra-estruturas de geração, transporte e distribuição de energia, melhorar a eficiência operacional e mobilizar financiamento em condições favoráveis.

O ministro sublinhou que o Governo tem vindo a implementar reformas para aumentar a previsibilidade e atrair investimentos para o sector energético. Entre as medidas destacam-se a aprovação do regulamento sobre atribuição, execução e extinção de concessões de energia eléctrica e o regulamento da Taxa de Acesso Universal à Electricidade.

De acordo com o dirigente, estas iniciativas visam reforçar a transparência, a segurança jurídica e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento sustentável da indústria energética nacional e para a expansão do acesso à energia.

O governante apontou ainda a necessidade de melhorar o aproveitamento das infra-estruturas críticas, como portos, linhas férreas, estradas, sistemas de energia e abastecimento de água, de modo a reduzir custos operacionais e facilitar o acesso de pequenos e médios investidores ao sector.

Na ocasião, defendeu uma maior participação das empresas moçambicanas na cadeia de valor dos projectos de mineração e hidrocarbonetos, através da prestação de serviços de manutenção, logística, transporte, construção, formação profissional e subcontratação industrial.

“O nosso objectivo é que a energia sirva a indústria e que os grandes projectos gerem oportunidades para as empresas moçambicanas, contribuindo para uma economia mais forte, diversificada e inclusiva”, afirmou.

O ministro reiterou que o Governo permanece aberto ao diálogo com o sector privado e considera a CTA um parceiro estratégico para garantir que os recursos minerais e energéticos sejam colocados ao serviço da transformação económica e social de Moçambique.

Um dos sectores mais afectados pela escassez dos combustíveis é o empresarial. Exemplo disso é que no fim de Maio último, mesmo com a aparente estabilização no fornecimento, o sector privado continuou a ressentir-se.

Com a crise instalada, as dificuldades de operação das empresas agravaram-se, uma situação que culminou com a perda da confiança das empresas, tendo estas atingido o nível mais baixo no mês passado desde Novembro do ano de 2016.

“O sector privado moçambicano manteve a tendência de contração em Maio, à medida que as empresas continuaram a enfrentar desafios devido à escassez de combustível no mercado interno”, refere o relatório PMI do Standard Bank.

Com as restrições no abastecimento dos combustíveis diversos, os gastos dos clientes das empresas diminuíram no período em análise, num contexto em que a produção e a cadeia de abastecimento sofriam rupturas em algumas empresas.     

“O ambiente de procura permaneceu difícil para as empresas moçambicanas durante o mês de Maio, com as novas encomendas a diminuírem pelo segundo mês consecutivo, embora a um ritmo moderado”, refere o mais recente relatório.

De acordo com o inquérito feito em mais de 40 países, as empresas apontaram a escassez de combustíveis como um factor que limitou tanto a capacidade das empresas como também o poder de compra dos consumidores ou clientes.

Com a redução significativa das encomendas, a produção das firmas deteriorou-se pela primeira vez desde Janeiro de 2025. Em Maio, os custos de aquisição também aumentaram ao ritmo mais acelerado dos últimos três meses.

O relatório do PMI do Standard Bank mostra ainda que o desempenho da cadeia de abastecimento continuou a deteriorar-se em Maio, principalmente devido à escassez de combustíveis, que ditou os atrasos nas entregas dos fornecedores. 

Embora 24% dos inquiridos tenham antecipado um crescimento da produção ao longo do próximo ano, em comparação com a média de longo prazo de 51%, a maioria dos restantes não prevê qualquer alteração, conclui o relatório.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, explica o significado do inquérito PMI do Standard Bank Moçambique. Segundo ele, com a pontuação de 49,9, o índice esteve abaixo da marca dos 50 pelo segundo mês.

“Resultados do PMI abaixo do valor de referência de 50 significam uma deterioração mensal consecutiva da saúde da economia do sector privado”, sublinha o economista-chefe do Standard Bank Moçambique.

Os subíndices de produção, novas encomendas e quantidade de aquisições permaneceram abaixo dos 50, afectados pela escassez e reajustes dos preços dos combustíveis e pelas pressões ao mercado cambial.

Diante da situação, Mussá refere que reduziu a procura agregada, e o conflito no Médio Oriente resultou no aumento do preço local dos combustíveis em Maio, o que deverá resultar numa subida da inflação, que foi de 4,4%, em Abril.

Entretanto, o subíndice de emprego manteve-se acima da marca dos 50 desde Junho de 2025, o que pode reflectir alguma recuperação da crise pós-eleitoral e o progresso na fábrica de gás natural liquefeito em Afungi, na Área 1.

“No entanto, o sentimento empresarial deteriorou-se ainda mais, com o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro a registar o valor mais baixo de quase uma década”, considera o economista-chefe do banco.

Com a política monetária mais restritiva, a taxa de juro de referência inalterada nos 9,25%, o aumento das reservas obrigatórias em 10 pontos percentuais para 39%, Fáusio Mussa acredita que o custo do dinheiro vai aumentar em breve.

“É provável que se assista a subidas na taxa de juro referência da política monetária, MIMO, no segundo semestre do ano, à medida que aumenta o risco de uma inflação de dois dígitos no curto prazo”, considera Fáusio Mussa.

De acordo com as empresas inquiridas, houve uma nova contracção ligeira da produção em meados do segundo trimestre de 2026. 

“Esta foi a primeira redução mensal consecutiva da produção em quase um ano e meio. Várias empresas referiram que a escassez de combustível tinha limitado a actividade e conduzido a uma redução das vendas aos clientes”, refere a nota.

No que diz respeito a novas encomendas, o índice destas permaneceu ligeiramente abaixo dos 50 em Maio, indicando uma redução nas carteiras de encomendas pelo segundo mês consecutivo.

“Nos casos em que as aquisições de meios de produção sofreram cortes, os membros do painel atribuíram esta situação, sobretudo, a uma redução na aquisição de combustível devido à escassez, assim como a um fraco poder de compra”, aponta o inquérito publicado pelo Standard Bank Moçambique.

Já os stocks de meios de produção mantiveram-se em contracção em Maio, embora a taxa de descida tenha abrandado em relação ao mês anterior. A grande maioria dos inquiridos não observou qualquer alteração nos seus inventários.

Por fim, depois de ter aumentado nos últimos dez meses, as despesas salariais no sector privado mantiveram-se estáveis em Maio, um factor evidenciado pelo Índice de custos com pessoal, que caiu para o ponto neutro, que é 50.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma recuperação económica de Moçambique na ordem dos 0,5% em 2026. De acordo com a instituição financeira, a evolução de preços de matérias-primas e a dinâmica de mercados globais terão influência decisiva no desempenho.

Este posicionamento foi apresentado nesta quarta-feira, em Maputo, pelo representante residente do FMI em Moçambique. Olamide Harrison falava numa mesa redonda sobre as Perspectivas Económicas Regionais e os impactos dos choques dos preços dos combustíveis na economia.

O responsável sublinha que as estimativas são baseadas em dados recentes, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O indicador revela um desempenho mais fraco do que o anteriormente previsto, com a taxa de crescimento de 2025 revista para apenas 0,2%.

“Estamos a trabalhar para incorporar a informação mais recente que saiu do Instituto Nacional de Estatística”, afirmou Harrison, acrescentando que o processo de actualização das projecções procura reflectir de forma mais precisa a realidade económica do País.

O crescimento previsto representa uma desaceleração significativa face aos anos anteriores, em que a economia moçambicana chegou a registar crescimentos acima dos 5%.

O abrandamento é associado à redução do dinamismo em vários sectores produtivos, bem como às restrições financeiras e cambiais que continuam a afectar empresas e consumidores. 

Diante do cenário de fragilidade, o FMI considera que existem condições para uma retoma gradual da actividade económica.

“Esperamos um crescimento gradual. Estamos ainda a incorporar vários elementos que influenciam a economia, incluindo a evolução dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais”, referiu Harrison e destacou a forte dependência do País por factores externos.

Entre os elementos externos com maior impacto, segundo o Fundo Monetário, estão os preços dos combustíveis, do gás natural e de outras matérias-primas exportadas pelo País, cuja volatilidade continua a influenciar as receitas nacionais e o equilíbrio macroeconómico. 

O Fundo Monetário Internacional alerta que uma trajectória de recuperação dependerá, em grande medida, da estabilidade dos referidos mercados internacionais.

Outro ponto considerado positivo pelo representante do FMI foi a recente retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), um passo que reforça a confiança dos investidores internacionais.

Harrison reiterou ainda o compromisso do FMI em continuar a apoiar Moçambique em áreas estratégicas, incluindo a gestão das finanças públicas, o fortalecimento da administração tributária, a melhoria da governação económica e o reforço da transparência institucional.

Segundo o FMI, a consolidação da estabilidade macroeconómica e a criação de condições para atrair investimento serão determinantes para transformar a recuperação projectada em ganhos concretos para a economia e melhores condições de vida para a população.

As empresas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e Aeroportos de Moçambique (ADM) continuam a constituir uma grande fonte de risco para as finanças públicas, revela  o Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais 2025 publicado pelo Ministério das Finanças.

De acordo com o documento, as duas empresas “irmãs” beneficiaram-se de um apoio do Estado de aproximadamente 1,5 mil milhões e 0,5 mil milhões de meticais respectivamente no ano passado, o que terá agravado a vulnerabilidade das finanças públicas.

São cerca de 2 mil milhões canalizados às empresas no ano passado, num contexto em que 91% das participações da companhia aérea foram alienadas às empresas Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Caminhos de Ferro de Moçambique e Empresa Moçambicana de Seguros.

De acordo com a informação que consta do Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais, publicado no portal do Ministério das Finanças, só no ano passado, apesar das iniciativas em curso para melhorar a gestão e a rentabilidade das empresas participadas pelo Estado, algumas instituições continuam a enfrentar dificuldades financeiras significativas.

O relatório foi divulgado num contexto de fortes constrangimentos económicos. Entre os factores apontados pelo Ministério das Finanças estão o abrandamento da actividade económica, as receitas públicas abaixo das previsões, o crescimento da dívida pública e os impactos de fenómenos climáticos extremos que afectaram várias regiões do País.

Os dados do Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais mostram ainda que a consolidação financeira das empresas públicas continua a ser um dos principais desafios para a estabilidade das contas públicas. Tal ocorre num momento em que o Governo moçambicano procura reduzir os riscos fiscais e reforçar a sustentabilidade do Sector Empresarial do Estado.

O relatório conclui que “este comportamento sugere a contínua monitoria e um melhor tratamento na programação orçamental, por forma a mitigar os efeitos negativos nas finanças públicas”.

O Presidente de Gana, John Mahama, lançou um apelo à comunidade financeira internacional para que reveja a forma como avalia a dívida dos países africanos. Defende mecanismos mais rápidos, justos e inclusivos para a reestruturação das obrigações financeiras do continente.

Trata-se de uma posição apresentada pelo governante do país africano durante uma conferência de investidores realizada em Londres. Na ocasião, o estadista procurou reforçar a confiança dos mercados na economia ganesa e nas perspectivas de crescimento de África.

Num discurso centrado nos desafios do financiamento ao desenvolvimento, Mahama sustentou que a dívida africana continua a ser avaliada de forma desfavorável no mercado internacional, o que encarece o acesso ao crédito aos países devedores do continente africano.

Segundo o Presidente, a forma como é feita a avaliação reduz ainda a capacidade dos governos de investirem em sectores estratégicos. Para si, a percepção de risco associada aos países africanos não é realista e não corresponde ao potencial de crescimento dos países.

“Os mecanismos de reestruturação da dívida devem tornar-se mais rápidos, mais justos e mais inclusivos”, afirmou Mahama e defendeu reformas que permitam aos países ultrapassar crises financeiras sem comprometer os seus objectivos de desenvolvimento. 

O governante acrescentou que as actuais soluções internacionais continuam a apresentar limitações significativas para responder às necessidades das economias emergentes. As declarações surgem numa altura em que o Gana procura consolidar a recuperação económica.

Depois da grave crise financeira que levou o país ao incumprimento da dívida em 2022, a situação obrigou as autoridades ganenses a avançarem com um amplo processo de reestruturação da dívida pública, envolvendo diversos credores nacionais e internacionais. 

O processo decorreu ao abrigo do Quadro Comum do Grupo dos 20 (G20), mecanismo criado para facilitar a renegociação das dívidas soberanas, mas criticado pela sua lentidão. Mahama defendeu uma mudança de paradigma na relação entre África e seus parceiros internacionais.

De acordo com o presidente de Gana, o continente não deve continuar a ser visto apenas como destinatário de ajuda externa, mas como espaço de oportunidades de investimento. Na ocasião, defendeu um aumento do financiamento climático destinado aos países africanos. 

“A relação com o Reino Unido deve evoluir de uma relação moldada pela ajuda para uma relação ancorada na inovação empresarial e no investimento”, declarou, sublinhando a necessidade de fortalecer parcerias económicas sustentáveis e mutuamente benéficas.

Mahama argumentou que África enfrenta consequências severas das alterações climáticas, apesar de contribuir com uma parcela reduzida das emissões globais de gases de efeito estufa. No seu entender, deve ser uma prioridade a mobilização de recursos para adaptação climática.

O governante procurou ainda contrariar a narrativa frequentemente associada aos mercados africanos, afirmando que o continente possui condições para se transformar num dos principais pólos de crescimento económico das próximas décadas. 

“África não é um risco a ser gerido. África é uma oportunidade a ser aproveitada”, enfatizou Mahama perante investidores e representantes do sector financeiro internacional.

A despesa com pessoal continua a representar a principal fonte de pressão sobre a despesa pública. Dados avançados pelo Ministério das Finanças,  através do Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais 2025, recentemente divulgado, mostram que pagamentos de salários e outras remunerações ao pessoal do Estado representam um peso estrutural de 14.3% do PIB.

Segundo o documento, “A absorção orçamental da massa salarial anual situou-se em torno de 46% da despesa do Estado, comprometendo deste modo as metas de desaceleração e sustentabilidade da massa salarial a médio prazo”. 

Por outro lado, o Estado gastou 26.7 mil milhões de meticais com pensões, montante acima das previsões iniciais. A justificativa é que houve necessidade de pagamento de pensões militares que não estavam cabimentadas. 

O relatório detalha que dos cerca de 26.7 mil milhões de meticais contra uma previsão inicial de 21.1 mil milhões de meticais, “levaram a um desvio de 4.6 mil milhões de MT. Esta actualização resulta essencialmente da cabimentação efectuada para as pensões Militares, pois estas não tinham sido consideradas na elaboração do PESOE 2025. Do lado da receita, verificou-se um défice de 5.5 mil milhões de MT resultante das contribuições da entidade empregadora, o que vislumbra uma contribuição de apenas 4% contra os 7% previstos na lei”.

Os prejuízos do Banco de Moçambique mais do que triplicaram em 2025, ao passarem de cerca de 3,8 mil milhões de meticais para 12,8 mil milhões. Os dados constam das mais recentes demonstrações financeiras do banco.

Pelo segundo ano consecutivo, as contas do Banco de Moçambique navegam no vermelho. O banco teve um resultado líquido negativo de cerca de 12,8 mil milhões de meticais em 2025, após um prejuízo de 3,8 mil milhões em 2024.

Segundo as demonstrações financeiras do banco, o aperto financeiro está relacionado com uma quebra acentuada das receitas geradas através de sua actividade financeira habitual.

Essencialmente, as receitas do banco central caíram de cerca de 11 mil milhões de meticais para 6,2 mil milhões de Meticais, num contexto em que os custos operacionais do banco aumentaram.

Por exemplo, os gastos com o pessoal, com destaque para os salários, dispararam de cerca de 8,7 mil milhões de Meticais para cerca de 12,3 mil milhões, revelam as demonstrações financeiras.

Outra rubrica de maior destaque é a de Outros Gastos Operacionais. Nela, consta, por exemplo que, despesa com pagamento de serviços de terceiros que aumentaram de cerca de 4,5 mil milhões de Meticais para 5,6 mil milhões. 

Na rubrica ‘Serviços de Terceiros’ fazem parte os custos com arrendamento que aumentaram para cerca de 129.5 milhões de meticais, depois de no ano de 2024 em pouco mais de 51 milhões de meticais, segundo os dados do banco central.

A Ministra das Finanças, Carla Loveira, recebeu a vice-presidente do Exim Bank da China, num encontro que reafirmou o compromisso mútuo de cooperação técnica, económica e financeira entre Moçambique e a instituição bancária chinesa, em prol do desenvolvimento dos dois povos.

Durante a audiência, as duas partes destacaram a importância da continuidade da parceria estratégica, com particular enfoque no financiamento e apoio à implementação de projectos estruturantes no País, enquadrados nos diferentes ciclos de governação.

Segundo a ministra Carla Loveira, a relação entre Moçambique e o Exim Bank tem sido marcada por um ambiente de cooperação estável e de confiança, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento de projectos estratégicos em sectores prioritários da economia nacional.

A governante sublinhou ainda que a recente visita de Estado do Presidente da República, Daniel Chapo, à China, permitiu reforçar os laços de cooperação bilateral, incluindo encontros entre os ministros das Finanças de ambos os países, com a participação do Exim Bank, tendo sido aprofundada a colaboração financeira com o Governo moçambicano.

O Exim Bank da China mantém-se como um dos principais parceiros financeiros de Moçambique, apoiando projectos em áreas como a expansão dos serviços de telecomunicações, inovação tecnológica e transferência de tecnologia, considerados fundamentais para o desenvolvimento económico e digital do País.

Moçambique defende redução do custo de financiamento em África

No plano multilateral, Moçambique defendeu a necessidade urgente de reduzir o chamado “custo de confiança” em África, sublinhando que o continente enfrenta atualmente não apenas escassez de capital, mas sobretudo elevados níveis de incerteza que encarecem o financiamento e limitam o investimento.

A posição foi apresentada pela administradora para o pelouro de Estabilidade Monetária do Banco de Moçambique, Maria Esperança Mateus Majimeja, que representou a ministra das Finanças e o País nas Reuniões do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), realizadas em Brazzaville.

Segundo a responsável, a perceção de risco continua a ser um dos principais entraves ao desenvolvimento económico africano, afastando investidores e tornando o capital mais caro e difícil de mobilizar.

“África já não sofre apenas de falta de capital. Sofre, sobretudo, de um elevado custo de financiamento”, destacou.

Neste contexto, Moçambique apresentou três prioridades estratégicas para melhorar o ambiente de investimento no continente. A primeira passa pela redução da fragmentação regulatória e pela aceleração de reformas que reforcem a previsibilidade, transparência e segurança jurídica para o investimento privado.

A segunda proposta defende um papel mais activo do BAD na mitigação de riscos, através da expansão de instrumentos de garantia, apoio a projectos de elevado impacto social e criação de plataformas regionais que reduzam o prémio de risco africano.

A terceira prioridade centra-se no desenvolvimento de mercados financeiros domésticos e regionais mais robustos, capazes de mobilizar a poupança interna para financiar o desenvolvimento do próprio continente.

Moçambique apelou ainda ao reforço da capacidade operacional do BAD, defendendo maior rapidez na implementação de projectos e resultados mais visíveis, com impacto directo na economia real.

No âmbito da Nova Arquitetura Africana para o Desenvolvimento (NAFAD), o País defendeu uma abordagem prática e orientada para resultados, sublinhando que o sucesso da iniciativa dependerá do compromisso político efectivo dos Estados africanos.

Na área do emprego juvenil e financiamento às micro, pequenas e médias empresas (MPME), Moçambique defendeu modelos integrados que combinem formação técnica, acesso ao financiamento e integração nos mercados.

O País incentivou ainda o BAD a apoiar a transição de projectos-piloto para plataformas continentais de maior escala, especialmente nos sectores agroindustrial, logístico, digital e energético, em parceria com os Estados e o sector privado.

O Banco Africano de Desenvolvimento projecta um crescimento médio real do Produto Interno Bruto de 3,9% para Moçambique em 2026-2027. Embora positivo, este crescimento está abaixo de 7%, nível considerado necessário para uma transformação económica acelerada e redução significativa da pobreza. 

O relatório do Banco Africano de Desenvolvimento sobre o  Desempenho e Perspectivas Macroeconómicas em África perpectiva é mais optimista  do que o próprio Governo, ao prever um crescimento médio real do Produto Interno Bruto de 3,9%, acima dos 2,8% inscritos no PESOE 2026. 

A projecção do BAD é baseada essencialmente pelo aumento da produção.

 “Em vários países, o crescimento foi apoiado por uma produção agrícola mais forte, reflectindo não apenas condições climáticas favoráveis, mas também a adopção gradual

de práticas agrícolas inteligentes em termos climáticos, juntamente com o aumento do investimento em infraestruturas e a confiança renovada do sector privado”.

Embora o crescimento económico mostre positivo, o relatório mostra que está muito abaixo do ritmo necessário para reduzir a pobreza. É que o BAD determina o mínimo de 7% de crescimento para atingir este objectivo.

“É necessário um crescimento médio anual sustentado de pelo menos 7% durante uma década para que África concretize a transformação estrutural, acelere a redução da pobreza e construa resiliência contra choques globais e internos”.

Dos desafios enfrentados pelas nações africanas, o documento destaca:

  • Frequentes choques climáticos;
  • Sobre-endividamento persistente;
  • Conflito regionais; e
  • Instabilidade política.

Face a estes desafios, o relatório recomenda melhorias na gestão dos recursos públicos.

“Os países africanos têm de implementar reformas complementares para melhorar a mobilização de recursos internos, nomeadamente através da digitalização dos sistemas fiscais e do alargamento da base tributária, bem como da melhoria da administração fiscal e

da redução da evasão ao fisco, o que diminuirá a dependência do financiamento da

dívida e reforçará as reservas orçamental”.

O BAD defende investimentos em infraestruturas produtivas e maior diversificação económica, ao mesmo tempo que identifica o fraco investimento em capital humano e os défices de competências como obstáculos ao crescimento.

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