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A economia deverá registar uma recuperação gradual nos próximos dois anos, impulsionada sobretudo pela retoma do sector extractivo, pelo aumento do investimento e pela expansão do consumo privado. A previsão é do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

De acordo com a instituição, o crescimento económico poderá atingir 2,1% em 2026 e 3,5% em 2027, segundo o relatório Perspectivas Económicas Africanas 2026, apresentado nesta quarta-feira, durante as reuniões anuais da instituição, em Brazzaville, República do Congo.

Os dados divulgados pelo BAD mostram ainda uma trajectória de recuperação moderada da actividade económica nacional, depois de anos marcados por choques climáticos, pressão inflacionária, instabilidade política e insegurança armada em Cabo Delgado. 

O relatório refere que a previsão para 2026 representa um aumento de 0,2 pontos percentuais em relação ao crescimento estimado para o ano de 2025, reflectindo uma melhoria gradual do ambiente macroeconómico.

Segundo o documento, a economia deverá beneficiar da “recuperação do sector extractivo”, do “forte consumo privado impulsionado pelo aumento dos rendimentos” e ainda do crescimento do investimento público e privado. 

O BAD considera que os grandes projectos ligados ao gás natural liquefeito e à exploração mineira continuam a representar um dos principais motores da economia moçambicana, numa altura em que o País procura consolidar a estabilidade económica e recuperar a confiança dos investidores internacionais.

A instituição financeira africana destaca que a recuperação do sector extractivo poderá contribuir para o aumento das exportações e para a dinamização de outros sectores da economia nacional, incluindo transportes, serviços, construção civil e comércio. 

Nos últimos anos, Moçambique tem apostado fortemente na exploração de recursos naturais, sobretudo gás natural, grafite e minerais pesados, considerados estratégicos para o crescimento económico de médio e longo prazo.

O Banco Africano de Desenvolvimento prevê, também, uma desaceleração da inflação para uma média de 5,7% entre 2026 e 2027. 

Segundo o relatório, esta tendência deverá resultar do “alívio das pressões temporárias do lado da oferta”, em linha com os esforços do Banco de Moçambique para manter a inflação em níveis de um só dígito. A redução da inflação poderá aliviar o custo de vida das famílias e criar melhores condições para o consumo privado e para o investimento empresarial.

No entanto, o banco alerta para o agravamento das contas públicas moçambicanas. O défice orçamental deverá atingir 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e aumentar para 7% em 2027. De acordo com o BAD, esta pressão fiscal será provocada pelo “aumento dos pagamentos de juros e pela redução dos donativos para financiamento de projectos”.

As contas externas também deverão enfrentar desafios significativos nos próximos anos. O BAD estima que o défice da conta corrente aumente para 28,8% do PIB em 2026 e para 32,7% em 2027, impulsionado sobretudo pelo crescimento das importações relacionadas com os megaprojectos energéticos e mineiros. 

Segundo a instituição, o aumento das importações será “impulsionado pela maior produção de gás natural liquefeito e minerais”, situação que poderá exercer pressão sobre as reservas internacionais e sobre o equilíbrio externo da economia.

Entre os principais riscos para a economia moçambicana, o BAD destaca os choques climáticos, a instabilidade política, as tensões no comércio global e o conflito armado em Cabo Delgado. Ainda assim, o relatório sublinha que estes desafios “podem ser mitigados através do reforço da governação e do investimento na resiliência climática”.

O banco considera que a melhoria da governação económica, o reforço da transparência fiscal e o investimento em infra-estruturas resilientes poderão desempenhar um papel decisivo na consolidação do crescimento económico de Moçambique. A instituição tem defendido uma maior mobilização de financiamento para acelerar o desenvolvimento africano, numa altura em que vários países enfrentam dificuldades de acesso ao crédito internacional.

No plano continental, o relatório Perspectivas Económicas Africanas 2026 prevê que o crescimento económico africano abrande para 4,2% neste ano, podendo descer para 4% caso persistam as tensões geopolíticas e os conflitos no Médio Oriente. 

Ainda assim, o Banco Africano de Desenvolvimento considera que África continua a demonstrar resiliência económica, apesar das perturbações nas cadeias globais de abastecimento e das restrições financeiras internacionais.

O encontro anual do Banco Africano de Desenvolvimento decorre até esta sexta-feira, em Brazzaville, sob o lema “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”.

O evento reúne representantes dos 81 países-membros da instituição, incluindo chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, numa altura em que o continente procura acelerar o crescimento económico e reforçar a capacidade de financiamento para o desenvolvimento.

O sistema bancário em Moçambique continua a enfrentar um problema crescente relacionado com o não pagamento de créditos por parte de clientes, quer particulares quer empresas. 

O relatório do Banco de Moçambique (BdM) sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros, publicado nesta terça-feira, referente ao primeiro trimestre do ano, revela que “quase 15% do crédito concedido pelo banco BCI, liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), estava em incumprimento em 31 de Março, mas outros bancos mantinham igualmente rácios acima dos 5% recomendados pelo regulador”.

Este tipo de indicador, conhecido como crédito malparado, representa o dinheiro que os clientes deixaram de pagar ao banco dentro do prazo previsto. Quando a percentagem aumenta, significa maior pressão sobre os bancos e maior dificuldade na concessão de novos empréstimos à população e às empresas.

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) surge como uma das instituições mais expostas a esta realidade, com um rácio de crédito em atraso de 14,47%, ligeiramente acima do trimestre anterior. Apesar disso, o banco reforçou as suas reservas internas para cobrir possíveis perdas, atingindo um rácio de cobertura de 21,03%, numa tentativa de reduzir o impacto desses incumprimentos.

O Millennium BIM apresentou um desempenho mais positivo, ao reduzir o seu nível de incumprimento para 2,37%, abaixo dos 2,69% registados anteriormente. Este banco também aumentou a sua capacidade de cobertura para 86,57%, o que indica uma posição mais segura para lidar com eventuais atrasos.

No caso do Moza Banco, a situação continua preocupante, embora com sinais de melhoria. O banco reduziu o rácio de incumprimento de 29,21% para 27,58%, o que ainda representa um nível elevado de créditos por recuperar. Já o Access Bank Moçambique manteve a mesma percentagem do período anterior, fixado em 6,96%, ainda acima do limite recomendado pelo regulador.

Entretanto, algumas instituições mostram maior estabilidade. O FNB Moçambique registou 4,66%, o Standard Bank Moçambique apenas 0,64%, o First Capital Bank Moçambique 1,66% e o Absa Bank Moçambique 4,15%, todos dentro dos limites considerados seguros pelo Banco de Moçambique.

No relatório de estabilidade financeira, o BdM alertou que “o rácio de crédito malparado se fixou em 2024 em 9,32% do total, contra 8,23% no ano anterior, continuando acima do limite máximo de 5,0%, convencionalmente aceite”. 

O mesmo relatório acrescenta ainda que o crédito em incumprimento totalizou mais de 30 mil milhões de meticais, o equivalente a cerca de 412 milhões de euros, o que representa um aumento significativo face ao ano anterior.

O aumento destes créditos em atraso está muitas vezes ligado a factores como dificuldades económicas das famílias, redução do rendimento das empresas, aumento do custo de vida e instabilidade de alguns sectores produtivos.

O sector da agricultura vai aplicar 200 milhões de meticais provenientes das receitas do gás natural na reconstrução dos regadios de Chókwè e Baixo Limpopo, na província de Gaza. A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante a primeira reunião nacional da Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA)  2025-2029, que decorre na província da Zambézia.

Segundo Albino, os fundos destinados à reabilitação dos dois regadios surgem no âmbito do processo de reconstrução pós-cheias e deverão impulsionar a produção de arroz no País. O governante falava ao “O País” à margem do encontro nacional da AQUA, que se iniciou ontem e termina nesta sexta-feira.

O ministro explicou que a recuperação das infra-estruturas agrícolas afectadas pelas cheias é considerada estratégica para o aumento da capacidade produtiva, sobretudo nas zonas de maior potencial agrícola da região Sul do País.

Entretanto, sobre os cerca de 95 por cento dos valores necessários para a reconstrução pós-cheias nos sectores da agricultura e pescas, Roberto Albino assegurou que o financiamento já está garantido. O dirigente afirmou, sem avançar os montantes, que os recursos estão a ser canalizados para o processo de aquisição de insumos agrícolas, contando com o apoio de parceiros internacionais.

“A nossa grande preocupação era repor insumos para os produtores. Fizemos o levantamento daqueles que sofreram os danos e, com base nisso, fizemos o plano de recuperação. Felizmente, conseguimos os recursos e já estamos a distribuir os insumos nas regiões afectadas”, disse o ministro, avançado um pequeno detalhe. Segundo disse, “o mercado nacional  não esteve à altura de poder fornecer todos os insumos de que nós precisamos. Tivemos de fazer a importação e, por exemplo, esta campanha de vacinação que está a ocorrer está a ser feita com recurso de parceiros. Nem Moçambique e muito menos a região tem vacinas suficientes, por isso estamos a trazer da Europa e da Ásia”, afirmou o ministro do pelouro, que diz que na Zambézia grande parte dos insumos já foram distribuídos.

A reunião nacional da AQUA junta diferentes intervenientes do sector agrário e pesqueiro para avaliar desafios e definir estratégias de desenvolvimento para os próximos cinco anos.

O Presidente da República reiterou esta quinta-feira, em Maputo, o compromisso do Governo com o fortalecimento das pequenas e médias empresas (PMEs), defendendo um maior envolvimento do sector privado no desenvolvimento económico e na melhoria do ambiente de negócios no país.

O posicionamento foi assumido durante uma audiência concedida à Associação de Pequenas e Médias Empresas (APME), num encontro dedicado à discussão dos principais desafios enfrentados pelas empresas nacionais, sobretudo as micro, pequenas e médias empresas.

Falando à imprensa no final da audiência, o presidente da APME, Pedro Silva, afirmou que a organização procurou auscultar as orientações do Chefe do Estado sobre mecanismos de apoio ao empresariado nacional.

“Hoje tivemos a honra de ser recebidos por Sua Excelência Presidente da República, Daniel Chapo. Viemos receber os seus aconselhamentos para que possamos melhor defender os interesses de Moçambique e principalmente das nossas PMEs”, declarou.

Segundo Pedro Silva, o Presidente da República demonstrou envolvimento directo na criação de condições favoráveis para o crescimento das pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para a geração de emprego e dinamização da economia nacional.

“As PMEs são um motor de desenvolvimento da economia e Sua Excelência deixou bem frisado que está envolvido em apoiar o crescimento das PMEs”, afirmou.

Durante o encontro, Daniel Chapo terá lançado desafios à associação ligados ao fortalecimento do tecido empresarial, promoção do empreendedorismo e melhoria do ambiente de negócios.

Pedro Silva assegurou que a associação acolheu as recomendações com sentido de responsabilidade e compromisso institucional.

“Abraçamos esses desafios e prometemos, com todo o comprometimento, apoiar no desenvolvimento e na melhoria do ambiente de negócios para as PMEs”, sublinhou.

As pequenas e médias empresas representam uma parcela significativa do sector empresarial moçambicano e desempenham um papel importante na criação de postos de trabalho, inclusão económica e expansão da produção nacional.

Entretanto, o sector continua confrontado com desafios ligados ao acesso ao financiamento, carga fiscal, burocracia administrativa, limitações de infra-estruturas e dificuldades de acesso aos mercados.

O presidente da APME garantiu que a associação continuará empenhada na defesa dos interesses das empresas nacionais, visando contribuir para o crescimento económico sustentável do país.

O encontro decorreu numa altura em que o Executivo procura reforçar o diálogo com o sector privado, considerado estratégico para acelerar o investimento, aumentar a produção nacional e estimular a competitividade da economia moçambicana.

O Governo pretende usar as receitas de gás natural destinadas ao Orçamento do Estado para repor infra-estruturas destruídas pelas últimas cheias e pelos protestos pós-eleitorais. Por causa disso, vai deixar de construir infra-estruturas novas, como escolas e hospitais, previstas para este ano.

Depois de ter definido despesas prioritárias no Orçamento de Estado para 2026, a serem realizadas com base nos 60% das receitas de gás natural conforme prevê a lei, o Governo pretende recuar e dar um novo destino ao valor guardado desde 2022.

Desde aquela altura até aos dias de hoje, foi possível encaixar perto de três mil milhões de meticais, sem incluir os 40% que têm sido canalizados ao Fundo Soberano. O Executivo previa usar o valor no Orçamento do Estado de 2026 para:

“Construção da ponte sobre o Rio Save (Massangena); urbanização e disponibilização de terra infra-estruturada; construção e apetrechamento do Hospital Distrital de Chibuto; construção de postos oficiais e de cobranças; construção e apetrechamento de escolas básicas; e construção da barragem de Locomue”, segundo o Orçamento.

Mas, agora o Governo está a pedir ao Parlamento para desistir desse plano inicial, pelo menos neste ano, para usar o mesmo valor para a reconstrução das infra-estruturas destruídas pelas últimas cheias e pelas manifestações pós-eleitorais. 

“Infelizmente, pretendemos aplicar estes recursos não para novas coisas, não para novos edifícios e não para novas infra-estruturas, mas para infra-estruturas por um lado destruídas pelas cheias e inundações que acompanhamos e outra boa parte para os edifícios e as infra-estruturas destruídas no âmbito das manifestações eleitorais. Estes recursos terão de ser desviados de outras extensões de serviços para outros fins, esclareceu Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo.

Falando a jornalistas após mais uma sessão do Conselho de Ministros, nesta terça-feira, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, explicou porque é que o valor em causa não está a ser utilizado há quatro anos.

“Como ainda não haviam mecanismos da sua utilização, nos últimos dois a três anos passados, era preciso aprovar os instrumentos que permitissem. Enquanto não fossem aprovados, foi sendo reservada alguma soma e agora estamos a falar de três mil milhões de meticais, que vão passar agora para esta revisão do plano”, explicou.

Uma das áreas mais afectadas pelas cheias foi a agricultura. Na semana passada, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, disse que para a reconstrução, o sector já havia conseguido arrecadar 95% do valor necessário.

Para já, resta saber que infra-estruturas serão repostas, onde e quando e se os cerca de três mil milhões de meticais também serão alocados ao sector da Agricultura, que já tinha dito que conseguiu quase toda a verba necessária para a reconstrução.

Reduziu em 40,5% a contribuição dos grandes projectos para a receita do Estado no ano de 2025, revela a Conta Geral do Estado de 2025. O relatório refere ainda que diminuíram os negócios entre os mega projectos e as PME.

Os megaprojectos continuaram a navegar no vermelho no ano passado. Dados da Conta Geral do Estado indicam que, em conjunto, os projectos de grande dimensão tiveram um prejuízo de cerca de 12 mil milhões de meticais em 2025.

“Os Projectos de Grande Dimensão e Concessões Empresariais registaram um prejuízo global de 12.198,64 milhões de meticais contra o prejuízo registado de 35.468,39 milhões de Meticais em 2024”, lê-se.

Os prejuízos de 2025 foram menores que os registados em 2024, mas mesmo assim, serviram para anular os lucros global da Sasol, Areias Pesadas de Moma, Midwest África e Ncondezi de pouco mais de 37 mil milhões de meticais.

Os resultados são influenciados pelos prejuízos dos projectos da Mozal, Vale – Vulcan e Minas do Rovuboè, que obtiveram resultados negativos no valor total de 49.587,48 milhões de Meticais”.

Diante destes resultados, reduziu drasticamente a receita do Estado arrecadada nos projectos de grande dimensão. 

“Os Projectos de Grande Dimensão contribuíram para a receita do Estado em cerca de 11.680,25 milhões de meticais, o que corresponde uma redução em 40,56% face ao ano de 2024 que foi de 19.652,05 milhões de Meticais”.

Quem não escapou são as Pequenas e Médias Empresas que prestam serviços aos megaprojectos. Eram 226 em 2024 e reduziram para 206 em 2025.

De igual modo, registou-se uma diminuição do volume de negócio, em 10.270,41 milhões de Meticais em 2025, contra 31.707,24 milhões de Meticais registados em 2024, representando uma diminuição em 67,61%”.

Refere ainda o documento que, no âmbito das mudanças na companhia Linhas Aéreas de Moçambique, foram despedidas dezenas de trabalhadores em 2025.

“Foi iniciado o redimensionamento da mão-de-obra, através da revisão da orgânica e quadro óptimo, tendo já sido indemnizadas 80 trabalhadores (da LAM), projetando-se que mais colaboradores sejam abrangidos em 2026”.

De sublinhar que, com a alienação de participações do Estado na LAM, um total de 25,2% ficaram com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, 15,4% com a empresa Caminhos de Ferro de Moçambique e 15,4% com a seguradora estatal, Emose.

O valor injetado pelas três empresas na LAM é de cerca de 80 milhões de dólares que estão a ser aplicados na aquisição de aviões, na reestruturação da força-de-trabalho e no pagamento de fornecedores de bens e serviços.

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu hoje manter a taxa de juro de política monetária, conhecida por taxa MIMO, em 9,25%, mas agravou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional, justificando a medida com o aumento das incertezas inflacionárias associadas ao conflito no Médio Oriente.

Em comunicado divulgado no final da reunião ordinária realizada em Maputo, o banco central anunciou o aumento do coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29% para 39%, mantendo em 29,5% o rácio aplicado aos passivos em moeda estrangeira.

Segundo o CPMO, a decisão visa “absorver a liquidez excedentária no sistema bancário”, considerada susceptível de gerar maiores pressões inflacionárias.

O banco central refere que as incertezas ligadas à duração do conflito no Médio Oriente continuam a pesar sobre as perspectivas económicas, sobretudo devido ao impacto na cadeia logística mundial e na evolução dos preços internacionais dos combustíveis e alimentos.

A inflação anual acelerou para 4,4% em Abril, depois de 3,4% em Março, enquanto a inflação subjacente se manteve estável.

Ainda assim, o Banco de Moçambique admite que a inflação poderá atingir níveis de dois dígitos no curto e médio prazo, dependendo da evolução da crise geopolítica e dos seus efeitos sobre os preços internos dos combustíveis e dos produtos alimentares.

“O ajustamento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos, a intermitência no seu fornecimento e a inflação importada” continuam entre os principais factores de pressão sobre os preços, indica o comunicado.

A autoridade monetária alerta igualmente para riscos internos relacionados com os efeitos indirectos do aumento dos combustíveis sobre os custos de transporte e distribuição de bens, bem como para os impactos das inundações registadas no primeiro trimestre deste ano sobre a recuperação da capacidade produtiva nacional.

O CPMO voltou ainda a manifestar preocupação com o agravamento do risco fiscal e os atrasos nos pagamentos do Estado, que considera terem impacto no funcionamento do mercado financeiro.

De acordo com o Banco de Moçambique, a dívida pública interna, excluindo contratos de mútuo e locação financeira e responsabilidades em mora, atingiu 493,1 mil milhões de meticais, representando um aumento de 18,5 mil milhões face a Dezembro de 2025.

A instituição refere também que persistem atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa, incluindo junto de instituições financeiras nacionais e credores multilaterais, situação que afecta a confiança no mercado de títulos públicos e contribui para a rigidez das taxas de juro no mercado interbancário.

O Banco de Moçambique adiantou que a condução da política monetária continuará dependente da evolução dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação.

A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária está agendada para 29 de Julho.

Esselina Macome assumiu, recentemente, a presidência da Associação Moçambicana dos Bancos e foram empossados órgãos sociais da instituição para o triénio 2026-2028.

Na presidência da Associação Moçambicana dos Bancos, Esselina Macome será coadjuvado por Luís Aguiar, vice-presidente da associação, em representação do Banco Comercial de Investimentos (BCI). 

A Direcção da AMB é composta por seis bancos.

Na sua intervenção, Esselina Macome comprometeu-se a dar continuidade ao trabalho realizado pela direcção cessante com vista a “responder aos desafios que o País enfrenta, desde a necessidade de alargar o acesso a serviços financeiros, o apoio ao crescimento das Pequenas e Médias Empresas (PME) até à aceleração da transformação digital do sector bancário”.

Por seu turno, Luís Aguiar é administrador executivo no BCI, com uma experiência bancária de mais de 35 anos, dos quais 10 anos em Moçambique.

Com uma sólida experiência no sector financeiro, Macome é professora associada na Universidade Eduardo Mondlane e directora executiva da Financial Sector Deepening Moçambique (FSDMoç).

Decorre em Julho próximo a XXI Conferência Anual do Sector Privado, evento que vai reunir empresários e o Governo para debater a situação económica do país. Durante o lançamento da iniciativa, realizado esta sexta-feira, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique afirmou que pretende usar o mecanismo para discutir soluções visando a melhoria do ambiente económico nacional.

Marcada para os dias 15 e 16 de Julho, a XXI Conferência Anual do Sector Privado pretende discutir e encontrar soluções para os principais problemas que afectam o tecido empresarial e o ambiente de negócios no país.

São esperados mais de dois mil participantes presenciais e cerca de cinco mil online, para debates e oportunidades de negócios avaliadas em aproximadamente 1,9 mil milhões de meticais.

O evento constitui a principal plataforma de diálogo entre o sector privado, o Governo e parceiros de cooperação, razão pela qual os empresários pretendem apresentar o seu potencial de investimento.

Representado pelo Ministério da Economia, o Governo manifestou abertura para cooperar em reformas que contribuam para um melhor ambiente de negócios e maior confiança dos investidores.

Cerca de 40 oradores deverão participar no evento, numa plataforma de diálogo empresarial onde os parceiros defendem a transformação das discussões em acções concretas.

O Presidente da República é o convidado de honra da CASP 2026, um evento que deverá contar igualmente com representantes de países parceiros económicos.

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