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O País – A verdade como notícia

Uma delegação do Fundo Monetário Internacional está em Maputo para avaliar as condições para um novo programa de financiamento a Moçambique. A visita prevê encontros com o Governo, Banco de Moçambique, sector privado e instituições financeiras.

O Ministério das Finanças emitiu este comunicado de imprensa, no qual consta a informação da visita de 10 dias, da delegação do Fundo Monetário Internacional, chefiada por Pablo Murphy. A missão da Bretton Woods incide sobre discussões técnicas para a negociação de um potencial programa, ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada.

A pedido do Governo, o FMI vem avaliar o cumprimento das recomendações deixadas, em Junho passado, para um novo financiamento.

“A presente visita insere-se no quadro do relacionamento de cooperação de longa data entre o Estado moçambicano e aquela instituição financeira internacional, e tem como objectivo central proceder a uma revisão aprofundada do desempenho macroeconómico recente, do estado de implementação das reformas em curso, bem como das perspectivas futuras de cooperação técnica e financeira”.

Durante a visita, a delegação do Fundo Monetário Internacional poderá reunir-se com o Governo, através dos diferentes ministérios, Banco de Moçambique, sector privado e instituições financeiras.

A vinda do FMI a Maputo ocorre seis meses depois de Moçambique liquidar antecipada e integralmente as dívidas contraídas, até 2031, no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e Crescimento, no montante de cerca de 700 milhões de dólares.

O país está a registar uma queda nas reservas internacionais. Segundo o Resumo mensal de informação estatística do Banco Central, em julho, o stock fixou-se em 3,44 mil milhões de dólares, suficientes para cobrir menos de três meses de importações, O relatório revela ainda a pressão sobre o investimento e o comércio externo.

O país terminou o mês de Julho com reservas internacionais líquidas de cerca de 3,44 mil milhões de dólares, mês em que o país gastou mais divisas do que conseguiu captar. O valor representa uma ligeira redução face aos 3,46 mil milhões registados em Junho.

Segundo o mesmo documento resumo mensal de informação estatística disponibilizado pelo Banco Central, em Julho, entraram no país cerca de 213 milhões de dólares, mas as saídas atingiram 261,7 milhões. O movimento resultou num fluxo líquido negativo de aproximadamente 27 milhões de dólares.

Com o actual nível de reservas, Moçambique consegue cobrir 2,8 meses de importações de bens e serviços, ou 4,3 meses quando excluídas as importações dos grandes projectos. No financiamento à economia, o crédito bancário atingiu 291,7 mil milhões de meticais.

Os particulares absorveram cerca de 106,2 mil milhões, enquanto as empresas privadas receberam 104,5 mil milhões de meticais. O comércio foi o sector que mais beneficiou do financiamento, com 25,7 mil milhões de meticais, seguido dos transportes e comunicações, com 24,2 mil milhões, e da indústria transformadora, com 22,2 mil milhões.

A agricultura recebeu apenas 4,6 mil milhões de meticais. E financiar-se continua caro. A taxa média de juro dos empréstimos a um ano situou-se em 21,27%, enquanto os depósitos com a mesma maturidade renderam, em média, 3,81%.

A Prime Rate manteve-se nos 15,50% em Julho. No comércio externo, o desequilíbrio também permanece. No segundo trimestre, Moçambique exportou bens no valor de 1,89 mil milhões de dólares, mas importou cerca de 2,21 mil milhões. O resultado foi um défice comercial de aproximadamente 320 milhões de dólares.

O gás, carvão e areias pesadas continuam a dominar as exportações nacionais. Outro indicador que recuou foi o investimento directo estrangeiro. Depois de atingir 1,33 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, o investimento caiu para cerca de 590 milhões no segundo trimestre.

Apesar da pressão sobre as reservas e do défice comercial, os preços registaram uma ligeira redução mensal. Em Julho, a inflação caiu 0,26%. Ainda assim, a inflação acumulada desde o início do ano atingiu 5,12%, enquanto a inflação homóloga ficou em 7,48%, ligeiramente abaixo dos 7,51% de Junho.

Se a agricultura foi o mais penalizado, o sector extractivo recebeu a maior fatia, com 368,7 milhões de dólares, seguido da indústria transformadora, com 151 milhões.

A Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (ANDITUR) e a Urbanova Soluções de Urbanização estabeleceram, recentemente, durante a Feira Internacional de Maputo (FACIM), uma parceria estratégica destinada a identificar, planear, ordenar, estruturar, valorizar e promover áreas com potencial para o desenvolvimento de investimentos turísticos, imobiliários e económicos em Moçambique.

O Memorando de Entendimento assinado pelo Presidente do Conselho de Administração da ANDITUR, Hélder Jauana, e pelo administrador da Urbanova, Chakyl Camal, pretende transformar áreas actualmente identificadas pelo seu potencial turístico e económico em territórios estruturados e oportunidades concretas de investimento, preparadas para serem apresentadas a investidores nacionais e estrangeiros, fundos de investimento, instituições financeiras, operadores turísticos e outros parceiros estratégicos.

Trata-se de uma cooperação que abrangerá uma cadeia que vai desde a identificação e caracterização das áreas de interesse turístico até à preparação de projectos e à sua promoção junto do mercado de investimento. Entre as áreas previstas estão a realização de inventários e avaliações do potencial turístico, económico e imobiliário dos territórios, a definição de vocações e usos do solo, a elaboração e estruturação de instrumentos de planeamento territorial e urbanístico, bem como a preparação de ‘masterplans’, planos de urbanização, planos de pormenor, planos de desenvolvimento turístico e outros instrumentos aplicáveis.

A parceria prevê igualmente a estruturação e valorização de Zonas de Interesse Turístico e de outras áreas com vocação para o desenvolvimento económico, incluindo a definição de modelos territoriais, urbanísticos, económicos e funcionais, a identificação de projectos-âncora, áreas prioritárias de desenvolvimento, necessidades de infra-estruturas e equipamentos e a criação de uma carteira organizada de oportunidades de investimento.

No domínio dos projectos, a cooperação poderá abranger resorts, hotéis, lodges, condomínios turísticos, empreendimentos residenciais, centros de convenções, marinas, equipamentos de lazer, comércio, serviços, projectos de segunda habitação e outros empreendimentos de uso misto integrados na cadeia de valor do turismo. O acordo contempla ainda a estruturação de projectos imobiliários associados às áreas turísticas, incluindo conceitos urbanísticos e arquitectónicos, programas funcionais, modelos de ocupação, fases de desenvolvimento, estimativas de investimento e potenciais modelos de exploração.

De acordo com Hélder Jauna, Moçambique tem áreas com condições excepcionais para o turismo que continuam por estruturar. “Esta parceria permite apresentá-las ao mercado com planeamento, desenho e sustentação económica”, afirmou.

Já Chakyl Camal entende que um investidor decide sobre um plano e um modelo de ocupação, neste sentido, “a nossa função é levar as áreas identificadas pela ANDITUR até esse nível de preparação”.

Uma componente considerada central neste memorando é a preparação económico-financeira dos projectos. As partes poderão trabalhar na realização de estudos de mercado e de viabilidade, projecções de receitas e custos, modelos de negócio, estruturas de financiamento, análise do retorno do investimento e identificação de mecanismos de mobilização de capital, criando condições para que os projectos possam avançar de uma ideia ou área com potencial para uma oportunidade de investimento devidamente estruturada.

Importa frisar que este acordo cria também a possibilidade de constituição de uma carteira de projectos turísticos, imobiliários e de desenvolvimento territorial, organizada de acordo com o nível de maturidade, potencial de investimento e grau de preparação de cada oportunidade. A intenção, neste sentido, é permitir que os projectos sejam apresentados ao mercado de forma estruturada, facilitando a aproximação entre oportunidades existentes no território e potenciais fontes de capital.

A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.

O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar. 

O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.

Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos. 

O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.

A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária. 

Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país. 

Primeira-ministra diz que contratos firmados na FACIM devem dar lugar a fábricas, unidades de processamento e novos postos de trabalho. A primeira-ministra, Benvinda Levi, desafiou o sector privado e as instituições responsáveis pela promoção do investimento a transformarem os compromissos assumidos durante a 51.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) em investimentos concretos, capazes de impulsionar a industrialização, criar emprego e aumentar o rendimento das famílias moçambicanas.

Falando no encerramento da FACIM 2026, que decorreu durante sete dias sob o lema “Transformação Digital e Energética rumo a uma economia sustentável e industrializada”, Benvinda Levi considerou que a feira voltou a afirmar-se como um importante ponto de encontro entre empresas, investidores, instituições públicas e parceiros de desenvolvimento.

Para a governante, a edição deste ano permitiu aproximar empresas nacionais e estrangeiras, produtores e potenciais compradores, bem como investidores e fornecedores de tecnologias e soluções, colocando em evidência a diversidade económica e produtiva de Moçambique.

“A feira termina, mas os negócios não podem terminar com o encerramento dos pavilhões”, advertiu Benvinda Levi, defendendo que os compromissos e manifestações de interesse registados durante o certame devem ser acompanhados até à sua concretização.

Segundo a primeira-ministra, os contratos resultantes da FACIM devem transformar-se em investimentos e estes, por sua vez, em fábricas, unidades de processamento, explorações agrícolas, empresas de serviços, projectos tecnológicos e infra-estruturas.

Benvinda Levi apontou a industrialização e a agregação de valor às matérias-primas como prioridades para uma transformação estrutural da economia moçambicana. Defendeu, neste sentido, que o país deve reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem transformação e apostar na criação de cadeias de valor nacionais e regionais.

A governante destacou igualmente o papel do agronegócio na economia e na segurança alimentar, defendendo maior aproximação entre produtores, unidades de processamento e mercados. Considerou ainda necessária a adopção de tecnologias agrícolas mais eficientes e resilientes às mudanças climáticas, com vista ao aumento da produtividade e dos rendimentos no campo.

 

PM DESTACA PAPEL DAS PEQUENAS EMPRESAS

 

Na sua intervenção, Benvinda Levi atribuiu particular destaque à participação das micro, pequenas e médias empresas na FACIM, considerando-as como a maioria do empresariado nacional e actores fundamentais para o desenvolvimento económico.

Para a primeira-ministra, o principal desafio de Moçambique não reside apenas na capacidade produtiva, mas na necessidade de aumentar a escala de produção, melhorar a produtividade, garantir regularidade no abastecimento dos mercados, reduzir custos e facilitar o acesso aos mercados nacionais e internacionais.

Defendeu ainda uma maior integração dos pequenos produtores nas cadeias de valor, como forma de aumentar a produção, gerar emprego e rendimento e criar bases sólidas para a independência económica do país.

Benvinda Levi apelou à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), à Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), ao Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), às instituições financeiras e a outras entidades ligadas à promoção do investimento para que acompanhem os acordos firmados durante a feira.

A primeira-ministra pediu igualmente a remoção de obstáculos e a simplificação dos processos, para que os investimentos possam avançar com maior rapidez.

No plano governamental, garantiu que o Executivo continuará a apostar na melhoria do ambiente de negócios, através da digitalização da economia, simplificação de procedimentos, redução da burocracia, inclusão financeira e expansão da conectividade.

Benvinda Levi considerou que estas medidas poderão reforçar a capacidade das empresas moçambicanas de competir nos mercados nacional, regional e internacional.

No encerramento, a primeira-ministra felicitou os expositores pela participação e diversidade de produtos apresentados, destacando a FACIM como uma “montra de Moçambique para o mundo”.

A governante encorajou os participantes a levarem da feira não apenas os contactos estabelecidos, mas também uma imagem renovada de Moçambique, enquanto país com desafios, mas igualmente com empresas, produtos, talentos, recursos e oportunidades de investimento.

Benvinda Levi declarou oficialmente encerrada a FACIM 2026, deixando como principal desafio a passagem dos compromissos assumidos no recinto da feira para a concretização de investimentos com impacto na economia nacional.

O Porto de Maputo prevê ultrapassar a marca de 17 milhões de toneladas de carga movimentada este ano, impulsionado pelo reforço da capacidade operacional com a entrada em funcionamento de dois novos guindastes móveis.

O anúncio foi feito pelo presidente executivo da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), Osório Lucas, durante a cerimónia de apresentação dos novos equipamentos, adquiridos mediante um investimento de 13,2 milhões de dólares, equivalentes a cerca de 11,3 milhões de euros.

Os dois guindastes, da marca Liebherr, elevam para oito o número de equipamentos móveis da mesma série disponíveis no Porto de Maputo. Segundo Osório Lucas, cada equipamento tem capacidade para movimentar entre 360 e 400 toneladas de carga por hora.

Os novos guindastes vão substituir gradualmente equipamentos que se encontram em operação há cerca de 11 anos, numa estratégia destinada a aumentar a produtividade, reduzir interrupções e melhorar o atendimento aos navios.

O responsável destacou o crescimento registado pelo porto nos últimos anos, que passou de volumes inferiores a 15 milhões de toneladas em operações directas para mais de 15 milhões actualmente.

“Eu acho que vamos fazer mais de 17 milhões este ano”, afirmou Osório Lucas, citado pela Lusa.

O presidente executivo da MPDC salientou, contudo, que o aumento da capacidade depende não apenas da modernização dos equipamentos, mas também da preparação das equipas responsáveis pela operação, manutenção e segurança.

Neste contexto, defendeu a continuidade da formação dos trabalhadores, sublinhando que o aumento da produtividade não deve colocar em causa a segurança.

“Um resultado atingido à custa da segurança e da vida das pessoas não é um bom resultado”, advertiu.

Na mesma ocasião, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, considerou que a entrada em funcionamento dos novos guindastes representa um reforço da capacidade operacional e da competitividade do Porto de Maputo perante outros portos e corredores logísticos da região.

Para o governante, os equipamentos permitirão acelerar o atendimento aos navios, aumentar a fiabilidade dos serviços prestados aos clientes e melhorar a capacidade do porto para disputar cargas no mercado regional.

Matlombe defendeu, no entanto, que o crescimento da actividade portuária deve ser acompanhado por investimentos nos restantes segmentos da cadeia logística.

O ministro apontou a necessidade de reforçar as infra-estruturas ferroviárias, rodoviárias e fronteiriças, de modo a evitar que limitações fora do porto comprometam o escoamento de mercadorias.

O reforço da capacidade do Porto de Maputo surge, assim, num contexto de crescimento da actividade logística e de procura por maior eficiência na ligação entre Moçambique e os mercados da região.

A nova vice-governadora do Banco de Moçambique, Benedita Guimino, quer apostar na inovação tecnológica, na digitalização dos serviços financeiros e no reforço da inclusão financeira como algumas das principais linhas da sua actuação à frente do banco central.

Falando após a sua tomada de posse, Guimino disse que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo do seu percurso no Banco de Moçambique, mantendo como prioridades a estabilidade de preços e a estabilidade do sistema financeiro, através do reforço da supervisão das instituições de crédito e sociedades financeiras.

Entre as ideias apresentadas pela nova vice-governadora está o recurso à inteligência artificial na formulação da política monetária, bem como na digitalização e automatização dos processos internos do Banco de Moçambique.

Para Guimino, a transformação digital deve igualmente alcançar os serviços financeiros, de modo a aproximar produtores, transportadores, comerciantes e consumidores e facilitar o acesso ao sistema financeiro por parte das micro, pequenas e médias empresas.

A nova responsável do banco central defendeu ainda maior apoio às mulheres e aos jovens que desenvolvem iniciativas de empreendedorismo, considerando que a expansão dos serviços financeiros digitais poderá contribuir para dinamizar estes segmentos da economia.

 

INTEROPERABILIDADE E INCLUSÃO FINANCEIRA

Benedita Guimino destacou a aprovação da nova Lei do Sistema Nacional de Pagamentos, que considera um instrumento moderno para promover a inclusão financeira, sem descurar a protecção do consumidor e a estabilidade do sistema financeiro.

A vice-governadora defendeu o aprofundamento da interoperabilidade entre instituições de moeda electrónica, bancos comerciais e outros provedores de serviços financeiros. Neste âmbito, apontou a introdução do QR Code como mais um instrumento para facilitar as transacções.

Guimino defendeu igualmente a dinamização da sandbox regulatória do Banco de Moçambique, criando condições para que as empresas de tecnologia financeira (fintechs) possam testar e implementar soluções inovadoras com maior rapidez e, posteriormente, integrar-se na rede nacional de pagamentos.

Segundo a responsável, estas ferramentas devem permitir que cidadãos, incluindo produtores, jovens e mulheres empreendedoras, possam realizar transações de forma simples, rápida e com custos reduzidos, mesmo sem recurso a um smartphone em determinadas soluções.

METICAL COMO MOEDA DE REFERÊNCIA REGIONAL

Outra aposta apresentada por Benedita Guimino está relacionada com o reforço do papel do Metical nas transações regionais.

A vice-governadora revelou que estão em curso trabalhos para permitir que a moeda moçambicana seja utilizada na liquidação de transações na região, à semelhança do que acontece com o Rand sul-africano.

Para Guimino, esta medida poderá reduzir a dependência de moedas estrangeiras nas transações regionais, melhorar a gestão das divisas e reforçar a soberania monetária de Moçambique. O desenvolvimento dos sistemas de pagamentos em tempo real, incluindo o RTGS, deverá contribuir para criar condições para uma maior utilização do Metical nas operações regionais.

 

NOVAS FORMAS DE FINANCIAMENTO

No domínio do financiamento da economia, a nova vice-governadora considera necessário ir além do tradicional crédito bancário, defendendo o desenvolvimento das chamadas finanças corporativas como uma alternativa para aproximar investidores de projectos que necessitam de capital.

Guimino apontou ainda para a criação de condições para o desenvolvimento das finanças participativas, através de instrumentos com características diferentes das formas tradicionais de financiamento. Entre os exemplos mencionados está a banca islâmica, que assenta em modelos de financiamento que não recorrem ao pagamento de juros. A vice-governadora considera que a diversificação dos mecanismos de financiamento poderá abrir novas oportunidades para empresas e investidores e contribuir para o crescimento da economia.

 

REFORÇO DO COMBATE AO BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS

 

Questionada sobre o combate ao branqueamento de capitais, Benedita Guimino garantiu que o Banco de Moçambique continuará a reforçar a supervisão das instituições de crédito e sociedades financeiras. A responsável reconheceu que já existem legislação e normas específicas nesta área, mas defendeu a necessidade de intensificar a coordenação entre o Banco de Moçambique, o GIFiM e os bancos comerciais.

A capacitação dos quadros e o reforço da articulação entre as instituições são, segundo Guimino, fundamentais para melhorar a prevenção e o combate ao branqueamento de capitais.

 

“CAPITALIZAR O QUE JÁ FOI FEITO”

Benedita Guimino assume as novas funções defendendo uma estratégia de continuidade, mas também de modernização.

“Capitalizar o que já foi feito, melhorar e olharmos para a frente”, resumiu a nova vice-governadora, que assegurou contar com os quadros do Banco de Moçambique para concretizar as mudanças que pretende introduzir.

Entre as prioridades apresentadas destacam-se a estabilidade de preços, estabilidade financeira, inteligência artificial, digitalização, inclusão financeira, interoperabilidade dos pagamentos, reforço do papel do Metical nas transacções regionais e diversificação das fontes de financiamento da economia.

 

A Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) já desembolsou cerca de 25 milhões de meticais em indemnizações, cobrindo cerca de nove mil produtores nas duas últimas campanhas agrícolas. O balanço foi apresentado pelo administrador técnico-operacional da seguradora, Santos Magaia.

O responsável destaca a estratégia da empresa para mitigar o impacto dos eventos climáticos extremos no sector produtivo nacional.

Embora reconheça que o nível de adesão e de consolidação do seguro agrícola no país ainda se encontra numa fase incipiente, muito impulsionado pela complexidade técnica da avaliação de risco e estudos agrícolas prévios, a seguradora pública mantém uma visão optimista quanto à expansão deste ramo.

Para responder às especificidades do mercado, a Emose disponibiliza o produto em duas modalidades: o índice climático, que cobre riscos associados a anomalias meteorológicas (secas e precipitações extremas); e o índice de rendimento, que protege o produtor contra perdas directas na produtividade da colheita decorrentes de pragas ou doenças.

Segundo o administrador da empresa, este canal viabiliza a operacionalização do micro-seguro, tornando-o financeiramente acessível ao pequeno produtor.

Magaia destaca os apoios que estão a ser prestados no Norte do país. Na campanha 2024/2025, dos cerca de 7 mil agricultores segurados entre as províncias de Nampula e Zambézia, os produtores do distrito de Muecate (Nampula) registaram perdas significativas na cultura do amendoim e encontram-se a receber as respetivas indemnizações.

“A mensagem que queremos levar aos produtores é que, estando agregados, podem ter solução para os problemas climáticos e sanitários que enfrentam no campo”, disse o administrador Técnico-Operacional da Emose.

Ao marcar presença na Feira Internacional de Maputo (FACIM), a seguradora aproveita a grande concentração de decisores e investidores para reforçar a sua posição no mercado como entidade estratégica do agronegócio e da resiliência climática em Moçambique.

Há várias indústrias no país que estão a beneficiar-se do gás natural, defende o representante representante da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Titos Nhabomba, que falava no Fórum MozIndus, na FACIM 2026.

Debruçando-se sobre o tema “Processamento Local de Minerais e Hidrocarbonetos – Oportunidades na cadeia de gás em Moçambique”, Nhabomba destacou indústrias alimentares, de cerâmica, de bebidas e outras.

O responsável falou ainda do uso do gás natural para a mobilidade urbana, na medida em que o produto é usado como combustível. Neste momento, há em Moçambique cerca de quatro mil viaturas a utilizar gás natural.

Nos dias de hoje, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos diz que um dos seus focos é criar condições para que mais famílias possam usar gás natural em Moçambique, à semelhança do que acontece em Inhambane e Maputo.

“É preciso destacarmos que os distritos do norte da província de Inhambane, particularmente Vilanculos, Inhassoro e Govuro, perro de quatro mil famílias não sabem o que é comprar lenha, carvão ou outra fonte de energia, porque elas já beneficiam do gás natural canalizado às suas residências”, referiu Nhabomba.

Já na província de Maputo, o representante da ENH diz que iniciativas similares estão a ser implementadas. Espera-se que no ano de 2026, segundo a fonte, que mais mil famílias passem a beneficiar-se do gás natural canalizado na província.

O gás usado nessas duas províncias é proveniente de Pande e Temane, na província de Inhambane. Para além da produção de gás natural naquela região, há um novo projecto que produz gás de cozinha, vendido no país em botijas.

“Há um projecto que acabou de iniciar que produz gás de cozinha, ou seja, podemos provavelmente, sem saber, alguns de nós nas nossas residências, estarmos a usar botijas cujo gás é produzido em Pande e Temane”, assegurou.

O referido projecto, segundo o representante da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, produz 30 mil toneladas de gás de cozinha anualmente, o que corresponde a 55% a 60% da quantidade que anteriormente o país importava.

Outro produto que sai de Pande e Temane é o gás condensado. “Está a ser produzido o gás condensado na mesma região que já é usado para vários fins no território nacional. Há uma pequena refinaria na Matola a aproveitar o condensado para produzir diesel para actividades de navegação”, revelou.

Há, na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, grandes projectos a surgir que para o território nacional vão proporcionar 900 milhões de pés cúbicos por dia, assegurou o representante da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

“Esta é a quantidade de gás que é designada gás doméstico, aquele que nos termos da lei dos petróleos é o gás que deve ser usado para industrializar Moçambique, ou seja, caros empresários, a oportunidade de industrializar Moçambique através do gás natural é uma realidade”, fez saber o responsável.

Nhabomba diz haver projectos concretos na Bacia do Rovuma e o Governo de Moçambique, em colaboração com as concessionárias, fizeram questão de reservar uma quantidade significativa para promover a industrialização.

“Há desafios: as infra-estruturas necessárias para tirar o gás natural da Bacia do Rovuma para o território nacional. Por isso, a ENH assegurou a concessão junto do Conselho de Ministros para implantar uma terminal de recepção do gás natural liquefeito algures entre Beira e norte de Inhambane”, disse Nhabomba.

Por sua vez, Hassane Dassat, representante da Sasol Moçambique, falou no evento da subcontratação industrial no conteúdo local-substituição de importações por produção nacional com enfoque nas Micro, Pequenas e Médias Empresas, nos sectores como energia, mineração e infra-estruturas.

Referiu que a companhia tem 78% dos seus gastos com empresas moçambicanas, e quando a Sasol desligou a sua planta por alguns dias, foram as empresas nacionais responsáveis pela manutenção dos equipamentos.

“Na construção do PSA, nós temos cerca de 84% dos contratos adjudicados a moçambicanos. A construção já terminou, e estamos a entrar para uma fase de operações e estamos a estabelecer um plano de conteúdo local específico para a fase das operações”, fez saber o representante da Sasol Moçambique. 

Os números são alcançados pela empresa, segundo explica Dassat, porque a Sasol investe em empresas moçambicanas. Tem iniciativas de desenvolvimento empresarial focadas nas empresas, através de programas de formação.

“Temos um programa de certificação. Resolvemos aquele que é um dos problemas de muitos moçambicanos, o acesso ao financiamento. Ouvimos aqui o BCI a mencionar uma linha de financiamento que tem connosco. Já apoiamos cerca de 70 empresas na província de Inhambane”, sublinhou Hassane Dassat.

O 6º Fórum Mozindus, na 61ª edição da FACIM 2026, foi realizado na sala de seminários de Ricatla. O evento fez um diagnóstico do sector industrial, através de debates sobre financiamento, incentivos, logística e capital humano.

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