O País – A verdade como notícia

Rudêncio Morais é o jovem confiado pelo Governo para gerir os negócios de petróleo e gás nos quais o Estado está envolvido. Trata-se do novo presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

Foi nomeado há cerca de uma semana pelo Conselho de Ministros e tem a missão de transformar as reservas de hidrocarbonetos em riqueza para o País. Um dos seus focos deverá ser a Bacia do Rovuma, onde há projectos bilionários.

De princípio, sua tarefa é bastante complexa. Deve garantir que Moçambique tire maior proveito das reservas de gás que possui, principalmente na Bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, actualmente assombrada pelo terrorismo.

Por conhecer a casa, onde ingressou no ano de 2014 como geólogo de pesquisa, o homem que se segue na gestão da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) tem uma vantagem. Resta agora colocar em prática os seus pensamentos.

Tem formação em Geologia pela Universidade Eduardo Mondlane (licenciatura) e em Engenharia Geológica e de Minas pela Universidade de Coimbra, em Portugal (mestrado), segundo informações partilhadas pela empresa.

Embora ainda jovem, Morais carrega consigo uma larga experiência, tendo já exercido, entre vários cargos, o de presidente do Conselho de Administração da Companhia Moçambicana de Gasoduto (CMG), uma das filiais da ENH.

É através da CMG que a ENH participa na Companhia de Gasoduto da República de Moçambique. De 2020 a 2024, foi administrador de pesquisa e produção na ENH, onde foi também assessor de engenharia e desenvolvimento de projectos.

No seu currículo consta ainda que é escritor, membro da Associação Geológica Mineira de Moçambique, onde foi vice-presidente entre os anos de 2019 e 2022. Desde 2016, é consultor credenciado pelo Ministério dos Recursos Minerais.

Em 2025, Rudêncio Morais lançou o livro “Pesquisa de Hidrocarbonetos em Moçambique”, que faz uma análise crítica sobre a exploração de hidrocarbonetos no País e as suas implicações económicas, sociais, ambientais e políticas.

Foi ainda docente de geoestatística e avaliação de recursos minerais e petrolíferos. Com esta bagagem, o novo timoneiro da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos assume o compromisso de dar o melhor de si para o País.

Desde já, promete dinamizar a utilização do gás natural em vários sectores de actividade, um desafio antigo. Actualmente, o gás extraído em Moçambique é usado por uma minoria da população e empresas, nas províncias de Maputo e Inhambane.

“Sobre o gás veicular, continuaremos a criar condições para que mais viaturas possam consumir este produto que Moçambique produz”, prometeu numa das suas primeiras intervenções após a sua nomeação para o novo cargo.

Morais compromete-se ainda em promover a utilização do gás natural como matéria-prima para produzir fertilizantes, um dos principais insumos para o sector da agricultura que ocupa grande parte da população moçambicana.

Entre os fertilizantes que poderão ser produzidos estão a ureia e o amónio. Espera-se ainda produzir o metanol. Depois de conferir posse ao novo PCA da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, a primeira-ministra exigiu trabalho.

Neste contexto, Benvinda Levi desafiou Morais a dinamizar os grandes projectos da Bacia do Rovuma e as iniciativas de monetização do gás no País, de modo a maximizar os benefícios para o desenvolvimento socioeconómico.

Benvinda Levi quer ainda, com a nomeação, que o gás natural seja utilizado como matéria-prima estratégica para a produção de combustíveis e produtos petroquímicos, para impulsionar os sectores agrícola e industrial do País.

Morais substitui Ludovina Bernardo, que ocupou o cargo por cerca de dois anos, desde Agosto do ano de 2024. Assume a função num contexto em que o gás de Pande e Temane está prestes a acabar, ou seja, poderá acabar no ano de 2028.

Como alternativa ao gás prestes a terminar, a Sasol, operadora do projecto de gás de Pande e Temane, poderá recorrer ao gás da Bacia do Rovuma, no projecto Coral Norte, liderado pela empresa italiana Eni.

No ano em que o referido gás vai acabar, espera-se que arranque o projecto de gás do consórcio liderado pela norte-americana ExxonMobil, para se juntar ao operado pela empresa italiana Eni, que exporta gás natural desde o ano de 2022.

Outro projecto estruturante é o da TotalEnergies, cuja Decisão Final de Investimento já foi tomada, e espera-se que se invistam cerca de 20 biliões de dólares, dos quais, USD 4,5 mil milhões serão gastos em bens e serviços no País.

A Autoridade Tributária da África do Sul (SARS) vai passar a exigir declaração de importação temporária de veículos estrangeiros, incluindo dos países da SADC, na entrada do país. A medida vai ser implementada a partir do próximo mês, para controlar as milhares de viaturas estrangeiras que entram no país para a importação e exportação de diversos produtos.

A nova exigência para veículos matriculados fora do território sul-africano visa reforçar a conformidade documental, movimentação de viaturas estrangeiras no país, mecanismos de controlo e fiscalização nas fronteiras.

A ser introduzida a partir de 1 de Junho de 2026, a decisão vai abranger igualmente viaturas provenientes de países membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Estados vizinhos que mantêm circulação frequente de pessoas e bens como Moçambique.

De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, os proprietários de veículos estrangeiros passarão a obter uma Declaração de Importação Temporária na entrada no país.

O procedimento deverá ser efectuado antecipadamente por meios digitais disponibilizados pela autoridade tributária sul-africana, incluindo plataformas electrónicas e ferramentas de acesso disponíveis nas fronteiras. Após a conclusão do processo, os condutores deverão apresentar uma confirmação electrónica às autoridades responsáveis pela fiscalização.

Entre os documentos exigidos para obter a declaração constam: identificação pessoal, registo do veículo, carta de condução, comprovativo de deslocação e autorização formal nos casos em que o veículo seja conduzido por uma pessoa diferente do proprietário. Segundo a informação divulgada, a medida visa garantir maior controlo das entradas no país.

As autoridades alertam que o incumprimento da nova exigência poderá trazer consequências para os automobilistas. Entre as medidas previstas constam multas elevadas, retenção das viaturas, atrasos nos postos de travessia e sanções adicionais em situações consideradas mais graves.

Refira-se que a vizinha África do Sul tem recebido um fluxo significativo de viaturas com matrículas moçambicanas para a importação e exportação de produtos diversos.

A medida alinha a África do Sul às práticas alfandegárias internacionais estabelecidas e faz parte do programa contínuo para modernizar as operações alfandegárias nos portos de entrada, fortalecer a conformidade e proteger a integridade dos portos de entrada do país.

Embora a SARS espere que os viajantes declarem os seus veículos com matrícula estrangeira no Sistema de Gestão de Viajantes (TMS) antes de chegarem à fronteira para aproveitar o processamento simplificado e agilizado oferecido, o sistema vai continuar a apoiar os viajantes que não conseguirem concluir a declaração online e vai designar funcionários específicos nos pontos de entrada para orientá-los durante o processo.

O Governo pretende reforçar a produção de mel no País, através da mobilização de cerca de 10 milhões de dólares norte-americanos destinados ao desenvolvimento da actividade apícola. A iniciativa surge como parte da estratégia para impulsionar a produção interna, aumentar a capacidade de transformação do produto e diminuir a dependência do mercado externo.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira, em Maputo, durante as celebrações do Dia Mundial da Abelha, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino.

Segundo o ministro do pelouro, serão “cerca de 10 milhões de dólares que queremos dedicar especialmente para a apicultura”. Para tal, decorrem ainda entendimentos com o Banco Mundial para a operacionalização dos fundos que deverão apoiar diferentes áreas ligadas à cadeia produtiva da apicultura.

Parte do financiamento será direccionada às comunidades envolvidas na produção, através de mecanismos de apoio que incluem aquisição de colmeias, equipamento de segurança e acções de capacitação técnica.

O objectivo é criar melhores condições para aumentar a produtividade e incentivar a participação das comunidades locais na actividade. “Esta subvenção é para a compra de colmeias, fatos, todo o processo de formação e apoio às comunidades”, explicou o governante.

Outra parcela dos recursos deverá ser aplicada na dinamização da indústria ligada ao sector, abrangendo actividades de processamento, melhoria da apresentação dos produtos, certificação e reforço da logística de transporte.

Entende-se que o fortalecimento destas etapas poderá contribuir para agregar valor ao mel produzido internamente e aumentar a competitividade do sector. “Depois temos uma componente de crédito concessional para agro-indústria, processamento, embalagens apropriadas, certificação e meios de transporte”, referiu Albino.

Entretanto, o ministro reconheceu que a falta de informação estatística consolidada continua a representar um desafio para o crescimento da actividade apícola no País. 

Neste contexto, aponta-se que a inexistência de dados precisos limita decisões ligadas à gestão do mercado e à definição de políticas de importação. “Nós não temos estatísticas consolidadas daquilo que se passa na cadeia de valor da apicultura”, afirmou o governante.

O Governo defendeu ainda maior aproveitamento da capacidade produtiva interna, questionando a necessidade de recorrer ao mercado internacional para suprir a procura nacional.

O FMI prevê uma trajectória de crescimento económico positivo para a África Subsaariana nos próximos anos. A recuperação gradual das economias da região, impulsionada por reformas estruturais e investimentos estratégicos, sustenta a projecção de um crescimento médio de 4,4% até 2027.

De acordo com o relatório regional do Fundo Monetário Internacional, publicado recentemente, a economia da África Subsaariana deverá crescer 4,3 por cento em 2026 e atingir 4,4 por cento em 2027. 

Entre os factores que sustentam esta perspectiva estão a estabilização macroeconómica após períodos de inflação elevada, o aumento do investimento em infra-estruturas e energia, além do crescimento do consumo interno e da urbanização.

Enquanto a economia global deverá crescer 3,1 por cento em 2026 e 3,2 por cento em 2027, os países da África Subsaariana mantêm um desempenho superior, sustentado também pelo dinamismo dos sectores mineiro e energético.

O relatório aponta que, embora os indicadores gerais sejam favoráveis, o ritmo de crescimento permanece abaixo da média de crescimento populacional, estimada em cerca de 3,5 por cento ao ano, o que pode resultar em ganhos reduzidos ou até negativos quando analisado o rendimento por pessoa.

Segundo o FMI, as maiores economias da região, a África do Sul  lidera o ranking em valor económico, seguida da Nigéria, Angola, Quénia e Etiópia.

A Autoridade Tributária de Moçambique e representantes dos principais operadores económicos ligados à Associação Moçambicana dos Operadores Petrolíferos (AMOP) defenderam, esta quarta-feira, o reforço da cooperação institucional como instrumento fundamental para a melhoria do ambiente de negócios e fortalecimento da actividade empresarial no País.

O posicionamento foi manifestado durante um encontro realizado entre a administração tributária e os quatro maiores operadores associados da AMOP, numa reunião que teve como foco principal o aprofundamento do diálogo institucional e a identificação de mecanismos que permitam aumentar a eficiência operacional do sector petrolífero em Moçambique.

Durante o encontro, as partes analisaram os principais desafios enfrentados pelos operadores económicos no exercício das suas actividades, sobretudo no que diz respeito aos procedimentos fiscais e aduaneiros, considerados estratégicos para garantir maior competitividade e dinamismo ao sector.

A reunião serviu igualmente para discutir medidas orientadas para a criação de um ambiente mais favorável ao investimento privado, promoção da fluidez nos processos administrativos e fortalecimento da cooperação entre o Estado e o sector empresarial.

Na ocasião, a Autoridade Tributária reiterou a sua abertura para o diálogo contínuo com o sector privado, destacando que a colaboração institucional constitui um elemento essencial para impulsionar o crescimento económico, promover a sustentabilidade das empresas e aumentar a confiança dos investidores.

Segundo a instituição, o reforço da articulação entre as entidades públicas e os operadores económicos poderá contribuir para uma maior eficiência dos processos fiscais e aduaneiros, reduzindo constrangimentos operacionais e criando condições mais estáveis para o desenvolvimento da actividade empresarial.

Por sua vez, os representantes da AMOP manifestaram satisfação pelos resultados do encontro, considerando que a aproximação entre as instituições representa um passo importante na identificação conjunta de soluções para os desafios que afectam o sector petrolífero nacional.

A associação entende que o diálogo permanente entre a administração tributária e os operadores económicos poderá favorecer a implementação de medidas capazes de melhorar o ambiente de negócios, estimular investimentos e reforçar a competitividade das empresas moçambicanas.

O sector petrolífero continua a desempenhar um papel estratégico na economia nacional, num momento em que Moçambique procura consolidar-se como um dos principais mercados emergentes de energia na região austral de África, impulsionado pelos investimentos em hidrocarbonetos e infra-estruturas energéticas.

O Moza Banco foi distinguido internacionalmente pela Global Banking & Finance Review com três prémios nos Global Banking & Finance Awards 2026, consolidando o seu posicionamento como uma das instituições financeiras mais inovadoras e socialmente comprometidas de Moçambique.

As distinções atribuídas ao banco incluem as categorias Best CSR Bank Mozambique 2026, Best Bank for HR & Recruitment Mozambique 2026 e Best Banking Technology Implementation Mozambique 2026, reconhecendo o desempenho da instituição nas áreas de responsabilidade social corporativa, gestão de capital humano e transformação tecnológica.

Os prémios representam um reconhecimento internacional do trabalho que o banco tem vindo a desenvolver no âmbito da modernização institucional, digitalização dos serviços financeiros e fortalecimento da cultura organizacional, num contexto marcado pela crescente competitividade do sector bancário moçambicano.

Na categoria Best CSR Bank Mozambique 2026, o Moza Banco destacou-se pelas iniciativas de inclusão financeira e apoio a projectos sociais voltados para comunidades vulneráveis. 

A distinção reforça a aposta da instituição em programas de impacto social sustentável, alinhados com os objectivos de desenvolvimento humano e económico do País.

Já o prémio Best Bank for HR & Recruitment Mozambique 2026 reconhece o investimento contínuo do banco na valorização dos colaboradores, retenção de talento e promoção de um ambiente organizacional orientado para inovação e crescimento profissional.

Por sua vez, a distinção Best Banking Technology Implementation Mozambique 2026 evidencia o processo de transformação tecnológica implementado pelo banco, que incluiu a modernização da infra-estrutura tecnológica, reforço dos canais digitais e melhoria da experiência do cliente.

Segundo o Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, os prémios representam uma validação internacional da estratégia que a instituição vem consolidando nos últimos anos.

“Estas distinções representam um importante reconhecimento internacional do percurso de transformação que o Moza Banco tem vindo a consolidar. Reflectem o investimento contínuo nas nossas pessoas, na modernização tecnológica e numa actuação cada vez mais orientada para a criação de valor sustentável para os clientes, comunidades e para o desenvolvimento de Moçambique”, afirmou o gestor.

O responsável acrescentou ainda que os prémios servem como incentivo para o banco continuar a apostar na inovação e proximidade com os clientes, num sector cada vez mais orientado para soluções digitais e sustentabilidade financeira.

 

Banco reforça aposta em cultura e educação

Paralelamente às distinções internacionais, o Moza Banco reforçou recentemente o seu compromisso com iniciativas sociais e culturais ao associar-se à terceira edição do espectáculo beneficente “Vibrações e Esperança”, promovido pelo músico moçambicano Arnaldo Manhice, em parceria com a Embaixada de Espanha em Moçambique e a Cooperação Espanhola.

O evento, realizado na Associação dos Músicos Moçambicanos, teve como principal objectivo a angariação de material escolar destinado a crianças provenientes de escolas em situação desfavorecida.

A iniciativa reuniu diversos artistas nacionais, entre os quais Hélio Beatz, Roberto Chitsondzo, Wakambule, Natural Macuácua, Xavier Machiana e Mister Avalanche, reforçando o papel da cultura como instrumento de inclusão social e mobilização comunitária.

De acordo com o banco, a participação no espectáculo enquadra-se na sua estratégia de Responsabilidade Social Corporativa e complementa o programa “Sonhar o Amanhã”, lançado em 2023, através do qual a instituição tem promovido a distribuição de kits escolares e palestras educativas sobre poupança, gestão financeira e sustentabilidade para crianças em situação de vulnerabilidade.

Nos últimos anos, o banco também tem apoiado projectos culturais e literários em parceria com a Fundação Fernando Leite Couto, consolidando a sua presença em iniciativas ligadas à educação, cultura e desenvolvimento social.

Com estas iniciativas e reconhecimentos internacionais, o Moza Banco reforça o seu posicionamento como uma instituição financeira orientada para inovação, impacto social e desenvolvimento sustentável em Moçambique.

 

O presidente da empresa Jindal Steels, que explora carvão na província de Tete, compromete-se em investir mais em Moçambique. O compromisso foi assumido após Naveen Jindal ter-se reunido com Daniel Chapo em Maputo.

O grupo indiano, Jindal, opera em Moçambique há cerca de 15 anos. O presidente daquela empresa, Naveen Jindal, foi recebido, na segunda-feira, pelo Presidente da República, Daniel Chapo e, na ocasião, manifestou o interesse.

“O ambiente de trabalho em Moçambique é muito acolhedor, é muito positivo e nós recebemos todo o apoio das pessoas e do governo. Então há uma cultura de trabalho muito boa e os moçambicanos são pessoas muito trabalhadoras. Então, é por isso que somos capazes de trabalhar aqui, podemos crescer e é por isso que equacionamos fazer mais investimentos em Moçambique”, disse Jindal.

O grupo Jindal detém a Vulcan Internacional, proprietária da Vulcan Moçambique, ax-Vale. Hoje, a Vulcan é uma das maiores exportadoras do País e opera na extração de carvão mineral e em projetos de geração de energia.

Vulcan Moçambique é o maior exportador de Moçambique e o maior empregador de Moçambique. E tivemos a oportunidade de conhecer Sua Excelência, o Presidente de Moçambique, o Sr. Chapo. E foi um óptimo encontro. Então, ele encorajou-nos a investir mais em Moçambique e nós garantimos-lhe que vamos investir muito em Moçambique”, disse o gestor. 

O Fundo Soberano de Moçambique já recebeu aproximadamente 116 milhões de dólares (pouco mais de 7.4 mil milhões de meticais) desde o início das suas operações até aos primeiros três meses de 2026, segundo dados partilhados pelo Ministério das Finanças e pelo Banco de Moçambique durante um seminário realizado esta segunda-feira.

O encontro teve como objectivo apresentar os progressos na implementação do fundo, criado para gerir parte das receitas provenientes da exploração do gás natural, com 40% dessas receitas destinadas à sua capitalização.

De acordo com o Ministério das Finanças, o processo operacional do fundo começou com a transferência de 109,97 milhões de dólares da conta transitória para a conta do Fundo Soberano.

“Foi transferido um valor de 109,97 milhões de dólares da conta transitória para o Fundo Soberano de Moçambique. Esta transferência marca o início operacional do fundo”, explicou Alfredo Mutombene.

A este montante soma-se uma nova transferência de 6,1 milhões de dólares registada nos primeiros três meses de 2026, elevando o total acumulado para cerca de 116 milhões de dólares.

Na ausência de um plano director de investimento aprovado, o Banco de Moçambique, entidade gestora do fundo, optou por aplicar os recursos em três instituições financeiras internacionais localizadas no Canadá, Japão e França, onde o capital já está a ser rentabilizado.

Segundo o representante do banco central, Cláudio Mangue, o fundo já regista resultados positivos nesta fase inicial.

“Até 31 de Março de 2026, o Fundo Soberano tinha um resultado líquido de cerca de 1,059 milhões de dólares”, afirmou.

O responsável acrescentou que, até 17 de Maio, o fundo acumulava cerca de 1,8 milhões de dólares em juros, equivalentes a aproximadamente 114 milhões de meticais, sublinhando que os valores são actualizados diariamente.

A ministra das Finanças, Carla Louveira, afirmou que o Fundo Soberano já passou da fase de previsão legal para uma etapa de consolidação institucional, mas alertou que o seu sucesso depende da qualidade da governação e da transparência.

“O sucesso do Fundo Soberano depende não apenas dos recursos financeiros, mas sobretudo da robustez das instituições, da integridade dos processos e da confiança dos cidadãos”, destacou.

A governante sublinhou ainda que a confiança pública deve ser construída com base na prestação de contas, supervisão efectiva e participação informada da sociedade.

O seminário contou com a participação de organizações da sociedade civil, membros do comité de gestão do fundo e investigadores, que acompanharam a apresentação dos primeiros resultados e discutiram os desafios da gestão sustentável das receitas do gás natural em Moçambique.

O Banco de Moçambique ordenou instituições financeiras a devolverem mais de 16,3 milhões de meticais de cobranças indevidas que estas efectuaram aos seus clientes entre os meses de Julho e Dezembro do ano passado. Nos primeiros seis meses de 2025, a devolução aos clientes de montantes resultantes de cobranças indevidas totalizaram pouco mais de 8 milhões de meticais.

De acordo com as estatísticas das reclamações recebidas no Banco de Moçambique no segundo semestre de 2025, o maior número de reclamações dos clientes foram contra o Banco Comercial e de Investimentos (BCI). Mesma situação  registou-se no primeiro semestre do ano passado.

De acordo com os dados que constam no documento, foram 168 reclamações contra  BCI, equivalentes a 34,8% do total das reclamações, se calhar pelo facto de o banco ter o maior número de clientes (cerca de 2,5 milhões). De Janeiro a Junho, também do ano passado, o número de reclamações contra o mesmo banco atingiu 211.

Trata-se de reclamações ligadas a créditos concedidos, irregularidades nos ATM, transferências, cheques, internet banking, pagamentos de serviços, entre outros, neste que é um dos três bancos comerciais mais importantes no sistema financeiro moçambicano.

Na lista das instituições financeiras cujos clientes mais reclamaram, no período em análise, constam também o Banco Internacional de Moçambique (BIM) com um peso de 17,4%, Vodafone Mpesa (7,2%) e M-Mola (4,2%).

Importa destacar que em termos de número de clientes, o BIM possui cerca de 2,3 milhões, a Vodafone Mpesa possui cerca de 14 milhões e o M-Mola está com cerca de 11 milhões de clientes, segundo dados do Banco de Moçambique.

Constam do relatório do regulador do sistema financeiro nacional 23 instituições. Destas, a Caixa Comunitária de Microfinanças, com cerca de 90 mil clientes, foi a que teve menos reclamações (2), equivalentes a 0,4% do total.

Em termos globais, as referidas instituições financeiras possuem, em conjunto, cerca de 31 milhões de clientes. Os dados apontam que desse número houve registo de 483 reclamações principalmente nas empresas que possuem mais de um milhão de clientes.

Entre as principais irregularidades cometidas pelas instituições financeiras, o destaque vai para as ligadas ao crédito, nomeadamente, divergências na execução do contrato do crédito; alterações indevidas da maturidade de crédito; alteração indevida da maturidade de crédito; e a cobrança de prestações aos clientes após a liquidação dos seus créditos, bem como outras irregularidades.

Outras irregularidades consideradas principais estão ligadas a contas bancárias. Por exemplo, os clientes queixaram-se de débitos indevidos na conta bancária; bloqueio indevido de conta bancária; cativo indevido de saldo de conta bancária, entre outras. Nos ATM, os clientes queixaram-se de terem sido debitados nas suas contas valores enquanto não tiveram acesso; valores que depositaram nos ATM e não entraram nas suas contas bancárias.

Essas são apenas algumas das irregularidades submetidas ao Banco de Moçambique pelos clientes das instituições financeiras com o intuito de verem as suas preocupações resolvidas.

“Na sequência da análise efectuada às reclamações, o Banco de Moçambique adoptou as seguintes medidas: emissão de determinações específicas para a correcção das irregularidades identificadas, incluindo a devolução aos clientes dos montantes resultantes de cobranças indevidas”, refere o Banco de Moçambique na nota que citamos.

Outra acção levada a cabo pelo regulador do sistema financeiro nacional foi a realização de reuniões com os conselhos de administração e órgãos de gestão de topo das interligações financeiras para a discussão e implementação de acções correctivas, bem como a realização de oito acções de inspecção on-site. E, por fim, o acompanhamento e a monitorização contínua da implementação das medidas correctivas pelas instituições.

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