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O País – A verdade como notícia

O ministro da Planificação e Desenvolvimento desafia os municípios a arrecadar receitas que se traduzem em infra-estruturas, desenvolvimento e melhoria das condições de vida dos moçambicanos. As declarações foram feitas hoje, na Matola, durante a abertura do fórum de negócios e Feira Empresarial Matola 2026.

O Município da Matola é, de 1 a 3 de Julho, a capital do diálogo e de investimento, por acolher o fórum de negócios e Feira Empresarial, um evento cuja finalidade é fortalecer a economia da província.

O Edil da Matola, Júlio Parruque disse se tratar de uma oportunidade para juntar homens de negócios, para debater ideias de negócios, firmar parcerias, como foco no desenvolvimento das comunidades.

“Com este Fórum pretendemos proporcionar um ambiente de convergência entre os homens de negócios, para trocar informações, partilhar experiências e oportunidades, de forma a dinamizar a economia, atrair investimento privado e consequente gestão ou melhor geração de emprego, em particular para a juventude e ainda o combate à pobreza, à pobreza urbana na nossa cidade”, disse parruque, com apelos para diálogos mais intensos e produtivos.

O sector privado, representado no evento, entende ser esta uma oportunidade para o crescimento económico da província de Maputo, em áreas como imobiliária, logística e serviços. 

“Precisamos transformar potencialidades em projectos concretos, precisamos transformar  projectos em investimentos e precisamos transformar investimentos em emprego, rendimento e prosperidade para os cidadãos. Este Fórum de Negócios e Feira Empresarial 2026 deve ser visto precisamente como uma plataforma de construção dessas parcerias, de promoção de investimento e de identificação de soluções para os desafios que enfrentamos”, disse Onório Manuel, vice-presidente da CTA.

Manuel disse mais. apelou aos Governos a olharem, sempre, nas Pequenas e Médias empresas, na cadeia do desenvolvimento. Uma das propostas é a facilitação do acesso a financiamentos.

“Não podemos falar de desenvolvimento econômico da Matola sem destacar o papel fundamental das micro, pequenas e médias empresas. As PME’s representam a esmagadora maioria do tecido empresarial moçambicano e constituem o principal motor da geração de emprego. Precisamos, sim, criar condições mais favoráveis, facilitar o acesso a financiamento, simplificar procedimentos administrativos, promover programas de capacitação empresarial e aumentar a participação das PMEs nas cadeias de valores nacionais e regionais”, disse Manuel, afirmando que o crescimento económico sustentável só será possível quando as PMEs crescerem juntamente com as grandes empresas.

Receitas públicas devem se traduzir em riqueza para a população

Falando em representação do Presidente da República, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, diz que a fusão dos sectores público e privado deve resultar em desenvolvimento que reduza as desigualdades sociais.

“Nenhum investimento alcança plenamente o seu potencial quando não encontra instituições preparadas, mão de obra qualificada, comunidades envolvidas e serviços públicos eficientes.  O desenvolvimento exige parceria, exige diálogo, exige confiança, exige capacidade de ouvir, corrigir, inovar e persistir. É precisamente por isso que fóruns desta natureza são relevantes, porque criam um espaço de encontro entre quem decide, quem investe, quem trabalha, quem produz, quem forma, quem financia e quem vive diariamente os desafios da nossa cidade da Matola, da província de Maputo e do nosso Moçambique”.

Valá defende ainda a cooperação entre os estados.

“O desafio é transformar estes activos em resultados cada vez mais concretos, criando mais confiança, mais cooperação, mais organização, mais oportunidades, mais inclusão, mais sustentabilidade, mais impacto na qualidade de vida dos Matolenses, dos habitantes da província de Maputo e dos  moçambicanos. Que este Fórum seja um momento de convergência em torno desta visão que o Governo procurou transmitir de forma sumária nesta intervenção. Que seja uma oportunidade para renovar compromissos, que seja um espaço de diálogo construtivo, de aproximação entre instituições”. 

No final do evento, os municípios da Matola e Boane e o distrito de Moamba assinaram um acordo para a viabilização da partilha de espaços para construção de residências e industriais, bem como para a requalificação da zona costeira da cidade da Matola.

A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) está a apresentar, na Feira Económica de Nampula, diversos projectos de desenvolvimento económico e geração de emprego em implementação na região norte do País, com destaque para iniciativas financiadas pela TotalEnergies e pelo Banco Mundial.

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da ADIN, João Loureiro, afirmou que um dos projectos em evidência é o programa de emprego financiado pela TotalEnergies, avaliado em 15 milhões de dólares norte-americanos, que visa integrar as comunidades locais na cadeia de abastecimento de bens alimentares destinados às operações da empresa em Cabo Delgado.

Segundo João Loureiro, a iniciativa tem demonstrado que as famílias e os pequenos produtores podem desempenhar um papel determinante no fornecimento de produtos agrícolas e pecuários, contribuindo para o fortalecimento da microeconomia local.

“Estamos a demonstrar que é possível que o fornecimento de fruta, ovos e outros produtos à logística alimentar da Total seja assegurado pelas famílias e pelos pequenos produtores locais”, afirmou.

Como exemplo dos resultados alcançados, o PCA da ADIN referiu que o projecto está actualmente a produzir cerca de nove mil ovos por dia, que são fornecidos às empresas de catering responsáveis pela alimentação dos trabalhadores afectos ao projecto de gás natural liderado pela TotalEnergies.

João Loureiro destacou igualmente o Projecto RISE, orçado em cerca de 20 milhões de dólares, que será implementado nos distritos de Palma e Ancuabe, com a previsão de criar aproximadamente 20 mil postos de trabalho.

A iniciativa irá apoiar actividades ligadas à agricultura e a outros sectores produtivos, promovendo oportunidades de geração de rendimento para as comunidades locais.

Entretanto, o responsável anunciou o lançamento de um novo programa financiado pelo Banco Mundial, denominado “Moz Comunidades”, avaliado em 250 milhões de dólares norte-americanos.

De acordo com João Loureiro, a ADIN será responsável pela coordenação da iniciativa, enquanto a execução dos projectos será assegurada por diferentes entidades implementadoras.

Os projectos abrangidos por este financiamento serão desenvolvidos em todos os distritos da zona norte do País, com o objectivo de impulsionar o desenvolvimento socioeconómico e melhorar as condições de vida das populações.

A participação da ADIN na Feira Económica de Nampula visa dar visibilidade aos principais programas em curso e reforçar o envolvimento dos parceiros e das comunidades no processo de desenvolvimento integrado da região norte de Moçambique.

 

Chongoene procura transformar os prejuízos causados pelas recentes enxurradas numa oportunidade de recuperação económica. Depois de as intempéries terem destruído extensas áreas agrícolas e afectado mais de 13 mil famílias produtoras, o distrito apresentou, esta sexta-feira, uma estratégia assente em seis sectores prioritários para impulsionar o investimento, estimular a produção e criar emprego.

 

A iniciativa foi apresentada durante a Primeira Conferência de Investimento de Chongoene, evento que reuniu mais de 200 participantes, entre membros do Governo, administradores distritais, empresários, investidores nacionais e estrangeiros, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento.

Na abertura do encontro, a administradora do distrito de Chongoene, Suzete Dança, afirmou que o evento representa um passo importante para reposicionar o distrito como um destino atractivo para o investimento privado.

“Chongoene possui recursos naturais, terras férteis, uma localização estratégica e uma população empreendedora. As enxurradas trouxeram enormes prejuízos para as famílias e para a economia local, mas também nos mostraram a necessidade de acelerar a transformação económica do distrito. Queremos que os investidores olhem para Chongoene como um território de oportunidades, capaz de gerar riqueza, emprego e desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Segundo a administradora, o distrito definiu como prioridades os sectores da agricultura, turismo, agroprocessamento, pescas, comércio e logística, áreas consideradas fundamentais para dinamizar a economia local e reduzir a vulnerabilidade das comunidades aos choques climáticos.

“Estamos a falar de sectores que têm potencial para gerar valor acrescentado, aumentar a produtividade e criar cadeias de negócio capazes de beneficiar tanto os investidores como as comunidades locais. O nosso objectivo é construir uma economia mais diversificada e resiliente”, acrescentou.

Um dos argumentos apresentados pelas autoridades para atrair investidores é a localização privilegiada de Chongoene. O distrito é atravessado pela Estrada Nacional Número Um (EN1) e beneficia da proximidade do Aeroporto e do Porto de Chongoene, infra-estruturas consideradas estratégicas para o transporte de pessoas e mercadorias.

Intervindo no evento, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, destacou que a recuperação económica da província passa necessariamente pela valorização das potencialidades existentes em cada distrito.

“Gaza possui condições únicas para acolher investimento em diversos sectores. Chongoene é um exemplo claro disso. Temos terras aráveis, potencial turístico, recursos pesqueiros e uma posição geográfica privilegiada. O desafio é transformar estas vantagens em projectos concretos que gerem emprego, aumentem a produção e contribuam para o crescimento económico da província”, afirmou.

A governadora defendeu igualmente a necessidade de fortalecer as parcerias entre o sector público e privado para acelerar o desenvolvimento.

“O Governo está comprometido em criar um ambiente favorável ao investimento. Precisamos de mais empresas, mais inovação e mais projectos capazes de responder aos desafios actuais. A recuperação pós-enxurradas exige o envolvimento de todos os actores económicos e sociais”, sublinhou.

Apesar do interesse demonstrado pelos investidores presentes, vários participantes defenderam melhorias no ambiente de negócios, apontando como prioridades a redução da burocracia administrativa, a melhoria da rede viária e o reforço das infra-estruturas de apoio à actividade económica.

Ainda assim, o sentimento dominante ao longo da conferência foi de optimismo. Num distrito ainda marcado pelos efeitos das enxurradas, as autoridades acreditam que a mobilização de investimento privado poderá desempenhar um papel decisivo na recuperação da produção, na criação de emprego e na construção de uma economia mais robusta e preparada para enfrentar futuros desafios.

Para blindar o sistema financeiro nacional contra riscos sistémicos, o Banco de Moçambique decidiu indicar dois inspectores residentes para acompanharem, por dentro, a gestão do Banco Internacional de Moçambique e do Moza Banco.

O regulador do sistema financeiro nacional confiou em Amélia Sirage, quadro do próprio banco central, para, desde o passado dia 23 de Junho, instalar-se naquela que é uma das instituições mais importantes do sistema financeiro.

Essencialmente, serão tarefas da inspectora monitorizar o modelo de negócios e a estratégia do Millennium bim, acompanhar e analisar o sistema de gestão e de controlo interno e participar em reuniões relevantes dos órgãos colegiais.

Mesmo tendo tomado a medida de supervisão, o Banco de Moçambique assegura que o Banco Internacional de Moçambique continua sólido e estável, à semelhança do Moza Banco, que também está sob vigilância do banco central.

No caso do Moza Banco, o inspector residente indicado é Hélder Muianga, também quadro do Banco de Moçambique, uma função que é também desempenhada dentro do banco comercial desde o dia 23 de Junho corrente.

Sendo assim, tanto o Moza Banco como o Banco Internacional de Moçambique (Millennium bim), passaram a partilhar o tecto e as suas decisões estratégicas com quadros indicados pelo regulador do sistema financeiro nacional.

O responsável terá funções similares às da inspectora residente no Banco Internacional de Moçambique. Já no Access Bank, o Banco de Moçambique decidiu retirar a inspectora residente Amélia Sirage, agora no BIM.

“Esta decisão decorre da eficaz colaboração do Access Bank Moçambique, SA, bem como dos progressos significativos alcançados na governação e controlo interno da instituição”, lê-se num comunicado emitido pelo banco central.

Contudo, segundo o regulador do sistema financeiro nacional, o Access Bank Moçambique continua sujeito à supervisão habitual, em conformidade com os procedimentos aplicáveis às demais instituições do sistema bancário nacional.

Importa lembrar que Amélia Sirage exercia a função de inspectora residente no Access desde o dia 27 de Setembro de 2023, onde tinha praticamente as mesmas tarefas que já está a exercer no Banco Internacional de Moçambique.     

O Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, defendeu, na quinta-feira, em Abuja, que os países africanos devem assumir um maior controlo sobre os seus minerais estratégicos, deixando de exportar apenas matérias-primas e apostando na transformação local, industrialização e criação de valor. A posição foi apresentada durante a abertura da quinta Cimeira Africana de Recursos Naturais e Energia, num momento em que cresce a procura mundial por minerais essenciais para a transição energética.

Tinubu afirmou que África possui uma parte significativa das reservas mundiais de minerais críticos, mas continua a beneficiar pouco da riqueza gerada por esses recursos, devido à exportação de produtos em estado bruto para mercados internacionais.

Segundo o chefe de Estado nigeriano, o continente deve aproveitar a crescente procura global por minerais como lítio, grafite, cobalto, manganês e terras raras para desenvolver indústrias locais, criar emprego qualificado, promover a transferência de tecnologia e aumentar as receitas fiscais.

O governante defendeu igualmente uma maior coordenação entre os países africanos na definição de políticas para o sector mineiro, com o objectivo de reforçar o poder negocial do continente perante investidores e multinacionais. Para Tinubu, uma estratégia comum permitirá garantir que uma parte significativa dos benefícios económicos permaneça em África.

A intervenção acontece numa altura em que a transição energética mundial está a aumentar a procura por minerais utilizados no fabrico de baterias para veículos eléctricos, painéis solares, turbinas eólicas e outros equipamentos tecnológicos, colocando o continente africano no centro da corrida global por recursos estratégicos.

Especialistas consideram que a industrialização do sector mineiro poderá representar uma oportunidade para acelerar o crescimento económico africano, reduzir a dependência das exportações de matérias-primas e diversificar as economias.

 

Em entrevista ao “O País Económico”, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defende que empresas portuguesas poderão reforçar a sua presença em Moçambique, caso o Governo implemente reformas para dinamizar a actividade económica no País. Neste momento, há cerca de 450 empresas de capitais portugueses presentes no mercado moçambicano. O diplomata falava em Maputo, após Portugal ter disponibilizado 17 milhões de euros para financiar micro, pequenas e médias empresas moçambicanas.

Temos aqui mais uma linha de financiamento de Portugal de 17 milhões de euros para micro, pequenas e médias empresas moçambicanas. Qual é a taxa de juros que poderá ser praticada pelos bancos?

Essa é uma pergunta muito técnica que eu vou deixar para os bancos responderem. Eu aproveito só para sublinhar que o objectivo do FECOP, o Fundo Empresarial da Cooperação Portuguesa, é apoiar aquelas que são o motor da economia moçambicana, que são as micro, pequenas e médias empresas. São empresas que, pela sua própria natureza, têm maiores dificuldades de acesso aos mecanismos tradicionais de financiamento. Portanto, nós, através do FECOP, pretendemos oferecer mais um instrumento desenhado para essas empresas de menor dimensão, e no fundo tem uma componente de assistência técnica e uma de financiamento para ajudá-las a apresentarem projectos válidos que criem valor, que criem emprego e contribuam para o desenvolvimento do País.

O que leva Portugal a apoiar essas empresas moçambicanas através deste financiamento e a não financiar as infra-estruturas que têm criado bastante obstáculos para estas? 

Portugal tem uma cooperação muito abrangente com Moçambique. Não há praticamente nenhum domínio da sociedade moçambicana em que não exista uma cooperação regular, normal e intensa em muitos casos entre Portugal e Moçambique. Moçambique é o nosso principal beneficiário da cooperação para o desenvolvimento, é um dos principais destinos do investimento português no estrangeiro, é uma economia que, acreditamos, tem um enorme potencial de desenvolvimento que ainda está por explorar e, portanto, Portugal está presente em todos os domínios onde é possível estar. Nós queremos apoiar os grandes projectos, mas queremos também olhar para aquilo que é o tecido das micro, pequenas e médias empresas, que são os principais dinamizadores da economia moçambicana. São as que criam o maior número de postos de trabalho e criam valor a nível local, por todo o País. Portanto, não poderíamos deixar de estar presentes também neste importante segmento das empresas moçambicanas.

Que mecanismos foram criados para assegurar que este novo fundo não financia o caixa dos bancos e financia propriamente essas micro, pequenas e médias empresas?

Como hoje aqui ficou claro, o próprio sistema de gestão da operacionalização do FECOP é um sistema de parceria em que juntamos a Associação Moçambicana de Bancos e o Instituto das Pequenas e Médias Empresas. Portugal é o financiador, mas deixamos nas mãos dos especialistas a definição do regulamento e das regras que serão aplicáveis aos projectos. Creio que estamos em boas mãos através da Associação Moçambicana de Bancos e do Instituto das Pequenas e Médias Empresas, que juntamente com as instituições financeiras irão definir a forma concreta de operacionalização deste fundo. O nosso único objectivo é que ele sirva para apoiar a economia, sirva para apoiar as empresas e que ajude a criar valor em Moçambique.

Como está a cooperação entre Moçambique e Portugal, em termos de comércio e Investimento Directo Estrangeiro aqui, no País?

Como eu disse há pouco, Moçambique é um dos nossos principais destinos de investimento. Nós possuímos cerca de 400 a 450 empresas de capitais portugueses, que actualmente estão presentes no mercado moçambicano. Tivemos uma cimeira bilateral há cerca de seis meses, na cidade do Porto. Foi uma cimeira histórica, porque foi uma cimeira que teve uma participação recorde em termos de áreas governativas: doze ministros portugueses e doze ministros moçambicanos participaram nessa cimeira. Realizamos um fórum empresarial que contou com a participação de 700 empresas portuguesas e moçambicanas, e isto constituiu um sinal claro da aposta que nós fazemos na economia moçambicana. Recentemente, tivemos aqui também duas grandes iniciativas europeias, o fórum de negócios do Global Gateway e a conferência RENMOZ, de energias renováveis. Portugal foi o país europeu que contou com a maior participação a nível empresarial. Contamos também com a presença do seu ministro adjunto e da Reforma do Estado, garantindo uma representação também de alto nível político, e isto sinaliza essa aposta clara e esse acreditar em Moçambique, acreditar que Moçambique tem muito para fazer e tem muito para crescer, e nós queremos apoiar Moçambique nesse caminho.

E, como está a questão do investimento português em Moçambique?

Em termos de investimentos, os investimentos têm vindo, como eu disse há pouco, a acontecer. Nos últimos anos, tivemos aqui um reforço dos investimentos portugueses em muitas áreas, desde a energia ao sector agro-industrial, às pescas, mas eu acredito que esses investimentos podem ir muito mais longe. Nós estamos muito atentos e acompanhamos muito de perto aquilo que são as políticas públicas de Moçambique e acompanhamos com grande expectativa aquilo que é a agenda de reformas deste governo. Estamos confiantes que essa agenda de reformas, quando for executada, irá contribuir fortemente para uma dinamização da actividade económica em Moçambique e, dessa forma, seguramente, os portugueses responderão, as empresas portuguesas responderão e serão capazes de levar mais longe os seus projectos de investimento em Moçambique.

Dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados recentemente, demonstram que a forte dependência no sector extractivo voltou a cobrar o seu preço à economia moçambicana no arranque de 2026. 

Entre Janeiro e Março deste ano, a produção mineira registou uma queda de 21,6%, comparativamente ao mesmo período do ano de 2025. Com a queda acentuada na produção mineira, o crescimento económico foi bastante afectado.

O que se verificou foi um autêntico contraste no primeiro trimestre. Enquanto o comércio e os serviços tentavam impulsionar a economia, a indústria extractiva, um dos motores de crescimento, sofreu uma contracção expressiva.

Trata-se de um cenário que traz à tona os apelos que têm sido feitos por vários quadrantes da sociedade sobre a necessidade da diversificação da economia nacional. Quando a indústria extractiva perde fôlego, o impacto é imediato.

Embora a mineração tenha registado uma queda, a economia não entrou em terreno negativo graças ao desempenho vigoroso do sector terciário. A hotelaria, a restauração e o comércio demonstraram uma vitalidade surpreendente. 

O declínio na indústria extractiva não é um evento isolado. Funciona como um alerta sobre a fragilidade de um modelo de desenvolvimento vulnerável às oscilações do mercado internacional de matérias-primas.

O consumo das famílias registou uma subida expressiva, indicando que o poder de compra, ou a disposição para gastar, se manteve firme neste início de ano. “O consumo final registou uma variação positiva de 12.9% no 1º trimestre”.

O aumento do consumo das famílias, o dinheiro que circula no dia-a-dia, na compra de bens e serviços, foi a boia de salvação que impediu a economia de afundar, isto é, de retrair, como aconteceu nos primeiros nove meses de 2025.

“Este desempenho foi influenciado pelo aumento do consumo privado, componente de maior peso na demanda interna e no PIB, que, no período em análise, registou variação positiva de 15.2%”, refere o relatório do INE.

Entretanto, o nível de investimento na economia registou uma redução significativa, o que sugere que as empresas e os investidores estão a adoptar uma postura de “espera”, evitando grandes gastos num momento de incerteza.

“A Formação Bruta de Capital registou uma variação de menos 39.1%. As exportações registaram um fraco desempenho ao se situar em menos 7.8% no período em análise”, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística.

Os dados do INE reforçam os alertas recentes do Fundo Monetário Internacional e do Standard Bank sobre as pressões fiscais significativas na economia, os desafios ligados às calamidades e os efeitos do conflito no Médio Oriente.

O cenário de recuperação lenta sugere uma abordagem coordenada entre o sector público e o privado para dinamizar a capacidade produtiva e mitigar riscos fiscais.

O preço do petróleo voltou a cair, nesta quinta-feira, no mercado internacional, após a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de crude. 

O barril de Brent desceu de cerca de 80 dólares, registados durante o período de maior tensão no Médio Oriente, para aproximadamente 72,5 dólares.

A queda dos preços surge na sequência da retoma da circulação de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, depois do acordo de cessar-fogo entre o Irão e Israel, mediado pelos Estados Unidos. Durante o conflito, os receios de um eventual bloqueio da passagem fizeram disparar os preços do petróleo, devido ao risco de interrupção do abastecimento mundial.

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é considerado um dos corredores energéticos mais estratégicos do mundo. Cerca de 20% do petróleo consumido globalmente passa diariamente por esta via marítima, utilizada por alguns dos maiores produtores mundiais, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e o Irão.

Com a reabertura da rota, dezenas de navios que permaneciam retidos retomaram as viagens, aumentando rapidamente a oferta de petróleo no mercado internacional. O regresso das exportações reduziu os receios de escassez e devolveu maior confiança aos investidores, levando à descida das cotações do crude.

Além da recuperação da oferta, a procura mundial continua relativamente moderada, sobretudo na China, um dos maiores consumidores de petróleo. A combinação entre maior disponibilidade de crude e uma procura menos intensa contribuiu para acelerar a queda dos preços.

Segundo analistas, o mercado eliminou praticamente todo o chamado “prémio de risco” associado ao conflito no Médio Oriente. As cotações regressaram para níveis próximos dos registados antes da escalada militar, reflectindo uma maior confiança na estabilidade do abastecimento internacional.

Apesar da tendência de descida, especialistas alertam que a situação continua sensível. A navegação no Estreito de Ormuz ainda decorre sob fortes medidas de segurança e qualquer novo incidente na região poderá voltar a provocar volatilidade nos mercados e fazer subir os preços do petróleo.

O país africano deu mais um passo na consolidação da sua indústria petrolífera com a aprovação do investimento final para o desenvolvimento do projecto Greater PAJ, avaliado em 5,1 mil milhões de dólares. Trata-se de um dos maiores investimentos que deverão ser realizados no sector petrolífero africano e que se espera que reforce a produção de crude do País a partir de 2029.

O projecto será desenvolvido pela Azule Energy, uma empresa formada pela BP e Eni, em parceria com a Sonangol e outras companhias internacionais. Localizado na Bacia do Baixo Congo, em águas ultraprofundas ao largo da costa angolana, o empreendimento reúne cinco campos petrolíferos e aposta numa solução integrada para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.

O plano prevê a perfuração de 17 poços, ligados a uma plataforma flutuante de produção, armazenamento e descarga de petróleo (FPSO), com capacidade para produzir até 95 mil barris de petróleo por dia. Além do crude, a infra-estrutura permitirá o aproveitamento de gás natural associado, que será encaminhado para a fábrica Angola LNG, contribuindo para reduzir o desperdício e aumentar o valor económico da produção.

As reservas recuperáveis do projecto estão estimadas em cerca de 252 milhões de barris de petróleo, sendo a entrada em produção comercial prevista para o primeiro semestre de 2029.

Para o governo angolano, este investimento representa um passo importante para travar o declínio natural da produção petrolífera registado nos últimos anos. O país tem vindo a implementar reformas fiscais e regulatórias para atrair novos investimentos internacionais e manter a produção acima de um milhão de barris por dia, numa altura em que vários campos maduros apresentam sinais de esgotamento.

A decisão de avançar com o Greater PAJ surge também num contexto de recuperação do investimento global na indústria petrolífera, impulsionado pela procura crescente de energia e pela necessidade de garantir segurança no abastecimento dos mercados internacionais.

Durante a fase de construção e desenvolvimento, o projecto deverá mobilizar milhares de trabalhadores e envolver empresas locais na prestação de serviços de engenharia, logística, manutenção e apoio técnico, gerando impacto positivo na economia angolana.

A aprovação do investimento reforça igualmente a confiança das grandes petrolíferas internacionais no potencial energético de Angola, que continua a ocupar uma posição de destaque entre os maiores produtores de petróleo de África.

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