Skip to main content

O País – A verdade como notícia

A economia nacional cresceu 1,7% no segundo trimestre deste ano. O sector dos serviços avançou, enquanto a actividade industrial recuou, com a Indústria Manufactureira a registar uma das quedas mais expressivas.O cenário desenhou-se, entre Abril e Junho, onde a economia manteve-se em terreno positivo, prolongando a recuperação iniciada no fim de 2025. O crescimento foi sustentado sobretudo pelos serviços, onde o turismo e a actividade financeira apresentaram maior dinamismo.

O sector primário que cresceu 1,8% também teve um  papel importante, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística..“O desempenho da actividade económica no segundo trimestre de 2026 é atribuído, em primeiro lugar, ao sector terciário com variação positiva de 2.5% (…) Hoteis e Restaurantes com variação de 14.5%, seguido pelo ramo de Serviços financeiros com variação de 4.2%. Os ramos da Agricultura, Pecuária, Caça, Silvicultura, Exploração Florestal e Actividades relacionadas tiveram maior participação na economia com peso de 31.6%.”, indicam dados do INE.

A Indústria de Extracção Mineira também registou progressos, mas a Pesca teve comportamento contrário e fechou o período em terreno negativo.

É, contudo, na indústria que se concentra o principal sinal de alerta. O sector secundário foi o único dos três grandes sectores a contrair no segundo trimestre, arrastado pela queda acentuada da actividade manufactureira em 11,2%. Electricidade, Gás e Distribuição de Água conseguiram crescer, mas não foram suficientes para compensar a retracção da indústria.“O sector secundário apresentou uma tendência contrária ao terciário e primário, com variação negativa de 6.0% (…) A Formação Bruta de Capital registou uma variação de menos 16.5%, resultado da redução da variação de existências quando comparadas ao igual período de 2025.”

Os moçambicanos consumiram mais no segundo trimestre, com o consumo final a crescer 7,9%. O consumo privado, que representa a maior componente da procura interna e do PIB, aumentou 8,4%, enquanto o consumo público cresceu 6,5%. As exportações também tiveram desempenho positivo, mas o investimento registou uma forte contracção.

O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, Alvaro Massingue, defende uma maior participação das empresas moçambicanas nos grandes projectos públicos adjudicados a empresas estrangeiras.

Alvaro Massingue entende que estes projectos devem assegurar espaço para a subcontratação de empresas nacionais, transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências e capitalização do empresariado moçambicano.

Para o Presidente da CTA, a participação das empresas nacionais não deve ser encarada como uma simples preferência, mas como um investimento na capacidade produtiva do país. Defende, por isso, que cada grande obra realizada em Moçambique deve contribuir para deixar empresas nacionais mais fortes, quadros mais qualificados e maior capacidade tecnológica.

Outra preocupação levantada por Alvaro Massingue está relacionada com os atrasos nos pagamentos das obras públicas, que, segundo afirma, continuam a afectar a tesouraria, a capacidade operacional e a sustentabilidade financeira das empresas.

O Presidente da CTA explica que a execução de obras exige investimentos avultados em matérias-primas, equipamentos, mão-de-obra e financiamento. Quando os pagamentos são excessivamente atrasados, os empreiteiros ficam obrigados a suportar custos financeiros adicionais, comprometendo a execução dos contratos e a sobrevivência das próprias empresas.

No sector da habitação, Massingue defende ainda uma maior intervenção do sector privado para responder à crescente procura por habitação acessível, sobretudo entre os jovens.

O Presidente da CTA reconhece a iniciativa presidencial Terra Infraestruturada, mas considera fundamental a participação dos privados na massificação da construção de habitação. Defende que a disponibilização de terra, água, energia e outros serviços básicos pelo Estado pode criar condições para atrair investidores privados.

Massingue apela igualmente ao empresariado para prestar maior atenção ao sector dos recursos hídricos, considerando que as mudanças climáticas estão a transformar a água num desafio social, económico e de segurança.

O Presidente da CTA conclui que Moçambique não precisa apenas de construir mais infraestruturas, mas de garantir que esses projectos contribuam para o fortalecimento das empresas nacionais, através do reforço do conteúdo local e da criação de oportunidades para que pequenas e médias empresas possam crescer e acumular experiência.

A administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT) vai realizar uma reunião extraordinária em Setembro para analisar um pedido de autorização do director da agência para reduzir 120 postos de trabalho, devido à ausência de contribuições financeiras dos Estados Unidos da América (EUA).

De acordo com o Jornal de Negócios português, este é o único tema previsto para a reunião agendada para 7 de Setembro, segundo o documento com a ordem de trabalhos do encontro da agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Tal como outros organismos da ONU, as finanças da OIT estão a ressentir-se dos cortes no financiamento dos EUA.

A agência liderada por Gilbert Houngbo precisa de poupar cerca de 22 milhões de dólares, tendo indicado que já não tem outra forma de reduzir despesa além da relacionada com o pessoal, escreve o Jornal de Negócios.

Os Estados-membros têm de contribuir para o orçamento da OIT, mas os EUA encontram-se com pagamentos em atraso, devendo 173,5 milhões de francos suíços (185 milhões de euros), correspondentes a contribuições relativas a 2024 e 2025.

A contribuição deste ano, de 83,2 milhões de francos suíços (88,7 milhões de euros), ainda não se encontra em incumprimento. No entanto, se for considerada em conjunto com as anteriores, o valor total dos pagamentos pendentes dos EUA totaliza 257,5 milhões de francos (275 milhões de euros).

As contribuições obrigatórias dos Estados Unidos correspondem a 22% do orçamento da OIT. Seguem-se a China (20%), Japão (7%), Alemanha (5,6%) e França (3,8%), enquanto Espanha representa 1,9%, de acordo com o orçamento de receitas para 2026-2027.

A crise no financiamento da OIT acontece nas vésperas da abertura do concurso para o cargo de director-geral. O actual director, Gilbert Houngbo, antigo primeiro-ministro do Togo e responsável máximo da OIT desde 2022, espera ser reeleito em Novembro, tendo como concorrente a vice-presidente e ministra do Trabalho e Economia Social de Espanha, Yolanda Díaz.

O Conselho de Administração da OIT confirmou, na reunião de Junho, que Houngbo deveria proceder à aplicação de “medidas de contingência”, o que implicava levar a cabo um “processo justo e transparente para identificar os cargos suscetíveis de serem suprimidos”, segundo o Jornal de Negócios.

Mais de 500 empresas estrangeiras e três mil expositores nacionais são esperados na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo que decorre de 31 de Agosto a 6 de Setembro. O evento contará com a participação confirmada de 28 países, com o Brasil em destaque como país convidado de honra.

Segundo o Director-Geral da Agência de Investimento e Comércio, até ao momento estão confirmados 28 países, dois abaixo da meta estabelecida pela organização.

A edição deste ano contará com a representação das 11 províncias de Moçambique, numa iniciativa que pretende reforçar a promoção de negócios, investimentos e oportunidades de parceria.

O Brasil será o país de honra da 51.ª FACIM, estando igualmente previstos fóruns empresariais com representantes da China e dos Emirados Árabes Unidos.

Uma das principais novidades será a aposta na transformação digital. Sob o lema “Transformação digital e energética rumo a uma economia sustentável”, a organização pretende digitalizar todo o processo da feira.

A inscrição, reserva e pagamento dos stands, acesso ao programa, marcação de reuniões e realização de encontros empresariais B2B serão efectuados através de plataformas digitais.

A organização estima receber cerca de 55 mil visitantes durante os sete dias da feira.

A FACIM contará ainda com pavilhões dedicados às micro, pequenas e médias empresas, às províncias e aos sectores considerados estratégicos, além de espaços de vários ministérios e instituições do Estado.

A feira pretende consolidar-se como uma plataforma de promoção de investimentos e negócios, aproximando empresas nacionais e estrangeiras e criando oportunidades para novas parcerias comerciais.

A economia moçambicana deu sinais de uma recuperação tímida no primeiro semestre de 2026. Após as dificuldades de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,10% no primeiro trimestre deste ano, um sinal positivo, mas ainda frágil, diante de vários desafios. O primeiro semestre de 2026 não foi apenas um exercício de gestão económica, foi um exercício de sobrevivência.

Os dados do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) referentes ao primeiro semestre mostram que o desempenho da economia nacional foi severamente condicionado pelos efeitos de eventos climáticos extremos, como as cheias no Sul e Centro do País e o impacto devastador do ciclone Gezani. Estas catástrofes não apenas ceifaram vidas, mas também golpearam a produção agrária e destruíram infra-estruturas vitais.

Paralelamente, a economia moçambicana continua a sofrer os efeitos das tensões no Médio Oriente e do conflito Rússia-Ucrânia. A volatilidade dos preços internacionais de combustíveis, alimentos e matérias-primas, somada à disrupção logística global, elevou os custos de financiamento do comércio externo, pressionando uma inflação que fechou Junho nos 7,51%.

No plano das finanças públicas, os números reflectem uma contenção necessária. A receita do Estado atingiu os 183,2 mil milhões de meticais (45,03% da meta anual), enquanto a despesa totalizou 188,2 mil milhões (36,16% do limite anual). Embora os números sugiram uma tentativa de equilíbrio, a disparidade entre receitas e despesas num contexto de dívida pública que se situa em 1,1 trilhão de meticais exige um rigor quase cirúrgico na alocação de recursos.

No “termómetro” da eficácia governativa, o balanço é misto. Das 230 metas programadas para o PESOE 2026, apenas 127 foram avaliadas neste período. Como resultado: 62% das metas foram atingidas, mas não se pode ignorar o sinal de alerta dos 17% que apresentaram baixo desempenho, num contexto em que quase um quinto das políticas não cumprem o prometido.

Para o segundo semestre, o desafio não será apenas o de “gerir o dia-a-dia”, mas sim o de garantir que as reformas estruturais saiam do papel com a rapidez que o contexto exige. O crescimento da economia de 0,10% é um começo, mas, para a economia moçambicana, o caminho para a prosperidade ainda é longo e está sujeito a constantes sobressaltos. 

A Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM) terminou 2025 com um prejuízo consolidado de 74,6 milhões de meticais, depois de ter registado um lucro de 639,9 milhões no ano anterior. A empresa viu as vendas recuarem 35,5% e reconhece que o facto gera uma exposição crescente aos riscos de crédito e liquidez.

A Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM), empresa detida a 100% pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), fechou o exercício económico de 2025 com uma forte deterioração dos seus resultados financeiros, passando de um lucro consolidado de 639,9 milhões de meticais, em 2024, para um prejuízo de 74,6 milhões, no ano passado.

Os dados constam do relatório e contas da empresa, referente ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2025, disponibilizado pelo IGEPE, e revelam uma inversão de cerca de 714,5 milhões de meticais no resultado anual.

A principal pressão sobre o desempenho da empresa veio da redução das vendas. As receitas consolidadas provenientes da venda de bens e serviços caíram de 340,7 milhões de meticais, em 2024, para 219,8 milhões em 2025, uma redução de 120,9 milhões, equivalente a 35,5%.

A queda da facturação ocorreu num período em que a empresa continuou a suportar custos operacionais significativos. Os gastos com pessoal aumentaram de 33,6 milhões para 35,5 milhões de meticais, enquanto os fornecimentos e serviços de terceiros passaram de 28,2 milhões para 44,2 milhões.

As amortizações foram uma das rubricas que mais pressionaram as contas, tendo subido de 41,7 milhões para 89,2 milhões de meticais.

O efeito conjugado da redução das receitas com o aumento de vários custos levou o resultado operacional consolidado a aprofundar-se no vermelho. Em 2025, o Grupo SMM registou um resultado operacional negativo de 65,8 milhões de meticais, contra 30,7 milhões negativos no exercício anterior.

Apesar do prejuízo registado pelo grupo, a Sociedade Moçambicana de Medicamentos, individualmente, terminou 2025 com um resultado positivo de 10,1 milhões de meticais. O valor, contudo, representa uma quebra de aproximadamente 98,5% face aos 674,7 milhões de meticais de lucro registados em 2024.

O relatório recomenda, por isso, cautela na comparação directa dos resultados dos dois exercícios. Em 2024, tanto o Grupo como a SMM individual beneficiaram de um resultado extraordinário de 667,4 milhões de meticais.

Segundo o documento, os resultados extraordinários daquele exercício decorreram, essencialmente, da valorização da participação financeira da SMM na Indústria Farmacêutica de Moçambique, Lda.

Essa operação não se repetiu em 2025, deixando a empresa mais dependente do desempenho da sua actividade corrente. Assim, a passagem de um lucro excepcionalmente elevado para um resultado negativo resulta da combinação entre a ausência daquele ganho extraordinário e a deterioração dos indicadores operacionais.

Para além da queda das vendas, as contas revelam pressão sobre a tesouraria da empresa. A caixa e os depósitos bancários do Grupo terminaram 2025 em cerca de 10,1 milhões de meticais, contra 46,9 milhões no fim de 2024, uma redução superior a 36 milhões de meticais.

É, contudo, na gestão dos riscos que o relatório apresenta alguns dos sinais mais relevantes para a situação financeira da empresa.

Ao analisar o risco de crédito, observa-se no documento que “a SMM tem um risco significativo de crédito porquanto as suas vendas são realizadas a crédito”.

A exposição máxima a este risco aumentou de 137,4 milhões de meticais, em 2024, para 157,6 milhões em 2025. Do total, 87,2 milhões correspondiam a valores de clientes e 70,3 milhões a devedores diversos.

Ou seja, num ano em que a empresa vendeu menos 35,5%, aumentou simultaneamente o montante exposto ao risco de não cobrança. A capacidade de transformar vendas em dinheiro disponível passa, assim, a assumir maior importância para a sustentabilidade financeira da SMM.

O relatório também chama a atenção para o risco de liquidez, particularmente relevante num contexto de redução da caixa e manutenção de compromissos financeiros.

“O risco de liquidez é o risco de a empresa não ter capacidade financeira para satisfazer os seus compromissos associados a instrumentos financeiros quando estes vencem”, lê-se no documento.

Para fazer face a este risco, a administração explica que acompanha os prazos dos activos e passivos e projecta os fluxos de caixa futuros. A estratégia passa por “manter o equilíbrio entre a continuidade do financiamento e a flexibilidade”, recorrendo, entre outros mecanismos, a descontos bancários, locações financeiras e à cobrança das vendas e prestações de serviços.

A necessidade de reforçar a liquidez ganha peso tendo em conta que o Grupo apresentava, no fim de 2025, empréstimos obtidos de 358,3 milhões de meticais. Deste montante, 284,5 milhões correspondiam a financiamento de médio e longo prazo associado à PHARMATECH FZCO.

O relatório esclarece, entretanto, que a classificação desse financiamento foi corrigida, sem impacto no total dos passivos, no capital próprio ou nos resultados apresentados.

As contas identificam ainda uma retribuição contingente de 48,6 milhões de meticais decorrente de um acordo extrajudicial celebrado com o Banco Nacional de Investimentos, em Outubro de 2024.

Apesar da deterioração dos resultados, os auditores independentes não identificaram matéria que os levasse a pôr em causa as demonstrações financeiras apresentadas pela empresa.

Na sua opinião, as demonstrações financeiras consolidadas e individuais apresentam “de forma apropriada, em todos os aspectos materiais”, a posição financeira da SMM a 31 de Dezembro de 2025, assim como o seu desempenho financeiro e os fluxos de caixa do exercício.

A administração, por sua vez, afirma ter preparado as demonstrações financeiras com base no pressuposto da continuidade das operações e declara não ter conhecimento de qualquer situação que possa colocar em causa a continuidade da empresa num futuro previsível.

O prejuízo de 74,6 milhões de meticais não significa, por si só, que a SMM esteja em situação de insolvência ou tenha interrompido as suas operações. A empresa continua a apresentar activos relevantes e mantém uma participação de 49% na Indústria Farmacêutica de Moçambique, avaliada em 1,176 mil milhões de meticais.

Ainda assim, os resultados de 2025 expõem uma deterioração que vai além da simples queda do lucro. A empresa vendeu menos, agravou o resultado operacional, terminou o exercício com uma disponibilidade de caixa significativamente inferior e aumentou a exposição ao risco de crédito.

Para uma empresa pública considerada estratégica no sector farmacêutico, a recuperação dependerá agora da capacidade de aumentar as vendas, acelerar a cobrança de valores em dívida, controlar os custos e melhorar a geração de caixa.

Depois de um 2024 impulsionado por um ganho extraordinário superior a 667 milhões de meticais, a SMM encerra 2025 numa posição que exige maior desempenho da actividade operacional. O desafio passa por transformar a capacidade produtiva e os activos que ainda detém em receitas recorrentes e liquidez suficiente para sustentar as suas operações.

 

O Governo, através da MozParks, iniciou a construção da Vila de Pequenas e Médias Empresas no Parque Industrial de Topuito, distrito de Larde, na província de Nampula, com o objectivo de aproximar fornecedores nacionais da cadeia de valor da Kenmare e criar condições para que mais empresas locais passem a fornecer bens e serviços à indústria de areias pesadas.

A primeira pedra da infra-estrutura foi lançada nesta semana, dando início a um projecto que deverá ocupar uma área de 10 hectares e concentrar, numa primeira fase, cerca de 50 pequenas e médias empresas. A expectativa das autoridades é que a iniciativa contribua para reter no distrito uma parte maior do valor gerado pela actividade mineira e amplie as oportunidades de emprego e negócio para a população local.

“Esta vila de pequenas e médias empresas passará a garantir que os fornecedores da Kenmare sejam localizados no distrito de Larde, em Topuito, fazendo com que, ao produzir as referidas peças localmente, possam ser gerados empregos para a população local”, explicou Onório Manuel, director-geral da MozParks.

O projecto é uma iniciativa do Governo, financiada pelo Banco Mundial através do projecto de Ligações Económicas para a Diversificação, denominado Conecta Negócios. A implementação está a cargo da MozParks, em coordenação com a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), e deverá decorrer ao longo de um ano.

A construção está orçada em 600 milhões de meticais e prevê, para além dos espaços destinados às empresas, a criação de infra-estruturas de apoio à actividade industrial e comercial. Entre elas estão armazéns e um centro de formação, concebidos para responder às necessidades dos fornecedores e preparar mão-de-obra para as oportunidades que deverão surgir com a expansão da cadeia de fornecimento local.

“Vamos ter armazéns para serem utilizados para vários fins, desde o armazenamento de peças e outros vários bens necessários para a produção da própria Kenmare, mas também para a própria economia local. Vamos ter também a construção de um centro de formação para garantir que o capital humano se prepare adequadamente para essas oportunidades”, avançou Onório Manuel.

Com a instalação das 50 empresas, as autoridades estimam que a vila possa contribuir para a criação de até 10 mil postos de trabalho, entre directos e indirectos. O número inclui empregos que poderão surgir nas próprias empresas instaladas no parque, bem como actividades de transporte, logística, manutenção, armazenamento, comércio e outros serviços associados à nova dinâmica económica.

Mais do que uma infra-estrutura de apoio à Kenmare, a vila é apresentada pelo Governo como parte de uma estratégia de desenvolvimento de fornecedores nacionais e de maior integração da actividade mineira na economia local. A intenção é criar condições para que a exploração de recursos naturais produza efeitos mais abrangentes sobre o tecido empresarial e o emprego.

O projecto está igualmente associado aos planos do Governo para aumentar a capacidade de processamento de recursos minerais dentro do País. Segundo o director-geral da MozParks, a nova fase exigirá investimentos adicionais em infra-estruturas básicas, nomeadamente estradas e energia, de modo a criar condições para o processamento local dos minérios.

“É por isso que uma das componentes é garantir que se construam estradas, que se traga uma quantidade de energia que seja, pelo menos, necessária para esta fase futura que vai seguir-se, de processamento de minérios”, afirmou o responsável.

A perspectiva é que o desenvolvimento de fornecedores e a criação de capacidade industrial em Topuito acompanhem a evolução da actividade mineira e contribuam para uma maior retenção de valor no País. Para as pequenas e médias empresas, a presença de um grande comprador como a Kenmare representa, por outro lado, uma oportunidade de acesso a um mercado regular, desde que consigam responder aos padrões técnicos e comerciais exigidos.

A Kenmare Resources opera em Topuito, através da sua unidade Moma Titanium Minerals Mine, dedicada à exploração de areias pesadas. A operação iniciou-se em 2007 e produz, entre outros minerais, ilmenite, zircão e rutilo, matérias-primas utilizadas em diferentes sectores industriais.

A empresa mantém uma forte orientação para o mercado externo, com a produção destinada à exportação. No ano passado, foram embarcadas cerca de 948 mil toneladas de produtos, entre ilmenite, zircão, rutilo e outros concentrados. Estes minerais são utilizados, entre outros sectores, nas indústrias aeronáutica, naval, de tintas e cerâmica.

É neste contexto que a Vila de Pequenas e Médias Empresas pretende transformar a presença da indústria extractiva numa plataforma de negócios para empresas moçambicanas. O desafio será garantir que as PME interessadas tenham acesso a financiamento, tecnologia, formação e capacidade de gestão suficientes para aproveitar as oportunidades criadas pela cadeia de valor mineira.

Para o Governo, o projecto representa uma aposta na diversificação económica e no conteúdo local. Para as empresas, constitui uma oportunidade de integração numa cadeia de valor de escala. E, para a população de Larde, a expectativa está sobretudo na transformação desta nova capacidade produtiva em emprego, rendimento e negócios sustentáveis.

O sucesso da iniciativa dependerá, contudo, da capacidade de transformar a infra-estrutura em actividade empresarial efectiva, garantindo que as empresas instaladas tenham mercado, financiamento, competências e condições adequadas para operar. A meta de 50 empresas e até 10 mil empregos coloca sobre o projecto a expectativa de produzir impactos que ultrapassem os limites do parque industrial e se façam sentir na economia de Larde e de toda a região Norte. 

O lucro do BCI caiu de cerca de 3,7 mil milhões de meticais para 3,3 mil milhões de Janeiro a Junho deste ano, se comparado a igual período de 2025. Devido ao elevado risco de crédito malparado, as reservas do banco comercial dispararam.

Nos primeiros seis meses deste ano, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), um dos maiores bancos do País, ganhou menos dinheiro e reforçou reservas para eventuais riscos de clientes, mostram demonstrações financeiras.

O banco fechou o semestre com um resultado líquido de 3,3 mil milhões de meticais, depois de cerca de 3,7 mil milhões em igual período de 2025.

Nas contas dos primeiros seis meses, a preocupação vai para as “imparidades”. De Janeiro a Junho deste ano, a instituição reservou 1,3 mil milhões para cobrir perdas ligadas a clientes, caso estes não consigam pagar os seus empréstimos. 

Em igual período do ano passado, o valor das imparidades do Banco Comercial e de Investimentos rondava em apenas 988 milhões de meticais. 

Embora tenha reforçado as reservas contra o risco de incumprimento, o relatório destaca uma nota positiva: a recuperação de dinheiro em operações anteriores. 

“No decurso do primeiro (1º) semestre de 2026, o banco recebeu o valor de 212.291.225,00 MT referente à recuperação de várias operações de crédito, mediante acordo entre as partes”, lê-se nas demonstrações financeiras.

Outro ponto que sofreu queda é a ‘margem financeira’, que mostra o lucro que o banco faz com a diferença entre o que paga nos depósitos e o que cobra nos empréstimos. Reduziu de 8,9 mil milhões de meticais para 8,5 mil milhões. 

De Janeiro a Junho últimos, o banco gastou cerca de 74,8 milhões de meticais com remunerações mensais, enquanto em 2025 a despesa foi de 92.4 milhões de Meticais. E, com outras remunerações, a despesa foi de 37.4 milhões nos primeiros seis meses deste ano, contra 46.2 milhões no ano anterior.

O banco comercial e os seus accionistas dizem estar comprometidos em deter capital suficiente para manter o rácio de solvabilidade confortavelmente acima do mínimo exigido pelo Banco de Moçambique. 

“Em 30 de Junho de 2026, o rácio de solvabilidade era de 31,40% (2025: 31,44%). O mesmo manteve-se acima do exigido pelo Banco de Moçambique (15%), facto que comprova a solidez financeira do BCI”, revela a instituição.

O valor da contribuição do Banco Internacional e de Investimento para a segurança social ascende a 80.822.524,00 MT (2025: 77.900.366,00 meticais).

Os dados foram extraídos da demonstração de resultados do BCI referentes ao primeiro semestre. Para já, resta saber como será o resto do ano para o banco.

O Banco Comercial e de Investimentos é uma subsidiária do grupo Caixa Geral de Depósitos, que tem a sua sede em Lisboa, Portugal.

De acordo com o Banco de Moçambique, regulador do sistema financeiro moçambicano, o BCI é a instituição bancária doméstica de maior importância, seguida dos bancos Millennium bim e Standard Bank, respectivamente.

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, em audiência, no seu Gabinete, Mohammed Gulamabbas Dewji, CEO da MeTL Group (Mohammed Enterprises Tanzania Limited), num encontro que resultou no compromisso do grupo empresarial tanzaniano de investir 250 milhões de dólares norte-americanos em Moçambique e procurar criar 20 mil postos de trabalho para moçambicanos, reforçando as perspectivas de expansão da cooperação económica e empresarial entre Moçambique e a Tanzânia. 

Falando à imprensa no término da audiência, Mohammed Dewji destacou a visão do Chefe do Estado e manifestou satisfação pelo encontro, enquadrado nos esforços de promoção do investimento e de fortalecimento das relações económicas entre os dois países. “Sou um empreendedor da Tanzânia e foi uma honra conhecer Sua Excelência, o Presidente, e nós vemos uma grande visão que ele tem para este belo país, Moçambique”, afirmou. 

O empresário considerou que as conversações mantidas com o Presidente da República foram produtivas e permitiram identificar perspectivas concretas de investimento no país. “Tivemos uma discussão muito frutuosa e comprometemo-nos a investir 250 milhões de dólares em Moçambique e a tentar empregar 20 mil moçambicanos”, declarou. 

O compromisso anunciado enquadra-se no perfil diversificado da MeTL Group, um dos grupos empresariais da Tanzânia com actividades em diferentes sectores da economia, o que abre espaço para investimentos em áreas estratégicas e para o estabelecimento de novas cadeias de produção, distribuição e prestação de serviços em Moçambique. 

Entre as principais áreas de actividade do grupo destacam-se a manufactura, agricultura, energia e petróleo, comércio e distribuição, transportes e logística, serviços financeiros, imobiliário e infra-estruturas, telecomunicações e tecnologia, sectores com potencial para contribuir para a diversificação da economia moçambicana, aumento da produção e criação de oportunidades de emprego. 

O encontro ocorre num contexto de procura de maior mobilização de investimento privado para impulsionar o crescimento económico, a industrialização e a geração de emprego em Moçambique, ao mesmo tempo que o país procura aprofundar a cooperação económica com os Estados da região da África Austral

+ LIDAS

Siga nos