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O País – A verdade como notícia

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) inicia um novo ciclo de governação institucional com a nomeação de José Furtado para o cargo de Presidente da Comissão Executiva (PCE), após a aprovação dos novos Órgãos Sociais pelo Banco de Moçambique. A entrada em funções dos novos órgãos deverá ocorrer nas próximas semanas.

José Furtado regressa ao BCI depois de ter integrado a Administração da instituição entre 2013 e 2020. Com mais de 30 anos de experiência em cargos de liderança no sector financeiro, grupos empresariais, instituições públicas e organizações internacionais, o novo PCE traz uma vasta experiência adquirida em Moçambique, Portugal, Estados Unidos da América e Inglaterra.

Na sua primeira reacção após a nomeação, José Furtado afirmou que pretende dar continuidade ao legado de confiança construído pelo banco ao longo dos anos. Segundo o gestor, o BCI reúne condições para se tornar uma instituição mais forte, moderna e eficiente, reforçando a sua capacidade de servir os clientes e contribuir para o desenvolvimento do país.

A nova Comissão Executiva será liderada por José Furtado e integra ainda Raúl António Correia Saraiva de Almeida, George Lenon Ibraimo Mandawa, Farhana Tayob Suleman Razak, Fátima Augusto da Conceição, Nuno Miguel Braga Pargana e Pedro Miguel Nunes Ventaneira.

A nomeação ocorre numa fase considerada estratégica para o sector financeiro nacional. O BCI destaca que os novos Órgãos Sociais terão como prioridades a excelência no atendimento aos clientes, a promoção da inclusão financeira, o fortalecimento da economia nacional e o desenvolvimento sustentável de Moçambique.

 

A Ministra das Finanças, Carla Louveira, manteve hoje, 22 de Junho, um encontro de trabalho com Thomas Revial, Chefe do Departamento dos Assuntos Multilaterais e Desenvolvimento e Co-Presidente do Clube de Paris, durante o qual passaram em revista a situação da economia moçambicana e as perspectivas de recuperação económica do país.

Na sua apresentação, a Ministra das Finanças destacou que a economia nacional registou sinais positivos de recuperação nos primeiros trimestres de 2023, após os sucessivos choques que afectaram o país, nomeadamente a pandemia da COVID-19 e diversos eventos climáticos extremos. Esta resiliência traduziu-se num crescimento económico de 5,5%, impulsionado, em parte, pelo início da produção de gás natural liquefeito (GNL) na Área 4, através do projecto Coral Sul.

Contudo, segundo Carla Louveira, no último trimestre de 2024 o país enfrentou uma crise política na sequência das eleições presidenciais de 9 de Outubro, marcada por manifestações que resultaram na paralisação parcial da actividade económica, destruição de infra-estruturas públicas e privadas, saques, vandalização de estabelecimentos comerciais e constrangimentos à circulação de pessoas e bens nas vias públicas e corredores de desenvolvimento.

Como consequência, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma contracção de 4,9% no quarto trimestre de 2024, tendo o crescimento anual fixado-se em 2,15%.

Já em 2025, a economia voltou a apresentar sinais de recuperação ao longo dos vários trimestres, culminando com um crescimento de cerca de 5,1% no quarto trimestre. Esta recuperação foi impulsionada, sobretudo, pelo sector primário, com destaque para as actividades de mineração, pesca e agricultura, que funcionaram como âncoras da economia nacional.

Relativamente ao sector fiscal, as projecções constantes do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026 apontam para um crescimento moderado do PIB na ordem de 2,8%, sustentado pela estabilidade cambial, inflação controlada em torno de 3,7% e Reservas Internacionais Líquidas estimadas em 3.234 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a cerca de 4,4 meses de cobertura das importações.

A Ministra destacou igualmente os avanços alcançados pelo Governo no âmbito das reformas económicas e financeiras, nomeadamente a saída de Moçambique da Lista Cinzenta, a operacionalização do Fundo Soberano, que prevê a afectação de 60% dos recursos para o financiamento do PESOE e 40% para investimentos em mercados externos, a aprovação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) e a implementação do Plano Operacional da Estratégia da Dívida Pública 2025-2029.

Por sua vez, Thomas Revial manifestou confiança na estabilização da economia moçambicana, considerando que, além das reformas em curso, as receitas provenientes da exploração do gás da Bacia do Rovuma poderão contribuir significativamente para o crescimento económico do país nos próximos anos.

Apesar dos sinais positivos, o Governo reconhece que a execução do PESOE 2026 continua sujeita a diversos riscos fiscais e macroeconómicos, tanto internos como externos, que poderão afectar a concretização das metas previstas e comprometer o processo de ajustamento fiscal em curso.

O aumento dos preços dos produtos alimentares continua a pressionar o custo de vida das famílias moçambicanas, numa altura em que o Instituto Nacional de Estatística (INE) aponta para uma subida da inflação em Maio deste ano, comparativamente ao mesmo período de 2025.

Uma ronda efectuada no Mercado Municipal da Malanga, na Cidade de Maputo, constatou que produtos de primeira necessidade, como tomate, pepino, cebola, batata e pimento, registam preços significativamente superiores aos praticados no ano passado.

Vendedores ouvidos no mercado atribuem a situação aos efeitos das cheias que afectaram zonas de produção agrícola no início do ano, bem como ao aumento dos custos de transporte e logística.

Uma comerciante explicou que o quilo de tomate, que anteriormente era vendido entre 25 e 50 meticais, passou a custar cerca de 100 meticais, após uma subida acentuada dos preços nos mercados abastecedores. Segundo a vendedora, a produção nacional foi fortemente afectada pelas cheias, obrigando os comerciantes a recorrer ao produto importado, sobretudo da África do Sul.

O mesmo cenário verificou-se com o pepino e o pimento. Enquanto no ano passado o quilo de pepino era comercializado entre 10 e 20 meticais, actualmente os preços variam entre 50 e 60 meticais. Já a caixa de pimento, que chegou a custar 120 meticais, é agora adquirida por cerca de 800 meticais.

Os vendedores afirmam que a subida dos preços tem impacto directo no poder de compra dos consumidores. Muitos clientes reduziram as quantidades adquiridas, optando por compras mais pequenas para fazer face ao aumento do custo de vida.

Apesar da redução do movimento nos mercados, alguns comerciantes defendem que os preços praticados continuam a ser mais acessíveis do que os encontrados em muitos supermercados, sobretudo por se tratar de produtos frescos e, em grande parte, de produção nacional.

Além dos efeitos das cheias, os comerciantes apontam o aumento dos custos dos combustíveis e do transporte como factores que continuam a influenciar os preços dos produtos alimentares.

Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística indicam que a inflação continua a afectar várias regiões do País, com destaque para as províncias de Gaza, Inhambane, Nampula e Tete, reflectindo-se no agravamento do custo de vida das famílias moçambicanas.

Moçambique e o Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID) acordaram a elaboração de um plano de parceria para os próximos três anos, com vista ao reforço da cooperação e à mobilização de financiamento para projectos estratégicos de desenvolvimento do País.

O entendimento foi alcançado durante um encontro entre a ministra das Finanças, Carla Loveira, e o vice-presidente para Operações do BID, Rami Ahmad, à margem da 51.ª Reunião Anual do Grupo Banco Islâmico de Desenvolvimento, realizada de 16 a 19 de Junho, na cidade de Baku, República do Azerbaijão, sob o lema “Integração Regional, Prosperidade para o Desenvolvimento”.

Durante as conversações, as partes passaram em revista a carteira de projectos actualmente financiados pelo BID em Moçambique, incluindo a linha de transporte de energia de 400 quilovolts entre Chimuara e Nampula, o projecto de transporte de energia da Central Térmica de Temane e a construção da Escola Secundária de Mueda.

O novo plano de parceria deverá definir, pela primeira vez, um quadro estratégico de cooperação entre Moçambique e o BID, bem como o respectivo pacote de financiamento, alinhado com o Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025-2029.

Na sua intervenção oficial durante as reuniões estatutárias do Grupo BID, Carla Loveira, na qualidade de Governadora de Moçambique junto da instituição, saudou a reeleição de Muhammad Suleiman Al Jasser para um novo mandato à frente do banco.

A governante destacou igualmente o lançamento do Fundo Concessional para o Desenvolvimento (ICF), uma iniciativa destinada a apoiar os países-membros mais vulneráveis aos choques macroeconómicos. O mecanismo beneficiará, particularmente, 27 países menos desenvolvidos, afectados por desafios como a insustentabilidade da dívida, as alterações climáticas e os conflitos geopolíticos.

À margem do evento, a ministra das Finanças manteve ainda encontros com o presidente do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África (BADEA), Abdullah KH Almusaibeeh, e com o presidente do Centro Multilateral de Cooperação para o Desenvolvimento Financeiro (MCDF), tendo manifestado o interesse do Governo moçambicano em reforçar a cooperação para o financiamento de projectos enquadrados na Estratégia Nacional de Desenvolvimento.

As reuniões anuais do BID serviram igualmente para reforçar a importância da cooperação Sul-Sul na mobilização de recursos para o desenvolvimento sustentável e inclusivo, numa altura em que se regista uma redução do financiamento disponibilizado pelas agências multilaterais tradicionais de desenvolvimento.

A cerimónia oficial de abertura do encontro foi presidida pelo Presidente da República do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e contou com a participação dos governadores representantes dos 53 Estados-membros do Banco Islâmico de Desenvolvimento.

Moçambique e o Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID) acordaram a elaboração de um Plano de Parceria para os próximos três anos, com vista ao reforço da cooperação e à mobilização de financiamento para projectos estratégicos de desenvolvimento do País.

O entendimento foi alcançado durante um encontro entre a Ministra das Finanças, Carla Loveira, e o Vice-Presidente para Operações do BID, Rami Ahmad, à margem da 51.ª Reunião Anual do Grupo Banco Islâmico de Desenvolvimento, realizada de 16 a 19 de Junho, na cidade de Baku, República do Azerbaijão, sob o lema “Integração Regional, Prosperidade para o Desenvolvimento”.

Durante as conversações, as partes passaram em revista a carteira de projectos actualmente financiados pelo BID em Moçambique, incluindo a linha de transporte de energia de 400 quilovolts entre Chimuara e Nampula, o projecto de transporte de energia da Central Térmica de Temane e a construção da Escola Secundária de Mueda.

O novo plano de parceria deverá definir, pela primeira vez, um quadro estratégico de cooperação entre Moçambique e o BID, bem como o respectivo pacote de financiamento, alinhado com o Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025-2029.

Na sua intervenção oficial durante as reuniões estatutárias do Grupo BID, Carla Loveira, na qualidade de Governadora de Moçambique junto da instituição, saudou a reeleição de Muhammad Suleiman Al Jasser para um novo mandato à frente do banco.

A governante destacou igualmente o lançamento do Fundo Concessional para o Desenvolvimento (ICF), uma iniciativa destinada a apoiar os países-membros mais vulneráveis aos choques macroeconómicos. O mecanismo beneficiará, particularmente, 27 países menos desenvolvidos, afectados por desafios como a insustentabilidade da dívida, as alterações climáticas e os conflitos geopolíticos.

À margem do evento, a Ministra das Finanças manteve ainda encontros com o Presidente do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África (BADEA), Abdullah KH Almusaibeeh, e com o Presidente do Centro Multilateral de Cooperação para o Desenvolvimento Financeiro (MCDF), tendo manifestado o interesse do Governo moçambicano em reforçar a cooperação para o financiamento de projectos enquadrados na Estratégia Nacional de Desenvolvimento.

As reuniões anuais do BID serviram igualmente para reforçar a importância da cooperação Sul-Sul na mobilização de recursos para o desenvolvimento sustentável e inclusivo, numa altura em que se regista uma redução do financiamento disponibilizado pelas agências multilaterais tradicionais de desenvolvimento.

A cerimónia oficial de abertura do encontro foi presidida pelo Presidente da República do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e contou com a participação dos governadores representantes dos 53 Estados-membros do Banco Islâmico de Desenvolvimento.

A ChildFund Moçambique e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) assinaram, nesta sexta-feira, um Protocolo de Cooperação destinado à implementação do projecto “Uma Escola Daqui com Água Potável para Criança”, uma iniciativa que reforça o compromisso das duas instituições com a melhoria das condições de Educação, Saúde e bem-estar das comunidades rurais moçambicanas.

O acordo, formalizado na sede do BCI, em Maputo, pelo Administrador do Banco, George Mandawa, e pelo Gestor Nacional da ChildFund Moçambique, Harrisson Ruben, enquadra-se nas comemorações dos 30 anos do BCI em Moçambique e marca mais uma etapa da cooperação entre as partes.

No quadro desta parceria, serão construídos quatro furos de água em escolas e comunidades das províncias de Gaza, Inhambane e Nampula, beneficiando directamente mais de 2.000 crianças e cerca de 3.000 membros das comunidades.

Na ocasião, o Administrador do BCI, George Mandawa, destacou o percurso do Banco ao longo dos seus 30 anos de existência, sublinhando o compromisso contínuo com o desenvolvimento do país e com a promoção de iniciativas que geram impacto económico e social sustentável em Moçambique.

O responsável sublinhou que, com o acordo firmado, o Banco reforça o seu compromisso com a criação de impacto social positivo. O BCI coloca a criança no centro da sua acção social, entendendo que cada gota de água é um investimento na educação, saúde e dignidade das futuras gerações.

Acrescentou que o Banco não se limita à construção de furos de água, mas à construção de futuro, criando condições para uma educação melhor, para o desenvolvimento sustentável das comunidades.

Por sua vez, o Gestor Nacional da ChildFund Moçambique, Harrisson Ruben, salientou que o acesso à água potável constitui um factor determinante para o desenvolvimento das crianças. “Cada furo aberto constitui muito mais do que acesso à água potável; representa dignidade, saúde e melhores oportunidades de aprendizagem para as nossas crianças”, disse. Acrescentou, ainda, que o compromisso da ChildFund vai para além da construção de infra-estruturas, prevendo igualmente a criação e capacitação de comités locais de gestão da água, com vista a assegurar a sustentabilidade das intervenções e garantir que os seus benefícios sejam duradouros.

Ao promover o acesso sustentável à água potável em comunidades rurais, o projecto em referência contribui para reduzir as dificuldades de acesso a este recurso essencial, melhorar o ambiente escolar e elevar a qualidade de vida de milhares de crianças e das suas famílias.

 

O Banco de Moçambique realizou, nos dias 17 e 18 de Junho, em Quelimane, uma capacitação de 43 jornalistas de órgãos de comunicação social da província da Zambézia, em parceria com o Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ).

O evento, inserido no programa de educação económica denominado “Economia para Todos”, visava dotar os escribas de conhecimentos sobre o funcionamento do mercado cambial e do Fundo Soberano de Moçambique.

Intervindo na abertura do evento, o chefe do Serviço de Administração e Contabilidade da Filial de Quelimane, José Muane, disse que a qualidade da informação jornalística é de extrema relevância, porque “influencia directamente a compreensão e opiniões do público, relativamente a matérias adstritas ao mandato do Banco, nos domínios monetário, prudencial e cambial”.

Coube ao técnico do Gabinete de Comunicação e Imagem, Elton Cavadias, e ao assistente de Direcção do Departamento de Mercados e Gestão de Reservas, Cláudio Mangue, dissertar, respectivamente, sobre os temas “Taxa de câmbio e mercado cambial: o que é e como funciona?” e “Fundo Soberano de Moçambique: processo de governance e sua operacionalização”, que mereceram um debate permeado por muita interacção com os participantes.

Falando em representação dos escribas, o representante do Sindicato Provincial em Quelimane, Quincardete Paulo, louvou a iniciativa do banco central, sublinhando que o aprendizado adquirido será uma mais-valia na divulgação adequada de informações de interesse público com rigor e responsabilidade.

O Standard Bank e a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento assinaram, na quarta-feira, um memorando de entendimento para a implementação do Programa de Incubação e Formação para Mulheres em Negócios Verdes.

Trata-se de uma iniciativa formalizada em Maputo e que visa fortalecer a capacidade empreendedora de mulheres moçambicanas e promover o seu envolvimento em sectores estratégicos para o desenvolvimento sustentável.

No acordo, as instituições propõem-se a criar oportunidades para que mulheres empreendedoras possam desenvolver competências empresariais, fortalecer os seus negócios e expandir o seu impacto nos domínios da economia verde, economia azul, economia circular, energias renováveis e gestão de resíduos.

“O programa contempla a realização de actividades de incubação e aceleração empresarial, academias de educação financeira, ‘masterclasses’ de gestão e módulos digitais de aprendizagem, permitindo que empreendedoras de todas as províncias tenham acesso a conhecimentos, ferramentas e redes de apoio essenciais para o crescimento sustentável dos seus negócios”, refere uma nota.

De acordo com o comunicado de imprensa, a iniciativa resulta de uma visão de desenvolvimento económico inclusivo e sustentável, assente no reconhecimento do papel das mulheres como agentes de transformação económica e social.

Para Erica Noormahomed, responsável da Incubadora de Negócios do Standard Bank, a parceria “representa um investimento concreto no talento, na capacidade empreendedora e no potencial de liderança das mulheres moçambicanas, reconhecendo o papel fundamental que desempenham na criação de riqueza e geração de emprego”.

Conforme explicou, o crescimento económico sustentável exige a participação activa das mulheres em sectores estratégicos para o futuro do País. Por isso, acrescentou, o programa foi concebido para apoiar empreendedoras em diferentes fases da sua jornada empresarial, desde a concepção de ideias de negócio até à aceleração de empresas com elevado potencial de crescimento.

“Pretendemos criar uma comunidade dinâmica de empresárias que continue a crescer para além da duração formal do projecto e que promova a colaboração, a partilha de experiências, o acesso a mercados, oportunidades de financiamento e novas parcerias”, frisou Noormahomed.

Por seu turno, a directora residente da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento (GIZ) em Moçambique, Kirsten Focken destacou o papel estratégico das mulheres na promoção de soluções empresariais sustentáveis.

“As mulheres empreendedoras estão numa posição única para liderar a transformação verde de Moçambique. Com base na nossa forte colaboração com o Standard Bank, estamos a investir em competências, redes e impulso para transformar grandes ideias em negócios resilientes e geradores de emprego”, disse a directora residente da GIZ em Moçambique.

O programa inclui, ainda, medidas de inclusão e acessibilidade, visando garantir a participação de mulheres provenientes de diferentes contextos sociais e económicos, incluindo mulheres com deficiência, reforçando o compromisso das duas instituições com um desenvolvimento mais equitativo e abrangente.

“Esta parceria surge na sequência de experiências anteriores desenvolvidas conjuntamente entre o Standard Bank e a GIZ, cujos resultados demonstraram o impacto positivo da capacitação empresarial feminina na criação de emprego, crescimento dos negócios e fortalecimento da economia nacional”, diz a nota.

Com esta iniciativa, o Standard Bank e a GIZ afirmam que pretendem contribuir para o surgimento de uma nova geração de empresárias moçambicanas preparadas para liderar a transformação económica verde do País, promovendo empresas mais resilientes, competitivas e sustentáveis.

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique indica que, durante o primeiro trimestre do ano, o Índice do Ambiente Macroeconómico caiu de 62 para 55 por cento, enquanto o Índice de Robustez Empresarial recuou de 28 para 26 por cento. A escassez de divisas, as cheias e os constrangimentos logísticos continuam a afectar as actividades das empresas.

Os dados apresentados nesta quinta-feira, durante o Economic Briefing promovido pela CTA, referem que a desaceleração da economia, em oito pontos percentuais, foi  influenciada por questões como o clima e a guerra no Médio Oriente.

“Entre os principais desafios destacam-se os impactos das calamidades naturais que afectaram várias regiões do País, as limitações persistentes no acesso a divisas, as pressões sobre o abastecimento de combustíveis e um ambiente internacional marcado por crescentes incertezas geopolíticas e económicas”, disse o presidente da CTA, Álvaro Massingue.

Uma das consequências directas deste cenário é a redução da capacidade de resistência das empresas, face aos abalos.

No mesmo período, indica o sector privado, o Índice de Robustez Empresarial sofreu uma queda de dois pontos percentuais, isto é de 28% para 26%, “sinalizando uma deterioração da resiliência empresarial face aos múltiplos choques económicos e operacionais observados ao longo do período”.

“Esta evolução é explicada, em grande medida, pelos danos provocados pelas cheias em infra-estruturas produtivas, equipamentos e stocks empresariais, particularmente nas províncias de Gaza e Maputo, bem como pelas interrupções verificadas nas cadeias de abastecimento, que limitaram a circulação de pessoas e mercadorias, afectando simultaneamente o acesso aos insumos e a comercialização dos produtos finais.”

Estes indicadores mostram que, apesar dos progressos alcançados em algumas variáveis macroeconómicas, muitas empresas continuam a operar sob forte pressão, exigindo respostas coordenadas que reforcem a capacidade produtiva e a competitividade da economia nacional.

Apesar destes números, o sector privado empresarial considera alguns sinais positivos para a recuperação económica: os níveis de inflação e a taxa de câmbio.

Massingue revelou que a inflação se manteve em níveis moderados, situando-se em torno de 4,1%, “preservando um ambiente de relativa estabilidade de preços”. A taxa de câmbio, por seu turno, “continuou a apresentar um comportamento relativamente estável”, contribuindo para uma maior previsibilidade das operações empresariais.

“Por outro lado, a política monetária prosseguiu numa trajectória de flexibilização gradual, traduzida na redução progressiva das taxas de juro, factor que poderá contribuir para estimular o investimento privado e aliviar os custos de financiamento das empresas.”

Diante dos números e das promessas governamentais, a CTA fez uma lista, dirigida ao Executivo, como acções essenciais para melhoria do ambiente de negócios: “(…) destacam-se a melhoria do acesso ao financiamento, a regularização dos pagamentos em atraso do Estado ao sector privado, o reforço da disponibilidade de divisas, a modernização das infra-estruturas económicas e a aceleração das reformas orientadas para a competitividade”.

Diante do cenário, o Governo, que esteve representado pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, avalia o cenário positivamente, baseado nos dados de produção industrial.

“Na indústria, a nossa produção manteve-se estável, atingindo cerca de 34 825 milhões de meticais, acompanhada pela continuidade da actividade produtiva”, revelou o governante, que, sem apresentar números, se referiu ao registo de “crescimento de emprego em diversos sectores”.

No mesmo período, especificamente no comércio externo, o país registou um saldo no primeiro trimestre positivo de “114 milhões de dólares”, impulsionado pelo aumento das exportações e pela redução das importações.

“Este resultado demonstra que Moçambique está a reforçar a sua capacidade produtiva, a gerar mais divisas e a consolidar a sua presença nos mercados regionais e internacionais. Na promoção de investimento, foram aprovados cerca de 66 projectos avaliados em mais de  568 milhões de dólares norte-americanos, com potencial para gerar mais de 13 mil postos de trabalho.”

Muhate acrescenta que os números acima referidos representam as fábricas, empregos, oportunidades para a nossa juventude e maior dinamização das economias a nível local. “No sector do turismo, entraram em funcionamento no primeiro trimestre, 44 novos empreendimentos turísticos responsáveis pela criação de cerca de 398 postos de trabalho. Este desempenho confirma a crescente confiança dos investidores no potencial turístico que o nosso país oferece e reforça o papel deste sector como um dos principais motores de diversificação da nossa economia, geração de rendimento e desenvolvimento local”.

Em relação aos desafios apresentados pelo sector privado, o ministro da economia apresenta uma fórmula, que envolve sinergias.

“Os dados mais recentes apontam para um contexto marcado por factores internos e externos que exigem a vigilância permanente e uma actuação coordenada entre o Governo, o Banco Central e o sector privado. Em primeiro lugar, observa-se uma revisão em alta das perspectivas de inflação, influenciada, sobretudo, pelo ajustamento dos preços domésticos, dos combustíveis líquidos, pelas interrupções no fornecimento de combustíveis e pelas pressões inflacionárias em funcionários importados associados ao contexto internacional”.

A dívida interna é outro fenómeno reconhecido pelo Governo como um desafio para as empresas nacionais.

“É por isso que o Governo está a trabalhar no sentido de planificar e organizar melhor o processo de gestão da dívida pública, principalmente a dívida com os fornecedores, que já têm passos avançados em relação a uma planificação clara que prioriza as pequenas e grandes empresas ou aquelas empresas que realmente precisam de suporte para continuar a realizar as suas actividades.”

Face à resolução do conflito no Médio Oriente, que já demanda a redução da crise financeira global, o Governo apela às entidades para estarem atentas para tirarem maior proveito deste contexto, para a estabilização financeira.

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