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O País – A verdade como notícia

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que a estabilidade macroeconómica alcançada nos últimos meses, embora importante, não é suficiente para garantir o crescimento sustentável da economia nacional.

Durante o Economic Briefing, a CTA defendeu a implementação de reformas estruturais destinadas a reduzir os custos, para minimizar os problemas que continuam a afectar a actividade empresarial.

Entre as prioridades apontadas, destacam-se a melhoria do acesso ao financiamento, a modernização das infra-estruturas económicas, a simplificação dos procedimentos administrativos, o reforço da disponibilidade de divisas e a eliminação de barreiras que limitam a competitividade das empresas nacionais.

A agremiação sublinhou ainda que a actual  conjuntura económica exige acção imediata e decisões corajosas por parte de todos os intervenientes, incluindo o Governo, o sector privado e os parceiros de desenvolvimento.

“A estabilidade macroeconómica deve traduzir-se em benefícios concretos para as empresas e para os cidadãos”, defendeu o presidente da CTA, Álvaro Massingue, acrescentando que o fortalecimento da produção nacional, da industrialização e das exportações deverá ocupar um lugar central na agenda económica do País.

A agremiação empresarial manifestou-se confiante quanto ao potencial de crescimento de Moçambique, mas advertiu que a concretização desse potencial dependerá da capacidade colectiva de implementar reformas que promovam o investimento, a criação de emprego e o aumento da produtividade.

Para a CTA, o momento actual representa uma oportunidade para acelerar a transformação económica do País e construir uma economia mais forte, mais competitiva e mais resiliente perante os desafios internos e externos.

 

O Banco de Moçambique defende a criação de regras claras para a utilização da Inteligência Artificial no sistema financeiro nacional, com vista a garantir a segurança, a transparência e a protecção dos consumidores. A posição foi manifestada pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, durante a abertura das XVII Jornadas Científicas da instituição.

A Inteligência Artificial está a transformar rapidamente o sector financeiro e já integra as operações de várias instituições bancárias. A sua adopção está igualmente prevista na Estratégia do Banco de Moçambique para o período 2025-2029.

Entretanto, para assegurar uma implementação eficaz desta tecnologia, o Governador considera indispensável que a inovação seja acompanhada por mecanismos de regulamentação capazes de minimizar riscos e reforçar a confiança no sistema financeiro.

“A regulamentação e a utilização da Inteligência Artificial exigem mais do que mera tecnologia; requerem conhecimento, cooperação e sentido de responsabilidade. Nenhuma instituição conseguirá responder sozinha aos desafios desta transformação, razão pela qual o Banco de Moçambique continuará disponível para dialogar com o sistema financeiro, a academia, os inovadores e a sociedade em geral”, defendeu Rogério Zandamela.

O Governador alertou, contudo, para os riscos associados ao uso inadequado de dados pessoais, às ameaças à cibersegurança e às decisões automatizadas susceptíveis de prejudicar os consumidores.

“Não se trata de travar a inovação, mas sim de criar regras claras que assegurem que estas ferramentas sejam utilizadas com segurança, transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos dos consumidores. É na procura deste equilíbrio que o Banco de Moçambique iniciou uma jornada de adopção responsável de tecnologias emergentes”, afirmou.

Segundo Rogério Zandamela, desde 2021 o Banco de Moçambique tem vindo a desenvolver diversas iniciativas que culminaram com a aprovação da Estratégia de Transformação Digital 2025-2027 e com a criação de uma task force dedicada à área da Inteligência Artificial.

“Este ano, aprovámos igualmente a nossa Política de Inteligência Artificial, que estabelece princípios orientadores destinados a assegurar que esta tecnologia seja utilizada de forma segura, transparente e responsável no seio do nosso banco central”, acrescentou.

As XVII Jornadas Científicas do Banco de Moçambique decorrem sob o lema “Regulamentação e Utilização da Inteligência Artificial no Sistema Financeiro Nacional: Riscos e Oportunidades”.

A presente edição contou com a submissão de mais de 800 trabalhos de investigação, dos quais apenas três foram seleccionados para debate neste encontro, que reúne especialistas, académicos e profissionais do sector financeiro.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que Moçambique continua a enfrentar desafios económicos significativos, mas assinala uma recuperação gradual da actividade económica, após a contracção registada em 2025.

A avaliação foi apresentada no final de uma missão do FMI a Maputo, realizada entre 8 e 12 de Junho e chefiada por Pablo López Murphy, que manteve encontros com membros do Governo, do Banco de Moçambique, do sector privado e parceiros de desenvolvimento.

Segundo a declaração divulgada pela instituição, “Moçambique enfrenta uma situação económica desafiadora em meio a um ambiente global cada vez mais difícil”. Ainda assim, o FMI observa que “a actividade económica está se recuperando gradualmente da contração de 2025, mas o crescimento permanece moderado”.

A instituição refere igualmente que a inflação registou uma subida recente, embora partindo de níveis moderados, ao mesmo tempo que os desequilíbrios fiscais diminuíram ao longo de 2025, num contexto de condições de financiamento restritivas.

No entanto, o FMI alerta que “as vulnerabilidades fiscais e da dívida persistem”, enquanto os desequilíbrios externos aumentaram devido à queda das exportações e ao crescimento das importações associadas a grandes projectos de investimento. A organização acrescenta que “a persistente escassez de divisas continua a afectar as importações e a actividade económica”.

A missão sublinha ainda os riscos decorrentes da conjuntura internacional. Segundo o comunicado, “a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços dos combustíveis e fertilizantes, atinge Moçambique em um momento em que o crescimento permanece fraco, inclusive devido aos recentes choques climáticos, deixando pouca margem de manobra”.

Para o FMI, estes desenvolvimentos “representam riscos adicionais de queda para o crescimento e riscos de alta para a inflação”.

Durante a visita, a equipa discutiu com as autoridades moçambicanas as medidas consideradas necessárias para restaurar a estabilidade macroeconómica e assegurar a sustentabilidade da dívida.

As conversações incidiram sobre o reforço da posição fiscal de forma sustentável, a protecção das camadas mais vulneráveis da população, o fortalecimento do quadro de política monetária e cambial, a preservação da estabilidade financeira, a melhoria da governação e a promoção do crescimento liderado pelo sector privado.

O FMI revelou igualmente ter iniciado conversações com o Governo sobre um eventual programa apoiado pela instituição.

“A equipa discutiu com as autoridades o pedido de um acordo apoiado pelo FMI e retornará a Maputo nos próximos meses para discutir mais a fundo o pedido e os planos de política das autoridades”, refere o comunicado.

Durante a missão, a delegação reuniu-se com a ministra das Finanças, Carla Loveira, com a membro do Conselho de Administração do Banco de Moçambique, Maria Esperança Mateus Majimeja, bem como com outros altos funcionários governamentais e do banco central.

No final da visita, a equipa do FMI agradeceu às autoridades moçambicanas “pelo seu engajamento franco e construtivo e pelo apoio durante a missão”.

Maputo acolheu, nos dias 11 e 12 de Junho, a quinta edição da Conferência Empresarial Renováveis em Moçambique (RENMOZ 2026), evento que reuniu representantes do Governo, sector privado, investidores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento para debater o futuro da transição energética no país.

A conferência destacou a necessidade de mobilizar mais investimento, reforçar o papel do sector privado e transformar oportunidades em projectos concretos para acelerar o acesso universal à energia e expandir a capacidade de geração e transmissão eléctrica.

Com mais de 500 participantes de 18 nacionalidades, a RENMOZ 2026 confirmou o crescente interesse pelo sector das energias renováveis em Moçambique. Do total dos participantes, 45 por cento representavam empresas, 39 por cento instituições governamentais e públicas moçambicanas, e 10 por cento instituições financeiras.

Na sessão de abertura, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, destacou que o alcance das metas nacionais de acesso à energia, industrialização, criação de emprego e aumento da competitividade económica exige elevados investimentos, apontando o sector privado como um parceiro central nesse processo.

Por sua vez, o Embaixador da Alemanha em Moçambique, Ronald Münch, defendeu o reforço das parcerias para acelerar a implementação de projectos energéticos, enquanto os representantes da Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) e da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) sublinharam a importância da conferência como espaço de diálogo, confiança e promoção de investimentos.

Entre os principais anúncios realizados durante o evento destacam-se a apresentação do PROMIR-MZ, o lançamento previsto de um concurso para mini-redes no segundo semestre de 2026, a assinatura do acordo Subsidiary Agreement – PURE, os avanços do programa PROLER e a assinatura de um acordo de financiamento entre a ElectriFI e a Source Energia para apoiar projectos de energias renováveis no país.

A conferência serviu igualmente de palco para a apresentação da quinta edição da publicação “Resumo: Renováveis em Moçambique”, que aponta para uma taxa de electrificação de 66,4 por cento em 2025 e reafirma a meta nacional de alcançar o acesso universal à energia até 2030.

Segundo os dados apresentados, a capacidade instalada de geração eléctrica deverá aumentar de cerca de 2,9 gigawatts em 2025 para aproximadamente 9,5 gigawatts em 2032, mantendo as energias renováveis como principal fonte de geração.

Apesar do potencial do sector, a mobilização de financiamento continua a ser um dos principais desafios. A Estratégia de Transição Energética prevê necessidades de investimento de 18,6 mil milhões de dólares até 2030 e superiores a 80 mil milhões de dólares até 2050. Entre 2013 e 2024, Moçambique recebeu 755 milhões de dólares em investimentos em energias renováveis, dos quais apenas 20 por cento tiveram origem no sector privado.

Durante as sessões de negócio foram apresentadas diversas oportunidades de investimento em geração, transmissão, mini-redes, usos produtivos de energia e cozinha limpa. A Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou 16 projectos de geração e 11 de transmissão avaliados em mais de 4,6 mil milhões de dólares. Já a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) apresentou projectos avaliados em mais de 3,1 mil milhões de dólares, incluindo a Nova Central Norte, uma central solar e a modernização da Central Sul.

No domínio das mini-redes, foram identificadas oportunidades associadas a sete pré-clusters, 100 locais e nove potenciais usos produtivos de energia, reforçando a aposta em soluções fora da rede para acelerar a electrificação das zonas rurais.

O segundo dia do evento ficou marcado por debates sobre o desbloqueio de investimento para um crescimento energético inclusivo, cooperação regional no espaço da CPLP e pela realização do Seminário Nacional de Biocombustíveis 2026, que discutiu mecanismos para impulsionar o mercado, atrair financiamento e fortalecer a cadeia de valor dos biocombustíveis.

Organizada pela AMER e pela ALER, em parceria com o programa europeu GET.invest, a RENMOZ 2026 reafirmou o seu papel como plataforma de ligação entre visão estratégica, financiamento e implementação, num momento em que Moçambique procura consolidar-se como um mercado estratégico e um polo regional de energia renovável.

Os governos da África Oriental enfrentam crescentes dificuldades para equilibrar as contas públicas, devido à subida dos preços dos combustíveis e ao peso da dívida pública. Quénia, Uganda e Tanzânia apresentaram, nesta semana, os seus novos orçamentos de Estado num contexto marcado pelo aumento dos custos da energia, pressão inflacionária e necessidade de financiar programas sociais e projectos de desenvolvimento.

A situação surge numa altura em que as economias africanas continuam expostas à volatilidade dos mercados internacionais, particularmente no sector energético. As tensões geopolíticas e a instabilidade em regiões produtoras de petróleo continuam a influenciar os preços globais dos combustíveis, aumentando os custos para países dependentes de importações.

Analistas económicos alertam que a combinação entre combustíveis caros e dívida elevada está a reduzir significativamente a margem de manobra dos governos africanos. Muitos países vêm-se obrigados a escolher entre manter subsídios aos combustíveis, aumentar impostos ou reduzir despesas públicas para controlar os défices orçamentais.

“O aumento dos custos energéticos e do serviço da dívida está a limitar a capacidade dos governos para expandirem investimentos sociais e impulsionarem o crescimento económico”, observam especialistas citados por agências financeiras internacionais.

No Quénia, uma das maiores economias da região, as autoridades procuram equilibrar as exigências de consolidação fiscal com a necessidade de responder ao aumento do custo de vida. O desafio é semelhante na Tanzânia e no Uganda, onde os governos enfrentam pressões para manter a estabilidade económica sem comprometer investimentos considerados estratégicos.

Os combustíveis continuam a ser um dos principais factores de pressão sobre as economias africanas. O aumento dos seus preços têm impacto directo nos transportes, na distribuição de mercadorias e nos custos de produção, contribuindo para a subida generalizada dos preços dos bens e serviços.

Especialistas alertam que uma factura energética mais elevada absorve recursos que poderiam ser destinados a sectores prioritários como saúde, educação e protecção social.

Ao mesmo tempo, o elevado endividamento de vários países africanos obriga os governos a canalizarem uma parcela crescente das receitas para o pagamento de juros e amortizações aos credores.

Segundo instituições financeiras internacionais, alguns países já gastam mais recursos no serviço da dívida do que em áreas fundamentais para o desenvolvimento social, uma realidade que levanta preocupações sobre a sustentabilidade das finanças públicas.

Os novos orçamentos procuram, por isso, encontrar um equilíbrio entre disciplina fiscal e protecção dos cidadãos mais vulneráveis. Contudo, economistas admitem que as opções disponíveis são cada vez mais limitadas num ambiente económico global marcado pela incerteza.

Para a população, o impacto é sentido sobretudo através do aumento do custo de vida. Sempre que os combustíveis ficam mais caros, aumentam também os preços dos transportes públicos, dos alimentos e de diversos bens essenciais, reduzindo o poder de compra das famílias.

Num cenário de combustíveis caros, inflação persistente e dívida crescente, os governos africanos enfrentam o desafio de garantir estabilidade económica sem agravar ainda mais as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos. Os orçamentos agora apresentados poderão definir a capacidade destes de países responderem aos desafios económicos dos próximos anos.

O custo de vida disparou em Maio no País, impulsionado sobretudo pela forte subida dos preços dos combustíveis e pelo encarecimento dos transportes.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que os preços dos bens e serviços aumentaram 2,32% apenas num mês e estão, em média, 7,22% mais altos do que estavam há um ano. 

O aumento dos preços dos combustíveis foi o principal factor por trás da subida generalizada dos preços, afectando directamente o transporte de pessoas e mercadorias e, consequentemente, o preço de diversos bens e serviços.

“O País registou, em Maio de 2026, uma inflação mensal de 2,32%. A inflação acumulada situou-se em 5,19% e a homóloga em 7,22%”, lê-se no relatório sobre o Índice de Preços no Consumidor divulgado pelo INE.

O maior choque veio do gasóleo, cujo preço aumentou 44,5% em apenas um mês. A gasolina também ficou mais cara, registando uma subida de 11,9%. O impacto foi imediato nos transportes públicos e privados.

Segundo o INE, os preços dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos aumentaram 11,9%, os táxis ficaram 23,5% mais caros e os transportes de longo curso por autocarro tiveram um agravamento de 26,3%.

“Analisando a variação mensal por produto, é de destacar o aumento dos preços do gasóleo (44,5%), dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiros (11,9%), da gasolina (11,9%) e dos transportes por táxis (23,5%)”, refere o documento.

Na prática, isso significa que muitas famílias passaram a gastar mais para se deslocarem para o trabalho, escola ou mercado, num contexto em que os salários permanecem praticamente inalterados.

Os alimentos também contribuíram para o aumento do custo de vida. Entre os produtos que registaram maiores subidas destacam-se o peixe fresco, com um aumento de 11,7%, e o tomate, que ficou 5,7% mais caro.

Apesar de alguns produtos terem registado quedas de preços, como o milho em grão, a manga, a couve e o carvão vegetal, essas reduções não foram suficientes para compensar os aumentos registados nos combustíveis, transportes e outros produtos essenciais.

Desde o início do ano até Maio, os preços já aumentaram 5,19% em todo o País. O INE indica que a alimentação e os transportes continuam a ser os sectores que mais pressionam as despesas das famílias moçambicanas.

A situação não foi igual em todas as regiões do País. Quelimane foi a cidade onde os preços mais aumentaram durante o mês de Maio, tendo registado uma subida de 4,26%, quase o dobro da média nacional. Seguem-se Nampula, com 3,62%, e a província de Inhambane, com 2,53%. A Cidade de Maputo apresentou a menor subida mensal de preços, com 1,36%.

Contudo, quando a comparação é feita com o mesmo período do ano passado, é a cidade de Tete que apresenta o cenário mais preocupante. Naquela urbe, os preços ficaram 11,90% mais altos do que estavam há um ano, o maior aumento registado entre todas as cidades analisadas. Xai-Xai surge na segunda posição, com uma subida anual de 9,76%, seguida de Quelimane, com 9,67%.

“Comparativamente à variação homóloga, todos os centros registaram um aumento do nível geral de preços”, refere o documento.

Os números divulgados pelo INE mostram que a pressão sobre o orçamento das famílias continua a aumentar.

Com combustíveis mais caros, transportes mais dispendiosos e vários produtos alimentares a registarem aumentos, os consumidores vêem-se obrigados a gastar mais dinheiro para adquirir os mesmos bens e serviços que compravam há alguns meses.

Para milhares de famílias, a subida dos preços significa um poder de compra cada vez mais reduzido, numa altura em que as despesas do dia-a-dia continuam a crescer mais rapidamente do que os rendimentos.

A África do Sul está a preparar um reforço de reservas estratégicas de combustíveis para proteger a sua economia contra futuras crises de abastecimento e oscilações dos mercados internacionais de energia.

O anúncio foi feito pelo ministro dos Recursos Minerais e Petróleo sul-africano, Gwede Mantashe, que revelou, segundo a imprensa sul-africana, que o Governo pretende aumentar as reservas estratégicas de petróleo para o equivalente a 60 dias de importações líquidas, quase três vezes acima do nível actual.

Trata-se de uma iniciativa que surge num contexto de crescente instabilidade geopolítica mundial, marcada por conflitos em regiões produtoras de petróleo e por sucessivas perturbações nas cadeias globais de abastecimento de energia.

No momento, a legislação sul-africana aponta que o país tem capacidade para cerca de 10,3 milhões de barris de petróleo bruto em reservas. Contudo, avaliações recentes indicam que dispõe, na prática, de aproximadamente oito milhões de barris, quantidade suficiente para duas semanas de consumo em caso de interrupção do abastecimento internacional. Perante este cenário, Pretória decidiu avançar com uma nova estratégia de segurança energética.

“O modelo proposto prevê que a Companhia Nacional Sul-Africana de Petróleo mantenha reservas estratégicas equivalentes a 60 dias de importações líquidas”, afirmou Mantashe durante um encontro da indústria de combustíveis no país.

Segundo o governante da terra do rand, os acontecimentos recentes demonstraram que a dependência excessiva de combustíveis refinados importados representa um risco crescente para a economia sul-africana.

“As perturbações geopolíticas que continuamos a testemunhar expuseram os riscos associados à dependência excessiva de produtos petrolíferos refinados importados”, declarou o ministro dos Recursos Minerais e Petróleo sul-africano.

Está prevista na proposta uma nova política nacional sobre reservas estratégicas de petróleo, que deverá ser analisada pelo Conselho de Ministros sul-africano, antes de ser submetida à consulta pública.

O documento resulta de uma avaliação encomendada pelo Governo para identificar fragilidades no actual sistema de segurança energética do país.

É uma decisão que surge numa altura particularmente sensível para a economia sul-africana. Nos últimos meses, o país enfrentou fortes aumentos dos preços dos combustíveis líquidos, impulsionados pela subida dos preços no mercado internacional do petróleo e devido às tensões no Médio Oriente.

O Governo sul-africano reconheceu, recentemente, que a continuação dos conflitos em regiões estratégicas para o fornecimento mundial de petróleo tem vindo a pressionar os preços da energia e a aumentar os riscos para países dependentes de importações, como a África do Sul e Moçambique.

Para além do reforço das reservas, o Governo sul-africano pretende incentivar uma maior capacidade de refinação interna e diversificar as origens do combustível importado, reduzindo a dependência de mercados específicos.

O financiamento foi anunciado durante a abertura do II Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia, evento que decorreu entre terça e quarta-feiras e que reuniu mais de 380 empresários e investidores em Maputo.

A União Europeia (UE) anunciou um novo pacote de financiamento superior a 180 milhões de euros destinado à implementação de quatro programas estratégicos em Moçambique, abrangendo os sectores da energia, educação infantil, tecnologia e desenvolvimento sustentável. O anúncio foi feito esta terça-feira durante a abertura do II Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia, que decorreu na cidade de Maputo.

O encontro, que teve a duração de dois dias, reuniu 186 representantes de empresas europeias e mais de 200 empresários africanos, com o objectivo de fortalecer as relações económicas, promover oportunidades de investimento e aprofundar a cooperação entre Moçambique e os países da União Europeia.

Na cerimónia de abertura, o representante da União Europeia, Gonçalo Matias, reafirmou o compromisso europeu com o desenvolvimento económico e social de Moçambique, destacando sectores considerados fundamentais para o crescimento sustentável do País.

“A União Europeia continuará, por isso, a apoiar e a promover oportunidades de crescimento sustentável e inclusivo”, afirmou.

Segundo o diplomata, a parceria entre Bruxelas e Maputo vai além da dimensão económica, abrangendo também áreas como a segurança, a estabilidade e o desenvolvimento das regiões mais vulneráveis do País, particularmente as províncias do Norte afectadas pelo terrorismo.

“Uma das componentes mais importantes da nossa parceria diz respeito às províncias do Norte, onde os desafios de segurança têm condicionado, durante muito tempo, as perspectivas de desenvolvimento. A paz e a segurança são condições indispensáveis para a prosperidade. Sem paz não pode haver desenvolvimento sustentável”, declarou.

Gonçalo Matias reiterou ainda que a União Europeia permanecerá empenhada em apoiar os esforços do Governo moçambicano na restauração da segurança e na criação de condições favoráveis ao investimento e ao crescimento económico.

Durante o evento, o Presidente da República, Daniel Chapo, aproveitou a presença de investidores e parceiros internacionais para reafirmar a ambição de Moçambique de desempenhar um papel mais relevante na nova configuração económica global.

“Queremos elevar esta relação para um novo patamar, através de uma parceria que vá além da extração de recursos e que avance para a criação conjunta de valor”, afirmou o Chefe de Estado.

Para Daniel Chapo, o País pretende consolidar uma cooperação assente na industrialização, na transferência de conhecimento e na geração de benefícios concretos para as populações.

“Queremos uma parceria que transforme o potencial económico em prosperidade concreta para os nossos povos, o povo moçambicano e o povo europeu”, acrescentou.

O Presidente destacou igualmente a importância da iniciativa europeia Global Gateway, considerando-a uma oportunidade estratégica para acelerar investimentos em infraestruturas, energia, conectividade e desenvolvimento sustentável.

No entanto, Chapo alertou que o sucesso dos compromissos assumidos dependerá da rapidez com que os financiamentos sejam transformados em resultados tangíveis.

“O verdadeiro impacto destes compromissos não se mede apenas no momento da sua aprovação, mas na velocidade com que se traduzem em projectos executados, infraestruturas concluídas, empresas apoiadas e empregos criados”, sublinhou.

O Chefe de Estado defendeu ainda o reforço dos mecanismos de coordenação e implementação para garantir maior eficácia na execução dos investimentos identificados.

O II Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia encerrou esta quarta-feira com debates centrados na mobilização de investimentos, transição energética, inovação tecnológica, desenvolvimento de infraestruturas e fortalecimento das relações económicas entre Moçambique, a União Europeia e o continente africano.

O evento foi visto como uma plataforma estratégica para aproximar investidores, identificar oportunidades de negócio e acelerar projectos que contribuam para o crescimento económico sustentável e a criação de emprego no País.

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, inaugurou esta quarta-feira, no Porto de Maputo, o Slab 9A, uma nova infra-estrutura de armazenagem de minérios no Terminal de Granéis Sólidos, avaliada em cerca de 9,9 milhões de dólares norte-americanos.

Com capacidade para acomodar mais de um milhão de toneladas por ano, a infra-estrutura permitirá ao Porto de Maputo responder ao aumento da procura dos seus clientes, reforçar a sua competitividade regional e gerar benefícios económicos para o país, incluindo a criação de 51 postos de trabalho directos e indirectos adicionais.

Antes da inauguração, o governante visitou as obras de expansão do Terminal de Contentores da DP World Maputo, um projecto orçado em 164 milhões de dólares. A iniciativa prevê aumentar a capacidade do terminal dos actuais 225 mil TEUs para 530 mil TEUs por ano.

Durante a visita, foi apresentado o ponto de situação das obras, que registam cerca de 45% de execução global e se encontram na fase de cravação de estacas para a nova infra-estrutura portuária. A entrada em operação está prevista para o primeiro trimestre de 2027.

Na ocasião, João Matlombe destacou a importância dos investimentos em curso para o fortalecimento do Corredor de Maputo e para o crescimento da economia nacional. Segundo o ministro, o aumento da capacidade portuária deve ser acompanhado por melhorias em toda a cadeia logística.

“A competitividade não é determinada por uma única infra-estrutura. Não é o porto, isoladamente, que compete. É o corredor como um todo. Cada investimento que realizamos no porto deve ser acompanhado por ganhos equivalentes na ferrovia, na fronteira e nos sistemas que suportam o fluxo de mercadorias”, afirmou.

O ministro sublinhou ainda a necessidade de reforçar o transporte ferroviário, modernizar continuamente a fronteira de Ressano Garcia e integrar os sistemas logísticos para garantir maior competitividade do corredor.

Por sua vez, o Director Executivo da MPDC, Osório Lucas, afirmou que o investimento agora inaugurado surge para responder ao crescimento da procura pelos serviços do Porto de Maputo.

“Durante muitos anos, o desafio foi atrair carga para o Porto de Maputo. Hoje, o desafio é criar capacidade suficiente para acomodar a carga que pretende utilizar o Porto”, disse.

Segundo Osório Lucas, os volumes pretendidos pelos clientes já ultrapassam a capacidade actualmente disponível, tornando necessária a criação de novas áreas operacionais para evitar a perda de cargas para portos concorrentes da região.

O responsável anunciou igualmente que a MPDC prepara a próxima fase de expansão através do desenvolvimento do Slab 9B, um investimento estimado em cerca de 8,7 milhões de dólares, destinado a aumentar a capacidade do porto e responder ao crescimento sustentado da procura.

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