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O País – A verdade como notícia

A procura mundial por petróleo deverá cair 1,6 milhão de barris por dia em 2026, pressionada pelo fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e pelos elevados preços dos combustíveis, que continuam a reduzir o consumo global.

O mais recente relatório de Mercado de Petróleo da Agência Internacional de de Petróleo, AIE, de 12 de Agosto, indica para queda da demanda do produto  de 1,6 milhões de barris por dia, com uma revisão em baixa de 510 milhões em relação às projecções do mês de Julho.

De acordo com o relatório, “o fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e os elevados preços dos combustíveis continuam a pressionar o consumo de petróleo.” Refere o relatório que prevê uma redução da contração anual de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026 para 2,8 milhões/dia.

Embora o desempenho de 2026, no geral, se mostre baixo, o crescimento poderá ser retomado no último trimestre, e prevê-se que a demanda “deverá expandir 2,4 milhões de barris por dia em 2027.” Le-se no documento.

O processamento mundial de petróleo bruto nas refinarias aumentou em Julho, não obstante, continua 5 milhões de barris por dia abaixo dos níveis de 2025. O relatório explica que “as contínuas interrupções nas exportações de produtos do Oriente Médio e os ataques a refinarias russas reduziram as estimativas de processamento para o terceiro trimestre de 2026 em mais 370 mil barris por dia.”

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) retomaram, esta quarta-feira, as ligações aéreas a partir da cidade da Beira, com o objectivo de melhorar a conectividade doméstica e reduzir o tempo de deslocação entre as diferentes províncias do país, sobretudo as localizadas na região centro.

A retoma das operações, com base no Aeroporto Internacional da Beira, enquadra-se no processo de reestruturação da companhia e no reforço gradual da conectividade aérea nacional, posicionando a Beira como um ponto estratégico da rede doméstica da LAM.

Para assegurar as novas ligações, a companhia vai manter na Beira uma aeronave CRJ-200, com capacidade para 50 passageiros. O primeiro voo ligou, no início da tarde desta quarta-feira, as cidades da Beira e Tete, numa operação que foi recebida com satisfação pelos passageiros.

Para os utentes, a retoma representa um avanço, uma vez que, anteriormente, algumas deslocações a partir da Beira obrigavam os passageiros a passar por Maputo, aumentando significativamente o tempo de viagem. Com as novas ligações, espera-se uma redução do tempo de deslocação e maior facilidade nas conexões entre as províncias.

Além de Tete, a LAM prevê ligações a partir da Beira para Quelimane, Nampula, Nacala e Pemba, utilizando aeronaves com capacidade para 50 passageiros.

Por seu turno, a Aeroportos de Moçambique garantiu estar preparada para acompanhar o aumento do movimento aéreo na região centro. A empresa afirma estar a realizar investimentos em infra-estruturas aeroportuárias, sistemas de comunicação, apoio à navegação aérea e sistemas de aterragem, de modo a responder ao crescimento esperado das operações.

A retoma das ligações a partir da Beira é apresentada pela LAM como parte dos esforços para restabelecer e reforçar as ligações aéreas nacionais, contribuindo para uma maior mobilidade de passageiros e para a dinamização da actividade económica na região centro do país.

No primeiro semestre deste ano, 2077 trabalhadores moçambicanos conseguiram colocação profissional no estrangeiro, em Portugal, que surge como o segundo principal destino dos moçambicanos, atrás da África do Sul, confirmou recentemente o secretário permanente do Ministério do Trabalho e Acção Social, Paulo Beirão.

Entretanto, a tendência não é linear, havendo vários moçambicanos, com destaque para jovens, que não têm tido a mesma sorte quando chegam às terras lusas, segundo alerta o presidente da Casa de Moçambique em Portugal, Enoque João, que chama atenção para a instrumentalização dos jovens em nome do emprego.

A Casa de Moçambique em Portugal alerta que muitos moçambicanos continuam a emigrar sem informação suficiente, acabando vítimas de exploração laboral, contratos fraudulentos e dificuldades de legalização. A instituição defende maior articulação entre os governos de Moçambique e Portugal para proteger os trabalhadores e garantir processos migratórios mais seguros.

De acordo com Enoque João, cerca de 20 jovens já concluíram a formação na área da enfermagem e encontram-se actualmente integrados em hospitais, lares da terceira idade e outras instituições de saúde em Portugal.

“Estamos também a conceder bolsas intensivas em áreas como enfermagem, turismo e indústria hoteleira. Se tudo correr bem, vamos iniciar agora novos cursos de enfermagem. Até ao momento, a Casa de Moçambique já formou cerca de 20 jovens, que hoje trabalham em lares da terceira idade, hospitais e outras instituições da área da saúde”, defendeu o dirigente.

Apesar destes resultados, o responsável lamenta que muitos cidadãos continuem a viajar sem preparação adequada. Segundo refere, alguns acabam em situação de mendicidade, enquanto outros são aliciados por redes criminosas, explorados laboralmente ou envolvidos em esquemas de prostituição e tráfico de pessoas.

“Não basta ir para Portugal; é preciso conhecer a realidade do país e as instituições que podem prestar apoio”, advertiu, apelando aos moçambicanos para procurarem a Casa de Moçambique antes de emigrar, de forma a receberem aconselhamento sobre os procedimentos legais e os riscos associados à migração irregular.

Enoque João manifesta igualmente preocupação com o endurecimento das políticas migratórias em Portugal, referindo que há cidadãos moçambicanos a enfrentar processos de expulsão por incumprimento das regras de permanência.

“Lamento igualmente que Moçambique ainda não consiga criar mais oportunidades para os seus jovens. O País precisa de construir mais pontes para evitar que tantos moçambicanos sejam obrigados a emigrar. Os países europeus estão a restringir cada vez mais a imigração, como demonstra a nova legislação portuguesa. Recentemente, recebemos um jovem que entrou com o objectivo de estudar, mas pretendia também fixar-se legalmente no país. Conseguimos intervir para evitar que fosse expulso da escola e ajudá-lo a regularizar a sua situação”, explicou.

Para o economista Moisés Nhanombe, a procura de melhores condições de vida continuará a impulsionar a migração, mas as expectativas nem sempre correspondem à realidade. Apesar de os salários em Portugal serem superiores quando convertidos em meticais, o elevado custo de vida reduz significativamente o rendimento disponível dos trabalhadores.

Na visão do economista, “embora os salários em Portugal sejam superiores quando convertidos em meticais, o elevado custo de vida faz com que muitos trabalhadores não consigam alcançar o padrão de vida que imaginavam. Há também o risco de perda de mão-de-obra qualificada. Muitos médicos, professores, enfermeiros, engenheiros e outros especialistas acabam por trabalhar na construção civil, hotelaria, restauração, trabalho doméstico ou em lares de idosos”.

Na sua análise, a solução passa pela criação de mais oportunidades económicas em Moçambique, através do aumento do investimento privado, da geração de emprego e do alinhamento da formação técnico-profissional com as necessidades do mercado. Defende ainda a modernização da agricultura, considerando que o sector continua a ser fundamental para o desenvolvimento económico, mas permanece maioritariamente assente na agricultura de subsistência.

“O Governo deve adoptar políticas económicas que promovam mais investimento privado, criem emprego e alinhem a formação técnico-profissional com as necessidades do mercado de trabalho. A agricultura continua a ser considerada a base do desenvolvimento nacional, mas permanece maioritariamente de subsistência. É necessário investir no sector para o tornar moderno, competitivo e atractivo para os jovens.”

Entretanto, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, reconhece a gravidade das denúncias e afirma que o Governo está a trabalhar em coordenação com as autoridades portuguesas para reforçar a protecção dos trabalhadores moçambicanos.

Segundo explicou, o Executivo pretende implementar mecanismos que permitam formar os candidatos antes da partida e assegurar que todos viajem com contratos previamente verificados pelas entidades competentes.

“O Governo está a trabalhar para criar mecanismos que permitam formar os trabalhadores antes da sua partida e garantir que viajem com contratos devidamente verificados. Continuamos a apelar aos cidadãos para que, sempre que recebam promessas de emprego, procurem as autoridades competentes antes de viajar”, disse Inocêncio Impissa.

O Governo apela igualmente aos cidadãos para que confirmem a autenticidade de qualquer proposta de emprego antes de deixarem o País e recomenda aos moçambicanos residentes em Portugal que se registem junto da embaixada ou dos consulados de Moçambique.

“Quem já estiver em Portugal deve contactar a embaixada ou os consulados de Moçambique, para registar a sua presença e facilitar a intervenção das autoridades sempre que necessário. Desta forma, será possível reduzir situações de exploração e proteger melhor os direitos dos cidadãos moçambicanos no exterior”, advertiu.

O Estado moçambicano está a ficar cada vez mais endividado. Nos primeiros três meses do ano de 2026, o Governo contraiu uma dívida de cerca de 9,2 mil milhões de meticais, valor que representa um aumento de 1% em relação aos últimos três meses do ano passado.

De Janeiro a Março do presente ano, a dívida do País atingiu 1 099 788,31 milhões de meticais (17 208,39 milhões de dólares), devido, essencialmente, ao aumento da dívida interna de 474 508,83 milhões de meticais para 529 837,81 milhões, ou seja, uma subida de 12%.

O aumento é justificado pelas novas emissões da dívida no âmbito da Facilidade de Crédito junto ao banco central. O dado central do período é a alteração na composição da carteira de endividamento, com o aumento da dívida pública interna e a redução da dívida externa.

Segundo o Boletim da Dívida Pública do Primeiro Trimestre, a dívida externa registou uma redução de 7,5%, fixando-se em 8 918,02 milhões de dólares, enquanto a dívida interna seguia um outro rumo, ao aumentar 12%, tendo atingido 529 837,81 milhões de meticais.

Trata-se de uma oscilação explicada pela operação de adiantamento do Banco de Moçambique do pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo compromisso do Governo em priorizar a contratação de dívida a condições altamente concessionais.

Enquanto isso, a dívida directa do Sector Empresarial do Estado apresentou uma redução de 2,98% comparativamente ao quarto trimestre de 2025 explicada pelo pagamento parcial.

Os principais credores bilaterais mantiveram os seus pesos no stock da dívida externa, com destaque para China, Portugal e Japão, que tiveram os maiores pesos, com stocks da dívida a representarem 14,5%, 4,6% e 4,5%, respectivamente, do total da dívida bilateral.

A Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) e a Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique reforçaram, nesta quarta-feira, em Maputo, a cooperação institucional para apoiar o sector privado nacional, desenvolver métricas empresariais e atrair investimento norte-americano para sectores estratégicos da economia.

O compromisso foi assumido durante a visita de uma delegação da Embaixada dos Estados Unidos à sede da FUNDEC, em Maputo, onde foram apresentados os estudos da instituição, as perspectivas económicas para 2026 e as oportunidades de investimento existentes no País, com enfoque na diversificação económica.

“Apresentámos à delegação da Embaixada dos Estados Unidos as análises e perspectivas do ambiente económico e empresarial para 2026, mas, sobretudo, identificámos as oportunidades de negócio que Moçambique oferece. Queremos que empresários norte-americanos invistam em sectores estratégicos ligados à diversificação económica, porque o País precisa de ir além da indústria extractiva e apostar na indústria transformadora, no turismo, na agro-indústria e no agro-negócio”, disse Foia, após o encontro, que durou pouco mais de uma hora.

Foia explicou que um dos principais objectivos da FUNDEC é contribuir para alterar o perfil do investimento estrangeiro, tradicionalmente concentrado na indústria extractiva, promovendo investimentos capazes de gerar maior valor acrescentado, emprego e transformação económica.

Durante o encontro, a delegação norte-americana manifestou interesse em aprofundar a cooperação com a fundação, tanto na produção de informação económica baseada em evidência como na mobilização de empresários dos Estados Unidos para investir em Moçambique.

Segundo Foia, “a abertura demonstrada pela delegação norte-americana foi extremamente positiva. Ficaram entusiasmados com os estudos e actividades desenvolvidas pela FUNDEC e manifestaram disponibilidade para apoiar o nosso trabalho, mas também para mobilizar empresários norte-americanos a investir em Moçambique. Esse foi um dos principais resultados deste encontro.”

Outro entendimento alcançado entre as partes prende-se com o apoio ao desenvolvimento de instrumentos de avaliação da competitividade empresarial. Entre eles, destaca-se o futuro Índice de Melhoria do Ambiente de Negócios, uma iniciativa da FUNDEC destinada a medir a evolução do clima de investimento no País e a apoiar reformas económicas.

“Estamos a trabalhar num Índice de Melhoria do Ambiente de Negócios, que servirá como um verdadeiro barómetro para investidores nacionais e internacionais perceberem o estágio do clima de negócios em Moçambique e apoiar reformas assentes em evidência.”

Durante a reunião, foram igualmente abordadas as oportunidades proporcionadas pela Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), as Perspectivas e Projecções Económicas de Moçambique para 2026 e o potencial impacto de novos investimentos internacionais, nomeadamente a esperada decisão da ExxonMobil sobre o projecto Coral Norte, na Bacia do Rovuma.

Para a FUNDEC, os grandes investimentos devem funcionar como catalisadores da industrialização e da criação de cadeias de valor no País, permitindo o surgimento de indústrias ligadas à transformação de recursos naturais e à produção de bens com maior valor acrescentado.

“Se conseguirmos atrair grandes investidores, como a ExxonMobil, criaremos também condições para trazer outras indústrias ligadas à cadeia de valor. Precisamos que as empresas venham processar as nossas matérias-primas em Moçambique, porque, caso contrário, continuaremos a exportar riqueza e a importar pobreza”, explicou Foia.

Os Estados Unidos são um dos principais parceiros económicos de Moçambique, apoiando o investimento, o comércio e o desenvolvimento do sector privado. Através do AGOA, empresas moçambicanas têm acesso preferencial ao mercado norte-americano. Em 2024, o comércio bilateral de bens e serviços atingiu 624,6 milhões de dólares, enquanto o comércio de mercadorias totalizou 295,9 milhões de dólares em 2025. Desde 2005, os dois países mantêm um Acordo Bilateral de Investimento (BIT), que tem reforçado a confiança dos investidores.

Além do comércio, os Estados Unidos apoiam áreas como agricultura, saúde, educação, energia e PME. Nas últimas décadas, mobilizaram milhares de milhões de dólares para programas de desenvolvimento em Moçambique, contribuindo para melhorar o ambiente de negócios, aumentar a produtividade e promover a criação de emprego.

Em reacção ao “esclarecimento sobre a intervenção do Banco de Moçambique no Moza Banco”, a Moçambique Capitais afirma que o conteúdo “aborda matérias sujeitas a sigilo bancário, cuja violação é punível nos termos da lei” e reafirma que “a matéria de facto e de direito aplicável já foi apreciada e decidida pelo sistema judicial moçambicano, conforme consta do Acórdão nº. 136/2024, de 17 de Dezembro”.

Segundo a Moçambique Capitais, “o processo judicial, que decorreu ao longo de oito anos, constituiu o fórum próprio e adequado para a resolução definitiva desta matéria”.

A instituição salienta, também, que o referido comunicado do banco central, sobre a sua intervenção no Moza Banco, em 2016, “aborda matérias sujeitas a sigilo bancário, princípio igualmente imposto às instituições bancárias comerciais, cuja violação é punível nos termos da lei e dos regulamentos do próprio Banco de Moçambique”.

“Por essa razão, a Moçambique Capitais abstém-se de formular comentários especulativos, parciais ou alheios ao quadro legal aplicável. Considera, contudo, fundamental a realização de uma auditoria forense independente, com vista a dissipar eventuais equívocos e a apurar, de forma objectiva, as responsabilidades que se mostrem devidas”, diz o comunicado a que “O País” teve acesso.

O Moza Banco registou, nos primeiros seis meses do ano, um Resultado Líquido de 274 milhões de meticais, facto que demonstra muito trabalho, de modo a produzir resultados concretos.

O desempenho foi igualmente impulsionado pela evolução do Produto Bancário, que melhorou 17%, reflectindo o crescimento da Margem Financeira em 8%, a evolução das Comissões Líquidas em 31% e o desempenho expressivo da Margem Cambial Líquida, que atingiu 155,4 milhões de meticais, representando um crescimento de 323,5% face ao período homólogo de 2025.

Os Depósitos de Clientes cresceram 6%, atingindo 56,7 mil milhões de meticais, evidenciando a crescente confiança dos clientes na instituição.

A carteira de Crédito Líquido a Clientes manteve o compromisso do Banco com o financiamento da economia nacional, das empresas e das famílias, suportada por uma gestão de risco criteriosa e sustentável.

Os Activos Totais ascenderam a 72,8 mil milhões de meticais, representando um crescimento de 13% face ao fim do ano de 2025.

Para Manuel Soares, presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, estes resultados “reflectem a consistência da estratégia que temos vindo a implementar, baseada na proximidade com os clientes, na disciplina de gestão, na inovação e no compromisso de criar valor sustentável para a economia moçambicana. Continuaremos focados em apoiar as famílias, as empresas e os sectores produtivos, contribuindo activamente para o desenvolvimento do país”, anota.

Ao longo do primeiro semestre, o banco reforçou igualmente o seu posicionamento institucional através da celebração de novas parcerias estratégicas, do lançamento de soluções orientadas para diferentes segmentos de clientes e da participação activa em fóruns nacionais dedicados ao desenvolvimento económico e financeiro.

O desempenho alcançado confirma a solidez financeira do Moza Banco e reforça a confiança dos seus clientes, accionistas, parceiros e colaboradores na capacidade da instituição em continuar a gerar valor e a contribuir para uma economia mais inclusiva, dinâmica e sustentável.

Na sequência das questões suscitadas durante a conferência de imprensa do Comité de Política Monetária (CPMO) realizada no dia 29 de Julho de 2026, relativamente à intervenção no Moza Banco, SA, o Banco de Moçambique esclarece sua intervenção neste estabelecimento bancário, que considera oportuna.

Em comunicado, o Banco de Moçambique refere que “em 2016, a estrutura accionista do Moza Banco era composta pela Moçambique Capitais, SA, titular de acções representativas de 50,99 % do capital social, pelo Banco Espírito Santo África, S.G.P.S., SA (BES África), detentor de 49,00 %, e pelo Senhor António Augusto F. D’Almeida Matos, titular de 0,002 %. A Moçambique Capitais obteve em 2014 um financiamento junto do Banco Espírito Santo, SA (BES), sociedade-mãe do BES África, para a realização de aumento do capital social do Moza Banco na proporção da sua participação e consequente manutenção da sua posição accionista. O referido financiamento foi contratado e registado em Portugal”. 

Na mesma nota, o BdM, explica também que  “à data da intervenção, o Moza Banco apresentava uma situação financeira e prudencial gravemente deteriorada, sem condições mínimas para prosseguir regularmente com a sua actividade. Em Setembro de 2016, os fundos próprios apresentavam um saldo negativo de 24,9 mil milhões de meticais, enquanto o rácio de solvabilidade se situava em -100,21 %, indicadores que evidenciavam uma situação de insuficiência de liquidez e de insolvência. A instituição registou, igualmente, incumprimento do rácio de cobertura do imobilizado, na ordem de -808,02 %, déce substancial de Reservas Obrigatórias acima de 22 mil milhões de meticais, em moeda nacional, e acima de 58 milhões de dólares, em moeda estrangeira, rácio de crédito em incumprimento de 9,05 % e resultado líquido do exercício de -2,4 mil milhões de meticais.”, lê-se.

Refere ainda que “a situação económico-financeira do Moza Banco continuou a deteriorar-se, e a 30 de Setembro de 2016 o resultado líquido da compensação registou perdas na ordem de 164 milhões de meticais, elevando o acumulado mensal para cerca de 1,5 mil milhões de meticais, e o Moza Banco mostrou-se incapaz de honrar com as suas responsabilidades com o pagamento de cheques e outros instrumentos de pagamento de seus clientes na compensação.”

O Banco de Moçambique explica que “a due diligence realizada após a intervenção, por uma norma de auditoria independente e internacional, constatou que a situação financeira era ainda mais gravosa.”, lê-se. 

“Perante este quadro de manifesta insustentabilidade e considerando o elevado risco de contágio sistémico, susceptível de desencadear uma corrida generalizada aos depósitos e comprometer gravemente a estabilidade do sistema nanceiro, o Banco de Moçambique deliberou, no dia 30 de Setembro de 2016, intervir no Moza Banco através da nomeação de um Conselho de Administração Provisório, e suspender, à data, os membros do Conselho de Administração e da Comissão Executiva do Moza Banco, com o objectivo de proteger os interesses dos depositantes e outros credores, bem como de preservar as condições normais de funcionamento do sistema bancário moçambicano.”, esclarece ao Banco de Moçambique. 

“Tanto antes como após a intervenção, foi concedida aos accionistas Moçambique Capitais e BES África (então Novo Banco África, S.G.P.S, SA, com a aplicação da medida de resolução ao BES pelo Banco de Portugal) a oportunidade de procederem à recapitalização do Moza Banco, quer mediante a realização de aumentos do capital social, quer através da identificação de parceiros estratégicos interessados em ingressar no capital da instituição, em condições que permitissem assegurar a viabilidade e integridade do Moza Banco. Não obstante os sucessivos prazos acordados e prorrogações concedidas, cujo termo foi fixado em 23 de Maio de 2017, os accionistas não lograram efectuar a recapitalização.”

O documento anota também que “dada a incapacidade dos accionistas de efectuarem a recapitalização do Moza Banco, procedeu-se à abertura do capital social a investidores interessados, nos termos aprovados por unanimidade, incluindo a Moçambique Capitais, em Assembleia Geral Extraordinária realizada a 23 de Janeiro de 2017, para o aumento do capital social no montante de 8,2 mil milhões de meticais, o qual teve como base o valor apurado no âmbito da referida due diligence, constante do Relatório de Diagnóstico Independente às Demonstrações Financeiras do Moza Banco à data de 30 de Setembro de 2016.”, lê-se. 

“A avaliação das propostas de investidores interessados foi efectuada por uma Comissão de Avaliação Independente, que integrou um representante do International Finance Corporation (IFC) do Grupo Banco Mundial. O investidor seleccionado, Kuhanha – Sociedade Gestora do Fundo de Pensões do Banco de Moçambique, SA, foi aprovado por unanimidade pelos accionistas, incluindo a Moçambique Capitais, em Assembleia Geral Extraordinária de 28 de Julho de 2017.”

O documento finaliza explicando que “importa salientar que os pressupostos de facto e de direito que fundamentaram a decisão de intervenção adoptada pelo Banco de Moçambique não foram postos em causa pelo Acórdão proferido pelo Tribunal Administrativo”. O Banco de Moçambique rearma que a decisão de intervenção no Moza Banco foi adoptada no exercício das suas competências legais de supervisão, com base em critérios técnicos e prudenciais, visando proteger os interesses dos depositantes e outros credores, bem como salvaguardar a estabilidade do sistema nanceiro e preservar a confiança no sistema bancário.”

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, esta terça-feira, o CEO e co-fundador da Core Energy Consortium, empresa suíça que manifestou interesse em investir em Moçambique nos sectores da energia, petróleo e gás.

Durante a audiência, foram analisadas oportunidades de investimento em áreas estratégicas, incluindo infra-estruturas e parcerias público-privadas, com vista ao reforço do desenvolvimento económico nacional.

A empresa pretende estabelecer uma operação de investimento privado no País, apostando no potencial dos recursos energéticos e na implementação de projectos considerados estruturantes para a economia.

Com sede na Suíça, a Core Energy Consortium desenvolve actividades nas áreas da energia, petróleo e gás, metais preciosos e infra-estruturas. O encontro enquadra-se na estratégia do Governo de atrair investimento privado internacional e dinamizar sectores prioritários para o crescimento económico.

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