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O País – A verdade como notícia

Uma missão empresarial da Ilha de Mayotte, território ultramarino francês localizado no Oceano Índico, está em Moçambique à procura de oportunidades de investimento e parcerias de negócios, trazendo uma carteira avaliada em cerca de 10 milhões de euros.

A iniciativa foi apresentada durante um encontro de negócios promovido pela Fundação para a Competitividade Empresarial, que reuniu empresários, representantes governamentais, instituições financeiras e agentes económicos moçambicanos e franceses.

A delegação é composta por 23 empresários interessados sobretudo nos sectores do agro-negócio, agro-indústria, logística, importação e exportação, áreas consideradas estratégicas para o fortalecimento das relações económicas entre os dois mercados.

Segundo o chefe da missão empresarial, Soiferat El Hadad, o interesse em reforçar a cooperação com Moçambique surgiu após os impactos provocados pelo ciclone Chido, que expôs limitações no abastecimento alimentar da ilha.

“Viemos aqui com os nossos empresários para trabalhar a vertente agro-alimentar. Verificámos as nossas limitações quando houve o ciclone Chido. Percebemos que, do ponto de vista alimentar, éramos muito limitados”, afirmou.

O responsável explicou que a missão pretende identificar fornecedores, estabelecer parcerias comerciais e criar ligações marítimas mais eficientes entre Mayotte e Moçambique.

“Viemos também com empresas de importação e exportação para ver o que podemos levar para Mayotte por via marítima, de modo a que as ligações entre Moçambique e Mayotte sejam suficientemente fortes”, acrescentou.

Por sua vez, o presidente da FUNDEC, Agostinho Vuma, destacou que o principal objectivo do encontro é aproximar empresários dos dois mercados e facilitar a concretização de parcerias duradouras.

“O nosso objectivo é criar a conexão entre essas empresas. Queremos que estes contactos não morram por aqui e que resultem em investimentos concretos”, afirmou.

Segundo Agostinho Vuma, a missão empresarial francesa manifestou ainda a disponibilidade de mobilizar um fundo estimado em cerca de 10 milhões de euros para apoiar iniciativas empresariais que venham a surgir desta cooperação.

O encontro serviu igualmente para apresentar o potencial económico de Moçambique. O presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional de Investimento, Omar Mithá, destacou os desafios e oportunidades da economia nacional, abordando questões ligadas à inflação, dependência das importações e necessidade de diversificação produtiva.

Já o representante da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações, António Macamo, apresentou os incentivos disponíveis para investidores e defendeu uma maior aposta na industrialização como forma de agregar valor aos recursos nacionais.

Mais do que um espaço de apresentações institucionais, o encontro B2B permitiu contactos directos entre empresários moçambicanos e franceses, abrindo caminho para novas oportunidades de investimento, transferência de conhecimento e fortalecimento das relações económicas entre Moçambique e a Ilha de Mayotte.

A iniciativa integra os esforços de promoção do investimento privado e decorre paralelamente às actividades do Fórum de Negócios Global Gateway Moçambique–União Europeia, que reúne delegações empresariais de vários países interessados no mercado moçambicano.

O Governo de Moçambique e o Banco Mundial assinaram, nesta terça-feira, em Maputo, cinco acordos de financiamento avaliados em mais de 450 milhões de dólares norte-americanos, destinados a reforçar a resposta aos desafios económicos e sociais que o país enfrenta.

Os acordos para a subvenção de 450 milhões de dólares foram formalizados durante uma audiência concedida pela primeira-ministra a uma delegação do Banco Mundial, liderada pelo director-geral e director de Conhecimento da instituição internacional.

Segundo a ministra das Finanças, Carla Louveira, os novos financiamentos surgem como resposta aos recentes choques macroeconómicos que afectaram o País, com destaque para as cheias registadas no início do ano e os impactos do conflito no Médio Oriente.

“Um dos aspectos principais a que o Banco Mundial visa responder é a preocupação com os recentes choques macroeconómicos que Moçambique enfrentou, nomeadamente o impacto das mudanças climáticas e os efeitos do conflito no Médio Oriente na nossa economia”, afirmou a governante.

Carla Louveira explicou que os acordos abrangem quatro áreas estratégicas de intervenção: protecção social, agricultura e agro-negócio, educação, bem como recursos hídricos e saneamento.

De acordo com a ministra, foi aprovado um financiamento adicional de 155 milhões de dólares para a área da protecção social e um reforço de 50 milhões de dólares para a agricultura e agro-negócio. Foi igualmente disponibilizada uma subvenção de 300 milhões de dólares destinada aos sectores da educação, protecção social, recursos hídricos, saneamento e agricultura.

“O mecanismo desenhado vai permitir um desembolso e uma execução imediata, possibilitando uma resposta rápida para a melhoria da actividade económica e das condições de vida da população”, destacou.

Por sua vez, o director-geral do Banco Mundial, Paschal Donohoe, disse que os novos acordos representam um importante reforço do apoio da instituição ao País.

“Hoje assinámos acordos que totalizam mais de 450 milhões de dólares em subvenções para apoiar as pessoas e a economia de Moçambique”, afirmou.

O responsável acrescentou que os financiamentos pretendem criar condições para o desenvolvimento do capital humano e para a geração de oportunidades de emprego.

“Estes acordos reflectem a forma como podemos trabalhar melhor em conjunto para dotar os moçambicanos das competências necessárias para terem melhores oportunidades de emprego no futuro”, sublinhou.

Os novos financiamentos enquadram-se no Quadro de Parceria Económica recentemente anunciado pelo Banco Mundial para Moçambique, avaliado em 10 mil milhões de dólares norte-americanos, dos quais quatro mil milhões serão destinados ao sector privado e seis mil milhões ao sector público.

Com a assinatura destes acordos, o Governo e o Banco Mundial reforçam a cooperação com vista à promoção da estabilidade macroeconómica, crescimento económico e melhoria das condições de vida dos moçambicanos.

Moçambique e Itália reafirmaram o compromisso de aprofundar as relações económicas e empresariais durante o Fórum de Negócios Moçambique-Itália, realizado esta semana na cidade de Maputo. O encontro reuniu empresários dos dois países para discutir oportunidades de investimento, comércio e cooperação em sectores estratégicos da economia.

O fórum incidiu particularmente sobre as áreas da construção civil, transportes e logística, consideradas fundamentais para impulsionar o crescimento económico e fortalecer as ligações comerciais entre Moçambique e o mercado europeu.

Durante o encontro, foram apresentadas as potencialidades económicas dos dois países, com destaque para as oportunidades de negócio associadas à localização estratégica de Moçambique e à sua rede de corredores logísticos que servem vários países da região austral de África.

Na ocasião, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, desafiou os empresários italianos a apostarem no mercado moçambicano, defendendo que o País oferece vantagens competitivas únicas na região.

“Moçambique é um dos poucos países da região que dá acesso a sete países do interior. A questão que colocamos é por que razão não conseguimos transformar os nossos corredores logísticos em verdadeiros motores de desenvolvimento económico”, afirmou.

O governante considerou que o momento é oportuno para a entrada de novos investidores, sublinhando que o Governo está empenhado em promover a transformação económica através de projectos estruturantes e da valorização das infra-estruturas logísticas.

“A vossa presença aqui é fundamental. Queremos mostrar aquilo que estamos a fazer e como podem juntar-se a nós neste desafio da transformação económica”, acrescentou.

Por sua vez, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, destacou a importância do reforço da cooperação económica bilateral e manifestou a intenção do seu País de aprofundar as parcerias existentes.

“O nosso partenariado económico, que queremos reforçar em todos os sectores, começa pelas infra-estruturas. Moçambique é um eixo logístico e infra-estrutural cada vez mais relevante em África”, afirmou o diplomata.

Segundo Gabriele Annis, a cooperação entre Itália e os países africanos enquadra-se numa estratégia de desenvolvimento partilhado, assente na criação de oportunidades de crescimento económico sustentável e benefício mútuo.

O Fórum de Negócios Moçambique-Itália decorreu no âmbito da missão empresarial italiana que participa no Fórum de Negócios Global Gateway Moçambique–União Europeia, uma iniciativa que visa promover investimentos, fortalecer parcerias empresariais e estimular o desenvolvimento de projectos estratégicos no País.

O encontro reforçou a intenção de Moçambique e Itália de consolidarem as relações económicas, aumentar o investimento privado e explorar novas oportunidades de negócio em sectores considerados prioritários para o desenvolvimento dos dois países.

O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou, nesta segunda-feira, em Washington D.C., uma carteira de investimentos avaliada em mais de 50 mil milhões de dólares norte-americanos no sector do gás natural liquefeito (LNG), reforçando o apelo ao empresariado dos Estados Unidos para expandir a sua presença em Moçambique.

A apresentação foi feita durante um pequeno-almoço de trabalho com investidores norte-americanos, realizado à margem do Fórum sobre Fragilidades 2026, cuja sessão inaugural foi co-presidida pelo Chefe do Estado moçambicano e pelo presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga.

Na ocasião, Daniel Chapo destacou as reformas em curso para melhorar o ambiente de negócios e garantiu que as relações diplomáticas, políticas e comerciais entre Moçambique e os Estados Unidos atravessam um momento positivo.

O Presidente apontou a Bacia do Rovuma como o principal foco dos investimentos energéticos, destacando quatro grandes projectos de LNG liderados pelas multinacionais ENI, TotalEnergies e ExxonMobil. Entre estes, sobressai o projecto liderado pela norte-americana ExxonMobil, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares.

“Agora estamos a trabalhar com a Exxon, e estou em posição de afirmar que estamos num bom caminho para a decisão final de investimento, que poderá ser tomada em Agosto ou Setembro de 2026”, afirmou Chapo, demonstrando confiança na concretização do empreendimento.

O estadista destacou igualmente o reinício das operações da TotalEnergies em Afungi, na província de Cabo Delgado, depois da suspensão provocada pelos desafios de segurança registados na região desde 2021.

“Neste momento que estamos aqui, o projecto está a funcionar. Temos, a trabalhar no projecto, pouco mais de cinco mil pessoas”, disse, sublinhando os avanços alcançados na recuperação da actividade económica na zona.

Os projectos Coral South e Coral North, liderados pela ENI, completam a carteira de grandes investimentos no sector do gás, representando um volume conjunto estimado em 15 mil milhões de dólares.

Apesar da forte aposta nos hidrocarbonetos, o Presidente da República defendeu a necessidade de diversificar a economia nacional, utilizando as receitas provenientes do gás para impulsionar a industrialização, a produção de fertilizantes, a geração de energia e o desenvolvimento tecnológico.

Nesse contexto, destacou a expansão da capacidade de produção energética através da construção da Central Norte da Barragem de Cahora Bassa e do projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, que deverá acrescentar cerca de 1500 megawatts ao sistema nacional.

Segundo Chapo, a disponibilidade de energia permitirá consolidar Moçambique como um hub energético da África Austral e criar condições para a instalação de centros de dados e outras infra-estruturas tecnológicas associadas à transformação digital.

O Chefe do Estado destacou ainda o potencial do sector dos transportes e logística, sustentado pelos portos de Maputo, Beira e Nacala, bem como os incentivos previstos na legislação nacional para atrair investimento privado através de Parcerias Público-Privadas (PPP), concessões e modelos Build, Operate and Transfer (BoT).

“Estão convidados a investir em Moçambique, e garanto-vos que estarão a tomar uma decisão a todos os títulos acertada”, afirmou.

A agricultura, o turismo e os minerais críticos figuram igualmente entre os sectores prioritários para a captação de investimento estrangeiro. No turismo, o Presidente revelou que o Grupo Banco Mundial já trabalha na preparação da segunda edição do International Tourism Summit, prevista para Novembro, na província de Inhambane.

Durante a sua estadia nos Estados Unidos, Daniel Chapo manteve ainda encontros bilaterais com Walter Kansteiner, director sénior da ExxonMobil para África, para discutir os próximos passos rumo à decisão final de investimento na Bacia do Rovuma, e com Mark Mitchell, vice-secretário adjunto para o Oriente Médio e África da Administração de Comércio Internacional dos EUA, visando o fortalecimento das relações económicas e comerciais entre os dois países.

A visita enquadra-se na estratégia de diplomacia económica do Governo moçambicano, orientada para a mobilização de capital estrangeiro, promoção do investimento e aceleração do crescimento económico sustentável.

 

Chapo defende investimento e paz como soluções para reduzir fragilidades em Moçambique

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, nesta segunda-feira, que o investimento e a consolidação da paz constituem os principais instrumentos para reduzir a vulnerabilidade socioeconómica e enfrentar os impactos das mudanças climáticas em Moçambique.

A posição foi apresentada durante a sessão inaugural do Fórum sobre Fragilidades 2026, promovido pelo Grupo Banco Mundial em Washington D.C., evento que reúne líderes políticos, académicos, especialistas e parceiros internacionais para debater soluções para países afectados por conflitos, violência e fragilidade institucional.

Daniel Chapo foi o único Chefe de Estado convidado para integrar o painel de alto nível e co-presidiu à sessão de abertura ao lado do presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, num debate em que Moçambique foi apresentado como um dos países mais expostos aos efeitos das alterações climáticas.

Durante a sua intervenção, o Presidente destacou que os fenómenos climáticos extremos, como cheias e períodos de precipitação intensa, continuam a afectar regularmente diversas regiões do País, agravando desafios já existentes, incluindo a insegurança provocada pelo terrorismo em Cabo Delgado.

Perante este cenário, o Chefe do Estado defendeu uma abordagem preventiva baseada no investimento e no fortalecimento da resiliência económica.

“É melhor investir antes de os conflitos eclodirem do que depois”, afirmou Chapo, sublinhando que a preparação antecipada representa uma solução mais eficaz e menos onerosa do que as respostas implementadas após situações de crise.

O Presidente destacou igualmente os investimentos estratégicos em curso no sector energético, com particular incidência nos projectos de gás natural liquefeito (LNG) na Bacia do Rovuma, considerando que estes empreendimentos podem desempenhar um papel determinante na transformação económica do País.

Além do gás natural, apontou o potencial hidroeléctrico nacional e a capacidade de exportação de energia para os mercados da região da África Austral, reforçando a importância do sector energético como motor de desenvolvimento.

Apesar da aposta nos recursos energéticos, Chapo defendeu a necessidade de diversificar a economia nacional, destacando sectores como agricultura, turismo, indústria, infra-estruturas e logística.

Segundo o Presidente, os corredores de desenvolvimento e transporte existentes no País representam oportunidades concretas para atrair investimento e criar empregos, sobretudo para a juventude moçambicana.

A paz e a segurança foram igualmente identificadas como condições indispensáveis para o crescimento económico sustentável.

“Não podemos ter desenvolvimento sem paz e segurança”, declarou o estadista, acrescentando que o Governo está a promover um diálogo nacional inclusivo envolvendo instituições públicas, sector privado e comunidades com vista à identificação de soluções para os principais desafios económicos e sociais do País.

No domínio das reformas económicas, Daniel Chapo destacou as medidas adoptadas para melhorar o ambiente de negócios, incluindo a implementação da nova Lei de Conteúdo Local e o reforço dos mecanismos de cooperação entre o Estado e o sector privado.

O governante referiu ainda que instrumentos como as Parcerias Público-Privadas (PPP), concessões e o modelo BOT (Construir, Operar e Transferir) constituem ferramentas fundamentais para acelerar investimentos e impulsionar o desenvolvimento nacional.

Durante o debate, o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, enfatizou a relevância da experiência moçambicana, destacando a criação de emprego e a mobilização do investimento privado como elementos centrais para reduzir fragilidades em contextos marcados por conflitos e vulnerabilidade.

A participação de Moçambique no Fórum sobre Fragilidades 2026 reforçou a visibilidade internacional do País nos debates sobre desenvolvimento sustentável em contextos complexos, com o Presidente da República a defender uma estratégia assente na paz, investimento e cooperação internacional para promover a estabilidade e o crescimento económico.

O secretário de Estado na província de Niassa, Silva Livone, determinou a suspensão e banimento de várias entidades ligadas à exploração e gestão de áreas de conservação na província, incluindo a Sociedade Búfalo Safar, a Sociedade Nhali Kanga e a empresa WCS, no âmbito de uma decisão que visa reestruturar a administração da Reserva Especial do Niassa.

As medidas foram anunciadas durante uma reunião de trabalho em Lichinga e incluem ainda a suspensão da direcção da Reserva Especial do Niassa, abrangendo o administrador da unidade e toda a equipa de gestão em funções.

Segundo o governante, as forças de segurança deverão ocupar imediatamente as áreas abrangidas pelas decisões, garantindo o controlo do território até novas instruções das autoridades centrais.

“A Sociedade Búfalo Safar está banida na nossa província. A Polícia da República de Moçambique e outras forças de segurança devem ocupar esta área até novas ordens”, declarou.

Na mesma intervenção, Silva Livone anunciou igualmente a suspensão temporária da Sociedade Nhali Kanga, no distrito de Marupa, com efeitos imediatos.

“Fica suspensa a actividade da Sociedade Nhali Kanga, com ocupação do local pelas forças de segurança até novas ordens”, afirmou.

O secretário de Estado foi mais longe ao determinar a cessação de qualquer relação institucional com a empresa WCS, ordenando a retirada de todos os seus elementos do território provincial.

“Qualquer elemento da WCS que entrar no aeroporto de Lichinga ou em qualquer área da província deve ser imediatamente recolhido. A nossa relação com a WCS terminou até novas ordens”, declarou.

Silva Livone anunciou ainda a criação de uma equipa multissectorial para assumir a gestão interina da Reserva Especial do Niassa, liderada por Adelino Emílio Cidione, chefe do Departamento Provincial de Fiscalização no Serviço Provincial do Ambiente.

A equipa será coadjuvada por outros técnicos e por representantes das forças de defesa e segurança, que actuarão em coordenação com o objectivo de garantir a protecção da área de conservação.

O governante determinou igualmente o reforço da presença da Polícia de Protecção dos Recursos Naturais e outras unidades de segurança, defendendo uma actuação firme perante eventuais ameaças.

“Se houver ameaça, deve-se responder à altura, incluindo o terrorismo, porque conhecemos os modos de actuação destas pessoas na província”, afirmou.

A decisão inclui ainda a comunicação formal ao ministro da Agricultura, Ambiente e Pesca, Roberto Mito Albino, a quem caberá a validação das medidas ao nível do Governo central.

Silva Livone justificou as medidas com alegadas falhas de coordenação entre operadores, gestão da reserva e comunidades locais, apontando conflitos recorrentes entre homem e fauna bravia.

“Ficou comprovado que há fraco compromisso entre operadores, direcção da reserva e comunidades locais, com arrogância e má actuação, o que tem contribuído para o conflito homem-fauna-bravia”, referiu.

O governante sublinhou que o objectivo das decisões é reforçar a protecção da fauna e flora, garantir a segurança das populações e promover o desenvolvimento sustentável da província do Niassa.

LAM e Aeroportos de Moçambique são uma grande fonte de riscos para as contas públicas, alerta o Ministério das Finanças. Só no ano de 2025, ambas as empresas receberam do Estado cerca de 2 mil milhões de meticais.

Os riscos associados às contas do Estado agravaram-se. Os dados mais recentes do Ministério das Finanças, referentes ao ano de 2025, mostram que 70% dos riscos esperados em 2025 materializaram-se, contra 40% no ano de 2024.

Entre os riscos, constam as empresas públicas, com destaque para Linhas Aéreas de Moçambique e Aeroportos de Moçambique, que por enfrentarem problemas financeiros, tiveram um apoio as contas do estado agravaram-se os dados mais recentes do ministério das Finanças mostram que os riscos parados em 2025 agravaram-se em Santado Estado de cerca de 2 mil milhões.

“As empresas LAM e ADM continuam a constituir uma grande fonte de risco para as finanças públicas, tendo beneficiado de aportes do Estado na ordem de aproximadamente 1,5 mil milhões de MT e 0,5 mil milhões de meticais”.

Questionado sobre a alocação feita às duas empresas, o ministro dos Transportes e Logística disse desconhecer o assunto, embora esteja sob sua tutela.

Quem também recorreu ao Estado para se financiar foram as empresas de cariz social, que receberam subsídios no valor de 1.1 mil milhões de meticais. Mas, a pressão maior vem das pensões militares não previstas no orçamento de 2025.

“A despesa com pensões atingiu cerca de 26,7 mil milhões de meticais contra uma previsão inicial de 21,1 mil milhões de meticais, reflectindo um desvio de 4,6 mil milhões de meticais”. 

São mudanças que ocorreram num ano em que os salários e outras remunerações pressionaram as contas, ao absorver cerca de 46% das despesas.

“A despesa com pessoal continua a representar a principal pressão sobre a despesa pública, dada a sua rigidez estrutural e limitada flexibilidade orçamental, representando um peso estrutural de 14,3% do PIB”. 

Diante desta pressão orçamental, o Executivo teve de recorrer à dívida pública, tornando-a cada vez mais mais difícil de pagar, ou melhor, insustentável.

“O stock da dívida pública situou-se em torno de 1.090 mil milhões de meticais, equivalente 72.2% do PIB em relação à previsão de 60.5% do PIB, com maior peso para a componente externa em torno de 41.15% do PIB”. 

Importa destacar que a dívida interna foi a que mais aumentou no ano passado, tendo registado um agravamento de 16.6% comparativamente ao ano de 2024.

O Governo defende a transformação dos recursos minerais e energéticos em instrumentos efectivos de industrialização, criação de emprego e desenvolvimento económico inclusivo.

A posição foi manifestada pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia durante um encontro com o sector privado, no qual destacou que Moçambique dispõe de uma combinação estratégica de recursos energéticos, incluindo gás natural, energia hídrica, carvão, energia solar, eólica e outras fontes renováveis.

Segundo o governante, a existência destes recursos, por si só, não garante energia acessível para a população e para o sector produtivo. Para alcançar esse objectivo, é necessário investir em infra-estruturas de geração, transporte e distribuição de energia, melhorar a eficiência operacional e mobilizar financiamento em condições favoráveis.

O ministro sublinhou que o Governo tem vindo a implementar reformas para aumentar a previsibilidade e atrair investimentos para o sector energético. Entre as medidas destacam-se a aprovação do regulamento sobre atribuição, execução e extinção de concessões de energia eléctrica e o regulamento da Taxa de Acesso Universal à Electricidade.

De acordo com o dirigente, estas iniciativas visam reforçar a transparência, a segurança jurídica e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento sustentável da indústria energética nacional e para a expansão do acesso à energia.

O governante apontou ainda a necessidade de melhorar o aproveitamento das infra-estruturas críticas, como portos, linhas férreas, estradas, sistemas de energia e abastecimento de água, de modo a reduzir custos operacionais e facilitar o acesso de pequenos e médios investidores ao sector.

Na ocasião, defendeu uma maior participação das empresas moçambicanas na cadeia de valor dos projectos de mineração e hidrocarbonetos, através da prestação de serviços de manutenção, logística, transporte, construção, formação profissional e subcontratação industrial.

“O nosso objectivo é que a energia sirva a indústria e que os grandes projectos gerem oportunidades para as empresas moçambicanas, contribuindo para uma economia mais forte, diversificada e inclusiva”, afirmou.

O ministro reiterou que o Governo permanece aberto ao diálogo com o sector privado e considera a CTA um parceiro estratégico para garantir que os recursos minerais e energéticos sejam colocados ao serviço da transformação económica e social de Moçambique.

Um dos sectores mais afectados pela escassez dos combustíveis é o empresarial. Exemplo disso é que no fim de Maio último, mesmo com a aparente estabilização no fornecimento, o sector privado continuou a ressentir-se.

Com a crise instalada, as dificuldades de operação das empresas agravaram-se, uma situação que culminou com a perda da confiança das empresas, tendo estas atingido o nível mais baixo no mês passado desde Novembro do ano de 2016.

“O sector privado moçambicano manteve a tendência de contração em Maio, à medida que as empresas continuaram a enfrentar desafios devido à escassez de combustível no mercado interno”, refere o relatório PMI do Standard Bank.

Com as restrições no abastecimento dos combustíveis diversos, os gastos dos clientes das empresas diminuíram no período em análise, num contexto em que a produção e a cadeia de abastecimento sofriam rupturas em algumas empresas.     

“O ambiente de procura permaneceu difícil para as empresas moçambicanas durante o mês de Maio, com as novas encomendas a diminuírem pelo segundo mês consecutivo, embora a um ritmo moderado”, refere o mais recente relatório.

De acordo com o inquérito feito em mais de 40 países, as empresas apontaram a escassez de combustíveis como um factor que limitou tanto a capacidade das empresas como também o poder de compra dos consumidores ou clientes.

Com a redução significativa das encomendas, a produção das firmas deteriorou-se pela primeira vez desde Janeiro de 2025. Em Maio, os custos de aquisição também aumentaram ao ritmo mais acelerado dos últimos três meses.

O relatório do PMI do Standard Bank mostra ainda que o desempenho da cadeia de abastecimento continuou a deteriorar-se em Maio, principalmente devido à escassez de combustíveis, que ditou os atrasos nas entregas dos fornecedores. 

Embora 24% dos inquiridos tenham antecipado um crescimento da produção ao longo do próximo ano, em comparação com a média de longo prazo de 51%, a maioria dos restantes não prevê qualquer alteração, conclui o relatório.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, explica o significado do inquérito PMI do Standard Bank Moçambique. Segundo ele, com a pontuação de 49,9, o índice esteve abaixo da marca dos 50 pelo segundo mês.

“Resultados do PMI abaixo do valor de referência de 50 significam uma deterioração mensal consecutiva da saúde da economia do sector privado”, sublinha o economista-chefe do Standard Bank Moçambique.

Os subíndices de produção, novas encomendas e quantidade de aquisições permaneceram abaixo dos 50, afectados pela escassez e reajustes dos preços dos combustíveis e pelas pressões ao mercado cambial.

Diante da situação, Mussá refere que reduziu a procura agregada, e o conflito no Médio Oriente resultou no aumento do preço local dos combustíveis em Maio, o que deverá resultar numa subida da inflação, que foi de 4,4%, em Abril.

Entretanto, o subíndice de emprego manteve-se acima da marca dos 50 desde Junho de 2025, o que pode reflectir alguma recuperação da crise pós-eleitoral e o progresso na fábrica de gás natural liquefeito em Afungi, na Área 1.

“No entanto, o sentimento empresarial deteriorou-se ainda mais, com o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro a registar o valor mais baixo de quase uma década”, considera o economista-chefe do banco.

Com a política monetária mais restritiva, a taxa de juro de referência inalterada nos 9,25%, o aumento das reservas obrigatórias em 10 pontos percentuais para 39%, Fáusio Mussa acredita que o custo do dinheiro vai aumentar em breve.

“É provável que se assista a subidas na taxa de juro referência da política monetária, MIMO, no segundo semestre do ano, à medida que aumenta o risco de uma inflação de dois dígitos no curto prazo”, considera Fáusio Mussa.

De acordo com as empresas inquiridas, houve uma nova contracção ligeira da produção em meados do segundo trimestre de 2026. 

“Esta foi a primeira redução mensal consecutiva da produção em quase um ano e meio. Várias empresas referiram que a escassez de combustível tinha limitado a actividade e conduzido a uma redução das vendas aos clientes”, refere a nota.

No que diz respeito a novas encomendas, o índice destas permaneceu ligeiramente abaixo dos 50 em Maio, indicando uma redução nas carteiras de encomendas pelo segundo mês consecutivo.

“Nos casos em que as aquisições de meios de produção sofreram cortes, os membros do painel atribuíram esta situação, sobretudo, a uma redução na aquisição de combustível devido à escassez, assim como a um fraco poder de compra”, aponta o inquérito publicado pelo Standard Bank Moçambique.

Já os stocks de meios de produção mantiveram-se em contracção em Maio, embora a taxa de descida tenha abrandado em relação ao mês anterior. A grande maioria dos inquiridos não observou qualquer alteração nos seus inventários.

Por fim, depois de ter aumentado nos últimos dez meses, as despesas salariais no sector privado mantiveram-se estáveis em Maio, um factor evidenciado pelo Índice de custos com pessoal, que caiu para o ponto neutro, que é 50.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma recuperação económica de Moçambique na ordem dos 0,5% em 2026. De acordo com a instituição financeira, a evolução de preços de matérias-primas e a dinâmica de mercados globais terão influência decisiva no desempenho.

Este posicionamento foi apresentado nesta quarta-feira, em Maputo, pelo representante residente do FMI em Moçambique. Olamide Harrison falava numa mesa redonda sobre as Perspectivas Económicas Regionais e os impactos dos choques dos preços dos combustíveis na economia.

O responsável sublinha que as estimativas são baseadas em dados recentes, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O indicador revela um desempenho mais fraco do que o anteriormente previsto, com a taxa de crescimento de 2025 revista para apenas 0,2%.

“Estamos a trabalhar para incorporar a informação mais recente que saiu do Instituto Nacional de Estatística”, afirmou Harrison, acrescentando que o processo de actualização das projecções procura reflectir de forma mais precisa a realidade económica do País.

O crescimento previsto representa uma desaceleração significativa face aos anos anteriores, em que a economia moçambicana chegou a registar crescimentos acima dos 5%.

O abrandamento é associado à redução do dinamismo em vários sectores produtivos, bem como às restrições financeiras e cambiais que continuam a afectar empresas e consumidores. 

Diante do cenário de fragilidade, o FMI considera que existem condições para uma retoma gradual da actividade económica.

“Esperamos um crescimento gradual. Estamos ainda a incorporar vários elementos que influenciam a economia, incluindo a evolução dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais”, referiu Harrison e destacou a forte dependência do País por factores externos.

Entre os elementos externos com maior impacto, segundo o Fundo Monetário, estão os preços dos combustíveis, do gás natural e de outras matérias-primas exportadas pelo País, cuja volatilidade continua a influenciar as receitas nacionais e o equilíbrio macroeconómico. 

O Fundo Monetário Internacional alerta que uma trajectória de recuperação dependerá, em grande medida, da estabilidade dos referidos mercados internacionais.

Outro ponto considerado positivo pelo representante do FMI foi a recente retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), um passo que reforça a confiança dos investidores internacionais.

Harrison reiterou ainda o compromisso do FMI em continuar a apoiar Moçambique em áreas estratégicas, incluindo a gestão das finanças públicas, o fortalecimento da administração tributária, a melhoria da governação económica e o reforço da transparência institucional.

Segundo o FMI, a consolidação da estabilidade macroeconómica e a criação de condições para atrair investimento serão determinantes para transformar a recuperação projectada em ganhos concretos para a economia e melhores condições de vida para a população.

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