Relatório conclui que, embora o País tenha registado progressos, persistem assimetrias significativas regionais no acesso aos serviços financeiros.
Continuam a existir em Moçambique assimetrias regionais e de género no acesso e uso efectivo de serviços financeiros, conclui o Relatório de Inclusão Financeira do Banco de Moçambique que reporta os resultados do ano de 2025.
De acordo com o documento, as referidas desigualdades caracterizam-se por limitações de literacia financeira e digital, bem como dificuldades de protecção ao consumidor, o que reforça a necessidade de intervenções mais direccionadas.
Esses desafios continuam presentes num contexto em que, no ano passado, o sistema financeiro moçambicano continuou a registar progressos na inclusão financeira, bastante influenciado pela expansão dos serviços digitais.
“Apesar dos progressos registados, persistem desafios estruturais associados à necessidade de reduzir as desigualdades regionais e de género no acesso e uso de serviços financeiros”, aponta o Relatório de Inclusão Financeira de 2025.
Outros aspectos que devem ser impulsionados são a bancarização através da expansão da rede de agências e agentes bancários e reforço da adesão aos pagamentos digitais, segundo os elementos apresentados pelo relatório.
Refere ainda ser importante intensificar as acções de literacia financeira e digital, bem como reforçar a protecção do consumidor, tendo em conta as especificidades dos diferentes segmentos populacionais existentes no País.
O relatório diz ainda haver disparidades significativas na distribuição dos pontos de acesso por província, em termos demográficos e geográficos, que afectam o desenvolvimento económico e a penetração dos serviços financeiros.
Enquanto a cidade e província de Maputo apresentam os maiores níveis de cobertura dos serviços financeiros, Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado registam os valores mais baixos, evidenciando desafios estruturais.
Entre os anos de 2024 e 2025, a componente de disponibilidade de serviços financeiros reduziu 3,6 pontos, reflectindo desafios persistentes associados à cobertura e distribuição da infra-estrutura financeira no território nacional.
Mesmo assim, em 2025, o País registou avanços na inclusão financeira, com a digitalização, expansão dos canais de acesso e o crescimento dos serviços das instituições de moeda electrónica e dos agentes não bancários.
Importa destacar que os agentes não bancários continuaram a ser o principal meio de acesso aos serviços financeiros, sobretudo nas zonas rurais.
Esta evolução reflecte uma transição progressiva dos canais tradicionais para soluções digitais, colocando igualmente novos desafios na monitorização e concretização das metas associadas aos canais convencionais para 2025-2031.
Comparativamente a 2024, no ano passado, o número de pontos de acesso aos serviços financeiros cresceu 36%, a reflectir fundamentalmente o aumento dos agentes de moeda electrónica (42%) consolidando, assim, o seu papel.
Tudo isso aconteceu num contexto de redução dos terminais de pontos de venda – POS (9%). Já a posse de contas de moeda electrónica atingiu 1313 por 1000 adultos, com crescimento mais acentuado entre as mulheres (24%).
“O sector segurador cresceu cerca de 4%, mas permanece altamente concentrado no seguro tradicional (98,8%) e na Cidade de Maputo. O microsseguro continua com fraco desempenho (1,2%)”, conclui o relatório.
Por sua vez, o mercado de seguros apresentou maior inclusão feminina entre os anos 2024 e 2025, com crescimento da adesão das mulheres de 21% para 35%, enquanto a adesão masculina reduziu de 67% para 57%.
Tendência similar verificou-se no microsseguro, com a redução da participação dos homens de 71% para 61% e aumento da participação das mulheres de 29% para 39%, o que mostra que o microsseguro tem maior adesão dos homens.
Já o mercado de capitais manteve a trajectória de crescimento no ano passado, com a capitalização bolsista a atingir 221,9 mil milhões de meticais, correspondente a um aumento de cerca de 5% face ao ano de 2024.
Outro aspecto de grande importância é o crédito à economia, que teve uma ligeira redução, passando para 19% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto os depósitos cresceram em 3 pontos percentuais para 51% do PIB.
Quer dizer que, enquanto os depósitos cresceram, o crédito à economia sofreu uma ligeira redução, o que demonstra persistência de desafios no acesso ao financiamento para o desenvolvimento.
Porém, persistem disparidades regionais, com aumento da desigualdade no acesso ao crédito. Nos serviços digitais, destaca-se o crescimento das transferências via instituições de moeda electrónica e redução nos pagamentos.
O Relatório de Inclusão Financeira reporta os resultados alcançados no cumprimento do plano de acções e metas estabelecidas na Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025-2031, que visa promover a inclusão financeira.