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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República,  Daniel Chapo, convidou, esta segunda-feira, no Rio de  Janeiro, investidores e empresas brasileiras a estabelecer parcerias  com Moçambique na exploração de petróleo e gás,  desenvolvimento industrial e transferência de tecnologia,  defendendo que os recursos energéticos do país devem gerar  empregos, fortalecer empresas nacionais e impulsionar a economia. 

O Chefe do Estado falava na abertura do Fórum Rio Petróleo e Gás  2026, organizado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e  Biocombustíveis (IBP), onde foi o principal orador.

Na ocasião, afirmou que Moçambique pretende aprofundar a  cooperação com o Brasil, aproveitando a experiência brasileira na  exploração em águas profundas, engenharia, logística e  desenvolvimento de cadeias de fornecedores. 

O estadista sublinhou que a relação entre os dois países deve  traduzir-se em oportunidades concretas de investimento,  capacitação de técnicos e crescimento conjunto de empresas  moçambicanas e brasileiras. 

“Hoje, o desafio da nossa geração é acrescentar a essa ponte uma  nova dimensão: energia, tecnologia, investimento e prosperidade  para os nossos povos”, declarou o Presidente, ao evocar os laços  históricos, culturais e diplomáticos entre Moçambique e Brasil, que  assinalaram, em 2025, 50 anos de relações diplomáticas. 

O Chefe do Estado destacou o potencial energético  moçambicano, estimado em cerca de 180 triliões de pés cúbicos  de gás natural, dos quais aproximadamente 133 triliões são  considerados recuperáveis, além dos recursos hidroeléctricos,  solares e eólicos. 

Além disso, referiu, igualmente, os projectos em desenvolvimento na  Bacia do Rovuma, incluindo Coral Sul, Coral Norte, Mozambique  LNG e Rovuma LNG, que representam investimentos estimados em  cerca de 50 mil milhões de dólares norte-americanos. 

Na sua intervenção, o Presidente moçambicano defendeu uma  nova etapa de desenvolvimento do sector, orientada não apenas  para a produção e exportação de energia, mas também para a  industrialização, agricultura, produção de fertilizantes e criação de  empregos. 

“A transição energética não pode significar transição sem energia.  Não haverá transição verdadeiramente justa se construirmos um  mundo de energia limpa para alguns e de pobreza energética para  outros”, afirmou.

Daniel Chapo apontou, neste contexto, a importância do gás  natural para responder às necessidades de desenvolvimento de  Moçambique e de África, defendendo uma transição energética  justa e inclusiva, que concilie sustentabilidade ambiental, acesso à  electricidade e crescimento económico. 

O estadista anunciou que o país está a preparar uma nova fase de  oferta de áreas para pesquisa e exploração de hidrocarbonetos,  apoiada em informação geológica e geofísica mais robusta e num  quadro regulatório modernizado. 

Destacou, igualmente, a aprovação da Lei do Petróleo, em Junho  deste ano, que, segundo explicou, visa assegurar previsibilidade  jurídica, estabilidade fiscal, transparência regulatória e protecção  dos investidores, preservando os direitos adquiridos e o interesse  nacional. 

O Presidente Chapo referiu ainda a Lei do Conteúdo Local como  instrumento de desenvolvimento empresarial, defendendo maior  participação de empresas moçambicanas na cadeia de valor da  indústria energética, através de parcerias, formação e transferência  de tecnologia. 

Neste âmbito, saudou o Memorando de Entendimento entre a  Petróleo Brasileiro (Petrobras) e a Empresa Nacional de  Hidrocarbonetos (ENH), manifestando expectativa de que o acordo  abra caminho a uma presença mais expressiva da empresa  brasileira em Moçambique. 

Ao encerrar, o Chefe do Estado convidou os investidores, instituições  financeiras e parceiros tecnológicos a acompanharem as  oportunidades de pesquisa, exploração e desenvolvimento  industrial no país, sublinhando que Moçambique pretende construir  parcerias de longo prazo com o Brasil e outros mercados. 

“Queremos transformar estes recursos em indústria, em  conhecimento, em empresas, em empregos e oportunidades”,  afirmou. 

A Estação de Tratamento de Águas Residuais do Vale do Infulene enfrenta dificuldades para assegurar a sua sustentabilidade financeira. A infraestrutura custa à Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo cerca de 2,5 milhões de meticais por mês, valor superior às receitas que gera.

Perante o défice, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo está a procurar parceiros para garantir a continuidade do funcionamento da estação, cujo financiamento é actualmente assegurado através de fundos próprios da empresa.

“É um desafio, porque estamos numa situação deficitária. Ou seja, o que nós gastamos mensalmente para manter a estação é superior aos recursos ou às receitas que nós recebemos. Portanto, estamos a retirar fundos de outras actividades para garantir a sustentabilidade da estação”, explicou o presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo, Borges Nogueira da Silva.

Segundo o responsável, a empresa está a desenvolver iniciativas para encontrar mecanismos que permitam tornar a infraestrutura financeiramente sustentável, incluindo através do envolvimento de parceiros de desenvolvimento.

“Não tenho aqui números, mas estamos a falar na ordem de 2,5 milhões de meticais”, disse Borges Nogueira da Silva, referindo-se aos custos mensais de funcionamento da estação.

Um dos potenciais parceiros é o Banco Africano de Desenvolvimento, que visitou a infraestrutura esta segunda-feira, num primeiro contacto tendo em vista uma possível cooperação.

Para o enviado residente do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, Rômulo Corrêa, a estação apresenta potencial para a implementação de uma economia circular, através do reaproveitamento dos resíduos tratados.

“É interessante e chama a atenção do BAD o potencial de implementar uma economia circular, de aproveitar aqueles dejectos que talvez antes não teriam um uso muito específico, para se fazer um uso mais apropriado, no sentido de apoiar a agricultura com fertilizantes ou mesmo com biogás e apoiar a transformação energética de Moçambique”, afirmou.

A aproximação ao Banco Africano de Desenvolvimento faz parte de uma estratégia mais ampla da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo para mobilizar apoio técnico e financeiro junto de diferentes parceiros de desenvolvimento.

“Nós vamos continuar a conversar com o BAD e com as outras agências para ver se conseguimos mobilizar a assistência técnica para a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem e, a partir dessa assistência técnica, podemos, através dessas agências de desenvolvimento, elaborar projectos”, explicou Borges Nogueira da Silva.

O presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo considera que o desafio é maior num contexto marcado pelas alterações climáticas, defendendo a necessidade de encontrar soluções sustentáveis para o funcionamento da infraestrutura.

Para além da apresentação do projecto, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo e os potenciais parceiros deverão discutir oportunidades de cooperação e financiamento nas áreas do saneamento e da drenagem.

O Estado poderá ficar com apenas quatro meticais em cada 100 arrecadados em receita fiscal para financiar outras despesas em 2027. O alerta consta do Relatório de Riscos Fiscais, que aponta os salários da função pública e o serviço da dívida como os principais factores de pressão sobre o espaço orçamental.

O Relatório de Riscos Fiscais 2027, publicado recentemente pelo Ministério das Finanças, alerta para uma elevada rigidez das contas públicas no próximo ano. Segundo o documento, a massa salarial, acrescida do serviço da dívida, poderá absorver conjuntamente cerca de 96% da receita fiscal.

“Em termos de necessidade de caixa, isto significa que, por cada 100 meticais arrecadados em receita fiscal, aproximadamente 96 meticais estão pré-comprometidos, restando cerca de 4 meticais disponíveis para financiar outras despesas, como bens e serviços, transferências, investimento público interno e resposta a emergências”.

A pressão sobre a receita fiscal resulta também do peso da massa salarial. No cenário extremo, as despesas com salários poderão absorver cerca de 68% da receita fiscal em 2027.

“Em cenário de choque extremo, dois em cada três meticais de receita fiscal seriam absorvidos apenas pelo pagamento de salários da função pública, antes de qualquer outra despesa prioritária.”

O relatório alerta ainda para os riscos dos choques sobre o crescimento económico, que poderá levar a economia à contracção no cenário extremo.

O relatório indica ainda que os desastres naturais podem custar cerca de 18,4 mil milhões de meticais em 2027, constituindo mais um risco para as contas públicas.

“A elevada exposição e vulnerabilidade do país aos choques climáticos acrescenta uma dimensão adicional aos riscos fiscais. A ocorrência de eventos extremos, incluindo secas, cheias e ciclones, num contexto de El Niño potencialmente entre os mais intensos desde 1950, poderá gerar simultaneamente perdas de receita. (…) O cenário climático analisado poderá deteriorar o saldo global em aproximadamente 18,453 mil milhões de meticais e elevar a dívida pública em cerca de 1,85 pontos percentuais do PIB”, refere.

O documento considera o Sector Empresarial do Estado uma fonte relevante de exposição fiscal, devido às fragilidades financeiras e às responsabilidades directas e contingentes assumidas pelo Estado.

A inflação é outro factor de pressão. O relatório projecta uma inflação média anual de 7% no cenário Base, 7,8% no Moderado e até 8,21% no cenário Extremo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a missão técnica de dez dias realizada em Moçambique, com sinais positivos para o avanço das discussões visando um potencial programa ao abrigo da Facilidade de Crédito.

Durante a missão, a equipa do FMI manteve encontros com o Governo, a Comissão do Plano e Orçamento e representantes de diversas instituições, com o objectivo de avaliar a situação económica do país e dar início às discussões para um eventual programa de financiamento.

As discussões incidiram sobre questões centrais da economia moçambicana, incluindo o desempenho do sector real, a sustentabilidade fiscal e da dívida pública, a política monetária, o mercado cambial e as reformas estruturais.

Em representação do Governo, a Ministra das Finanças, Carla Loveira, manifestou satisfação com os resultados alcançados durante a missão, considerando a etapa importante no processo de negociação de um eventual programa com o FMI.

Segundo Carla Loveira, o Governo espera que o alinhamento das perspectivas macrofiscais de curto e médio prazo entre as autoridades moçambicanas e a equipa técnica do Fundo prossiga nos próximos dias, permitindo um desfecho favorável do processo.

A governante disse ainda esperar um retorno positivo após a submissão do relatório da missão ao Conselho Executivo do FMI.

O Governo pretende que os resultados da missão constituam as bases para um possível acordo a nível técnico, conhecido como Staff Level Agreement, seguindo-se a apreciação pelo Conselho Executivo do FMI.

Caso o processo avance, está prevista para Novembro de 2026 uma possível nova missão ao país, destinada a discutir as condicionalidades, os indicadores e as metas que poderão integrar o eventual programa de crédito.

A província de Gaza quer posicionar-se como uma nova fronteira de oportunidades de investimento na África Austral, explorando o seu potencial nos sectores da agricultura, agro-indústria, turismo, recursos minerais, pecuária, pescas, infra-estruturas e logística. A aposta foi apresentada na quinta-feira, em Maputo, durante o lançamento da Conferência Internacional de Investimento de Gaza, que terá lugar nos dias 27 e 28 de Novembro, em Bilene.

A ministra das Finanças, Carla Louveira, destacou o potencial agrícola da província, considerando Gaza o “celeiro” do País. A governante apontou a existência, no Vale do Limpopo, de dois dos maiores sistemas de irrigação da África Subsaariana, além do potencial agro-industrial e turístico.

Para facilitar a entrada de investidores, o Governo anunciou medidas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, com destaque para a digitalização do Balcão de Atendimento Único, que permitirá o registo remoto de empresas e o acesso a incentivos.

O Executivo prevê igualmente a introdução da aprovação tácita, através da definição de prazos máximos para o licenciamento e aprovação automática dos pedidos quando o Estado não responder dentro do prazo estabelecido. Está ainda prevista uma Janela Única de Terra para acelerar a tramitação dos DUAT para projectos considerados estratégicos.

Carla Louveira destacou igualmente a Zona Económica Especial de Agro-Negócios do Limpopo, criada pelo Decreto n.º 4/2021, assegurando que a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações, APIEX, irá prestar protecção jurídica e disponibilizar gestores dedicados aos investidores.

“O nosso país está aberto para fazer negócios. Convidamos fundos internacionais, bancos e a comunidade empresarial nacional a olhar para Gaza como a nova fronteira da produtividade na África Austral”, afirmou a ministra das Finanças.

CTA quer transformar potencial em projectos financiáveis

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique considera que o principal desafio da conferência será transformar o potencial existente em oportunidades concretas de investimento, produção, emprego e desenvolvimento.

O presidente da CTA, Álvaro Massingue, defendeu que Gaza possui vantagens competitivas decorrentes da sua localização e da ligação aos mercados regionais, sobretudo pela proximidade com a África do Sul e o Zimbabwe, pela integração no Corredor de Desenvolvimento de Maputo e pela proximidade da capital.

“Gaza não é apenas uma província rica em recursos. É uma plataforma estratégica”, afirmou Massingue, acrescentando que estas vantagens devem ser convertidas em negócios.

O dirigente da CTA apontou como sectores prioritários o turismo, a agricultura e agro-indústria, os recursos minerais, a pecuária, as pescas, as infra-estruturas e a logística.

“Potencial não é ainda investimento. Entre o que Gaza tem e o que queremos que Gaza se torne, existe uma ponte decisiva: um ambiente de negócios competitivo”, sublinhou.

Massingue defendeu que a conferência deverá culminar com a apresentação de um portfólio de projectos financiáveis, capazes de atrair capital e gerar emprego.

Chissano quer projectos ligados a financiamento

O antigo Presidente da República Joaquim Chissano, que assume o papel de embaixador da Conferência Internacional de Investimento de Gaza, defendeu que o encontro deve aproximar os detentores de projectos dos investidores e instituições financeiras.

“Quem tem conhecimento deve encontrar parceiros, e quem tem projectos deve encontrar financiamento. Esta conferência deve ser a ponte entre o potencial de Gaza e os investidores que procuram oportunidades”, afirmou Chissano.

O antigo Chefe de Estado defendeu ainda que sejam apresentados projectos viáveis e com capacidade de gerar emprego e desenvolvimento para as comunidades.

Por sua vez, o governador de Gaza, Alfeu Cuna, afirmou que a conferência se enquadra na visão do Executivo de transformar a província num pólo de desenvolvimento, através da exploração das suas potencialidades agrícolas, turísticas, logísticas e de recursos naturais.

A Conferência Internacional de Investimento de Gaza será realizada nos dias 27 e 28 de Novembro, em Bilene, e pretende aproximar investidores, instituições financeiras e empresários dos projectos e oportunidades existentes na província.

O Governo prepara novas medidas de restrição às importações de produtos que podem ser produzidos localmente, numa estratégia de protecção da indústria nacional e redução da saída de divisas. A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, que aponta para uma lista que poderá abranger entre 27 e 28 produtos.

Segundo Grispos, a medida deverá ser implementada de forma gradual e precedida de estudos para avaliar os seus impactos no mercado. “Não queremos prejudicar o mercado. Queremos criar condições para que o mercado moçambicano seja mais apetecível para os produtores”, explicou o governante.

Entre os sectores abrangidos está a panificação, considerada pelo Executivo como um dos principais empregadores do País. O secretário de Estado do Comércio estima que o sector tenha cerca de 96 mil empregos formais e defende que o reforço da produção nacional poderá gerar mais postos de trabalho e reduzir a saída de divisas associada às importações.

“Por que razão vamos importar, perdendo empregos, divisas e mais-valias no País?”, questionou António Grispos, acrescentando que algumas empresas já estão a realizar investimentos para aumentar a produção, incluindo de pão de soja.

Além da panificação, o Governo pretende avançar com medidas relacionadas com produtos cerâmicos, água mineral e fornos, entre outros bens. Grispos explicou que o decreto actualmente em preparação menciona cerca de 16 a 17 produtos, mas a lista em avaliação para eventual restrição poderá chegar a 27 ou 28.

A entrada em vigor das primeiras medidas está dependente da publicação do respectivo diploma ministerial. De acordo com António Grispos, os procedimentos internos e a consulta aos ministérios e outros organismos já foram realizados, estando o processo na fase final.

“Aguardamos apenas a publicação. Penso que nos próximos dias vamos ter a publicação do diploma ministerial”, afirmou.

O governante acrescentou que a Comissão Consultiva de Implicações deverá reunir-se, em princípio, dentro de duas semanas, podendo resultar dessa reunião a inclusão de mais produtos na lista.

GOVERNO QUER MANTER DIÁLOGO REGULAR COM A CTA 

As medidas foram igualmente discutidas no âmbito do diálogo entre o Governo e o sector privado, através da CTA. António Grispos defende que este tipo de encontros deve deixar de ocorrer de forma esporádica e passar a ter uma periodicidade definida.

“Deveríamos estabelecer uma cadência para que isso não se torne só uma conversa de cinco em cinco anos, mas que possa ser uma conversa anual ou bianual”, disse.

O secretário de Estado considera que o encontro permitiu aproximar as posições do Governo e do sector empresarial e identificar soluções para problemas como a burocracia e o acesso ao financiamento.

No caso da burocracia, apontou a informatização dos processos como uma das soluções, enquanto, em relação ao financiamento, defendeu uma discussão mais aprofundada com o sector bancário, sobretudo para encontrar mecanismos que permitam aumentar o crédito à agricultura e a outros sectores produtivos.

“Viemos aproximar posições e mostrar que, em muitos momentos, estamos alinhados”, afirmou Grispos, acrescentando que o objectivo deve ser “encontrar soluções” para os obstáculos ao desenvolvimento da produção, da industrialização e da comercialização no País.

 

DESVALORIZAÇÃO DO METICAL COMO MECANISMO DE DESEQUILÍBRIO ECONÓMICO FORA DE QUESTÃO 

Sobre a possibilidade de desvalorização do metical como instrumento para responder aos desequilíbrios económicos, o secretário de Estado do Comércio considera que o momento actual não é adequado para adoptar essa medida.

Para Grispos, uma desvalorização poderia representar um choque adicional para famílias e empresas, num contexto já marcado pelo aumento dos custos logísticos e da factura de importação de combustíveis.

“Eu penso que agora não é altura para nós fazermos isso”, declarou, defendendo que a prioridade deve estar no aumento da produção interna e na redução da dependência de produtos importados.

O governante considera, entretanto, que a entrada de investimentos associados aos projectos de gás natural liquefeito poderá contribuir, a médio prazo, para melhorar as condições do mercado cambial. Segundo explicou, os efeitos não serão imediatos, uma vez que será necessário que os recursos entrem na economia e circulem pelos diferentes sectores.

“Esse dinheiro deve começar a entrar na economia de Moçambique, tem de circular, tem de haver o contágio de todo este efeito”, afirmou.

Enquanto se aguardam esses investimentos, Grispos defende uma actuação coordenada entre o Governo, o Ministério das Finanças e o Banco de Moçambique para preservar as reservas externas e reduzir as pressões sobre a economia.

No primeiro semestre de 2026, a produção industrial é estimada em cerca de 60 mil milhões de meticais, com destaque para as indústrias alimentares, metais de base, bebidas, minerais não metálicos e produtos químicos. No mesmo período, foram licenciados três grandes estabelecimentos industriais, ligados ao processamento de grafite, produção de embalagens plásticas e papel canelado, e à serração e aplainamento de madeira, com um potencial estimado de 938 postos de trabalho.

No comércio e abastecimento, o ministro revelou que foram comercializadas cerca de 7 milhões de toneladas de produtos agrícolas, principalmente tubérculos, cereais e hortícolas. Muhate considera, contudo, que o desempenho do sector deve ser avaliado também pela capacidade de escoamento, disponibilidade dos produtos e pelos preços praticados para as famílias.

No comércio externo, os dados preliminares apresentados pelo ministro apontam para um “saldo positivo da balança comercial de cerca de 114 milhões de dólares. O resultado decorre de um crescimento de 5% das exportações e de uma redução de 12% das importações”, explicou. Para Muhate, a redução das importações deve ser acompanhada pelo reforço da produção nacional, enquanto o país precisa de aumentar a diversificação das exportações e o valor acrescentado dos produtos nacionais.

O turismo registou, por sua vez, 76 novos estabelecimentos, entre unidades de alojamento, restaurantes e agências de viagens. De acordo com o ministro, “os investimentos aprovados neste sector rondam 840 milhões de meticais, com potencial para gerar cerca de 999 postos de trabalho”. Muhate defende que estes investimentos devem resultar em mais actividade económica, turistas, emprego e participação das empresas nacionais e das comunidades na cadeia de valor.

Na área das Micro, Pequenas e Médias Empresas, 3 004 empresas foram abrangidas por acções de capacitação e assistência. O ministro considera, entretanto, que o desafio passa por medir os resultados dessa intervenção, nomeadamente quantos negócios foram consolidados, quantos empregos foram criados e quantas empresas conseguiram aceder a financiamento e a novos mercados.

No investimento directo, foram aprovados 90 projectos, concentrados sobretudo nos sectores dos Transportes e Comunicações, Turismo e Hotelaria e Indústria. Muhate alertou que a aprovação dos projectos é apenas o início do processo, defendendo o acompanhamento da sua implementação para garantir que se transformem em unidades produtivas, empregos, exportações e receitas para o Estado.

O ministro destacou ainda a expansão dos serviços do BAU para 129 distritos, no âmbito das reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios. Entre as medidas mencionadas estão o Regulamento de Licenciamento Industrial, a Mera Comunicação Prévia e o Licenciamento Simplificado das Actividades Económicas.

Ao fazer o balanço dos primeiros 18 meses de governação, Muhate defendeu que “a avaliação das políticas públicas deve ultrapassar o número de actividades realizadas, licenças emitidas ou projectos aprovados e concentrar-se no impacto efectivo sobre a economia e a população. É necessário saber quantos investimentos se concretizaram, quantos empregos foram criados, quanto aumentou a produção e em que medida as oportunidades económicas chegaram às famílias”, afirmou o ministro.

Para Basílio Muhate, “o desafio do Ministério da Economia é transformar os resultados das actividades em mais produção, investimento, emprego, empresas competitivas e maior rendimento para as famílias”. Os pronunciamentos foram feitos durante a II Sessão do Conselho Coordenador do Ministério da Economia, que decorre na cidade de Maputo.

A inflação anual em Moçambique desacelerou para 6,45% em Agosto de 2026, depois de ter atingido 7,48% em Julho, representando uma redução de 1,03 pontos percentuais. Os dados constam da informação divulgada pelo Banco de Moçambique, com base no Índice de Preços no Consumidor (IPC) calculado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os dados apresentados, a desaceleração da inflação foi influenciada, sobretudo, pelo comportamento dos preços nas divisões de produtos alimentares e bebidas não-alcoólicas, bem como de vestuário e calçado, que registaram menores pressões sobre o nível geral de preços.

A trajectória da inflação mostra uma inversão face à tendência de aceleração registada no primeiro semestre. Depois de permanecer em níveis próximos de 3% entre o final de 2025 e o início de 2026, a inflação anual acelerou significativamente a partir de Abril, atingindo 7,48% em Julho, antes de recuar para os 6,45% em Agosto.

Apesar da desaceleração, o nível de inflação continua a representar um factor relevante para o custo de vida das famílias e para as decisões de consumo e investimento das empresas. A evolução dos preços continuará, por isso, a ser acompanhada pelas autoridades monetárias, num contexto marcado também pela necessidade de preservar a estabilidade macroeconómica.

Os dados de Agosto indicam, assim, um alívio das pressões inflacionistas, embora a inflação permaneça acima dos níveis registados no início do ano.

O Governo prepara novas medidas de restrição às importações de produtos que podem ser produzidos localmente, numa estratégia de protecção da indústria nacional e redução da saída de divisas. A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, que aponta para uma lista que poderá abranger entre 27 e 28 produtos.

Segundo Grispos, a medida deverá ser implementada de forma gradual e precedida de estudos para avaliar os seus impactos no mercado. “Não queremos prejudicar o mercado. Queremos criar condições para que o mercado moçambicano seja mais apetecível para os produtores”, explicou o governante.

Entre os sectores abrangidos está a panificação, considerada pelo Executivo como um dos principais empregadores do País. O secretário de Estado do Comércio estima que o sector tenha cerca de 96 mil empregos formais e defende que o reforço da produção nacional poderá gerar mais postos de trabalho e reduzir a saída de divisas associada às importações.

“Por que razão vamos importar, perdendo empregos, divisas e mais-valias no País?”, questionou António Grispos, acrescentando que algumas empresas já estão a realizar investimentos para aumentar a produção, incluindo de pão de soja.

Além da panificação, o Governo pretende avançar com medidas relacionadas com produtos cerâmicos, água mineral e fornos, entre outros bens. Grispos explicou que o decreto actualmente em preparação menciona cerca de 16 a 17 produtos, mas a lista em avaliação para eventual restrição poderá chegar a 27 ou 28.

A entrada em vigor das primeiras medidas está dependente da publicação do respectivo diploma ministerial. De acordo com António Grispos, os procedimentos internos e a consulta aos ministérios e outros organismos já foram realizados, estando o processo na fase final.

“Aguardamos apenas a publicação. Penso que nos próximos dias vamos ter a publicação do diploma ministerial”, afirmou.

O governante acrescentou que a Comissão Consultiva de Implicações deverá reunir-se, em princípio, dentro de duas semanas, podendo resultar dessa reunião a inclusão de mais produtos na lista.

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