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O economista Carlos Nuno Castel-Branco mostra reservas sobre a criação do fundo soberano em Moçambique, com base em receitas da indústria extractiva. Sobre o acordo de reestruturação da dívida da Ematum, Castel-Branco aponta que o Estado está agir dentro da ilegalidade.

Uma década de publicação do relatório “Desafios para Moçambique”. O Instituto de Estudos Sociais e Económicos, IESE, iniciou esta quinta-feira, em Maputo, uma reflexão de dois dias sobre a trajectória da economia do país.

O economista Carlos Nuno Castel-Branco abordou as expectativas em volta dos futuros ganhos da indústria do gás e petróleo, defendendo que o debate sobre a criação do fundo soberano ignora choques socioeconómicos.

“O fundo soberano não é uma alternativa para estabilização e reservas de uma economia que é muito dependente de exportação de recursos primários, sem a diversificação a economia vai estruturalmente ser instável e as pressões sobre o fundo soberano vão ser muito fortes. É preciso se pensar se vamos ter recursos para pôr lá dentro pelo menos até a próxima década”, disse Castel-Bravo

O mais recente acordo entre o Governo e os detentores dos títulos da Ematum, que ignora por completo o acórdão do Conselho Constitucional, que declarara esta dívida ilegal, o acadêmico disse há um duplo ilícito.
 

“A dívida ilícita é ilícita e como tal deve ser ilícito o Estado estar a assumir a responsabilidade para essa dívida, portanto há dois ilícitos aqui, uma é a contração da dívida ilícita e outra é pôr o Estado a pagar esta dívida. Não nos vale de muito prender os hipotéticos executantes das dívidas e eventualmente os seus mandantes se os cidadãos de Moçambique continuarem a pagar isso”, acrescentou o economista.
 
A conferência do IESE por ocasião do décimo aniversário das publicações dos desafios socioeconómicos de Moçambique juntou vários investigadores e alguns parceiros externos.

O volume das exportações moçambicanas caiu em 13,8% no segundo trimestre deste ano, face ao período homólogo. Concretamente, as vendas no exterior rondaram 1.1 mil milhões de dólares.

Dados provisórios sobre o comércio externo indicam que no segundo trimestre de 2019, o défice da balança comercial de bens em Moçambique fixou-se em cerca de 782,9 milhões de dólares americanos, ou seja, o país vendeu menos e comprou mais no exterior, no período em análise.

As exportações diminuíram em 13,8% e as importações aumentaram em 8%, quando comparadas às do trimestre homólogo de 2018, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a conjuntura económica, a que “O País” teve acesso.

Concretamente, no segundo trimestre de 2019, as exportações rondaram em cerca de 1.1 mil milhões de dólares norte-americanos, enquanto às importações absorveram perto de USD 1.6 mil milhões.
Dos principais produtos exportados no trimestre em referência, o destaque vai para o carvão mineral (Hulha) com 31,6%, barras e perfis de alumínio com 22,5% e a energia eléctrica com 9,3%.

Já nas importações, destaca-se as maquinarias, cereais e automóveis, cujos pesos sobre as vendas totais no exterior estimaram-se em 19,5%, 6,9% e 5,3%, respectivamente, indica o INE.

O grupo dos principais países que se evidenciaram nas relações comerciais com Moçambique no segundo trimestre de 2019, como destino das exportações foram: África do Sul (17,5%), Índia (16,8%), Países Baixos (9,7%) e China (8,3%).

Com estes países, os produtos transaccionados foram energia eléctrica, gás de petróleo, carvão mineral, briquetes, alumínio bruto, minérios de titânio e combustíveis sólidos.

Relativamente às importações, entre os fornecedores para Moçambique tiveram maior relevo (também) a África do Sul com um peso de 26%, os Emiratos Árabes Unidos (11,9%), a China (11,5%) e a Índia (6,8%), tendo como produtos transaccionados com maior expressão a energia eléctrica, os automóveis, os óleos de petróleo, os medicamentos, as barras de ferro, as bombas, os tubos e perfis ocos, as bicicletas e os gipsites.

ACTIVIDADE ECONÓMICA

Do comércio externo de bens, o relatório de conjuntura económica avalia igualmente outros indicadores da economia (comércio interno).
A título ilustrativo, o fluxo de hóspedes nos estabelecimentos hoteleiros em Moçambique aumentou ligeiramente em 1,4% no segundo trimestre deste ano, face ao índice registado nos primeiros três meses.
Em contrapartida, e durante o mesmo período, as dormidas (noites em hotéis) registaram um ligeiro decréscimo na ordem de 1,2%, relativamente ao período homólogo e face ao trimestre passado cresceu em cerca de 4,4%.

E mais, o volume de negócios do sector de restauração decresceu no segundo trimestre deste ano, em termos homólogos de 2018 e anterior em cerca de 6,7% e 1,5%, respectivamente. O volume de negócios do comércio cresceu face ao trimestre homólogo de 2018 em cerca de 17,2% e relativamente ao anterior decresceu em cerca de 19%.

 

CIMENTO NACIONAL EM ALTA

Com o Produto Interno Bruto (PIB) do país a crescer 2,3% no segundo trimestre de 2019, o negócio de cimento nacional esteve em alta.
O volume de cimento nacional vendido teve um incremento de 7,8%, face ao período homólogo de 2018 e relativamente ao trimestre anterior (Janeiro a Março de 2019), a venda também aumentou em cerca de 56,2%.

Com o negócio em alta, o nível de importação do cimento diminuiu tanto para o trimestre homólogo de 2018, assim como para o anterior em cerca de 49,2% e 32,9%, respectivamente.

Em sentido, inverso, segundo o INE, o nível de carvão vendido reduziu entre Abril e Junho deste ano, em termos homólogo (2º trimestre de 2018) e primeiros três meses do ano de 2019, em cerca de 9,3% e 0,7%, respectivamente.

O volume de alumínio vendido também reduziu tanto para o trimestre homólogo de 2018 e primeiros três meses do corrente ano, em cerca de 1,8% e 2,6%, respectivamente.

 

O grupo holandês Smit Lamnalco, ganhou o contrato de fornecimento de serviços marítimos integrados na instalação da fábrica flutuante de Gás Natural Liquefeito na Área 4, da Bacia do Rovuma, no norte de Moçambique. Trata-se do projecto Coral Sul FLNG, do consórcio liderado pela petrolífera italiana Eni.

Os operadores da Área 4, da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, anunciaram esta quinta-feira, a adjudicação de um contrato de prazo fixo de 10 anos à Smit Lamnalco, para fornecimento de serviços marítimos integrados à primeira instalação de gás natural liquefeito flutuante (FLNG) em Moçambique, mais conhecido por “Coral Sul”.

“Após um concurso internacional e uma extensa avaliação técnica e comercial aprovada pela Autoridade Reguladora para Operações Petrolíferas em Moçambique, o INP, hoje (quinta-feira) temos o orgulho de anunciar a adjudicação de um contrato estratégico à uma empresa reconhecida e experiente, como Smit Lamnalco, para apoiar as operações marítimas e de descarga seguras, confiáveis e eficazes do nosso Coral Sul FLNG”, disse Maurizio Lanzo, gerente geral do Coral FLNG SA, em nota enviada a nossa redacção.

Para a prestação de seus serviços, a Smit Lamnalco, presente em mais de 30 países, implantará três rebocadores para serviços de escolta, atracagem e desatracagem de navios transportadores de Gás Natural Liquefeito junto ao barco flutuante. Um quarto rebocador será utilizado para assistência às operações marítimas.

O contrato assinado inclui, igualmente, um extenso plano de conteúdo local que abrange oportunidade de formação e emprego para jovens moçambicanos, confirmando o compromisso contínuo dos parceiros da petrolífera Eni (líder do consórcio da Área 4) com o desenvolvimento sustentável a longo prazo de Moçambique.

O Coral FLNG é uma entidade de propósito específico criada pelos parceiros da Eni e da Área 4, nomeadamente, ExxonMobil, CNPC, Kogas, Galp Energia e ENH. O Coral Sul FLNG, uma parte essencial do Projeto Coral South, liderado pela Eni, que colocará em produção o gigantesco reservatório de Coral, com 450 biliões de metros cúbicos de gás, operará na costa norte de Moçambique a uma profundidade de água de 2000 metros.

O projecto de liquefacção de gás do “Coral Sul” é o primeiro aprovado pelos parceiros da Área 4, para o desenvolvimento dos consideráveis recursos de gás descobertos por este consórcio na Bacia do Rovuma, em offshore (no mar).

Recorda-se, que a Eni é operadora da Área 4, com um interesse participativo indireto de 50%, através da sua participação na Eni East Africa (EEA). Em Março de 2017, Eni e ExxonMobil assinaram um Contrato de Compra e Venda para permitir que esta última (ExxonMobil) adquira 25% das acções no bloco. Após a conclusão da transacção, a gigante italiana irá reduzir sua participação para metade (25%). As restantes acções são detidas pelo CNODC (20%), Empresa Nacional de Hidrocarbonetos E.P. (ENH, 10%), Kogas (10%) e Galp Energia (10%).

A petrolífera italiana está presente em Moçambique desde 2006, sendo que entre 2011 e 2014, descobriu grandes reservas de gás natural.

 

Cerca de 500 trabalhadores da açucareira da Maragra, no distrito da Manhiça, província de Maputo, estão em grave, há 19 dias, em reivindicação de melhores salários. O grupo exige um aumento de 30%, mas o patronato promete 20% condicionados à retoma ao trabalho e produção de 350 mil toneladas de açúcar até Dezembro próximo. A proposta foi recusada pelo sindicato.

Não é a primeira vez, este ano, que centenas dos mais quatro mil trabalhadores da Maragra Açúcar SA entram em greve. Em Julho passado, por exemplo, o Sindicato Nacional da Indústria do Açúcar e Afins interveio para mediar o conflito mas sem sucesso. A intervenção das autoridades de mediação de conflitos laborais também não foi capaz de pôr termo à zanga dos operários perante a falta de cedência por parte do patronato.

O grosso dos trabalhadores daquela açucareira está afecto à fábrica, onde transforma a cana em açúcar, pelo que exige ser remunerado como trabalhadores da indústria transformadora e não como seus colegas que trabalham no corte da cana-de-açúcar, por exemplo, mas o patronato recusa alegando problemas financeiros.

Sem outra saída, os operários têm observado greves sucessivas e prometem continuar a fazê-lo até que as suas reivindicações sejam atendidas. Aliás, em Agosto passado, perto de 45 hectares de cana-de-açúcar foram queimados durante uma greve de trabalhadores. A Polícia foi accionada e recorreu à força para amainar os ânimos.

Volvidas quase três semanas de uma nova greve, ontem, a Maragra Açúcar SA e a contraparte que representa os cerca 500 trabalhadores que recusam regressar aos seus postos tiveram um frente-a-frente: todas as tentativas de pôr fim ao braço-de-ferro redundaram em fracasso. O comité sindical queixa-se da falta de abertura do patronato para as negociações.

A fábrica foi encerrada e os trabalhadores garantem que não vão retomar as actividades enquanto as suas reivindicações não forem satisfeitas, segundo o secretário do Comité Sindical da Maragra, uma organização membro do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria do Açúcar (SINTIA), Alexandre Júlio.

O patronato não se pronunciou sobre o assunto e a massa laboral pediu, em declarações ao “O País”, a intervenção do Governo.

 

Centro de Integridade Pública (CIP) diz que o Sector da Saúde não é transparente quanto ao uso dos fundos canalizados pelos parceiros de desenvolvimento internacional. O CIP diz ainda que o sector produz relatórios, mas não disponibiliza ao público.

A constatação é fruto de uma pesquisa que o CIP fez analisando as contas do Ministério da Saúde entre os anos 2012 e 2018. Para isso, o Centro teve de solicitar os Relatórios de Execução Orçamental (REO) do sector, os quais não estavam disponíveis para a consulta pública.

Aliás, é mesmo pela não disponibilização dos REOs que o CIP considera que o Governo não tem sido transparente na gestão dos fundos canalizados pelos parceiros de cooperação para o sector da saúde em Moçambique.

Entretanto não deixa de ser transparente por falta de conhecimento ou reconhecimento. “O Governo reconhece a importância da transparência da ajuda. No entanto, apesar desse reconhecimento formal, evidências relacionadas com a disponibilidade de informação em plataformas, assim como a falta de publicação dos instrumentos e respectiva disponibilização mostram que, na prática, não há cometimento com o assunto”, explicou Ben Hur Cavelane, responsável pela pesquisa.

E mais, o CIP afirma que o Governo não mostra interesse em ser transparente com o público moçambicano, entretanto tem prestado contas regular e frequentemente aos parceiros de desenvolvimento que desembolsam o dinheiro que é usado diferentes projectos do sector da saúde.

O que acontece é que a Ministério da Saúde produz Relatórios de Execução Orçamental, envia aos parceiros e de seguida não os disponibiliza para o público.

“Visitamos a página web do Ministério da Saúde e encontrámos apenas o relatório de 2012, sendo que o ministério tem estado a produzir estes relatórios já passam mais de dez anos. Esta informação é produzida pelo MISAU, mas não é disponibilizada para o consumo dos moçambicanos, são para os doadores”, finalizou.

O CIP interessou-se por estudar estes fundos justamente por serem uma parte indispensável do dinheiro que o sector tem vindo a usar nos seus projectos. Neste momento, a média anual destes fundos no orçamento alocado à saúde é de 61 por cento, sendo que nos últimos três anos a tendência tem vindo a ser de reduzir devido à retirada do apoio directo ao orçamento na sequência da descoberta das dívidas ocultas em 2016.

O Centro recomenda que o Governo crie uma plataforma através da qual vai sempre disponibilizar os relatórios de execução orçamental ao público. A organização acredita que só assim será melhorada a transparência neste sector.

Os portos moçambicanos receberam mais navios de carga no ano passado. O volume de carga manuseado chegou aos cerca de 32.4 milhões de toneladas métricas no período em análise.

Um total de 2.173 navios de carga atracaram nos portos moçambicanos em 2018, um número acima de 1947 do movimento registado no ano anterior, indicam os Portos e Caminhos-de-ferro de Moçambique.

A quantidade de carga portuária manuseada chegou atingiu cerca de 32.4 milhões de toneladas métricas, com o Porto de Maputo na dianteira, ao contribuir com mais de 14 milhões de toneladas métricas, seguido do Porto de Nacala-a-Velha e da Beira, com 8.2 e 7.4 milhões de toneladas métricas, respectivamente.

Em termos de distribuição de navios por cada porto, o de Maputo liderou ao receber 847 em 2018, menos seis que em 2017. Seguem-se os portos da Beira e de Nacala, com 589 e 438 navios, respectivamente.

No radar dos projectos bilionários da indústria do gás natural da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, cujo arranque da fase de produção está prevista para 2023, os portos locais, nomeadamente, Pemba e Mocímboa da Praia, receberam perto de 70 navios de carga.  

 

Iniciaram hoje as obras de construção da ponte metálica sobre o Rio Licungo que liga o posto administrativo de Malei, em Namacurra e Maganja da Costa, na Zambézia. A infra-estrutura foi destruída pelas cheias que fustigaram a província em Janeiro de 2015.

Cerca de quatro anos e oito meses depois, a ponte sobre o Rio Licungo na província da Zambézia vai ser reabilitada. Os trabalhos estão a cargo de uma empresa chinesa que já posicionou sua maquinaria no terreno para iniciar a reabilitação.

De acordo com o Ministro das Obras Públicas, a infra-estrutura vai reduzir as longas distâncias percorridas, actualmente, pela população e melhorar o desenvolvimento local.

“Os Distritos de Namacurra, Maganja da Costa, Mocubela e Pebane, irão, com esta ponte, poder dar um salto gigantesco a geração de rendimento proveniente do grande potencial agrícola e pesqueiro de que possuem.

Com esta infra-estrutura concluída, o acesso aos principais mercados fica mais facilitado. As populações alargarão a sua base de rendimento e o custo de vida reduzirá substancialmente”, considerou o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

Dado à escassez de recursos, João Machatine explica que o Governo decidiu construir a ponte metálica para facilitar o tráfego, enquanto mobiliza dinheiro para uma ponte convencional.

“A magnitude dos danos ocorridos na ponte, em 2015, exige avultados fundos para a sua reparação, por isso que o Governo foi concebendo uma solução tecnicamente à altura dos fundos disponíveis. Solução esta que passa pela construção desta Ponte Metálica que ira garantir a fluidez do tráfego”, disse João Machatine.

Durante o lançamento da primeira pedra da infra-estrutura, o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, João Machatine, exigiu seriedade aos empreiteiros e fiscais.

Com a ausência da ponte, a população de Pebane e Maganja da Costa percorre cerca de 400 quilómetros para Malei. Com a ponte, a distância reduz para 120 quilómetros.

A ponte tem 925 metros de comprimento e 7 de largura. Será construída em um ano e custará ao Governo cerca de 914 milhões de meticais, desembolsados através do Fundo de Estradas.

Até ao momento, o País possui 1.297 pontes, das quais 1.115 (86%) são convencionais 143 (11%), metálicas e 39 (3%) em madeira.

 

 

O Centro de Integridade Pública (CIP) defende que a lei que versa sobre a recuperação e gestão de activos deve ser aprovada com “urgência” em Moçambique.

“Tratando-se de uma lei essencial para o combate à corrupção, num momento em que o Governo moçambicano reconheceu, através de um relatório produzido em parceria com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que esta vem ganhando contornos alarmantes, a sua aprovação mostra-se ainda mais importante e urgente”, refere o CIP.

Os informes anuais da Procuradoria-Geral da República (PGR) na Assembleia da República, referente aos últimos três anos (2016, 2017 e 2018) demonstra níveis de recuperação de activos muito baixos durante a fase da instrução preparatória que é dirigida pelo Ministério Público.

A título de exemplo, escreve o CIP, em 2016, o Estado foi lesado indiciariamente em mais de 459.2 milhões de meticais, tendo conseguido recuperar apenas o valor de 20.6 milhões, um imóvel e oito viaturas.

Seguidamente, em 2017, o volume dos valores recuperados foi de 16.1 milhões de meticais e mais de 28 mil dólares, o que totalizou, em meticais, a importância de 17.915. 319,19 não se tendo feito referência ao valor total indiciariamente desviado, embora se tenha ressalvado que o valor recuperado estava aquém do que se supõe ter sido desviado dos cofres públicos.

Já em 2018, o valor ilicitamente retirado dos cofres do Estado foi de cerca de bilião de meticais, sendo que, deste, foram recuperados somente 77.4 milhões, 34 viaturas e 22 imóveis.

“A Procuradoria-Geral da República tem vindo a alertar para essa necessidade, principalmente, desde à altura em que o processo das chamadas “dívidas ocultas” entrou na fase de instrução preparatória. Nessa etapa, mostrou-se necessário proceder, não só à apreensão de bens dos suspeitos de estarem envolvidos no caso, como também identificar e recuperar os activos que estes obtiveram com recurso aos subornos que se alega terem recebido para viabilizar o calote contra o Estado moçambicano”, aponta o CIP.

Da interpretação a futura lei, os pesquisadores do CIP referem que poder-se-á solicitar que outras jurisdições criminais estrangeiras auxiliem na recuperação de activos que sejam domiciliados fora do país como forma de ocultá-los das autoridades de investigação criminal nacionais.

“Neste momento e no concernente ao caso relacionado com as dívidas contraídas ilegalmente, o que a PGR pode fazer é promover, junto do tribunal onde os autos correm os seus trâmites, à apreensão dos bens já identificados para, posteriormente, em sede de sentença transitada em julgado e se for provada a sua origem criminosa, solicitar a perda dos mesmos a favor do Estado”.

Entretanto, o conceito de recuperação de activos não coincide com o conceito de confisco ou de perda, tendo um significado muito mais amplo e, ainda, pouco decantado.

“No fundo, com esta expressão, designa-se todo um processo amplo e complexo que compreende a identificação, a apreensão, o confisco e a destinação dos proventos do crime. Sendo assim, mais do que recorrer à apreensão e perda de bens, é necessário que haja uma verdadeira acção de recuperação de activos por se mostrar um processo mais eficiente e abrangente”, esclarece.

Refira-se, que este dispositivo legal deverá prever a criação de um departamento ou uma unidade especializada integrada na PGR com competência exclusiva para exercer actividades inerentes à recuperação de activos dentro e fora do país.

A província de Cabo Delgado já possui um centro de treinamento especializado para indústria de petróleo e gás desde a última sexta-feira.

Trata se de um centro virtual, instalado na Universidade Lúrio, em Pemba, que numa primeira fase, vai formar engenheiros mecânicos, mas num futuro poderá alargar para outras áreas, de acordo com as necessidades do mercado, sobretudo para capacitar a mão-de-obra que será necessária na exploração do gás da bacia do Rovuma.

“Numa primeira fase serão preparados sete professores, e a partir daí caberá a Universidade o número de estudantes a serem treinados com o mesmo nível de capacitação que receberem da nossa empresa”, explicou Ricardo Aboud, director da Bakers Hughes GE Company, a empresa que vai gerir o centro de treinamento virtual.

A infra-estrutura foi inaugurada pelo Reitor da Universidade Lúrio, Francisco Noa, que prevê num futuro breve abrir licenciaturas em petróleo e gás.

“Futuramente poderemos abrir licenciaturas na área de petróleo e gás, mas numa primeira fase iremos formar apenas de acordo com as necessidades do mercado da indústria”, argumentou Francisco Noa, sem revelar o valor investido na instalação da infra-estrutura.

Oficialmente, este e o primeiro centro de treinamento virtual para esta indústria, aberto em Cabo Delgado, onde nos próximos anos inicia a exploração de hidrocarbonetos nos blocos da Área 1 e 4, da bacia do Rovuma.

Para Área 1, o consórcio já aprovou a Decisão Final de Investimento no valor de 25 mil milhões de dólares, sendo que para a Área 4, a decisão foi adiada para até finais deste ano.

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