O País – A verdade como notícia

O governo está a preparar um pacote de incentivos fiscais na importação de material de construção de habitações para jovens e funcionários públicos. A informação foi anunciada durante a inauguração de um projecto de habitação.

São 64 de um total 160 apartamentos do projecto Zintava I, no distrito de Marracuane, província de Maputo, que foram inauguradas esta terça-feira pelo ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos. O projecto está orçado em cerca de 280 milhões de meticais e os apartamentos deverão ser pagos durante um período de 20 anos. As prestações mensais variam de 17 mil meticais para apartamento Tipo 2 e 19 mil meticais para Tipo 3.

Para ocupar os 160 apartamentos, concorreram três mil candidatos, o que mostra a grande procura por uma habitação condigna no país. Para fazer face à situação, João Machatine revelou que está a preparar um pacote de incentivos fiscais para o sector privado.

Já o governador da província de Maputo, Raimundo Diomba, reconheceu que o grande desafio é o crescimento populacional.

No presente quinquénio, o executivo tinha fixado como meta a construção de 35 mil habitações, objectivo que não será alcançado, segundo o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

 

O desembolso dos fundos para a reconstrução das infra-estruturas destruídas pelos ciclones Idai e Kenneth está dependente da finalização dos projectos por parte do Governo moçambicano.

Entre Março e Abril deste ano, as regiões centro e norte de Moçambique foram devastadas pelos ciclones Idai e Kenneth. A cidade da Beira foi a mais afectada pelo Idai, com centenas de mortos e infra-estruturas sociais e económicas destruídas.

Após os desastres naturais, o Governo convocou uma conferência internacional de doadores para angariar fundos com vista à reconstrução das zonas afectadas. Feitas as contas, os parceiros prometeram 1.2 mil milhões de dólares, contra 3.2 mil milhões de dólares necessários.

As obras de emergências, nomeadamente em estradas, rede de distribuição de energia, hospitais e escolas estão em curso. Contudo, o desembolso da grande parte dos fundos prometidos para a fase mais complexa da reconstrução está dependente de apresentação dos projectos.

“Estamos numa fase de elaboração dos projectos, que se seguirá ao lançamento de concursos públicos para execução das obras mais complexas”, explicou o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, João Machatine.

A fase final de reconstrução pós Idai e Kenneth deverá arrancar no próximo ano, concretamente no primeiro trimestre.

 

 

 

A ‘Prime Rate’, indicador que serve de base para a fixação da taxa de juro de referência na banca (taxa MIMO) baixa para 18% em Outubro, uma redução em 30 pontos base face ao mês anterior (Setembro).

É pelo quarto mês consecutivo que o Banco Central e a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) voltam a rever em baixa a ‘Prime Rate’ do sistema financeiro, abrindo espaço para uma possível redução do custo do dinheiro.

Em Janeiro deste ano, este indicador situara-se nos 19,90%, tendo recuando no mês seguinte para 19,50% (taxa que manteve-se até Junho). O segundo semestre tem sido marcado por quedas consecutivas.

Basicamente, a ‘Prime Rate’ é a taxa aplicada às operações de crédito entre as Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras com os seus clientes. A esta taxa é adicionada ou subtraída uma margem (spread), mediante a análise de risco de cada tipo de crédito.

 

 

A petrolífera francesa Total pagou cerca de quatro mil milhões de dólares na compra dos activos da Anadarko em Moçambique. O negócio foi feito com a norte-americana Occidental.

Os activos da petrolífera norte-americana Anadarko, na Área 1 da Bacia do Rovuma, norte de Moçambique, foram adquiridos a troco de 3.9 mil milhões de dólares pela francesa Total à Occidental, que a partir da última sexta-feira, passa a liderar o consórcio desta área de concessão.

Trata-se da aquisição da participação de 26,5% que era detida pela Anadarko no projecto Mozambique LNG.

Com a venda dos activos da Anadarko na Área 1 da Bacia do Rovuma, o Estado moçambicano encaixou 880 milhões de dólares em receitas de mais-valia na transacção.

Em comunicado enviado à nossa redacção, consta que esta conclusão ocorre após a Total ter chegado a um acordo vinculativo com a norte-americana Occidental, a 3 de Maio deste ano, para adquirir os activos da Anadarko em África (Moçambique, Argélia, Gana e África do Sul) e ter assinado o Contrato de Compra e Venda (CCV) subsequente a em Agosto.

“O projecto Mozambique LNG é um activo único que corresponde perfeitamente à nossa estratégia e reforça a nossa posição em matéria de Gás Natural Liquefeito (GNL”, disse Patrick Pouyanné, presidente e director-executivo da Total.

“Como novo operador, estamos totalmente empenhados no projecto Mozambique LNG e iremos tirar o máximo partido das nossas capacidades humanas, técnicas, financeiras e de marketing para reforçar ainda mais a sua execução. É certo que a Total irá trabalhar nas sólidas bases estabelecidas pelo anterior operador e pelos respectivos parceiros com vista a implementar o projecto no melhor interesse de todas as partes envolvidas, incluindo o governo e o povo moçambicano”, sublinhou.

A Área 1 contém mais de 60 biliões de pés cúbicos de recursos de gás, dos quais 18 biliões de pés cúbicos serão desenvolvidos com as duas primeiras unidades de GNL. A Decisão Final de Investimento (DFI) relativa ao projecto Mozambique LNG foi anunciada a 18 de Junho de 2019 e a produção do projecto deverá iniciar até 2024.

Os franceses da Total consideram que o projecto Mozambique LNG tem um “risco mínimo”, pois quase 90% da produção foi já vendida, através de contratos de longo prazo com os principais compradores de GNL na Ásia e na Europa.

Ademais, espera-se que o projecto tenha uma componente de gás doméstico destinada ao consumo nacional para contribuir para o desenvolvimento económico futuro.

A Total vai operar o projecto Mozambique LNG com uma participação de 26,5% juntamente com a Empresa Moçambicana de Hidrocarbonetos (ENH) com 15%, a Mitsui E&P Mozambique Area1 Ltd (20%), a ONGC Videsh Ltd (10%), a Beas Rovuma Energy Mozambique Limited (10%), a BPRL Ventures Mozambique B.V. (10%) e a PTTEP Mozambique Area 1 Limited (8,5%).
Concluída a venda dos activos da Anadarko em Moçambique, falta por finalizar as operações em Argélia, Gana e África do Sul.

A Total é o segundo maior interveniente privado mundial de GNL, com uma carteira geral de cerca de 40 milhões de toneladas por ano até 2020 e uma quota de mercado mundial de 10%.

Com 22 milhões de toneladas de GNL vendidos em 2018, o grupo francês dispõe de posições sólidas e diversificadas em toda a cadeia de valor do GNL, devido às suas participações em fábricas de liquefacção localizadas no Qatar, Nigéria, Rússia, Noruega, Omã, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Austrália ou Angola.

 

O Africa Risk-Reward Index, relatório que avalia os indicadores sobre o risco de investimento no continente africano, indica que Moçambique obteve uma pontuação de 6,07 em 2019, uma melhoria em 0,11 pontos face a classificação do ano anterior.

O mais recente estudo sobre os indicadores de risco de investimento em África, elaborado pela Oxford Economics e Control Risks, mantém Moçambique no grupo dos países africanos com elevado risco para os investidores em 2019.

Intitulado, Africa Risk-Reward Index  (Índice Risco-Retorno), que já vai na sua quarta edição, a avaliação constata, porém, que apesar do país continuar na “lista negra”, melhorou na pontuação. Em 2019, obteve uma redução do risco para 6,07 pontos, contra 6,18 da classificação do ano anterior.

Maurícias e Botswana são os países africanos com menor risco, com pontuações de 3,43 e 2,41, respectivamente. A República Democrática de Congo (RDC) é o pior nesse capítulo (8,10 pontos), seguida do Sudão com 7,24 pontos e Zimbabwe com 7,09 pontos.
O Africa Risk-Reward Index 2019 compara Angola e Moçambique, dois países “irmão” com risco mais elevado nos Países Africanos de Lígua Oficial Portuguesa (PALOP).

Segundo os economistas da Oxford Economics e Control Risks, Moçambique leva a melhor em relação a Angola, que apresenta uma de pontuação de 6,16 em 2019.

Moçambique obtém também uma melhor classificação do que Angola quanto a retorno, 3,72 face a 3,18, embora a evolução seja menos favorável do que a angolana (0,24 face a 0,69).

A melhoria dos indicadores angolanos é atribuída à ambiciosa agenda de reformas prosseguida pelo presidente João Lourenço desde que chegou ao poder, há dois anos, embora a situação do país seja avaliada com algumas reservas, recordando que os níveis de risco e de retorno são, respectivamente superiores e inferiores às médias do continente.

A quarta edição do relatório do Control Risks e da empresa de assessoria independente internacional Oxford Economics, oferece uma perspectiva abrangente e actualizada do panorama do investimento empresarial altamente dinâmico.

 

 

A economia moçambicana poderá registar um crescimento económico de 6,2%, nos próximos dez anos. A previsão é da consultora Fitch, que aponta os investimentos que estão a ser feitos nos Mega-projectos, como principais factores. É uma previsão que aponta para um crescimento acima da média de 5,9% registada entre 2009 e 2018.

“Prevemos que o PIB cresça 6,2%, em média, entre 2019 e 2028, acima da média de 5,9% registada entre 2009 e 2018, com o crescimento económico a acelerar lentamente na próxima década, devido ao fluxo de investimentos no sector das matérias-primas”, lê-se na análise que a consultora faz à próxima década em Moçambique.

De acordo com o relatório, estes investimentos “vão permitir que o país recupere do colapso no preço das matérias-primas e da suspensão do apoio orçamental por parte dos doadores”. Para os consultores, esta alteração “vai fazer com que o consumo desça em percentagem do PIB, aumentando o investimento e as exportações líquidas”.

Entretanto, na previsão de curto prazo, a Fitch Solutions mantém a estimativa de um crescimento de 1,4% este ano e, de 3,8% em 2020, devido aos efeitos dos ciclones Idai e Kenneth.

Além destas abordagens, como um outro factor motivador para o crescimento da economia moçambicana nos próximos dez anos, os analistas falam do cessar-fogo entre o governo e a Renamo, assinado em dezembro de 2016. Não obstante, alertam igualmente, que os riscos de um regresso à instabilidade mantêm-se elevados, particularmente devido às eleições de outubro.

 

As obras ligadas a um novo corredor logístico a região centro do país, avaliado em 3,2 mil milhões de dólares (2,9 milhões de euros), arrancam hoje com a ambição de promover a produção moçambicana e de criar um porto preferencial para o Malawi e Zâmbia.

"Há estudos preliminares e há boas conversas com os governos destes dois países", disse em entrevista à Lusa Orlando Marques, director executivo (CEO) da Thai Moçambique Logística (TML), empresa concessionária do corredor que terá um porto de águas profundas em Macuze, Zambézia, ligado a uma linha de férrea de 620 quilómetros até Chitima, Tete, interior do país.

"Macuze vai ser o porto mais próximo do Malawi e da Zâmbia", realça Orlando Marques citada pelo portal Notícias ao Minuto.

"Hoje, os principais portos que alimentam a Zâmbia são Dar-Es-Salaam [na Tanzânia] e Durban [África do Sul]", a mais do dobro da distância a que está Macuze, e é com esses que a TML pretende competir.

A construção do corredor – a cargo de um consórcio da portuguesa Mota-Engil com a chinesa CCEC – tem arranque previsto para 2020 e hoje é lançada a primeira pedra de obras que lhe estão ligadas: começa a construção da aldeia de reassentamento de Supinho para onde vai ser transferida a população que habita na zona de implantação do porto.

É "a fase zero do projeto", uma passo prévio à construção, cujo prazo de execução é de três anos e meio, explica o diretor executivo.

O corredor nasce no meio de outras duas linhas férreas já em funcionamento: o Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), que liga Moatize ao porto de Nacala, e o Corredor da Beira, que liga a mesma zona mineira de Tete à cidade da Beira.

Orlando Marques acredita que o projeto da TML tem os seus trunfos: um porto de águas profundas, de que a Beira não dispõe, e menos dependência de um só cliente, apontando a vocação de Nacala para escoar carvão da mineira Vale.

Transportar exclusivamente carvão também era a ideia inicial da TML, mas a desvalorização (com exceção do carvão metalúrgico, usado em siderúrgicas) e a pegada ambiental levou à reconfiguração do plano.
Agora, "em cima do carvão – que continua a ter importância estratégica -, temos todas as outras matérias-primas que existem em Moçambique e na Zâmbia", país de onde a TML quer ajudar a escoar minério.

"Há duas empresas chinesas que têm minas e interessa-lhes a logística", pelo que "estão a negociar a concessão de uma linha férrea" na Zâmbia até a um ponto onde se ligue ao corredor da TML.

Por outro lado, há uma aposta no potencial agrícola da Zambézia – que a linha "poderá ajudar a desenvolver" – e memorandos de entendimento já assinados com algumas entidades daquela região do centro de Moçambique.

Orlando Marques refere que a perspectiva é a de colocar novas cargas em trânsito, em vez de fazer concorrência às que já circulam nos outros corredores.

"Vamos fazer mais que um terminal de minérios" e manusear "carga geral, contentores, 'oil and gas' e granulado, como milho, soja ou trigo", descreveu.

Um novo parceiro financeiro, que será acionista, deverá ser anunciado ainda este ano e conferir solidez ao projeto, acrescentou o diretor executivo.

"Está em fase de 'due diligence' (verificação de requisitos). Mais um ou dois meses, esse nome já vai ser público", referiu, considerando que se trata de um "parceiro robusto com capacidade financeira para pôr o projeto em andamento".

Informa o Notícias ao Minuto, que ao nível de planeamento, o porto de águas profundas de Macuze (para embarcações com 21 metros de calado) – a cerca de 30 quilómetros de Quelimane, capital provincial da Zambézia – será uma frente de obra e a linha será outra – por sua vez repartida noutras secções.

"O trabalho mais difícil serão as obras de arte, ou seja, pontes e viadutos", a parte mais morosa da obra, porque "fazer uma linha férrea, com a tecnologia que existe, é bastante rápido e fácil", descreveu.
Uma ponte principal, com quase um quilómetro, vai atravessar o rio Chinde, já perto da costa, na zona onde se encontra com o rio Zambeze.

Outra ponte importante, embora mais curta, vai atravessar o rio Zambeze, a norte de Moatize – já junto à capital provincial de Tete, na província com o mesmo nome, notícia o mesmo portal.

Ter um banco na mão, ou por outra, o uso do telefone celular nas transacções bancárias é cada vez mais comum no país, embora o nível de literacia financeira seja baixa.

A globalização obriga a uma transformação digital e inovação no sector financeiro em Moçambique.

Os gestores da banca comercial e provedores de serviços de carteira móvel querem expandir o uso deste aparelho no sistema financeiro em Moçambique. O plano passa por uma transformação digital.

“Os desafios são grandes, desde a exiguidade de infra-estruturas e baixa literacia financeira. A digitalização tornou-se um imperativo num mundo cada vez mais globalizado”, disse Rogério Lam, director central das Direcções de Marketing e de Canais Electrónicos do Banco Comercial e de Investimentos (BCI).

Para maior inclusão financeira em Moçambique, tendo como base a carteira móvel, Rogério Lam, avançou que há uma proposta junto da Associação Moçambicana de Bancos (AMB) para a simplificação de alguns procedimentos bancários.

“A exigência de comprovativos de residências, declaração de rendimento, entre outros documentos, deve ser repensada em algumas regiões do país”, defendeu o director central das Direcções de Marketing e de Canais Electrónicos do BCI.

Para Gulamo Nabi, director-geral da Vodacom M-pesa em Moçambique, o negócio da certeira móvel está a ter muita aceitação no mercado.
“Hoje depois de cerca de seis anos de operação, o M-pesa conta já com mais de quatro milhões de clientes”, apontou Nabi, aquando da conferência sobre transformação digital e inovação no sector financeiro, em Maputo.
 

 

Moçambique vai receber 880 milhões de dólares de mais-valias com a venda da petrolífera Anadarko à multinacional Occidental.
O anúncio foi feito hoje na cidade de Chimoio, em Manica, depois da reunião entre o Chefe de Estado e os presidentes executivos da Occidental e da Total.

Com a compra da Anadarko, a Occidental passou os activos que aquela petrolífera detinha em África à francesa Total. Assim, a partir de hoje a Total passa a ser o operador e líder do consórcio que explora gás natural na Área 1 da bacia do Rovuma.
Em Agosto, a petrolífera norte-americana Occidental Petroleum comprou, por 55 mil milhões de dólares, a também norte-americana Anadarko, companhia que liderava um dos maiores projectos de gás natural em marcha em Moçambique e em África.

 

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