O País – A verdade como notícia

A Fastjet iniciou voos domésticos no espaço aéreo moçambicano em Novembro de 2017, operados pela Solenta Aviation Mozambique. Contudo, o negócio está tremido.

Na manhã desta segunda-feira, a Direcção desta companhia aérea conhecida por seus serviços de baixo custo, anunciou que vai suspender suas operações em Moçambique, a partir da meia-noite de Sábado próximo, depois reportar prejuízos na ordem de mais de dois milhões de dólares nos primeiros seis meses deste ano.

A suspensão inclui todos voos, incluindo os de acordo de partilha de códigos com as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) para Maputo, Tete, Beira e Quelimane.

“Os clientes que realizaram reservas em voos terão direito a um reembolso total do valor”, refere a nota da Fastjet, a que “O País” teve acesso.

A companhia explica que a decisão de suspender os serviços das rotas seguiu uma revisão abrangente de todos os serviços oferecidos em Moçambique.

“A decisão de suspender os serviços só foi tomada após uma revisão considerável, principalmente devido ao compromisso significativo da Fastjet com Moçambique nos últimos dois anos. Mas o excesso de oferta contínua de assentos disponíveis por outras transportadoras em todas as rotas e o impacto financeiro negativo, significa que, infelizmente, essa é uma decisão que tivemos que tomar”.

A companhia informa que só retomará suas operações em Moçambique quando a demanda geral por viagens aéreas no país aumentar significativamente em comparação com a capacidade fornecida para permitir a viabilidade financeira a longo prazo.

“Lamentamos a inconveniência que isso possa ter sobre nossos valiosos clientes em Moçambique e queremos garantir que eles serão totalmente reembolsados. Também gostaríamos de reconhecer o tremendo apoio que a Fastjet sempre teve das autoridades e de nossos parceiros de viagem em Moçambique”, realça.

Contactada pelo “O País”, a Direcção LAM assegurou que a decisão da Fastjet não irá afectar o negócio da companhia aérea de bandeira nacional, embora haja um acordo de partilha de voos domésticos.

 

 

 

O Departamento de Estudos Económicos do Standard Bank prevê mais uma descida da taxa de juro de referência (taxa MIMO) no sistema financeiro. A decisão poderá ser tomada em finais deste mês, pelo Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (BM).

A reboque dos recentes anúncios de investimentos nos grandes projectos de exploração do Gás Natural Liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, o custo do crédito bancário poderá ficar mais barato a partir de finais deste mês.

Actualmente, a taxa MIMO em vigor na banca recuou para 12,75%.
Esta tendência, segundo o economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, poderá ocorrer, igualmente, ao longo do próximo ano, com “algum impacto positivo para a economia nacional”.

“Com o encaixe financeiro resultante das decisões iniciais e finais de investimento no gás do Rovuma, existem vários tipos de impactos que podemos esperar no país. O primeiro seria de alguma estabilidade cambial. Moçambique depende muito de importações. Tem um défice na balança de transacções correntes, pelo que é de se esperar que à medida que iniciar a exportação do GNL, o país vai gerar excedentes de moeda externa, que vão ajudar a manter a moeda relativamente estável”, argumentou o economista.

Neste contexto, e com conforme sustentou, é também de se esperar que o Banco Central esteja mais confiante para continuar a cortar as taxas de juro. “A partir daí, nós pensamos que haverá uma série de efeitos positivos para a economia nacional”, frisou.

“Mas se torna imperioso perceber que o GNL, por si só, não vai resolver os problemas do país. Para que haja estabilidade económica é preciso perceber o papel que a agricultura pode desempenhar em Moçambique e como capacitá-la, para que o país deixe de depender de uma agricultura de subsistência e experimente uma melhoria da produtividade agrícola, assim como o desenvolvimento da cadeia de valor do sector”, apontou Fáusio Mussá.

De acordo ainda com o economista-chefe do Standard Bank, se Moçambique adoptar políticas económicas que ajudem a canalizar os recursos do sector do gás para o da agricultura, visando a sua capacitação e transformação, ter-se-á, a prazo, uma melhoria do rendimento da população.

“Se todo este investimento não for capaz de gerar excedentes a serem investidos para outros sectores da economia, então teremos duas economias isoladas. Uma economia tradicional que não conversa com a nova economia que vai ser gerada pelo gás em Moçambique, colocando-se grandes dúvidas sobre a sustentabilidade e ainda sobre um crescimento económico não inclusivo”, disse.

Entretanto, o economista mostrou-se optimista que “Moçambique saberá tirar o máximo benefício dos recursos do gás, para que possa crescer, sempre olhando para as questões de sustentabilidade, uma vez que esses recursos são esgotáveis”.

Num outro desenvolvimento, Fáusio Mussá indicou que Moçambique enfrenta vários desafios na consolidação da democracia e da paz. Contudo, os recentes investimentos nos projectos de gás da bacia do Rovuma, do ponto de vista económico trazem grandes oportunidades para o país.

Os projectos de Gás Natural Liquefeito são de uma escala de investimento muito superior ao Produto Interno Bruto (PIB). “Se considerarmos os três projectos, em conjunto, estamos a falar de três vezes o valor do PIB de Moçambique”, concluiu.

O economista fez estes pronunciamentos à margem do Standard Bank Master Class, uma iniciativa da Incubadora de Negócios desta instituição financeira, visando a capacitação e desenvolvimento das Pequenas e Médias Empresas (PME), por forma a beneficiarem das oportunidades que os projectos de GNL.

 

 

 

Durante três anos cerca de cinco mil Pequenas e Médias empresas serão capacitadas em matérias de gestão de negócios. O facto deriva de um memorando assinado na última sexta-feira pelo Barclays e AMSCO.  

Numa simples assinatura, ficou "decidido" o futuro de cerca de cinco mil Pequenas e Médias empresas de todo país, que poderão beneficiar nos próximos três anos, de uma capacitação em matéria de gestão empresarial.  

O memorando (Decisivo) foi rubricado entre o banco Barclays e a AMSCO uma empresa que se foca no desenvolvimento de capital humano em toda a África, a fim de criar organizações competitivamente sustentáveis, resultando em crescimento econômico para todas as pessoas da África.

"A AMSCO vai olhar para a componente da capacitação" disse Hélia Nsthandoca, directora executiva da AMSCO, explicando de seguida que "por capacitação refere-se a modelos próprios de negócio, a governança da empresa, a gestão de operações, mercado e claramente uma componente importante que é o acesso ao financiamento, que vem ser feita pelo Barclays".   

Hélia Nsthandoca entende que é na capacitação onde reside o grande entrave para o crescimento das Pequenas e Medias Empresas no país, uma visão que colhe consenso do Director da Banca de retalho e Negócios Barclays, Pedro Carvalho.

"Julgo que a maior dificuldade que as PME tem na relação com a banca é uma questão de informação, formação e capacitação" clarificou o Director da Banca de retalho e Negócios Barclays.

O desenvolvimento passa pela melhoria da relação da entre as PME e a banca, aliás "quando os bancos tem conforto que a empresa que está a apresentar um projecto, que está a solicitar um crédito, está bem capacitada, tem um bom plano de negócios, os bancos não tem nenhum problema em emprestar" explicou Pedro Carvalho.   

O Director da Banca de retalho e Negócios Barclays explicou que o mercado moçambicano é um mercado com muita liquides, os bancos tem liquides suficiente para emprestar.

Com as taxas de juro que tem vido a baixar significativamente, há cada vez mais facilidade de acesso ao crédito, relativamente mais barato, explicou Pedro Carvalho.

O memorando assinado pelo banco Barclays nesta sexta-feira e a AMSCO prevê que a parceria dure três anos, que podem ser renovados.

Entre Julho e Agosto deste ano, os preços de milho aumentaram nos mercados de Tete, Chimoio (Manica) e Nampula na ordem de 40%, em média. Para os próximos meses, pelo menos até Fevereiro de 2020, o aumento será acelerado.

“Este aumento de preços nos mercados excedentários típicos nas regiões centro e norte reflete uma disponibilidade abaixo da média de milho devido à oferta abaixo da média”, explica a Rede Mundial de Sistemas de Aviso-prévio (Fews Net, sigla em inglês).

Relativamente ao nível de assistência humanitária, nota-se uma situação de stress alimentar em partes das províncias de Sofala e Manica. 

A crise também persiste nas zonas semiáridas do sul, onde as famílias enfrentaram o segundo ano consecutivo de fraco desempenho agrícola devido à seca, bem como parte de Cabo Delgado, onde o conflito continua, e o ciclone tropical Kenneth que afectou negativamente a época agrícola 2019. 

Em relação às restantes regiões do país, a Fews Net, no seu mais recente relatório, indica que assiste-se uma crise alimentar mínima.
De acordo com as previsões internacionais e nacionais, o início da estação chuvosa 2019/20, provavelmente estará abaixo da média, com potencial para um início tardio e irregular nas regiões centro e sul. 

A precipitação acumulada para a época 2019/20 é mais provável que seja média para acima da média no norte de Moçambique. No entanto, as áreas do sul provavelmente terão chuvas abaixo da média. 
“Entre Dezembro de 2019 e Março de 2020, há maior probabilidade de ocorrência de número quase médio de ciclones”, alerta a Rede Mundial de Sistemas de Aviso-prévio.

 

O número de moçambicanos em situação de pobreza extrema terá aumentado entre 55 e 60 por cento desde 2015, ou seja, mais da metade da população é pobre, indica o Ministério da Economia e Finanças (MEF).

Depois de recuos substanciais entre 1996 e 2014, a taxa de pobreza em Moçambique disparou nos anos subsequentes, devido a crise económica que empurrou muitas famílias para indigência. 

Com base no índice de preços ao consumidor e dados do Inquérito aos Agregados Familiares sobre Orçamento Familiar de 2014/15, o Ministério da Economia e Finanças calcula que o custo de uma cesta básica pode ter aumentado entre 55% e 70% no período de 2014 e 2016, reflectindo-se na taxa nacional de pobreza que terá subido entre 55 e 60% nos anos seguintes.

Antes da crise, o índice de indigência situava-se nos 46,1%, ou seja, entre 10.5 e 11.3 milhões de pessoas em situação de pobreza absoluta, valores inferiores ao número de 12 milhões que registava-se entre 1996/97.

“Os resultados do nosso estudo fornecem elementos importantes para uma avaliação mais completa do impacto microeconómico da crise de 2015/16 e para uma análise da vulnerabilidade das famílias à mudança súbita de preços”, lê-se no mais recente relatório do MEF, consultado pelo “O País”.

Apesar do aumento do índice de pobreza, o relatório divulgado na página oficial do MEF, refere que os níveis de bem-estar da população moçambicana registam melhorias significativas, embora persistam desafios.

“Contudo, estes avanços não ajudaram na convergência dos níveis de bem-estar entre as zonas rurais e urbanas ou entre regiões geográficas, e ainda persistem diferenças muito substanciais nos níveis de bem-estar. As condições de vida no sul são muito melhores do que nas outras regiões, em quase a totalidade das dimensões de bem-estar consideradas e de acordo com todos os métodos”, indica.

POBREZA POR REGIÃO

Numa perspectiva regional, o Ministério da Economia e Finanças aponta que a redução da pobreza foi rápida nas províncias do sul, onde a taxa diminuiu cerca de 18 pontos percentuais, com destaque para a província de Maputo. As reduções foram significativas, mas menos rápidas, no centro onde as taxas recuaram cerca de 11 pontos percentuais. 
Em jeito de conclusão, a avaliação refere que ao longo das últimas duas décadas, Moçambique alcançou progressos significativos em ordem ao seu desenvolvimento. 
O relatório mostra também que grandes diferenças permanecem entre grupos socioeconómicos e áreas geográficas, em termos de bem-estar, tendo a tendência sido de manutenção ou mesmo crescimento dessas diferenças.
 
Em geral, desigualdade e as diferenças espaciais aumentaram. “Daqui decorre a necessidade imprescindível de políticas equilibradas do ponto de vista espacial, económico, infra-estrutural e social, tanto numa perspectiva do bem-estar como na perspectiva da economia política”, realça.

O relatório foi produzido no âmbito do Programa Crescimento Inclusivo em Moçambique: Reforçando a Investigação e as Capacidades (IGM), implementado em parceria entre a Direcção de Estudos Económicos e Financeiros (DEEF) do Ministério de Economia e Finanças e o Centro de Estudos de Economia e Gestão (CEEG) da Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane. 

O Programa IGM é financiado pela Dinamarca, Finlândia e Noruega. O próximo relatório sobre a pobreza e bem-estar em Moçambique, está previsto para 2021.

 

O país quedou-se para a 137ª posição no ranking de competitividade global (GCI, em inglês) deste ano, contra 133ª em 2018. Singapura é o melhor classificado, relegando os Estados Unidos da América para a segunda posição.

Singapura é a economia mais competitiva do mundo. Chade é o pior e Moçambique é apenas o 137 de um total de 141 países analisados pelo World Economic Forum (WEF) na edição de 2019.

Singapura somou 84,8 pontos em 100 possíveis, relegando os Estados da América (EUA) para a segunda posição com 83,7 pontos. Hong Kong fecha o pódio das economias mais competitivas do mundo com 83,1 pontos.

Com 38,1 pontos, Moçambique perdeu quatro posições relativamente ao ranking anterior, uma posição abaixo da “irmã” Angola que com os mesmos pontos subiu para a posição 136.

Ao nível dos países da África subsaariana, as Ilhas Maurícias lideram com 64,3 pontos (posição 52 no ranking mundial), segue-se a África do Sul com 62,4 pontos (60ª posição) e Seychelles com 59,6 pontos (76ª posição), indica o relatório da WEF.

Na lusofonia, Portugal é o melhor classificado com 70,4 pontos (34ª posição), seguido do Brasil (71ª posição) com 60,9 pontos. Nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), Moçambique é menos competitivo.

Refira-se, que a análise deste ano, a WEF destaca que uma década após uma grande crise financeira global, a economia mundial mantêm-se num ciclo de baixa produtividade apesar dos bancos centrais terem injectado mais de 10 mil milhões de dólares.

E mais, os resultados de 2019, apontam para uma pontuação média de 60,7 pontos nas 141 economias analisadas, o que significa que a distância para a produtividade ideal é quase 40 pontos.

O GCI é um índice respeitado internacionalmente, que avalia a competitividade de economias e o desempenho dos mercados de forma bastante detalhada. O mesmo faz parte do Global Competitiveness Report (GCR), relatório publicado anualmente pelo Fórum Económico Mundial desde 1979.

Actualmente, o GCI conta com 12 pilares divididos em quatro blocos e um total de 98 indicadores, derivados de uma combinação de parâmetros concretos e resultados de uma pesquisa executiva feita pelo Fórum Económico Mundial.

A petrolífera italiana Eni quer contratar navios e empresas de gestão de resíduos para operações de exploração de gás e petróleo na Área A5-A, da bacia de Angoche, norte de Moçambique.

A perfuração do primeiro poço de exploração de hidrocarbonetos na Área A5-A, da bacia de Angoche, na província de Nampula, está prevista para o primeiro trimestre de 2021, com a italiana Eni a liderar as operações neste bloco.

Em anúncio público divulgado esta segunda-feira, a Eni através da sua sucursal em Moçambique, pretende contratar serviços de fornecimento de dois navios de abastecimento à sua plataforma de produção de gás no mar e mais um navio opcional para auxiliar as operações na Área A5-A.

“Os navios de abastecimento devem estar aptos e totalmente equipados para realizar todas as operações e serviços marítimos típicos normalmente prestados por embarcações de apoio offshore deste tipo”, lê-se na manifestação de interesse da Eni.

Os navios estarão envolvidos no transporte de materiais, equipamentos, cargas e suprimentos para perfuração entre o Porto de Pemba e as instalações de perfuração da Área A5-A no mar, bem como irão realizar actividades em estado de prontidão na plataforma de perfuração.

A Eni pretende, igualmente, contratar empresas para a gestão de resíduos sólidos nas suas operações no bloco de Angoche e Larde.

 

 

 

 

     

 

O Estado moçambicano pode poupar 35 milhões de dólares por ano, com a redução e/ou substituição da importação de produtos petrolíferos pelo gás a ser produzido na Bacia do Rovuma.

A importação de combustíveis e seus derivados constituiu um elevado encargo para os cofres públicos. Só em 2018, o Estado moçambicano gastou mais de 940 milhões de dólares.

Entretanto, as contas da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), braço empresarial do Estado moçambicano no negócio de exploração de recursos naturais, apontam para uma poupança anual de 35 milhões de dólares a partir de 2030, a resultar da redução e/ou substituição das importações dos produtos petrolíferos pelo gás natural a ser produzido na Bacia do Rovuma em 2022.

Outro dos ganhos, segundo a ENH, é a redução da factura doméstica com despesas de electricidade para 86% e de produtos petrolíferos para 64%, bem como a conversão de panificadoras que poderão deixar de usar lenha, resultando, deste modo, na redução da pressão no abate de árvores.

Do lado energético, o Estado tem vindo a apostar na instalação de centrais termoeléctricas movidas à gás natural. A central de Maputo, por exemplo, é das mais modernas de África e produz 106 Megawatts de energia eléctrica a partir do gás natural produzido em Pande e Temane, na província de Inhambane.

GÁS CANALIZADO

Para de gerar electricidade, este projecto passou para uma rede de distribuição de gás natural canalizado para consumidores comerciais e domésticos dos distritos de Vilanculos, Inhassoro e Govuro, em Inhambane, perfazendo um total cerca de 300 quilómetros de extensão, incluindo uma ligação de cerca de 75 quilómetros offshore, que liga ao arquipélago de Bazaruto.

De Inhambane, o projecto seguiu para Maputo. Em Abril de 2013, iniciou a construção da rede de distribuição de gás, com uma extensão de 62 quilómetros, num investimento de 38.2 milhões de dólares americanos, cujas obras terminaram em Junho do corrente ano.

O projecto prevê mais de 1400 ligações para consumidores industriais, comerciais e domésticos. Esta iniciativa é implementada pela ENH KOGAS, uma sociedade constituída pela ENH (30%) e pela empresa coreana do gás, a Kogas, (70%).

Para a massificação do projecto, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), rubricaram há dias em Maputo, um memorando de entendimento (ME) que visa fundamentalmente, disponibilizar aos consumidores de gás doméstico, meios de aquisição alternativos para compra de gás em todo o território nacional.

Numa primeira fase deverá abranger pelo menos 400 famílias, maioritariamente do Bairro do Aeroporto “A” e, conforme os planos de expansão do mesmo, o Bairro da Coop, na cidade de Maputo também poderá ser abrangido.

 

 

Nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos (EAU) têm vindo a reforçar a sua presença em Moçambique. Em 2018, por exemplo, este país asiático composto por sete estados, foi o terceiro que mais vendeu produtos diversos à Maputo.

O nível de investimento dos EAU aprovado pela Agência Para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) atingiu mais de um bilião de dólares norte-americanos entre 2014 e 2018. São 20 empresas dessa federação árabe a investir no mercado moçambicano.

“O nosso investimento centrou-se nas áreas de energia, logística e sector imobiliário. Importa salientar que temos uma presença de relevo na gestão do Porto de Maputo, através da DP World”, disse ao “O País”, Abdulla Momade, representante da Câmara de Comércio de Dubai em Maputo.

Em termos de transacções comerciais, consta que o volume das trocas entre Moçambique e Emirados Árabes Unidos ronda os 700 milhões de dólares norte-americanos. Só em 2018, o comércio entre os dois países situou-se nos USD 500 milhões.

Tradicionalmente, este país do médio oriente, localizado ao longo do Golfo Pérsico, exporta para Moçambique produtos como lubrificantes, maquinarias diversas, veículos automóveis.

No sentido inverso, os Emirados Árabes Unidos compram de Moçambique, minérios, tabaco, alumínio, pedras preciosas (rubis), entre outros produtos agrícolas.

 

INTERESSE NO GÁS E PETRÓLEO

O início da produção dos projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado (norte de Moçambique), está à porta (2023). Os operadores dos blocos da Área 1 e Área 4, preveem investir perto de 60 mil milhões de dólares.

Com Moçambique a entrar no mapa dos maiores produtores mundiais de hidrocarbonetos, acumulam-se os interessados em fazer parte do negócio. “Queremos firmar parcerias com empresas moçambicanas, em particular com as Pequenas e Médias Empresas (PME). Entendemos que a nossa experiência em petróleo e gás pode ser uma mais-valia para Moçambique”, indicou Abdulla Momade.

Acrescentando, que os Emirados Árabes Unidos estão dispostos a ajudar as PME moçambicanas no processo de certificação, com vista a prestação de serviços diversos às petrolíferas.

“Queremos importar nosso `know how`(conhecimento) e firmar alianças estratégicas no campo empresarial e noutros domínio de cooperação bilateral”, realçou o representante da Câmara de Comércio de Dubai em Maputo.

Importa salientar, que o primeiro passo da entrada dos Emirados Árabes Unidos no negócio do gás moçambicano foi dado em Março deste ano, através de uma missão empresarial do Dubai (uma das sete cidade turística dos Emirados Árabes Unidos) a Maputo.

No fim da visita, os empresários desta cidade turística dos EAU prometeu criar logística no desenvolvimento da indústria de hidrocarbonetos em Moçambique.

“Estamos de olho nas oportunidades de negócios na indústria de hidrocarbonetos. Queremos ajudar com a nossa larga experiência neste sector, fornecendo logística para os projectos de gás e petróleo”, disse na altura Omar Khan, director dos escritórios internacionais da Câmara de Comércio do Dubai.

 

FÓRUM DE NEGÓCIOS EM DUBAI

 

Nos dias 18 e 19 de Novembro próximo, Dubai acolherá a quinta edição do Global Business Forum Africa 2019, evento que poderá contar a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi, e altas figuras do Governo.

Um total de 20 Chefes de Estado africanos, mais de 90 ministros e seis mil homens de negócios já confirmaram a presença no evento, que tem como lema o empreendedorismo.

 

 

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