O País – A verdade como notícia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de nomear Alexis Meyer-Cirkel para ocupar o cargo de Representante Residente da instituição financeira internacional em Moçambique com efeito a partir do dia 09 de Setembro.

Meyer-Cirkel sucede da função Ari Aisen que dirigiu o escritório da instituição em Maputo nos últimos 4 anos contados desde Setembro de 2016. De nacionalidade brasileira, Meyer-Cirkel ingressou no FMI em Agosto de 2010, tendo desempenhado várias funções.

Cirkel trabalhou em vários países tendo como áreas de destaque a política macroeconómica, sustentabilidade da divida pública e análise do sector externo.

“Antes de se juntar ao FMI, o senhor Meyer-Cirkel trabalhou em mercados financeiros no Morgan Stanley, Banco Central Europeu, Allianz Research e no Banco Central do Brasil”, aponta uma nota de imprensa enviada há pouco tempo à nossa redacção.

De acordo com o comunicado, Meyer-Cirkel é doutorado em Economia pela Universidade Goethe de Frankfurt e é mestre em Estudos de Desenvolvimento pela London School of Economics.

O Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA na sigla em inglês) vai financiar a Ignite Moçambique, organização que lidera um projecto de fornecimento de energia solar à população nas zonas rurais, ao abrigo do programa governamental “Energia para Todos”.

Segundo explica Pedro Coutinho, director-executivo da Source Capital, empresa que financiou a Ignite Moçambique, o apoio do DBSA dividir-se-á em duas fases.

A primeira fase, considerada preparatória, custará cerca de 2.2 milhões de dólares e espera-se que este valor financie cerca de 30.000 instalações de sistemas solares.

Dependendo do sucesso da primeira fase, o segundo desembolso pode chegar a 30 milhões de dólares.

Com mais dinheiro disponível, elevaram-se as ambições do projecto. “O que estamos hoje aqui a anunciar é o nosso real crescimento”, afirma Coutinho.

Quando o acordo entre a Ignite e o Ministério dos Recursos Minerais e Energia foi assinado, em Fevereiro de 2019, o plano era alcançar 1.8 milhões de moçambicanos, mas, com o financiamento acima referido, a expectativa é de beneficiar mais de 2.5 milhões de pessoas.

No momento estão a ser feitas instalações de sistemas básicos de iluminação, com capacidade de alimentar três lâmpadas. O custo mensal é de 300,00 meticais mensais que serão pagos ao longo de 3 anos.

Até então já foram feitas cerca de sete mil instalações de sistemas solares em alguns distritos da Zambézia e Niassa.

Espera-se que até ao fim deste ano o número suba para 12.500 e o projecto expanda-se para as províncias de Sofala e Manica.

“Com base na experiencia que temos… diria que a nossa ambição é, no segundo ano, estabilizar em cerca de 50.000 a 60.000 ligações por ano”, disse Coutinho, mostrando-se optimista em relação ao impacto que este financiamento causará no projecto.

É a primeira vez que a produção da cerveja Heineken é feita em Moçambique, depois de a empresa instalar a sua fábrica no distrito de Marracuene, província de Maputo, há cerca de três anos. O investimento realizado nesta fase é de 20 milhões de dólares norte-americanos.

Na cerimónia de lançamento desta nova linha, o Ministro da Indústria e Comércio disse que o país vai reter cerca de 50 milhões de dólares por ano que eram usados para a importação da cerveja. Carlos Mesquita diz ainda que Moçambique terá outros ganhos com o início da produção local da cerveja.

“Ao em vez de importarmos a Heineken que, geralmente, vinha da Namíbia, vai haver uma poupança de cerca de 50 milhões de dólares e quiçá o nosso banco central, dentro dos acordos financeiros que existem …, terá impacto da balança comercial”, referiu o Ministro da Indústria e Comércio.

O novo investimento junta-se ao já realizado pela Heineken no país logo no início da sua actividade de 100 milhões de dólares. De acordo com Mesquita, a matéria-prima a ser usada na produção da Heineken não é nacional, diferentemente da Txilar que usa 4 mil toneladas de milho nacional ao ano.

“A Heineken que a partir de hoje já pode ser consumida aqui em Maputo e depois a nível do país tem outros parâmetros adequados da empresa-mãe para o qual não é possível fugir desses padrões e essa aí não usa matéria-prima nacional”, revelou o governante.

Por seu turno, o director geral da Heineken, Nuno Simes, explica que a fábrica está a usar uma tecnologia avançada (de ponta) e anuncia uma boa-nova para o ambiente, já que grande parte das garrafas da cerveja a serem vendidas no mercado nacional deverão ser retornáveis.

Para a nova fase, a cervejeira contratou mais 40 pessoas para ajudarem na produção. “Este projecto é apetecível porque tem a tecnologia mais avançada. Esse projecto é uma demonstração clara do compromisso do grupo Heineken em Moçambique”, referiu Simes.

Em termos de quantidades, a Heineken vai produzir 350 mil hectolitros por ano, equivalentes a 35 milhões de litros, e as respectivas garrafas, sendo que a fábrica irá encher cerca de 16 mil garrafas por hora. Segundo o engenheiro da empresa, Avelino Gune, por dia, a Heineken vai produzir 384 mil garrafas.

 

Foi restabelecida, hoje, a linha férrea do Corredor de Nacala, que se encontrava interrompida, desde a última sexta-feira, devido a um acidente ferroviário.

O incidente aconteceu no distrito de Meconta, província de Nampula, não registando qualquer vítima humana.

“Depois de profunda análise e reforço dos protocolos para a mitigação de futuros eventos similares, foram retomadas as operações de transporte de carga geral, passageiros e carvão”, indica um comunicado de imprensa enviado ao “O País” pela Nacala Logistics.

A Nacala Logistics tem cinco mil colaboradores, directos e contratados e actua ao longo de todo o Corredor de Nacala através de uma linha férrea com mais de 1500 quilómetros de extensão. Transporta, em média, 500 mil passageiros por ano, 500 mil toneladas de carga geral e tem uma capacidade anual para transportar 18 milhões de toneladas de carvão mineral.

 

Em coordenação com outras instituições governamentais de interesse, a Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) inspeccionou 2.320 estabelecimentos comerciais entre 19 de Agosto e 5 de Setembro, tendo constatado uma estabilidade nos preços dos produtos alimentares e alguns problemas na comercialização do cimento.

Apesar de se ter registado uma estabilidade nos preços de produtos alimentares, no período em análise foram apreendidos diversos produtos fora do prazo, avaliados em 30.000 meticais.

Tomás Timba, porta-voz da INAE, diz haver uma grande preocupação com a qualidade do cimento produzido no país.

“Algumas fábricas não têm laboratórios de ensaios internos para poder testar o seu cimento e isto coloca em causa a vida de todos nós”, informa Timba.

E foi este um dos motivos que levou a suspensão de uma fábrica de cimento localizada na cidade da Matola.

Sem avançar o nome da fábrica em questão, Timba informa que além da falta de um laboratório para controlo de qualidade, o cimento produzido na referida fábrica não era certificado.

A avaliação vai mais longe. Timba diz haver aspectos que dificultam a fiscalização deste mercado.

“O que nós entendemos é que devia haver clarificação sobre quem é distribuidor, quem é que é grossista e quem é que é retalhista… isto poderia facilitar a todos nós, no controlo do mercado da comercialização de cimentos”, disse.

Foi igualmente constatado que a maioria dos retalhistas não afixam os preços do produto, revelando intenção de cobrar por ele, um valor muito acima do recomendado pelo produtor.

No âmbito do relaxamento gradual de medidas restritivas contra a COVID-19, 126 ginásios também foram inspecionados e apenas 87 reuniram condições para a reabertura.

Falando em conferência de imprensa, Timba apelou à população para que mantenha a calma e não faça compras em quantidade exagerada, pois, a elevada procura favorece o oportunismo por parte de alguns comerciantes.

Pouco mais de 90% das empresas foram afectadas pela COVID-19 entre Abril e Junho do presente ano, mostram os resultados do inquérito sobre o impacto da pandemia nas firmas produzido pelo Instituto Nacional de Estatística. Inhambane lidera a lista, com 98,8% das empresas atingidas.

De acordo com os resultados do mais recente inquérito sobre o impacto da COVID-19 nas empresas, por culpa da doença, as receitas das empresas baixaram em 41% no primeiro semestre deste ano comparativamente ao mesmo período de 2019.

“Nos meses de Abril, Maio e Junho apenas 87,3%, 80,9% e 80,2% de empresas conseguiram pagar as remunerações dos seus trabalhadores na totalidade, respectivamente”, segundo apurou o Instituto Nacional de Estatística.

Em termos de distribuição geográfica, as quatro províncias da zona sul do país são as mais afectadas com percentagem média da região a situar-se em 95,0%. Entretanto, Zambézia é a província com mais empresas encerradas, ou seja, 13.6%, prejudicando a 27726 trabalhadores.

O inquérito avaliou o impacto do Coronavírus também na óptica do ramo de actividade, onde a educação, a arte, os espectáculos, desportos e as recreações não escaparam, tendo sido afectadas na totalidade.

“As actividades com empresas menos afectadas foram as dedicadas à venda e arrendamento de casas e edifícios (48%), Captação, Tratamento e distribuição de Água, Saneamento, Gestão de resíduos e despoluição (52%) e Agricultura, Produção Animal, Caça, Florestas e Pescas (76%) ”, indica o inquérito.

Em termos de dimensão, as grandes empresas, que representam cerca de 0,5% do universo, foram as mais afectadas com 91,1%. Em termos de impacto visível, o destaque vai para mais de 70000 pequenas empresas afectadas pela Covid-19.

Nos cálculos do INE, 56% das empresas afectadas optaram pelo regime de rotatividade e 41,7% aplicam a rotatividade semanal. Embora as empresas forçadas a encerrar as portas representem perto de 3,0% do universo afectado, a decisão levou ao desemprego cerca de 43578 trabalhadores.

“Para as medidas jurídicas sensíveis, por colocar em risco o emprego e a situação económica das famílias, os resultados do inquérito revelam que a suspensão de contratos foi a medida mais adoptada pelas empresas (7.6%), afectando 62 700 trabalhadores, equivalentes a 1.9% do pessoal afectado. No entanto, foi a rescisão de contrata adoptada por 4,5% de empresas que afectou mais trabalhadores na magnitude de 77489, que correspondeu a 2,3% do total de afectados em todas empresas”, refere o INE.

Segundo o inquérito cujos resultados foram publicados nesta terça-feira, os sectores de comércio a grosso e a retalho, bem como reparação e manutenção de viaturas foram os que mais despediram, tendo criado 24200 desempregos.

O inquérito apurou ainda que apenas 20,9% das empresas afectadas planeavam ou beneficiaram de alguma suspensão de obrigações tributárias e 15% beneficiaram de crédito bancário com juros bonificados ou garantias do Estado. O documento refere que o Estado pode ter perdido cerca de 13% de receita nos primeiros três meses da vigência do Estado de Emergência.

“Os resultados do inquérito apuraram que mais de 80% de empresas referiu que pagou na totalidade nos meses de Abril e Maio, tendo essa proporção reduzida para 79% em Junho”.

Em fim, os resultados do inquérito indicam que a maioria dos agentes económicos afecatados declarou como constrangimento nos três meses em análise a baixa procura de bens e serviços (75.5%), dificuldades de tesouraria (47.8%), dificuldades de compras ou vendas no estrangeiro (43.9%) e falta de matéria-prima ou mercadoria (39.8%).

A cidade chinesa, Wuhan, onde foram registados os primeiros casos do novo Coronavírus, regista um crescimento significativo no sector do turismo. A taxa de ocupação de hotéis cresceu 13% em Agosto, comparando com o igual período do ano passado.

O lugar que outrora foi epicentro da pandemia que abala o mundo vê no turismo uma forma de ressurgir das cinzas.

No dia 07 de Agosto, foi anunciada a entrada gratuita de turistas domésticos nas atracções turísticas de nível “A” – a menor classificação do país.

Dados da agência de viagens on-line Trip.com mostram que o número de hospedeiros na cidade subiu 36%, comparativamente ao mês de Julho. A situação beneficiou o sector de aviação, que registou, no período em análise, um crescimento de 30% nas receitas.

As entradas grátis em Wuhan, província de Hubei, permanecerão até ao fim deste ano. A medida é tida como uma forma de demonstrar gratidão pela assistência que a nação prestou àquela cidade durante o período de pico da pandemia da COVID-19.

Teve lugar, hoje, a terceira edição do Mozambique Industrial Forum and Exhibition (Mozindus). Os intervenientes do fórum dizem ser importante o aumento da consciencialização sobre a importância da qualidade para haver maior competitividade.

Participar nas cadeias de valor globais e fornecer bens e serviços de qualidade são alguns dos principais anseios das empresas moçambicanas, em geral e das indústrias, em particular. Para chegar lá e tornar Moçambique altamente industrializado é preciso ser competitivo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), os desafios do país são enormes, já que em média, cada habitante moçambicano gera produtos manufacturados que equivalem a 45.4 dólares quando o requisito para se ser um país industrializado é que cada pessoa produza 2500 dólares.

É para encontrar respostas para esse diferencial que nesta quinta-feira teve lugar o fórum.

Citando o Instituto Nacional de Estatística, o vice-presidente da Associação Industrial de Moçambique, Mubarak Abdulrazac, referiu no fórum que entre os principais desafios da competitividade no país estão os altos custos operacionais, os equipamentos obsoletos, a falta de financiamento adequados à realidade do país e outros que juntam-se à COVID-19.

Um dos membros do painel de debates do Mozindus, Geraldo Albasine, Director Geral Adjunto do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade, diz que a certificação deve ser vista como um investimento que dá maior qualidade às empresas e não um custo.

Por seu turno, a representante da APIEX, Agência para a Promoção de Investimento, Denise Amade, aponta alguns desafios para maior competitividade das empresas nacionais, entre eles, a melhoria do ambiente de negócios, o financiamento e a capacitação das empresas.

O Mozindus é realizado através de uma parceria entre a Associação Industrial de Moçambique (AIMO) e a Fundação Soico (FUNDASO), com o apoio da UNIDO, Mozal e outras entidades.

Encerrou esta quarta-feira a candidatura para pequenos agricultores comerciais emergentes receberem financiamento no âmbito do programa Sustenta nacional. Em todo o país, mais de 320 mil famílias de produtores concorreram e estão disponíveis mais de 100 milhões de dólares para a campanha agrícola 2020-2021.

Através do Sustenta, as famílias que se dedicam à agricultura têm a oportunidade de aceder a várias linhas de financiamento para viabilizar a suas actividades e produzir a grande escala, com olhos no mercado.

Na província da Zambézia, mais de 70 mil famílias submeteram candidaturas. Para o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, o facto de só na província ter-se atingido este número de famílias interessadas em aceder ao financiamento e outros incentivos oferecidos pelo Estado é bom sinal e revela o comprometimento das pessoas em produzir para si e para o mercado.

“A estas mais de 70 mil famílias que se inscreveram, agregam-se ainda mais de 700 unidades de produção semi-comerciais que vão desempenhar um papel integrador destas mesmas famílias. Estamos acima daquilo que eram as expectativas, não só na Zambézia, mas ao nível nacional, onde estamos com cerca de 320 mil famílias, muito acima daquilo que eram as primeiras projecções. Significa que há uma procura muito grande em aderir aos serviços que o Sustenta oferece ao nível nacional”, disse Celso Correia.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural fez saber que terminada a candidatura segue-se a fase de selecção dos planos de negócios submetidos.

“Queremos ver as cadeias de valor a funcionar, a última vez que estivemos na Zambézia fomos visitar algumas indústrias que estão paradas. É nossa expectativa, já próximo ano, reactivar o seu funcionamento para termos uma actividade económica sustentável”, explicou Celso Correia.

Aqueles que apresentarem melhores propostas ou condições em termos de plano de negócios para produzir culturas de rendimento, na campanha agrícola 2020-2021, terão serviços oferecidos pelos Sustenta, financiamento a crédito e toda a linha de integração nas cadeias de valor.

“Para o país todo, nós estamos com orçamento flexível”, ou seja, “não temos um valor exacto porque tudo depende daquilo que são as solicitações que vêm, mas estamos a falar acima de 100 a 120 milhões de dólares que serão investidos directamente nas famílias, no primeiro ano, e progressivamente vamos crescendo”, disse Celso Correia.

Relativamente ao processo em alusão, foram formados na Zambézia extensionistas agrários e administradores distritos em matérias de cadeias de valor produtiva, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos agregados familiares rurais, através da promoção da agricultura sustentável.

O processo de formação iniciou a cinco de Agosto à escala nacional, e prevê formar  mais de 4.200 extensionistas para responder a abordagem do programa Sustenta.

De acordo com Adélia Magaia, directora nacional de assistência familiar, até 2024 o programa Sustenta deverá integrar cerca de um milhão de famílias a produzirem com olhos postos ao mercado. Os extensionistas terão a grande tarefa, neste processo, de retirar mais de três milhões de famílias de produtores da pobreza.

Na ocasião, os extensionistas foram unânimes em referir que o processo produtivo regista constrangimentos que precisam ser ultrapassados, tais como o acesso ao mercado e vias de acesso muitas delas degradadas.

+ LIDAS

Siga nos