Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Moçambique poderá avançar no próximo ano com o processo de adesão ao projecto da Zona de Comércio Livre da SADC.

A informação foi avançada neste sábado pelo Ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, que representou o Presidente da República, Filipe Nyusi, na 13ª sessão extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governos da União Africana, sobre a Zona de Comércio Livre Africana.

Moçambique ainda não ratificou o protocolo, simplesmente assinou e estamos neste momento a trabalhar em detalhes na negociação de vários aspectos das tabelas tarifárias, e acredito que, dentro do próximo ano, poderemos avançar” explicou Mesquita, em contacto com a nossa reportagem.

O protocolo do mercado único africano entra em vigor a partir de 1 de Janeiro do próximo ano mas, para países como Moçambique, e outros 36 que não ratificaram, tem até 31 de Dezembro de 2021 para fazé-lo, segundo informações prestadas durante a conferência, que decorre de forma virtual.

Enquanto negoceia questões tarifárias e outros aspectos através dos quais Moçambique quer ver vantagens para os produtos nacionais, Mesquita não tem dúvidas que a adesão a este protocolo, será benéfico.

“Este acordo traz inúmeras vantagens. Embora estejamos com uma economia ainda debilitada, com micro e pequenas empresas com enormes desafios na questão da competitividade e na questão das ligações empresariais, mas é uma oportunidade que temos para crescer” avaliou o ministro.

 

Alguns pescadores do banco de Sofala continuam a capturar o camarão em pleno período de defeso. A denúncia foi feita pela equipa de fiscalização pesqueira de Cabo Delgado, após a apreensão de cerca de 250 quilogramas de camarão seco, no posto de controlo do Rio Lúrio, que supostamente foi capturado na província de Nampula.

Alguns pescadores e comerciantes capturam o camarão em Nampula e como em Cabo Delgado não há veda do camarão, levam para Cabo Delgado, e depois voltam a tirar desta província para os locais onde vigora o período de defeso, que é o banco de Sofala, declarando ter saído de Cabo Delgado”, revelou José Daudo, chefe da Fiscalização da Pesca em Cabo Delgado.

Além do camarão, Cabo Delgado continua a registar a circulação do caranguejo do mangal, que à semelhança do camarão, também é proibida a sua captura e comercialização por estar em período de defeso.

“No ano passado tínhamos cerca de uma tonelada de caranguejo que foi devolvido para o seu habitat, e este ano pelo esforço da direcção nacional das operações, foram cerca de dois mil toneladas que também foram devolvidos ao seu habitat”, confirmou José Daudo.

Além de camarão e caranguejo que estão em período de veda, na operação de fiscalização da pesca foram apreendidos outros produtos marinhos que são contrabandeados e escondidos em viaturas que entram e saem de Cabo Delgado.

Desde que iniciou esta medida, a fiscalização de pescas em Cabo Delgado passou multas avaliadas em mais de 250 mil meticais.

O defeso do Caranguejo começou a 15 de Outubro último e termina no próximo dia a 31 de Dezembro e do camarão que abrange apenas o banco de Sofala, iniciou a 15 de Novembro deste ano e termina a 31 de Março de 2021.

O projecto Mozambique LNG em parceria com o Governo Francês, vai atribuir bolsas de estudo a 40 estudantes moçambicanos para a frequência do ensino superior em França, a partir do próximo ano lectivo Europeu a iniciar em Setembro de 2021.

Num comunicado de imprensa, a multinacional informa que “o programa que a Total pretende que se torne sustentável nos próximos anos, terá bolsas com a duração de dois a três anos e será aberto ao público nas mais variadas disciplinas para os níveis de bachelor, mestrado e doutoramento”.

De acordo ainda com o documento que temos estado a citar, as bolsas serão atribuídas através de um processo de selecção, onde a diversidade de género, de proveniência geográfica e diferentes contextos académicos sejam igualmente tomados em consideração.

“Estamos satisfeitos com esta parceria com o projecto Mozambique LNG”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Ernesto Max Elias Tonela, que sublinhou a importância da formação de massa crítica de jovens moçambicanos.

Ademais, Tonela considera este “um passo importante e ambicioso nos seus compromissos para a materialização dos planos do Governo que priorizam a formação dos recursos humanos que tomem parte em áreas estratégicas dos projectos de gás em Moçambique”.

Para o Embaixador de França em Moçambique, David Izzo, “estas bolsas, que vêm reforçar os programas de formação e as parcerias já existentes, testemunham, uma vez mais, dos profundos laços de cooperação existentes entre a França e Moçambique e da importância que as parcerias público-privadas podem desempenhar para catalisar o desenvolvimento do país. O futuro do país constrói-se com a sua juventude e regozijo-me por este novo avanço, por este passo concreto”.

Ronan Bescond, director-geral da Total em Moçambique, afirmou: “Alinhada com a nossa ambição de nos tornarmos a empresa líder mundial de energia responsável, a Total está muito focada em contribuir para o desenvolvimento dos países em que opera. Por isso, nós fazemos do desenvolvimento partilhado uma dimensão indissociável do nosso modelo económico. É um princípio que reforça a nossa integração local e contribui de maneira sustentável para o desenvolvimento socioeconómico dos territórios que nos acolhem. A formação destes jovens, que poderão abraçar futuramente oportunidades dentro e fora nosso projecto, é, pois, parte fundamental desta responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável e responde aos compromissos estabelecidos com o Governo Moçambicano em matéria de desenvolvimento do conteúdo local”.

Refira-se que em 2019, no momento mais alto das suas operações, mais de 90% da força de trabalho da construção era moçambicana (5.500 trabalhadores de 6.100), incluindo 20% do Distrito de Palma, sendo que neste momento a petrolífera assegura que pretende manter 1.500 empregos de longo prazo ao longo da fase de produção.

O Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Estradas, Ângelo Macuácua, revelou, em entrevista ao “O País Económico”, que mais 18 portagens serão montadas nas estradas nacionais a partir do próximo ano, sendo que as primeiras 12 deverão entrar em funcionamento até o terceiro trimestre do próximo ano.

Vamos começar por falar e portagens. Qual é a política de instalação de estradas no contexto do Programa Auto Sustentado de manutenção de estradas?
Programa parte da política de estradas no país, que defende que os usuários devem participar no pagamento dos custos de manutenção de estradas. Então o programa é um mecanismo de implementação da Política de estradas. Ela vai consistir na instalação de portagens, numa rede de cerca de 3 800 quilómetros. Serão 26 portagens e não 38 porque a media de distância de uma portagem a outra são cerca de 100 quilómetros.

26 novas excluindo as que já existem?
Teremos 18 novas e as que já existem, que eram portagens de pontes, mas agora queremos estender o conceito da participação do cidadão na manutenção, não só da ponte, como também da Estrada toda.
Actualmente, temos tido reclamações de utentes dizendo que temos feito manutenção da ponte, mas as estradas não. Então é em resposta a esta solicitação dos utentes para aplicar mecanismos de ser pagador na manutenção da Estrada.

Onde é que serão instaladas as 26 portagens?
Elas serão em diversas províncias do país. Teremos portagens na EN1, por exemplo, na EN7, na EN13, só para citar alguns exemplos. Mas teremos uma grande extensão de cerca de 3800 quilómetros de estradas revestidas.

Qual é o prazo para a instalação destas portagens?
Nós dividimos em duas fases. Numa primeira fase estaremos concentrados em 12 portagens. Seleccionámos aquelas estradas que estão em bom estado, bom nível de tráfego, requerem um investimento inicial bastante reduzido, essencialmente para operações e para alargamento de estrada e construção das próprias praças de portagem. Então, esse exercício está a começar agora com a aprovação do programa e esperamos que parte significativa delas comece no terceiro trimestre do próximo ano. Enquanto isso estaremos a preparar as portagens da segunda fase, aquelas que requerem alguma intervenção significativa por forma a proporcionar um nível de serviço para o usuário consentâneo com uma Estrada que tem portagem.

Qual é o racional da fixação das tarifas de portagem?
Para fixar a taxa de portagem, primeiro temos que definir qual é o pressuposto principal. Nós estamos a trabalhar sobre tarifas que visam assegurar a manutenção da Estrada. Então nós definimos, numa primeira fase, o rácio de dois cêntimos de dólar por quilómetro e chegámos aos números que chegámos e vimos que eram, de certa forma, aceitáveis. Depois fizemos alguns ajustes ouvindo os usuários e definimos uma taxa para assegurar na totalidade a manutenção de rotina das estradas e assegurar até 75 porcento da manutenção periódica da Estrada.

O que é que isso quer dizer? Qual será a reacção do cidadão?
Nós andámos pelo país e ouvimos as propostas das tarifas que nós tínhamos, partimos daquelas que definimos que seguravam na totalidade a cobertura da manutenção periódica e de rotina. Da discussão que tivemos com alguns stakeholders, chegámos à conclusão de que era preciso reduzir as taxas a propor ao Governo para aprovação e aquelas que foram aprovadas em princípio foram de consenso das partes que fazem dos custos de operação, manutenção de rotina e 75 da periódica.

Então não vamos ter queixas de preços exorbitantes?
Os intervenientes disseram que estão dispostos a trabalhar, porque é assim que acontece noutros pontos do mundo. O que nós queremos é que Estrada esteja bem mantida tendo em conta as taxas que vão ser cobradas na Estrada.

Fazemos esta pergunta tendo em conta as reclamações da portagem da Ponte Maputo-Katembe. Não corremos de ter os mesmos problemas nas outras 18 portagens que faltam por construir?
Talvez o caso da Ponte é um caso à parte. Não é racional compararmos uma portagem de ponte e uma portagem de Estrada.

Porquê?
Porque o investimento na Estrada não é o mesmo que foi feito nas pontes e as necessidades também são diferentes. Para além disso, é preciso considerar que geralmente no nosso país temos mecanismos de mitigação, tanto para a Ponte Maputo-Katembe, há um Sistema de descontos que fazem com que o usuário possa ter descontos até 60 porcento do preço.

Como é que fazem para fixar as tarifas?
O que nós estamos a tomar em consideração são as necessidades de manutenção da Estrada. O caso do investimento inicial, que é o custo da construção, independentemente da fonte de financiamento, nos estamos a considerar isto como um sunk cost, portanto não entra da determinação das taxas porque daí resultariam taxas que efectivamente este cidadão não está em condição de pagar tendo em conta a situação actual do volume do tráfego. No nosso país, a actividade ainda é relativamente baixa ao longo de todo o país e daí que as nossas tarifas são definidas para assegurar a manutenção das estradas, não necessariamente para recuperar o investimento inicial.

Em que se inspiraram para tomar estas decisões?
Eu vou citar o caso da Zâmbia. A Zâmbia veio a Moçambique e veio aprender da nossa experiência de portagens de pontes para assegurar a sua manutenção.
A Zâmbia foi sentar, avaliou a nossa experiência e disse: nós queremos pegar nesta experiência e replica-la, não para as pontes, mas para as estradas. Hoje a Zâmbia é considerada um caso de sucesso.
Podemos pegar o caso do Zimbabwe, que também implementou um programa para manutenção de estradas no princípio utilizador pagador. O Malawi está a começar, a Namíbia também por aí de 2022 a 2023 vai começar.
Temos Madagáscar que tem interesse em vir aprender da nossa experiência e, portanto, não estamos a inventar a roda, estamos a fazer aquilo que os outros também estão a fazer e estamos a fazer aquilo que está previsto no protocolo de transportes, meteorologia e comunicações da SADC na área de transportes, que consagra que o utilizador da estrada deve comparticipar na sua manutenção, preservação, bem como na sua construção.

Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, reconhece como seu, o papel de criação de sustentabilidade e resiliência através de Políticas de Finanças Verdes Inclusivas para proteger as populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

Há desafios na criação de uma banca sustentável em termos ambientes e sociais e o Governador de Moçambique tem clareza de quem deve tomar a dianteira no processo de inclusão financeira no pais. Rogério Zandamela Assume que essa responsabilidade é do Banco de Moçambique.

“Como bancos centrais e reguladores, somos chamados a incorporar a sustentabilidade e resiliência no quadro de políticas internas, priorizando factores ambientais, climáticos e sociais”, referiu o Governador falando na abertura internacional de Finanças Verdes Inclusivas.

Trata-se de um evento que o Banco de Moçambique e a Aliança para a Inclusão Financeira organizaram justamente para debater sobre Finanças Verdes, onde Zandamela referiu que Moçambique precisa se apressar nesses processos o mais urgente possível, isto porque, embora o país esteja “na fase inicial em matéria de Finanças Verdes Inclusivas”, as experiências recentes mostram que é um país com várias vulnerabilidades a desastres naturais.

Os exemplos mais recentes de desastres naturais e que obrigaram a que Moçambique tivesse um sistema de inclusão financeira sustentável foram os ciclones de 2019, que fustigaram Sofala e Cabo Delgado.

Segundo Zandamela, “a exposição do país a fenómenos naturais impôs restrições de mobilidade, reforçando assim a necessidade e importância do acesso a serviços financeiros digitais, que só foram possíveis através de uma forte colaboração entre o Banco de Moçambique, na qualidade de regulador financeiro, os bancos e instituições de moeda electrónica, assim como instituições governamentais e o sector privado”.

É que Rogério Zandamela defende que “as mudanças constituem um fenómeno global que requer uma resposta de política colectiva”, por isso, sugere o Governador do Banco Central, o “esforço para enfrentar as mudanças climáticas e avançar para uma economia de baixo carbono tem de garantir que todos desempenhemos o nosso papel e que ninguém” seja “deixado para trás”.

Fora esta colaboração, Zandamela relata que Moçambique tem estado a registar um crescimento acentuável na carteira móvel, por isso houve necessidade de se criar um instrumento regulador, o que qual foi chamado de Sandbox Regulatório para Fintechs.

“Reconhecendo o potencial destes serviços na melhoria do acesso e uso de produtos e serviços financeiros no país, introduzimos, em 2018, o Sandbox Regulatório para fintechs. Esta plataforma constitui uma oportunidade para alavancar inovações financeiras, num ambiente controlado, tendo em vista o desenvolvimento e teste de soluções financeiras ecológicas baseadas em tecnologia”, referiu o Governador do Banco Central, que se mostrou aberto para colher experiências de outros países da Aliança para a Inclusão Financeira, para melhor fazer a gestão do sistema financeiro móvel que regista crescimento em Moçambique nos últimos tempos.

As gasolineiras dizem-se disponíveis para ajudar o Governo a encontrar uma solução para a marcação de combustíveis no país. Entretanto, esperam que a empresa a ser escolhida tenha melhores competências e qualidades e seja responsável e traga melhorias para o segmento do mercado.

“O que interessa para nós como indústria é que o processo decorra da melhor forma e toda esta indefinição que tínhamos entre o recurso e o concurso, etc., isto havia de penalizar a própria indústria e não veríamos com que parceiro iríamos trabalhar para resolver os problemas da indústria que forem detectados ao longo deste processo. Agora que o Governo assumiu, sabemos então que é com o Governo que temos que falar. A indústria está suficientemente organizada, quer na IMOPETRO, quer na AMOPETROL, que é para ter um diálogo sério com o parceiro que foi identificado. Nós aguardávamos que houvesse um outro concurso, mas pelo que sabemos até agora será o próprio Governo a assumir essa responsabilidade. Temos um compromisso e o Governo tem as competências e ferramentas necessárias e nós damos um bem-vindo a essa solução. O Governo como parceiro, de mão dadas vamos encontrar uma solução para este processo”, António Grispos, Moztop energia.

“Juntamente com o Governo nós podemos trabalhar e encontrar formas de termos controlos a funcionarem directamente. No nosso seguimento do mercado temos várias empresas com muita experiência no trabalho aqui neste mercado e com uma parceria e um trabalho em conjunto podemos encontrar uma forma de conotar a suspensão do trabalho da empresa que vinha fazendo a marcação de combustíveis. As gasolineiras sofreram. Posso dar um exemplo de uma situação em que o camião é carregado e depois faz-se a marcação pela empresa e o camião sai para fazer o abastecimento ao cliente e 10 minutos depois esse camião é interpelado e é sujeito a uma inspecção. Em situações em que houve desvios, a culpa foi para a gasolineira, mas não foi a gasolineira que fez a marcação, foi a empresa, neste caso seleccionada para fazer esse trabalho, ela também está envolvida no processo de inspecção e 10 minutos depois a inspecção é feita à própria gasolineira. É um conflito muito grande e nós desde o início colocamos nossa preocupação ao Governo”, Martinho Guambe, Director geral da BP Moçambique.

“A decisão da escolha do marcador é uma decisão que o Governo tem de tomar. Nós confiamos na capacidade do Governo para tomar essa decisão. A situação da marcação é uma situação que combate o contrabando que, naturalmente, afecta a sustentabilidade da indústria. Portanto, há todo um interesse e estamos dispostos a colaborar com todos os participantes e com o Governo para encontrar uma solução que seja melhor para todos. Primeiro, nós temos que ter um marcador que não seja fiscal também. Segundo, queremos ter uma empresa capaz, eficiente e que garanta a qualidade que nós sentimos que não temos neste momento e terceiro, queremos alguém que realmente acrescente valor àquilo que é o negócio dos combustíveis e energia em Moçambique”, Danilo Correia, CEO da Puma Energy

 

O governo assume o processo de marcação de combustíveis enquanto durar o diferendo em volta do concurso público para o novo operador. O Ministro dos Recursos Minerais e Energia explicou no parlamento as razões da polémica e o que está efectivamente em causa.

Os deputados questionaram e Max Tonela abriu o livro para explicar os factos. Para o Ministro, o processo está a ser alvo de interferências hostis de grupos de interesse instalados, e que são contrários ao interesse nacional.

“Desde o início do lançamento do concurso foi evidente a resistência de interesses instalados que culminaram com tentativas de descredibilização do processo que foi transparente e justo, e que traria os benefícios para o Estado, bem como para a indústria e para a população moçambicana no geral. Na sequência deste processo, um dos concorrentes recorreu (aos órgãos de justiça) dentro dos limites e direitos que tem, e o Governo, respeitando estes direitos, aguarda que o interesse público deve prevalecer, independentemente do interesse dos grupos” explicou.

Ainda assim, o Ministro, a marcação dos combustíveis é irreversível, pois é dessa forma que se pode desmantelar o sindicato criminoso instalado neste sector e proteger o consumidor final.

“Existe a prática de adulteração ou viciação de combustíveis ou a mistura de combustíveis mais baratos, como o petróleo de iluminação com diesel, com preços mais elevados e que são vendidos como diesel, criando problemas para os equipamentos industriais para os motores de viaturas, reduzindo o tempo de vida útil destes equipamentos, lesando os utilizadores finais e pondo em causa a salvaguarda do ambiente” revelou Tonela.
Neste momento o Governo assume os serviços de marcação, até que haja desfecho do processo judicial, em torno do concurso público que está em contestação.

“Para não deixar um vazio o Governo decidiu chamar a si o processo de marcação a partir de 1 de Dezembro corrente enquanto aguarda o desfecho do processo em tribunal. Portanto, neste momento, estão sob responsabilidade de uma equipa conjunta envolvendo a inspecção-geral do MIREME que, entre outras atribuições tem a responsabilidade de fazer a coordenação com outras instituições com vista à protecção e combate ao contrabando, comercialização ilegal e adulteração de produtos petrolíferos” frisou.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou hoje um terminal de combustíveis líquidos na cidade da Matola, província de Maputo, com capacidade para armazenar cerca de 60 milhões de litros da mercadoria. Foram investidos no empreendimento 100 milhões de dólares americanos.

O terminal logístico é uma infra-estrutura moderna com cinco tanques, nomeadamente, três de diesel (gasóleo) e dois de gasolina, com capacidade para armazenar 60 mil metros cúbicos de combustíveis líquidos e seis mil metros cúbicos de gás natural liquefeito.

O terminal resulta de um investimento das empresas Galp e Independent Petroleum Group (IPG). Segundo expectativas dos investidores, vai reduzir a dependência do país em termos de abastecimento de combustíveis líquidos.

Na sua intervenção, à propósito da inauguração, o Presidente da República, Filipe Nyusi, referiu que o investimento vai estimular negócios, principalmente, dos portos, caminhos-de-ferro e dos transportadores rodoviários.

“Estamos em presença de uma infra-estrutura cuja contribuição para a economia nacional vai muito além das actividades directas que ocorrem no seu negócio. As consequências imediatas são o nível de crescimento económico, emprego e bem-estar socio-económico dos moçambicanos que constituem objectivos da nossa governação”, disse Filipe Nyusi.

De acordo com Nyusi, o país não produz petróleo e em média importa, anualmente, cerca de 1.7 milhão de metros cúbicos de produtos petrolíferos. Dos produtos importados se destacam o gasóleo, a gasolina, o petróleo, o gás de cozinha e jet para a indústria de aviação.

Filipe Nyusi considera ainda que o investimento realizado na cidade da Matola vai tornar competitivos os preços de combustíveis no território nacional.

“Com a implantação destas infra-estruturas, a nível nacional, queremos ainda assegurar o fornecimento de produtos petrolíferos de qualidade, a preços competitivos, para os nossos consumidores, bem como a disponibilidade de reservas permanentes e estratégicas do país”, garantiu o Chefe de Estado.

O investimento da Galp Moçambique e do Independent Petroleum Group (IPG), segundo Nyusi, é também um factor de desenvolvimento económico e social, pela modernização de infra-estruturas essenciais para a dinamização da economia e o desenvolvimento da sociedade.

À semelhança do investimento da Matola, a Galp Moçambique está a construir um terminal logístico na cidade da Beira, província de Sofala, que estará pronto no início do ano 2021, um investimento de 80 milhões de dólares americanos.

A cerimónia de inauguração do terminal da Matola contou com a participação do Ministro dos Recursos Minerais e Energia, governo da província de Maputo, operadores do sector de petróleos, representantes de empresas públicas e privadas, entre outras personalidades.

Os gestores das empresas IGP e Galp, que investiram no projecto, deram a conhecer que o terminal emprega 28 pessoas permanentes e 30 temporárias. Segundo eles, tem a capacidade para carregar camiões e vagões cisterna e condições para alocar gás (GPL) a empresas de enchimento de garrafas.

“Em simultâneo com o aumento da nossa actividade na região, vamos potenciar a utilização dos portos, dos caminhos-de-ferro e das rodovias. Em suma, (vamos) contribuir para o aumento da receita e da taxa de utilização de diversas infra-estruturas cruciais para maximizar o desenvolvimento económico de Moçambique”, referiu o CEO da Galp Moçambique.

O empreendimento foi construído em uma área de cerca de cinco hectares e pode armazenar 40 mil metros cúbicos de gasóleo e 20 mil metros cúbicos de gasolina, assim como seis mil metros cúbicos de gás natural liquefeito, duplicando dessa forma a capacidade até agora existente.

“Estamos empenhados, igualmente, em dar um contributo relevante para a criação de múltiplas oportunidades de emprego, com diferentes graus de especialização, bem como para a formação de quadros moçambicanos altamente qualificados”, disse o CEO da Galp Moçambique, Paulo Varela.

O projecto vai contribuir, segundo a Galp e IPG, para a redução dos custos de abastecimento ao país e garantir maior disponibilidade do gás doméstico.

“Este importante investimento reforça a fiabilidade e eficiência das nossas operações, aumentando a qualidade dos serviços e produtos que disponibilizamos aos nossos clientes, assumindo-se, igualmente, como uma plataforma para a dinamização das nossas actividades ao nível da região,” sublinhou Paulo Varela.

Por seu turno, António Catoja, director-geral da Independent Petroleum Mozambique, disse que o investimento insere-se no âmbito da expansão das oportunidades de negócio na região e na consolidação das operações já existentes, através das sinergias e vantagens criadas.

Na ocasião, o presidente da Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) falou da importância do investimento.

“Nós como AMEPETROL – Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas estamos muito satisfeitos com esse investimento, pela Galp e pela IPG, porque vai trazer maior capacidade de armazenamento de combustíveis líquidos, mas, sobretudo, com grande importância no aumento da capacidade de armazenamento do GPL (o gás de cozinha). Isso vai permitir que haja uma maior oferta no mercado”, disse Michel Ussene.

Outro participante da cerimónia, Calisto Macane, director geral da Glencore, disse que o projecto encoraja a quem quer investir.

“Quanto mais eficiência se conseguir no mercado, naturalmente, irá se traduzir nos preços que vão ser praticados no mercado e a procura também vai aumentar e isso é um estímulo para o negócio. Nós que somos da área ficamos mais preocupados em saber qual é a redução dos custos disto e isso significa que nós vamos repassar isso nos preços e o consumidor final fica beneficiado”, disse o director geral da Glencore.

Independent Petroleum Group (IPG) é um grupo de empresas com sede no Kuwait e operações mundiais no trading e comercialização de petróleo bruto, produtos petrolíferos, GPL, petroquímicos e fertilizantes.

Já a Galp está presente em Moçambique há mais de 60 anos. É uma empresa de energia que desenvolve soluções nas suas operações.

Apenas um dos quatro regadios no distrito de Mopeia, província da Zambézia, estão em pleno funcionamento, o que segundo as autoridades compromete a produção de arroz. Para reverter o cenário, são necessários 200 milhões de dólares, estimou o director distrital das Actividades Económicas, Gilton José.

O distrito de Mopeia, localizado na zona sul da Zambézia, tem quatro regadios para a produção de arroz, nomeadamente “São Francisco de Assis”, “Limane”, “Chiverano” e regadio da “Paz”. Este último é único que está em pleno funcionamento e produz duas épocas por ano, tal como deu a conhecer o sector das Actividades Económicas distrital. 

O facto de os outros três regadios do distrito estarem a funcionar a meio gás, por depender das condições climáticas, está a comprometer o potencial produtivo daquela cultura.

Entretanto, o director distrital das Actividades Económicas, Gilton José, refere que o distrito está a conhecer avanços em termos de produção do cereal e a aposta, “agora, é produzir duas épocas por ano, sobretudo no regadio da “Paz”, onde o sistema de rega funciona em pleno”.

De acordo com a fonte, no regadio onde o regime de produção é a sequeiro, os níveis de colheita atingem três toneladas por hectare, enquanto onde o sistema funciona em pleno a produção chega até quatro toneladas por hectare.

Em termos de potencial, só para a cultura de arroz, Mopeia tem disponíveis 40 mil hectares e vai passar para 10 mil hectares na campanha agrícola 2020/2021.

Na última campanha agrícola, a produção foi de oito mil hectares, com um total de 25 mil toneladas. Estima-se que a produção para a safra seguinte atinja mais de 30 mil toneladas.

ASSOCIAÇÃO DE CAMPONÊS CLAMA POR TRACTORES     

Um grupo de 120 membros da Associação São Francisco de Assis debate-se com problemas de meios para viabilizar a produção de arroz no distrito de Mopeia. Ao todo, os associados trabalham em mil hectares e, devido à insuficiência de parque de máquinas, a lavra dos campos para a campanha agrícola 2020/2021 não vai para além dos 50%.

O regadio “São Francisco de Assis” funciona a sequeiro porque o sistema de rega não está operacional. No local são necessários 70 milhões de dólares norte-americanos para viabilizar os trabalhos de reabilitação.

Neste momento, os produtores dependem da chuva para produzir comida. Além disso, eles enfrentam a falta de tractores para lavrar a terra e apelam ao Governo para canalizar meios de produção, de modo a garantir níveis de colheita animadores, num distrito onde o arroz é cultura de bandeira.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE