O País – A verdade como notícia

Trata-se de um empreendimento que deverá ter 12 pavilhões, sendo que cada um com capacidade de albergar 56 mil pintos em cada ciclo. Até este momento, foram edificados apenas dois pavilhões, os mesmos que foram inaugurados esta quarta-feira, numa cerimónia que foi testemunhada pelo ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Celso Correia, e pela Secretária de Estado da Província de Maputo, Vitória Diogo.

No local, os dirigentes foram aclarados de que cada pavilhão já implantado tem capacidade de produzir 500 toneladas de frango por ano.

Depois da inauguração, foram entregues 13 tratores para dinamizar a produção na província de Maputo e 150 motorizadas para igual número de extensionistas, que na ocasião prestaram juramento e mostraram-se prontos para auxiliar os produtores nos distritos em que foram alocados. Os referidos equipamentos fazem parte do projecto SUSTENTA.

Na sua intervenção, Celso Correia, destacou que o Governo está determinado a combater o contrabando do frango, garantindo que tem havido esforços a nível central e nas administrações locais nesse sentido. Num momento de incertezas, em resultado da COVID-19, o governante destacou que a produção nacional está a aumentar.

“Estamos a assistir, neste momento, ao aumento da produção na ordem de 16,6 por cento, se comparado ao igual período do ano passado. O grande desafio tem a ver com disponibilidade de ração, mas que mesmo assim, o sector está a registar melhorias. O contrabando é um dos constrangimentos para o crescimento do sector no país e estamos sensíveis a esse cenário”.

Noutro desenvolvimento, o governante destacou que a província de Maputo passará a contar com mais extensionistas. “Antes existiam pouco mais de 90, sendo que agora, há aumento de pessoal em mais de 100 por cento. Graças a esse trabalho formativo, o país passará a ter mais 2 mil extensionistas na próxima campanha agrícola, o que poderá ajudar nos esforços do aumento da produção e da produtividade”.

Por seu turno, Mário Couto representante da empresa, Ingest, proprietária da unidade de produção de frango de corte, destacou que o investimento só foi possível com ajuda do Governo de Moçambique, que mesmo num ambiente de restrições devido à pandemia. “Desafiou-se a aumentar a produção de frango. Enaltecer o combate ao contrabando que o Governo vem fortificando através das suas instituições como forma de proteger a produção nacional.”

Couto destacou o papel da banca que, apesar do ambiente difícil, acreditou no projecto da Ingest e ajudou a financiar a implantação da infraestrutura tendo financiado a 100 por cento.

O Centro de produção de frango de Mafavuka está orçado em 10 milhões de dólares norte-americanos, sendo que irá contribuir para o aumento da produção de frango na ordem de 15 por cento.

A cerimónia ocorreu no âmbito da preparação da campanha agrária 21/22.

O preço do combustível poderá sofrer agravamento nos próximos dias, devido à tendência crescente dos custos do produto no mercado internacional. De acordo com a Importadora Moçambicana de Petróleos – IMOPETRO, até o final do mês de Setembro, o preço do Crude no exterior, que actualmente ronda a volta de 76 dólares, o barril, poderá atingir 80 dólares.

Com a eclosão da pandemia da COVID-19 a demanda pelo combustível, a nível mundial baixou, o que obrigou a redução dos preços, que rondavam entre 55 a 60 dólares Americanos por barril de Crude Bent (material de onde são extraídos o petróleo, gasolina, gasóleo, entre outros).

Entretanto a recuperação das economias mundiais, estimuladas pelo abrandamento das restrições impostas pela pandemia da COVID-19, ditou o aumento da procura do combustível no mercado internacional, nos últimos três meses, segundo avançou a Importadora Moçambicana de Petróleos.

“Antes da pandemia o Crude Brent rondava a uma média de 55 a 60 dólares por barril. Neste momento estamos numa média de 76 a 78 dólares, com uma tendência de aumentar. É provável que ainda este mês se possa atingir o preço de 81 dólares, por barril”, referiu, Miceles Miambo, do Departamento de mercados da Importadora Moçambicana de Petróleos – IMOPETRO.

Miambo disse ainda que a pressão feita pelo mundo aos maiores produtores de combustível poderá levar a escassez do mesmo, principalmente por causa dos fenómenos naturais que assolaram aquelas regiões, com destaque para o Texas, nos Estados Unidos de América, que causaram uma redução na quantidade de combustível produzido.

Esta situação faz com que todos os países importadores de combustíveis estejam atentos, com vista a adoptarem medidas que possam minimizar o impacto negativo em caso de agravamento de preços.

“Isto significa que a aquisição deste bem, no mercado internacional, será mais cara e todos os países que importam estes produtos poderão se ressentir das consequências deste agravamento”, disse Miambo, explicando que o Governo e outras entidades responsáveis pelo sector estão atentos ao que acontece no mercado internacional.

Entretanto, apesar deste cenário internacional, a Importadora Moçambicana de Petróleos garante que o país dispõe de combustível suficiente para responder à demanda, nos próximos meses.

A população moçambicana continua a viver abaixo de um dólar por dia, de acordo com o relatório do Inquérito Sobre Orçamento Familiar (IOF 2019/2020), divulgado na última sexta-feira (24), em Maputo, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Num universo de  mais de 30 milhões de pessoas que vivem em Moçambique (segundo dados actualizados do INE), o IOF 2019/2020 abrangeu 13. 656 agregados familiares, com uma média de cinco pessoas por família,  nas zonas rurais e urbanas de todo o país.

Segundo o INE, em relação às despesas do consumo das famílias residentes no país, a média mensal é de 8. 108, 00 Meticais, o equivalente a 1. 695,00 Meticais por pessoa.

Ou seja, se cada indivíduo despende 1. 695,00 Meticais mensalmente, significa que, por dia, gasta 56 meticais e cinquenta centavos. Segundo o câmbio disponibilizado pelo Banco de Moçambique, no dia 24 de Setembro, um dólar americano custa 64.46 meticais, o que significa que o gasto diário de um cidadão, que vive no solo moçambicano, está a uma distância de 7.96 meticais, do dólar americano, nossa base de comparação.

Apesar de negativos, os dados, segundo o INE, são animadores, pois demonstram uma subida de nove meticais, quando comparado com o inquérito sobre orçamento familiar 2014/2015, em que as despesas diárias de cada moçambicano eram de 47 meticais.

Durante o discurso de lançamento do relatório, a Presidente do INE, Eliza Magaua, explicou que “a despesa média foi de 6. 924,00 Meticais, sendo 1. 406,00 Meticais por pessoa.

Magaua disse, ainda, que, em termos de despesa média por agregado familiar por província, a cidade e província de Maputo estão acima da média nacional, tendo em terceiro lugar a província de Manica, que também está acima da média nacional.

A receita média mensal por agregado familiar foi estimada em 8. 916,00 Meticais, em termos nacionais. Em termos per capita, os dados mostram que a receita mensal se situou na casa de 1. 1946,00 Meticais. As províncias de Tete, cidade e província de Maputo apresentaram os níveis mais altos, enquanto as províncias de Gaza, Cabo Delgado e Zambézia registaram níveis mais baixos.

O mesmo relatório indica que, em quatro anos (intervalo entre o IOF 2014/2015 e IOF 2019/2020), o país registou melhorias nas áreas de emprego, energia e educação, entretanto matêm-se os desafios na disponibilização de serviços de saúde de qualidade.

Em relação ao IOF realizado em 2014/2015, a taxa de desemprego passou de 67.2% para 74.8%, uma redução na ordem dos 7.6%.

Por seu turno, comparativamente ao mesmo período, houve uma redução de 20.7% para 17.5%, da taxa de desemprego no país, uma redução que, segundo o INE, se verificou no nível de analfabetismo, que passou de 44.9% para 39.9%, uma redução em cinco por cento.

No capítulo da saúde e disponibilização da água potável, os números são, também, positivos, tendo crescido de 50.3% para 55.7% a percentagem de famílias que usam fonte segura de água, e 53% para 59.8% a taxa de satisfação ao uso de serviços de saúde.

De acordo com a presidente do Instituto Nacional de Estatística, Eliza Magaua, os dados apresentados são de capital importância para a concepção de políticas e programas sectoriais do Governo, sector privado e sociedade civil no geral, principalmente para garantir um acompanhamento mais realista da evolução das condições de vida da população que reside no território nacional.

Para Eliza Magaua, o IOF 2019/2020 servirá de base para a produção do relatório da avaliação da pobreza a ser produzido pelo Ministério da Economia e Finanças.

Um quilo de castanha de caju bruta vai custar 43 meticais na próxima campanha de comercialização 2021-2022. O preço de referência foi, esta sexta-feira, aprovado pelo Comité de Amêndoas, após auscultações feitas aos actores da cadeia de valor.

O preço em causa tem o potencial de remunerar de forma justa os produtores, comerciantes locais, processadores e exportadores.

Foi sob esse propósito e à luz do regulamento para o Fomento, Produção, Comercialização, Processamento e Exportação de caju que o Comité de Amêndoas fixou 43 meticais como preço de referência de compra da castanha de caju para a campanha de comercialização 2021/2022.

Segundo o director do Instituto Nacional de Amêndoas de Moçambique, Ilídio Bande, o novo preço resultou, em parte, da auscultação aos vários actores da cadeia de valor da castanha de caju, nomeadamente os produtores, comerciantes locais, processadores e exportadores

Entre opiniões e sugestões, o Comité de Amêndoas decidiu fixar os 43 meticais, um crescimento ligeiro se comparado com a passada época de comercialização de castanha de caju, em que a amêndoa custava 37 meticais.

Os factores internos foram determinantes para a fixação do novo preço, mas Ilídio Bande não descartou a conjuntura do mercado internacional, que impôs, sobremaneira, o ajuste.

“De Janeiro a Setembro deste ano, verifica-se um aumento do preço de amêndoa a nível internacional. Portanto, a se antes rondava por 2.3 dólares, agora está a 3.5”, afirmou Ilídio Bande.

Sobre a conjuntura internacional, Ilídio Bande apontou a influência do mercado africano, sobretudo dos países da região ocidental.

“Os preços que são praticados lá estão numa média parcialmente igual à nossa, então não poderíamos ficar à margem dessa imposição do mercado”, referiu Bande.

O director do Instituto de Amêndoas foi cauteloso ao afirmar que este é apenas um preço de referência, uma vez que pode sofrer alterações, embora não acima de 10 por cento.

“Significa que pode oscilar dez por cento a menos ou a mais dos 43 meticais, mas isso deve acontecer dentro dos interesses dos produtores e compradores”, afirmou a nossa fonte.

Por sua vez, os produtores acreditam que a actualização do preço de referência da castanha vai animar o mercado, até porque é passível de revisão se o mercado assim exigir.

As associações de produtores e industriais apontaram que é crucial que o país acompanhe as dinâmicas do mercado da castanha, para que não se saia prejudicado perante os preços dos outros países.

“Se por ventura o preço da amêndoa descer no mercado internacional, nós também temos que fazer revisão em baixas”, disse Cabir Ibrahimo, representante de uma associação industrial e agrícola baseada em Nampula.

Cabir Ibrahimo justificou que “se levarmos muito para reajustar o preço em face à conjuntura internacional, o produto não terá saída e, consequentemente, não será escoado, prejudicando, assim, os produtores, uma vez que não têm condições de armazenamento do produto.

A campanha de comercialização da castanha de caju inicia em Outubro do ano em curso e prevê-se a venda de cerca de 160 mil toneladas desta amêndoa.

O relatório do Banco de Moçambique sobre a conjuntura económica e perspectivas de inflação, publicado a 17 de Setembro corrente, indica que as projecções de inflação para o médio prazo se mantêm em um dígito, perspectivando-se, deste modo, uma relativa recuperação da economia nacional, influenciada pelas medidas de contorno aos efeitos da COVID-19.

Segundo o Banco de Moçambique, estas projecções são sustentadas pela menor depreciação do Metical, num contexto em que se prevêem pressões inflacionárias nas economias dos principais parceiros comerciais, bem como o aumento dos preços dos alimentos e do petróleo no mercado internacional.

Em Agosto, os preços registaram um ligeiro aumento no país, traduzindo o incremento verificado na classe de produtos alimentares e restauração. Ainda assim, o Banco de Moçambique perspectiva que a inflação se mantenha num dígito no curto e médio prazo.

“A inflação anual, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC), passou de 5,48%, em Julho, para 5,61%, em Agosto. Igualmente, a inflação média anual manteve a trajectória ascendente, situando-se em 4,61%, em Agosto, após 4,38%, em Julho de 2021”, lê-se no relatório do Banco de Moçambique.

Estas perspectivas reflectem também, e fundamentalmente, a manutenção da menor depreciação do Metical que permite amortecimento do efeito do aumento dos preços de alimentos e do petróleo no mercado internacional, facto que abre espaço para uma menor pressão cambial no médio prazo.

“A recente dinâmica da taxa de câmbio do Metical face às principais moedas transacionáveis, aliada à perspectiva de recuperação da procura externa, decorrente da melhoria das perspectivas económicas dos principais parceiros comerciais do país, bem como da evolução dos preços das principais mercadorias de exportação, prenuncia uma menor pressão cambial a médio prazo”, refere o documento.

Em relação à actividade económica, as projecções do Banco de Moçambique indicam uma recuperação da economia doméstica (em 2021 e 2022) impulsionada, sobretudo, pela procura externa, em face dos avanços nos programas de vacinação, da adopção de pacotes de estímulos nas economias avançadas, bem como da evolução favorável dos preços das mercadorias de exportação.

“O PIB acelerou no II trimestre de 2021, a reflectir o efeito base e a menor restritividade das medidas impostas no contexto da COVID-19. Dados preliminares do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) indicam que, em termos anuais, o PIB cresceu 1,97%, no período em análise, uma aceleração em 1,85 pp face ao I trimestre de 2021. Perante este quadro macroeconómico e ponderados os riscos e incertezas associados às projecções de inflação, o CPMO decidiu manter a taxa MIMO em 13,25%”, revela a fonte.

A recuperação da economia nacional é suportada pelas perspectivas de retoma da procura externa, em resultado do alívio gradual das medidas restritivas associadas à COVID-19 e a adopção de pacotes de estímulos monetários e fiscais, bem como uma evolução favorável dos preços das mercadorias de exportação.

Os pressupostos que sustentam as previsões do banco central, a nível internacional, têm a ver, segundo o Banco de Moçambique, com a relativa redução do crescimento do PIB nos Estados Unidos, África do Sul, em 2021, seguida por uma recuperação mais rápida, em 2022; a revisão em alta das perspectivas de inflação na África do Sul e nos EUA para 2021 e 2022; a revisão em alta das perspectivas de preços do brent no mercado internacional no horizonte de projecção; e a revisão em baixa das perspectivas de preços dos alimentos no mercado internacional, em 2021, e em alta, em 2022.

A nível doméstico, o Banco de Moçambique antevê uma manutenção da pressão nos preços de bens administrados a médio prazo. As perspectivas de recuperação do preço do petróleo, no mercado internacional, poderão gerar uma pressão sobre os preços domésticos, através do ajustamento do preço dos combustíveis. No entanto, a menor depreciação do Metical face às moedas dos principais parceiros comerciais de Moçambique poderá amortecer os possíveis impactos do referido ajustamento, no índice geral de preços do país.

Em relação à despesa pública a médio prazo, prevê-se uma maior pressão, devido à instabilidade militar na região norte do país, os desafios de reassentamento das populações, bem como a logística de aquisição e administração da vacina contra a COVID-19.

 

Novas taxas de incidência de reservas obrigatórias

Ao abrigo regulamento sobre o Apuramento e Constituição de Reservas Obrigatórias, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique fixou em 10,5% o coeficiente das reservas obrigatórias aplicável à base de incidência em moeda nacional, e em 11,5% em moeda estrangeira, a vigorar a partir de 7 de Outubro próximo.

 

Estatísticas do sector externo referentes ao II trimestre de 2021

Segundo o Banco de Moçambique, durante o II trimestre 2021, o saldo conjunto da conta corrente (CC) e de capital ­fixou-se em USD 2,151 milhões, o que representa uma melhoria de ordem de 0.5%, comparativamente ao igual período de 2020. Este resultado deveu-se à redução, em 2.2%, do dé­fice da CC, para USD 2,177.9 milhões, bem como do saldo superavitário da conta capital, em 58.9%, para USD 26.8 milhões, este último explicado pela diminuição da ajuda externa ao país.

O abrandamento do dé­fice da CC é justifi­cado, essencialmente, pela melhoria do dé­fice da conta parcial de bens, em 7.8% (determinado pelo aumento das receitas de exportação em 26.4%), e pelo incremento dos rendimentos secundários (28.9%), perante o agravamento dos dé­fices das contas parciais de serviços e rendimentos primários, em 10.5% e 16.0%, respetivamente.

Em conformidade com a fonte, dados da conta fi­nanceira apontam para a entrada líquida de recursos ­financeiros na economia moçambicana, na ordem de USD 1,963.5 milhões, menos 1.6% em relação ao período homólogo de 2020, justi­ficado pelo decréscimo, em 68.6%, do fluxo de outro investimento, para USD 387.0 milhões, num cenário em que o investimento directo estrangeiro cresceu em mais de 100%, para USD 1,555.2 milhões, apresentando-se, dessa forma, como a principal fonte de captação de recursos ­financeiros, no período em análise.

 

3ª edição do sandbox regulatório

Os desenvolvedores de startups de tecnologia, provedores de serviços financeiros, pesquisadores e outras entidades são convidadas a apresentar propostas de soluções inovadoras, com vista a satisfazer as necessidades identificadas no sector financeiro e áreas relacionadas.

A participação no Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique terá a duração de 10 meses, a contar de 15 de Novembro de 2021. As áreas de interesse incluem, mas não se limitam a carteiras digitais e agregadores de pagamentos; soluções de análise de crédito; soluções para e-KYC; financiamento colectivo (crowdfunding).

As propostas estarão sujeitas à análise de adequação ao quadro regulatório e impacto no sector financeiro, sendo a natureza inovadora a condição essencial para a selecção dos 10 melhores candidatos que irão participar neste programa.

O reforço da capacidade institucional e o aprimoramento da estrutura organizativa configuram-se como uma das apostas do novo presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Álvaro Massingue.

Um dos homens fortes do anterior Conselho Directivo da CTA, Álvaro Massingue, diz estar comprometido com a garantia da promoção da mulher e jovens empreendedores; industrialização e fomento das exportações; negócios entre os membros e atracção de investimentos; sustentabilidade da Câmara e reforço de parcerias de cooperação com entidades congéneres e outras.

O novo presidente da CCM eleito na última segunda-feira, com um total de 224 votos, também sublinhou que o leque da sua estratégia de governação se fundamenta no princípio de coesão e responsabilidade colectivas.

“Estamos cientes de que o caminho é bastante espinhoso, mas estamos também confiantes de que a união de todos os membros da nossa organização e o apoio de todos os nossos parceiros de cooperação farão a força e a diferença almejadas, para que, num futuro próximo, em sessão de balanço intercalar, possamos orgulhar-nos de todos os esforços”, disse Massingue.

Na mesma ocasião, a presidente cessante da Mesa da Assembleia Geral, Luísa Diogo, acredita que o candidato eleito será um Presidente de todos os associados.

“Todos nós temos que aprender a viver juntos, por uma Câmara activa e ética. Fazemos votos para que o novo elenco saiba elevar os interesses da Câmara para que prevaleça o bem comum dos associados”, sublinhou Diogo.

O presidente eleito compromete-se a tornar a CCM numa plataforma que permite o envolvimento de todos os associados, para o reforço da estratégia de desenvolvimento económico do país.

Álvaro Massingue substitui Julião Dimande da presidência da CCM. Do seu elenco directivo na CCM, constam Módi Adriano Maleiane (que ocupava o cargo de Presidente do Pelouro da Mulher e Género, desde 2019), como vice-presidente, Luís Magaço Jr, presidente do Conselho Fiscal. Além de Massingue, Lucas Chachine foi eleito presidente da Mesa da Assembleia Geral, em substituição de Luísa Diogo e Sónia Uache, como vice-presidente. O Conselho Consultivo da CCM é composto por 15 membros, entre os quais quatro suplentes.

Em seis anos de implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE), o Governo diz que a economia nacional cresceu de forma considerável, apesar dos desafios enfrentados. Adriano Maleiane avançou ainda que, até Maio de 2022, a proposta de revisão do instrumento será submetida à Assembleia da República para aprovação.

Adriano Maleiane, falando à margem do lançamento do processo de revisão da ENDE (2015-2035), diz que, desde que o instrumento foi aprovado em 2015, o país alcançou vários êxitos.

“Tudo que foi feito estava enquadrado e continua nesta estratégia. Tivemos várias barreiras, a destacar as consequências das mudanças climáticas, porém, em 2015, mesmo envoltos em tantos problemas, a nossa economia cresceu em 6.6 por cento. Em 2016, mesmo com a crise económica mundial, alcançamos um crescimento de 3.3 por cento. Isto significa que, apesar das dificuldades, nós não perdemos o norte, tanto que o Plano Quinquenal do Governo que estamos a implementar está enquadrado nas políticas traçadas neste instrumento”, disse Adriano Maleiane.

Sobre o programa de revisão do instrumento, que passa pela auscultação de sectores sociais, económicos e políticos e a submissão da proposta à Assembleia da República, para aprovação, o ministro da Economia e Finanças explica: “a auscultação começa agora e, até Maio de 2022, teremos a proposta do documento pronta para o Governo submeter à aprovação pela Assembleia da República”.

Através de conversas presenciais, videoconferências, questionários no website do Ministério da Economia e Finanças, entre outras ferramentas, o Governo colherá as opiniões de académicos, organizações da sociedade civil, observatório do desenvolvimento, entre outros grupos, a nível nacional.

Para o Governo, a revisão da estratégia é para responder ao surgimento de novos paradigmas de desenvolvimento, com formas novas de trabalho, novas tecnologias e, acima de tudo, envolver os sectores produtivos na tomada de decisões.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, procedeu, hoje, ao lançamento do Processo de Revisão da Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2015-2035. Na ocasião, o Chefe de Estado disse que apesar da pandemia da COVID-19, eventos climáticos e o terrorismo em Cabo Delgado, a economia nacional medrou nos primeiros dois trimestres de 2021.

“O desempenho mais recente da economia evidencia um ponto de inflexão saído do território negativo registado em 2020, para um crescimento em 2021, no primeiro e segundo trimestres, estimando em 0.12% e 1.97, respectivamente”, precisou Filipe Nyusi.

De acordo com o Presidente da República, espera-se, ainda, que, em 2021, Moçambique alcance um crescimento económico na ordem de 1.5%.

O Chefe do Executivo moçambicano avançou que, mediante os vários eventos catastróficos, incluindo os ciclones Idai e Kenneth e a pandemia da COVID-19, o país teve ganhos significativos em três sectores, nomeadamente, Educação, Saúde e Protecção Social.

Sobre a Educação, Nyusi disse que o foco do Governo tem sido orientado para a melhoria da qualidade do ensino e aprendizagem, cujo enfoque foi direccionado para a expansão e apetrechamento de infra-estruturas, assim como a contratação e formação de mais professores para a redução do rácio aluno-professor, abrangendo mais de 16 milhões de alunos.

“Na Saúde, com vista a melhoria crescente das condições de vida dos moçambicanos, a formação de profissionais visa qualificá-los melhor para a prestação de serviços de saúde de qualidade”, disse Nyusi destacando os ganhos na Saúde.

Já na área social, o destaque foi para a melhoria das condições de mobilidade da população, que, segundo o Chefe do Estado, tem sido uma preocupação presente no Governo, por entender que esta é uma componente social importante e com um papel de destaque para a dinamização da actividade produtiva.

Ainda no seu discurso, o Presidente da República não deixou de lamentar o desfalque económico causado pelos eventos climáticos, associados aos ataques terroristas em Cabo Delgado e a actuação dos dissidentes da Renamo no centro do país.

“Estamos todos recordados sobre os ciclones Idai e Kenneth que atingiram severamente as regiões centro e norte do país, tendo afectado significativamente os processos produtivos e a vida da população, associados à instabilidade militar nas mesmas regiões, cujo modus operandi é a destruição das infra-estruturas económicas e sociais públicas e privadas e retirada de vida a população.”

O comércio electrónico no país ainda é deficitário, devido a limitações de acesso à internet, baixa literacia digital e falta de infra-estruturas tecnológicas robustas. Esta ideia foi defendida no segundo painel do primeiro dia da Moztech.

Desde a eclosão da pandemia da COVID-19, as vendas e compras através da internet cresceram a 90 por cento em todo o mundo, estatísticas nas quais Moçambique está longe de se destacar, dados os desafios de vária ordem.

Os participantes do painel subordinado ao tema Disrupção pelo E-Commerce da Moztech consideram que o país tem que resolver questões básicas e que o comércio electrónico deve ser feito em função das condições locais.

“Temos que começar com o que já temos e não estarmos a procurar outras condições para podermos funcionar. Portanto, o ideal é fazermos usos das capacidades que possuímos para responder à exigência do mercado, claro sem deixar de pesquisar outras alternativas”, afirmou Shaida Sene, uma dos painelistas.

No tocante à literacia digital, Abdul Mueid, gestor de uma plataforma de vendas digital, aponta que tem sido muito difícil fazer comércio electrónico num contexto em que as pessoas desconhecem as ferramentas digitais.

No seu entender, Mueid disse que Moçambique pode fazer melhor, mas é preciso ultrapassar as limitações mais básicas que interferem nas vendas e compras via online.

“Oportunidades existem, mas aqui, em Moçambique, há falta de talentos da área de tecnologia. Por exemplo, nas nossas operações, temos muito mais trabalho, para além de vender temos que explicar como esses sistemas funcionam”, referiu-se Abdul Mueid.

Para além do fraco acesso à internet, formação e infra-estruturas, a insegurança electrónica é também um dos aspectos que dificultam o desenvolvimento do comércio electrónico no país.

Segundo Lourino Chemane, director do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação, apesar de o país contar com uma lei de segurança electrónica, ainda são necessários regulamentos específicos que possa orientar as operações digitais.

“Há previsões sobre o comércio electrónico, mas ainda não temos o regulamento em si. Felizmente, estamos a caminho de preparar esse instrumento e tomaremos em consideração a dinâmica actual do mercado”, afirmou Lourino Chemane.

Segundo o dirigente, a regulamentação do comércio electrónico poderá atenuar as vendas digitais informais. Outro desafio é a inexistência de dados estatísticos sobre o comércio informal, o que dificulta uma possível formalização.

Lourino Chemane diz, entretanto, que o regulador tem que ser cauteloso na tomada de algumas medidas sobre o comércio electrónico, para não retrair o mercado.

Por outro lado, Chemane entende que a regulamentação do comércio electrónico não cabe apenas a nível interno, mas também é um desafio na esfera global.

“Há desafios de dimensão internacional em termos de regulamentação do comércio electrónico e a participação equitativa de actores nacionais e internacionais na dinamização na dinamização de países em via de desenvolvimento”, disse Lourino Chemane.

+ LIDAS

Siga nos