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O Instituto Nacional de Petróleo (INP) lança amanhã, em formato virtual, o 6º Concurso de concessão de áreas para pesquisa e produção de hidrocarbonetos. A cerimónia de lançamento será dirigida pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Ernesto Max Tonela.

O concurso tem por objectivo convidar as companhias nacionais e internacionais, interessadas em participar neste concurso, a registarem-se e a submeter os documentos de pré-qualificação, cujos modelos estão disponíveis no website do “6ª Concurso de Concessão de Áreas para Pesquisa e Produção de Hidrocarbonetos”.

Janela do Governo no domínio dos hidrocarbonetos, o INP visa promover e assegurar a avaliação sistemática do potencial petrolífero, contribuindo para maior disponibilização de gás natural no mercado nacional e mundial enquanto uma energia de transição.

Refira-se que o Governo de Moçambique tem por responsabilidade, no domínio dos hidrocarbonetos, avaliar, de forma contínua, o potencial do país, visando colocar esses recursos à disposição da sociedade para impulsionar o seu desenvolvimento socioeconómico.

No entanto, para este concurso, foram definidos 16 novos blocos para pesquisa e produção, distribuídos por quatro áreas distintas, todas em offshore, compreendendo mais de 92.000 km2. Todas as propostas serão avaliadas com base num conjunto de critérios padrão.

Através do Africa Regional Media Hub, os Estados Unidos de América (EUA) referem que, apesar da vontade genuína de muitos participantes e observadores do Processo de Kimberley, a plenária não chegou a consenso sobre uma definição alargada de diamantes oriundos de zonas conflito, que reflectisse melhor estas preocupações prementes.

“O apoio internacional à diligência devida e ao fornecimento responsável no que respeita aos recursos naturais, tais como os diamantes, foi expresso nas Directivas de Diligência Due Diligence da OCDE para Cadeias de Fornecimento Responsável de Minerais de Áreas Afectadas por conflitos e de alto risco, na Declaração de Lusaka relativa ao tratamento responsável dos recursos naturais em África, e nos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Negócios e Direitos Humanos. Os Estados Unidos continuam a encorajar os nossos parceiros a expressarem posições no Processo de Kimberley que reflectem estes endossos”, refere uma nota emitida pelo Africa Regional Media Hub.

Os EUA afirmam estar continua e  seriamente preocupados com a situação na República Centro-Africana (RCA) e com o impacto nas suas exportações de diamantes em bruto.

“A RCA continua a ser o único país do mundo onde estão a ser produzidos diamantes de conflito, tal como definido pelo Processo de Kimberley, e os EUA continuam a trabalhar incansavelmente para equilibrar a necessidade de exportações legítimas da RCA com o mandato do Processo de Kimberley para impedir a entrada de diamantes de conflito na cadeia de fornecimento comercial”, refere a fonte acrescentando que aquele país está satisfeito por, nos últimos dois anos, apesar dos desafios relacionados com a COVID-19, as exportações de diamantes em bruto da CAR a partir de zonas conformes ao Processo de Kimberley terem aumentado.

Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com as notícias de violações dos direitos humanos por elementos do Grupo Wagner, a força de representação da Rússia, bem como por membros dos serviços de segurança da CAR, incluindo em relação à produção de diamantes.

“Exortamos a RCA e os governos russos a investigarem minuciosamente estas alegações e a responsabilizarem os perpetradores, quando apropriado”, conclui a fonte.

O Processo de Kimberley é uma iniciativa internacional de múltiplos intervenientes, criado para aumentar a transparência e supervisão na indústria diamantífera, a fim de eliminar o comércio de diamantes de conflito, definidos como diamantes brutos vendidos por grupos rebeldes ou seus aliados para financiar conflitos contra Governos legítimos.

A plenária anual do Processo de Kimberley teve lugar em Moscovo, de 8 a 12 de Novembro, num formato híbrido, virtual e presencial.

Termina na próxima sexta-feira o processo de auscultação de comentários e sugestões sobre o Relatório dos Deputados da Associação Internacional de Desenvolvimento do Banco Mundial (IDA20), do qual sairá a proposta de financiamento dos países pobres no contexto dos impactos da pandemia da COVID-19.

A cada três anos, os doadores reúnem-se para reabastecer os recursos da IDA e revisar a sua estrutura de políticas. O processo de reposição normalmente consiste em quatro reuniões formais realizadas ao longo de um ano.

O pacote de reposição proposto da IDA20 está agora num estágio avançado de preparação, à medida que o processo se aproxima da reunião de promessas a ser realizada em Tóquio de 14 a 15 de Dezembro de 2021.

Nessa reunião, o Relatório dos Deputados da IDA20 será apresentado para endosso pelos respectivos deputados e representantes mutuários. Antes que isso aconteça, o público é convidado a revisar o projecto de Relatório dos Deputados da IDA20 e fornecer comentários até 26 de Novembro de 2021.

Recuemos. No dia 13 de Novembro do ano em curso, os deputados da IDA lançaram um documento preliminar no qual sugeriram, por exemplo, o reforço à política e pacote de financiamento, para ajudar os países a recuperarem-se dos impactos da pandemia da COVID-19.

No documento, os deputados exigem também o fortalecimento da segurança e políticas de saúde e promover sistemas de saúde inclusivos e saúde universal. Os participantes solicitaram que a AID apoiasse os países, para conter a pandemia da COVID-19, por meio do lançamento, teste, tratamento e atendimento de vacinas.

Nas recomendações, os deputados não descartam a necessidade de fortalecer a preparação para eventuais pandemias, inclusive por meio da prevenção, detecção e resposta adequada.

Para garantir uma resposta inclusiva e eficaz contra choques e crises, os participantes solicitaram que a AID apoiasse a resiliência de pelo menos 20 países da AID, através da construção de protecção social, incluindo o uso de tecnologias digitais.

Os participantes propuseram que todas as novas operações do Banco Mundial IDA20 se alinhassem com o Acordo de Paris. O apoio será fornecido a pelo menos 30 países para desenvolver relatórios de clima e desenvolvimento.

E as recomendações não param por aí. Os participantes solicitaram que pelo menos 35 por cento das operações de infra-estrutura da AID20 no capítulo de transporte, energia e água incluam acções para criar oportunidades de emprego para mulheres em empregos de média e alta qualificação nesses sectores.

Igualmente, os deputados solicitaram que pelo menos 30 operações da IDA20 em desenvolvimento digital, finanças e agricultura aumentem o acesso das mulheres e o uso da tecnologia digital para fechar as lacunas de género no seu acesso e uso.

A Autoridade Tributária (AT) iniciou, oficialmente na última sexta-feira, 19 de Novembro, em todo o país, a fase-piloto da selagem obrigatória de cervejas e bebidas pronto a consumir (RTD).

A AT diz que esta primeira fase tem como objectivo testar os procedimentos técnicos usados, de modo a corrigir eventuais erros e criar condições para que o processo decorra dentro das normas estabelecidas pelo Regulamento de Selagem.

“A fase-piloto destina-se à realização de testes técnicos por parte das indústrias cervejeiras, com vista à correcção de possíveis falhas, bem como o esclarecimento de eventuais dúvidas, para que a selagem decorra nos termos estabelecidos legalmente”, lê-se no comunicado da AT a que o jornal “O País” teve acesso.

Para garantir que este processo alcance os objectivos almejados, a AT garante estar no terreno para prestar todo o apoio necessário aos operadores.

Por forma a garantir o sucesso da selagem, a AT apela a todos os operadores (produtores e importadores) e seus parceiros (distribuidores, retalhistas e transportadores destas mercadorias) para aderirem ao processo, bem como ao público para colaborar na fiscalização destas mercadorias, denunciando todas as acções (contrabando, descaminho e introdução fraudulenta no consumo) que configuram violação do Regulamento de Selagem.

Ainda na sua nota de imprensa, a AT refere que, a 07 de Fevereiro de 2022, inicia a interdição de introdução no consumo de cervejas e RTD, tanto domésticas como importadas, sem selo de controlo fiscal.

Uma vez que, até aos finais de Julho do próximo ano, o processo de selagem de cervejas e RTD terá terminado, segundo as previsões da AT, a 06 de Agosto de 2022, inicia a interdição de circulação, isto é, comercialização e consumo no mercado nacional de cervejas e RTD, tanto domésticas como importadas, sem selo do controlo fiscal.

Refira-se que a implementação deste processo decorre em cumprimento do Diploma Ministerial nº 64/2021, de 21 de Julho, que aprovou o novo Regulamento de Selagem de Bebidas Alcoólicas e Tabaco Manufacturado, sujeitos ao Imposto sobre Consumos Específicos (ICE).

A Cidade de Maputo vai acolher nos dias 22 e 23 de Novembro em curso a Conferência Internacional sobre Indústria Extractiva, cujo objectivo é reflectir sobre os ganhos decorrentes da exploração dos recursos extractivos, os desafios ligados a gestão das receitas, bem como sobre o papel dos actores e questões relativas ao género.

De acordo com um comunicado do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD, a conferência vai juntar parlamentares de Moçambique e de vários países da região da SADC, representantes de instituições do Governo, corpo diplomático, representantes de empresas do sector extractivo, sociedade civil, académicos entre outros actores.

A região da África Austral é tida como uma das maiores detentoras de recursos minerais a nível global, estando no topo da lista em termos de quantidades, qualidade e variedade de reservas minerais.

“Apesar de essa região ser rica em recursos naturais, constata-se que os seus países não estão a experimentar o desenvolvimento amplo a nível das suas economias e estratos sociais, sendo que, em muitos casos as comunidades locais vivem em condições precárias, caracterizadas por extrema pobreza, tendo um impacto significativo principalmente para as mulheres”, lê-se no comunicado.

Na nota, lê-se, igualmente, que durante a conferência, os participantes vão discutir sobre a boa governação e transparência no sector da indústria extractiva, tendo em conta as políticas internacionais e regionais e as dinâmicas ao nível dos países da região da SADC.

A conferência é organizada pelo Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) em parceria com a Assembleia da República e o Fórum Parlamentar da SADC com apoio da Embaixada da Finlândia, no âmbito da implementação do projecto, “Fortalecendo o Papel do Parlamento e das Assembleias Provinciais na Fiscalização da Área da Indústria Extractiva em Moçambique”. São também parceiros de implementação deste projecto a organização DemoFinland e o Netherlands Institute For Multiparty Democracy (NIMD).

 

Com a economia a sofrer um golpe devido à pandemia da COVID-19, a maioria dos bancos centrais a nível mundial recorreu à promulgação de várias medidas de Facilitação Quantitativa (QE) para salvar a situação. Contudo, as principais economias utilizaram a medida para injectar quantidades históricas de dinheiro nas suas economias em colapso.

De acordo com dados adquiridos por Finbold, entre Janeiro de 2020 e Novembro de 2021, quatro grandes bancos centrais expandiram os seus programas de Facilitação Quantitativa num total de USD nove triliões de dólares para apoiar as suas economias. A Reserva Federal dos Estados Unidos e os Bancos Centrais Europeus representaram cada um USD 3,4 triliões durante o período. O Banco do Japão ocupa o terceiro lugar com USD 1,6 triliões, seguido pelo Banco de Inglaterra com USD 0,6 triliões.

Por outro lado, o balanço da Reserva Federal, dos Bancos Centrais Europeus, do Banco do Japão e do Banco de Inglaterra subiu 60,13% entre 2019 e 2021 de USD 15,5 triliões para USD 24,5 triliões. Ao longo dos últimos oito anos, o balanço acumulado mais baixo dos bancos foi em 2014 de USD 10,4 triliões.

 

Inflação e impressão de mais dinheiro

Com a política monetária a emergir como uma possível almofada para a economia, resultou, no entanto, em potenciais efeitos adversos, tal como salientado pelo relatório.

De acordo com o relatório de investigação, “notavelmente, a impressão de moeda tem várias falhas, sendo a inflação a preocupação mais significativa, especialmente se a produção económica não apoiar a procura. Por exemplo, os Estados Unidos estão, actualmente, a braços com uma inflação galopante que atingiu 6,1%, a mais elevada em quase três décadas. A maioria dos economistas projecta que a inflação continuará a aumentar devido à política monetária adoptada no meio da pandemia.”

O bombeamento de mais dinheiro para a economia no meio da pandemia foi considerado uma medida de último recurso, porque os países corriam o risco de novos colapsos. A maioria dos bancos centrais decidiu sobre o montante a injectar na economia, com base nos factores como estabilidade financeira, nível de inflação, estabilidade das taxas de câmbio, entre outros.

Foi lançada, nesta sexta-feira, a terceira edição de Apuramento de Novas Tecnologias de Financeiras (Fintechs), acção desenvolvida pelo Banco de Moçambique (BM). Para a presente temporada, estão disponíveis 10 vagas, que já contam com cerca de 18 candidaturas.

Denominada Sandbox Regulatório, a iniciativa enquadra-se no âmbito da implementação da Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2016-2022, que tem como objectivo aumentar o nível de acesso e uso dos serviços financeiros pela população.

Do projecto, espera-se, igualmente, que responda aos desafios impostos pela inovação tecnológica virada para os serviços financeiros, incluindo os que estão ligados à mitigação de riscos.

A iniciativa também tem o potencial de garantir a segurança de sistemas financeiros das instituições, protecção do consumidor e do mercado nacional.

“É nossa expectativa que, desta edição, surjam novos provedores no mercado e que juntos possamos contribuir para a promoção da inclusão financeira”, disse Rogério Zandamela, governador do Banco de Moçambique.

Para esta edição, o Banco Central conta com a participação de vários parceiros e destaque vai para o Financial Sector Deepening Moçambique, instituição virada no acompanhamento de iniciativas de inclusão financeira.

As novas tecnologias financeiras devem obedecer a três critérios, ou seja, devem ser capazes de apresentar identificação electrónica de clientes (e-KYC), agregador de pagamentos, serviço de intermediação financeira, previsão a tentativa de branqueamento de capitais (AML) e carteira digital.

No ano passado, a segunda edição do Sandbox Regulatório contou com a participação de sete Fintechs, entre as quais cinco nacionais e duas internacionais.

“A segunda edição ocorreu num ambiente adverso, decorrente da eclosão da pandemia da COVID-19 que, embora esteja relativamente controlada, ainda exige, a todos os níveis, acções de resposta à mitigação dos seus efeitos, facto que poderá ter ditado a desistência de dois concorrentes”, afirmou Rogério Zandamela.

Na segunda edição, duas novas tecnologias financeiras foram aprovadas, nomeadamente a PERTENCE e a SMART KEY SERVICE, de um total de cinco que chegaram ao fim. As restantes três continuam em teste.

Assim, as Fintechs aprovadas poderão obter licenças junto do Banco de Moçambique para disponibilizar os seus serviços e produtos ao mercado.

Amigos da Terra lança petição pública para que Governo britânico interrompa o investimento em megaprojecto da Total em Cabo Delgado. Activistas levantam contradição do Governo. O protesto tem forte adesão nas redes sociais.

Apesar de o primeiro-ministro Boris Johnson afirmar que está empenhado em travar a crise climática na cimeira das Nações Unidas (COP26), o Governo britânico mantém a intenção de investir cerca de 730 milhões de libras para apoiar o projecto de gás operado pela Total em Cabo Delgado.

O debate sobre a alegada contradição do Governo britânico está a ser levantado no Reino Unido pela ONG Amigos da Terra, uma organização ambiental que actua em diversos países desde os anos 1960.

“O Governo precisa fazer tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar a transição para as energias renováveis, e não para apoiar novos projectos de combustíveis fósseis. Ao fazê-lo, está a agir contra os seus compromissos ao abrigo do Acordo de Paris”, diz uma chamada para uma petição no site da organização.

De acordo com a DW, a petição teve forte adesão nas redes sociais nesta sexta-feira e foi impulsionada por outras organizações ambientais.

A UK Export Finance (UKEF) concordou em prestar apoio à companhia Moz LNG1 Financing, um veículo especial criado para o projeto operado pela Total.  Segundo informações publicadas pelo Governo britânico, a participação implicaria no desenvolvimento de instalações de produção de gás offshore ligadas a uma instalação de recepção de gás onshore e de liquefação de gás natural e infraestruturas na península de Afungi, em Cabo Delgado.

O projecto terá vários bens e serviços fornecidos por exportadores do Reino Unido, devendo colaborar na construção de instalações portuárias, tanques de armazenamento, alojamentos para trabalhadores, pistas de aterragem, instalações de produção de energia, instalações de eliminação de resíduos e tratamento de água.

A ONG contestará a decisão do Governo de financiar este projecto numa audiência marcada para Dezembro pela justiça britânica. “Não tem de chegar a este ponto. O primeiro-ministro ainda pode intervir e retirar de uma vez por todas o apoio a este novo megaprojecto em Moçambique”, ressalta a Amigos da Terra.

A Amigos da Terra convoca o público a assinar uma petição e pedir ao primeiro-ministro que mantenha o seu compromisso com uma ação climática. A pressão sobre o Governo britânico aumentou após as conversações da ONU sobre o clima. “Agora é o momento de exigir que leve a sério o seu compromisso”, diz a ONG no seu site.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, diz que no oceano reside uma imensidão de oportunidades, desde o comércio internacional por via marítima, recursos minerais, a aquacultura e o turismo, que, quando bem aproveitados, podem contribuir para o desenvolvimento do país e do mundo. Filipe Nyusi falava nesta quinta-feira, em Inhambane, por ocasião da Conferência Azul.

Coube à ministra do Mar, Águas Interiores e Pesca, Augusta Maíta, convidar o Presidente da Republica, Filipe Nyusi, para proceder ao lançamento do Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo (POEM) e a dirigir-se aos presentes e ao mundo por ocasião da Conferência “Crescendo Azul”, que decorre sob o lema “Investir no oceano é investir para o futuro do planeta”.

De acordo com o Presidente da República, a pesca e a aquacultura, com contributo directo para milhões de pessoas, constituem “uma fonte de maior segurança alimentar e dieta diversificada, além de emprego e melhoria da balança comercial de muitos países”.

O discurso do Chefe de Estado moçambicano foi marcado por uma descrição daquilo que são as potencialidades dos oceanos, tendo destacado, igualmente, o laser, que, segundo explicou, 95 por cento das visitas ao continente africano são contabilizadas por países costeiros e para alguns Estados e ilhas, que pelas ligações inter-sectoriais que o turismo representa um peso substancial no PIB, na criação de emprego, na inclusão de género e na preservação dos valores culturais, assim como no aumento das exportações.

Adicionalmente, Nyusi destacou a necessidade de instalação de recursos energéticos, visto que, em várias reservas de produção de petróleo e gás em países conteiros, como Argélia, Egipto, Líbia, Nigéria, Camarões, Congo, Gabão, Quénia, Costa do Marfim, Sudão, Angola, Tunísia, Quénia, Tanzânia e Moçambique, acresce o potencial nas energias renováveis, incluindo o vento e as ondas do mar.

Face às potencialidades destacadas, o governante não deixou de trazer à luz alguns problemas, que têm contribuído para a degradação dos oceanos e dos recursos que neles se encontram.

“Uma preocupação que nos chega dos vários cantos do globo é a utilização indevida dos recursos, o que originará a destruição de habitats. Observam-se actos de poluição, a perda de biodiversidade, a pesca excessiva, alterações climáticas e pressões sobre mares e oceanos, decorrentes do aumento da população nas zonas costeiras, o que pressiona a capacidade dos oceanos no seu papel vital para o bem-estar da humanidade”, disse Filipe Nyusi.

O estadista moçambicano foi mais a fundo ao afirmar que a protecção da humanidade não é apenas uma questão ambiental, mas também política e de interesse global, com o propósito de tirar pleno proveito das suas potencialidades económica, sociais e culturais, devendo esta acção pautar por forte compromisso político abrangente, integrado e de longo prazo.

 

NYUSI DESTACA NECESSIDADE DE COOPERAÇÃO BASEADA EM DISPOSITIVOS LEGAIS

De um universo de 50 países, segundo avançou Nyusi, 38 são países costeiros numa área total sob jurisdição conjunta de cerca de 13 milhões de quilómetros quadrados, daí a necessidade de a cooperação entre os países dever-se primar pela ratificação ou implantação de um quadro legal regional e internacional.

Dos vários instrumentos, destaque foi para a convenção de Abidjan, de 1981, para os países da costa do Atlântico, a convenção de Nairobi, de 1985, revista em 2010, o código de conduta de Djibuti, de 2009, revisto em 2017, assim como o código de conduta de Yaoundé, em 2013. Não terminou por aí, o Chefe de Estado fez ainda referência ao Acordo de Paris e a recente COP26, que teve lugar em Glasgow, Escócia.

Sobre a vida animal, Nyusi lembrou que Moçambique “é o lar de cerca de 5.500 espécies de flora, 4.271 de vida selvagem terrestre, das quais 72 por cento são insectos, 17 por cento aves, cinco por cento mamíferos e quatro por cento repteis”. E, para salvaguardar as áreas de conservação no país, iniciou ainda neste ano “uma avaliação de viabilidade de rede mais, que poderá proteger e conservar três milhões de hectares na área de conservação transfronteiriça do Grande Limpopo”.

De acordo com dados avançados pelo Presidente da República, a área proposta para o projecto engloba quatro províncias, entre as quais Gaza, Inhambane, Manica e Sofala, e a visão final do projecto é criar um dos maiores corredores da conservação na terra, ligando o Parque Nacional do Zimbabwe e os parques nacionais de Banhine, Limpopo e Zinave em Moçambique, através de um projecto rede mais, agrupado e faseado com esses corredores, permitindo ainda uma ligação ao Parque Nacional Kruger, na África do Sul ou através do Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique.

Falando sobre a Conferência Crescendo Azul, cuja primeira edição decorreu em 2019, o Chefe de Estado disse que é uma plataforma que permite o diálogo, através do qual “juntamos o movimento global por forma a contribuir para um futuro cada vez melhor no nosso planeta e promover a concertação, o alinhamento e a partilha do conhecimento necessário para a concretização dos compromissos assumidos face a agenda 2030 das Nações Unidas, em particular o objectivo número 14.

“Por isso, hoje, sob lema ‘investir no oceano é investir para o futuro do planeta’, pretendemos, a partir de Vilankulo, orientar as nossas abordagens para que a valorização da importância estratégia do mar seja concretizada, através de uma gestão sustentada das zonas marítimas.”

 

OCEANOS TÊM POTENCIAL ECONÓMICO PARA O DESENVOLVIMENTO DAS NAÇÕES, DIZ UHURU KENYATTA

Dentre vários convidados presentes na Conferência Azul, o destaque vai para o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, que defendeu o potencial económico que os oceanos representam para o desenvolvimento das nações.

“O oceano é uma fronteira de desenvolvimento inexplorado. O oceano tem uma base de activos estimados em mais de 24 triliões de dólares e é fonte de inesgotáveis alimentos para pelo menos 3 biliões de pessoas no mundo. E perto de 90% de mercadorias globais são transacionadas a partir dos nossos oceanos”, explicou Kenyatta.

No entanto, o Presidente Queniano apela para uma utilização inteligente e consequente para evitar a sua degradação ambiental. “As acções humanas põem os sistemas dos oceanos em permanente stress, nós despejamos mais de 8 milhões de toneladas de plásticos nos oceanos todos anos. Estamos a ameaçar a estabilidade das populações dos peixes, com a pesca ilegal, clandestina e desregulada. Estamos a retirar e a destruir o ecossistema marinho ao despejarmos lixo tóxico nos nossos oceanos.

 

VILANKULO, MAIS NOVA CIDADE DE MOÇAMBIQUE

A Conferência Crescendo Azul teve lugar em Vilankulo, província de Inhambane, vila que foi elevada à categoria de cidade em Fevereiro de 2020, tornando-se, assim, na mais nova cidade do país.

A “terra da boa gente” é conhecida, segundo o governador da província de Inhambane, Daniel Chapo, a quem recaiu a missão de dar as boas-vindas, como a província das melhores ilhas do oceano Índico ao nível do continente africano, através do Arquipélago de Bazaruto, eleitas em 2021, a cidade dos 100 melhores destinos turísticos eleitos pela revista americana “Time” também este ano.

Segundo avançou Daniel Chapo, é na cidade de Vilankulo onde se vai realizar o Campeonato Africano de Futebol de Praia em 2022.

Expositores apresentam inovações marítimas na Conferência “Crescendo Azul”

Com a pressão exercida no mar, o peixe começa a escassear e a solução está na piscicultura. Benny Nhambi é um expositor que trabalha na investigação e uma delas tem a ver com o melhoramento genético do peixe tilápia.

Do Centro de Pesquisa de Aquacultura de Chókwè, Nhambi disse que, neste momento, estão na fase de produção da 3ª geração da tilápia, que cresce até 350 gramas num intervalo de seis meses, mas pretende-se chegar até quatro meses.

Além disso, pretende-se estender a cultura de peixe em cativeiro, não só nos tanques escavados, mas também no mar aberto através da instalação de gaiolas.

Cerca de 12.5 milhões de toneladas de lixo plástico são depositadas, anualmente, nas águas moçambicanas, acção tida como um dos principais poluidores do mar e que impacta directamente nos recursos marinhos.

Com vista a reverter este cenário, o Governo está a elaborar um Plano Nacional de Combate ao Lixo Marinho, um documento considerado crucial para a identificação de maiores problemas e apontar para acções de rápido impacto, incluindo programas de reciclagem.

Enquanto o plano não chega, Shanila Saide, uma jovem de Vilankulo, decidiu fazer diferente. Ela recolhe o lixo na praia tal como garrafas plásticas e de vidro, para depois fazer objectos de adorno que são vendidos naquela cidadé.

 

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