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Um novo relatório da Commonwealth divulgado esta quarta-feira destaca a razão pela qual os países menos desenvolvidos da Commonwealth se estão a sair relativamente melhor no comércio global, que os não-Comunwealth.

De acordo com “um novo programa de acção para os países menos desenvolvidos da Commonwealth”, uma significativa e crescente “vantagem da organização” no comércio conduziu a um aumento das exportações, ajudando a construir, reforçar e sustentar as relações comerciais entre os países menos desenvolvidos e outros membros.

“O comércio pode proporcionar um vento de cauda pós-pandémico que apoia a recuperação, especialmente nos Países Menos Desenvolvidos e nos Pequenos Estados, que têm sido particularmente duramente atingidos. Permitir aos Países Menos Desenvolvidos o acesso ao comércio regional e global oferece verdadeiras oportunidades económicas e de desenvolvimento e pode ajudar a construir resiliência”, disse Patricia Scotland, secretária-geral da Commonwealth.

Segundo a fonte, “os Estados membros da Commonwealth beneficiam da ‘Commonwealth Advantage’, que reduz os custos comerciais ao mesmo tempo que estimula o investimento. Podem também recorrer ao apoio mútuo e aos benefícios oferecidos através de iniciativas como a Agenda de Conectividade da Commonwealth, a Carta Azul, a Agenda de Transição de Energia Sustentável e o nosso outro trabalho que ajuda a impulsionar a recuperação comercial de uma forma mais inclusiva, resiliente e sustentável. Este relatório é mais um passo em frente na aproximação dos Estados membros da Commonwealth, a fim de permitir que toda a nossa família de nações partilhe os benefícios do comércio global”.

Os quatro factores parecem ter impulsionado o crescimento das exportações nos países menos desenvolvidos da Commonwealth, são o rápido crescimento económico; impulso ao comércio dentro da comunidade; forte desempenho do Bangladesh nas exportações; e diversificação das exportações.

Crescimento económico mais rápido

Antes da pandemia COVID-19, o Produto Interno Bruto (PIB) dos países menos desenvolvidos da Commonwealth cresceu a uma taxa média anual de 5,5% entre 2011 e 2019, em comparação com uma taxa média de crescimento global de apenas 2,2% e 4,2% para todos os 47 membros combinados.

As taxas de crescimento do PIB mais elevadas nos países menos desenvolvidos da Commonwealth foram acompanhadas de maiores volumes de comércio. Colectivamente, as exportações globais de bens e serviços de todos os 47 membros aumentaram de USD 215 mil milhões em 2011 para pouco mais de USD 241 mil milhões em 2019, um aumento de cerca de 12%. O aumento correspondente para os países menos desenvolvidos da Commonwealth foi de 41%. As suas exportações cresceram de USD 57 mil milhões para cerca de 80 mil milhões a uma taxa média de 3,7% por ano, em comparação com apenas 0,6% para os 47 membros e 1,2% em todo o mundo.

Um grande impulso do comércio intra-Comunwealth

Os países menos desenvolvidos da Commonwealth dependeram fortemente do comércio intra-Comunwealth durante 2011-2019, que cresceu significativamente apesar dos 54 membros da Commonwealth não serem um bloco comercial. Em 2019, a Commonwealth absorveu um quarto (USD 19 mil milhões) do total das suas exportações de bens e serviços (USD 79 mil milhões). Durante os anos pré-pandémicos (2011-2019), a quota dos PMA da Commonwealth nas exportações de bens intra-Comunwealth subiu de 2,18% para 3,4%. No mesmo período, a quota dos países menos desenvolvidos no comércio mundial estagnou em 1%.

A significativa e crescente “vantagem da Commonwealth” no comércio estimulou este aumento das exportações. Os laços históricos, os sistemas jurídicos e administrativos familiares, a utilização generalizada do inglês e a presença de grandes e dinâmicas diásporas, os custos médios do comércio bilateral são cerca de 21% mais baixos, em média para os países da Commonwealth, em comparação com o custo do comércio com países não pertencentes à comunidade.

forte desempenho do Bangladesh nas exportações

O Bangladesh, o maior país menos desenvolvido da Commonwealth, contribuiu significativamente para o desempenho comercial global deste grupo. As exportações globais do Bangladesh aumentaram quase 65%, de USD 27 mil milhões em 2011 para mais de USD 45 mil milhões em 2019. No final de 2019, a quota do Bangladesh no comércio mundial era 1,5 vezes superior, enquanto se manteve em grande parte inalterada para os países africanos menos desenvolvidos e cresceu marginalmente (1,15 vezes mais) para os quatro países menos desenvolvidos da Commonwealth no Pacífico.

Exportações diversificadas

O crescimento das exportações dos países menos desenvolvidos da Commonwealth foi impulsionado tanto pelo sector das mercadorias como pelo dos serviços. Globalmente, as exportações de serviços dos países menos desenvolvidos da Commonwealth cresceram mais rapidamente do que as suas exportações de mercadorias, aumentando em USD 7,5 mil milhões – de USD 9 mil milhões em 2011 para cerca de USD 17 mil milhões em 2019.

Apesar da melhoria do desempenho das exportações de serviços durante o período pré-pandémico, os países menos desenvolvidos da Commonwealth ainda dependem fortemente do comércio de mercadorias, que representa 80% das suas exportações.

Infelizmente, a pandemia da COVID-19 inverteu muitos destes ganhos comerciais, tendo o sector dos serviços sido particularmente atingido. Em 2020, as exportações de serviços dos países menos desenvolvidos da Commonwealth contraíram-se em 27% e as exportações de mercadorias diminuíram em 10%. Enquanto o Ruanda e o Bangladesh mantiveram as suas quotas de exportações globais aos níveis de 2019, estas quotas diminuíram para cinco membros africanos: A Gâmbia, Lesoto, Malawi, Serra Leoa e Tanzânia. A Zâmbia foi o único PMA da Commonwealth cuja quota nas exportações globais aumentou ligeiramente em 2020, principalmente devido ao aumento da procura de cobre nos sectores dos transportes (veículos eléctricos), energias renováveis e indústria transformadora.

Todas as bebidas alcoólicas não seladas deixam de circular a partir de Maio deste ano. Esta é uma das várias medidas do Plano da Autoridade Tributária para 2022, que espera tornar possível o crescimento económico de 2,9% previsto no Orçamento do Estado.

Para 2022, a Autoridade Tributária (AT) entra com uma planificação, na qual uma parte está virada para mexidas no comércio. A partir de Maio deste ano, saem de circulação todas as bebidas alcoólicas não seladas.

Amélia Muendane, presidente da Autoridade Tributária, avisa que os mecanismos de controlo estarão garantidos com a “criação de pelo menos 10 cooperativas fiscais em cada província, até Dezembro de 2022”.

O processo de selagem de bebidas já devia ter dado mais um passo importante há três semanas, com a entrada em vigor da obrigatoriedade de selagem de cervejas, processo adiado por três semanas.

Além desta medida, foram anunciadas várias outras reformas no sistema tributário moçambicano, que consistem na “redefinição dos princípios gerais que regem o sistema tributário moçambicano, restruturando simultaneamente a Lei Geral Tributária”, avançou a presidente da Autoridade Tributária de Moçambique, que disse querer ver todas as normas em vigor próximo ano.

Há mais! Até Dezembro deste ano, objectiva-se reduzir a circulação de dinheiro nas operações ligadas à instituição, o que vai garantir a redução da corrupção.

“Pretendemos assegurar que pelo menos 80% dos sujeitos passivos executem as suas obrigações tributárias, usando as plataformas electrónicas, com recurso ao portal do contribuinte, em cada província, até Dezembro de 2022; garantir o início da implementação da plataforma para a tributação da economia digital, até Dezembro deste ano. A curto prazo, devemos tornar funcional o Centro de Gestão de Risco Institucional, no âmbito do controlo interno, até Março de 2022”, informou Amélia Muendane.

Desta forma, a instituição, que está na VIIIª Reunião Nacional de Planificação, visa ajudar o Estado atingir o crescimento económico que se espera este ano, 2,9%, e em 2023 de 3,7%. Nos dois anos, espera-se colectar 293.92 mil milhões e 317 mil milhões de Meticais, respectivamente.

Além de perspectivar os anos 2022 e 2023, o encontro da AT serve também para fazer o balanço de 2021, um ano em que a instituição destaca algumas realizações, “a exemplo no âmbito das medidas de combate ao contrabando; iniciamos a selagem de carga em trânsito, que se junta aos processos de selagem já em vigor; unificação da carreira tributária e aduaneira, assegurando maior flexibilidade na gestão de recursos humanos; criação da associação dos funcionários da Autoridade Tributária, com o objectivo de garantir melhor qualidade na assistência social e de saúde; aprovação da estratégia de tributação da economia digital; aquisição de 101 viaturas para a fiscalização aduaneira e tributária e 15 viaturas alegóricas, que funcionam como postos móveis; e, no âmbito da gestão interna, iniciamos a modernização dos processos administrativos, com a introdução de uma plataforma electrónica para a gestão de expediente e arquivos”.

A VIIIª Reunião Nacional de Planificação da Autoridade Tributária de Moçambique, evento anual, tem como objectivo juntar os gestores estratégicos e operacionais de nível central e provincial, num processo participativo de aglutinação de ideias, com o intuito de estabelecer prioridades que conduzirão a agenda institucional na arrecadação de receitas e na implementação de procedimentos operativos em cada exercício económico. O encontro termina esta quinta-feira.

Segundo um artigo da autoria do pesquisador moçambicano, Michael Sambo, publicado no livro do IESE, intitulado “Desafios para Moçambique 2021”, a narrativa global do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), sobre a crise económica de 2020, é que resulta exclusivamente da pandemia da COVID-19.

Porém, o pesquisador revela que a economia moçambicana já estava em progressivo abrandamento rumo à recessão, pelo que a pandemia apenas a impulsionou.

“Ou seja, a economia nacional já experimentava uma crise em franca formação, e a COVID-19 apenas a precipitou, não sendo, portanto, a causa primária da crise”, lê-se na pesquisa.

Com recurso à análise da situação económica de Moçambique, no contexto da pandemia e das dinâmicas económicas do país, em relação ao resto do Mundo desde antes da pandemia e após a sua eclosão, o IESE conclui que, primeiro, o Estado moçambicano estava desprovido de meios financeiros e materiais, no momento da entrada da pandemia; segundo, que se encontrava também altamente endividado no sistema financeiro internacional, portanto, com pouca possibilidade de recorrer ao mesmo para obtenção de crédito; terceiro, que as relações com os seus principais parceiros bilaterais estavam fragilizadas na sequência das dívidas ocultas.

“Portanto, embora precisasse de apoio financeiro para poder lidar tanto com a pandemia como com a crise que já enfrentava, o país não dispunha de muitas opções. Não obstante a isso, adoptou medidas de higiene e segurança, bem como a decretação do Estado de Emergência relativamente cedo, acompanhado de imposições de normas e de restrições, com vista à prevenção de uma possível crise humanitária”, refere a pesquisa.

Com o surgimento de iniciativas internacionais de “ajuda’ aos países mais carenciados, por iniciativa dos parceiros multilaterais, no âmbito da COVID-19, o IESE diz que Moçambique se beneficiou de empréstimos tanto do FMI como do Banco Mundial, aliviando parcialmente a sua necessidade de divisas.

Quanto às dinâmicas das relações económicas de Moçambique com o resto do Mundo, o IESE conclui que há elementos suficientes que sustentam o argumento segundo o qual a COVID-19 não é a causadora da crise económica em Moçambique, portanto, mesmo que a vacina combata efectivamente o Coronavírus, não é capaz de combater a crise económica no país.

“Primeiro, partindo da análise da tendência do Investimento Directo Estrangeiro (IDE), que por sua vez influencia as exportações e consequentemente a tendência do Produto Interno Bruto (PIB), constata-se que este tem vindo a declinar entre 2013 e 2017, tendo estagnado entre 2017 e 2020”, defende a instituição.

Segundo o IESE, as taxas de crescimento do PIB têm vindo a derrocar desde 2015, situação que se manteve até 2020, ano em que alcançou uma taxa de crescimento negativa, e em que se manifestou a COVID-19.

Portanto, a queda do PIB, em 2020, em Moçambique, resulta de um contínuo abrandamento da economia. Por fim, o IESE afirma que as importações responderam mais claramente aos impactos da pandemia, porém, em conjunto com as exportações, revela-nos um saldo da Balança Comercial deficitário e continuamente crescente desde 2017, facto que exerce contínuas pressões para a desvalorização do Metical.

Companhias petrolíferas de três continentes, nomeadamente, Europa, América e Ásia estão interessadas em saber se há ou não petróleo e gás natural em novas áreas abertas no âmbito do sexto concurso de pesquisa e prospecção de gás natural lançado em Novembro do ano passado, fez saber hoje em Doha, Qatar, o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleos (INP).

Falando à margem do Fórum de Países Produtores e Exportadores de Gás, Carlos Zacarias, revelou que a resposta das companhias tem sido “boa”, tendo em conta a situação real do mercado do petróleo e gás. “Estamos a ter interacção com várias companhias, algumas que estão na Europa, na América, na Ásia. Esperamos que no final tenhamos uma boa reacção em termos de recepção de propostas relativas a esse concurso”, avançou Carlos Zacarias.

Neste momento, segundo o chefe da instituição reguladora do sector de hidrocarbonetos, as companhias estão numa fase de levantamento de informações sobre as áreas.

No que toca à prospecção de gás na província de Sofala, na bacia de Búzi, Carlos Zacarias explicou que depois da abertura de dois furos que confirmam a existência de gás naquele ponto do país, decorre a avaliação e verificação de quantidades reais existentes de modo a serem desenhados os projectos correspondentes.

Já havia aderido à organização mundial, mas só a partir de hoje, Moçambique passou, em termos práticos, a ser membro do Fórum dos Países Exportadores de Gás. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira, em Doha, no Qatar, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, durante o Fórum dos Países Produtores e Exportadores de Gás.

Na ocasião, Filipe Nyusi considerou que o gás natural é a melhor alternativa para a transição energética no contexto das mudanças climáticas, que exige aos países o uso de energias cada vez mais limpas, ou seja, menos poluentes.

Nyusi diz ainda que Moçambique tem condições para ser um actor importante na produção e exportação de gás natural para o mundo.

“De pequeno exportador para a região Austral de África, passaremos a fazer parte da família dos exportadores mundiais de gás natural”, lembrou Nyusi.

Para o Presidente da República, a entrada em funcionamento da plataforma de produção de gás natural liquefeito prevista para este ano, na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, um projecto desenvolvido pelo consórcio liderado pela companhia italiana Eni, marcará uma nova era para o crescimento da economia nacional.

“Trata-se de um projecto estruturante, capaz de gerar um grande impacto nas receitas do Estado, no incremento das exportações, no conteúdo local e na criação de emprego”, referiu Nyusi discursando no fórum.

O evento conta com a participação de vários chefes de Estado e de Governo de países exportadores de gás, com os quais, Nyusi quer estabelecer uma interacção que promova o desenvolvimento das Nações.

O subsector pecuário cresceu em 9%, na campanha 2020/2021, de acordo com o balanço apresentado, hoje , pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER). Segundo o documento, este é o maior crescimento dos últimos 10 anos. No mesmo período, a produção de frangos passou de 120 mil para 135 mil toneladas por média anual. 

Numa cerimónia que reuniu vários actores do subsector da pecuária, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural aponta para um crescimento global em várias frentes.

“O crescimento histórico de 9% é o maior, contra a média dos últimos 10 anos de 4.4%, e depois 7%, nos últimos dois anos; o aumento da produção da carne bovina em 13%, com cerca de 159 mil toneladas de carne, igualmente o aumento da produção de carne de frango, que chegou a 135 mil toneladas, um crescimento de cerca de 12%. O crescimento, apesar de ainda tímido, de 18% na produção de ovos (25 milhões de dúzias)”, disse Correia.

Segundo o dirigente, este crescimento, sobretudo do frango, é histórico e coloca o país numa situação de auto-suficiência, tendo, no ano passado, sido consumido exactamente 98% de toda a produção nacional.

Contribuíram para este salto vários factores, entre os quais “aumento do número de avicultores, expansão dos aviários, combate ao contrabando de frango e o aumento da produção e disponibilidade de milho e soja”, lê-se no relatório.

“Provavelmente sejam poucos que têm domínio dos indicadores do sector pecuário, mas tem por trás cerca de 500 mil famílias. É um sector que hoje vale, em termos de activos, pouco mais de um bilião e acredito que contribua em cerca de 10% para o Produto Interno Bruto”, referiu Celso Correia.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural disse ainda que o país reduziu para zero a incidência de doenças em animais, através do aumento da cobertura vacinal, cuja parte da produção é interna.

“Em 2021, foi possível, depois de mais de 10 anos, alcançar a cobertura vacinal de mais de 80% do afectivo animal e alcançar a imunidade de grupo contra as principais doenças; redução de ocorrência de doenças para menos de metade, com destaque para registo de zero focos de febre aftosa, depois de quatro anos de ocorrência permanente e crescimento da produção de vacinas de cerca de 22 milhões para 43 milhões de vacinas, a maior marca a nível nacional”, revelou o ministro.

Segundo o relatório do Balanço da época passada, além da vacinação, em cerca de 98%, imperou para a eliminação desta estirpe o incremento do rigor na implementação de medidas de prevenção, tais como “o registo obrigatório e monitoria de transporte e transportadores de animais e de marchantes (comerciantes de gado), licenciamento e emissão de credenciais provinciais (documento que autoriza o movimento de animais) e a testagem prévia de animais para a mobilidade interdistrital”.

Até ao momento, Moçambique produz, através do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) três vacinas específicas, nomeadamente, Carbúnculo Hemático, para bovinos de quatro meses de idade, Carbúnculo Sintomático, para bovinos com idade menor de quatro meses e maior de três anos e doença de Newcastle, para galinhas Landim de todas as idades.

Quanto aos outros tipos de vacina, segundo técnicos do IIAM, o país continuará a importar, até que haja condições humanas e infra-estruturais para a produção interna.

O desafio que o MADER definiu, para 2021, no domínio da sanidade animal eram assegurar a cobertura mínima vacinal de 80% do efectivo animal (Carbúnculo Hemático, Carbúnculo Sintomático, dermatose Nodular, Febre Aftosa, New Castle e Raiva), aumentar o número de banhos de 10 para 14 por ano e aumentar a produção de vacinas a nível nacional de 22. 835, 000 para 41. 235, 000.

Os resultados indicam que, “em 2021, se registou um crescimento na cobertura vacinal, ao passar de 62% em 2020 para 86,75%, com destaque para Carbúnculo Hemático e Carbúnculo Sintomático que atingiram uma cobertura de 81% e 85%”.

O 1º Fórum Nacional de Pecuária é o culminar de um processo de auscultação, debates e partilha de ideias e o início de uma ferramenta de debates que visam, entre vários aspectos, buscar estratégias para alavancar o subsector.

Segundo a presidente da Autoridade Tributária de Moçambique (AT), Amélia Muendane, a fronteira de Melosa, localizada no distrito de Milange, constituiu um dos pontos críticos na prática do contrabando de produtos agrícolas, sendo os cereais, oleaginosas, combustível, tabaco não processado, os mais contrabandeados nas exportações, enquanto nas importações os produtos vulneráveis integram sabões, peças de bicicletas, ovos frescos, combustível, óleo alimentar, farinha de trigo, peixe seco, cereais, refrigerantes, vestuário, artigos de plásticos, frangos, candeeiros, tabaco manufacturado.

Mas não é só a partir da fronteira de Melosa onde ocorre o contrabando, segundo revelou Muendane.

“Em Mbirima, Mambucha, Chitambo, Arrozal, Mbessa e Chire, os produtos do contrabando são transportados em bicicletas, por pequenos grupos de transportadores que variam de três a cinco pessoas, numa média de três a quatro sacos de cereais, por viagem, por transportador, e escoados após o fecho das fronteiras, por caminhos clandestinos”, disse a fonte, acrescentando que, em alguns casos, essas mercadorias são armazenadas nas comunidades estabelecidas na zona tampão, fora do controlo dos gestores da fronteira e escoadas livremente durante a noite.

Os contrabandistas também exploram as potencialidades lacustres para as práticas criminais, estimando-se que, por dia, atravessem em média três canoas transportando produtos diversos.

“Os contrabandistas, que controlam o comércio agrícola entre Malawi e Moçambique, promovem feiras de troca de produtos, mas também podem ser responsáveis pela introdução da moeda malawiana Kwacha, nas operações comerciais internas, pois há registo de circulação daquela no mercado nacional, como alternativa ao metical”, detalhou Muendane.

Perante estes desafios, a presidente da AT instou os patenteados a incrementarem maior rigor na verificação documental das declarações, bem como priorizar os exames físicos de mercadorias de maior risco.

Os empresários moçambicanos não usam a Bolsa de Valores de Moçambique para se financiarem, porque não têm informações sobre o seu funcionamento, quanto menos das vantagens do seu uso. Esta é a justificação que o sector privado deu hoje, no programa O País Económico, da STV.

A Bolsa de Valores de Moçambique existe há mais de 20 anos, mesmo assim, há ainda poucas empresas cotadas. Para já, são 11, mas já foram 13. Sucede que duas delas foram excluídas por terem perdido as condições necessárias para se manter na Bolsa. Detectada e até assumida a fraca adesão, urge compreender o motivo disso.

O Presidente da Associação de Comércio, Indústria e Serviços (ACIS), Luís Magaço, disse que o problema tem várias raízes. Entretanto, Magaço afirmou que, entre as principais razões, está o facto de não haver conhecimento suficiente da bolsa referente à capitalização e o financiamento às empresas, sobretudo, de pequena e média dimensão.

Para Magaço, os empresários de Moçambique têm défice de conhecimento e têm insuficiência de fontes de consultas para obter informações seguras sobre as vantagens de se financiarem através do mercado de capitais. E, o facto de a bolsa estar em Maputo, representa uma barreira na cabeça das pessoas, tendo em conta a dimensão de todo o país.

“Quem faz operações em bolsa está à procura de empresas que o podem informar sobre o valor do seu capital próprio e que corresponde ao valor da acção ou da conta. Em algumas situações, a BVM impõe as condições e o tipo de sujeitos que podem comprar as participações, mas, em geral, o público e as empresas não querem expor a sua vida interna a um mundo que desconhecem”, defendeu Magaço.

O financiamento a grandes empresas também esteve na mesa de debate, e o gestor da ACIS disse que “as grandes empresas públicas, cuja atractividade é muito fraca, não chamam a atenção dos investidores e muitas delas têm capitais próprios negativos. As contas destas empresas têm pouca fiabilidade”.

O dirigente da ACIS reconheceu, porém, que a capitalização bolsista é mais segura em relação aos bancos e traz as suas vantagens, porque não constitui dívida. Se algo correr mal, todos perdem de acordo com o investimento de cada um, na compra de acções disponíveis.

Para o representante da Confederação das Associações Económica de Moçambique, Miguel Joia, as empresas não optam pela Bolsa de Valores pelo medo da transformação na sua estrutura accionista. Sucede que, para que sejam admitidas em Bolsa, as firmas devem tornar-se em Sociedades Anónimas para partilharem as suas acções e, até aqui, ainda não abertura para isso.

Miguel Joia frisou que há mais trabalho por fazer do lado dos empresários e do sector financeiro empresarial do que da BVM, porque existem requisitos para garantir a segurança no mercado visado.

O representante da CTA acrescentou ainda que a maioria do crédito existente na economia é feito pelos bancos comerciais, onde o fornecedor concede ao cliente, na sua cadeia de valor, uma quantia para que execute um determinado serviço e passados 30 ou mais dias efectua o pagamento.

“Os bancos têm, cada vez mais, atendido à necessidade de fazer um financiamento à cadeia de suplementos das grandes empresas. Estamos a falar de centenas de milhões de dólares que estas grandes companhias compram às pequenas e médias empresas, porque as mesmas não podem fazer contração de serviços no estrangeiro. Prefiro não dar um foco à Bolsa, sabendo que existem agentes económicos que operam em Moçambique há dezenas de anos”, explicou Joia.

A VISÃO DA BOLSA

Por sua vez, o director das operações da Bolsa de Valores de Moçambique, Amorin Pery, informou que a participação na bolsa exige capital e o país tem um nível de poupança muito baixo assim como o agente económico-família.

Na mesma senda, Pery acrescentou que a Bolsa fez um diagnóstico, durante dois anos, ao mercado nacional para identificar empresas minimamente organizadas para a Bolsa e 41% delas afirmou que não tinha necessidade de ir ao mercado aberto, porque, a nível da banca, tem a capacidade de negociar

Segundo o Relatório Anual do Comité de Estatísticas da Balança de Pagamentos do Fundo Monetário Internacional, a pandemia da COVID-19 afectou consideravelmente as transacções transfronteiriças em 2020. Com a actividade económica global perturbada, os fluxos mundiais de comércio de mercadorias diminuíram cerca de 8%, numa base anual.

O documento avança ainda que o efeito no comércio de serviços foi ainda mais pronunciado, uma vez que as exportações de serviços caíram 18%, impulsionadas principalmente por um mergulho sem precedentes no sector do turismo, onde as exportações de serviços de viagens caíram mais de 63%.

Contrariamente ao comércio, os influxos globais de transferências pessoais, sobretudo remessas, para economias emergentes e em desenvolvimento pouco mudaram em 2020.

“As posições de activos e passivos financeiros transfronteiriços, no entanto aumentaram quase 12% em 2020. Globalmente, as posições líquidas negativas atingiram um máximo histórico de 3,0% do PIB global, reflectindo em parte o impacto da pandemia, que não só teve um impacto negativo no PIB global, como também reduziu a qualidade dos dados de origem”, diz o FMI.

Refira-se que, em Março de 2020, o FMI lançou a actualização do Manual da Balança de Pagamentos e da Posição de Investimento Internacional, depois o Painel de Indicadores das Alterações Climáticas (CID); e, em Outubro de 2020, divulgou as Entidades de Finalidade Especial (SPEs). Já em Maio do ano passado (2021), o FMI lançou a sua nova iniciativa internacional de recolha e divulgação de dados estatísticos anuais transfronteiriços sobre SPE. O primeiro conjunto de fluxos e posições transfronteiriças seleccionadas para as SPE residentes para o ano de referência 2020 será ainda no primeiro trimestre de 2022.

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