O País – A verdade como notícia

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural garante que já foi retomada a emissão de certificados fitossanitários para a exportação do feijão bóer. Há cerca de três meses que o documento não era emitido por conta da sua falsificação.

Nos últimos tempos, levantaram-se problemas na exportação do feijão bóer para a Índia, facto que tem colocado o sector privado e o Governo em rota de colisão.

Um dos problemas registados é a falta de emissão de certificados fitossanitários, uma situação que já foi resolvida, segundo o ministro da Agricultura.
“Todos os certificados são emitidos no Ministério da Agricultura. Não existe nenhum bloqueio a nível dos certificados. O que não podemos, e corríamos esse risco, é que as empresas continuem com a emissão de certificados falsos, porque corríamos o risco de sermos banidos não só por causa de algumas culturas ou algumas empresas a nível internacional, mas este é um tema que ficou sanado já há tempo.

Celso Correia esclarece que não há bloqueio de exportação do feijão bóer para a Índia, até porque, segundo explica, foi levantado o limite das 200 mil toneladas.

“Aqueles que fazem o comércio possam exportar a sua produção, colocar a sua produção no mercado. É para isso que estamos a trabalhar, para que a gente possa ter mercados. Qualquer barreira que possa surgir deve ser desbloqueada para que a produção seja colocada no mercado. Depois temos os produtores. Estamos a acompanhar as disputas do mercado. Sabíamos que existiam limitações de cotas no mercado até ao início do ano, agora as cotas estão abertas. Então, não vemos razões para que isto esteja a acontecer, mas, naturalmente, vamos continuar a acompanhar o processo de forma a que os produtos possam chegar aos camponeses e a renda possa chegar aos camponeses.”

O governante diz ainda que a disputa por cotas na exportação do feijão bóer está a ser tratada pelo Ministério da Indústria e Comércio e pelo Instituto de Cereais.

O Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, em Chongoene, ainda não começou a render satisfatoriamente na arrecadação de receitas aeroportuárias, segundo avançou o Presidente do Conselho de Administração dos Aeroportos de Moçambique. Américo Muchanga explica que a infra-estrutura ainda está em crescimento.

O Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi não está a ter voos daquele ponto para a Cidade de Maputo e vice-versa. Só os terá a partir de Dezembro.
Questionado sobre a rentabilidade da infra-estrutura recentemente inaugurada, o Presidente do Conselho de Administração da empresa Aeroportos de Moçambique disse que é preciso tempo para o crescimento do aeroporto.

“O Aeroporto de Chongoene está num estado de infância. Qualquer infra-estrutura do aeroporto que se coloca num grande sítio tem algum tempo para crescer, mas, sobretudo, é preciso criar condições para que toda a população que vive em Gaza e que vive nos arredores do Aeroporto de Chongoene possa usá-lo como o seu local a partir do qual apanha o avião para as suas viagens”.

O aeroporto foi inaugurado em 2021, depois de a sua construção se ter iniciado em 2018.

Américo Muchanga disse ainda que está em discussão a possibilidade de os mineiros moçambicanos que estão a trabalhar na África do Sul regressarem de avião às suas casas usando o Aeroporto de Chongoene.

O PCA da Aeroportos fala também da dinâmica que a empresa Linhas Aéreas de Moçambique está a imprimir nos últimos meses, permitindo que mais moçambicanos usem o transporte aéreo, facto que está a ter impactos positivos.

“No caso nacional, a LAM, sendo um operador que vai para todos os aeroportos de Moçambique, o seu crescimento tem claramente um impacto. Mas sobretudo porque o seu crescimento significa que há cada vez mais moçambicanos que usam o meio aéreo como meio de transporte, então o esforço que a LAM está a fazer, de tornar o serviço de aviação civil mais acessível para o cidadão, é tremendo; é um esforço de que todos nós nos devemos orgulhar.”

Uma fonte da LAM assegurou ao “O País” que os voos de e para Xai-Xai só serão retomados em Dezembro.

A Federação Moçambicana de Futebol fixou em um milhão de meticais o prémio de qualificação ao campeonato do mundo de 2026 que terá lugar nos Estados Unidos da América, México e Canadá.

A decisão foi tomada na reunião da direcção executiva da colectividade que gere o futebol no país, na semana finda e é, de acordo com o comunicado da Casa de Futebol, “no seguimento dos trabalhos e esforços correntes, tendo em conta o seu compromisso com a verdade e com a transparência”.

A tabela de premiações aprovada pelo executivo de Feizal Disse inclui ainda o prémio por vitória e por empate durante os jogos de qualificação ao Mundial-2026, bem como os valores destinados aos jogadores durante os estágios.

Assim, em caso de vitória os jogadores dos Mambas vão receber um prémio de 80 mil meticais e pelo empate o valor de 40 mil meticais. Os Mambas vão realizar dez jogos durante a fase de qualificação ao Mundial que arranca já a 16 deste mês de Novembro, em Gaborone, diante do Botswana.

Relativamente aos valores nos estágios, a Federação Moçambicana de Futebol dividiu em duas fases, com o período de concentração no país, que vale 1500 meticais por dia, e fora do país, fixado em 600 dólares norte-americanos, equivalentes a cerca de 40 mil meticais, pelo tempo que durar um certo estágio.

De acordo com o comunicado da Federação Moçambicana de Futebol, o documento que estabelece a premiação foi “meticulosamente elaborado pela Direcção Executiva da FMF com o claro e inequívoco objectivo de expor com clareza as condições oferecidas às delegações, garantir transparência para a família do Futebol, evitar um mau ambiente no seio dos Mambas e permitir o foco no trabalho, desempenho e resultados”.

A FMF diz-se comprometida em garantir a justiça e a equidade, razão pela qual tornou prioritária a tarefa de esclarecer, de forma minuciosa, as condições oferecidas às delegações (equipa técnica, jogadores e staff) que representam Moçambique na missão qualificação ao Mundial 2026. “A transparência é essencial para garantir que todos os envolvidos compreendam as regras e critérios que regem as premiações” lê-se no comunicado da FMF.

Para a FMF esta medida vai, “não apenas fortalecer a confiança, mas também demonstrar o compromisso inabalável em promover a integridade e a justiça no futebol”, bem como criar condições para que a selecção nacional, os Mambas, “se concentre no seu desempenho e resultados nas competições”. 

A clareza e a justiça na distribuição das premiações, segundo a FMF, ajudarão a manter um ambiente de trabalho saudável e harmonioso, crucial para o sucesso da selecção.

Em contrapartida, o executivo de Feizal Sidat espera obter resultados positivos através do “incentivo ao desempenho de alto nível, a promoção de relações positivas no futebol, e maior visibilidade internacional”.

Acredita, a FMF, que a clareza e a justiça nas premiações servirão como incentivo para que os jogadores e técnicos alcancem níveis mais elevados de desempenho, motivação e dedicação, bem como “fortalecer as relações entre todas as partes interessadas no futebol moçambicano, criando um ambiente de cooperação e respeito mútuo e, através da profissionalização e transparência no nosso futebol, buscarmos elevar a posição de Moçambique no cenário internacional, aumentando o nosso respeito e influência no mundo do futebol”.

Para a direcção executiva da FMF a tabela de premiação é um passo importante na direcção certa e no alcance do sucesso desejado.

 

Segundo informação divulgada esta quinta-feira, na capital do país, por uma missão do Fundo Monetário Internacional, Moçambique apresenta uma das mais elevadas taxas de juro da África Subsariana, perdendo apenas para a República Democrática do Congo, cujos níveis da taxa de juro real no mercado vão para além dos 25%.

Nas perspectivas económicas regionais 2023, o FMI observa que os mercados financeiros da região, com situação crítica,  podem tornar-se inesperadamente mais restritivos nos próximos tempos, limitando, assim, a capacidade de as economias da África Subsariana contraírem empréstimos nos mercados internacionais.

Para o parceiro multilateral, tal continua a representar uma preocupação, uma vez que as expectativas de mercado quanto às taxas de juro directoras nas economias avançadas ainda diferem das intenções anunciadas, “aumentando a perspectiva de uma reavaliação súbita dos riscos”.

Segundo o FMI, a persistência de pressões sobre os preços ou preços dos produtos energéticos significativamente mais elevados a nível mundial podem também exigir uma política monetária mais restritiva do que o esperado nas economias avançadas, resultando em taxas de financiamento internacionais mais elevadas.

MOÇAMBIQUE EM RISCO DE SOBRE-ENDIVIDAMENTO

Moçambique é apontado como um dos países que maior risco apresenta de sobre-endividamento. O relatório aponta que os níveis da dívida estabilizaram em toda a região, mas permanecem muito elevados em muitos casos.

O FMI sinaliza que mais de metade dos países de baixo rendimento da região estão em risco elevado de sobre-endividamento ou já se encontram nesta situação.

Além disso, aponta que “como a tendência aponta para uma transição para o financiamento de mercado, que é mais oneroso do que os empréstimos de credores oficiais, as obrigações do serviço da dívida aumentaram exponencialmente”.

No caso dos países que não se encontram em situação de sobre-endividamento, a rentabilidade média das Eurobonds pendentes é superior a 12%, em comparação com 7% antes da pandemia. Embora as taxas de juro mundiais devam acabar por diminuir em linha com a descida da inflação, não se espera que as taxas mundiais a mais longo prazo regressem, nos próximos tempos, aos níveis registados antes da crise.

Entretanto, o FMI entende que houve uma consolidação fiscal “impressionante” neste 2023.

O Representante Residente, Alexis Meyer Cirkel, referiu que a Tabela Salarial Única gerou uma grande pressão de tesouraria, até porque “se olharmos para os números, a despesa saiu de 13,5% para cima de 17% do PIB, mas o que se pode ver agora, em 2023, é que os gastos com salários estão mais controlados e a situação fiscal melhorou muito”.

Cirkel diz haver, actualmente, a previsão de um aumento muito pequeno que conduza o país de volta para o patamar que estava em 2021, o que é, no seu entender, um notável resultado do esforço fiscal feito pelo Governo.

“Agora voltamos a uma contracção fiscal muito grande e um conservadorismo muito grande que permite olhar e ver a mesma situação de anos atrás. Houve controlo de gastos, saímos de gastos excessivos para uma situação mais sustentável fiscal”, explicou.

O responsável avança que o orçamento do Estado, enviado para o Parlamento para apreciação, é sustentável. Entretanto, alerta que  é preciso manter as reformas políticas e pensar sobre a conjuntura que se mostra mais benéfica.

Recorde-se que uma equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI), liderada por Pablo Murphy, conduziu discussões com as autoridades moçambicanas de 18 a 31 de outubro de 2023, sobre a terceira avaliação ao abrigo do mecanismo de Facilidade de Crédito Alargado (ECF, na sigla em inglês).

No fim do trabalho, a missão emitiu um comunicado de imprensa sobre os desenvolvimentos da economia de Moçambique, tendo sugerido flexibilização da política monetária para baixar “juros elevados”.

“A descida da inflação, combinada com taxas de juro nominais praticamente inalteradas, significa que tanto as taxas de juro de política como as de mercado subiram para níveis elevados em termos reais, gerando condições financeiras muito restritivas. Com as expectativas de inflação bem ancoradas, a continuação da consolidação orçamental e o fraco crescimento não extractivo poderiam ser considerados uma flexibilização gradual da política monetária”, esclareceu.

A delegação do FMI também elogiou o controlo da inflação, que está com uma tendência de redução, nos últimos tempos, apontando que, depois de atingir um pico de 12,1 por cento (em termos anuais), em Agosto de 2022, a inflação global diminuiu rapidamente para 3,9 por cento (em termos anuais) em Setembro de 2023, reflectindo preços mais baixos de alimentos e combustíveis.

Os estudantes do ensino profissional e técnicos da Associação dos Transportadores de Sofala vão beneficiar de formações com objectivo de aprimorarem os seus conhecimentos, melhorar as condições mecânicas das viaturas, contribuindo assim para mitigar os acidentes de viação e prosperar o ambiente de negócios.

Os estudantes das escolas técnicas da Cidade da Beira e os técnicos da ASTROS, que é a Associação dos Transportadores de Sofala, irão aprimorar os seus conhecimentos na empresa de investimentos chinês, denominada Mozam Auto, que opera no país há mais de 10 anos, onde especialistas da China, na base dos equipamentos de ponta aqui existentes, irão transmitir os seus conhecimentos. “Comprometemo-nos a formar cada vez mais mecânicos profissionais moçambicanos, principalmente ligados à mecânica geral e indústria de transporte, que irão beneficiar de meios de trabalho. O objectivo é poupar custos dos clientes nas oficinas, contribuindo para novos empregos. O nosso foco serão as escolas técnicas e a associação dos transportes de Sofala”.

Para a concretização da iniciativa, já foram assinados memorandos de entendimento entre a Mozam auto e os beneficiários. Para a Yang África, umas das escolas técnicas da cidade da Beira a iniciativa garante emprego dos seus formandos.

Os estudantes da mecânica-geral farão o seu estágio na empresa e os mesmos serão empregues na ASTROS mediante a necessidade dos associados.

No âmbito do mesmo memorando de entendimento, todos os transportadores da província de Sofala, desde que sejam membros da Astros, irão beneficiar de deduções durante a aquisição de bens na empresa.

 

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) apelou, hoje, a intervenção do Presidente da República para desbloquear os entraves para a exportação do bóer, relacionado com a emissão do certificado fitossanitário.

Há meses que os empresários queixam-se de barreiras para exportar o feijão bóer para Índia e, desta vez, Agostinho Vuma alerta que as exportações de produtos agrícolas podem reduzir em 20% este ano.

Vuma, que falava na abertura do Economic Briefing da CTA, avança que o feijão bóer tem ainda o problema de quotas de exportação para os empresários, o que pode fazer com que armazéns fiquem com produto ade interno, acumulando, por isso, prejuízos.

A CTA entende que o bloqueia da exportação do feijão bóer prejudica a economia dada a sua ligação com os agricultores familiares e intermediários de compra e venda do produto.
Neste capítulo, o alerta é de que este bloqueio pode prejudicar a exportação da casatanha de caju, na medida em que os armazéns que conservam estes produtos antes da exportação são os mesmos. “Apelamos que este problema seja resolvido”, avançou Vuma.

Por outro lado, a CTA queixa-se da introdução da taxa do Certificado de Avaliação de Conformidade dos produtos importados, através da Interrek, que está a criar custos adicionais para os empresários com impactos na economia.

“A taxa do Certificado de Avaliação de Conformidade é em muitos momentos uma espécie de pauta aduaneira paralela. Pedimos para que o Governo veja com atenção esta questão”, disse Vuma.

Quanto ao Índice de Robustez Empresarial, a CTA conclui que houve uma subida de um ponto percentual (pp) de 28% para 29%, como reflexo dos constrangimentos que a economia e as empresas estão enfrentar em consequência da conjuntura internacional e interna adversa.

O executivo diz que para suprir o défice no Orçamento de 2022 teve de recorrer a empréstimos internos. O sector das finanças diz que foi feito um esforço adicional para travar o crescimento da dívida pública.

O Ministério da Economia e Finanças foi chamado ao Parlamento, esta segunda-feira, para ser ouvido sobre a execução da Conta Geral do Estado do ano de 2022.

O titular da pasta das finanças, Max Tonela, esteve acompanhado pela sua vice, Carla Louveira, e outros quadros do Ministério. Foi nesta ocasião que o Ministério da Economia e Finanças falou dos esforços para travar o crescimento da dívida pública, mesmo em situações de défice orçamental, estimado em mais de 14 mil milhões de Meticais, no período em alusão.

“Para o financiamento desse défice, o Governo está a receber, anualmente, empréstimos internos, sobretudo na forma de obrigações do tesouro, como parte da sua estratégia, fixados dentro do limite previsto pela lei orçamental”, disse a vice-ministra da Economia e Finanças, Carla Louveira.

Outra saída vista pelo executivo é consolidar reformas para reduzir pressões fiscais da dívida a curto e médio prazo. “Temos também a destacar que, para viabilizar esta medida estão, a ser consideradas reformas que visam criar canais eficientes de participação no mercado de credores não bancários, com destaque para demais intervenientes participantes do mercado, também introduzindo, assim, o segmento dos investidores institucionais”, acrescentou a dirigente.

Face a estas medidas, a Assembleia da República, representada pelo presidente da Comissão de Plano e Orçamento, António Niquice, considerou haver melhorias na gestão das contas públicas.

“Sobre a Conta Geral do Estado, temos estado a constatar significativas melhorias, relacionadas com a gestão da coisa pública”, elogiou.

A Conta Geral do Estado do ano 2022 apresentou despesas de mais de 450 mil milhões de Meticais e receitas estimadas em mais de 290 mil milhões de Meticais, o que corresponde, neste último ponto, a uma realização de 97%.

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, disse que o rácio de crédito em incumprimento continua em níveis relativamente elevados, tendo-se situado em 9,1 por cento em Setembro de 2023, após 9,3 por cento em igual período do ano passado.

Zandamela falava, esta semana, na abertura do quadragésimo oitavo Conselho Consultivo do Banco de Moçambique, na cidade de Inhambane, província do mesmo nome. O Conselho Consultivo é um momento de balanço do regulador enquanto autoridade monetária e regulador do sistema financeiro nacional, reflecte-se sobre os desafios que o sistema financeiro e a economia em geral enfrentam e traçam-se perspectivas.

Mesmo com crédito mal-parado alto, a autoridade monetária fala de solidez do sistema financeiro, nos 10 meses do presente ano. O primeiro marco principal, disse Zandamela, é a resiliência da actividade económica perante choques e vulnerabilidades e num ambiente global e doméstico caracterizado por elevados riscos e incertezas.

“O sector bancário nacional continua sólido e bem capitalizado, tendo o rácio de solvabilidade se fixado em 24,0 por cento em Setembro do corrente ano, correspondente a 12,0 pontos percentuais acima do mínimo regulamentar”, garantiu o dirigente. 

O Banco de Moçambique avança que a actividade económica manteve uma tendência de recuperação iniciada em 2021, após o choque da COVID-19, tendo o Produto Interno Bruto real registado uma expansão anual de 4,4 por cento no primeiro semestre do presente ano, maioritariamente explicado pelo crescimento da indústria extractiva.   

Por seu turno, a inflação anual tem vindo a desacelerar, desde o início do presente ano, tendo-se fixado em 4,6 por cento em Setembro último, após ter atingido o pico de 12,9% em Agosto de 2022.

“Esta trajectória de desaceleração reflecte, essencialmente, o efeito combinado da estabilidade cambial e da postura restritiva da política monetária, bem como da queda dos preços dos alimentos e combustíveis no mercado internacional”, explicou. 

 

ANULAÇÃO DAS DÍVIDAS CONTRIBUI PARA MELHORAR A SUSTENTABILIDADE DOS INDICADORES MACRO-ECONÓMICOS

“Permitam-me enaltecer a importância e os ganhos para o país decorrentes do acordo extrajudicial alcançado entre o Governo de Moçambique e os credores no âmbito do dossier das dívidas não declaradas”, disse Rogério Zandamela.

O Governador do banco central avançou que a anulação das dívidas contribui para melhorar a sustentabilidade dos indicadores macro-económicos, com realce para o perfil da dívida comercial que, consequentemente, exercerá uma menor pressão sobre as reservas internacionais, para além de abrir espaço para a restauração da confiança dos investidores estrangeiros em relação ao país e o reforço da estabilidade do sector bancário nacional.   

 

RISCO FISCAL É ALTO DEVIDO À TSU 

A nível interno, o Banco de Moçambique avança que há uma forte pressão sobre a despesa pública, num contexto de fraca arrecadação de receitas e de limitadas fontes de financiamento externo, que está a contribuir para o aumento do risco fiscal e do endividamento interno.

“O aumento da despesa decorre, sobretudo, da implementação da reforma salarial e dos gastos relacionados ao ciclo eleitoral. A título de exemplo, o stock da dívida pública interna que, em 2022, se situou em 275 mil milhões de Meticais, aumentou em cerca de 19 por cento nos últimos 10 meses do ano para 327 mil milhões de Meticais”, revelou o Governador do Banco de Moçambique.

A nível externo, um factor de risco importante, segundo Zandamela, está associado à intensificação e potencial alastramento dos conflitos Rússia-Ucrânia e Israel-Hamas, com impactos no agravamento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares no mercado internacional, que poderão ter implicações na evolução dos preços domésticos de bens e serviços.

“A postura de políticas de proteccionismo a nível global constitui um outro factor de risco, que tem contribuído para exacerbar a segmentação do comércio internacional e, consequentemente, o abrandamento da economia global. Adicionalmente, prevalecem elevadas incertezas quanto à magnitude dos impactos dos riscos arrolados, amplificadas pela volatilidade nos mercados financeiros, o que tem exigido uma actuação da política monetária cada vez mais prudente”, considerou o dirigente. 

 

INDÚSTRIA EXTRACTIVA VAI DOMINAR ECONOMIA EM 2024

Em relação à actividade económica, o Banco de Moçambique espera que, em 2024, o padrão actual, dominado pela indústria extractiva, em particular a execução dos projectos do Gás Natural Liquefeito na Bacia do Rovuma, continue a ser o maior impulsionador do crescimento do Produto Interno Bruto. 

“Estamos prestes a iniciar o ano de 2024 em meio a um conjunto de adversidades que ainda não temos clareza sobre a sua dissipação. Pelo contrário, as vulnerabilidades, os riscos e as incertezas à conjuntura global e doméstica tendem a agravar-se. Este panorama continuará a condicionar a actividade económica doméstica e as medidas de política que serão tomadas”, previu Rogério Zandamela.

O banco central alerta que o aumento do peso da indústria extractiva no Produto Interno Bruto, nos últimos anos, não deve distrair os moçambicanos de continuar a implementar reformas importantes, que permitam alavancar os restantes sectores da economia. “Assim, continua relevante, por exemplo, prosseguir com reformas visando combater a corrupção e melhorar o ambiente de negócios, tornando-o mais competitivo”, realçou.

Ademais, o Banco de Moçambique entende que a criação do Fundo Soberano, além de ajudar a suavizar a despesa pública, a estabilizar os preços e a acumular poupanças com vista a responder a choques futuros, é um mecanismo importante para acelerar a diversificação da economia, estimulando o crescimento de alguns sectores tradicionais.

A gigante energética Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) logrou uma produção acima da meta planificada para o terceiro trimestre do ano, em 14,3%. Com os níveis alcançados, a firma prevê superar o tecto previsto para o fecho do ano, fixado em 15,488 GWh, tornando o país um player de referência na região.

A HCB S.A., registou, até ao final do terceiro trimestre de 2023, uma produção hidro-energética na ordem dos 12 120,4 GWh, correspondente a 14,3% acima do planeado, num ano cuja meta de produção definida é de 14,292 GWh. 

Assim, a firma prevê superar as metas, atingindo a fasquia dos 15,488 GWh, o que fortalecerá a posição estratégica de Moçambique como um player energético regional.

Em comunicado, divulgado na página da instituição, o Presidente do Conselho de Administração da HCB, Tomás Matola, feriu que, no período em análise, “a HCB logrou alcançar uma facturação de pouco mais de 54,2% das receitas planeadas para o período, ao mesmo tempo que encerrou com sucesso as negociações sobre o ajustamento da tarifa de exportação de energia”.

Estes factores conjugados representam ganhos significativos para a empresa e para o país, quando comparado às produtoras de energia de outras nações da região. Aliás, as cifras apresentadas contribuirão para a realização de investimentos críticos nos equipamentos da cadeia de produção e em projectos de incremento da capacidade de geração energética, que se prevê chegar aos 4000 MW, até 2032, segundo avançou Matola. 

No que concerne à disponibilidade hídrica, no início da época chuvosa 2023/2024, a HCB apresentava uma cota de armazenamento de 323,47 MW, correspondente a capacidade útil de 87%, resultante da quantidade de água proveniente das barragens de montante e dos escoamentos gerados na bacia própria de Cahora Bassa. 

O documento refere ainda que a presente cota é satisfatória e, conjugada com uma gestão criteriosa, técnico-científica e por meios tecnológicos ao dispor da empresa, assegurará o processo de geração de energia até ao final do ano.

Num outro desenvolvimento (recente), o PCA da HCB referiu que a empresa apresenta uma evolução muito positiva dos seus indicadores de performance, operacionais e financeiros, igualmente reflectidos no robustecimento do seu balanço, a que acresce o anúncio de futuros investimentos que por princípio deverão acrescentar valor à empresa.

Entretanto, há um paradoxo entre a performance e os preços das acções, que estiveram a ser comercializadas abaixo do seu valor real. O facto foi comprovado pelo primeiro relatório Research sobre Mercado de Capitais em Moçambique, que tomou como pressupostos as variações do preço de venda das acções da HCB, de 2019 a esta parte.

Aquando da sua admissão ao mercado bolsista em 2019, cada acção transaccionada tinha cotação inicial de três Meticais. Dois meses depois da entrada em bolsa, as acções da HCB sofreram uma notável valorização, tendo atingido o seu valor máximo de 13,75 Meticais por acção, mais do que quadruplicado o seu valor original. Entretanto, o preço caiu para 1,17 Meticais por acção em Outubro de 2022 e, até Setembro passado, era transaccionada a 2,5 Meticais.

Em relação a essa discrepância entre os indicadores prudenciais e financeiros da empresa com o preço de compra e venda de acções da HCB, a  Filantia, autora da pesquisa, esclarece que o desfasamento aparente entre a cotação da empresa e aquilo que os indicadores operacionais e financeiros fariam esperar é, em certa medida, explicado pelo mecanismo de fixação de preço da acção no mercado secundário. Explica-se, também, pela deficiente percepção do valor da empresa, pelo que vão dando ordens de venda da acção, recorrentemente colocando-a abaixo do valor de cotação inicial, apesar de os indicadores de performance expressivamente contrariarem essa tendência, diz o relatório.

Um outro factor chamado à colação é o facto de a HCB ter uma política conservadora de distribuição de dividendos, que poderão influenciar negativamente a percepção do investidor. Ou seja, “se o investidor apenas considera o retorno imediato do seu investimento por via dos dividendos recebidos (não valorizando o facto de que, reinvestindo os lucros não distribuídos, a HCB deverá acrescentar valor à própria empresa), é natural que atribua um valor menor à HCB, ignorando informação essencial à sua avaliação”, como referiu o relatório.

Parte dos planos que se entende que estejam por detrás da tímida distribuição de dividendos é   a nova aposta da firma, a construção  da Central  Central  Fotovoltaica à Norte HCB, na província  de  Tete, cujas obras só serão concluídas em  2032, segundo fontes da empresa.

Para o efeito, foi  assinado, há duas semanas,  um acordo  entre  a  empresa  e  a  Internacional  Finance  Corporation, para  a realização  de um  estudo de pré-viabilidade para  desenvolver o projecto.

A  central  Norte  terá  a  capacidade  de  produzir 1245 MegaWatts.

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