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Da República Checa nasce a esperança de reactivação da indústria de montagem de viaturas em Moçambique. O ministro da Indústria e Comércio reuniu-se, hoje, com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros daquele país, e a indústria automóvel foi um dos temas de destaque.

“O que temos que fazer com a República Checa é aproveitar o conhecimento e a experiência que eles têm. Eventualmente, começar com linhas de montagem e aí vamos definir se vamos pelo equipamento agrícola, primeiro, ou vamos pelo equipamento de transporte”, disse o ministro da Indústria e Comércio.

Para o governante moçambicano, Moçambique tem grandes desafios tanto nos equipamentos agrícolas, como nos equipamentos de transportes. “Estou a falar dos ‘minibuses’ para o transporte do pessoal, o transporte nas zonas urbanas e periurbanas. Na área da agricultura, estamos a falar dos tractores”, referiu.

Silvino Moreno explicou, na ocasião, as razões que levaram as outras indústrias de automóvel, nomeadamente da Hyundai e da Madjedje Motors, a fracassarem.

“Não existiu problema. É uma questão de oportunidade de mercado. Sabe que as indústrias funcionam com mercado e, se o mercado não está lá, a indústria não sobrevive”, explicou Silvino Moreno.

Da parte da República Checa ficaram promessas de novos encontros para amadurecer o interesse em reactivar a indústria automóvel em Moçambique. Outra área em que Moçambique e República Checa pretendem apostar é a da agricultura, e já existe uma visão para se avançar com a cooperação bilateral.

“Discutimos a cooperação, por exemplo, no sector da agricultura, indústria automotora, na área da construção, investimentos que podemos dar para as infra-estruturas públicas – estas são as áreas em que estamos e continuaremos a nossa cooperação”, explicou o secretário de Estado da República Checa.

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros da República Checa está de visita a Moçambique, com encontros agendados com autoridades governamentais, sendo um deles o que manteve com Silvino Moreno. “Estabelecemos vínculos entre as duas embaixadas, em que a nossa está baseada em Pretória, com o vosso ministério aqui. Então, acredito que podemos entrar na comissão conjunta entre os dois países e unir-nos, mas ainda estamos a trabalhar nessa cooperação”, avançou Radek Rubens.

Segundo o secretário de estado da República Checa, as relações comerciais com Moçambique abrandaram nos últimos anos devido à pandemia da COVID-19. “Tivemos uma queda durante a pandemia da COVID, em relação ao número de pessoal entre os nossos dois países, que reduziu muito. Portanto, estamos agora a retomar e gostaríamos de, realmente, recomeçar a nossa cooperação”.

O director-geral da MozParks, Onório Manuel, defende que as pequenas e médias empresas (PME) devem criar parcerias sustentáveis no sector industrial devido à cadeia de valores que as mesmas detêm desde a produção até ao processamento, o que poderá tornar as empresas mais independentes na busca de oportunidades dentro de projectos âncoras.

Onório Manuel fez uma radiografia do surgimento do Parque Industrial de Beluluane (existente há cerca de 23 anos), através de um projecto âncora (a Mozal), que está a gerar mais de 10 mil postos de trabalho e a agregar mais de 50 empresas instaladas dentro do Parque Industrial de Beluluane, na Província de Maputo, representando cerca de 17 países.

Fez saber que a MozParks está em processo de abertura de mais parques industriais em Cabo Delgado (CDParks), concretamente em Palma, Balama, Montepuez, Ancuabe e uma base Logística em Pemba. Os CD Parks visam acelerar o desenvolvimento económico, promover e impulsionar a criação de emprego para jovens e desenvolver a economia verde na província de Cabo Delgado.

Onório Manuel incentivou as pequenas e médias empresas a aderirem ao projecto de parque industrial olhando para o Parque Industrial de Topuito, em Nampula, liderado pela multinacional Kenmare, a empresa mais transparente na indústria extractiva em Moçambique, que explora titânio no distrito de Larde.

Durante o encontro de negócio denominado Business Pitch, a MozParks focou as suas atenções para os parques de Cabo Delgado, que, tal como sustenta, poderão arrojar o desenvolvimento da província, impulsionado pela exploração de gás, com um enorme potencial na sua cadeia de valor de galvanizar a economia local em mais de 100 mil trabalhadores directos dentro dos CD Parks.

Para Onório Manuel, é importante a implementação dos CD Parks como mecanismo de criação de base para conteúdo local e, por conseguinte, aproveitamento das oportunidades da cadeia de valor dos megaprojectos, alguns dos quais exploram recursos não renováveis, havendo, por isso, necessidade de deixar um contributo no desenvolvimento socioeconómico local.

Os CD Parks trazem múltiplas vantagens, sendo de destacar o acesso a terra infra-estruturada (energia, água e estrada), industrial, armazenagem, perímetro protegido, ambiente de negócio seguro, economias de escala, economia circular, soluções completas de investimento, potencial de incentivos fiscais e aduaneiros.

O MozParks desenvolve e opera em parques industriais nas províncias de Maputo, Nampula, Sofala e Cabo Delgado. A visão do Grupo Moz Parks Holding é expandir o nosso parque para as províncias do Norte contribuindo para o desenvolvimento e crescimento regional. O Grupo Moz Parks Holding oferece a melhor entrada para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, mercados asiáticos e europeus. Está localizado numa das regiões mais industrializadas e produtivas de Moçambique e tem acesso à maior força de trabalho industrial da Província de Maputo.

O novo acordo mobilizará capital de investidores institucionais para apoiar as operações de empréstimo do AfDB ao sector privado centradas nos países africanos. A parceria vai apoiar os ODS da ONU e as metas relacionadas ao financiamento climático e permitir investimentos em África para os participantes europeus do fundo de pensões da ILX.

O AfDB está fortemente empenhado na mobilização de mais financiamento do sector privado para África e a ILX é um parceiro-chave na catalisação de novos investimentos centrados nos ODC e no clima.

O Banco Africano de Desenvolvimento e a ILX Management B.V. (ILX) assinaram um acordo de parceria para aumentar os investimentos e estimular a mobilização de capital de investidores institucionais para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e projectos do sector privado centrados no clima nos países membros regionais do Grupo Banco.

A cerimónia de assinatura teve lugar nos escritórios da ILX Management, na capital dos Países Baixos, Amesterdão.

Os investidores da ILX são os gestores de activos dos fundos de pensões holandeses APG Asset Management (em nome da ABP e bpfBOUW) e Achmea Investment Management (em nome do Pensioenfonds Vervoer), com outros participantes holandeses e europeus em próximos fundos de pensões do ILX que se espera que venham a aderir no futuro. O ILX Fund I fornece uma estratégia de investimento de crédito privado escalável de mil milhões de dólares a ser aplicada em países emergentes e em desenvolvimento, co-financiamento com Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (MDB) globais e outras instituições de financiamento do desenvolvimento (IFD).

O acordo de cooperação permite ao Banco Africano de Desenvolvimento concretizar a sua ambição de mobilizar recursos financeiros de investidores institucionais para colmatar o significativo défice de financiamento necessário para satisfazer as cinco prioridades estratégicas do AfDB (High 5): Iluminar e energizar África; Alimentar África; Industrializar África; Integrar África e melhorar a qualidade de vida dos povos de África. Esta parceria permitirá ao Banco e à ILX apoiar operações não-soberanas nestes sectores-chave prioritários. Os “High 5” estão intrinsecamente ligados aos ODS.

Ao mesmo tempo, o acordo oferece aos participantes do Fundo ILX a oportunidade de se beneficiarem do longo historial do AfDB de investir com sucesso em sectores económicos chave em toda a África. Todos os investimentos em empréstimos são centrados nos ODS ou no Financiamento Climático, oferecendo simultaneamente rendimentos atractivos e ajustados ao risco, combinados com uma forte salvaguarda ambiental, social e de governação (ESG).

APG Asset Management, o maior fundo de pensões dos Países Baixos, juntamente com Achmea Investment Management, comprometeram-se a investir 1050 milhões de dólares no fundo de crédito privado ILX Fund I, para investir em quatro sectores económicos cruciais: acesso à energia e energia limpa, indústria e infra-estruturas sustentáveis, financiamento inclusivo e segurança alimentar. A ILX investe em participações em empréstimos organizados pelos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento e outras IFD líderes no apoio aos seus projectos centrados nos Mercados Emergentes e nas Economias em Desenvolvimento.

O ILX recebeu financiamento na sua fase de desenvolvimento de três entidades: KfW, o Banco Alemão de Desenvolvimento, em nome do Ministério Federal de Cooperação Económica e Desenvolvimento (BMZ); do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos; e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido. Apoiaram fortemente o papel do ILX na mobilização de capital de fundos de pensões em larga escala para os principais bancos multilaterais de desenvolvimento e outras IFD em apoio dos seus ODS e investimentos relacionados com o financiamento climático em mercados emergentes.

Hassatou N’Sele, vice-presidente e directora-financeira do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento, comentou: “Estamos muito satisfeitos por estarmos a estabelecer uma parceria com a ILX para mobilizar capital institucional com um enfoque nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Os nossos objectivos estão alinhados, e o Banco Africano de Desenvolvimento tem um forte historial de estruturação e financiamento de projectos com um forte impacto no desenvolvimento.”

Manfred Schepers, fundador e CEO da ILX, afirmou: “Estamos encantados por termos estabelecido esta parceria estratégica. O lançamento desta parceria demonstra o forte empenho do AfDB em envolver-se activamente com os fundos de pensões europeus, como parceiro-chave no seu esforço de mobilização e contribuição para o crescimento sustentável em todo o continente africano. Esperamos uma parceria de longo prazo com o AfDB em nome dos nossos investidores em fundos de pensões, que se estão a tornar contrapartes fundamentais para financiar os ODS e projetos de financiamento climático nos mercados emergentes.”

Kitty van der Heijden, directora-geral para a Cooperação Internacional no Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, afirmou: “Com este acordo, os fundos de pensões holandeses, a ILX e o Banco Africano de Desenvolvimento juntam-se para aumentar os investimentos nos ODS e os objectivos climáticos no continente africano. Um passo muito bem-vindo, uma vez que os desafios para alcançar os ODS, e a necessidade de integrar os compromissos climáticos globais nas vias de desenvolvimento dos países africanos, são mais urgentes do que nunca.”

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revela que a dívida pública de Moçambique pode aumentar para mais de 100% este ano e em 2024, apesar do crescimento económico previsto de 5% este ano e 8,2% em 2024.

No mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), intitulado Perspectivas Económicas Regionais para a África Subsaariana, consta que a dívida pública moçambicana em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) pode subir de 76,1%, em 2022, para 102,8% este ano, e 103,1% no próximo ano.

Assim, com excepção de Cabo Verde e da Eritreia, Moçambique é o país com o rácio da dívida pública sobre o PIB mais elevado de toda a região subsaariana, com quase o dobro da média da região, nos 55,5%.

No relatório, a instituição financeira projecta que os países ricos em recursos naturais não petrolíferos registem fortes retomas em 2023 e 2024, nalguns casos impulsionadas por novos projectos de mineração, com destaque para minério de ferro na Libéria e Serra Leoa, e matérias-primas de energias renováveis na República Democrática do Congo e no Mali.

Na África do Sul, a actividade económica deverá recuperar-se em 2024, à medida que a crise energética for abrandar e o ambiente externo melhorar. No entanto, projecta-se que o crescimento dos países exportadores de petróleo desacelere em 2024 para 3,1% em relação a 3,3% em 2023, devido à descida contínua dos preços do petróleo bruto no mercado internacional e aos abrandamentos da produção. No período em análise, o crescimento económico da Nigéria deverá diminuir para 3%.

Em termos regionais, o Fundo Monetário Internacional prevê que o crescimento da África Subsaariana desacelere para 3,6% em 2023, para depois aumentar em 4,2% em 2024, impulsionado pelo aumento do consumo privado e do investimento.

“Projecta-se que quase quatro quintos dos países registem uma retoma do crescimento em 2024, impulsionado pelo aumento do consumo privado e do investimento. Mais importante ainda, a recuperação da África Subsariana está intrinsecamente ligada à evolução mundial”, escreve o Fundo Monetário Internacional.

Espera-se que a retoma do crescimento seja, principalmente, impulsionada pelos países pobres em recursos naturais e outros países ricos em recursos naturais. “Prevê-se que os primeiros cresçam 6,2% em 2024 face a 5,7% em 2023, o que reflecte economias mais dinâmicas e resilientes – incluindo as da Comunidade da África Oriental – e impulsionadas pela recuperação de actividades não mineiras, incluindo a agricultura”, sustenta o FMI.

Em linha com a esperada descida da inflação mundial, segundo peritos do FMI, a inflação mediana para a região deverá descer para 5% até ao final de 2024, em termos homólogos, um valor que continua a situar-se acima dos níveis pré-pandemia, mas que representa metade do valor registado no fim de 2022.

“A África Subsariana é um grande importador de produtos alimentares e energéticos, que representam, em média, 50% do cabaz de consumo da região. Assim, espera-se que o recente início da descida dos preços dos produtos alimentares e dos combustíveis a nível mundial, que deverá prosseguir ao longo deste ano e do próximo, contribua significativamente para o abrandamento da inflação global regional.”

De acordo com o FMI, a falta de espaço orçamental também dificultou a resposta dos países às grandes necessidades sociais. As autoridades tiveram dificuldades em aumentar o apoio à região quando enfrentou um nível recorde de preços elevados dos produtos alimentares, dos combustíveis e dos adubos em 2022.

“Na verdade, a crise do custo de vida continua a representar uma grande preocupação para os países da África Subsariana, considerando a elevada incidência da pobreza – 35% da população da região vivia com menos de 2,15 dólares por dia em 2019 (segundo os dados mais recentes do Banco Mundial sobre os países de baixo rendimento).”

O FMI defende que os países da África subsaariana devem melhorar a gestão financeira, conter a inflação, permitir ajustamentos cambiais e garantir que as alterações climáticas não afastem verbas das despesas básicas.

Ainda no documento, o Fundo Monetário Internacional destaca quatro prioridades para os governos africanos tentarem ultrapassar os desequilíbrios macroeconómicos num contexto de limitações no financiamento.

“Consolidar as finanças públicas e fortalecer a gestão financeira pública num contexto de difíceis condições de financiamento vai depender de uma contínua mobilização dos recursos, melhor gestão dos riscos orçamentais e uma gestão da dívida que tem de ser mais proactiva”, escrevem os peritos do Fundo, no relatório.

A segunda das quatro prioridades tem a ver com a inflação, que subiu para 105 no ano passado e deverá abrandar para cerca de metade este ano. “A política monetária tem de ser cautelosamente dirigida até a inflação estar firmemente numa trajectória descendente e em linha com as metas do banco central”, lê-se no relatório.

Permitir a flutuação da taxa de câmbio, e ao mesmo tempo mitigar os efeitos adversos na economia, “incluindo o aumento da inflação e da dívida devido a depreciações na moeda” é a terceira tarefa prioritária dos governos da África Subsaariana, uma região onde o FMI tem em curso mais de 20 programas de assistência financeira, quase metade do total dos 54 países da região.

O financiamento climático é a última das áreas prioritárias de acção, na qual o FMI defende que “as alterações climáticas e o financiamento para as combater e mitigar não devem afastar despesa das necessidades básicas”, exemplificando com a saúde e a edução.

Já as perspectivas da instituição financeira internacional para a economia mundial são assombradas por uma incerteza considerável devido aos múltiplos choques dos últimos anos e às actuais perturbações no sector financeiro. Assim, a nível mundial, os riscos apresentam uma tendência claramente em sentido crescente.

O presidente da petrolífera Puma em África alerta que Moçambique está à beira de uma “grave crise energética” por não permitir que os postos subam o preço dos combustíveis, que assim podem acabar dentro de dois a três meses.

“Moçambique está hoje à beira de uma grave crise energética no que respeita a hidrocarbonetos, por duas razões: o preço é muito baixo face ao custo real do produto e quem subsidia esta situação são as empresas do mercado petrolífero”, referiu Fadi Mitri em conferência de imprensa, esta semana, em Maputo.

“O Governo deve cerca de 25 mil milhões de Meticais (350 milhões de euros) à indústria das gasolineiras e esta é uma situação insustentável”, referiu o líder de uma das operadoras no mercado.

Impossibilitadas de ajustar os preços, tabelados pelo Governo, Mitri contou que, no primeiro trimestre, as distribuidoras de produtos petrolíferos reduziram a importação de combustíveis em 54% face ao mesmo período de 2022. “Logo, dentro de dois a três meses não vai haver combustíveis em Moçambique”, avisou.

De acordo com o presidente da Puma em África, o aumento mensal da dívida de Moçambique coloca em causa a reputação das gasolineiras junto da banca, que começa a rejeitar propostas para novos empréstimos, principalmente entre as distribuidoras moçambicanas de menor robustez.

“Quando a dívida se prolonga, os bancos começam a rejeitar este pedido. As gasolineiras moçambicanas são as que mais sofrem, na medida em que as internacionais têm maior robustez financeira”, explicou o responsável.

Para aquele responsável, a solução para travar uma crise de combustíveis em Moçambique é simples: “Os preços devem subir, no gasóleo, em 4,55 Meticais por litro. Na gasolina, não é necessário. Isso não significa que haverá um reembolso imediato dos 25 mil milhões de Meticais que o Governo deve, mas, com esta medida, a dívida começa a cair”.

Desde 1 de Julho de 2022, data do último ajuste, a gasolina passou a custar 86,97 Meticais e o gasóleo passou para 87,97 Meticais por litro.

Moçambique surge na 16ª posição do ranking dos países com mais milionários em África, elaborado pela consultora Henley & Partners. O pódio é ocupado pela África do Sul; em segundo lugar surge o Egipto e em terceiro a Nigéria. Dos 52 milionários nascidos em África, apenas 23 vivem no continente.

Designado “Africa Wealth Report 2023”, o documento revela que Moçambique registou um crescimento do número de milionários – pessoas com mais de um milhão de dólares – em 18% nos últimos 10 anos. Estão referenciados 1100 milionários, dos quais dois multimilionários, isto é, que tenham mais de 100 milhões de dólares em património.

Angola, outro país lusófono, é o 11º país de África com mais milionários. Angola possui 2400 milionários, dos quais quatro multimilionários, de acordo como os dados da Henley & Partners, que têm como fonte a New Word Health. As estatísticas revelam que a crise também afectou os níveis de riqueza pessoal em alguns países do continente africano.

No caso de Angola, a crise traduziu-se numa descida de 28% no número de milionários existentes no país no ano passado, em comparação com os existentes em 2012.

Segundo a Henley & Partners, o número de milionários em África deverá crescer 42% na próxima década, e há países que irão ainda mais além. Na Mauritânia, Ruanda e República Democrática do Congo, o número de milionários aumentará 60% no período referenciado.

Actualmente, África contabiliza 138 mil milionários, 328 multimilionários e 23 bilionários (pessoas com mais de mil milhões de dólares). A Henley & Partners estima que o continente chegue a 2032 com 195 mil milionários.

O “Africa Wealth Report 2023” exibe as discrepâncias existentes no continente. Por exemplo, o Gana tem mais 24% de milionários (2400) do que há uma década, mas prepara-se para realizar cortes nos serviços públicos, no âmbito da negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de um resgate de três mil milhões de dólares.

Já a Zâmbia deverá ter mais 60% de milionários em 2032 (actualmente tem 600), mas entrou em incumprimento em 2020, registando uma dívida de 17 mil milhões de dólares. A reestruturação da mesma colocou a China contra o Banco Mundial e outras instituições multilaterais.

A África do Sul conta com 37 800 milionários, 98 multimilionários e 5 bilionários; o Egipto tem 16 100 milionários, dos quais 54 são multimilionários e oito bilionários; e a Nigéria tem 9800 milionários, dos quais são 27 multimilionários e quatro bilionários. Os três países registam uma quebra do número de milionários, em comparação com 2012, de 21%, 25% e 30%, respectivamente.

RUANDA COM MAIS CRESCIMENTO DE MILIONÁRIOS

Ruanda foi o mercado com melhor desempenho em África, nos últimos 10 anos, em termos de crescimento de milionários com 72%, seguido pelas Maurícias, Seychelles, Uganda e República Democrática do Congo. No Marrocos e Quênia, o crescimento do património individual dos milionários foi sólido.

Etiópia e Gana, cuja população de milionários vinha crescendo rapidamente até 2019, têm enfrentado dificuldades nas suas economias, por isso a taxa de crescimento dos milionários caiu nos últimos 10 anos.

As Maurícias aparecem na sexta posição e o relatório elogia a forma como a economia é diversificada. “Com sua economia competitiva e de base ampla, a nação insular das Maurícias no Oceano Índico tem atraído investimentos estrangeiros consideráveis. Maurícias é conhecido por sua política de paz, estabilidade económica, ambiente seguro, clima tropical agradável, multiculturalismo, alta qualidade de vida, economia dinâmica, regimes fiscais atraentes e competitivos, além de cenário de negócios que reforçaram a estatura global de um país que está a atrair indivíduos e famílias de alto património líquido de ao redor do globo”, lê-se no documento.

Muitos empresários estrangeiros tornam-se mauricianos com facilidade e de uma maneira eficiente, ao permitir-se que façam um investimento imobiliário no país, candidatando-se automaticamente a obter uma autorização de residência e tornar-se mauricianos residentes em seis ou oito meses.

FUGA DE MILIONÁRIOS EM ÁFRICA

Aproximadamente 18 500 milionários africanos abandonaram o continente entre 2012 e 2022. Segundo o “Africa Wealth Report 2023” da Henley & Partners, a maior parte fixou residência no Reino Unido, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.

Um número significativo, ainda de acordo com o mesmo relatório, mudou-se para Austrália, Canadá, Portugal, França, Israel, Mónaco, Nova Zelândia e Suíça.

Dos 52 milionários nascidos em África, apenas 23 vivem no continente.

Um deles é o nigeriano Aliko Dangote, de 66 anos, considerado o homem mais rico de África, com uma fortuna avaliada em 12,4 mil milhões de dólares. Os seus negócios estendem-se a outros países do continente, casos do Benim, África do Sul, Togo e Gana, e vão do sector da alimentação ao dos seguros, passando pelo dos cimentos.

Moçambique está a trabalhar para a expansão da sua capacidade logística de transporte de combustíveis para atender à crescente demanda destes produtos por parte dos países do hiterland, anunciou esta terça-feira, o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, no final da visita de trabalho efectuada à Companhia do Pipeline Moçambique – Zimbabwe (CPMZ), na cidade da Beira.

Mateus Magala trabalhou na CPMZ, na sequência da orientação saída do encontro entre os chefes de Estado de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, e da Zâmbia, Hakainde Hichilema, no dia 04 de Abril corrente, durante a qual a República da Zâmbia apresentou a necessidade de melhoria da logística do transporte dos combustíveis importados a partir dos portos moçambicanos.

Para responder a esta preocupação, Magala orientou a Companhia do Pipeline Moçambique–Zimbabwe (empresa gestora do oleoduto que transporta combustíveis, do Porto da Beira ao Zimbabwe), e a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (entidade gestora do terminal de combustíveis do Porto da Beira) a trabalharem juntos para o aumento da capacidade de manuseamento e transporte de combustíveis para atender à crescente demanda dos países do hiterland, nomeadamente o Zimbabwe, a República Democrática do Congo, o Malawi e a Zâmbia, com especial atenção na preocupação apresentada pelo Governo da República da Zâmbia.

No trabalho a ser feito para a expansão da capacidade do corredor da Beira no manuseamento e transporte de combustíveis, o ministro sublinhou que deverá ser numa abordagem integrada para permitir que a capacidade de recepção do Porto corresponda às necessidades do consumidor final e da capacidade das infra-estruturas de transporte do pipeline.

Refira-se que o pipeline Moçambique–Zimbabwe possui uma capacidade de cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos por ano, havendo perspectivas do aumento gradual desta capacidade para três milhões em Junho de 2023 e cinco milhões de metros cúbicos anuais, dentro de poucos anos. Em 2022, o Porto da Beira manuseou cerca de 1,7 milhões de metros cúbicos de combustíveis, em trânsito para o Zimbabwe, 97% dos quais transportados através do pipeline e os restantes 3% foram transportados através de camiões.

Acompanharam o ministro na visita à companhia pipeline Moçambique–Zimbabwe, o director executivo centro, da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, António Bié, e quadros do sector, do nível central e provincial.

Moçambique está a esboçar estratégias visando atrair recursos financeiros necessários para explorar o elevado potencial de produção de energia hidroeléctrica e verde e, por via disso, contribuir para a implementação da agenda nacional e regional neste domínio.

Falando em Washington, numa palestra sob o lema “Unidos pela Segurança Energética e Sustentabilidade, Vitória Tripla do Comércio Regional de Energia”, realizada no âmbito das reuniões de Primavera do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro moçambicano da Economia e Finanças, Max Tonela, avançou que o Governo pretende investir cerca de 34 mil milhões de dólares na geração de mais de 3000 MW de energia até 2030.

De acordo com o governante, trata-se de investimentos que vão permitir também que a região da África Austral tenha energia a menor custo, sendo, por isso, relevante trabalhar com instituições financeiras que dispõem de “competências e background neste tipo de processos, tal como o Banco de Moçambique”.

Segundo o ministro, mais de 560 milhões de pessoas vivem sem acesso à energia na África Austral, facto que representa um desafio e uma oportunidade para o país, frisando que Moçambique tem exportado quantidades superiores a 1000 MW de energia, estando, ao mesmo tempo, a investir no aumento da capacidade de transferência.

“Somos um país que dispõe de um elevado potencial energético e hídrico, assim como detemos fontes renováveis e gás natural, ainda pouco explorados, mas que podem responder às necessidades internas e externas”, secundou.

No encontro, o governante moçambicano fez saber que, no país, existem projectos de infra-estruturas de electrificação com a África do Sul e o Zimbabwe, frisando também que foi reforçada a ligação com o eSwatini, no âmbito do projecto Motraco.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e um grupo de 12 países africanos alertaram, hoje, que a dívida pública na África Subsaariana se agravou para níveis acima de 60% e que dois terços da região está com endividamento excessivo, segundo escreve a RTP.

“O impacto das múltiplas crises, o abrandamento do crescimento económico e a depreciação das taxas de câmbio estão a alargar os défices orçamentais em muitos países na região e a evidenciar as vulnerabilidades preexistentes”, lê-se na declaração da directora-executiva do FMI e o presidente do grupo africano, o Primeiro-ministro de Cabo Verde.

“O rácio de dívida sobre o PIB está agora, em média, acima dos 60%, um nível registado pela última vez no princípio dos anos 2000, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade da dívida em muitos países”, lê-se ainda na declaração assinada por Kristalina Georgieva e Olavo Correia, na qual se dá conta de que “quase dois terços dos países de baixo rendimento da região estão com elevado risco ou já em situação de sobre-endividamento [debt distress, no original em inglês] em 2022.”

A declaração deste grupo de 12 países africanos, o African Caucus, que inclui Angola e Cabo Verde, entre outros, surge no final dos Encontros da Primavera do FMI e do Banco Mundial, que decorreram durante a semana passada em Washington, no âmbito dos quais o FMI reviu a previsão de crescimento da África Subsariana para 3,6% este ano.

“O grupo reiterou a necessidade de lidar com as vulnerabilidades da dívida e continuar a fortalecer a arquitectura mundial de resolução da dívida, incluindo através de melhorias no enquadramento comum para o tratamento da dívida”, escreveu o instrumento criado no seguimento da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), criada no início da COVID-19, em 2020, para dar espaço orçamental aos países para combaterem os efeitos económicos e sanitários da pandemia.

A mesa-redonda sobre a Dívida Soberana Global foi o passo seguinte, trazendo também a China, um dos principais credores dos países africanos, para as discussões sobre como reestruturar a dívida dos muitos países africanos sem margem para investir no desenvolvimento económico e na mitigação dos efeitos das alterações climáticas.

“Os desequilíbrios macroeconómicos tornaram-se mais proeminentes; a depreciação das taxas de câmbio, o aumento das taxas de juro a nível mundial e elevadas taxas de juro da dívida soberana tornaram o financiamento mais caro ou até inacessível, o que, junto ao declínio dos orçamentos para ajuda oficial e fluxos mais reduzidos de investimento, deixou a região confrontada com um severo aperto no financiamento”, acrescenta o FMI e os países africanos, defendendo mais investimento do scetor privado na mitigação dos efeitos das alterações climáticas e mais financiamento.

As estimativas do FMI para 2023 em relação aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), anunciadas na sexta-feira, referentes ao rácio de dívida pública versus o Produto Interno Bruto (PIB), indicam que Cabo Verde é o país mais endividado (120,2%), seguindo-se Moçambique (102,8%), Guiné-Bissau (76,5%), Angola (63,3%), São Tomé e Príncipe (54,8%) e Guiné Equatorial (26,4%).

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