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O País – A verdade como notícia

Num dia em que o mundo celebra o Dia Internacional do Patinador, o Federação Moçambicana de Patinagem, Nicolau Manjate, faz um apelo para que os patinadores moçambicanos sejam agentes de prevenção da pandemia, como forma de garantir que a modalidade não se feche, mas seja uma modalidade que continue com as suas actividades.

Nicolau Manjate lamentou o facto desta efeméride estar-se a realizar numa altura em que o mundo se debate com a pandemia e disse mesmo que “precisamos usar esta data para reflectirmos sobre o futuro desta modalidade e pensarmos que é possível vencer a pandemia e continuarmos a praticar a patinagem”. Aliás, o dia do patinador não só deve para reflectir, mas também para “apelar ao cumprimento rigoroso das medidas de prevenção que foram decretadas pelo governo”, afinal “queremos parar por alguns dias as actividades desta modalidade, para termos muito hóquei em patins depois disto tudo terminar”, disse Nicolau Manjate, presidente da FMP.

Em termos de provas, o país estaria a se preparar para disputar e acolher provas de caris internacional, como forma de se preparar para o campeonato do mundo da modalidade, que terá lugar em 2021, mas devido a esta pandemia tudo ficou suspenso.

“Já estávamos a falar da disputa do campeonato africano de hóquei em patins, para além de que esperávamos acolher um torneio internacional com outras selecções de fora para preparar a nossa selecção rumo ao mundial do próximo ano, mas tudo ficou suspenso e não há nada que possamos fazer, por enquanto. Só podemos continuar a apelar aos nossos patinadores para que se previnam para poderem entrar com outra determinação nas provas que virão”, disse Nicolau Manjate.

Num outro desenvolvimento, o presidente da Federação Moçambicana de Patinagem falou dos prejuízos que esta pandemia está a trazer para as competições internas, tendo em conta que a massificação era o ponto em alta no seu mandato. Por isso, houve necessidade de se sensibilizar os fazedores da modalidade a não desfalecerem nesta altura da pandemia do coronavírus. “Falamos com os atletas para que por agora se previnam desta pandemia e mais tarde vamos refazer a nossa calendarização de provas. Mas estamos cientes de que muita coisa ficou parada e que mesmo depois teremos que conversar com os atletas para serem fortes e assim podermos ter provas aliciantes de patinagem”, esclareceu Manjate.

A pandemia trouxe outra realidade a patinagem, uma vez que Nicolau Manjate teve que aconselhar os patinadores para não se aglomerarem em salões ou outros locais, por forma a levarem a cabo os treinos de manutenção da forma física, mas garantir que cada atleta possa realizar pessoalmente os treinos caseiros.

Não há, nem com tão bela capacidade de execução, como fintar a realidade: o futebol, ou melhor, a "pelota" cedeu ao coronavírus! Estádios, onde os artistas da bola deleitam vivalmas com o maior espectáculo do mundo, estão com as portas fechadas! Pudera, a vida está ameaçada. Futebol deve esperar! Pelo menos, até que à pandemia do novo coronavírus seja achatada e, causa-efeito, se aligeire as medidas de confinamento e ópio do povo regresse. Enquanto isso, as incertezas assaltam os gestores, jogadores e treinadores.

Futuro incerto. A paralisação do futebol  por tempo indeterminado, não havia outro caminho, forçou clubes a se mobilizarem para garantir a sobrevivência financeira. Com a maior parte das fontes de receita a esgotar-se, e patrocinadores a suspenderem pagamentos, houve ordem para cortes salariais.

No burgo, com o Moçambola adiado por tempo indeterminado e os clubes a pagarem salários sem competições, cresce a preocupação de onde “cavar” dinheiro para suportar os activos: jogadores e treinadores. Com o silêncio ensurdecedor do Ministério do Trabalho e Acção Social face à solicitação da Federação Moçambicana de Futebol (ndr: criou uma" task force" para abordar questões contratuais entre clubes e jogadores face ao cenário negro), procura-se uma solução imediata para fazer face aos cenários que se desenham: mudança de época, modelo antes ensaiado e falhado, e extensão dos contratos. Até porque, ao se avançar com a proposta do Gabinete Técnico da Federação Moçambicana de Futebol de se ajustar a época, a maratona iniciaria 1 de Julho e terminaria a 31 de Maio de 20201? Nem tanto, caros patrícios. Tem, de resto, a palavra os jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros e Sindicato Nacional de Jogadores de Futebol! Aqui, terá que haver um "win-win" para que estejam salvaguardados os interesses de todos actores.

Com uma estrutura gorda de cerca de 600 trabalhadores, entre atletas e treinadores de várias modalidades e outros funcionários, o Costa do Sol mostra-se favorável ao ajustamento da temporada do futebol moçambicano. Coloca, no entanto, em cima da mesa a possibilidade de corte de salários caso a situação se complique. Em entrevista ao “O País”, o presidente do Costa do Sol, Jeremias da Costa, aborda ainda os prejuízos que o clube com maior palmarés no país está a acumular com a paralisação de todas actividades desportivas por conta da pandemia do novo coronavírus.

 

O desporto está parado em Moçambique, devido ao Estado de Emergência em vigência até ao próximo dia 30 de Abril. Qual é o impacto da pandemia  do novo coronavírus no Clube de Desportos da Costa  do Sol, tendo em conta os projectos de formação que geram receitas e a  folha salarial de cerca de 600 pessoas?

Nós, pela leitura que fizemos da situação internacional, e da tendência que as coisas iam tomando ao nível nacional. Fomos dos primeiros senão o primeiro clube a parar com todas as actividades. Desactivamos todo o nosso arsenal no sentido de deixar os atletas em casa. Fechamos as escolas de formação. Isso, como deve calcular, teve um impacto directo na nossa estrutura de proveitos. Como deve calcular, não vais exigir a um pai que tem um menino na academia a pagar sem que o menino esteja a beneficiar desta academia. Portanto, este é o primeiro impacto que nós sofremos: a perda de receitas directas que nós gerávamos na nossa academia. A segunda perda: nós, como deve calcular, fizemos um investimento muito forte quer na manutenção na estrutura quer no reforço tendo em conta o Moçambola e as Afrotaças. Fizemos um estágio na África do Sul que representou, para nós, um investimento muito grande. E, neste momento, todo este investimento foi por água abaixo. Portanto, estamos na estaca zero. Se a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) e a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) decidirem que o campeonato inicia nos próximos dias, temos que fazer praticamente a pré-época.

Todo este investimento, no lugar de ser capitalizado, tornou-se num prejuízo. Há também outros custos directos que tivemos que arcar para deslocar os atletas internacionais para os seus países de origem. O técnico Horácio Gonçalves teve que regressar ao seu país de origem, Portugal, até pela sua idade. Ele está no grupo de risco. Psicologicamente, o treinador não estava preparado continuar cá, então, tivemos que o realocar. Estou aqui a falar de custos directos mas há outros custos indirectos que acabam criando um fosso enorme no clube. E sem contar com o facto de termos que encontrar fontes para remunerar atletas e técnicos que estão em casa.

 

Como é que o clube irá gerir este momento de crise, no qual está limitado em termos de captação de receitas?

Neste momento, diria, estamos entregues às instruções governamentais. Mas, pela leitura que a gente faz de desenvolvimento da pandemia ao nível internacional, há um período de dois a três meses de maturação. Portanto, normalmente, os períodos de pico ocorrem entre o segundo e terceiro mês e, partir daí, os casos vão diminuindo. Quero com isto dizer que, estando o nosso país na fase inicial, acredito que- Deus queira que eu esteja errado-, depois de 30 de Abril se calhar vamos ter a extensão do Estado de Emergência. Deus queira que esteja errado, mas pela leitura que a gente faz ao nível internacional há sempre uma extensão dos períodos de emergência. Neste momento, o que fizemos foi dispensar os atletas para ficarem em casa e passar uma receita em termos do que devem fazer. Há um acompanhamento, embora de forma remota. Há também uma dieta que foi passada para cada atleta de forma que controle o seu peso. Mas, como deve calcular, mesmo estando em treino conjunto os nossos atletas precisam muitas vezes de estágios, exactamente, porque é difícil controlá-los. Outros atletas não têm condições nas suas casas para treinar. Então, nós sabemos em que condições os atletas estão. Sabemos que estão todos bem, felizmente não temos nenhum caso até à data mesmo os que estão fora. Neste momento, vamos estar à mercê das ordens do Ministério da Saúde e de outras instituições governamentais. Mas, para todos os efeitos, estamos em prontidão para, se na eventualidade do cenário melhorar e as autoridades aligeirarem as medidas, podermos rapidamente retornar com os treinos. Como dissemos na última reunião da LMF, todos os clubes vão precisar depois disto de fazer uma pré-época.

Nem as obras escaparam!

A paralisação de todas actividades desportivas no país, no geral, e no Clube de Desportos da Costa do Sol, em particular, surge num momento em que o clube está a reabilitar as suas infra-estruturas com obras no campo de futebol que comportam a melhoria do relvado, iluminação, bancadas e acessos, assim como cobertura da arena. Quais são as implicações da COVID-19 na componente infraestrutura?

Este é um dos prejuízos indirectos que nós temos. Nós estamos com o sonho de fazer as nossas provas internacionais na nossa casa. É por isso que estamos a investir na iluminação. Temos que assegurar que a iluminação seja suficiente que os jogos sejam realizados de noite e tenham transmissão televisiva. O segundo requisito é ter um piso adequado. Nós estamos em estado avançado de negociações com um parceiro para o patrocínio da renovação do nosso relvado sintético. E, com esta situação, o parceiro colocou as negociações em “banho-maria”. Então, neste momento, estamos a fazer contas a vida no sentido de tentar fazer com que o parceiro possa retomar. Não sabemos, na verdade, quando é que o parceiro vai ter condições para retornar este investimento. Esta situação vai, de facto, criar certas dificuldades de a gente poder fazer face aos investimentos que estão a decorrer. Estes investimentos começaram há duas épocas.

Portanto, o investimento não é só no relvado sintético mas também nas bancadas onde pretendemos intervir com melhorias em todo o campo com colocação de bancadas. Queremos melhorar os balneários não só dos adversários mas também do clube e do público. Este trabalho todo está parado. Temos também a questão dos acessos. A Confederação Africana de Futebol exige que os acessos sejam melhorados. Como bem conhece, o campo tem neste momento um único acesso. Nós estamos a trabalhar para ver se conseguimos ter um segundo acesso para facilitar a evacuação quer antes quer depois dos jogos. Estamos também a trabalhar com outro parceiro para a cobertura da arena, a sua iluminação e colocação do marcador electrónico. Estes projectos todos estão em “banho-maria”. Não podemos dizer que estão parados, mas pelas dificuldades que as entidades privadas têm para fazer face às suas despesas vemo-nos em situação muito delicada para retomar nos próximos dias. É um dos prejuízos que a pandemia tem criado para o clube.

 

Corte de salários em cima da mesa

Lá fora, há medidas face à pandemia do novo coronavírus como a redução de salários dos jogadores e corpo técnico das equipas. O Barcelona, por exemplo, reduziu em 70% o salário dos seus atletas enquanto continuar o confinamento social. Sem atletas a competir e capacidade de gestão de receitas, como é o Costa do Sol vai se posicionar para pagar salários?

É o que de fora transparece: o Costa do Sol não viver de receitas! Mas nós precisamos muito das receitas. Mas, pela estrutura do clube, posso dizer assim por alto que temos cerca de 600 pessoas entre atletas e técnicos de várias modalidades e funcionários do clube. É uma estrutura muito pesada. Parecendo que não, as receitas quer dos jogos do Moçambola quer da academia ajudam imenso realização das despesas do clube. Quem vê a coisa de fora, pode pensar que não precisamos. Nós precisamos imenso. Indo agora à questão que me coloca, não queria estar a criar pânico nos nossos atletas e técnicos mas é um caso que está na mesa. Nós não sabemos até onde isto vai. Mas vamos aguardar pela decisão das estruturas competentes e vamos ver o que acontece. Se os mais ricos estão a fazer, quem somos nós? Penso que a tendência ao nível global vai ser essa. Nós não olhamos a coisa nesta perspectiva. Penso que é uma coisa que vamos conversar daqui adiante. Nós estamos a olhar numa perspectiva de, se por ventura mudarmos a época, vamos precisar que os atletas sejam compreensíveis em algum momento para os períodos que não estão cobertos pelos contratos. Vai haver aqui uma situação de "win-win" e cedência de cada parte. Mas é uma hipótese que não está descartada.

 

Falando em mudança de temporada: face à evolução da pandemia e adiamento do Moçambola, a Liga Moçambicana de Futebol enviou recentemente aos 14 clubes que irão disputar o campeonato nacional, duas propostas a disputa da prova. O primeiro modelo é de realização do Moçambola 2020 em uma única volta, seguindo-se “play-offs” entre os primeiros oitos classificadas até se apurar o campeão e os restantes seis últimos classificados disputariam outros “play-offs” até se encontrarem os três clubes despromovidos. O segundo é de um campeonato disputado numa volta, sendo que os primeiros quatro classificados batem-se numa fase final em duas voltas para se apurar o campeão nacional e os últimos quatro posicionados defrontam-se na fase final em duas voltas para se encontrar as três formações despromovidas. Qual é a sensibilidade do Costa do Sol em relação a estas propostas da Liga Moçambicana de Futebol?

Numa perspectiva financeira, talvez seja viável. Não tenho números aqui para tecer uma opinião formada. Mas, em termos desportivos, nós deixámos claro logo à priori na reunião com a LMF que esse modelo feria a verdade desportiva. Se vamos fazer um campeonato numa volta, imaginemos por hipótese: onde será realizado este jogo? Em que campo? Quais são os critérios? O nosso primeiro adversário é o Textáfrica de Chimoio. Vamos jogar na Soalpo ou no "Matchick Tchick"? E, no segundo jogo, para onde é que vamos? Há aqui equipas beneficiadas que vão jogar sempre em casa? Se calhar vão dizer não, vamos a outra cidade, vamos a Beira pois jogamos todos lá. Portanto, os clubes locais vão estar sempre beneficiados. Vimos, então, nesta perspectiva que vai faltar verdade desportiva. A segunda razão que eu encontro é que o regulamento do Moçambola diz, de antemão, que é um campeonato de duas voltas. Se nós vamos fazer uma prova – que eu não chamo Moçambola- tem que ter um outro nome qualquer. Temos que encontrar um nome qualquer mas não é Moçambola. Os clubes fizeram investimento para uma prova clássica que não é em duas voltas. O investimento que a gente fez para realizar uma prova destas não faz sentido. Deixámos claro, logo à priori, que não aprovamos este modelo. Preferimos que usemos este tempo para ganhar a próxima época mudando o calendário de acordo com as recomendações da CAF e FIFA.

O Gabinete Técnico da Federação Moçambicana de Futebol avançou três cenários para o futebol moçambicano pós-Covid-19. O terceiro aponta para a alteração ou adotar a época ao calendário proposto pela Confederação Africana de Futebol (CAF), iniciando nova época em 1 de Junho devendo a mesma decorrer até 31 de Maio de 2021…

Nós recebemos, de facto, os três cenários preparados pelo Gabinete Técnico da Federação Moçambicana de Futebol, liderado por Arnaldo Salvado. Nós respondemos, recomendando para o cenário de mudança de época. É uma oportunidade que devemos aproveitar. Esta pandemia criou-nos uma oportunidade. É um desafio, é uma desgraça. Tudo bem. Vamos ver o que podemos corrigir. Eu penso que na altura em que houve essa tentativa as pessoas não estavam claras naquilo que queriam. Na reunião que tivemos com a Liga Moçambicana de Futebol, pelo menos os clubes do Moçambola estavam todos unânimes que era o momento ideal para a mudança de época. Nós estamos sempre a chorar porque a nossa selecção vai às eliminatórias sem que os jogadores tenham ritmo. A nossa selecção, feliz ou infelizmente, ainda é feita por metade de jogadores que estão fora do país e outra que joga aqui dentro. Nós não somos um Brasil que faz uma ou duas selecções com jogadores que estão fora. O Brasil faz selecção e o campeonato interno continua. Nós vamos ter metade de jogadores com ritmo e outra sem ritmo. Quando vamos às Afrotaças, as nossas equipas ficam na primeira ou segunda eliminatórias porque os adversários têm outra rotina. Haverá aspectos negativos e outros positivos. O que nós temos que fazer é pegar nos aspectos positivos e tentar mitigar no máximo os negativos. Os outros colegas perguntavam: nós já temos os contratos, como iremos fazer? Este é um problema que, fazendo a mudança de época hoje ou daqui a dois ou três anos, vamos encontrar sempre. Os clubes, normalmente, fazem os contratos com os atletas e técnicos em uma época ou até mesmo duas. Há sempre este problema. Para nós, o modelo de campeonato numa volta não se adequa. Nós recomendamos para que se mude de época. Há vantagens para atletas que querem se transferir para Europa, porque quando o atleta moçambicano é contratado por um clube estrangeiro normalmente ele vai à meio da época, já entra em desvantagem porque os colegas já vem com o treinador desde o início da época, já fizeram a primeira volta e dificilmente um jogador moçambicano pode se enquadrar no ambiente para singrar naquela equipa, mudando a época vamos passar a exportar jogadores e a chegar aos clubes europeus na pré-época e a competir em igualdade de circunstâncias com os colegas por uma vaga na equipa”, comentou o presidente dos campeões nacionais. Por outro lado, ao mudarmos a época isso vai possibilitar que a Liga tenha tempo de negociar  os seus acordos com as empresas patrocinadoras, como sabemos muitas delas fecham as suas contas e os seus balanços a 31 de Dezembro e quando a LMF vai apresentar as suas propostas a resposta das empresas é que já fecharam o seu balanço e os seus orçamentos. Com esta mudança iríamos dar à Liga mais tempo para negociar com as empresas que iriam incluir os pedidos da LMF antes do encerramento do ano e acredito que nós conseguiríamos encontrar mais parceiros para o Moçambola.

 

 

Bola nos seus pés, era esférico no meio campo adversário. Elias Mabjaia tinha a sua maneira de actuar, algo que acompanhou o seu triunfo no futebol nacional, ao longo de mais de três décadas, primeiro no Incomáti de Xinavane e depois no Ferroviário de Maputo, equipas do seu coração e a quem ajudou a chegar a vários triunfos.

Foi internacional por duas vezes. Mas a sua melhor actuação pela equipa de todos nós, aconteceu no dia 16 de Abril de 1989, no Estádio da Machava, diante da super-poderosa Zâmbia. Jogou que se fartou e não se fartou de ir à luta, deixando os KK Eleven impressionados. Perdemos por 1-0, mas o nosso Elias Mabjaia, naquela tarde solorenta, evitou um mal maior. E se Nico, o “danger-man”, estivesse nos seus dias, haveria outra história para contar!

CARÁCTER E CARACTERÍSTICAS MUITO PRÓPRIAS

De facto, não brincava em serviço. Diziam que jogava feio, mas isso não o preocupava. Alto, espadaúdo, buscando o choque e o contacto em cada lance, dificilmente saía com a bola nos pés, tentando inventar. O seu forte era “limpar a área”, obrigar os colegas a subirem. O jogo aéreo, era um dos seus pontos fortes. Vivia as partidas como poucos. Daí que os técnicos o colocassem como último homem, numa zona em que não há espaço para brincadeiras. Ao lado de Joaquim João, eles completavam-se. Um preocupado (também) com o estilo, o outro a aliviar sem contemplações.

Era assim no Incomáti de Xinavane, continuou sendo assim no Ferroviário e na Selecção.
Num pequeno encontro com os jornalistas, ele não teve qualquer receio em afirmar:
– “Eu não jogo para vos agradar. Escrevam o que quiserem de mim. Sigo apenas o que o meu treinador me instrui e o que a minha equipa precisa”!

Dentro e fora do campo, era igual a si próprio. Simples, prático, directo e pouco falante. O importante para ele nas quatro linhas, era lutar para ganhar, sem rodeios e nem rodriguinhos. A simpatia e o “bana estilo” ficava para os outros!

 

UMA HISTÓRIA APARA RECORDAR

Martinho de Almeida acabava de assinar um contrato com o Ferroviário de Maputo. Estava-se no início de época. JJ, o eterno capitão, tinha sido convocado para a Selecção Nacional e por isso o mister decidiu entregar a braçadeira ao Elias Mabjaia. No regresso, as actuacões de Joaquim João, sem a braçadeira, comecaram a ser menos vistosas. O que se estaria a passar?

O criador do método Marsia indagou e chegou à conclusão que JJ, sem a braçadeira, que fazia parte do seu estilo, não era o mesmo. Ele não considerara antes esse pormenor de importante, mas acabou por mudar de opinião. O que fazer?
Usando o seu pragmatismo, Martinho de Almeida convocou um encontro com os visados, tentando chegar a um entendimento que não ferisse qualquer dois dois e beneficiasse a equipa.
Assim sendo, foi dizendo:
JJ, o que se passa com o teu rendimento. É por causa da falta da braçadeira?
De algum modo si, mister. Até as amigas da minha esposa, no bazar gozam, dizendo-lhe: o teu marido já não é capitão? Desceu de categoria? Isso afecta-me!
OK. disse o mister. E tú, Mabjaia. Jogas mais ou menos, sem a braçadeira?
Nem pensar, mister. O que me importa, é a equipa e as vitórias.

O assunto ficou resolvido na hora. Martinho tirou do bolso um valor considerável, em notas, e ofereceu a Mabjaja, em troca da cedência da bracadeira ao eterno capitão JJ. E tudo voltou à normalidade, com a dupla de centrais locomotivas a voltarem a render em pleno.

É este grande – no tamanho e no valor – desportista moçambicano que faleceu. Ele partiu, mas a sua história de vida fica connosco. Sobretudo com os mais velhos que com ele privaram e tiveram o privilégio de (com)partilhar, em inúmeras tardes de glória e em diversos palcos, onde a sua modalidade de eleição – o futebol- trazia alegrias aos adeptos.

O Secretário do Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, diz que já há solução para os problemas detectados pela CAF em relação ao Estádio Nacional do Zimpeto e que as intervenções a serem feitas não terão custos orçamentais, uma vez estarem dentro da garantia com o empreiteiro chinês

 

Os problemas levantados pela Confederação Africana de Futebol no Estádio Nacional do Zimpeto e que interditam o campo de acolher os jogos da selecção nacional e das competições africanas de clubes tem solução à vista. A garantia é do Secretário do Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, que assegura que foram identificados todos os problemas levantados.

“Foram vários aspectos levantados, como as medições do campo, em termos de centímetros que se adequem às medições internacionais dos campos que podem acolher jogos da CAF, os torniquetes que garantem a entrada segura dos assistentes e a contagem exata do número de espectadores, que é isso que a CAF e a FIFA querem e a qualidade da relva, que deve ser melhorada. Soa aspectos que já fomos lá ver e sabemos como devem ser feitas estas intervenções”, disse o Secretário do Estado do Desporto, Gilberto Mendes.

Em termos orçamentais, Gilberto Mendes assegura que todos problemas detectados estão dentro da garantia com o empreiteiro chinês e não terão muitos custos aos cofres do estado. “A situação da iluminação está coberta com a garantia que temos com empreiteiro, há problemas a nível de bancadas, que começaram a ceder e a ter rachas, também está dentro do contrato com o empreiteiro, os torniquetes também fazem parte do contrato inicial e também estão coberto”, garantiu Mendes que confirmou que, “por isso não teremos muitos gastos assim, porque temos quase tudo dentro do contrato e que só precisa ser activado”.

Mendes disse ainda que já foram feitos contactos com o empreiteiro através da embaixada da china em Moçambique para a correcção de todas irregularidades detectadas pela Confederação Africana de Futebol.

Aliás, as obras já iniciaram e estarão prontas bem antes da reinspecção que será feita pela CAF, a 15 de Junho. O que falta é que estado de emergência termine e as fronteiras sejam abertas para que chegue o material de iluminação e todo equipamento.

Mas também: “a questão dos torniquetes já está a ser tratada com três propostas que já temos em cima da mesa para a questão da segurança e em relação a relva já abrimos um concurso para a empresa que vai começar a tratar desse assunto” assegurou o Secretário do Estado do Desporto para quem “num curto espaço de tempo teremos novamente aqui a inspecção da CAF a dar o aval para que a selecção nacional volte a usar o Estádio nacional do Zimpeto”.

Gilberto Mendes deu estas garantias durante o encontro que manteve com os jornalistas desportivos para apresentar o plano nacional de estruturação e de financiamento do desporto moçambicano.

 

 

A Confederação Africana de Futebol chumbou os dois maiores estádios do país, nomeadamente, da Machava e do Zimpeto, por não obedecerem os critérios de elegibilidade para acolher jogos internacionais. O país tem até 15 de Julho para resolver os problemas identificados, sob pena de não acolher jogos dos Mambas.

Moçambique está, praticamente, sem estádios para acolher jogos internacionais de clubes e da selecção nacional. É que os dois maiores estádios do país, nomeadamente o Estádio Nacional do Zimpeto e o Estádio da Machava, forma chumbados na inspecção feita recentemente pela Confederação Africana de Futebol, não podendo, por isso, acolher jogos internacionais.

Esta informação foi dada a conhecer por Feizal Sidat, presidente da Federação Moçambicana de Futebol, durante uma conferência de imprensa. Sidat disse que “recebemos uma visita da CAF que fez inspecção a estes dois recintos e dizer que já recebemos o relatório e canalizamos a Secretaria do Estado do Desporto. Há muitos problemas que foram detectados, principalmente no Estádio Nacional do Zimpeto. Recebemos ofício da CAF que dá como deadline o dia 15 de Julho para que possamos resolver os problemas candentes do ENZ para que possamos acolher jogos”.

Dos grandes problemas que o Estádio Nacional do Zimpeto tem, neste momento, a iluminação é a principal, contando ainda a relva e a segurança. De acordo com Sidat, “a iluminação do ENZ esta mal e é preciso melhorar e termos o gerador, como segunda opção, também em condições de responder a falta de iluminação”. Mas há outros problemas identificados, nomeadamente os torniquetes. “Conforme sabem, o ENZ tem capacidade para 42 mil espectadores e não sabemos quanto temos dentro do campo em cada jogo e a CAF quer saber quantos são e isso só pode ser possível com torniquetes e software”, acrescentou Sidat que disse ainda que a zona de entrada de autocarros dos jogadores, também deve estar protegido, visto que é um local que não tem protecção.

“Também a zona VIP que deve ter segurança, bem como o perímetro à volta, para além do estado do próprio relvado que não esta em condições. Os balneários da equipa adversária é preciso ter em conta. A CAF quer ainda melhores condições para a sala dos exames médicos, nomeadamente departamento antidoping, para além das câmeras de segurança, em que algumas funcionam e outras não”, são outros aspectos que devem observados no Estádio Nacional do Zimpeto, segundo disse Feizal Sidat.

Recorde-se que o Estádio Nacional do Zimpeto foi inaugurado a 23 de Abril de 2011, pelo então presidente da República, Armando Guebuza, no âmbito da preparação dos Jogos Africanos do mesmo ano.

 

Machava só pode acolher jogos de formação

Relativamente ao Estádio da Machava, o recinto tem vários problemas, não podendo acolher jogos da selecção nacional e de clubes, nas afrotaças. Mas pode acolher jogos das camadas de formação. “O Estádio da Machava passou no teste para acolher jogos das equipas de formação, desde femininos, sub-20 e sub-17.

Mas chumbou para receber a jogos da selecção e de clubes”, esclareceu Sidat, que deixou claro que as recomendações deixadas já foram encaminhadas ao Secretário do Estado e ao Clube Ferroviário de Maputo, que é dono do campo e estes prometeram um encontro com a FMF para procurar resolver este problema.

“Sabemos que vamos acolher jogos do campeonato do mundo, com Camarões, Costa do Marfim e Malawi, para além dos jogos da CAF, então há prazos para melhorar isso. Fizemos uma visita no sábado e vamos fazer regularmente para ver o que podemos fazer para melhorar todos aspectos. Devo aqui agradecer a prontidão do Secretário do Estado que esta em cima destes assuntos e nos apoia. Temos que cumprir prazos para podermos acolher jogos”, realçou o presidente da Federação Moçambicana de Futebol.

Moçambique tem até ao dia 15 de Julho para fazer as retificações apresentadas para os dois campos, de modo a acolher jogos de qualificação ao CAN-2021, mundial 2022 e das competições africanas de clubes.

 

Uma comissão técnica, constituída por elementos da Federação Moçambicana de Futebol, Liga Moçambicana de Futebol, Sindicato Nacional de Jogadores de Futebol e Associação de Futebol da Cidade de Maputo e Comissão Nacional de Árbitros de Futebol   deverá reunir com a Ministra do Trabalho e Segurança Social, Margarida Talapa,  para abordar questões contratuais entre os clubes e atletas, num  período em que pandemia do Covid-19 forçou o cancelamento de todas actividades desportivas no país.

 

Lá fora, houve  grande pressão e…resistência numa primeira abordagem. Depois, a  velocidade  de propagação e o  aumento da taxa de letalidade do coronavírus e a "nova ordem mundial estabelecida" pela pandemia, agudizou as incertezas quanto ao regresso das competições. Faz-se de tudo para achatar a curva do coronavírus no meio de muitas dúvidas no mundo do desporto.  E, com as incertezas, veio o  anúncio de enormes prejuízos acumulados pelos clubes e a cedência de vedetas mundiais que aceitaram reduzir os seus salários.

Salvo as gritantes diferenças entre realidades, cá na aldeia, com todas as competições desportivas suspensas, os clubes vivem actualmente na incerteza de como irão pagar salários aos atletas asim como proceder a extensão dos repectivos  contratos caso haja mudança de epóca, e a mesma se estenda até 2021.

O Sindicato Nacional dos Jogadores de Futebol, uma das agremiações que integra a equipa criada pela Federação Moçambicana de Futebol para encontrar soluções para os problemas possam advir , reconhece a legitimidade das preocupações apresentadas pelos clubes, mas defende soluções que satisfaçam as duas partes.

"Eu creio que, eseencialmente, este grupo e, sobretudo, a audiência que solicitou a sua excelência ministra do Trabalho e Segurança Social, é para lidar com matérias ligadas a questões laborais.  Este é que é o ponto essencial com o Governo. Mas acredito que o grupo poderá seguir outros objectivos de trabalho que são claramente importantes de se debater e de se acautelar", começou por dizer António Gravata, presidente do Sindicato Nacional de Jogadores de Futebol.

Bom senso. Meio termo para que se  salvaguarde os interesses dos clubes e dos próprios jogadores. É o que recomenda, nesta altura de grande pressão e sensibilidade, o Sindicato Nacional dos Jogadores de Futebol. Nem os clubes muito menos os jogadores devem sair prejudicados neste período em que a Covid-19 está a condicionar o mundo.

"Os aspectos de natureza contratual serão muito importantes porque, se formos a reparar, o que se diz ou se propala é esta necessidade de suprimir, cortar ou rescindir os contratos laborais face à pandemia. Agora, é preciso acautelar em que condições esta mesma supressão ou rescisão de contratos devem ser feitos. São aspectos extremamente importantes. Eu creio que isso não deve ser prioridade. É preciso, primeiro, fazer uma avaliação do que está a acontecer. É preciso ver os prós e contras. É preciso ver em que medida o corte deve ser efectuado, isto se a realidade mostrar que é imperioso que se faça.  O primeiro ponto ou primeira medida, para nós, é a manutenção do pagamento ou cumprimento dos contratos", observou.

Mas mais do que defender a classe dos jogadores, o SNJF mostra-se sensível à saúde financeira dos clubes, sobretudo, neste momento em que não  há bola a rolar os relvados, não há mola a rolar advindo das bilheteiras e compromissos com patrocinadores ficam “pendentes”.

"Naturalmente, em função da evolução da pandemia e, porque também não somos insensíveis a outra parte que é do empregador no que diz respeito às condições financeiras, temos igualmente que olhar e fazer uma avaliação que não prejudique quer o empregador quer o próprio jogador. Estamos com expectativas em relação a este encontro do grupo de trabalho para podermos ver como avançamos", frisou.  E acrescentou: "Naturalmente, agora é prematuro e não creio que se deva falar de corte salarial porque há aqui orientações, sobretudo, aquelas que são emanadas pelas autoridades competentes ao nível do Estado. Já vimos o pronunciamento de sua excelência o presidente da República, Filipe Nyusi, a fazer referência a algumas medidas. Estas medidas, feliz ou infelizmente, abarcaram o lado dos jogadores profissionais mas há outras actividades que continuam em funcionamento ainda que de forma condicionada".

António Gravata alerta para necessidade de se “avaliar até que ponto a paragem vai obedecer a um período maior do que este".    Até porque, refere o presidente do Sindicato Nacional de Jogadores de Futebol, "pode ser, e oxalá que até ao dia 30 conforme foi dito e que está plasmado no Decreto Presidencial, possamos ter a situação controlada. Isto seria ouro sobre azul. E, em função disso, far-se-ia a marcação de uma data para o arranque do campeonato".

É justo que os clubes coloquem a questão de extensão dos contratos dos jogadores?
Penso que seria justo. É por isso que digo que seria prematuro os clubes avançarem com a ideia de rescisões  contratuais ou cortes salariais. Agora, numa situação destas e porque o tempo está a estender-se, creio que seja possível a prorrogação dos contratos. É neste tipo de incidências na qual a extensão dos contratos faz parte e nós temos que estar preparados para assumir. Não podemos, de um lado, estar a exigir que se cumpra com aquilo que está estabelecido no contrato quando no final do dia a temporada prolongar-se para além do contrato e os jogadores não estarem a acomodar esta preocupação dos clubes. Há um meio termo que se deve encontrar para que os clubes, jogadores e treinadores não fiquem prejudicados. É por isso que tenho que felicitar a direcção da Federação Moçambicana de Futebol por ter criado este grupo de trabalho e, acima de tudo, por incluir vários actores do futebol. Eu penso que mais actores deviam integrar o grupo, por exemplo, o Sindicato dos Treinadores de Futebol. Mas eu etendo, até porque uma  das condições para realização deste encontro foi o número de pessoas que pudessem estar inclusas no grupo de trabalho. Portanto, devia ser um grupo reduzido.  É uma medida que vemos com bons olhos. Estamos a falar de situações que temos que acomodar, caso elas surjam porque são decorrentes de condições que não estão no controlo de qualquer uma das entidades. É dentro das cedências que cada uma das partes pode e deve fazer para acomodar os interesses, sobretudo, do futebol. Eu creio que, na necessidade de se fazer esta extensão dos contratos, há condições pelo menos da parte do Sindicato de Jogadores de Futebol. Naturalmente, vai-se discutir os termos e condições em que essa extensão vai ser feita para que, de facto, se possa acomodar aquilo que serão os cenários de provas que se afigurarem praticáveis nessa altura.

O Gabinete Técnico da Federação Moçambicana de Futebol apresentou três propostas para a temporada, face à pandemia do novo coronavírus. Uma delas passa por ajustar o calendário com a realidade de outros países, conforme as recomendações da Confederação Africana de Futebol…

É uma situação delicada, porque estamos a juntar dois aspectos um pouco diferentes. Primeiro é a natureza da paragem que estamos a enfrentar. Se só a mudança de calendário já era um problema grande ao nível interno, até porque não reúne consenso, em função de várias vicissitudes, esta pandemia veio agudizar ainda mais esta questão de consenso. Agora, é verdade que há imposições de fora de entidades que gerem o futebol ao nível mundial para se adequar aquilo que tem sido prática ao nível de África e Europa. Mas nós também as nossas especificidades. É preciso observar isso. Houve uma primeira tentativa de mudança do período de época. Temos que buscar esta experiência e ver a razão da mudança que é sobejamente conhecida. Temos que ver o que falhou e, acima de tudo, por que se decidiu voltar ao figurino anterior. Temos que ver o que é possivel e como podemos fazer para que, as coisas que eventualmente contribuíram para que se falhássemos este objectivo, não voltem a concorrer para o fracasso  agora e possamos progredir. É trabalho muito grande que deve ser feito e não deve so incluir a direcção ou gabinete técnico da FMF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A basquetebolista moçambicana Chanaya Pinto, que evoluiu nos EUA, diz que aproveita o distanciamento social para fazer exercícios físicos que a ajudam a manter-se em forma. A atleta apela ainda aos moçambicanos a serem solidários e a acatarem as recomendações das autoridades.

 

Chama-se Chanaya Pinto, de 19 anos de idade, mas com um potencial talento acima da média. Chegou aos Estados Unidos da América nos finais do ano passado, tendo desde logo demostrado as suas qualidades e conquistado a "Panhandle Conference" da National Junior College Athletic Association- NJCAA- da região 8 ao serviço da Northwest Florida State College.

A basquetebolista apresenta, em 25 jogos, uma média de 14.2 pontos por jogo, 47.0% de aproveitamento nos lançamentos de campo, 26.6% nos tiros exteriores e 69.8% na linha de lances livres.

Mas mau grado o aparecimento da pandemia do Coronavírus que interrompeu a prática do basquetebol e de todas modalidades, não só nos Estados Unidos da América, mas em quase todo mundo.

E a estrela que nascia no Northwest Florida State College fica agora com pouco brilho, sem competições para acender ainda mais o seu brilho.

Algo que, apesar de preocupar a atleta moçambicana, não a deixa abalada, uma vez que aproveita este período para manter a sua boa forma através de exercícios físicos caseiros.

Segundo ela mesma diz, “basicamente isto é um ciclo vicioso: acordar comer, dormir”. Mas nisso tudo há algo que não ficou para trás: “graças a Deus as minhas aulas não foram canceladas o que quer dizer que não vou perder o ano, então tenho que estudar muito”. E outra: “também tenho aproveitado para fazer exercícios físicos, sempre que posso”, segrega-nos Chanaya Pinto.

Se nos Estados Unidos os números já chegam aos 150 mil infectados, em Moçambique mantém-se os oito anunciados no final de semana, mas Pinto já está preocupada com as medidas de prevenção a serem adoptadas pelos seus compatriotas.

“A melhor forma de prevenir isto é ficar em casa. Sei que é difícil, mas vamos ficar em casa”, começou por dizer, para depois acrescentar que está preocupada com os vendedores informais. “Sei que é difícil, por exemplo, para um vendedor informal, explicar a importância de ficar em casa, visto que a maior parte deles faz dinheiro diariamente para cobrir as suas despesas, dentre as quais comprar produtos de primeira necessidade que são alimentícios, pagar renda, água e luz”, diz a atleta moçambicana de basquetebol.

Por esse motivo, Pinto diz que “é altura de sermos heróis uns dos outros”, seguindo o velho ditado africano “a união faz a força”.

A atleta de 19 anos de idade iniciou a sua carreira no Costa do Sol, passando pelo Ferroviário de Maputo, antes de se transferir para a Quinta dos Lombos, em Portugal.

E tal como outras profissionais de basquetebol, casos de leia Dongue e Tamara Seda, que actuam na Espanha, actualmente a basquetebolista encontra-se em Maputo, a cumprir a quarentena até que a pandemia seja estancada.

 

O Departamento Técnico da Federação Moçambicana de Futebol apresentou três cenários possíveis de como será a época futebolística nacional após o Covid-19. O primeiro prevê que a época termine em Dezembro deste ano e os restantes dois induzem à mudança do calendário futebolístico, adequando a época proposta pela CAF.

 

Ainda estamos somente com os primeiros sete dias das medidas de prevenção, que incluem a quarentena domiciliária, adoptadas pelo governo moçambicano, faltando ainda pouco mais de 20 dias para o seu fim. Com as restrições impostas, o futebol parou no país e no mundo, mas as mentes continuam a funcionar, já a pensar no que será do futebol nacional depois da passagem desta pandemia.

Foi com esse intuito que o Departamento Técnico da Federação Moçambicana de Futebol, liderada pelo reconhecido treinador do futebol, Arnaldo Salvado, decidiu apresentar cenários possíveis de como será a época futebolística daqui para frente.

No caso concreto, o Departamento Técnico da FMF apresenta três cenários de competições, que podem ser implementadas pelo organismo moçambicano que gere o futebol para o cumprimento da época futebolística.

Dos três cenários, o primeiro é do prolongamento da presente época até 20 de Dezembro, estando os outros dois cenários, que devem estar sujeitos a uma aprovação pela Assembleia Geral da FMF, virados para a mudança de época, indo de encontro com as pretensões da Confederação Africana de Futebol (CAF), de época única para todos os campeonatos nacionais, que inicia em Julho de uma ano e termina em Maio do ano seguinte.

Eis os cenários propostos pelo Departamento Técnico da FMF:

 

Cenário A: paragem de um mês

Este cenário só será possível se o período de paralisação da actividade desportiva foi de apenas um mês, ou seja, caso as medidas adoptadas pelo governo sejam levantadas a 23 de Abril próximo. Assim, a época 2020 seria prolongada por mais um mês, devendo terminar a 20 de Dezembro, o que faria com que a época 2021 iniciasse a 20 de Janeiro até Dezembro, seguindo as épocas subsequentes o mesmo calendário.

A desvantagem deste período de calendário é que o mesmo não iria coincidir com o calendário proposto pela CAF e obrigaria a ter muitos jogos em atraso, caso a selecção se qualifique para as fases finais do CAN ou CHAN, que se realizam em Junho, período em que a época estaria a meio. O Moçambola teria que parar para dar lugar a participação dos Mambas nessas fases finais.

Mas teria vantagens: evitaria o período mais quente e mais chuvoso, nomeadamente Dezembro, Janeiro e Fevereiro; as equipas nacionais estariam com bom ritmo nas competições africanas; o Moçambola iria decorrer sem muitos problemas de falta de fundos; a validade dos contratos dos atletas continuaria em dia; e o período de férias futebolísticas iria coincidir com as férias escolares.

Caso assim se prossiga com esta época, o Departamento Técnico aconselharia que se adoptasse medidas para o encerramento das provas nacionais, como por exemplo que o Moçambola se realizasse em uma só volta e depois se realizasse um play-offs entre os primeiros 8 classificados até se encontrar o campeão e entre os últimos 6 classificados para apurar as equipas que descem, ou ainda que o Moçambola tenha uma só volta e depois uma fase final em duas voltas entre os primeiros 4 classificados para encontrar o campeão e simultaneamente uma outra fase final em duas voltas entre os 4 últimos classificados para apurar quem desce de divisão.

Em relação a segunda divisão, a proposta é que os campeonatos nacionais de segunda divisão se realizem em uma só volta (nas Províncias onde existem muitas equipas) e depois uma fase final entre os primeiros 4 classificados para apurar quem será o campeão que vai à fase final zonal, ou então que se realize em grupos, com duas voltas, e depois uma fase final entre os vencedores dos grupos para se apurar o campeão que irá à fase final zonal.

 

Cenário B: paragem de dois a três meses

Este segundo cenário prevê que em caso de uma paragem de mais de dois meses, houvesse uma reestruturação do calendário futebolístico. Assim, a época iria decorrer de Junho de 2020 a Maio de 2021, com alteração nos moldes de disputa da Taça de Moçambique, nomeadamente na fase provincial.

Este cenário traz consigo algumas vantagens, nomeadamente o enquadramento da época futebolística nacional ao calendário competitivo da CAF, ainda que os jogos fossem decorrer num período de temperaturas elevadas e em época mais chuvosa, o que provocaria muitos adiamentos. Mas o facto é que este cenário faria com que houvesse a prorrogação da actual época, bem como a validade dos contratos dos atletas com os clubes.

Assim, de acordo com a proposta do Departamento Técnico da FMF, a época seria de Junho de 2020 a Maio de 2021, e assim dividido: o calendário com 57 finais de semana, teria nove para as eliminatórias da Taça Moçambique, 26 para a disputa  do Moçambola, 4 para a paragem do fim de ano, 10 para os jogos da Selecção Nacional a contar para o CAN e Mundial, 2 para jogos da Cosafa e cerca de 6 finais de semana sem provas agendadas, para situações de jogos em atraso.

 

Cenário C: mudança da época futebolística

Aqui, neste cenário, o Departamento Técnico da FMF quer aproveitar para enquadrar o futebol moçambicano à época do calendário proposto pela Confederação Africana de Futebol (CAF), iniciando a época em 1 de Junho até 31 de Maio de 2021. Para tal as provas teriam que atrasar o seu início a partir de agora, mas reiniciando com a disputa dos Campeonatos Provinciais ora interrompidos.

Mas este cenário tem alguns desafios, aos olhos do Departamento Técnico da FMF, nomeadamente: muitos jogos a serem adiados por questões climatéricas de chuvas intensas e ainda a serem realizados debaixo de intenso calor; prorrogação dos contratos dos jogadores adaptando-os à nova época futebolística; clubes teriam de ser convencidos a continuar a pagar os salários dos jogadores no período deste interregno forçado.

Estes dois últimos cenários, caso aprovados pela Assembleia Geral, obrigariam a paragem do Moçambola por quatro semanas, nomeadamente de 20 de Dezembro a 20 de Janeiro e a segunda divisão, por oito semanas, de 20 de Dezembro a 20 de Fevereiro, para evitar a época chuvosa.

Os cenários propostos pelo Departamento Técnico da Federação Moçambicana de Futebol só serão analisadas depois que forem levantadas as medidas de prevenção da Covid-19, pelo governo, ou mesmo com o agravamento das medidas, em face do crescendo número de casos positivos no país, que vão em oito, dos mais de 217 casos testados até ao momento.

Moçambique é um dos países africanos com casos do novo Coronavírus, pandemia que está a afectar o desporto ao nível mundial.

Reinildo Mandava, internacional moçambicano que evolui no Lille da França, não ficou indiferente a este momento difícil pelo qual o mundo está a passar. Num vídeo publicado no sítio do jornal “A Bola”, Reinildo Mandava apela a todos moçambicanos a acatarem as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde e pelo governo.

“Sei que é uma situação extremamente difícil para todos nós, em que é necessária toda a ajuda e colaboração de todos os irmãos moçambicanos, não esquecendo de seguir todas as medidas de prevenção, que são: evitar estar em locais com muita gente; evitar cumprimentar as pessoas, dando as mãos; evitar passar a mão, constantemente, no rosto; lavar bem as mãos com álcool-gel, se não tiver, lavar bem as mãos com água e sabão; pois este é um vírus extremamente transmissível e ainda sem cura. E assim devemos agir, de forma responsável, acatando todas as recomendações do governo e das instituições internacionais. Juntos iremos vencer este mal”, apelou.

O esquerdino apelou ainda aos moçambicanos a manterem a calma e permanecerem em casa: “Pela sua saúde, pela saúde da sua família e do seu bem-estar, fique em casa, mantenha-se em quarentena e, em caso de sintomas, procura ajuda médica. Um forte abraço, irmãos moçambicanos”, frisou.

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