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O País – A verdade como notícia

É uma referência obrigatória do desporto moçambicano, no geral, e basquetebol, em particular. É a única basquetebolista moçambicana que já evoluiu na WNBA, a maior liga feminina da modalidade da bola ao cesto do planeta, para além de ter jogado  em ligas da França, Espanha, Itália, Brasil e Coreia do Sul. Chama-se Clarisse Machanguana, a mais bem-sucedida basquetebolista moçambicana, actualmente patrona da fundação com o mesmo nome que intervém em áreas sociais. Em tempos de crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, Clarisse Machanguana diz que os desportistas nacionais devem reinventar-se.

Mais: Machanguana diz ainda ser importante, nesta fase, não entrar em pânico e procurar informação nos canais oficiais.

 

Como é que olha para o alarme que a pandemia veio criar nas sociedades e mudou radicalmente a forma como o desporto, habitualmente, se praticava no mundo, no geral, e Moçambique, em particular?

É uma novidade. Acho que é um aprendizado para todos nós como seres humanos, independentemente de sermos desportistas ou não. É algo que nos choca. É algo que temos que aprender a conviver e, como atletas, impõe muitos desafios porque por norma o desporto é estar a competir contra outras pessoas, envolvendo fãs que querem alegrar-se com a beleza que é o desporto. E, naturalmente obriga as pessoas que gostam de desporto e são desportistas a assumirem uma nova disciplina que já devia estar na rotina do atleta mas se não estava começa a ter que ser que é organizar-se no dia-a-dia para fazer exercícios de uma maneira que seja responsável para o próximo e que também respeita a conduta física que se tem que apresentar quando a época começar ou continuar, dependendo daquilo que vão ser as  decisões. Então, é importante respeitar o seu próprio corpo, fazer uma corrida, não beber para aqueles que abusam do álcool, não fazer noitadas, portanto, uma regra que é aquela que é a conduta normal de um atleta mas que agora exige uma disciplina maior porque agora não há o treino colectivo mas há o orgulho pessoal, o orgulho de estar em boa forma, orgulho de se tratar bem e que também perante tantos desafios e imprevistos que, se calhar, é não ter salário ou menor do aquilo que estava previsto é ter a mente sã. Ter mente sã em que pode começar a desafiar a si mesmo, pensar no seu futuro depois do desporto, o que vai fazer e como é que se prepara para chegar lá e como é que retribui a sociedade. Nós todos os dias entramos no campo, temos pessoas que nos aplaudem, temos pessoas que investem no dia a dia e como é que depois podemos retribuir a sociedade no nosso país aquilo que foi investido em nós.  Pode não ser material. Existe muito casamento entre um atleta, a sociedade e o país e o vestir a camisola ou cores da nossa bandeira. Eu acho que é o momento de reflexão obrigatória que é pontual e que obriga que a pessoa reflicta sobre a sua própria carreira. Eu sei que é difícil, mas é a necessidade do momento.
 

Tocou num ponto muito interessante? falou de ter a mente sã que é um grande desafio neste contexto em que a socialização inerente ao desporto foi colocada em causa. Como garantir esta construção de uma mente sã neste confinamento a que estão sujeitos os desportistas?

Acima de tudo, é importante não entrar em pânico. Não há nada que nós, individualmente como pessoas não estudadas na matéria de medicina, possamos fazer para acelerar a resolução deste problema. Portanto, entrar em pânico não resolve nada. Então, uma mente sã é aquela que é consciente daquilo que lhe rodeia, da situação que tem e que pode ver gradualmente quais são os elementos que pode melhorar para si mesmo e para a comunidade onde vive. E, nisto tudo, está evitar hábitos que nos auto-destrõem como pode ser o excesso de álcool, excesso da comida, enfim, tudo que faça mal. Preparar-se de maneira sã é ler um livro, ouvir notícias que sejam positivas, gozar um momento positivo com a própria família e colocar-se numa posição que não crie desvantagens quando tudo voltar à normalidade. Ou então, assumir que esta situação prolongar-se mais para além do que todos queríamos. Então, a pergunta é? como é que vivemos dentro desta realidade? O pânico não resolve. A apatia também não. Temos que encontrar uma balança no meio que como é nos perguntamos como é que vamos continuar a viver. As primeiras coisas a acariciar são as pessoas que nós amamos. Este problema vem reforçar a alegria de um beijo de um marido, uma mulher, filho, ou seja, estarmos a gozar os momentos. Invetarmos os jogos que já não fazíamos porque estamos a correr para o serviço e os mil objectivos que temos. Este vírus é um bocadinho uma realidade de que a vida não é aquilo que nós planeámos. A vida é o que nos acontece no meio dos nossos planos.  Portanto, eu tinha um plano de criar uma fundação de sucesso e, neste momento a minha fundação, por exemplo, envolve mobilizar pessoas e persuadir a comportamentos saudáveis. Neste momento, não posso fazer. O que eu faço no meio disto? Então, é uma reivenção que na verdade é paralela a aquilo que o mundo nos está a levar que é conviver com a tecnologia, conviver com as redes sociais, conviver com o mundo digital. Então, de uma maneira incaracterística estamos a ser forçados a reinventar-nos e, em vez de lutarmos e desafiar algo que não está no nosso controle, é abraçar e identificar as realidades que estão nesta crise e situação e se calhar deixar de definir como crise.  Neste momento, é a bola onde nós estamos inseridos e como é que convivemos e vamos para frente porque não temos o controle de quando tempo ela vai existir, como nos vai afectar, como será a economia depois disso e como será a vida dos nossos filhos. É um ajustar dia por dia. E, na verdade, a vida é isso. Eu não sei o que vai ser o amanhã. Se calhar nem chego lá. Como é que eu gozo o dia de hoje da melhor maneira?

 

“É preciso identificar aquilo que é verdadeiro e o que não é”

Clarisse Machanguana faz um convite à reivenção dos desportistas. Considerando que eles precisam também de adoptar uma nova postura de prática dos exercícios físicos, qual é a reivenção que consegue contemplar neste novo cenário?

Bom, a primeira que foi referida que é de fazer exercícios e respeitar o corpo fazendo actividades que nos são saudáveis mesmo dentro do confinamento ou então tentar fazer em horas não habituais. Se calhar, a pessoa estava habituada a fazer às 9h00 mas pode ser às 5h00 quando há menos pessoas e há ar fresco. Para mim, a outra maneira de se reinventar é traçar os objectivos que eu tenho na vida. Tenho um momento em que sou obrigada a estar em sítios confinada, em casa, numa palhota ou onde quer que seja, eu vou começar a restruturar mentalmente como é que eu me vou reinventar, quais são os elementos fundamentais com que posso contar. Começo a fazer uma definição daquilo que eu quero ser daqui há dois meses ou um ano. É uma construção da minha nova pessoa ou da minha adaptação à nova realidade. É claro que são desafios que podem não se adequar a muitas condições económicas, mas se for esta a nova realidade daqui para frente é aquilo com que temos que viver. Não é para diminuir a importância e a seriedade que este vírus afecta a nossa vida mas também para aprendermos a reajustarmo-nos na nova realidade, na nova dificuldade, na nova bolha que tanto lutamos. Nós seres humanos somos engraçados. Antes disto, muitos de nós lutamos para ter uma semana de pausa. Agora, temos três, cinco ou dez semanas de pausa forçada e não sabemos o que fazer. É um momento, como dizia, para redefinirmos e entendermos qual é o nosso potencial para fazermos as melhores coisas dentro desta realidade. Não é fazer fora daquilo que é a minha condição económica ou realidade do país mas dentro da minha realidade económica, social, desportiva e humana. Quem posso ser eu dentro desta realidade ou confusão? É um desafio a minha pessoa individual que depois tem que se inserir no mundo da nova realidade.

Para além de ser uma grande referência do basquetebol feminino ao nível nacional e mundial por ter chegado à  WNBA,  maior liga de basquetebol do mundo, Clarisse Machanguana é também uma activista social pois dirige uma  fundação que actua mesmo em áreas sociais. Mesmo para terminar, uma mensagem não apenas para os desportistas mas para a sociedade em geral para que os moçambicanos possam captar e perceber que é também um momento de oportunidades…

Acima de tudo, gostava de dizer ao nosso amigo, irmão e irmã moçambicano, que não está sozinho. Estamos todos nesta realidade e, acima de tudo, nós vamos entrar em pânico. Gostava também de deixar um alerta, um convite para que sejamos cautos a aceitar todas realidades que são enviadas nas redes sociais, nos whatsups, a identificar aquilo que é verdadeiro e o que não é. É preciso identificar os canais formais que dão esta informação e acho que é um bom momento para nós abraçarmos de maneira digital, entendermos que tudo que nos acontece passa e o tempo que leva nem sempre está ao nosso controle. Por isso, vamos agradecer por ainda estarmos vivos. Vamos agradecer por podermos respirar e estar entre gente maravilhosa que somos nós moçambicanos. Paciência, muita calma e vamos passar disto porque já passamos por muitos desafios. Não acho que seja este que nos vai derrotar a todos.

 

“Gigante” sul-africano Mamelodi Sundowns quer desviar o internacional moçambicano, Edmilson Gabriel Dove,  de Cape Town para Pretória. Os próximos dias serão decisivos para o futuro esquerdino.
A janela de transferências no futebol sul-africano está à espreita: Julho e Agosto, embora a evolução da pandemia da COVID-19 possa alterar este período.  E, porque, regra-geral, a véspera é caracterizada por “seduções” e propostas em cima da mesa, os “grandes”  sul-africanos começam a posicionar-se para garantir reforços  de peso para a próxima temporada.

E, nesta corrida, há um moçambicano que é colocado  na órbita do Mamelodi Sundowns, campeão em título na África do Sul, e vencedor da Liga dos Campeões Africanos de 2006: Edmilson Gabriel Dove.

O esquerdino do Cape Town City, escreve a publicação  “Soccer Laduma”,  é seguido há já algum tempo pelos “brasileiros”- alcunha do Mamelodi Sundowns- que irão avançar com uma proposta para desviar Dove de Cape Tonw para Pretória.

Mas este negócio, ainda de acordo com a “Soccer Laduma”, não se afigura nada fácil porquanto o seu clube “informou em Fevereiro deste ano que o Mamelodi pode ter um grande  problema nas mãos se quiser contratar o jogador, pois também está a crescer o interesse no seu passe por parte de clubes de Portugal”.

Esta temporada, Edmilson Dove já fez 23 jogos- totalizando 690 minutos- e marcou três golos na Premier Soccer League. O internacional moçambicano fez ainda um jogo na MTN8, Telkom Knockout e Nedbank Cup.

No entanto, numa entrevista  ao  “Soccer Laduma”, o  jogador de 25 anos foi questionado se gostaria ou não de seguir o caminho dos ex-colegas de equipa Aubrey Ngoma, Lyle Lakay e Lebogang Manyama, que assinaram contratos com grandes clubes:  Sundowns e Kaizer Chiefs.

Dove respondeu nos seguintes termos: “Em primeiro lugar, estou feliz pelos colegas porque deram esse passo em suas carreiras. No entanto, não me vou colocar sob pressão para dizer que também quero me mudar só porque eles se mudaram. Se a mudança acontecer, eu irei decidir o que fazer. Estou a  jogar numa equipa  muito boa e que me trata bem. Por isso, não estou a pensar em mudar, a menos que haja algo que aconteça e eu decida investigar”, disse o internacional moçambicano, citado pelo “Soccer Laduma”.

 

PERCURSO NO FUTEBOL SUL-AFRICANO

Dove transferiu-se, a meio da temporada passada, do Ferroviário de Maputo para o Cape Town City, num contrato válido por duas temporadas. A ida ao futebol sul-africano concretizou-se depois do jogador dos Mambas haver falhado o salto para o Sporting Clube de Portugal.

Na Premier Soccer League, a PSL, principal liga sul-africana, Edmilson Dove realizou seis jogos, antes de sofrer uma lesão que o deixou fora dos campos por cerca de dois meses. No seu regresso, efectuou as últimas três partidas da sua equipa, ajudando o Cape Town City a terminar o campeonato na terceira posição.

Ao serviço do clube sul-africano, Edmilson estreou-se na vitória da sua equipa (por 0-3) diante do Baroka, no dia 26 de Fevereiro, vindo a jogar no fim-de-semana seguinte, também na vitória diante do Mamelodi Sundowns, por uma bola sem resposta. Nesta partida, Edmilson viu uma cartolina amarela, sendo admoestado novamente na vitória (3-2) diante do Kaizer Chiefs.

“Gigante” sul-africano Mamelodi Sundowns quer desviar o internacional moçambicano, Edmilson Gabriel Dove,  de Cape Town para Pretória. Os próximos dias serão decisivos para o futuro esquerdino.
 

A janela de transferências no futebol sul-africano está à espreita: Julho e Agosto, embora a evolução da pandemia da COVID-19 possa alterar este período.  E, porque, regra-geral, a véspera é caracterizada por “seduções” e propostas em cima da mesa, os “grandes”  sul-africanos começam a posicionar-se para garantir reforços  de peso para a próxima temporada.

E, nesta corrida, há um moçambicano que é colocado  na órbita do Mamelodi Sundowns, campeão em título na África do Sul, e vencedor da Liga dos Campeões Africanos de 2006: Edmilson Gabriel Dove.

O esquerdino do Cape Town City, escreve a publicação  "Soccer Laduma",  é seguido há já algum tempo pelos “brasileiros"- alcunha do Mamelodi Sundowns- que irão avançar com uma proposta para desviar Dove de Cape Tonw para Pretória.

Mas este negócio, ainda de acordo com a "Soccer Laduma", não se afigura nada fácil porquanto o seu clube “informou em Fevereiro deste ano que o Mamelodi pode ter um grande  problema nas mãos se quiser contratar o jogador, pois também está a crescer o interesse no seu passe por parte de clubes de Portugal".

Esta temporada, Edmilson Dove já fez 23 jogos- totalizando 690 minutos- e marcou três golos na Premier Soccer League. O internacional moçambicano fez ainda um jogo na MTN8, Telkom Knockout e Nedbank Cup.

No entanto, numa entrevista  ao  “Soccer Laduma”, o  jogador de 25 anos foi questionado se gostaria ou não de seguir o caminho dos ex-colegas de equipa Aubrey Ngoma, Lyle Lakay e Lebogang Manyama, que assinaram contratos com grandes clubes:  Sundowns e Kaizer Chiefs.

Dove respondeu nos seguintes termos: “Em primeiro lugar, estou feliz pelos colegas porque deram esse passo em suas carreiras. No entanto, não me vou colocar sob pressão para dizer que também quero me mudar só porque eles se mudaram. Se a mudança acontecer, eu irei decidir o que fazer. Estou a  jogar numa equipa  muito boa e que me trata bem. Por isso, não estou a pensar em mudar, a menos que haja algo que aconteça e eu decida investigar”, disse o internacional moçambicano, citado pelo "Soccer Laduma”.

 

PERCURSO NO FUTEBOL SUL-AFRICANO

Dove transferiu-se, a meio da temporada passada, do Ferroviário de Maputo para o Cape Town City, num contrato válido por duas temporadas. A ida ao futebol sul-africano concretizou-se depois do jogador dos Mambas haver falhado o salto para o Sporting Clube de Portugal.

Na Premier Soccer League, a PSL, principal liga sul-africana, Edmilson Dove realizou seis jogos, antes de sofrer uma lesão que o deixou fora dos campos por cerca de dois meses. No seu regresso, efectuou as últimas três partidas da sua equipa, ajudando o Cape Town City a terminar o campeonato na terceira posição.

Ao serviço do clube sul-africano, Edmilson estreou-se na vitória da sua equipa (por 0-3) diante do Baroka, no dia 26 de Fevereiro, vindo a jogar no fim-de-semana seguinte, também na vitória diante do Mamelodi Sundowns, por uma bola sem resposta. Nesta partida, Edmilson viu uma cartolina amarela, sendo admoestado novamente na vitória (3-2) diante do Kaizer Chiefs.

 

Ganhou, recentemente, uma bolsa de quatro anos para jogar e estudar no Estado do Kansas, nos EUA, precisamente no Wichita Shokers da NCAA, liga universitária de basquetebol.

Carla Budane, que no final desta época vai deixar o Sport Lisboa e Benfica e rumar para a "Division I", anseia pelo sucesso na sua aventura no outro lado do atlântico.

A extremo, de 19 anos, diz que vai “dar o seu melhor “ para atingir grandes patamares na terra do tio Sam.

“Eu ganhei uma bolsa de estudos graças a minha grande prestação na equipa sénior feminina do Benfica. Tenho essa grande oportunidade de continuar os meus estudos e jogar basquetebol ao mais alto nível nos EUA. Vou dar o melhor”, promete a extremo.

Certo é que as escolas europeia e americana têm as suas diferenças, mas nada que assuste a internacional basquetebolista moçambicana no novo desafio na sua carreira.

“O basquetebol europeu e o americano são diferentes, mas um complementa o outro. Espero que o povo moçambicano, desse lado, continue a apoiar-me como sempre. Eu espero que tudo corra bem nos quatro anos que estarei lá".

Em tempos em que o mundo se rendeu a taxa de letalidade da COVID-19, Carla Budane cumpre o confinamento social em Lisboa, Portugal.

A internacional basquetebolista moçambicana apela aos seus compatriotas a ficarem em casa até para reduzirem o risco de contaminação".

"Apelo a todos os moçambicanos a ficarem em casa porque isso é uma realidade. Cá em Portugal, está tudo parado. A nossa época foi interrompida. Eu estou em casa, porque essa é a melhor forma de reduzir o risco de contaminação do Covid-19".

Carla Budane explicou ainda ao “O País” qual tem sido sua rotina em tempos de Estado de Emergência em Portugal.

“Para passar o dia, em casa, eu tenho feito alguns exercícios físicos. Tenho estudado e assistido os noticiários porque é importante estar actualizado. Eu espero que esta situação passe o mais rápido possível para que tudo volte a normalidade”.

Budane disputou, ano passado, na Tailândia, o Campeonato do Mundo de basquetebol sub-19.

 

Os chamados clubes do futebol moçambicano, nomeadamente Costa do Sol, Ferroviário de Maputo, União Desportiva do Songo e Associação Black Bulls, esta última recentemente promovida ao Moçambola 2020 e que aguarda pela sua estreia, queixam-se da redução do financiamento financeiro por parte das empresas integradoras, por conta da pandemia do novo coronavírus

É uma situação nova e que surpreendeu todo mundo, com particular realce para o desporto mundial e nacional, em particular, bem como os seus fazedores e os patrocinadores. A Covid-19 obrigou a mudanças profundas na colecta de receitas das empresas que apoiam ou financiam os clubes nacionais, e estas, por seu turno, já se recentem com esta falta de financiamento.

Com a recente aprovação do pagamento de salários por parte dos clubes aos jogadores de futebol, mesmo em período de pouca produtividade futebolística, nomeadamente em 50 e 40%, dependendo da robustez financeira de cada clube, já há reclamações.

Os clubes estão prestes a entrar para o vermelho, tendo em conta as despesas que tem com os seus trabalhadores das respectivas sedes, mas também com a manutenção das suas infraestruturas, numa altura em que não há nenhuma prática da modalidade das massas, em virtude da prevalência do novo coronavírus.

Falando ao jornal electrónico Lance, alguns dirigentes desportivos falaram das dificuldades financeiras a que passam, devido a fraca participação das empresas que tutelam ou que apoiam aos clubes nacionais. Luís Canhemba, representante da União Desportiva do Songo, diz que os patrocinadores de alguns clubes também se ressentem da crise causada pela Covid-19, dando como exemplo a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, HCB, empresa integradora dos “hidroeléctricos”, que viu as suas receitas diminuírem por conta do “lockdown” na África do Sul, o que precipitou a redução do valor alocado à responsabilidade social, com destaque ao clube de Songo.

No encontro da passada sexta-feira, entre os clubes, o Sindicato de Jogadores de Futebol, a Federação e a Liga Moçambicanas de Futebol, a Associação de Treinadores de Moçambique e as secretarias da Juventude e Emprego e do Desporto, Luís Canhemba defendeu a proposta dos clubes de pagar 50% dos salários, como forma de defender os interesses dos jogadores, sem que se chegue à Lei de Trabalho em relação a este aspecto, que prevê que no primeiro mês se paga 75%, no segundo mês 50% e no terceiro mês 25% do salário dos trabalhadores, no caso concreto os jogadores e treinadores.

 

Restantes também “choram”

Os outros “colossos” não ficam atrás e também sentem o aperto financeiro. Jeremias da Costa, Presidente do Costa do Sol, disse, ao Lance, que alguns patrocinadores estão a enfrentar dificuldades para honrar com o seu compromisso e já deram conta que vão rever os acordos de patrocínio. Uma situação que deixa tranquilo Da Costa, que tem suas responsabilidades com jogadores e treinadores, mas também como os restantes trabalhadores do ninho do canário. Aliás, este sublinhou, no encontro da passada quinta-feira, que a proposta colocada pelos clubes já olha para o lado humano, vincando a necessidade da proteção dos contratos dos jogadores e treinadores. 

Pelo mesmo diapasão entrou o Presidente do Ferroviário de Maputo, Teodomiro Ângelo, que assumiu que os ferroviários, na sua extensão, também se ressentem desta crise, já que o patrocinador é o mesmo, no caso concreto a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM). Foi por isso mesmo que Teodomiro revelou que a empresa integradora já alertou que vai ocorrer uma redução significativa do apoio financeiro por conta da redução da actividade nos portos e caminhos-de-ferro em todo o país, onde as receitas não são as mesmas dos tempo antes da COVID-19. 

Quem também deixou ficar o seu sentimento em relação aos apoios aos clubes, principalmente os que vão disputar o Moçambola 2020 é o empresário Juneid Lalgy, Presidente da Associação Black Bulls, equipa que ascendeu ano passado ao principal campeonato nacional. Lalgy, falando ao Lance, referiu que desde o confinamento obrigatório na vizinha África do Sul, decretado pelo respectivo presidente, Ciryl Ramaphosa, os camiões da sua empresa (Transporte Lalgy) estão sem transportar minério para o Porto de Maputo, razão pela qual já assume que vai trazer deficits nas receitas, o que vai prejudicar o apoio que tem dado ao desporto, no âmbito da responsabilidade social da empresa.

O facto mesmo é que estes clubes terão que fazer das “tripas coração” para que consigam pagar os salários, não só dos jogadores e treinadores, mas também de todos os trabalhadores que tem a responsabilidade de garantir a manutenção das infraestruturas dos mesmos.

 

A extremo moçambicana Carla Budane, que evolui no Benfica de Portugal, vai trocar na próxima temporada o basquetebol português pelo americano. 

A basquetebolista, de 19 anos, irá representar Wichita Shockers da NCAA, liga universitária de basquetebol dos EUA.

Carla Budane chegou a Portugal em 2016 com uma bolsa de estudo, tendo representado o Sport Algés e Dafundo.

A basquetebolista, de 19 anos, participou em 2018 no campo de treinos da NBA- Basketball Without Borders Africa-, evento havido entre os dias 2 e 5 de Agosto, em Joanesburgo, África do Sul.

Neste evento,  Carla Budane foi considerada jogadora mais valiosa (All Star Game MVP).  Como reconhecimento, foi selecionada para o Basketball Without Borders nos EUA, evento que juntou as melhores 65 jovens promessas de quatro continentes: África, América, Ásia e Europa.

Budane teve o privilegio de ser orientada por  por cinco estrelas da NBA, nomeadamente  -Al Horford (Boston), Goran Dragic (Miami), Domantas Sabonis (Indiana), Timofey Mozgov (Brooklyn) e Sam Dekker (LA Clippers) -no centro de treinos dos LA Lakers.

 

Suspensões, cancelamentos, incertezas e um medo que travou a bola em quase todas as quadras do mundo: novo coronavírus. Os cestos, as tabelas, os lançamentos exteriores, desarmes de lançamento e afundanços cederam ao vazio e silêncio nas quadras ou mesmo pavilhões. Tudo parou, inclusive em Portugal, onde o moçambicano Ernesto Jamisse Nhalungo desenvolve a actividade de treinador principal de basquetebol das camadas de formação Quinta dos Lombos e adjunto dos seniores femininos.

Nota prévia: como muitos, (a)firmou-se lá nas bandas da Matola, onde emergiram notáveis  da modalidade da bola ao  cesto quais  Victor “Tototi” Tamele, Fernando “Nandinho” Manjate, Gerson “Gone” Novela, entre outros. Para muitos, é  Ernesto Jamisse Nhalungo.  Para poucos, senão mesmo para praticantes e aficcionados do basquetebol,  “Coah Doggy”.  Seja como for, teve um percurso interessante que começou com uma passagem pelo Matolinhas, onde trabalhou com o malogrado Tívio Chongo.

Porque, nele, sempre habitou um potencial, o metódico Nasir “Nelito” Salé endereçou-lhe um convite para integrar o projecto de formação da extinta equipa de basquetebol da Liga Muçulmana, campeã africana em 2012, em Abidjan, Costa do Marfim.

Ernesto Jamisse aportou, depois, na baixa da capital do país, precisamente, no clube Ferroviário de Maputo onde trabalhou de 2013 a 2017. Neste clube ganhador e dominador no actual panorama do basquetebol moçambicano, trabalhou nos iniciados “A”, “B” E “C” , juvenile “B” antes de chegar aos juniores. A uma velocidade de cruzeiro, cresceu e trabalhou com Mabê na equipa “A” de basquetebol do Ferroviário.

Contam passagens pela selecção da província de Maputo nos Jogos Desportivos Escolares de 2011, tendo ficado em quinto lugar, assim como a conquista em 2013 do extinto torneio inter-escolar Básket Show pela Escola Secundária Zona Verde.

Passou ainda pela selecção feminina sub-16, na qualidade de adjunto de Lucilia Caetano. Facto curioso, “Coach Doggy” alimentou uma página na rede social “facebook” intitulada “Pai do basquetebol” que, na altura, despertou atenção do português José Leite, ele que não só é empresário como também treinador. Foi, de resto, numa destas incursões pelo mundo empresarial que se deslocou à Moçambique onde conheceu Ernesto Nhalungo.

Surgiu, então, o convite para fazer um curso de nível I em Portugal, concretamente na margem sul.Já em terras lusas, trabalhou como treinador principal de sub-16 feminino e adjunto de senior, isto nas três primeiras temporadas. Porque o sucesso lhe persegue, foi campeão pelos sub-14 da equipa do Quinta dos Lombos. E, depois, açambarcou o título de campeão distrital de basquetebol de Lisboa ao nível dos sub-14.

É esta figura que, em 2018, levou Moçambique ao segundo lugar no "Afrobasket" sub-18 e consequente qualificação inédita para o Campeonato do Mundo da categoria que hoje por hoje faz sucesso em Portugal. Pese, nesta altura, o facto de estar sem acção por via da pandemia do novo coronavírus que forçou a suspensão de actividades desportivas devido à pandemia do novo coronavírus.

Sem possibilidade de fazer o que mais ama e lhe dá prazer, Ernesto Jamisse Nhalungo cumpre a quarentena domiciliar, em Portugal, acatando todas as recomendações das autoridades de saúde. “Eu estou muito bem. Tenho tomado todas medidas contra o coronavírus. Eu tenho tido uma rotina que me dá conforto. Faço exercícios, limpeza e preparo as refeições", explicou “Coach Doggy”.
Neste período de confinamento social, “Coach Doggy” diz que a pandemia do novo coronavírus veio reforçar o sentido e conceito de família: “Eu gostaria que soubessem que a verdadeira felicidade está em casa entre a alegria da família”.
Ernesto Jamisse Nhalungo apelou ainda a todos os moçambicanos a acatarem as recomendações das autoridades de saúde. Só assim, sublinha, é que se pode vencer esta pandemia porquanto a prevenção é a melhor arma.

“Nós sabemos que a crise tomou conta do mundo. Mas nós temos uma arma muito grande: ficar em casa e tomar as medidas de prevenção. Vamos encarar este tempo como um intervalo da vida e oportunidade para pensar e repensar. E, depois disto, seremos mais evoluídos. Acreditem, vai passar mas a hora de fazer é agora. Não podemos ter medo, mantenham-se em casa".

O internacional moçambicano e central do Marítimo de Portugal, Zainadine Júnior, tal como todos os jogadores profissionais do Marítimo, cumpre o isolamento social imposto pelo Estado de Emergência em Portugal.

Diz não ser uma situação agradável, mas necessária, em face das medidas de prevenção da COVI-19. “Esta tem sido uma situação nova para todos nós, jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos. Felizmente, existe a consciência  desta ser a única forma de superar este vírus”, começou por referir o internacional moçambicano em entrevista ao Diário de Notícias, para depois falar da sua carreira.

Zainadine  disse  estar orgulhoso por estar a representar o clube insular e está satisfeito com o contrato que tem com o clube. “Para mim é um orgulho representar o Marítimo e me sinto feliz nesta clube”, disse Zainadine Jr, que faz parte do leque dos capitães dos “alvi-rubros”.

Num outro desenvolvimento, o central moçambicano e também um dos capitães da selecção nacional de futebol,  Mambas, diz ter ambição de recolocar o clube no lugar onde merece estar e não nas posições em que se encontra actualmente. Mas está ciente de que para tal, é necessário muito trabalho e, quando as competições reiniciarem, procurarem formas de vencer os jogos que ainda tem pela frente, por forma a garantir a posição desejável.

Zainadine Júnior falou ainda de como está a ser a sua vida actualmente, numa altura em que estão suspensas as competições devido à propagação da pandemia COVID-19. “Durante esta quarentena, tenho mantido a forma através de treinos conjuntos em vídeo-conferência, onde temos que estar online, todos juntos, para que, por alguma eventualidade, o campeonato retornar, mantermo-nos em boa forma para podermos encarrar as partidas que faltam para o final da prova”, disse Zaina.

O defesa internacional moçambicano, que faz também parte da hierarquia de capitães do Marítimo da Madeira, deixa uma mensagem de positivismo e esperança à família verde-rubra, e, num altura em que se impõe distanciamento social, sugere algumas séries televisivas que têm feito parte do seu dia-a-dia. “Para além de estar a treinar tenho visto algumas séries e passado algum tempo a ler. Esta é minha rotina durante o período de quarentena”, confessou o defesa central maritimista, que aconselhou os seus colegas e todos adeptos do clube e do futebol a seguirem o exemplo.

Mas os apelos não se ficaram por ai. O moçambicano apelou a todos para que sigam as instruções de prevenção de contaminação e de propagação da pandemia. “Fica em casa, que brevemente estaremos todos saudáveis, no caldeirão, a festejar aquilo que são os objectivos do nosso clube, o Marítimo”, terminou o defesa e capitão do Marítimo. 

Mais da metade, dos 14 clubes que devem disputar o Moçambola 2020, correm o risco de não participar da prova, devido a falta de licenciamento. A informação foi dada conhecer pelo representante da CAF, no encontro que manteve esta terça-feira com a Federação Moçambicana de Futebol, a Liga Moçambicana de Futebol e a Comissão de Licenciamento de Clubes

 

Novas medidas estão a espreita no futebol moçambicano, nomeadamente para os clubes que vão disputar o campeonato nacional de futebol. A partir da edição deste ano do campeonato nacional de futebol, só vão participar equipas devidamente licenciadas no sistema de provas. Esta foi a informação que os órgãos gestores do futebol moçambicano, nomeadamente a Federação Moçambicana de Futebol e a Liga Moçambicana de Futebol, bem como a Comissão de Licenciamento de Clubes receberam da Confederação Africana de Futebol, representada por Muhammad Sidat, gestor de licenciamento de clubes do organismo africano.

Muhammad Sidat explica que a CAF está a iniciar uma verificação pelas federações nacionais, em vários países, para saber se os critérios estão a ser cumpridos ou não. “Vamos começar com verificações este ano, entre cinco a dez federações nacionais vão receber inspecções aleatórias da CAF, iguais a que foram feitas para o Estádio Nacional do Zimpeto e o Estádio da Machava e vamos verificar se, de facto, as licenças que estas federações tem atribuído aos seus clubes para participarem nas suas competições nacionais e da CAF respeitam as normas estabelecidas”, disse Sidat, deixando claro que não haverá meias medidas para os prevaricadores.

Aliás, somente “clubes devidamente estruturados, que reúnam critérios de licenciamento, serão os que vão participar nas competições profissionais do país”, sendo relegados os restantes.

 

Incumprimento pode levar a multas de até 15 mil dólares

Mesmo sem mencionar quais os países que serão visitados pela CAF para monitoria, Muhammad Sidat deixou claro que todos devem estar atentos, pois em caso de incumprimento das mesmas, as próprias federações nacionais serão sancionadas.

Para Sidat “chegou o momento da federação implementar mão dura perante os clubes que não cumprem com os requisitos, porque nos próximos meses ou durante esta época, uma verificação virá da Confederação Moçambicana de Futebol e em caso de incumprimento, a CAF vai sancionar as federações com multas em montantes que podem ascender aos 15 mil dólares americanos”. Por isso há que os países serem rigorosos com os seus clubes caso não queiram sentir a mão dura da CAF.

Ademais, Muhammad Sidat disse que esta medida é no âmbito da preocupação que a CAF tem para os clubes menos organizados estruturalmente, pois isso faz com que haja pouca qualidade do futebol em alguns países e a mesma fraca qualidade ser extensiva a provas africanas de clubes, nomeadamente a Liga dos Campeões e da Taça CAF, bem como de selecções, nomeadamente o CAN e o CHAN, que exibem jogadores de fraca qualidade.

 

CLC reitera medidas severas aos prevaricadores

Para já, a Comissão de Licenciamento de Clubes, presente no encontro desta terça-feira, na sede da Federação Moçambicana de Futebol, garante que somente clubes devidamente licenciados vão disputar o Moçambola. Aliás, a Primeira Instância da Comissão de Licenciamento de Clubes tem autonomia para sancionar clubes que não estejam devidamente licenciados, ou seja, não depende de nenhum outro órgão, quer da Federação Moçambicana de Futebol ou da Liga Moçambicana de Futebol, para tomar a decisão de impedir os clubes de participarem na prova por falta de cumprimento das regras.

Por outro lado, e caso o Moçambola 2020 inicie nos próximos tempos, a Comissão de Licenciamento de Clubes garante que menos da metade dos clubes que deviam participar na prova estariam fora por não terem cumprido com todo processo de licenciamento. Ou seja, teríamos um Moçambola a ser disputado por menos de sete clubes, que são os que já terminaram o seu processo de licenciamento.

“E preciso vincar que, os clubes que não estiverem devidamente licenciados ou que não tiverem requisitos de licenciamento completos, não irão participar no Moçambola”, clarificou Artur Manhiça, presidente da Primeira Instância da Comissão de Licenciamento de Clubes, que acrescentou que “mais que a metade dos clubes não estão aoptos, neste momento, para disputar o Moçambola, caso tenha que iniciar nos próximos dias”.

Recorde-se que o Moçambola 2020 devia ter iniciado a 04 de Abril último e disputado por 14 equipas, mas devido a pandemia da Covid-19 foi suspensa e sem data para o seu arranque.

 

 

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